Domingo, Julho 11, 2004

Só eles saberão

José António Saraiva, no Expresso, diz no seu editorial:

PS- Quando estudei com algum pormenor a história da I República, pensei: é isto que o país tem de evitar. A democracia não pode voltar a cometer os mesmos erros. É absolutamente vital assegurar o funcionamento tranquilo das instituições. É preciso a todo o custo conter a febre política, as convulsões parlamentares e o constante recurso a eleições. Por isso estranho que dois homens experimentados como Mário Soares e Freitas do Amaral, que devem conhecer tão bem como eu a história desses anos agitados e as suas consequências, tenham defendido a dissolução do Parlamento.

Nos dias que correm, Freitas do Amaral é um mistério. Não me surpreenderia se com tanto interesse pelo país, não se radicasse em Lanzarote. Não me choca a sua mudança tardia de posições políticas, mas sim como falhou em pôr a sua inteligência ao serviço de uma retórica que desse corpo a essa cambalhota. Dele só se sabe que se posiciona "rigorosamente ao centro" entre o PS e o Bloco de Esquerda.

Mário Soares pedia a dissolução da Assembleia por motivos partidários, e não pelo interesse do país— como é óbvio. Soares é um homem de escrúpulos, mas dos errados. E não nos podemos esquecer que o campo de esquerda que mais singrou nesses primeiros tempos conturbados de República foi o de influência jacobina— em suma, o socialismo maçónico— o que explica a bem atracção de Soares.

Sem comentários:

Enviar um comentário