terça-feira, dezembro 28, 2004

Votonegócio

Na terra do "Povo Superior", um voto vale 15 vezes mais.

Sri Lanka

Confesso que tenho um fascínio de estimação por terras como o Sri Lanka ou Cuba. Notícias como esta enchem qualquer um de angústia.

Curioso

O chumbo da proposta que defendia a municipalização das reservas ecológica e agrícola nacionais; a isenção do imposto sobre produtos petrolíferos aos produtos biocombustíveis; a aprovação dos Planos de Ordenamento do Parque Natural Sintra-Cascais e do Vale do Guadiana; e a adjudicação do sistema de controlo do tráfego marítimo são outras questões consideradas positivas pela Quercus. (Público)

A César o que é de César?

Analfabetismo científico

Anteontem, na SIC, Rodrigo Guedes de Carvalho referia-se ao sismo ontem sentido no Índico como tendo magnitude 8.9 na Escala de Richter, que ia "até 9". Disparate.

A escala de magnitudes sísmicas de Richter modificada teoricamente não tem limite superior. Na prática, um sismo de magnitude superior a 10 teria consequências catastróficas, ou quase-apocalípticas, mas o facto é que ainda este século foram registados sismos de magnitude superior a 9.0 (Chile 1960, magnitude 9.5, por exemplo).

É um mais um triste exemplo da pouca preparação científica dos nossos jornalistas, que os leva a escrever "Volts" (com aspas), ou ships de computador, ou a escrever que "o planeta Marte será visto tão grande como a Lua" (este é um clássico antigo). E as pessoas acreditam.

Prémios Olho Vivo

Eduardo Cintra Torre elege os melhores e os piores do ano.

Armageddon

Fiquem com o asteróide, com o Bruce, Billy Bob e Ben. Mandem a Liv.

domingo, dezembro 26, 2004

Alcântara XXI

A construção de um túnel entre a Avenida de Ceuta e de Brasília, prevista no novo projecto Alcântara XXI, incompatibiliza-se com uma das ambições dos lisboetas: ver a linha de Cascais enterrada do Cais do Sodré até Algés.

Citando o Presidente da Câmara: "O dia que hoje vivemos é muito importante, porque há decisões inadiáveis que estão a ser tomadas".

Carris SMS

O novo sistema de aviso por SMS dos tempos de espera dos autocarros da Carris, em Lisboa, vem demonstrar que a empresa tem a tecnologia para controlar a posição e atrasos dos veículos da sua frota. Este serviço será gratuito no período de testes, sendo pago a partir do momento em que se prove a sua fiabilidade técnica.

A Carris, a quem não podem ser imputadas a maior parte da responsabilidade dos atrasos que tanto ferem a sua imagem e que demovem os utentes de recorrer aos seus serviços, procura gerar lucros a partir do seu baixo nível de serviço público.

Se a empresa estivesse vocacionada para promover a mobilidade em Lisboa, as paragens estariam dotadas de painéis informativos, indicando há quanto tempo tinha passado cada uma das carreiras, e eventualmente o tempo de espera previsto para cada uma. Este serviço poderia ser complementado pelo sistema SMS apresentado, dado que seria uma mais-valia em relação à informação disponibilizada.

Ao invés, os utentes continuam a esperar em paragens desconfortáveis, dia e noite, que os autocarros apareçam. Se quiserem mais, terão de pagar. A falta de consideração do transportador pelos clientes é gritante.

Adesão da Turquia

Ainda não assinalado aqui, as conversações para o início das negociações para a adesão da Turquia na União Europeia foram um sinal de maturidade dos líderes europeus. De destacar a maturidade da totalidade das forças políticas nacionais a dar o seu aval às discussões, apesar das ressalvas naturais.

Torres

A não ser por arrogância intelectual, as torres de Siza Vieira não eram justificáveis para a zona de Alcântara. Perante a falta de pulso das autoridades camarárias, o promotor desistiu do empreendimento e fará avançar um projecto do arquitecto Sua Kay, com uma volumetria mais consensual.

Perdeu-se uma boa oportunidade para definir o que não se quer para Lisboa— uma arquitectura cerebral, alienada, que faz tábua rasa das raizes ribeirinhas e populares da cidade, algo que já tinha sido rejeitado por altura dos "Dons do Rio". Faltará deliberar sobre o projecto do arquitecto Foster— infinitamente mais interessante—, mas que por coerência, deverá igualmente ser metido na gaveta.

Megajantares grátis

Em tempo de campanha, os partidos não só prometem almoços grátis como utilizam jantares organizados para vencer a tradicional inércia dos militantes em período de pré-campanha. Um pouco à semelhança dos jantares de desagravo, ou dos jogadores de futebol, ou de aniversário de patriarcas políticos, multiplicam-se jantares por tudo o que é salão comunitário, de exposições, polidesportivo ou industrial, invocando o pior do provincianismo da nossa política.

Nomes e assuntos

Já muito se comentou sobre o despropósito e piroseira da mudança de nomes dos Ministérios feita pela equipa de Pedro Santana Lopes (para não falar da "deslocalização"). Esperemos que na próxima legislatura os Ministérios recuperem as suas designações oficiais e parte da sua dignidade perdida, e que assim se mantenham por muitos e bons anos.

Autonomia meets Regionalização Socialista

Carlos César prepara-se para chegar, ver e ser pago pelo próximo Governo.

Darfur

Perante a inoperância da ONU, que continua de mãos atadas e lavadas perante as desgraças do mundo, o conflito no Darfur, a tragédia que marca o ano, continua a lavrar, sem controlo aparente da comunidade internacional.

Inversão do ónus da prova

Jornalistas não estão interessados em fazer o mínimo esforço para dignificar a classe sem a tradicional ajuda do Estado.

Também a ler, esta notícia.

Mar português

A notícia de instalação de um sistema de VTS e AIS na costa portuguesa representa a entrada de Portugal nos países civilizados em termos de tráfego marítimo.

Hoje em dia, para quem vem do Norte, África começa na dobragem da Galiza. Estamos no faroeste da Europa, aqui podia ser realizado um Mad Max marítimo. As frequências prioritárias estão cheias de relatos da bola, combinações de caldeiradas, conversas de malaios e filinos e insultos gratuitos.

Barcos de recreio misturam-se com cargueiros sub-tripulados, embarcações de tráfico de droga, navios de transporte de cargas perigosas, a toda a hora. Só não temos pirataria e descarga de magrebinos (?) porque ainda não aconteceu. Para além dos perigos do mar, a noite é tenebrosa. Só quem não contactou com esta realidade não tem consciência que o mar em Portugal é um desastre à espera de acontecer.

Este sistema de identificação automática de navios, apoiada por uma rede de centros de controlo em terra, funciona como um sistema GPS que regista digital e automaticamente a identidade, localização e rota de cada navio, cruzando informações com radares fixos. O regabofe no mar e em terra está para acabar.

Metro nos Bairros

Acolhe-se de bom grado a chegada do Metro aos bairros históricos de Lisboa, algo que permitirá suprir muitas necessidades de transporte, criadas com a morte lenta dos históricos eléctricos alfacinhas.

O exemplo do Papa

Ontem, dia de Natal, o Papa dirigiu-se à Igreja com mais uma mensagem de lucidez em que criticou numerosos conflitos e desigualdades, apelando à esperança e força de vontade de todos para criar um Mundo melhor. Aos 84 anos, sofrendo da doença de Parkinson, o Papa vem de novo dar um exemplo de dedicação e superação pessoal.

Tristemente, nos telejornais, nos jornais, nas conversas de café, as pessoas parecem mais preocupadas em comentar a sua debilidade e vê-lo preso a uma cadeiras de rodas mental, do que reconhecer o seu exemplo cristão e entender a sua mensagem, que nos toca a todos.

sábado, dezembro 25, 2004

Programação cultural

Cronicamente, cá no Tugal a promoção cultural de música clássica é feita de uma forma tosca. Veja-se a notícia do concerto de Ano Novo pela Orquestra Clássica da Madeira, feita no Diário de Notícias da Madeira (link não disponível): Neste espectáculo musical, em que a formação será dirigida pelo maestro titular e director artístico, Rui Massena, serão interpretadas diversas valsas de conhecidos compositores.

É de bradar aos céus! Mas há artigos culturais e promoções de espectáculos bem feitos. Veja-se este exemplo, sobre os concertos de Natal em Lisboa, em perfeita dissonância com a deficiente promoção feita nas páginas da Câmara Municipal de Lisboa (aqui).

Ressabiadismo em livro

De acordo com Ana Sá Lopes, grande parte da antipatia que existe contra a sua escrita deve-se a "inveja". O Público e a respectiva revista "Pública" associam o livro "Vanessa na cidade", que reune algumas crónicas da personagem, a outra personagem fictional -- Carrie Bradshaw, interpretada por Sarah JessicaParker, da série "O Sexo e a Cidade".

A série de televisão centra-se na vida emocional de quatro trintonas e é um produto bem produzido, reconhecido com inúmeras nomeações para prémios do meio televisivo, pontuado um humor fácil mas suficientemente mordaz e com uma saudável dose de loucura.

As crónicas artesanais de Ana Sá Lopes existem no Público para nos lembrar mensalmente porque não as lemos nas restantes semanas. Se as crónicas políticas já provocam repulsa pelo seu estilo deprimente, destrutivo, entrincheirado num raivosismo ideológico repelente que já não se usa em jornalismo, os escritos da Vanessa são apenas confrangedores, boçais, desinspirados e desinspiradores. Não valem um bocejo.

Admite-se que esta literatura cinzento-depressiva possa encontrar no mercado um público que seguramente não tem no jornal— a literatura cor-de-rosa precisa de uma contrapartida igualmente pré-digerida e vazia, que explore o lado negro das frustrações e depressões da meia-idade— e quem melhor do que Sá Lopes para o fazer.

BOM NATAL

sexta-feira, dezembro 24, 2004

TIJ rejeita queixa contra a NATO

Passou relativamente despercebida esta notícia sobre a recusa do Tribunal Internacional Criminal de avaliar uma queixa por genocídio da Sérvia-Montenegro contra os países da NATO que participaram nas operações militares na ex-Jugoslávia (a guerra do Kosovo) em 1999.

Fica o alerta para a politização potencial destas instâncias, condenadas a virem progressivamente a sua autoridade questionada, à medida que sejam mais comuns os apelos à suas deliberações.

Professor, onde está o livro?

Um exemplo de um silêncio demasiado bem gerido: o livro "Professor, Boa Noite!", apresentado há uma semana, ainda nem chegou ao Funchal, por motivos relacionados com a eternamente incompreendida insularidade.

De passagem, ficamos a saber que o que caracteriza os pivots da TVI é a "capacidade de prognóstico que supera todas as expectativas", o que é um tanto ou quanto insólito. Se havia quem fizesse as notícias, esse era o Professor.

quinta-feira, dezembro 23, 2004

Atiradores furtivos

Daqui a pouco mais de um ano, todos os que forem comer uns pastéis de Belém, terão de passar pelo Palácio de cabeça baixa e bem depressa...

Tasers nas mãos das polícias

Esta notícia, abre com uma frase perturbadora: "os futuros utilizadores destas armas submeteram-se às suas descargas e garantem a sua fiabilidade."

O equipamento será bem-vindo numas forças policiais, tão cronicamente mal equipadas que se sujeitam a descargas de 200 mil Volts. Mas como sempre existem vozes discordantes sustentando que estas armas já foram usadas em torturas pelas tropas norte-americanas no Iraque.

Supondo que vão sugerir de seguida que se disparem previamente dardos de aviso para o ar, ponho a seguinte questão: ponham-se na pele de um agente de segurança — e se um great homicidal maniac aparece armado com uma banana?

Outra frase desconcertante: "As torturas podem ser feitas de muitas maneiras, com uma simples pinha ou com uma corda. Não é preciso uma arma destas".. Com uma pinha, senhor comandante?

quinta-feira, dezembro 16, 2004

Recorde de engenharia

Ponte de Millau abre ao trânsito automóvel. Aqui o site oficial.
Mais surpreendente e exemplar, zero acidentes graves registados.

Legendagem

Mais um exemplo de bias da comunicação social: em reportagem da RTP, Luís Filipe Pereira era identificado como "Ministro da Saúde Demissionário".

Túnel

A Segunda Circular prepara-se para perder o título de "cancro da cidade" para o Túnel do Marquês, uma obra que ainda ninguém conseguiu explicar.

Renovação socialista

Isto é só uma amostra do que aí vem... no PS, é altura dos políticos muito incompetentes substituirem eventuais políticos competentes...

Elevação

Com exemplos destes, não sei se sou pelo sistema parlamentar, pelo presidencial, ou pela trapalhada que por cá temos... mas como dizia Churchill...

quarta-feira, dezembro 15, 2004

Falta pouco

"Marcelo promete silêncio até retomar comentário político", Público, à caça de notícia.

Sociedade do tanque

Quando a tendência é penalizar o transporte individual, o Conselho de Ministros prepara-se para conferir passagem à classe 1 nas portagens aos jipes e monovolumes que já beneficiam de redução em sede de Imposto Automóvel— duplo absurdo.

É do bom senso (e da literatura de Engenharia de Transportes) que dentro dos transportes individuais, sejam favorecidos aqueles que pela sua eficiência (versatilidade, poluição reduzida, manobrabilidade, pequeno tamanho) tenham um custo marginal reduzido.

Um monovolume poderá ter benefícios se tiver uma utilização que maximize frequentemente a sua lotação; deverá ser penalizado caso contrário. Não há razão para um jipe não ser consistentemente taxado, dado que a sua mais-valia em termos de mobilidade não tem valor social.

CORRECÇÃO 2004/12/16: Segundo notícia da RTP, os jipes não serão abrangidos por esta medida. Aqui, pelo Público.

Um dia

O Acidental defende "a criação de um sistema eleitoral maioritário que garanta vitórias claras e decisivas"— como se não bastasse as distorções à representatividade proporcional, criada pelo nosso sistema eleitoral. Na minha terra, graças a um sistema do género, são os mesmos a governar há 30 anos...

É questão de perguntar ao Luciano Amaral se também acha, à semelhança dos camaradas da UDP, que Portugal um dia ainda há de ser um país democrático...

Fantasia política

O cenário colocado por este post e pelo Blasfémias é um bom desafio à imaginação.

Seria necessário a esquerda ganhar as eleições, o PS falhar a maioria absoluta, e falharem redondamente as negociações entre Partido Socialista e BE, ou PCP. O pacto formado pelo PPD e CDS-PP vale o que vale, e seria posto de lado com alusões ao interesse nacional.

Se o PS governasse com o CDS-PP, caminharíamos para um regime tripartidário (um socialista, um conservador, um liberal)?
E se o Partido Socialista governasse com o PSD, como seria o CDS-PP como maior partido da oposição?...

Decepção (2)

No Público, José Manuel Fernandes e João Pedro Henriques falam muito claramente do paradoxo da dissolução do Parlamento: "É um absurdo e, como todos os absurdos da política, afasta os cidadãos das instituições que os governam".

Aborto

Sobre esta notícia do Público, e considerando os compromissos assumidos pelas bancadas parlamentares nas últimas legislaturas, é inevitável que o assunto da liberalização do aborto venha a ser um dos temas de campanha.

É necessário clarificar a lei, definir direitos e deveres, e evitar abusos. Os partidos da ex-coligação farão bem em definir e apresentar com brevidade a respectiva posição, responsavelmente e sem ambiguidades, de modo a retirar da discussão eleitoral este assunto sensível, e dar importância aos projectos que visam resolver os problemas do país.

ADENDA 2004/12/16: em entrevista à RTP, Paulo Portas esclarece: "poderá haver um novo referendo num "prazo razoável de duas legislaturas" (que, se não houvesse interrupção desta legislatura, seria em 2006); quando esse referendo acontecer, o CDS porque tem uma posição oficial sobre o aborto, defenderá a sua posição, o PSD, porque entende que não a deve ter, dará liberdade aos seus militantes.". (Público)

Seriedade

Vale a pena espreitar o que fazem os nossos vizinhos.

terça-feira, dezembro 14, 2004

Guterres, fugas e despedimentos

Vital Moreira, no Público, sobre António Guterres: "(...) tendo o primeiro-ministro acabado por se demitir a meio do mandato na sequência da derrota nas eleições locais de 2001. Com isso o Presidente foi poupado à questão de saber o que faria, se o primeiro-ministro não se tivesse demitido e se se tivesse instalado o "pântano político" que Guterres pretendeu evitar com a sua saída (sendo contraditoriamente acusado de "fuga" por aqueles que agora acusam o Presidente de o não ter "despedido" antecipadamente...).

1. Guterres fez muito bem em largar o poder, devia tê-lo feito antes de provocar mais estragos. O país foi mantido acamado tempo demais, e as lesões por inactividade ainda hoje se sentem. E não nos esqueçamos da carta de corso que foi passada a todo o boy socialista para pilhar o Estado nas semanas de Goveno de gestão.

2. Guterres é acusado de "fuga" porque adding insult to injury nem ousou enfrentar o julgamento eleitoral pelo fraco serviço prestado ao país.

3. Ninguém acusa o Presidente de não ter "despedido" Guterres. Ninguém estava à espera que o Presidente o fizesse, estando garantidas as condições para o PS manter o poder até ao fim da legislatura. Pedia-se sim responsabilidades ao Chefe de Governo por uma gestão francamente incompetente e ruinosa, que o Presidente tacitamente aprovava.

Por outro lado, ninguém pode dizer o que é que Sampaio teria feito se não tivesse havido a autodemissão do primeiro-ministro; tendo em conta as suas declarações na altura, é lícito presumir que não teria ficado impassível.

4. Não há que enganar: na altura, Jorge Sampaio pretendia que o PS constituisse novo Governo, porque as legislaturas eram para ir até ao fim, não podiam ser influenciadas por desaires eleitorais, e tinha de haver serenidade.

Decepção

"Entendi ainda que se tinha esgotado a capacidade da maioria parlamentar para gerar novos governos."

Não querendo duvidar dos poderes divinatórios do nosso Chefe de Estado, parece-me que o preceito constitucional que obriga o Presidente a ouvir os partidos tem a utilidade averiguar da viabilidade da formação de novo Governo originado da mesma constituição parlamentar.

O facto de se esquecer de avisar o Presidente da Assembleia da República (o segundo órgão de soberania do país) é apenas um pormenor indicativo do seu estado de falta de espírito.

Já não lhe interessava a convivência com aquele Governo desastrado e acossado, que ajudou a viabilizar politicamente. Na presença de bons motivos, não teve a coragem em demitir o Governo, ou pedir a sua demissão, porventura com receio de ser chamado de "caudilho".

Dissolveu o Parlamento, eleito pelo povo, onde havia uma maioria parlamentar sólida, cujo poder reside na representação proporcional de várias vozes políticas— um orgão que durante a crise nunca tinha sido contestado. Uma decepção.

Canas

É por estas e por outras que não acredito nas teorias do "bom selvagem"...

Aburguesem-nos por favor

"Socialistas rejeitam PCP mas aceitam Bloco", notícia do Público. PS prefere uma solução de governabilidade com a força política mais irresponsável do país, a negociar com o PCP, ou pensar em "qualquer entendimento à direita— que nada justifica". Os consensos nacionais tão queridos do Presidente (e agora, sem sarcasmo, bem necessários) vão ter que esperar.

CORRECÇÃO 10:49 -- Sócrates desmente o cenário do Público e diz que não tem estratégias alternativas para depois das eleições.

Hasta la revolución

A não perder o obituário especial do Público de ontem (aqui, aqui e aqui).

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Vivó sismo

Já não nos bastam os terramotos políticos...

Trapalhadas

Há dias, alguém dizia que "trapalhadas" era a palavra que mais se ouvia associada ao Governo agora demissionário.

A Presidência da República entendeu dar a entender que entendia que ainda existia e que o Presidente é um entendido na matéria.

Demissão

O Governo demitiu-se. Não caiu S. Bento nem Belém.

Reality check

"Now, I would just like to point out that this film is displaying a distinct tendency to become silly".

sábado, dezembro 11, 2004

Belém pariu um rato

Hat tip para o Semiramis, pelo título do post. Aqui também.

A não perder mais uma referência a Dâmocles, no Público.

Belém pariu um Sampaio (2)

"Aliás, por diversas vezes e por formas diferentes, dei sinais do meu descontentamento com o que se estava a passar."

Sampaio sempre pautou os seus mandados pela maior das cordialidades institucionais, pela ingerência política mínima, pela descrição da "legislatura de influência", por reparos infinitesimais e retoricamente refinados.

Para sermos justos, Sampaio sempre se dispensou de mencionar um a um os problemas que identificava. Nem "discordos" nem "disconcordos", apenas explanações vagas de platónicos códigos de conduta para o Governo da nação.

Para Sampaio, cada uma das suas próprias manifestações de descontentamento, timidamente camufladas em discursos suaves, ou sopradas pelas "fontes" de Belém, foram autênticos mandamentos de doutrina.

Foi o que se viu com Guterres, Durão, Santana, e com o senhor que virá.

Belém pariu um Sampaio

"Houve quem estranhasse que só hoje, alguns dias depois do início deste processo politico-constitucional, me dirija ao País (...) calendário foi definido de acordo com o que entendi ser conveniente para o país".

Cada vez salta mais à vista que o nosso Presidente não sabe ser ou não é "conveniente para o país".

Conveniente teria sido comunicar a sua decisão ao Primeiro-Ministro, e de imediato dirigir-se ao país explicando todas as suas razões. As "formas" constitucionais conducentes à dissolução do Parlamento seriam cumpridas com a celeridade necessária e suficiente, de modo a permitir a votação do Orçamento, como desejado.

Sampaio não consegue explicar o porquê de tanta demora, de tanto frenesim. Do adiamento da sua comunicação, não conseguiu produzir nenhum fruto, a não ser "certos comportamentos e reacções dos últimos dias".

A "consciência colectiva" e "preocupação generalizada" do país é ter um Presidente verboso, inconsequente, ilógico e processual, preocupado com a "reacção do país"— mesmo quando decide correctamente.

Mário Soares

Do artigo de José Pacheco Pereira, "Uma vida— as decisões de Mário Soares", destaques:

"Meter o socialismo na gaveta" (1978) - Soares percebeu que a democratização política não se sustentava sem uma economia de mercado sólida, e tudo fora feito no PREC para a impedir. Com arranques e paragens bruscas, os governos de Soares fizeram alguma coisa para diminuir a estatização da economia, mas, apesar da gaveta onde meteu o socialismo, foram sempre governos do PSD que fizeram as reformas fundamentais. A Constituição era o grande obstáculo a essa plenitude da economia de mercado e Soares sempre hesitou, adiando a sua revisão, só conseguida pelo Governo de Cavaco Silva.

Tirar o socialismo da gaveta (2000) - Desde os últimos anos do século XX que Soares vinha tirando o socialismo da gaveta. Falando agora sem censuras, dizendo o que lhe apetece dizer, desde descrever o Presidente Bush como um bêbado incorrigível, que fala com Deus e que pôs o seu Governo a rezar antes de se reunir, até à defesa de negociações com Bin Laden, Mário Soares tornou-se um porta-voz de um socialismo radical antiglobalização, visceralmente antiamericano mais próximo do Bloco de Esquerda do que do PS.

Da comoção que se formou na blogosfera, nada melhor do que isto.

Parabéns

...atrasados ao Ponto Média pelo prémio BOB 2004 (Deutsche Welle International "Best of the Blogs" Weblog Awards 2004).

sexta-feira, dezembro 10, 2004

New World Order

Já são dois os membros do Conselho de Segurança da ONU que defendem abertamente os "ataques preventivos".

Cenário pouco equacionado

E se o Partido Socialista tiver oportunidade de governar com o PSD ou CDS-PP?

Aceitam-se apostas

Para onde Miguel Sousa Tavares prometerá emigrar se Pedro Santana Lopes vencer as eleições?

Coligação pré-eleitoral (4)

Se o CDS-PP consegue ou não repetir a última votação em eleições legislativas, é uma questão de fé. É de crer à partida que a coligação não passará nas urnas. Se tinha condições de o fazer há quatro meses, marcando uma eventual evolução face ao Governo Durão Barroso, agora decide-se a continuação de um projecto que não teve grandes restrições à sua actuação, e que só foi interrompido por grandes faltas de coordenação ao mais alto nível.

Um fracasso eleitoral será definido como a não obtenção de um mandato governativo, que é um cenário mais do que realista. É um erro dar ao PS a oportunidade de conseguir por si só uma maior votação que os dois partidos de direita coligados. PSD e CDS-PP serão remetidos para uma oposição para a qual não estão preparados, porque perderam a oportunidade de propor ao eleitorado programas de governo coerentes com as suas filosofias políticas.

A apresentação de um programa comum tolhe a identidade política de cada um dos parceiros. É importante para Portugal que sejam marcadas as duas visões distintas da "direita" moderna: o liberalismo reformista do PSD e a democracia cristã do CDS-PP. A coligação não serve os interesses do país e do eleitorado.

Coligação pré-eleitoral (3)

Só existirá uma coligação eleitoral com o empenho pessoal de PSL, e se e só se o CDS-PP mantiver o status quo dentro da aliança, ou seja, a possibilidade realista de reeleger 14 deputados.

É uma perspectiva altamente centrada no CDS-PP, o menor partido da aliança, imediatamente porque mantém o mesmo grupo parlamentar. Para PSL, permite-lhe manter o Poder, condição essencial à sua sobrevivência política. Admite vários cenários:

- CDS-PP não consegue eleger tal número de deputados concorrendo sozinho. Tal dever-se-á ao fenómeno de "voto útil" da direita face ao PS; ou porque o partido poderá ser sancionado pela participação num Governo que teve um fim infeliz, e com o qual foi sempre solidário. Alegadamente, o PSD manterá aproximadamente a mesma votação, possivelmente com ligeira quebra— mas devido às leis eleitorais, a coligação será beneficiada, alcançando-se nova maioria parlamentar;

- o partido consegue de facto eleger o mesmo número ou mesmo mais deputados, dado que ganhou em credibilidade dentro do Governo. Mas numa lógica de sacrifício em nome de Portugal, partilha a mais-valia com o PSD, cujo prestígio foi ferido.

quinta-feira, dezembro 09, 2004

Yushchenko

Por muito fantástico que pareça, há evidências que Victor Yushchenko tenha sido vítima de uma tentativa de assassinato por envenenamento...

Concorrência

Neelie Kroes, comissária europeia para a Concorrência, chumba a compra da Gás de Portugal pela EDP, argumentando que a medida iria promover a concentração no sector energético, prejudicar a concorrência e não beneficiaria os consumidores.

O projecto designado pelo eufemismo "reestruturação do sector energético em Portugal" sofre um revés. É altura de enfrentar que o tempo da intervenção estatal massiva acabou e que o tempo é de competitividade económica.

Ficamos à espera que o "olho" de Bruxelas se vire para o universo PT, quase-monopolista das comunicações em Portugal, e dos maiores fornecedores de free lunches do país.

Nações Unidas

No Quinto dos Impérios, aqui.

Trunfos

A convocação de eleições antecipadas obriga o Governo a dar mais visibilidade aos projectos até agora desenvolvidos, dos quais os da Defesa, Ambiente e Obras Públicas sarão os mais valorizados. A destrunfada pode ser penosa para a oposição, que demonstra sinais de inquietação.

terça-feira, dezembro 07, 2004

Um presente para Lisboa

Os novos outdoors da CML, publicitando a reabertura das obras do Túnel do Marquês, são um insulto a todos os que viram a sua vida perturbada, e aos contribuintes que viram os cofres da Câmara ficarem 2,5 milhões de euros mais vazios...

segunda-feira, dezembro 06, 2004

A língua portuguesa

Da conferência omitiu-se o "passado", para não obrigar a repescar os primeiros discursos do actual Presidente ("oratória de grandes proclamações às quais, depois, na prática, nada ou pouco corresponde").

Coligação pré-eleitoral (2)

Contrariamente ao que pensa e deseja Vasco Pulido Valente, não é líquido que os partidos sofram uma hecatombe nas próximas eleições. Contudo, é inevitável a sangria de votos, uma vez que o eleitorado indeciso e descontente será fortemente seduzido pela dinâmica socialista.

Interessará a ambos os partidos minimizar os prejuízos. Contudo, apenas o CDS-PP estará em condições de maximizar os proveitos da sua experiência governativa, face às baixas espectativas criadas há dois anos. No caso de coligação, é realista pensar que o CDS veja reforçada a sua importância dentro da coligação, de modo a conferir-lhe alguma credibilidade.

Se os partidos se coligarem, existe de facto a possibilidade de obterem a desejada maioria absoluta.

Cenário menos irrealista, se falharem o objectivo, alcançando mera maioria relativa, é previsível que Jorge Sampaio convide a esquerda parlamentar a formar Governo. Assim, ou por desastre eleitoral puro e simples, é mais do que previsível que haja um estado de estado de graça insuportavelmente longo do novo Governo, enquanto PSD se renova e a nova liderança se afirma autonomamente do CDS-PP.

Se a matemática dos lugares e a cobardia política não prevalecerem, é óbvio que os partidos ganham mais em concorrerem separados (o próprio Louçã referiu que é mais fácil derrotar Santana e Portas coligados!). Para todos é claro que o valor político da coligação é inferior à soma do valor político dos partidos que a compõem.

How not to be seen

Não vale a pena explicar-lhe que perdeu o jogo, ele não vai lá...

domingo, dezembro 05, 2004

Coligação pré-eleitoral (1)

Hoje e ontem vieram a público notícias (1,2,3) sobre a existência de contactos ou predisposição entre as cúpulas do PSD e CDS-PP para formação de uma coligação pré-eleitoral para as eleições.

A solução não revela pragmatismo, mas autismo. Contrariamente ao que será dito e explicado aos portugueses na campanha, e tudo valerá, o Governo não caíu apenas por factores externos (o Presidente, "os grandes capitalistas e todo-poderosos do país", Cavaco Silva, ou a comunicação social)— mas porque sucessivas faltas de coordenação e coerência minaram a sua credibilidade, autoridade e capacidade de liderança do país.

Não interessa à maioria da população ser confrontada com uma moção de confiança a um Governo que muitos vêem como fracassado.

De acordo com muitas opiniões, nomeadamente a de Vasco Pulido Valente (ver artigo no Público), esta manobra só interessará por sobrevivência política de PSL, e para tirar partido das distorções do método de Hondt Modificado, que favorecem desproporcionalmente os resultados mais folgados, e consequentemente a formação de coligações.

Gosto duvidoso

A ler, os posts do Mar Salgado (aqui e aqui), sobre mais uma baboseira provocatória da Clara Pinto Correia.

sábado, dezembro 04, 2004

Timings

Parece interessante e pouco correcto o pensamento do post da Bloguítica ("As legislativas presidencialistas").

A melhor maneira de empolar o debate sobre os candidatos presidenciais durante a campanha seria justamente Cavaco Silva anunciar a sua candidatura em Janeiro. Seria o caos absoluto na campanha, e tornaria o ex-primeiro-ministro refém dos resultados de Santana Lopes, com quem não quer ser associado.

Quem estará pronto para se fazer à liça política em Janeiro é Marcelo Rebelo de Sousa, livre de compromissos, explorando o aftermath da previsível derrota social-democrata nas urnas.

Cavaco Silva nunca avançará sem o apoio incondicional do aparelho do PSD. O timing ideal é anunciar a sua disponibilidade no Verão de 2005, quando o partido estará a mobilizar forças para as eleições autárquicas no princípio do Outono. Neste cenário, o PS já terá anunciado o seu próprio candidato.

Nova lei autárquica

A nova lei autárquica proposta pelo PS parece ser um mecanismo de bom senso, promovendo executivos autárquicos mais ligeiros e responsabilizados. O debate público tem sido reduzido.

Castigo

A ascenção de PSL deveu-se a um notável instinto de sobrevivência, oportunismo mediático e grande capacidade de auto-promoção, qualidades ora elogiadas, ora cunhadas de "populismo". Nessa medida, foi promovido ao nível onde as suas capacidade deixam de ter utilidade ao sistema que o alimentou. That's entertainment. Um triste espectáculo.

O que é absurdo, inédito e medíocre é ter ascendido ao segundo lugar do maior partido do Governo com tão fraco currículo. Na perspectiva da formação iminente de novo Governo, com a mesma base parlamentar, e exigindo-se continuidade de políticas, a escolha óbvia e competente seria entre Manuela Ferreira Leite e Marques Mendes. E estaríamos bem melhor.

Nesta medida, são justas as culpas atribuídas a Durão Barroso na condução do processo (a "sucessão dinástica" alegada por Louçã). Não o são as críticas à sua ida para a Comissão Europeia, ou os apelos que foram feitos à subversão da ordem natural constitucional da República, quatro meses atrás.

A aventura poderia ter sido bem sucedida. Foi um castigo imposto a Portugal, por garotice e avidez do Partido Social Democrata. Agora importa que os eleitores competentes expulsem os políticos incompetentes.

Cartazes de campanha

Excelente, do Blasfémias.

Ridículo

Post d'O Intermitente sobre a falta de sentido de ridículo (e inteligência) dos dirigentes da Associação Académica de Coimbra. E já agora, este.

Estas vacas devem estar gordas

"Partidos na Madeira recebem 7 vezes mais do que nos Açores", notícia do DN-Madeira.

sexta-feira, dezembro 03, 2004

Frontalidade

Em época de eleições, em que muitas verdades vão ser ditas, convém recordar onde tudo começou...

Breakthrough

Criação de embriões sem esperma. Notícia do Público.

Título do Dia

"Dungeons and Dragons"

Que tipo de moeda é este?

António Borges, outra incógnita...

Sem medo de coligações

Longe das maiorias absolutas e diálogos intermináveis ao gosto português, em Israel para ultrapassar crises, não há medo de coligações e compromissos governamentais...

Peter

Dado que tanto se fala da "rise and fall" do PSL, cá vai (e aqui em português).

quinta-feira, dezembro 02, 2004

Mais depressa com mel do que com vinagre?

Libertação de mais um escritor dissidente em Cuba.

Partindo a loiça

Ao seu melhor nível, Alberto João Jardim sem papas na língua...

Adenda 2004/12/03: um artigo sarcástico de Marta Caires...

Sinais de vitalidade

Apresentam-se dez candidatos às eleições presidenciais para a Autoridade Palestiniana.

CML

Santana suspendeu-se da Câmara Municipal de Lisboa?

Adenda 2004/12/03: os piores receios confirmam-se

Anti-Spam

Vigilantes do Spam. Notícia aqui.

Vitorino e não Sousa Pinto

Vão no bom caminho... recordem-me quem escreveu o programa de Governo de Santana Lopes?

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Referendo

Vital Moreira defende que não há base legal para realizar o referendo europeu em 2005.

Wikinews

Um fenómeno interessante: Wikinews, dos mesmos criadores do Wikipedia. Referenciado pelo Ponto Média.

Fundamentos

Não vá por , caro Paulo Portas.

José Manuel Fernandes resume-os muito bem no editorial de hoje do Público.

Reforma da ONU

Algo urgente.

It's SABOTAGE!!!

Na altura de apontar o dedo, há sempre os suspeitos do costume. A esquerda tem os seus, mais ou menos enumerados. E há quem ainda acuse Durão Barroso...

Mas aqui para nós, está tudo resumido no post do Homem-a-Dias:

O PR, este PR, falhou há quatro meses, falhou agora, falhará sempre que necessário. O PR, este PR, é a simpatia mais incompetente que o país já conheceu. Pensar que um terço dos portugueses elegeu isto, e por duas vezes, é a prova maior da degradação política de que tanto se fala..

(também o link para o Blasfémias e Nortadas).

Solidariedade

Em solidariedade para o meu colega de blog, que se afastou destas lides para não entrar em conflito com as suas responsabilidades como servidor do Estado: o A Arte da Fuga precisa de ti!

Cavaco

Um dos marcos de maioridade da democracia portuguesa foi ter passado para a época "Depois de Cavaco", infelizmente marcada por governos incompetentes, incompletos e incoerentes.

Cavaco é o candidato natural à Presidência da República da Direita, e o único que conseguirá dignificar a instituição, depois de dois mandatos de pacholice insípida.

Não faltaria muito para estarmos a clamar pelo octagenário Soares (aquele que o é de corpo), a sacar do sarcófago Álvaro Cunhal, ou a dar alta psiquiátrica a Freitas do Amaral.

(opinião contrária a NoQuintodosImpérios, Blasfémias, Abrupto)

Salomão

Sampaio decreta: "Desliguem a incubadora! Serrem o menino a meio!"

Orçamento

A coligação governamental prepara-se para fazer avançar o Orçamento de Estado. PS diz que não vê mal num regime de duodécimos.

Se for votado um Orçamento, será inevitavelmente uma herança fatal para o próximo Governo, e um factor de incerteza para os agentes económicos, que entenderão que até um eventual Orçamento Rectificativo, estamos num regime puramente transitório.

Por outro lado, há reformas e correcções, nomeadamente nos salários e pensões, que afectam toda actividade económica, e não devem ser adiadas.

Sampaio retira a confiança política ao Governo, mas mantém-lhe a legitimidade constitucional, permitindo que decida se leva ou não o Orçamento a aprovação ("é total a sua liberdade neste momento"). Mais umas vezes lava as mãos das suas responsabilidades.

terça-feira, novembro 30, 2004

Já se esperava

Assembleia da República é dissolvida pelo Presidente da República. Depois de tanta trapalhada, alguma clarificação.

sexta-feira, novembro 12, 2004

Baghdad Bob - um clássico


A não perder We Love The Iraqui Information Minister, assim como listas das citações mais famosas aqui e aqui.

Arafat

Impressiona-me pela positiva a falta de paixão do Barnabé sobre a morte de Arafat. A seguir, os link da Rua da Judiaria, e deste para o New York Times.

Isto vai ensinar-lhes maneiras!

ONU retira parte do pessoal humanitário do Darfur, sob protesto.

Hail the new Buddha!

"Fifty-one percent of the American people lacked information (in this election) and we want to educate and enlighten them," Moore was quoted in Thursday's edition of Variety. "They weren't told the truth. We're communicators and it's up to us to start doing it now." (Michael Moore)

The hardest word

A humildade compensa?

Propulsão iónica

Notícia do Times Online.

domingo, novembro 07, 2004

Exemplar

Até prova de contrário, é exemplar o empenho das autoridades palistinianas em assegurar a segurança nos Territórios Ocupados, enquanto Arafat continua hospitalizado.

Ainda o Prémio X

Notócia da BBC sobre a entrega dos 10$M respeitantes ao prémio X.

sexta-feira, novembro 05, 2004

quinta-feira, novembro 04, 2004

Sob o signo de Lisboa

Wake up and smell the coffee.

Strike two

A segunda desgraça do reinado Kofi Annan: de novo impotente.

Firefox/Mozilla Wars

A luta continua.

Trabalha-se II

Mais um exemplo de responsabilidade e maturidade democrática nos nossos "vizinhos" alemãos.

O medo

Critica-se muito o povo americano por ter cotado "com medo". Mas não se criticou o espanhol quando o fez.

Eles mentem, eles perdem

Para além deste título piroso (e pouco original!), fica a esperança que a nova Administração Bush seja menos má do que a anterior...

Tele-espectadores

No Público: O primeiro-ministro iraquiano, Iyad Allawi, pediu ajuda "aos países que até agora se limitaram a ser meros espectadores" no processo de democratização do Iraque.

Não lhes querem tirar o seu reality show favorito, pois não?

Trabalha-se

Na Alemanha.

segunda-feira, outubro 11, 2004

Coral da Madeira

Aqui o site oficial.

Corais da Madeira

Acerca desta notícia do Público, alguém que explique que "agregações de coral, fontes hidrotermais e estruturas carbonatadas" existem entre 100 e 200 milhas da costa da Madeira— onde as profundidades são superiores a 2000m. Não era mais simples referirem-se a "bancos de pesca", zonas onde a profundidade é bem mais modesta?

um clássico

Um post fora de ordem: o Público às vezes brinda-nos com estas pérolas perdidas...

sexta-feira, outubro 08, 2004

Patentes, Sun, Kodak

Ainda o tema das patentes "gone bad".

A Sun Microsystems desistiu num processo lançado contra sim pela Kodak, por alegadamente ter abusado de uma patente que toda a indústria considera ridícula (a method by which a program can ask for help from another program).

Um perigo para os consumidores e para o desenvolvimento tecnológico mundial. Mais informação aqui (For various reasons, many of the patents issued by the U.S. Patent Office actually contain no innovation. Such patents effectively allow private actors to recapture ideas that were previously in the public domain, etc).

quinta-feira, outubro 07, 2004

A noite e os estudantes

Quando Manuel Braga da Cruz, reitor da Universidade Católica Portuguesa, considerou que a indústria da noite exercia uma fortíssima pressão sobre os estudantes e que era responsável pelo menor investimento no estudo e aplicação em geral, foi um escândalo.

É óbvio que a indústria da noite alicia os estudantes. O estudo e a "vida de estudante" são actividades complementares indissociáveis. E se para muitos, a vida à noite não implica com o estudo, para outros é um verdadeiro vício para onde se canaliza as energias e emoções que o estudo e a vida monástica da faculdade não proporcionam.

A borga por vezes é uma desculpa, um escape através do qual se manifestam as frustrações e falta de motivação, de vontade ou capacidade para ultrapassar os obstáculos académicos. É natural que a aplicação diminua. Mas não é alarmante. Factores mais fortes pesam sobre o insucesso escolar ao nível Superior, e seria estúpido restringir a indústria da noite, que serve cidades inteiras, mais do que só estudantes.

Nota final: é natural que este fenómeno não seja conhecido dos Gabinetes de Apoio Psicológico— quem sai à noite por sistema depressa esconjura os seus demónios nos copos, e divãs só os quer para curar exageros...

Ranking

Diz Vital Moreira, no Público: o mais importante vector singular é porventura constituído pelos próprios alunos.

Em última análise, será mais importante o contexto sócio-económico dos alunos, tanto nas escolas públicas como nas privadas, do que a competência científica dos professores, a gestão da escola, equipamentos e actividades.

Se é verdade que a comparação entre escolas só poderá fazer-se em igualdade de circunstâncias, essa igualdade não existe, porque existe uma correlação, clara e socialmente motivada, entre os dois critérios antagónicos.

É interessante o último parágrafo, notavelmente isento de carga ideológica, sobre uma exigência de financiamento público do ensino privado (outra propositada confusão): (...) Em Portugal, o ensino público é um direito, o ensino privado é uma liberdade. (...)

"admirável governante"

Assistimos a um processo com duas vertentes, típico do estilo Putin: a democracia é a melhor coisa do mundo, desde que se considere que a democracia sou eu.

Eduardo Prado Coelho, no Público, sobre um dos piores Ministros de que há memória— Rui Gomes da Silva.

Depressão

Uma das novas doenças do século, calculando-se que será a segunda causa de invalidez, na Europa de 2020.

Não é possível censurar e proibir o Bloco de Esquerda, esse movimento neo-depressivo? Por motivos de saúde pública?

O monstro Google volta a atacar

O Google propõe um serviço de indexação de livros. Amazon ao quadrado. Revolução à vista na imprensa escrita.

Burma Campaign

Uma ONG. determinada a denunciar porventura o mais cruel regime do mundo. Por cá, a opinião pública começa a aperceber-se da realidade atroz que se vive na Birmânia.

Este não estava disponível


Para liderar o PCP.

Separados à nascença

A luta continua a ser perdida

Agora que o Partido Socialista sob a liderança de Sócrates se desloca para o centro, era a altura certa para o PCP se modernizar e pressionar o PS pela esquerda. A saída de Carvalhas poderia ser o catalisador perfeito, na altura perfeita.

Contudo, no belo estilo estalinista, já existe sucessor. Jerónimo de Sousa parece ser coveiro-geral indigitado do PCP. O Partido do proletariado regressará a uma política ortodoxa que pouco colhe na actual sociedade portuguesa. A disputa eleitoral com o Bloco será dolorosa para os comunistas.

Marcelo

Manobra maquiavélica do professor, ou pressão política inaceitável, o mundo do comentário político ficou mais pobre com o abandono de Marcelo da TVI. Um choque.

Nota negativa para o Governo, na figura do Ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, e Media Capital.

terça-feira, outubro 05, 2004

Irão

Autoridades iranianas anunciam que o país dispõe agora de mísseis com alcance de 2000km, o suficiente para alcançar partes do sudeste da Europa. Segundo os especialistas, este avanço tecnológico significa que a tecnologia balística iraniana deixa de ter restrições— como provam as intenções de lançar um satélite especial no ano próximo ano.

"If the Americans attack Iran, the world will change ... they will not dare to make such a mistake," Rafsanjani was quoted as saying in a speech at an exhibition on Space and Stable National Security. (Reuters)

Tarde de mais, é altura da Europa unir esforços para que o programa de armamento nuclear da República Islâmica seja rapidamente interrompido.

Adeus Carvalhas

Carlos Carvalhas vai abandonar o cargo de secretário-geral do Partido Comunista Português, onde se eternizou durante 12 anos, com sucessivas e reiteradas derrotas eleitorais e perda de eleitorado e influência social do PCP.

Depois do bom exemplo de sucessão no Partido Socialista (que teve o sério revés de ter deixado o país sem Oposição responsável durantes uns meses), vamos ter algo parecido no Partido Comunista? Há renovação à vista? Alguém ainda acredita no Comunismo?

Aeroporto


A ampliação do Aeroporto da Madeira sobre o mar obrigou à execução de um enorme aterro que serviu para melhor execução das fundações indirectas dos pilares que suportam a imensa laje.

Esta área tem sido aproveitada pelas entidades regionais para diversas iniciativas ad hoc, mas surge agora um projecto ambicioso que visa dotar a zona oriental da Ilha de importantes equipamentos lúdicos. Um exemplo a seguir, quando comparado com os fundos perdidos em tantos projectos Polis por esse país fora...

Prémios Ig-nobel

Já um pouco tarde, aqui ficam a lista dos Ig-nobel, assim como da Fundação Nobel.

ETA

Saúda-se a mais recente operação policial contra a ETA, que resultou na detenção de uma importante estrutura de comando.

Fenomenal

O blogue-sensação-nonsense O Anacleto é fenomenal!

Ideias claras de Sampaio

Em Portugal, onde toda a gente sabe como endireitar o país, é bom saber que ainda existe alguém em cargos de poder que não sabe o que anda por cá a fazer, e se permite não ter qualquer ideia clara para a condução da nação.

Estúpido é você

Rui Gomes da Silva ao seu pior nível.

Revolução à vista

A biometria está a chegar ao mercado de consumo.

Preconceito contra muçulmanos

Artigo da Arab News: recentes sondagens revelam que existe um preconceito dos americanos contra os muçulmanos; tal deve-se à ideia false que os líderes muçulmanos não condenam "actos de violênccia perpretados em nome do Islão", e que tais são actos de minorias; e que as raizes da violência se encontram— claro— na atitude norte-americana perante Israel.

Independentemente do assunto do Médio Oriente, o que qualquer Ocidental não percebe, por muito tolerante que seja, é como é que uma sociedade dita civilizada permite, nos seus países mais prósperos, a escravização das mulheres, a opressão das minorias, a tirania política, o desrespeito pelos direitos humanos, o obscurantismo científico e social, o ódio e o desprezo pela vida humana, tudo isto e mais sem controlo ou censura dos seus pares.

Iraque, Al-Qaeda, WMD

Enquanto Blair defende, e bem, que o mundo está mais seguro sem Saddam— movendo o foco da discussão pública para a oportunidade da intervenção no Iraque—, a administração Bush continua enredada na justificação trapalhona das ligações nebulosas entre o Saddam e a Al-Qaeda, e a existência de armas de destruição massiva...

segunda-feira, outubro 04, 2004

Telemarketing

Por favor implementem qualquer coisa parecida a isto cá em Portugal

Down with IE6

Deixo aqui o meu contributo contra o Internet Explorer e a favor do Mozilla/Firefox, por muitos considerado o melhor browser de sempre.

Aqui um bom artigo sobre a "falta" de estratégia da Microsoft. E aqui outro sobre as browser wars em curso, com uma data de links interessantes...

Espaço 2004

A "final frontier" parece mais próxima depois do SpaceShipOne ter ganho o Prémio X, que consistia na proeza da realização de dois voos suborbitais tripulados no período de 5 dias, o que segundo os investidores do programa, pode ser o princípio do turismo espacial.

Enquanto isso, os velhinhos Space Shuttles parecem preso ao chão pelo peso da imensa burocracia da NASA...

Trabalhar faz mal

Palavras para quê? Toca a descansar!

O pior do guterrismo...

...era um Governo incapaz de justificar as suas decisões sem recorrer a vitimizações.

domingo, outubro 03, 2004

New frontiers

Aqui o discurso de JFK.

Ao lembrar-nos das últimas entrevistas a Sócrates, fica claro que deveria aprender qualquer coisa com um dos presidentes mais carismáticos e eloquentes dos Estados Unidos...

Novas fronteiras

Curiosamente, depois de umas semanas a protestar contra o "clientelismo" do Partido Socialista, Manuel Alegre apenas esboçou um ligeiro desagrado perante o nome escolhido por Sócrates para aliciar independentes simpatizantes para o novo projecto de poder para Portugal.

A apresentação de Sócrates, com estética Microsoft Windows (fundo azul, núvens, palavras de algodão branco), antevê tudo menos um fórum de debate e projectos. Esse, já houve durante a campanha a secretário geral. Esperemos então uma operação de glamour.

Caça

Segundo o Público, a Federação Portuguesa de Caça quer o fim do terreno livre, uma posição que muitos considerarão corporativa.

Contudo, é difícil aceitar argumentos que andar aos tiros em baldios demarcados é seguro ou ambientalmente sustentável. Por muito menos proibiu-se o campismo dito "selvagem".

Faz parte do bom senso que os actuais terrenos livres sejam cadastrados, assim como os caçadores que pretendam usufruir deles— passando a coutadas públicas, em regime de caça associativa, ou outro sistema que se possa inventar.

Num país europeu moderno, os "interesses" e "direitos adquiridos" dos caçadores em terrenos livres têm de ser controlados— não estamos na África colonial, ou num far-west como o que foi retratado no filme "Bowling for Columbine".

Paridade

Ainda a propóstito da notícia comentada abaixo, porque é que o Partido Socialista acha que é "paritário" uma quota de 33% para determinado sexo?

Uma relação de 1 para 2? Ainda não percebi se a vida está fácil ou difícil para as mulheres socialistas...

Quotas

Das notícias vindas a Público, depreende-se que José Sócrates pragmaticamente decidiu borrifar-se para o espírito das as quotas de mulheres impostas pelo PS na sua lista para Comissão Nacional do partido. Aparentemente, os lugares cimeiros (o seu núcleo duro) são todos ocupados por homens.

Por um lado, saúda-se a falta de baboseira na abordagem de Sócrates; por outro lado, espera-se que possa criar as condições para que mais mulheres possam fazer ver o seu valor, no PS e no país, sem discriminações "positivas" que só as vexam.

Igualdade

Na senda de todos e mais alguns disparates que têm sido feitos em nome da igualdade, Bruxelas vem impôr a não descriminação dos sexos no acesso aos seguros— aparentemente em alguns países da União, as mulheres pagam mais por seguros de saúde devido a "risco" de gravidez e maternidade—, e menos pelos seguros automóveis, por fazerem parte das classes de sinistralidade menos graves.

Pode ser defensável que o Estado obrigue as seguradoras a distribuir o custo social de gravidezes e maternidades por todos os consumidores de seguros de saúde; não é justo penalizar os cidadãos mais cumpridores (nas estradas como em outras actividades) para subsidiar as más práticas dos restantes.

Darfur

Enquanto muitos se deslumbram com o nível de mortandade no Iraque, o conflito no Darfur não dá sinais de abrandar, sob o olhar complacente da comunidade internacional.

"About 50,000 people have died and 1.2 million have been uprooted from their homes in the crisis." (Reuters)

Political Bias

Nos Estados Unidos da América, discute-se abertamente "political bias" de Dan Rather e da CBS, demonstrado na reportagem sobre o serviço militar de George W. Bush, baseada em documentos claramente falsos.

Um exemplo para Portugal, onde a liberdade de expressão "politicamente correcta" só corre num sentido.

Hilariante

http://johnkerryads.websiteanimal.com/

segunda-feira, setembro 27, 2004

Despojos

João Soares citava Jaime Cortesão: "só é derrotado quem desiste de lutar".

O grande derrotado das eleições a secretário-geral do Partido Socialista é António José Seguro. Meses passados sobre a sua iniciativa de concorrer ao poder no Largo do Rato, de uma campanha bem disputada por três individualidades importantes para o Partido, e de uma vitória retumbante de Sócrates, ninguém se lembra do seu papel nas fases iniciais da sucessão a Ferro Rodrigues.

António José Seguro é responsável pelo desgoverno da bancada parlamentar do Partido Socialista nos últimos tempos, numa altura em que a agenda polí­tica era muito fértil para a Oposição. Na bancada ou na candidatura à liderança, demonstrou a mesma falta de objectividade. E face a um novo lí­der, eleito com o apoio de 80% dos militantes, é agora o elo mais fraco.

A9

O novo portal A9, uma parceria entre a Google e a Amazon, é francamente genial, por congregar procuras na net, historial e compras. A integração da procura de imagens é muito apelativa. As minhas primeiras procuras foram por "Ludwig Van Beethoven" e "Heidi Klum". Fiquei satisfeito.

Um defeito: procurando por "Big Brother" não devolve "http://www.a9.com".

Cruzamento

O cruzamento de informações pessoais, fiscais e sociais, a propósito da nova Lei da Reforma do Arrendamento é uma boa ideia, que não só seria eficiente como moralizadora.

Vejamos se a Comissão Nacional de Protecção de Dados não volta a servir de pedra na engrenagem.

Tunning

Para quando a ilegalização de alterações mecânicas aos automóveis não fiscalizadas? E para quando a punição de transgressões do género com a apreensão de viaturas? (aqui um artigo do Público)

Há que pôr termo à utilização irresponsável e selvagem das estradas portuguesas por tunners e street-racers.

Torneio de Go

KGS rank graph for rummy
Enquadrado no meu gosto pelo jogo Go, dedidi participar num torneio do Kiseido Go System.

Eis a minha evolução de rank desde Setembro (clique na imagem para aumentar).

de regresso

Depois de férias, um computador avariado, fins-de-semana longe da capital e a preparação para um torneio de Go, o colaborador AA da Arte da Fuga está de volta.

terça-feira, agosto 31, 2004

Abaixo o colégio eleitoral

O New York Times apela ao fim do colégio eleitoral para a eleição do Presidente dos EUA, por proporcionar a hipótese de o candidato eleito não reunir a maioria dos votos, o que já aconteceu três vezes desde a Guerra Civil.

Associação

(Não sei se alguém já tinha notado isto...)

O nome do navio holandês conhecido como "o barco do aborto", Borndiep, lembra-me vividamente a música de Ice T, "Born Dead"...

Não ingerência

Parece que grande parte do fascínio à volta do "barco do aborto" deve-se ao eterno deslumbramento português por toda a coisa estrangeira.

Se uma ONG nacional decidisse armar uma embarcação para os mesmos fins, o mínimo que poderia acontecer era ser obrigada a manter-se fora de águas portuguesas e consequentemente longe da jurisdição da lei que vigora em território português.

Um fragmento da declaração oficial do PSD: "o Governo actuaria da mesma forma se alguma organização viesse a Portugal impedir que fossem realizados abortos nas condições legais que existem".

As organizações e partidos que defendem a liberalização do aborto e a aportagem do "barco do aborto" esquecem-se que sempre bradaram contra a ingerência de estrangeiros nos assuntos nacionais de qualquer país, alguns dos quais albergando ditaduras sangrentas.

Em Portugal, onde a questão foi levada a referendo livre, e fez parte do programa dos partidos que ganharam as últimas eleições democráticas, está claro que não haverá alteração legislativa nos próximos dois anos, e existe um consenso que as coisas serão revistas na próxima legislatura— pelo que só se pode enquadrar a vinda do barco como uma manobra de propaganda de desestabilização e intoxicação da opinião pública.

Manif (2)

Notícia do Público de ontem ("Manifestação inexistente em Lisboa"— link não disponível):

"A convocação de uma manifestação, via SMS, para protestar em Lisboa contra a decisão do Governo em proibir a entrada do "barco do aborto" criou uma situação pouco comum: eram quase tantos os jornalistas como os manifestantes (...) o número de manifestantes não passava dos dez ou onze. Os jornalistas já eram cinco, sem contar com os de um canal de televisão que, perante o cenário, optaram por ir embora. (...)"

Manif (1)

A gigantesca manifestação dos americanos anti-Bush é apontada pelos antiamericanos como uma grande prova do carácter errado das políticas americanas no último mandato policial, como se não tratasse de um episódio perfeitamente normal em democracia.

Segundo aqueles, os números avançados pela comunicação e autoridades de Nova Iorque (250 000 pessoas) são um argumento de peso— assim como as receitas de box office do documentário de propaganda de Michael Moore, ou o sponsoring de estrelas do cinema, música ou televisão.

A noção de que a razão se obtém por aclamação é antiga e perigosa para a democracia— lembremo-nos o que muitos diziam do "populismo" ainda há algumas semanas—, pelo que é necessário observar estes fenómenos sem deslumbramentos excessivos.

Machada (2)

Luís Salgado Matos, no Público vai mais longe do que a análise que A Arte da Fuga fez ao desastrado artigo da Deco que dizia que andar de carro era mais barato do que usar os transportes públicos.

LSM entra com o custo do carro e restntes despesas variáveis (seguro, riscos, manutenção e reparação, combustível), chegando a um exemplo, para um carro de 2000 euros, para o percurso entre Alfragide e as Olaias que se fossem quatro passageiros, cada um pagaria 21 vezes mais do que previsto pela Deco.

Ora o carro é caro. A ilusão que ele é gratuito não se reporta apenas ao preço de compra. Alastra às estradas e ruas, construídas, mantidas, fiscalizadas e policiadas pelo Estado; são gratuitas para o automobilista e onerosas para o contribuinte.

segunda-feira, agosto 30, 2004

Imparável

Notas

Os movimentos pró-Aborto abdicaram de voltar à discussão ética e moral, que poderia conduzir a avanços na aceitação da liberalização, e passam a esgrimir argumentos legais baseados na Lei Internacional e na livre circulação de pessoas. O Governo afasta a questão da agenda política, e ganha uma notável vitória táctica.

Ao colocar o ênfase não só na legalidade, mas na capacidade de aplicação das leis nacionais no território português, no que é uma demonstração de soberania, o Governo contará com o apoio do Presidente da República. Seguramente que o Aborto foi um dos temas abordados na continuidade da coligação no Governo, e seguramente que ficou assente que a política de Durão Barrosos não seria alterada até à próxima legislatura.

A discussão ficou entregue a grupos pró-Aborto, ao PCP e ao BE, tradicionalmente radicais. Paradoxalmente, tem-se verificado que é preciso a força mobilizador moderada do Partido Socialista para lançar temas fracturantes. E ao PS não interessa, nesta altura, entrar nesta discussão.

O Barco dos charros

Há dias tive necessidade de recorrer a uma imagem simples para explicar a posição do Governo ao proibir a entrada do "Barco do Aborto" em águas territoriais portuguesas.

Imagine-se que vinha da Holanda um barco carregadinho de cannabis para fazer umas "Festas da Ganza" animadíssimas ao largo de Lisboa. A malta embarcava, afastava-se da costa uns 20km, apanhava uma granda pedra num ambiente chill-out e voltava quando já fosse dia para voltar à sua vidinha.

Seria inofensivo. O charro é hoje um costume instituído e socialmente aceite— basta ir a qualquer espectáculo musical menos formal, a qualquer discoteca— até aos estádios de futebol!— para ver alguém a enrolar ou puxar de grandes e exuberantes brocas.

Mas a lei portuguesa considera o consumo de marijuana um delito. Nestas condições, as autoridades poderiam fechar os olhos e permitir a livre circulação de uma embarcação destinada a este únicio propósito ilícito?

E se à luz da lei, a actividade anunciada fosse um crime, como é o aborto? Abstraindo-nos da moldura legal, podíamos fazer a mesma pergunta para outros crimes e delitos— pesca ilegal, contrabando, tráfico de droga, de armas, de pessoas, prostituição, pedofilia, etc...

"Erros de cálculo"

A entrevista de Bush ao New York Times parece ser reveladora numa inflexão da linha de relações públicas da política externa que os Estados Unidos pretendem continuar (os analistas referem que com Kerry, o essencial— a luta pela supremacia americana— não vai mudar).

Admitiu "erros de cálculo" para justificar a trapalhada em que mergulhou o Iraque depois da uma fulgurante guerra convencional. Mas o mais interessante foi dizer, a propósito do desejado desarmamento do Irão e da Coreia do Norte, "não penso que se devam apresentar calendários a ditadores"...

Desperdício

O não aproveitamento dos fundos comunitários, noticiado pelo Público é uma vergonha. Tal como na Agricultura, em todos os sectores e por todo o lado desperdiçam-se fundos estruturais, por falta de planeamento e capacidade de investimento.

Para quando uma agência nacional que vise a divulgação e o apoio de programas subsidiados pela União Europeia, e a execução plena desses programa num quadro de aproveitamento máximo, tal como a Espanha tem há mais de uma década? Por Portugal, só a Região Autónoma da Madeira apresenta índices que dignificam o país...

Inquietante

É inquietante a possível falta de transparência na contagem dos votos para as eleições de secretário-geral e para os delegados do Partido Socialista, como conta o Público.

Sem graça

Sou só eu, ou os "Testes Verão 2004" do Público são a coisa mais sem graça, mais sem wit, que se encontra naquele jornal— só rivalizando com os comentários pirosos aos fait-divers da secção "Gente" do mesmo jornal?

Às urtigas

Ontem uma equipa de reportagem da RTP encostou ao "Barco do Aborto", não tendo conseguido abordar o barco, como previsto, devido à vaga. Tal impediu qualquer entrevista com as pessoas a bordo— talvez mais interessantes do que os libelos de propaganda que diariamente se proporcionam a Rebecca Gomperts, líder do Women on Waves.

Ficou o registo triunfante da reportagem pela não interferência da fragata de Marinha, e a entrega de mantimentos do Pingo Doce aos tripulantes holandeses— uma manifestação de solidariedade e cumplicidade que manda às urtigas os deveres de isenção que devem guiar os jornalistas— pelo menos nas aparências.

A nu

A total falta de carisma mediático da Nuno Fernandes Thomaz.

domingo, agosto 29, 2004

Tomem lá uma discussão serena

A ler o artigo de Zita Seabra no Público ("Aborto, barcos e 'agit-prop'):

Em todas as legislações que conheço os médicos, por exemplo, têm consagrado o direito à objecção de consciência, coisa que seria absurda se realmente se tratasse de garantir um direito cívico a cidadãs.

É pois, uma evidência, que o aborto não pode, nem deve, numa sociedade desenvolvida e democrática, ser considerado um direito e ainda menos uma forma de contracepção.

É, porém, evidente que a obrigação do Estado é, antes do mais, garantir condições legais e sociais para que a maternidade e a paternidade não se transformem no pesadelo de como alimentar mais uma boca, ou como deitar mais um filho.

A política de um Estado democrático deve ter como objectivo impedir que alguém recorra ao aborto por absoluto desconhecimento de alternativas, por desinformação, ou por uma tradição rural radicada nos desmanchos que as avós faziam.

Hear, hear!

Ordem pública

Uma dos aspectos benéficos da proibição de aportagem do "Barco do Amor" é não termos de aturar os Movimentos pró-Vida nas suas manifestações pirosas e extremadas, que tanto degradam a qualidade do debate público, que se quer sereno e racional.

Ficamos só com os assassinos abortistas a pedir mais sangue de bébézinhos inocentes... >)

A Bacorada do Dia

Isabel de Castro, do Partido Ecologista "Os Verdes", no Público de hoje, a propósito da polémica sobre o "Barco do Aborto":

"O verdadeiro problema da saúde pública é a forma como a lei legaliza o aborto clandestino."

Painel de palpites

Expliquem-me porque é que o Painel de Palpites do Expresso, 13 notáveis da vida pública portuguesa que são desafiados semana a semana a prever alguns resultados desportivos (futebol, entenda-se), é composto por 7 políticos (Elisa Ferreira, José Casanova, José Lello, Manuel Alegre, Manuel Monteiro, Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes), quatro jornalistas (três dos quais associados à impressa desportiva) e só dois "civis" (Manuel Serrão e Rita Ferro)...

Desporto escolar

O Reino Unido prepara-se para investir 680 mil milhões de euros por ano para voltar a incentivar actividades de desporto de competição nas escolas, segundo o Público.

Esta medida procura não só descobrir novos campeões, mas destina-se sobretudo a combater problemas de saúde, especialmente a obesidade, originados por maus hábitos de infância, tal como alimentação desiquilibrada ou desinteresse pelo exercício físico. Paralelamente, procura incutir à sociedade e aos indivíduos um maior espírito de competitividade.

Aparentemente, o desporto escolar tinha sofrido com a noção que a competição faz mal às criancinhas, que a competição tem de ser relativizada, e que ganhar vale o mesmo que perder. Esta noção do esforço mínimo é-nos familiar, ou não fosse um dos baluartes ideológicos da esquerda, vigilante contra quaisquer indícios de darwinismo.

Agora o Partido Trabalhista britânico pretende criar uma rede de competições interescolares como meio de fomentar o interesse pelo desporto, curricular e extracurricular, que inclua escolas especializadas em desporto. Os frutos estarão à vista com a próxima geração.

A bola nas Ilhas

"A RTP vai transmitir nos Açores e na Madeira os jogos de futebol da Superliga que tem início no sábado e cujos direitos para emissão no continente foram comprados pela TVI, anunciou ontem a empresa. A decisão foi tomada tendo em conta que apenas a televisão pública emite em sinal aberto nas ilhas.", anunciava ontem o Público.

A cobertura das Regioões Autónomas pela TVI e SIC é uma reivindicação antiga dos Governos e partidos locais, baseando-se num princípio de interesse público de discussão interessante. Contrariamente ao que aconteceu com asredes de telemóveis, que se implantaram rapidamente, a televisão tarda devido ao volume de investimento necessário para cobrir de raiz um território marcado por uma orografia difícil e poucas perspectivas de retorno ou interesse publicitário.

Com liberdade editorial para incorporar programação das outras emissoras, a RTP-Madeira e RTP-Açores podiam ser os canais mais completos do país. Entretanto, é curioso que não são os blocos informativos a serem transmitidos, nem os trabalhos de jornalismo de investigação, nem as entrevistas e debates, nem os documentários ou ficção nacional, mas sim o futebol.

sexta-feira, agosto 27, 2004

Quioto à espanhola

Mais uma vez, os espanhóis na vanguarda da defesa dos seus interesses nacionais, ao imporem uma disciplina apertada sobre a poluição produzida pela sua indústria.

Curiosamente, ainda hoje Miguel Sousa Tavares escrevia no Público ("Se eu fosse primeiro-minstro"):
—aplicação efectiva e imediata dos compromissos assumidos por Portugal no Protocolo de Quioto e substituição do princípio "poluidor/pagador" pelo do "poluidor/criminoso", com as respectivas consequências legais;

Não será preciso tanto, mas temos um desafio interessante para o novo Ministério do Ambiente...

al-Qaeda

Um relatório das Nações Unidas sobre a Al-Qaeda é assustador: aparentemente as medidas tomadas contra a al-Qaeda e os taliban não foram eficazes.

Segundo a BBC, existem provas que esta rede terrorista e fundamentalista islâmica procura armar-se com armas não convencionais:

-"The panel said that based on evidence, al-Qaeda was trying to obtain biological and chemical weapons, as well as a so-called "dirty bomb" that would disperse radioactive material";
-"There is a real need... to try to design effective measures against this threat";
-"They will continue to attack targets in both Muslim and non-Muslim states, choosing them according to the resources they have available and the opportunities that occur.".

Esperemos que o relatório das Nações Unidas, repositório máximo da "legalidade" internacional, segundo alguns, seja suficiente para convencer os cépticos de que esta é uma questão de sobrevivência para todo o mundo livre, por muito que lhes custe a noção (e esta última expressão).

Vítimas

Ontem fui ver o Homem Aranha 2, filme que recomendo aos fãs da banda desenhada. No filme, há uma tirada épica da Aunt Amy: "Everybody loves a hero. People line up for them, cheer them, scream their names. And years later, they'll tell how they stood in the rain for hours just to get a glimpse of the one who taught them how to hold on a second longer."

Hoje, no Público, Eduardo Prado Coelho, diz ("Vítimas"): "porque não é hoje fácil ser herói. A forma de ser herói tem a ver com o crescimento do individualismo, que deixa o indivíduo entregue à sua própria solidão" e avança Se o leitor vir com atenção um telejornal, verifica que se trata de encontrar vítimas da sociedade (...)".

No Público de quarta-feira (salvo erro), Maria Filomena Mónica falava dos reality shows, referindo-se ao Zé Maria e a Nádia/Jorge dos Big Brother respectivamente como "um pobre diabo" e "uma aberração", e explicava o fascínio por estas personagens em moldes semelhantes a EPC que dizia: "A sociedade contemporânea ama a compaixão".

Há sociedades que se revêem nos heróis, outras nas vítimas. Contribuamos para elevar a fasquia.

Desdramatização

É inteligente a posição do Governo de desdramatizar a vinda do Barco do Aborto: "A única coisa que preocupa o Governo é o cumprimento da lei", terá dito Rui Gomes da Silva, Ministro dos Assuntos Parlamentares, referindo que a agenda política é marcada pelo Governo, e não por qualquer influência externa.

quarta-feira, agosto 25, 2004

Artigo 26.º

do Código da Estrada ("Marcha Lenta"):

1. Os condutores não devem transitar em marcha cuja lentidão cause embaraço injustificado aos restantes utentes da via.

2. Quem infringir o disposto no número anterior é sancionado com coima de 30 a 150 euros.

Em nome do civismo, da cidadania e do respeito à lei, parem de uma vez por todas as marchas lentas.

terça-feira, agosto 24, 2004

Machadada

Ontem, Luís Salgado de Matos escrevia: Será que os transportes colectivos são mais caros do que os individuais? Qualquer pateta sabe que são mais baratos.

Hoje, o Público, com o título algo irresponsável "Deco: andar de carro é mais barato do que usar transportes públicos", anuncia que a DECO vai avançar com um estudo que mostra que um automóvel usado diariamente por mais do que uma pessoa gasta menos dinheiro do que se se andar de transportes públicos— e que a taxa de ocupação média dos automóveis, segundo a QUERCUS, anda entre os 1,2 e 1,5 passageiros.

Do ponto de vista do cidadão e da sua carteira, é aparente que o sistema aproximou-se do ponto de equilíbrio entre os custos do transporte colectivo e individual. Do ponto de vista do bem comum, é um desastre, porque as estatísticas mostram bem o grau mínimo de regulação do Estado. Qualquer automóvel, mesmo cheio, é per capita mais poluente e mais consumidor de recursos comuns que qualquer transporte colectivo.

Seja em termos de custo, de tempo de viagem, de frequência e regularidade, de proximidade ou conforto, os transportes colectivos têm de conseguir competir eficazmente com o transporte privado. É preciso taxar eficaz e fortemente mente o uso do transporte individual, mais do que a sua compra ou posse, em harmonia com o princípio do consumidor-pagador— em desespero de causa, como diz LSM, Dado a riqueza dos portugueses, o Estado deve aumentar o imposto sobre os produtos petrolíferos, sem os humilhar com o reforço do IRS.

"O novo dispositivo militar dos EUA no mundo"

Ontem, num artigo de opinião no Público, o general José Loureiro dos Santos faz uma análise da reorganização que a administração Bush pretende fazer ao dispositivo militar norte-americano espalhado pelo mundo.

A sua análise é fria e lúcida: a doutrina estratégica dos Estados Unidos visa impedir que qualquer outra potência ultrapasse ou sequer iguale o poder americano. No presente e previsível contexto internacional, tal equivale a conter o poder da China; a controlar os fluxos de petróleo; e a contribuir para estabilizar os Estados falhados, combater o terrorismo e evitar a proliferação de meios de destruição maciça.

Constata que para os europeus, a segurança da Europa depende mais de factores políticos e económicos, e que a sua predisposição militar é limitada e destinada a agir em pequenos focos de conflito. Com o desaparecimento da União Soviética, e com o novo contexto estratégico americano, a Europa é irrelevante para os Estados Unidos.

Se é verdade que as políticas devem ser guiadas por princípios moralmente superiores, é demasiado cândido ignorar que o realpolitik domina a política internacional. Ao invés de se dar à choraminguice contra as políticas imperialistas americanas, a Europa tem de se definir como agente estratégico incontornável, de modo a influenciar a super-potência, e fazer valer os seus valores na nova ordem mundial.


segunda-feira, agosto 23, 2004

Ainda o Ferro Rodrigues

O líder cessante vai ao congresso do PS dar um ar de sua graça e não apoiar nenhum candidato, segundo o Público.

Passado tão pouco tempo depois da sua demissão, o que começa a ficar para a História é que se demitiu na sequência da não convocação de eleições legislativas pelo Presidente da República, que optou por convidar o PSD a formar novo Governo.

O PS, claro, está melhor do que nunca— debate ideias e vai eleger um secretário geral por voto directo dos militantes. Quem sair vencedor poderá bem ser o próximo primeiro-ministro. Ferro Rodrigues, bem, Ferro Rodrigues demitiu-se.

Imigração

Em Espanha, o governo socialista de Zapatero prepara-se ir mais além do que as políticas de imigração do PP, e implementar um novo sistema que nos é familiar, segundo diz o Público.

O sistema consiste em encarar a política de imigração como um todo, nas duas dimensões laboral, económica e social. Consiste basicamente na legalização de estrangeiros que estejam empregados, e em vincular as entradas às necessidades de mão-de-obra, uma tarefa de análise social que decerto os espanhóis farão de forma exemplar.

Em Portugal, o este modelo foi implementado pelo Governo de Durão Barroso, em 2003, e imediatamente apelidado de "fascista" e adjectivos afins pelos suspeitos do costume.

A aposta na integração social de imigrantes e o controlo efectivo das fronteiras era um cavalo de batalha do comissário Vitorino, uma cruzada onde acusava de fraqueza a tradicional posição ultra-permissiva da sua própria família política.

Em Espanha, os socialistas renderam-se às evidências, e numa manobra de iniciativa política exemplar propuseram um pacto de regime ao Partido Popular. Resultará de certeza em oportunidades que o país saberá aproveitar.

Por cá, tal ainda parece muito longínquo. Para quando uma esquerda moderna— e mais do que isso, descomplexada?

domingo, agosto 22, 2004

Prédios a cair (2)

Mas afastando-nos da questão política e ideológica, resta-nos a reflexão sobre a questão técnica, sobre a qual não se tem falado.

Os prédios não caiem por acaso. Mesmo os mais antigos são construídos com tal grau de redundância estrutural (excesso de elementos resistentes face à verdadeira necessidade de estabilidade global da estrutura), que é preciso muito para fazê-los virem abaixo.

Se determinado prédio cai, depois de décadas de uso, tal significa que os elementos estruturais estavam degradados a tal ponto que não resistem a meras cargas de serviço (qualquer estrutura é desenhada para resistir a pelo menos vez e meia as cargas de dimensionamento, absurdamente superiores— num prédio de habitação, por exemplo, o equivalente a ter quatro ou cinco pessoas por metro quadrado, por andar).

Acontece que muitos prédios de Lisboa encontram-se num estado não muito diferente do descrito, próximo do colapso estrutural, e não consta que estejam cadastrados. São prédios que não resistiriam a um abalo sísmico modesto, que têm redes de água, electricidade e gás em funcionamento— as verdadeiras "bombas-relógio" do artigo citado.

Há prédios tão degradados que a sua recuperação é mais cara do que a sua reconstrução, mesmo mantendo-se as fachadas, tipologias e usos. Nestes casos, a mania conservacionista que se apoderou dos responsáveis pelo património é contrária ao bom senso e perigosa para a segurança das pessoas e bens.

Prédios que sejam classificados nestas condições têm de ser demolidos e reconstruídos, por uma questão de segurança pública. Estes são os casos prioritários.

Mais do que um problema social ou económico para os inquilinos ou proprietários, estes prédios são uma ameaça a bairros inteiros, e urge que o Estado possa intervir para controlar o problema.

Prédios a cair (1)

O colapso de um prédio na freguesia dos Prazeres, há duas semanas atrás, veio reacender a eterna discussão da reforma do património imobiliário e do congelamento das rendas.

O problema redica-se no congelamento da coragem política em liberalizar as rendas e regular o mercado de arrendamento. O actual estado das coisas não é do interesse comum, a não ser de quem não se quer dar ao trabalho de legislar e resolver.

Nesta linha, é de destacar o artigo de opinião de hoje no Publico, de António Abreu, vereador do PCP na Câmara Municipal de Lisboa, que com a sua longevidade no cargo não consegue apresentar qualquer ideia prática, insistindo no batido discurso ideológico.

Mais informativo é o artigo jornalístico ("Rendas Antigas São Bomba-relógio nos Centros Urbanos Antigos") que traça um cenário correcto do assunto e respectivo problema:

Tratando-se de um problema antigo— o congelamento das rendas vem desde o regime de Salazar e durou até 1980—, as mudanças na legislação foram sendo tímidas e insuficientes e impuseram sempre limites administrativos à sua actualização.

Procura-se

sábado, agosto 21, 2004

A mania das contra-ordenações (3)

Por outro lado, contra as contra-ordenações, o Instituto de Seguros de Portugal defende a apreensão de veículo e de carta de condução para os condutores de viaturas sem seguro, cujos acidentes obrigam o Estado a gastar milhões de euros em indemnizações aos lesados, todos os anos.

No Reino Unido, onde os seguros são feitos sobre os condutores, e não aos veículos, como devia ser cá em Portugal, seguradoras, polícia e agências governamentais passam a partilhar mais informação para facilitar a localização dos veículos em situação ilegal, e em casos extremos, os condutores podem ser presos, e os veículos podem ser destruídos.

Isto é o que se chama "falar ao coração" dos infractores. Já dizia um amigo que as penhoras devem começar pelos aparelhos de televisão...