quinta-feira, Julho 29, 2004

Internet mais pobre

A 15 de Janeiro, a Media Capital tinha suspenso o processo de adesão ao serviço IOL de novos clientes à Internet de banda larga por ADSL, alegando concorrência desleal e práticas monopolistas da parte da Portugal Telecom. Foi seguida nesta prática pela Clix/Sonaecom. A Oni resistiu.

Agora, noticia-se que a Media Capital pretende abandonar a Internet de banda larga, a partir do próximo dia 30 de Agosto, devido aos largos prejuizos acumulados, sem perspectivas de retorno. A Anacom e a Portugal Telecom andam a prestar um péssimo serviço a Portugal.

Desalento

É notório o desalento dos meios de comunicação social pela falta de medidas bombásticas no discurso de apresentação do programa de Governo à Assembleia, feito pelo Primeiro-Ministro Pedro Santana Lopes.

A mesma comunicação social que criticava em uníssono as suas propostas inconsequentes, estilo populista, e desvios em relação à política do anterior Governo.

Citação do Dia

"Ser português não tem importância", Francisco Louçã, 27 de Agosto, em entrevista RTP, a propósito do não apoio do Bloco à nomeação de José Lamego, António Vitorino e Durão Barroso para cargos internacionais.

segunda-feira, Julho 26, 2004

A animação


A não perder famosa paródia "This Land" no site http://www.jibjab.com/, um pouco ao estilo South Park...

Co-incineração quiçá

Relembremos que José Sócrates foi o "pai" da co-incineração, e que a cimenteira da Cimpor, em Souselas, perto de Coimbra, foi um dos locais seleccionados pelo governo socialista.

Relembremos a oposição feroz que o PS-Coimbra moveu contra a medida, e que o coimbrão Manuel Alegre, com uma birra que fez juz à sua estatura política, foi a figura mais destacada da contestação.

Agora, em nome da candidatura do ex-Ministro do Ambiente, alguns dirigentes locais do Partido Socialista propõem afrouxar os seus princípios, admitindo (com condições) a co-incineração em Coimbra...

Um mundo mais perigoso

Em plena aceleração para a campanha das eleições presidenciais, os Estados Unidos têm dado sinais de "desinteresse" em alguns focos de tensão pelo mundo fora.

No Iraque, a transferência de poderes teve como consequência um menor protagonismo e capacidade de acção dos norte-americados. E não se vislumbra uma política clara para os próximos meses.

Em Israel, onde os EUA são a verdadeira potência com influência, Ariel Sharon não ouve as directivas norte-americanas há muito, e a Autoridade Palestiniana sofre uma crise sem precedentes que só parece beneficiar o Hamas.

No Sudão, a sua voz parece mais tímida, gasta que parece a retórica das sanções e das coligações de nações. E uma terrível tragédia humana grassa sem controlo.

Um mundo com os Estados Unidos ausentes é um mundo mais perigoso.

domingo, Julho 25, 2004

sábado, Julho 24, 2004

Deslocalização ainda (2)

Segundo a oposição mais radical, a "deslocalização" é uma falsa descentralização: a transferência de secretarias de Estado para fora de Lisboa "não vai contribuir para desburocratizar nada, nem vai aproximar serviços das populações", lamentando que vá criar "custos acrescidos sem benefícios para as populações".

"Assim não brinco", terá dito PSL, "ou usam palavras caras ou não tem graça."

iPod Mini



O novo iPod Mini da Apple internacionaliza-se hoje, uma boa notícia para os Mac-fanáticos.

Deslocalização ainda

Segundo o Governo, o novo projecto de descentralização visa o desenvolvimento do processo de reorganização territorial, através da consolidação das novas realidades supramunicipais, e o aprofundamento da transferência de competências dos diferentes serviços e organismos da Administração central para a administração local.

Não se percebe como é que a deslocalização de Secretarias de Estado se enquadra nestes nobres e verbosos objectivos...

sexta-feira, Julho 23, 2004

Ponte reconstruída



A simbólica ponte Stari Most, em Mostar, na Bósnia-Herzegovina, foi refeita e une de novo as duas margens separadas do Neretva.

(à data deste post, nas livecams ainda se viam algumas festividades...)

Era só o que faltava!

PCP e BE estão contra a entrega do programa de Governo ao Parlamento, vão votar contra, e prometem não baixar os braços.

Eles não sabem o que fazem...

Pacheco Pereira, sobre o "PSD" (mais uma "mão invisível?):

O nosso jornalismo comprova todos os dias que há gente capaz de comer tudo o que se lhes dá.


Não só, não só. Os leitores também comem tudo, e não deixam nada...

Carlos Paredes (1925-2004)

quinta-feira, Julho 22, 2004

Teoria cabeluda

I want to report that I think I have solved a major problem in theoretical physics. (resumo da apresentação aqui)

O professor Stephen Hawking voltou atrás com as suas teorias de 29 anos sobre os buracos negros e prepara-se para apresentar um novo quadro teórico que poderá representar um grande avanço no conhecimento do Universo.

O regresso do "Invadido"

Manuel Alegre perspectiva-se como candidato à liderança do PS.
Vídeo aqui.

quarta-feira, Julho 21, 2004

O Muro

Independentemente da opinião que tenhamos sobre o muro de separação na Cisjordânia, a nova deliberação da ONU, e correspondente reacção das autoridades israelitas, é mais um atestado de incompetência à própria Organização.

Sobre a dívida da CML

As notícias que vieram a público sobre a dívida da Câmara Municipal de Lisboa aos seus fornecedores são gravíssimas. PSL sai da CML como mau pagador de promessas e de dívidas. Independentemente do mandato ir a meio, trata-se de uma péssima gestão de dinheiros públicos. A actuação de Carmona Rodrigues revelará até que ponto este desgoverno foi comprometedor para a autarquia.

Contas

Quando Marcelo fez as contas dos Ministros em pastas de Estado que o PSD e o CDS tinham, contou Bagão Felix como sendo do CDS e excluiu todos os independentes da área do PSD, dizendo que eram independentes.

Quando os comentadores deixam de comentar e contornam os factos para chegarem a determinadas conclusões não estaremos perante...políticos?

Paradoxo do Dia

Os mesmos que verberam contra o excessivo peso do CDS no Governo e contra a sua caminhada triunfante na conquista de terreno são habitualmente os mesmos que dizem que o CDS já se dissolveu no PSD e que já perdeu a sua ideologia.

Pergunta do Dia

Se a ala esquerda do PS tem o direito de se organizar na tentativa de direccionar o partido mais para a esquerda, porque é que a ala direita do PSD não o pode fazer no sentido de o direcionar para a direita?

terça-feira, Julho 20, 2004

Herança fatal

"Este Governo não tem que responder pelas suficiências ou insuficiências do anterior", terá dito Nuno Morais Sarmento.

Este Governo existe porque o Presidente da República entendeu que o programa assumido há dois anos tinha de ser levado até ao fim. Acto contínuo, o novo Governo é herdeiro directo do anterior— não apenas um sucessor. No final do mandato, em eleições, será avaliado à luz da política de continuidade que anuiu respeitar. Ou seja, será responsabilizado também pela actuação do Governo antecessor.

A resposta certa às insuficiências que existiam— nomeadamente em termos de coordenação de políticas ministeriais— é a sua supressão. Agora responda.

A giant leap for mankind


Há 35 anos, o Homem ia à Lua.

Wishful thinking

João Soares, em entrevista ao Independente, diz "vou ser secretário-geral do PS" (não sabe é quando). José Sócrates, em resposta, diz não ter a certeza de ser eleito, apenas "a certeza de desejar estar à altura da vitória".

O PS vê-se e deseja-se.

Auto-estradas da asneirada

Num artigo de duvidosa qualidade jornalística, o Público entretém-se a entrevistar os utentes da auto-estrada de Cascais (A5), procurando com tal sondagem popular a solução para o infernal trânsito infernal que a caracteriza.

De acordo com a jornalista e com os engenheiros do volante, a auto-estrada "está a ser alargada onde não há necessidade", defendendo estes que as intervenções de alargamento não deviam decorrer entre Carcavelos e Alcabideche, mas sim mais próximo de Lisboa, onde os problemas se fazem sentir.

Não há tema mais querido aos automobilistas do que o aumento de capacidade das vias que os servem. A estes, soluções como o Túnel do Marquês parecem óptimas; o aumento das faixas "BUS" e a proibição do estacionamento selvagem, medidas horrendas. Os transportes públicos são bons para tirarem os outros das estradas. Não aceitam que a utilização de um meio de transporte individual tem um custo marginal importante, e que esse custo social tem de ser portajado como luxo individual.

Tal como já houve oportunidade de dizer, neste campo, a direita política portuguesa desistiu de ter opinião fundamentada. A sustentabilidade logística das cidades, assunto que afecta milhares de cidadãos, não pode ser deixada nas mãos de alguns radicais.

Mas radicais e corajosas terão de ser as medidas a tomar. Na construção de infraestruturas de transporte público, pela restruturação das empresas do sector, pelo incentivo à sua competitividade económica e funcional com o transporte individual.

segunda-feira, Julho 19, 2004

"A propósito do Aniversário do CDS"

D' O Intermitente:
Na altura o CDS (e aliás todo aquele que estivesse à sua direita) era acusado de ser "fascista". Hoje em dia os herdeiros dos "revolucionários" de 75 acusa-no de ser de "extrema-direita". Há quem se recuse a aprender com a História.

domingo, Julho 18, 2004

Trapalhada

No Blasfémias, reflectem sobre a trapalhada que transparece da organização ministerial do novo governo...

Um futuro socrático

No Largo do Rato partilham algum do meu fascínio analítico pela hipótese "Sócrates":
Será curioso ver como reagirão os militantes do PS ao discurso e posicionamento de Sócrates.
A ser eleito, será um adversário a ter em conta por Pedro Santana Lopes, a "anos de luz" do desajeitado e radical Ferro Rodrigues.
A vida política está de facto interessante!


Sócrates é o interlocutor perfeito para PSL, um Guterres com edge e um toque de sofisticação— talentoso e mediático, irrascível e prepotente no trato privado, vago e insípido nas ideias... dois homens pouco talhados a serem interlocutores do país.

Patriotismo

Uma visão amargurada da visão patriótica dos partidos da oposição na Europa, no Devaneiros Lusos.

sábado, Julho 17, 2004

Auditorias

De louvar a medida extraordinária, que devia ser de rotina: uma auditoria às contas do Metro do Porto, uma das muitas empresas de transportes públicos que anda a ser gerida sem mão nos custos:
Esta auditoria soma-se a outras que o Governo ordenou, em Outubro passado, às contas da CP - Caminhos de Ferro Portugueses, Refer, Rave e Metropolitano de Lisboa, todas visando a promoção de "acções rápidas de reestruturação, atendendo ao consumo de recursos públicos que este sector representa", lê-se no despacho.

Cordialidade

É curioso verificar que José Sócrates, na sua entrevista de quinta-feira à RTP, apressou-se a legitimar Pedro Santana Lopes como interlocutor político ("Quem passou tantas horas na televisão tem alguma coisa a dizer"), admitindo um certo sentimento de cordialidade entre ambos.

Não me surpreederia que PSL fizesse o mesmo, uma vez que José Sócrates seja eleito para o secretariado-geral do PS. Como alguém na blogosfera disse: "mantém os teus amigos perto, e os teus inimigos ainda mais perto". Uma lição que Ferro Rodrigues nunca aprendeu.

Nomes pesados

Ontem, a grande reportagem da RTP, largamente publicitada durante o telejornal, foi sobre "nomes pesados"— aqueles com conotações menos bonitas—, em que o protagonista era um senhor chamado Panasca.

Alguém que dê um rumo ao jornalismo público, atacado por silly-seasonite precoce. Já começa a ser crónico.

João Proença

"O PS afirma-se ao centro", terá dito José Sócrates ao Expresso em 2002.

Quando chegar a altura de contar espingardas, José Sócrates gostará de contar nas suas fileiras com João Proença, secretário-geral da UGT. Ferro Rodrigues privilegiou o contacto com a CGTP e deu cobertura política à sua atitude mais intransigente. João Proença, entretanto, foi um reduto de coerência, seriedade, diálogo e responsabilidade no mundo sindical, e é agora, em tempos mais moderados, uma voz a ter em conta.

Poderá ser um trunfo eleitoral importante para o próximo secretário-geral do PS, assim como para um futuro governo socialista. Terá de ser habilmente controlado por Álvaro Barreto (Trabalho), Bagão Félix (Finanças) e Fernando Negrão (Segurança Social). O movimento sindical moderado só terá a ganhar com estas movimentações.

sexta-feira, Julho 16, 2004

Patentes contra o desenvolvimento

Ainda a questão das patentes das novas tecnologias, levadas a extremos ridículos: dois links interessantes, aqui e aqui.

If Haydn had patented "a symphony, characterised by that sound is produced [ in extended sonata form ]", Mozart would have been in trouble.

O veto à Lei de Bases do Sistema de Ensino

As dúvidas metódicas de José Manuel Fernandes.

Dilema

Primeiro Pacheco Pereira desistiu do comentário político para ocupar o cargo de chefe da Missão Permanente de Portugal junto da UNESCO. Agora, prefere renunciar ao cargo, para poder comentar.

Este é o dilema de Pacheco Pereira. Não consegue deixar de exprimir as suas opiniões publicamente. Precisa de comentar, analisar e transmitir a realidade que vê e pensa. E acha que liberdade só se alcança fora dos espectros partidários. Que só se critica por fora.

Seria preferível que Pacheco Pereira desistisse por completo de se comprometer com qualquer tipo de cargos de nomeação política. Estará ele em condições de garantir que ocupará um qualquer desses lugares ate ao fim?

Estátuas para o futuro



Na Índia, será erguida a maior estátua do mundo do Buda. Nos Estados Unidos, pretende-se erguer uma outra estátua, ainda maior, a uma deusa celestial do futuro. Inspiradas por maneiras francamente diferentes de ver o mundo, ambas representam a esperança num mundo melhor.

quinta-feira, Julho 15, 2004

Paradoxo do Dia (2)

Este é emprestado do Blasfémias:

Muitos daqueles que diziam que Santana Lopes era populista, criticam agora o seu Ministro das Finanças por não o ser e por nao dar a todos o que não é dele.

Dr. Sampaio & Mr. Soares

Jorge Sampaio responde a quem acha que o Presidente da República está de mãos atadas, depois de viabilizar o novo Governo.

Felicidade (2)

O meu Rosebud foi descobrir um CD "Brincando aos Clássicos" de Ana Faria...

Felicidade

Consegui encontrar o mp3 do genérico da versão portuguesa do Era Uma Vez no Espaço, os meus desenhos animados favoritos de infância.

Tolerâncias

No Contra-a-Corrente fala-se, a pretexto de um e-mail de um leitor, da relação entre a direita e os escritores de esquerda. Ainda que o e-mail não nos tenha sido dirigido e as referências pouco elogiosas a Pablo Neruda não sejam subscritas aqui pelo Arte da Fuga, o tema interessa o bastante para lhe dedicar algumas linhas.

O meio cultural português, como aliás em toda a Europa, é dominado essencialmente por figuras de esquerda. Tal deve-se a vários motivos, a começar pela incapacidade da direita em se preocupar com a cultura, passando com uma maior predisposição da esquerda para a cultura e acabando no círculo vicioso que sempre gera um meio profissional em que todos partilham a ideia de que a direita não é culta e não presta.

Do domínio cultural da esquerda resulta, no que ao caso português diz respeito, uma quase ausência de referências culturais de direita. E se assim é, resta à população de direita abster-se das manifestações culturais ou participar nelas apreciando apenas a parte artística das mesmas.

Ao contrário do que muitas vezes se sugere, a população de direita que queira e se interesse por cultura, tem necessariamente de ser mais tolerante do que a esquerda. Porque é muito fácil ler, ver, ouvir ou participar em experiências culturais que propaguem as nossas ideias e os nossos valores. Muito mais difícil é ler, ver, ouvir ou participar em manifestações culturais que propagam valores que nos são adversos e, ainda assim, gostar e rejubilar.

Previsão do Dia

Marcelo Rebelo de Sousa tem vindo a destacar-se como crítico do governo da coligação e igualmente de Santana Lopes. Mas vai ficar agradavelmente surpreendido com a capacidade reformadora do governo e com a disponibilidade para a mudança que este vai demonstrar. De caminho, vai abrindo espaço à única candidatura que agora lhe resta.

Paradoxo do Dia

A esquerda que tanto gosta da liberdade de costumes é a primeira a apontar o dedo a Santana Lopes, a propósito do seu gosto por mulheres e por saídas à noite. Não é novidade, já que foi a mesma esquerda que acusou Sá Carneiro de estar em processo de divórcio.

Pergunta do Dia

O que fará o Bloco de Esquerda nas próximas eleições quando José Sócrates lhe disser que não pensa sequer em fazer coligações ou acordos com o BE e ainda lhe relembrar que as eleições legislativas são, no entender do próprio Bloco de Esquerda, eleições destinadas a eleger um Primeiro-Ministro?

Finanças

Há uns dias disse que o CDS tinha sido um dos maiores ganhadores da decisão presidencial. Um dos motivos que apontei foi precisamente o facto de o CDS poder vir a assumir o papel de herdeiro das políticas de rigor do Governo de Durão Barroso: ontem soube-se que Bagão Felix é o novo Ministro das Finanças.

No final deste novo Governo se fará o balanço. Mas na hora do aperto de encontrar um Ministro credível para a mais importante pasta, capaz de agradar ao Presidente da República e assegurar a continuidade das políticas, foi o CDS que o ofereceu.

Negócios Estrangeiros

Ponto consensual entre os dois maiores partidos, a realização de um referendo à Constituição Europeia estará aí para condicionar, desde o início, a actuação de António Monteiro à frente da pasta dos Negócios Estrangeiros. Em França, já marcha.

Importante é saber se António Monteiro, um diplomata de carreira, se dispõe a colaborar na prossecução do objectivo de melhorar a representação económica portuguesa além-fronteiras, pela reforma as instituições de promoção internacional e representações portuguesas no estrangeiro. Esperemos pelo nome do novo Ministro da Economia.

quarta-feira, Julho 14, 2004

Dah

Também o PCP encara as duas nomeações como uma continuidade da política governamental de Durão Barroso.

(a propósito das nomeações para ministros, já conhecidas)

A Ilha das Sete Cidades

A Assembleia Legislativa Madeira (ALM) decidiu elevar a vila do Caniço a cidade.

A pequena localidade nem é concelho, nem reune a quase totalidade das condições exigidas por lei— só o Funchal as cumpre por inteiro. A decisão foi ontem aprovada por unanimidade, e promulgada de imediato pelo ministro da República—, apesar de estar em vigor a proibição legal que veda aos órgãos de soberania deliberar sobre a criação de novas autarquias nos cinco meses que antecedem qualquer acto eleitoral— as regionais são a 15 de Outubro. O mesmo aconteceu com a elevação das últimas cinco "cidades", em 1996.

(Aqui um arquivo da ALM, de 1996, que ainda fala da elevação do Caniço a vila...)

Cura de emagrecimento

Downsizing ministerial no Reino Unido.

Curiosidade do Dia

Os partidos que repetem que Durão Barroso não poderá fazer nada pelo país, enquanto Presidente da Comissão Europeia, são os mesmos que se queixam de Jorge Sampaio, por não ter decidido segundo a sua cor política.

The times are a-changin'

Divirto-me com o azedume dos Barnabés em relação aos candidatos à liderança do Partido Socialista, António Vitorino (este agora já não), e José Sócrates...

Para lá caminhamos...

A propósito da notícia comentada com o post O socialismo sobrevive entre nós, do blogue O Intermitente... chegou o dia do ano em que tenho de concordar com os "camaradas" da longínqua esquerda.

Quem não gera riqueza tributável tem de ser penalizado pela fraca administração do seu património. É duro para muitos, mas acredito que para lá caminhamos... o problema é a intervenção do Estado...

Cidade sem muros nem ameias

Um post interessante da Rua da Judiaria.

Ainda a deslocalização

O De Direita diz: Meio mundo anda a fazer contas sem qualquer base sólida acerca de quanto custa deslocalizar ministérios. Ninguém sabe quantos nem para onde, sabem apenas que é mais caro ou até impossível de levar a cabo (!).

Bem visto. Com alguma perícia imobiliária, até é provável que a questão pareça atractiva. Contabilisticamente. Digamos que até poderá gerar proveitos imediatos da ordem de alguns de milhões de euros.

De novo o De Direita: A discussão é de impacto na eficiência, e esse é o estudo que é necessário fazer e que ainda ninguém acenou com ele.

No caso do pesado Ministério da Agricultura, que tem um orçamento da ordem dos 580 milhões de euros, o imperativo imediato— discussões à parte— não é fazer mudanças, é tornar este e outros Ministérios mais eficientes— ou pelo menos mais eficazes!

Pergunta do Dia

Um político brilhante deverá candidatar-se a Secretário Geral de um partido político se quiser continuar a ser reconhecido como brilhante?

terça-feira, Julho 13, 2004

Go



Hoje estou feliz. Mandei vir da Holanda um magnetic go set— em nada parecido aos gobans que aparecem nas fotos— tenho um semelhante, mas o novo é muito fácil de transportar, por ser riculamente pequeno com pecinhas que "colam" ao tabuleiro...

O Go é um jogo que teve a sua origem na China há quatro milénios, e deriva o seu nome "internacional" de Igo, o termo em Japonês. Em Chinês, é designado por Weiqi, querendo dizer "jogo de cercar"; em Coreano, por Baduk (ver mais na descrição da Associação Portuguesa de Go).

No Oriente, o Go é extremamente popular. Por cá, começa a dar os primeiros passos, e promete ser o jogo do futuro (apareceu recentemente no filme "Uma mente brilhante", ver foto). O seu fascínio reside no facto de ser extremamente fácil de aprender, misturar intuição e raciocínio em partes iguais, e ter uma beleza estética e filosófica ímpares.

Não vou maçar o leitor, deixo apenas uns links (para aprender, também interactivamente, ou em PDF; para jogar na Internet, ou contra o computador).

"Não pode"

É hoje doutrina que uma proposta política, uma vez atirada ao circo mediático, "não pode" ser abandonada pelo seu autor, porque sofrerá as consequências da correspondente descredibilização.

Em nome de uma "coerência" que muitos vêm como sinónimo de seriedade política, levam-se a cabo as experiências mais irresponsáveis, absurdas e obstinadas, de forma improvisada e ingénua, muito para além de qualquer prova concreta da sua não sustentabilidade. Esta avaliação é válida tanto para "deslocalização" dos ministérios de Pedro Santana Lopes, como para tantas reformas sem qualquer sentido prático e estruturante.

PSL já é visto como um inconsequente, porque tem falhado em concretizar projectos— muitos da sua autoria— mal concebidos de raíz. Só tem a ganhar se conseguir demonstrar que as suas ideias "populistas" não são mais do que brainstorming; à espera de triagem. Que sejam apuradas pela discussão pública ou pelos seus futuros acessores, os ministros e secretários de Estado do Governo, é indiferente. O que interessa, acabada a discussão, é que não tenha medo de corrigir a mão, e que tome decisões certas.

E-Government

É infeliz a ideia de Santana Lopes de distribuir alguns centros de decisão pelo país, tão desastrosamente associada ao e-Government.

Isto porque o e-Goverment serve para "aproximar" a Administração Central do cidadão, melhorar a eficiência da máquina burocrática do Estado, e promover o seu "emagrecimento". As distâncias são encurtadas virtualmente, não fisicamente.

Dispersar meios é contrário ao bom senso e à noção de eficiência das organizações. Aumenta os custos de estrutura das instituições, agrava as condições de comunicação entre os decisores, e cria emprego indirecto e burocracia acrescida. As "novas tecnologias" apenas poderão suprimir parte dos problemas de comunicação pessoal entre os decisores, mas não compensarão o peso acrescido da máquina do Estado.

A falácia desta proposta é que as regiões contempladas serão beneficiadas pela presença física das Secretarias e Ministérios. Estas estruturas não são intermediárias da relação do Estado com os cidadãos— tal é a vocação do poder local—, e portanto devem estar localizadas onde sejam funcionalmente mais eficientes.

Para mais referência, recomendo como ponto de partida a Wikipédia.

Fuga



(Imagem: A fuga, por Mário Eloy Pereira (1900 - 1951), na Galeria de Pintura Portuguesa)

Retirado directamente do Blasfémias.

segunda-feira, Julho 12, 2004

Crise

No Blasfémias e no Terras do Nunca debate-se a crise da democracia.

É habitual falar-se em crise da democracia quando os cidadãos preferem ocupar-se nos seus afazeres a engrossar manifestações ou a escrever manifestos. As taxas de abstenção aí estão para testemunhar a dita crise.

Uma democracia nunca está em crise quando os cidadãos preferem desocupar-se da vida política, dedicando-se antes ao que mais os realiza. Quanto muito, o que está em crise é a política.

Nova Edição

Consta que alguns manuais de política já trazem uma nova lição:

Sempre que se referirem à direita perante a televisão não se esqueçam de acompanhar a palavra com olhos encarnados de raiva, esgares e caretas de desdém e, sobretudo, não se esqueçam de ranger os dentes.

Indignação

Se acaso a decisão do Presidente da República tivesse sido outra e os dirigentes do CDS e do PSD tivessem vindo dizer do Presidente o que alguns dirigentes socialistas disseram durante estes dias, estaríamos com certeza perante um feroz ataque às instituições democráticas e perante um conjunto de pessoas que não sabem aceitar as regras impostas pela Constituição.

Mas como a situação não é essa, estamos apenas perante o direito à indignação.

Preocupação do Dia

O que mais me preocupa nas reacções de algum PS, do PCP e do Bloco de Esquerda é que tenho a leve sensação de que seriam exactamente iguais se, em caso de eleições antecipadas, a coligação de direita tivesse ganho as eleições.

Paradoxo do Dia

Ana Gomes notabilizou-se profissionalmente na carreira diplomática onde, segundo consta e segundo se sabe, se revelou uma brilhante profissional.

A actuação partidária de Ana Gomes pode ser descrita de todas as formas e feitios. Mas há uma palavra que não pode ser utilizada: diplomática.

Pergunta do Dia

Qual será o destino escolhido por Miguel Sousa Tavares para emigrar, agora que Santana Lopes se prepara para ser primeiro-ministro?

Realinhamentos (4)

PCP continuará a definhação que a História e a demografia impõem. Há muito perdeu o comboio da renovação— que o transformaria num partido moderno, mas muito diferente das suas origens e vivências marxistas-leninistas. Mário Soares disse-o: "o Partido Comunista já não mete medo a ninguém". Não sendo perigoso, o PCP é apenas um repositório de mandatos de deputados, preso a uma realidade agro-industrial que desapareceu...

O Bloco promete continuar a ser uma força a ter em conta pela imaginação alucinante das suas políticas. Medina Carreira disse-o no domingo: "qualquer organização sem responsabilidade é um perigo" (mais ou menos isto). Cada vez mais é o partido anti-sistema do sistema, que não consegue levar avante nenhuma das medidas fracturantes que defende. Mas o eleitorado jovem do PCP está lá para ser minado, e o desconforto dos dirigentes comunistas para com o Bloco começa a ser evidente.

A incontinência continua

O PCP diz que a credibilidade do PR foi "profundamente atingida".

O PCP sofre. Depois de tantos anos a desencantar candidatos a Belém com reconhecida credibilidade...

domingo, Julho 11, 2004

Os senhores da fuga

Como nos escapou esta??

Do blogue dos Marretas:

FUGAS
Guterres, Durão, Sampaio e Ferro são os “quatro cavaleiros da fuga”, disse Saramago, o escritor da fuga para Lanzarote.

Estabilidade governativa

Jorge Sampaio: Nesse regime— que não fiquem dúvidas— a nossa opção é pela democracia representativa, de que não sou o notário, mas sim o garante; e que, por isso, não há razões de oportunidade, por mais compreensivas que sejam, que possam abrir caminho e criar um precedente para futuros desvios plebiscitários.

O Presidente da República não quis dizer que se convocasse eleições, o país mergulharia num caos. Segundo as suas palavras, a dissolução da Assembleia da República teria de ser considerada a solução que mais se afastaria da estabilidade política.

Por "desvios plebiscitários", o Presidente da República referia-se ao criar precedentes de constante recurso a eleições, quando tal é desaconselhado em normalidade democrática. Jorge Sampaio afastou-se de toda a fulanização irresponsável que se gerou e acabou por dar um exemplo de sobriedade institucional.

Em última análise, Jorge Sampaio refere-se ao Poder atirado à rua, o que alguns (Bloco de Esquerda, Mário Soares, e outros) falsamente defendem como "democracia participativa". Defendem-na como complemento à democracia representativa, quando na verdade é a sua antítese.

É um tema muito querido aos defensores da "revolução global", a que se deu o nome de trotskismo. Consiste numa forma de governo baseada na "Opinião Pública", omnisciente e moralmente superior ao poder político eleito. Revela-se nas manifestações de rua, na desobediência civil, no poder tablóide, na pressão directa da sociedade civil sobre o poder político, na política por aclamação, e representa o pior do populismo de Esquerda.

Puxão de orelhas

Ana Gomes, porventura a mais raivosa de sempre dirigente do Partido Socialista, depois de dizer do Presidente da República que teve "falta de coragem", que deu explicações compridas demais, que não tinha capacidade para controlar o Governo e uma data de barbaridades pouco edificantes— que escusamos repetir—, foi seriamente criticada por alguns camaradas de partido, que classificaram a sua intervenção de "desrespeito pela decisão presidencial" e "incontinência verbal, irresponsável e imprópria de uma dirigente do PS".

Só eles saberão

José António Saraiva, no Expresso, diz no seu editorial:

PS- Quando estudei com algum pormenor a história da I República, pensei: é isto que o país tem de evitar. A democracia não pode voltar a cometer os mesmos erros. É absolutamente vital assegurar o funcionamento tranquilo das instituições. É preciso a todo o custo conter a febre política, as convulsões parlamentares e o constante recurso a eleições. Por isso estranho que dois homens experimentados como Mário Soares e Freitas do Amaral, que devem conhecer tão bem como eu a história desses anos agitados e as suas consequências, tenham defendido a dissolução do Parlamento.

Nos dias que correm, Freitas do Amaral é um mistério. Não me surpreenderia se com tanto interesse pelo país, não se radicasse em Lanzarote. Não me choca a sua mudança tardia de posições políticas, mas sim como falhou em pôr a sua inteligência ao serviço de uma retórica que desse corpo a essa cambalhota. Dele só se sabe que se posiciona "rigorosamente ao centro" entre o PS e o Bloco de Esquerda.

Mário Soares pedia a dissolução da Assembleia por motivos partidários, e não pelo interesse do país— como é óbvio. Soares é um homem de escrúpulos, mas dos errados. E não nos podemos esquecer que o campo de esquerda que mais singrou nesses primeiros tempos conturbados de República foi o de influência jacobina— em suma, o socialismo maçónico— o que explica a bem atracção de Soares.

Realinhamentos (3)

A subida de Santana Lopes à presidência do PSD é sinal apontados por todos como sinal que o PSD terá de futuro uma política mais "liberal". Esta perspectiva a todos preocupa, porque é desconhecido o edifício político-científico em que PSL assenta o seu "liberalismo". Portanto o futuro é uma incógnita.

Contrariamente ao meu amigo AMN, não tenho tantas certezas que o CDS-PP ganhe "espaço".

Um PSD mais à Direita terá um poder aglutinador muito forte. Sobretudo, aproxima-se politicamente do centro de gravidade da coligação. Ao eleitorado parecerá que o partido maior da coligação engoliu o espaço próprio do mais pequeno.

O CDS-PP começa a ser reconhecido como contraponto conservador ao liberalismo reformista do PSD, uma aliança simbiótica que parece estar a resultar, com bons resultados para a imagem de ambos os partidos. Na nossa opinião, também para o país.

Para sobreviver nos tempos que se avizinham fortemente bipartidários, CDS-PP terá valorizar esta relação de complementaridade política— ganhando o espaço "conservador" de que o PSD prescinde— ou partir para outros campos de batalha.

À Direita de ambos, estará o PND, que também será afectado pela aproximação do "gigante laranja". Enquanto partido de poder, o CDS-PP deverá rejeitar disputar espaço a Manuel Monteiro, um campo eleitoralmente parco de votos e ideias.

Ao Centro, vai dar-se a aproximação do PS. Não agradará aos líderes do CDS-PP lançar mão do seu passado passado mais centrista, tradicional e conservador, mas tal é um trunfo que poderá ser psicologicamente muito importante. É nesta frente que se disputará a próxima maioria.

Realinhamentos (2)

Ferro Rodrigues considerou este desfecho uma derrota da atitude "moderada" do PS ao longo de todo o processo, como quisesse insinuar que de ora em diante, o Partido Socialista adoptaria uma atitute mais agressiva.

Não vai. Ferro Rodrigues demitiu-se porque não tinha condições internas para continuar o combate político ao novo Governo. A sua demissão representa o fim de um ciclo da ala mais marxista do PS— o chamado sampaísmo—, que daqui em diante se resumirá a um grupo de dissidência interna, mais próximo das políticas do Bloco de Esquerda, do que da linha política que o partido seguirá daqui em diante.

Na corrida à liderança do Partido Socialista alinham-se dois políticos de grande valor: José Sócrates e António Vitorino.

Ambos pertencem a um ramo moderno do Partido Socialista influenciado pelo socialismo cristão, mais centrista e mais moderado. Ambos são homens que a Direita preferiria ter do seu lado. Com qualquer um dos dois, o Partido Socialista tem condições para captar um eleitorado mais alargado, ao centro, que não é condignamente representado pelo sistema partidário português desde a primeira maioria de Cavaco Silva.

José Sócrates está porventura mais favorecido na sucessão devido ao calendário das funções europeias de Vitorino. Político mediático mas discretamente moderado, transmite uma aura de dinamismo e competência que farão dele, inevitavelmente (na minha opinião—já o digo há muito tempo), primeiro-ministro de Portugal.

António Vitorino, depois do prestígio adquirido por uma carreira fulgurante pelos meios internacionais, a que só faltou um cargo de liderança de relevo internacional, é um estadista com verdadeiro perfil presidenciável— irresistível para o Partido Socialista, e muito mais interessante para o país do que António Guterres.

Ou seja: o Partido Socialista deverá aproximar-se do Centro; terá nestes dois homens poderosos argumentos; a Direita (coligada ou não) só poderá esperar uma luta muito difícil.

Até que enfim!

1. O Presidente da República ter acabado com esta embrulhada em que teve grande dose de responsabilidade;

2. Jorge Sampaio ter chegado à maturidade na escrita de discursos! Já os escreve com classe, estilo, e significado. Há seis anos ninguém acreditaria...

Realinhamentos (1)

O Presidente da República deu anteontem ao país uma lição de Sentido de Estado como provavelmente não veremos nos tempos que virão.

A sua declaração em tudo vem dar razão aos que defendem a estabilidade como valor suportado por instituições fortes (Presidente da República, Governo, Parlamento), num quadro de uma democracia representativa.

O discurso, cheio de pequenos pormenores linguísticos muito significativos, tem alguns pontos que muito certamente farão jurisprudência política:


  • Desde que o Governo saído das eleições parlamentares continue a dispor de consistência, vontade e legitimidade políticas, a demissão ou impedimento permanente do primeiro-ministro não é motivo bastante para, por si só, impor a necessidade de eleições antecipadas.

  • Na sequência das audiências dos partidos políticos, a actual maioria parlamentar garantiu-me poder constituir um novo Governo, que permita dar continuidade e cumprir o Programa do anterior, e que essa maioria se comprometeu a assegurar, até ao final da legislatura, o mesmo apoio que deu ao Governo cessante.



A estabilidade política do país não é posta em causa; a normalidade constitucional não sofrerá se o novo Governo falhar com os seus compromissos e tiver de ser justamente demitido.

Jorge Sampaio reafirmou o seu papel como Presidente de todos os Portugueses. Não dos que votaram nele, não dos outros. Mostrou que não está ao serviço das forças políticas (de Esquerda) que o apoiaram. E colocou-se moralmente acima de um outro mote antigo da Direita, que voltou a renascer de forma perfeitamente imprópria: "uma maioria, um Governo, um Presidente".

sábado, Julho 10, 2004

Perguntas e Reacções VIII

Venha quem vier para o PS, uma coisa é certa: o partido que mais teve a ganhar nesta crise, a médio prazo, foi o CDS.

Para o PS, Paulo Portas deixará de ser o populista mais perigoso e há que atacar preferencialmente Santana, deixando a Paulo Portas algum espaço para respirar que lhe tem faltado nos últimos dois anos, em que foi a vítima preferencial dos ataques de toda a oposição.

Ao ganhar espaço, o CDS, se conseguir apresentar bons ministros, poderá mesmo aparecer ao eleitorado como o partido que consegue domar Santana e o consegue desviar de populismos e de decisões erráticas, aparecendo ainda como o herdeiro do espírito do governo rigoroso de Durão Barroso.

O PSD não está, como todos sabemos, pacificado. Virão a lume divergências várias que desgastarão o PSD e que como tal obrigarão a que este prefira uma coligação pré-eleitoral para as próximas eleições legislativas.

Perguntas e Reacções VII

O Presidente da República deixou claro que as principais políticas do Governo de Durão Barroso deveriam ser levadas até ao fim. Só o PCP - e bem - referiu este aspecto, que me parece determinante e que de certa forma vem contribuir para a fama que Durão Barroso sempre quis deixar do seu governo: governo de salvação nacional.

Sampaio caucionou as opções impopulares do governo de Durão Barroso. Como tal, nunca poderia vir a aceitar os resultados das eleições europeias como determinantes para a sua decisão, visto que estes mais não foram que a reacção às medidas impopulares. Os partidos da oposição, tal como Santana Lopes, deveriam pensar seriamente nas palavras do Presidente.

E se Ferro se queria demitir, deveria então ter esclarecido que o fazia porque a sua acção política e a sua oposição a Durão Barroso tinham sido colocadas em causa pelo Presidente da República, que é um homem de esquerda. Depois, se quisesse, candidatar-se-ia de novo a Secretário Geral, ganhando ou perdendo a confiança do maior partido da oposição.

Perguntas e Reacções VI

Um Presidente da República tem de decidir de acordo com os interesses da República e não de acordo com os interesses dos eleitores que o elegeram.

Perguntas e Reacções V

A decisão do Presidente da República (e não do "Jorge", do "meu amigo Jorge" ou do "Jorge Sampaio") foi a decisão que todos, absolutamente todos, clamaram vir a ser do bom senso. Todos, absolutamente todos, consideraram que o Presidente da República saberia decidir com ponderação e sapiência.

Agora que o Presidente da República decidiu, o máximo que os partidos que dele discordam podem dizer é que se trata de uma decisão errada, que não teve em conta todos os pressupostos ou, ainda, que se baseou numa perspectiva errada da Constituição e dos poderes presidenciais.

O que os partidos que dele discordam, nomeadamente o maior partido da oposição, nunca poderiam dizer era o chorrilho de disparates e insanidades que foram ditas acerca da democracia e acerca da dignidade do Presidente da República. Para o PS de Ferro e de Soares (o Soares de agora...), o PCP e o BE, a democracia está em risco sempre que a esquerda perde. Curiosamente, apenas o PS tem legitimidade para falar em democracia. E mesmo assim, sempre que fala de democracia nos últimos temas, utiliza o tom, os hábitos e os jeitos dos outros dois partidos que com a democracia nunca tiveram qualquer relação que se visse.

Maria de Lurdes Pintasilgo (1930-2004)

Morreu Maria de Lourdes Pintasilgo.

O Arte da Fuga apresenta os sentimentos sinceros aos familiares e amigos. Mesmo que quase tudo nos separasse de Maria de Lurdes Pintasilgo, a morte apróxima-nos sempre.

O passado de uma ilusão

Um dos livros de cabeceira que me entretenho a folhear e ler uns capítulos, volta e meia, é "O passado de uma ilusão", de François Furet, publicado entre nós pela Editorial Presença: "A tese deste livro é que a "ilusão" não acompanha a história do comunismo, é-lhe constitutiva.".

De outro resumo: "Furet reminds us that that blind spot has spawned an entire historiography by systematically constrasting Nazi barbarism and its bourgeois accomplices (big capital had, after all, supported Hitler) with Communist resistance and tomorrow's brighter future."

É uma obra sobre a História da mitologia comunista no século XX, escrito em estilo quase documental, o que torna esta obra fascinante, um verdadeiro prelúdio socio-psicológico a "O Livro Negro do Comunismo".

Recomendado pel' A Arte da Fuga.

Os próximos desafios

Foi uma decisão de bom senso. Havendo sentido de Estado, de parte a parte, Portugal pode ter, nestes últimos dois anos de legislatura, um Governo extremamente motivado, e um Presidente da República respeitado pelo seu poder de intervenção e influência.

Seria um bom serviço ao país que assim fosse até às próximas eleições, legislativas e presidenciais. O que se pede aos intervenientes da esfera do Poder é, nada mais nada menos, que sejam exemplares.

É excelente que o Partido Socialista possa despir a pele e reencontrar a sua cultura política de Oposição, e quem sabe, de Governo. Que essas políticas sejam construtivas e ambiciosas.

A coligação governamental terá de produzir políticas estimulantes, competentes e concretas que dêem estabilidade e confiança a Portugal. O país tem de ser tornar mais competitivo, economicamente saudável, e socialmente justo. As reformas já encetadas não podem esperar! Será preciso recuperar o espírito de disciplina e rigor do princípio da legislatura, e não ceder a tentações populares ou eleitorais. Uma tarefa de gigantes.

Engulo o sapo

Temos Presidente!
(parece!...)

Blogosfera: Ma-Schamba

Uma referência a um blogue bem-disposto e inspirado, com sabor bem temperado a Moçambique, o Ma-Schamba, que nos vem lembrar que por muito que falemos, tão pouco sabemos dos países lusófonos e da sua alegria de viver...

Ainda há esperança

Aos partidos que viram gorados os seus intentos de ir a eleições antecipadas, saibam que ainda têm alguém a quem recorrer...

Se não aconteceu, podia ter acontecido

Ao ler o impagável "o Inimigo Público", dou por mim a pensar que toda esta comoção podia bem ter saído naquele suplemento satírico.

Os meus parabéns aos rapazes das Produções Fictícias (aqui um link para o blog do Gato Fedorento), que continuam a levar o nonsense português por bons caminhos...

sexta-feira, Julho 09, 2004

Perguntas e Reacções IV

O Presidente da República decidiu de acordo com o que, em teoria e no plano institucional, lhe pareceu mais coerente com as suas ideias de sempre. Noutros locais do Mundo, isso seria sinal de coerência e seriedade política. Aqui em Portugal é apenas apelidado de traidor.

Perguntas e Reacções III

Se Francisco Louçã considera que a democracia portuguesa está em risco com a decisão do Presidente da República, é porque considera que o Presidente não é um democrata. E se assim é, o que está o Bloco de Esquerda a fazer a dar conferências de imprensa num órgão de soberania de um país que não está em democracia?

Perguntas e Reacções II

Se Ferro Rodrigues se demitiu por considerar que sofreu uma derrota pessoal, isso quereria dizer que caso a decisão do Presidente da República tivesse sido outra, ele poderia considerá-la como uma vitória pessoal?

Desde quando é que a dissolução ou não da Assembleia da República tem a ver com a vida pessoal de Ferro Rodrigues?

Perguntas e Reacções I

Se o Presidente da República é Presidente de todos os portugueses, porque é que há quem continue a insistir que ele deveria ter decidido segundo critérios de esquerda e de direita?

Alea Jacta Est

Às 21h30 o Presidente da República anuncia ao país a sua decisão sobre uma crise que nunca teve razão de o ser.

Uma cronologia aqui, assim como a derradeira provocação de Alberto João Jardim: «A instabilidade é por causa de alguém não gostar de outro alguém que pode vir a ser indigitado, como líder do partido maioritário da coligação, para formar Governo».

Blogger pub

Temos de dar crédito aos rapazes do Blogger, que inventaram o Blog*spot.

Para rentabilizar o investimento, o Blogger exige que se inclua no código do template uma mísera tira de publicidade, que aparece no cabeçalho de cada blogue. Esta publicidade é variável, mas regra geral tenta adequar-se ao título do blogue, o que é inteligente do ponto de vista do marketing. Para se dê ao trabalho de dar uma volta pela blogosfera, especialmente a portuguesa, é divertido ver os resultados.

No caso d'A Arte da Fuga, tem-nos saído ultimamente "Deteccíon fugas por hélio, el sistema de detección más productivo y fiable", e "Pintura flamenga antiga, Os grandes mestres 1585-1789 Obras-primas da arte flamenga".

Asseguramos os nossos leitores que os nossos posts são produzidos sem qualquer auxílio de sistemas de detecção espectrométrica. Mais, neste blogue não entra hélio nenhum— que como sabemos é um gás que faz as vozinhas fininhas, e disso, cá não há. Quanto a flamenguices, pintura sim— porque o futebol está em baixo; e quanto ao queijo, manda a prudência que não nos pronunciemos, que muito má produção tem tido cá em Portugal...

Outro hype

Para descontrair das políticas, recomenda-se o OptimusHype@Meco, o melhor festival de música electrónica, já na sua quarta edição, com nomes como Moloko, The Matthew Herbert Big Band, Peaches, London Elektricity e Scratch Perverts. Até às tantas da manhã, a não perder!

Previsão do Dia

Actualmente todos os actores do sistema político português confiam no bom senso do Presidente da República.

Amanhã, metade do sistema político dirá que não tem Presidente.

Paradoxo do Dia

O único lider partidário que actualmente pede aos portugueses uma maioria absoluta nas próximas eleições antecipadas é o único líder que tem 2 adversários dentro do seu próprio partido: João Soares e José Lamego.

Pergunta do Dia

Se Santana Lopes tem assim tantos defeitos políticos, porque é que até os mais credíveis colunistas insistem em falar dos supostos defeitos pessoais de Santana, falando também da sua vida amorosa?

(É o caso de Fernando Madrinha, que compara Santana a Peron, a quem não faltam as "evitas"; artigo via Bloguítica)

Compensações

No Adufe pergunta-se se Freitas está para a esquerda como Blair está para a direita e se isso não se trata, afinal, de uma compensação?

A haver compensação, esta não é total. Ao que consta, a extrema-direita continua a não suportar Blair (bastava ver os tempos de antena do PNR), ao passo que a nossa extrema-esquerda deu em idolatrar o Professor...

Actores B

No Metarfopsia fala-se de actores B, os habituais secundários de que quase nunca nos lembramos e que raramente terão tido a glória de protagonizar um filme de sucesso. Este é um dos meus temas favoritos. Sempre tive queda pelos “falhanço”. Por aqueles actores que tentaram a ribalta, que estiveram quase a atingir o sucesso, que chegaram mesmo a dar um beijo à actriz principal num filme arrasa bilheteiras, mas que, por falta de talento deles ou da industria, nunca chegaram a conhecer o verdadeiro sucesso. Daí que esteja particularmente à vontade neste assunto e possa, numa rajada, começar a brincar ao name dropping de actores B.

No entanto, e porque a vida não lhes trouxe o reconhecimento merecido, aqui deixo, à laia de “deixa-lá-que-em-Portugal-há-um-gajo-que-repara-em-ti-e-no-teu-trabalho” a minha homenagem sincera a:

JoBeth Williams – Fabulosa nos Amigos de Alex e igualmente fabulosa em Poltergeist;

Linus Roache – Muito convincente ao lado de Bonham-Carter no Asas do Amor;

Jane Alexander – Uma das melhores actrizes secundárias dos anos 80 e magistral em Testamento, Kramer vs Kramer e Os Homens do Presidente;

Tom Berenger – Depois de excelente em Platoon voltou à obscuridade.

Bem sei que estes quatro exemplos não se encaixam propriamente no título de ilustres desconhecidos, mas não estou a ver que, pelo nome, haja muita a gente a saber quem são ou o que fizeram.

Faça-se a homenagem!

Afinal, quem é que chumba, quem é?

O post de Vital Moreira no Causa Nossa tem o mérito que só os melhores têm. É sério, directo e não inventa e torce a realidade para que ela possa caber num ou outro argumento mais vistoso.

Diz Vital Moreira diz que o Presidente da República pode invocar razões mais do que suficientes para convocar eleições em vez de nomear um novo governo da actual maioria parlamentar mas que isso se deve a uma livre opção presidencial e não a uma obrigação de entregar a escolha do novo chefe do Governo aos eleitores, como pretende Freitas do Amaral. O entendimento do Professor Freitas, de acordo com Vital Moreira, não decorre da Constituição nem é uma imposição política do nosso sistema de governo: “o líder do Governo não é eleito, sendo nomeado pelo Presidente no quadro da composição parlamentar existente. É dessa nomeação presidencial e desse apoio parlamentar que decorre a sua legitimidade democrática, não de eleições. Suponho que nunca nenhum primeiro-ministro se considerou eleito para o cargo”.

É das poucas pessoas que defende eleições antecipadas e que fala claro, sem recorrer a argumentos falsos ou interpretações abusivas e descabidas da Constituição. Dir-me-ão que Vital Moreira tem obrigação de agir desta forma, enquanto excelente Professor de Direito que é. Talvez. Mas e o que dizer de Freitas do Amaral? Não foi ele que ameaçou de chumbo no primeiro ano de direito a quem defendesse teses semelhantes às de Vital Moreira? Pois...

Presente para o Presidente

Acabei ontem de ler "A Máquina de Joseph Walser" de Gonçalo M. Tavares, editado pela Caminho (devidamente escondido dos olhares dos meus ascendentes, a quem ainda atemoriza a entrada de livros da Caminho lá em casa).

A perspectiva de ter uma sociedade em que cada homem age na solidão, laborando no seu projecto individual e secreto e grandioso e único; em que a convivência quase desaparece porque é dispensável; em que todos somos engrenagens e máquinas, deixou-me subitamente preocupado. Não que o livro isso pretendesse, mas aconteceu como sempre acontece ao lermos um livro num determinado contexto que escapa ao seu autor e que por isso lança o livro numa rota que ele próprio desconhece e que pode, até, virar-se contra ele.

Gostava de oferecer o livro a Jorge Sampaio. E que ele o lesse de hoje para amanhã.


Vale a Pena

Vale a pena ler o artigo de Vasco Pulido Valente de hoje no DN. Vale sempre a pena ler VPV. E vale muito mais a pena, quando ele está coberto de razão. Como hoje.

Desabafo

O Presidente da República, tão amigo de apelar aos pactos de regime, não tem autoridade para dizer ao Partido Socialista para ir tomar um duche frio e esperar "serenamente" pela sua vez?

Jorge Sampaio vai erguer o punho fechado e mostrar o seu cartão vermelho à maioria parlamentar?

Uma anedota alternativa

Jorge e Maria José vão ao Teatro Nacional assistir ao "Segundo mandato do cisne" (que é um ballet, como é sabido!).

Jorge, muito cansado, após um longo dia de trabalho, dorme profundamente durante a maior parte do espectáculo. Acorda, sem graça, e pergunta à mulher:

—Maria José, dormi. Será que alguém notou?

Responde a Maria José:

—Da plateia não sei, mas todos os artistas sim, pois há horas que caminham na pontinha dos pés para não te acordar...

quinta-feira, Julho 08, 2004

A linguagem do futebol chegou à política

Jorge Coelho, de volta ao combate político, avança, na TSF Online:

Não estou de acordo com a generalidade das questões que Santana Lopes defende, do ponto de vista político, mas acho que é um adversário muito poderoso e é preciso o PS trabalhar muito, apresentar um projecto à altura do que são as ambições dos portugueses, apresentar protagonistas melhores do que a direita apresenta, para merecer a confiança dos portugueses e ganhar as eleições.


No fim Scolari agradeceu o carinho que tem recebido dos portugueses.

Um perfeito disparate

A exigência da parte do MNE do reembolso dos custos de repatriamento dos emigrantes portugueses afectados pelas cheias de 1999 na Venezuela. As reacções têm sido muito brandas.

Moção de confiança

Anteriormente, alegou-se que a convocação de eleições antecipadas, justificada nos resultados das eleições europeias, era um logro constitucional. E qual é a posição do "garante do normal funcionamento das instituições"?

A utilização perversa pela Oposição dos resultados das eleições europeias, como se de eleições "intercalares" se tratassem, tem um efeito perverso: tornam as eventuais eleições legislativas antecipadas em eleições intercalares... das Presidenciais.

Ao chamar o povo às urnas, Jorge Sampaio estará indirectamente a submeter-se a uma Moção de Confiança? Se os resultados forem piores para todos nós, não nos podemos perguntar "Foi para isto elegemos um Presidente da República"?

Moção de Censura (2)

Se as eleições legislativas conferem legitimidade constitucional a um partido ou coligação para formar Governo por todo um mandato, eleições europeias "intercalares" apenas servirão, em segunda mão, de sondagem à falta de popularidade de um Governo— porque de partidos já não se trata, mas de políticas governativas em acção.

Se o referido Governo cessa funções, tal sondagem ad hoc perde o seu âmbito de aplicação. A Constituição da República Portuguesa, não.

Moção de Censura

Os partidos da Oposição tentaram fazer das últimas eleições uma "Moção de Censura" ao Governo.

Ferro Rodrigues, na altura, afiançou que não ia exigir a demissão de Durão Barroso, mesmo que os resultados fossem desfavoráveis à coligação governamental. Tal não seria normal em democracia, nem lúcido, nem responsável— uma atitude correcta de um partido que está destinado a voltar ao Poder.

O "cartão amarelo"— esta proposta populista e tão pouco adulta em democracia— teve a sua aceitação.

Em perfeitas condições de normalidade institucional, o Governo declarou que ia tirar conclusões, mas que as linhas-mestras da sua actuação não podiam mudar, mesmo que tal resultasse em prejuízos eleitorais para os partidos da coligação. O país entendeu que esta palavras poderiam no máximo resultar numa "remodelação", mais ou menos abrangente. O Presidente da República não se pronunciou para além das habituais palavras de circunstância.

A análise constitucional dos resultados das eleições europeias há muito findou. Contudo, a argumentação dos partidos da Oposição, que persistem em exigir eleições antecipadas, é sustentada nesses mesmos resultados. Esses partidos pretendem conseguir a posteriori o que não seria de esperar em normalidade democrática.

Pergunta do Dia

PSD e CDS Preparam Frente Anti-Sampaio em Caso de Eleições

Coligação Prepara Campanha Contra Sampaio

Porque é que algumas manchetes de jornal são claramente destinadas a pressionar Sampaio?

Com amigos destes...

Do nortadas...

"Coisinhas moles"? Quereria dizer "Jorge Sampaio"?

Frustrados da Vida

Há na vida política portuguesa, um conjunto de pessoas frustradas. Pessoas a quem a política não sorriu e que ficarão para a posteridade num qualquer canto lateral de última página, apesar de todas as manchetes que poderão ter coleccionado durante a vida. O Arte da Fuga vai passar em revista algumas dessas personalidades, na secção Frustrados da Vida. Hoje, porque merece ser o primeiro, falamos de Freitas do Amaral.

As frustrações do Professor Freitas do Amaral:

1) Quis ser primeiro-ministro em substituição de Sá Carneiro mas não o deixaram;
2) Quis ser Presidente da República, mas Mário Soares e o seu próprio passado político não o deixaram;
3) Quis regressar ao CDS para o arrancar dos 4% onde estava enterrado e deixou-o com... 4%;
4) Deixou o CDS na convicção de que o partido desapareceria e não valia a pena perder tempo com ele, e o CDS está agora no governo;
5) Foi Presidente da Assembleia Geral da ONU na convicção de que, enquanto fosse vivo, não veria nenhum português ocupar cargo de maior destaque internacional que o dele, e vê agora Durão Barroso a caminho de ser Presidente da Comissão Europeia;
6) Quis ser um homem de consensos para ser considerado uma escolha nacional para Presidente da República e acaba a ser reconhecido apenas pela esquerda e pela extrema-esquerda.

Aceitamos mais sugestões, que incluiremos nesta lista de frustrações, e que nos podem ser enviadas via comentários ou via mail, com link no header deste blog.

Paradoxo do Dia

O PS tem sido o partido que mais tem alertado contra as pressões da coligação de direita sobre o Presidente da República, mas é o único partido que, antes de o Presidente ter decidido, já pede maioria absoluta nas eleições antecipadas que ainda ninguém convocou.

Estacionamento selvagem

O Jaquinzinhos avança com um hilariante exercício de desconstrução das baboseiras do Bloco de Esquerda:

Aqui neste blogue há muito que se tenta e nada se consegue. Compreender qual é o modelo de sociedade que o Bloco de Esquerda nos propõe, entender se ainda buscam o fim do capitalismo e o estabelecimento de uma ditadura do proletariado, perceber se o Bloco já meteu o socialismo na gaveta, ou clarificar de que modo prático é que se consubstancia a apregoada alter-globalização são debates a que os bloquistas fogem como o diabo da cruz. Do Bloco, opiniões aparentemente firmes só sobre abortos, charros e gays.


Segue-se uma introdução a um tema que pouco tem ocupado a nossa Comunicação Social, mas muito caro por exemplo a JPP: como o programa do Bloco continua dominado pelas ideologias perigosas de "revolução socialista" da UDP e PSR.

Brilhante, o rebate das propostas do Bloco para o estacionamento em Lisboa.

O que mais choca é ver como subscritor destas patranhadas o professor engenheiro Fernando Nunes da Silva— "destacado dirigente" do Política XXI, professor do Instituto Superior Técnico da cadeira de Planeamento Regional e Urbano, da licenciatura de Engenharia do Território, do mestrado de Urbanística e Gestão do Território, etc...—, a sacrificar tão pouco ingenuamente as obrigações de ética e deontologia a que está obrigado (Ordem dos Engenheiros, ver "Código Deontológico", Art.º 86.º, ponto 4).

quarta-feira, Julho 07, 2004

BE, SARL

Ainda segundo o Público, o Bloco de Esquerda declara que garante "uma maioria parlamentar à esquerda, caso o PS venha a ganhar eleições antecipadas com maioria relativa", mas "excluindo sempre um acordo de Governo. Ou seja, o BE não deverá aceitar nenhuma pasta governamental".

Neste cenário, o BE poderá manter refém o Governo socialista para poder fazer passar as medidas fracturantes ("reformas emblemáticas") que tanto gosta, sem deixar de fazer oposição da forma inconsequente que é a sua imagem de marca. Se o Partido Socialista depender do Bloco para ter maioria no Parlamento, sabemos à partida que teremos um Governo dependente dos acordos pontuais que faça com as outras forças políticas, em vez de um executivo com programa e rumo.

Então é lícito perguntar: é esta a alternativa estável que o Bloco defende? É assim que se evitam "populismos" e "golpes de teatro"? É assim que vão ser tomadas as medidas necessárias, porventura impopulares, para a tão almejada retoma económica?

Não os do Bloco

Este seria o terceiro paradoxo do dia, se o tema fosse mais conciso...

O movimento político que pratica a rotação sistemática dos seus líderes pelos assentos de S. Bento não admite que a coligação governamental, com maioria parlamentar, possa nomear um sucessor para Durão Barroso.

Os eleitores votam em caras, alegam, mas não os do Bloco.

Segundo Paradoxo do Dia

O único partido português com representação parlamentar que nunca foi a votos, veio pedir eleições antecipadas.

Os Governos-sombra

Há um bom bocado de tempo, Paulo Portas decidiu recuperar para a política portuguesa— ou mais concretamente, para o seu partido—, o conceito muito britânico de "Governo-sombra". Foi numa altura em que interessava provar ao eleitorado que o CDS-PP era um partido da esfera governativa, com políticas estruturadas e responsáveis. A exposição mediática que procurava alcançar não pode ter sido muito satisfatória, porque a iniciativa morreu.

O conceito é interessante e mobilizador, porque consiste em formar, nos partidos da Oposição, grupos de trabalho encarregues de desenvolver políticas de resposta a cada um dos ministérios governamentais. Nos ministérios-sombra, desenvolvem-se projectos de legislação que transitam para o trabalho parlamentar; formam-se equipas de trabalho com conhecimento dos dossiers e capacidade política de intervenção nesses campos específicos; mas o mais importante é que por via do debate político, geram-se embriões de equipa e de programa de governação, prontos para a inevitável rotação dos partidos no poder.

É uma pena que esta ideia não tenha ganho raízes. Só por si, produziria Oposições mais responsáveis e competentes. Mais, é pena que nos partidos de Governo, as respectivas bancadas parlamentares também não o façam, para marcar a agenda política, do debate e da legislação, com políticas interessantes ao país.

Foi por um triz

Passaram-se dois meses sobre as declarações infelizes de Carlos Carvalhas, que imputava directamente a Durão Barroso a responsabilidade por qualquer acto de terrorismo que viesse a acontecer em Portugal durante o Euro2004.

Durão Barroso, uns bons dias antes da final, estragou a festa toda ao Bin Laden e ao PCP, ao anunciar que iria candidatar-se à Presidência da Comissão Europeia. Os talibans de certeza que ficaram tristíssimos por não poderem derrubar mais um Governo "da Cimeira das Lajes".

Agora a sério, a missão da Guarda Nacional Republicana não tem sido motivo de notícias, o que é bom, dado o estado difícil em que está o Iraque. Não tenho dúvidas que apesar das dificuldades, os nossos militares da GNR estão a desempenhar o seu papel com profissionalismo. Portugal está a cumprir com as suas obrigações internacionais e a contribuir para a normalização democrática do país.

Paradoxo do Dia

Francisco Louçã argumentou a favor das eleições antecipadas porque as eleições são a forma de valorizar o papel da Assembleia da República na solução da crise.

Se as eleições antecipadas vêm precisamente considerar que a Assembleia da República é incapaz de oferecer uma solução ao Presidente da República, como é que a Assembleia sai valorizada?

Pergunta do Dia

Se o discurso político de todos os partidos tem sido o de criticar governos que estruturam a sua actuação por sondagens e que apenas governam a pensar em eleições, porque é que alguns desses partidos reclamam eleições antecipadas precisamente com o argumento de que a actual maioria sofreu um revés eleitoral em eleições intercalares?

Descentralização, Populismo e Subsidariedade

A propósito do comentário do CN da Causa Liberal e que já provocou a reacção do AA aqui do nosso estaminé, gostaria de dizer o que se segue.

Eu acredito numa sociedade organizada de acordo com o respeito pelos seus corpos intermédios, através do princípio da subsidariedade* que vê no Estado apenas como mais um dos corpos intermédios que compõem a sociedade, e que deve ter a seu cargo apenas aquilo que efectivamente não puder ser assegurado, de forma mais eficaz, pelos corpos intermédios inferiores.

De acordo com esta ideia, importa dar condições para que as comunidades intermédias, das quais o município é uma das mais importantes, possam exercer o seu papel na sociedade, despertando “ao máximo as iniciativas criadoras e a responsabilidade dos seus membros”, podendo o Estado ficar dedicado “àquelas tarefas que hoje somente ele pode empreender” **.

Dito o que me parece essencial no plano dos princípios, a verdade é que o respeito por estes só pode ser assegurado se os protagonistas da descentralização (os que transferem e os que recebem os poderes) estiverem à altura de concretizar um aumento de bem-estar e um desenvolvimento mais sustentado.

Daí que me assuste o populismo numa questão como esta. Tenho medo que a descentralização seja vista tão só como uma conquista de poder pelos autarcas e não como um aumentar das suas responsabilidades. E uma verdadeira e eficaz descentralização só se concretizará se, a par da transferência de competências, se operar uma profunda reforma no sistema político no que ao poder local se refere, de que a permanentemente adiada limitação de mandatos dos autarcas é apenas um mero exemplo entre outros, como a reforma da orgânica municipal.

Por isso, tenho receio que a descentralização feita sob o signo do populismo seja uma oportunidade perdida.


* A mais completa definição deste princípio foi feita por Pio XI, na Quadrigesimo Anno. A Encíclica pode ser lida na colectânea, Caminhos da Justiça e da Paz, Lisboa, 1993, pág. 73 e ss, interessando, para este caso, a pág. 94

** Cfr. P.DIKTAT, citado por ANTÓNIO DOS REIS RODRIGUES, O Homem e a Ordem Social e Política, Cascais, 2003, pág. 93

"o meu Governo"

O PPD/PSD só deve ser reconduzido ao poder se conseguir dar garantias de continuidade das políticas que fizeram parte do seu programa eleitoral, adaptado ao programa de Governo que a coligação apresentou em S. Bento e a Belém. O Presidente da República disse-o, e concordo.

Admite-se uma mudança de estilo (sejamos sérios: estamos a falar de Pedro Santana Lopes (PSL), um espalha-brasas por natureza!), mas não deverão ser alteradas as linhas fundamentais de disciplina e espírito reformista que durante dois anos foram um princípio orientador do Governo.

PSL já perdeu tempo demais para declarar a sua lealdade a estes princípios e afirmar-se perante o eleitorado e o Presidente da República, ele que tanto quer ser influenciado. Não basta dizer que quer "mais ministérios e menos secretarias de estado". O custo desta desatenção poderá ser quatro anos de oposição parlamentar, um labor espinhoso muito pouco ao estilo de Santana Lopes...

A bomba de Sampaio

Não percebo tanta indecisão do Presidente da República, tal como não percebo toda a sua actuação desde o primeiro mandato. É nestas alturas, quando o Governo se esvazia de poderes concretos, que o PR mais tem de ser incisivo, mesmo que tenha sido eleito pelo seu estilo light.

Jorge Sampaio consultou nestes últimos dias uma brigada impressionante de notáveis da República. Sem contestar a importância que muitos tiveram no seu tempo, alguns resumem-se hoje a referências históricas sem capacidade de intervenção na vida política portuguesa, algo com que Sampaio certamente se identifica.

A bem ou a mal, este episódio já devia estar resolvido, porque de nada serve ao país alimentar as especulações de jornalistas, políticos e bloggers. A decisão a ser tomada não terá efeitos rectroactivos que afectem o lugar da história dos senadores. Seja qual for o desfecho, os intervenientes terão tempo suficiente para amadurecerem as suas ideias para Portugal.

Sampaio tem medo de utilizar a "bomba atómica"? Tem medo de não a utilizar? Descanse, a sua condecoração já cá canta...

O Senado

Vasco Rato, n' O Acidental, refere, e bem:

Qual terá sido o critério que Jorge Sampaio utilizou para convidar “notáveis” a Belém para se pronunciarem sobre a situação política actual?


Sampaio deu um claro passo para popularizar a figura do "Senado", em última análise uma assembleia que compete com os seus próprios poderes.

terça-feira, Julho 06, 2004

A diabolização fica-lhe tão bem


Tirados directamente d' O Acidental e do No Quinto dos Impérios, respectivamente.

Biotecnologia: o futuro de Portugal!

Depois de "inventarem" a rosa azul, um Graal da biotecnologia, a Chiquita saiu-se agora com o anúncio de bananas com sabor da morango - ou outra coisa qualquer!

O Entroncamento anda a perder terreno no mundo da biotecnologia...

A legitimidade democrática

Os favoráveis à convocação de eleições alegam que os eleitores escolhem primeiramente um Primeiro-Ministro, e não um partido ou um programa de Governo: não podemos ter um Governo que não seja directamente eleito.

Esquecem-se que ao longo da curta história democrática de Portugal tivémos vários governos de coligação, por vezes entre partidos com culturas e posições políticas muito diferentes. Nenhum destes foi directamente sufragado pelos eleitores. Muitos foram criados no rescaldo de eleições, sem o suporte de convivência de dois anos de governação, como tem o Governo actual.

Esquecem-se que se temos um Governo de coligação PSD-PP, podíamos bem estar a ser regidos por um Governo de maioria de Esquerda (PS-CDU-BE). Era um cenário perfeitamente possível nas primeiras horas das últimas eleições. O PSD poderia ter angariado a maioria dos votos, mas não levantariam a voz.

Partilha desta opinião o Partido Socialista, a força política mais bem posicionada para alcançar o poder. Contudo, nunca foi tão flagrante o apagamento de Ferro Rodrigues- justamente o líder que será plebiscitado, segundo a douta doutrina!

Ferro Rodrigues sabe que se falhar nesta "crise", a sua cabeça está a prémio. A sua coragem e visão política desfalecem. Terá condições políticas para assumir a Oposição ou o Governo?

Estes só gostam de passear...

O Partido Ecologista "Os Verdes" declarou ao Presidente da República que é favorável à convocação de eleições antecipadas.

Decidiram provar o vosso valor nas urnas? Estão parvos?! Deixem-se ficar, muita gente simpatiza convosco na Assembleia da República!

A propósito: pelas estradas de Portugal ainda se vêm milhares de cartazes azuis da coligação PCP/PEV, decerto pendurados por um punhado de militantes esforçados. Tanto tempo depois das eleições, é um atentado ao ambiente. Tal com o PEV.

Retomando o tema da descentralização

O Causa Liberal avança:
Quanto ao populismo de Santana, a melhor esperança é que o dirija para alimentar o processo de descentralização - municipalização, e com todo o populismo que seja necessário.

O processo da descentralização-munipalização seria uma ferramenta poderosa para potenciar desenvolvimento económico e social, ao nível local e regional. Não deve ser conduzido em moldes populistas, imediatos e casuísticos, se o seu objectivo é potenciar o desenvolvimento sustentado do espaço físico, económico e social, a médio e a longo prazo.

A Organização do Território— uma área de prática e teoria governativa com importante carga ideológica— tem sido descurada sistematicamente pela Direita, que ainda não se libertou de complexos colectivistas e agressores da propriedade individual. Mas a este tema voltaremos.

Jessica Lange

Ontem vi o Sweet Dreams, um filme em que Jessica Lange faz de Patsy Cline e pelo qual foi nomeada para o Oscar de melhor actriz. Considero que nem sempre escolhe os melhores filmes que faz (embora haja boas actrizes com muito piores escolhas) mas continua a ser, para mim, uma das melhores actrizes do mundo e, de entre essas, a mais bonita de todas...

Tentei colocar aqui uma imagem que testemunhasse essa beleza, mas acho que foi areia demais para a minha camioneta de conhecimentos bloggisticos. Usem a vossa imaginação...

Arquivos

Freitas do Amaral entrega na quarta-feira ao Ministério dos Negócios Estrangeiros o arquivo político e diplomático relativo à sua Presidência da Assembleia Geral das Nações Unidas nos anos 1995-1996.

Já agora, o Professor Freitas podia aproveitar para entregar e divulgar também o seu arquivo político relativo à presidência do CDS. Seria engraçado ver o que andou o Professor Freitas a dizer do PSD, da esquerda, do anti-antlantismo e de outros tópicos sobre os quais o Professor insiste em dizer que não mudou.

Esperemos para ver.

Nova Versão da CRP

Algumas das excelsas personalidades ouvidas pelo nosso Presidente, bem como alguns dirigentes partidários, de esquerda ou de direita (ou metafísicos, aka Freitas do Amaral) têm vindo a defender uma nova versão da CRP.

Agora, deve ler-se assim (alterações a bold):

CAPÍTULO II
Competência

Artigo 133.º
(Competência quanto a outros órgãos)

Compete ao Presidente da República, relativamente a outros órgãos:
(...)
e) Dissolver a Assembleia da República sempre que o nome proposto pelo partido vencedor das eleições para substituir o primeiro-ministro seja Pedro Santana Lopes, observado o disposto no artigo 172.º, ouvidos os partidos nela representados, o Conselho de Estado e demais brigada do reumático com estratégia eleitoral conivente com a esquerda;

Paradoxo do Dia

Porque é que os dirigentes do PSD que cedo vaticinaram que o CDS seria responsável pela quebra da coligação ou pela queda do governo são agora os que se calam perante a possibilidade de o Presidente dissolver a Assembleia em resultado de uma actuação política do presidente do... PSD?

Pergunta do Dia

O critério para avalizar da independência intelectual de um comentador ou dirigente político em Portugal depende única e exclusivamente de se criticar o próprio partido repetida e sistematicamente?

Cenários

O Acidental parece estar convicto de que o Presidente se prepara para convocar eleições antecipadas. Apesar de discordar da oportunidade da iniciativa presidencial, a verdade é que esse cenário é o que coloca mais interessantes questões e que mais propiciará a clarificação do sistema político português:

PSD e CDS concorrem coligados às próximas eleições? Terá Santana Lopes prometido candidaturas separadas para alcançar os 98 votos?

Se o PSD e CDS concorrerem sozinhos, qual deles será o primeiro a demarcar-se da política de Manuela Ferreira Leite?

Se o PSD e CDS concorrem sozinhos, não estaremos perto de assistir à reabilitação do CDS e de Paulo Portas na comunicação social, por forma a diabolizar Santana Lopes e diminuir-lhe o peso eleitoral?

Se o PS ganhar sem maioria, não estaremos a assistir ao implodir de um partido que se vê a braços com a dúvida existencial de coligar ou não à esquerda para governar, abrindo espaço à maior ruptura de sempre entre os socialistas?

Estas são algumas das questões que se colocam. Voltarei a elas e a outras se o Presidente optar pelas eleições antecipadas e abrir caminho à maior crise interna do seu próprio partido.

Não há crise

Escapa ao bom senso comum que este episódio que vivemos seja uma crise.

Quase todos os intervenientes políticos sabem o que pretendem e para onde querem conduzir Portugal. Está nas mãos do Presidente da República, como é constitucionalmente previsto, a tarefa de decidir qual é o caminho mais correcto. O povo está sereno.

A histeria que se gerou interessa a quem pretende chegar a lugares de poder "pela secretaria", influenciando "o gajo do apito". Meus amigos, passemos à próxima fase.

Que garantias dará Santana Lopes de seguimento de um programa duro de Governo (ver JPP), que o país sufragou para um mandato de quatro anos?

Por outro lado, que credibilidade tem o PS para voltar agora ao Governo, depois de dois anos desastrosos, ora à deriva, ora a reboque da políticas-choque do Bloco de Esquerda?

Os que venham que sejam melhores

José Maria Aznar fez ontem uma intervenção duríssima, criticando o novo Governo do PSOE.

Segundo o anterior Primeiro-Ministro espanhol, o novo Governo é um produto do 11 de Março, apanhado de surpresa sem um programa político capaz para a Espanha, e sem preparação para assumir a governação com o mínimo exigível Sentido de Estado.

Como consequência, todos as decisões tomadas até à data resumem-se em cumprir as bandeiras folclóricas da esquerda espanhola (retirada dos soldados espanhóis do Iraque, denúncia das relações com a Santa Sé, casamentos homossexuais, ...), como forma de ganhar tempo para desconstruir demagogicamente as políticas que fizeram da Espanha, na última década, uma das nações mais influentes na Europa.

Cá, interessa não cairmos no mesmo erro. Os que venham que sejam melhores.

As fontes de Belém

Fiquei muito satisfeito por saber que o repuxo do jardim da Praça do Império voltou a funcionar. Depois de uma aturada operação de limpeza, uma das praças mais bonitas e monumentais de Lisboa volta a ter o brilho antigo.

Entretanto, preocupam-me as "fontes de Belém". Numa altura em que o debate político está inflamado, a comunicação social reiteradamente refere-se às "fontes de Belém" como indicador do que o Presidente da República poderá ou não fazer.

Esta forma cobarde de avançar com o debate (porque notícias não são) interessa antes de tudo à comunicação social. Acredito que muitas "fontes" não passem da imaginação excitadiça de alguns jornalistas.

Contudo, no passado as mesmas "fontes" foram utilizadas para manipular o debate político pelo próprio inquilino de Belém, que pretendia assim suprimir a forma desinteressada como então se fazia Oposição ao governo de Cavaco.

Longe vão os tempos de Soares, resta saber se estas "fugas" de informação, autorizadas ou não, interessam a Jorge Sampaio, carente de um barómetro de popularidade das suas próprias decisões-- não vá ele, contra a "vontade dos portugueses", instalar um "populista" no poder.

segunda-feira, Julho 05, 2004

Onde está o Barrosismo?

Expliquem-me: tão inimigos que eles eram, até -- claro! -- à sã convivência entre o Governo e a Câmara de Lisboa -- e agora o "Barrosismo" acabou?

Seja como for que este episódio acabe, o PPD/PSD terá de pensar seriamente se pretende engavetar os seus princípios fundadores, a quem a democracia portuguesa muito deve...

Fugas no divã

Descobri que existe um livro da autoria do professor Daniel Sampaio e publicado pela Caminho, com o mesmo nome deste blogue.

É descrito como "um livro sobre a intimidade, experiência emocional só possível com proximidade face a outro, partilha de sentimentos entre duas pessoas e maturidade construída ao longo de uma viagem. Nesta obra fala-se de afectos positivos e negativos, de comunicação clara e paradoxal, de espaços privados e de serviços psiquiátricos públicos."

Ao professor Daniel Sampaio os meus cumprimentos pela escolha do nome. Fica a curiosidade de saber que paralelos psicológicos estabeleceu com o nome, e se faz alguma referência a Bach, ele próprio um mestre da transmissão de emoções...

Pergunta do Dia

Terá o Presidente da República legitimidade para considerar que o Presidente do maior partido político português, eleito sem qualquer adversário, tem uma personalidade pouco condigna para exercer o cargo de Primeiro-Ministro?

Paradoxo do Dia

Porque é que os partidos que pugnam por uma revisão alargada da Constituição se agarram tão fielmente ao texto da mesma e os partidos que sempre se opuseram a grandes revisões vêm agora dizer que a Constituição não pode ser interpretada à letra e que a legitimidade constitucional não é, afinal, suficiente...?

Os Poderes do Presidente

Diz o Director do Público no seu editorial que a decisão de dissolver ou não a Assembleia da República é uma decisão "ad hominem" do Presidente da República.

Isso quer dizer o quê? Que o Presidente deve interferir nos órgãos próprios de um partido político e determinar quem é que deve ser escolhido seu presidente? Que o Presidente deve orientar a sua escolha conforme o seu gosto pessoal e segundo os seus critérios pessoais?

O Presidente e as Eleições Europeias

Jorge Sampaio veio insistir na necessidade de o Governo continuar as suas políticas nos eixos principais da governação, apesar dessas políticas terem sido fortemente criticadas pelo eleitorado nas recentes eleições europeias.

Se assim é:

1) Jorge Sampaio considera que as eleições intercalares não podem servir para justificar a uma inflexão no rumo do Governo;
2) Jorge Sampaio assume que o Programa do Governo, correcto ou errado, tem uma estruturação suficiente que merece ser levada até ao fim;
3) Jorge Sampaio receia uma mudança de política.

Então porque é que há quem continue a pedir ao Presidente que dissolva a Assembleia com base nos resultados dessas eleições?

Vice-Campeões

domingo, Julho 04, 2004

Sophia e Mónica

Vi agora que o João Miranda (porque não manter o Liberdade de Expressão, ainda que seja para pequenos posts?) colocou um excerto do Conto Exemplar da Sophia de que falei no post abaixo. Prefiro a parte final do conto, quando se conta a relação da Mónica com o grande Príncipe deste mundo. Mas a melhor frase do conto está precisamente na parte citada pelo João Miranda: "A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais. Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias."

Porque o João citou primeiro e primeiro fez referência ao conto, aqui fica o post.

Sophia de Mello Breyner (1919-2004)

Um dos Contos Exemplares de Sophia marca a relação que tenho com a sua obra: Retrato de Mónica , e é essa relação que me apetece chamar aqui, mais do que uma reflexão sobre a sua obra ou sobre os seus principais traços.

O Retrato de Mónica é um conto essencialmente político, marcado pelo catolicismo progressista da época, que espelha a sociedade do Estado Novo com meridiana nitidez. Não existe naquele conto um juízo de valor sobre o que se retrata, é quase um relato jornalístico, que não pode senão deixar de intrigar quem sabe (ou quem imagina) o que podem ter sido os anos do Estado Novo para uma mulher como Sophia.

Nesta recusa do panfletarismo na sua literatura, reside a minha maior atracção pela Sophia. E várias vezes penso o que poderia ter sido a transição democrática em Portugal se os católicos progressistas de então se tivessem afirmado como um movimento de oposição política devidamente estruturado. Mas isso fica para outras efemérides. Por agora, a maior homenagem que podemos fazer a Sophia, é viver o tempo, esse que tudo apaga menos esse longo indelével rasto que o não-vivido deixa.

Marlon Brando (1924-2004)



"This was the noblest Roman of them all. All the conspirators save only he that they did in envy of great Caesar. He only, in gentle honest though, and common will for all, made one of them. His life was gentle, and the elements so mixed up in him that the nature might stand up and say to all the world, This Was A Man!"

(Marlon Brando como Mark Anthony, em "Júlio César", 1953)

4th July

Será o Dia da Independência para o futebol português?

Deixem lá o Dâmocles em paz!

À saída da sua audiência com o Presidente da República, a Engª Maria de Lourdes Pintassilgo saiu-se bem ao seu estilo com mais uma tiradas de ideias vagas na resposta ao que denomina "a maior crise desde o 25 de Abril".

Diz que não lhe "repugna caminhos que não são tradicionais" e que "o Presidente é tragicamente a única pessoa que tem de decidir" -- "é uma espada de Dâmocles que está sobre ele".

É triste que Jorge Sampaio seja posto na posição de Dâmocles, ele que tanto se esforçou ao longo de mandato e meio para não se sentar no trono do Rei Dionísio. "Tragicamente", foi para este último cargo que foi eleito.

Tolstoi e Beethoven



Não sei o que me arreda da literatura portuguesa, mas há muito que me deixo fascinar pelos clássicos consagrados.

Neste momento, leio The Kreutzer Sonata de Leão Tolstoi. É uma obra tardia do escritor, uma história psicológica contemporânea da sua fase panfletária, caracterizada por uma moralidade cristã obcessiva e uma visão cínica da sociedade, em especial das relações conjugais. Não recomendável a quem se queira casar!

Apesar de gostar da literatura russa, não tinha conhecimento desta obra. O livro atraíu-me pela referência à Sonata para violino nº 9 em Lá maior, op.47 de Ludwig Van Beethoven, dedicada ao virtuoso francês Rodolphe Kreutzer (aqui um ficheiro MIDI do primeiro andamento). Apesar de ter sido classificada pelo proprio violinista como "composition outrageusement inintelligible", é considerada a mais ousada sonata para violino de Bethoven.

Um minuto de silêncio por Saramago

Portugal perdeu uma grande poeta, Sophia de Mello Breyner Andresen. Deixo o elogio final ao meu amigo AMN, tão arredado que ando eu da literatura portuguesa.
"No domingo há um jogo de futebol que curiosamente reúne as selecções de Portugal e da Grécia. Se pensarmos na ligação que [Sophia] tinha pela Grécia, culturalmente e não só, não estaria mal que alguém tivesse ideia de pedir um minuto de silêncio em sua memória" José Saramago, Público 3 Julho de 2004

"Curiosamente", José Saramago perdeu outra oportunidade de ficar calado. Sophia decerto merece melhor homenagem que um minuto de atraso num jogo de pontapé na bola. Pela ligação que tinha com Portugal. Voto em branco nesta sugestão do José Saramago.

sexta-feira, Julho 02, 2004

A Arte da Fuga

É curioso que este blog se chame A Arte da Fuga...



"A Arte da Fuga" é o título de uma das minhas obras favoritas de Johann Sebastian Bach, (BWV 1080), uma composição interrompida pela doença e morte do compositor. A obra ficou incompleta, sem sequer indicação dos instrumentos a que se destinava.

O compositor manipula um tema ao longo de vários canons e contrapontos, sucessivamente mais interligados e complexos. É uma procura da perfeição, elegante, espiritual, harmoniosa, imparável. Toda a obra aspira à imortalidade... e contudo acaba abruptamente, a meio de uma tirada musical sobre-humana...

Há duas semanas atrás, AMN retorquiu que o título era demasiado guterrista, e não se pensou mais no assunto. Entretanto, o nosso Primeiro-Ministro deixou-nos pela Comissão Europeia, uma decisão por muito apelidada de "fuga"...

À segunda tentativa, o nome não nos pareceu tão mal. Afinal, a vida é feita de "fugas" e perseguições. Todos perseguimos ideais e objectivos, e todos fugimos do que nos parece mal ou perigoso.

Mas este não é um blog de metáforas. Estamos aqui para discutir "pontos de fuga"!

Bem-vindos ao A Arte da Fuga!