Parece que grande parte do fascínio à volta do "barco do aborto" deve-se ao eterno deslumbramento português por toda a coisa estrangeira.
Se uma ONG nacional decidisse armar uma embarcação para os mesmos fins, o mínimo que poderia acontecer era ser obrigada a manter-se fora de águas portuguesas e consequentemente longe da jurisdição da lei que vigora em território português.
Um fragmento da declaração oficial do PSD: "o Governo actuaria da mesma forma se alguma organização viesse a Portugal impedir que fossem realizados abortos nas condições legais que existem".
As organizações e partidos que defendem a liberalização do aborto e a aportagem do "barco do aborto" esquecem-se que sempre bradaram contra a ingerência de estrangeiros nos assuntos nacionais de qualquer país, alguns dos quais albergando ditaduras sangrentas.
Em Portugal, onde a questão foi levada a referendo livre, e fez parte do programa dos partidos que ganharam as últimas eleições democráticas, está claro que não haverá alteração legislativa nos próximos dois anos, e existe um consenso que as coisas serão revistas na próxima legislatura— pelo que só se pode enquadrar a vinda do barco como uma manobra de propaganda de desestabilização e intoxicação da opinião pública.
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