terça-feira, Dezembro 28, 2004

Votonegócio

Na terra do "Povo Superior", um voto vale 15 vezes mais.

Sri Lanka

Confesso que tenho um fascínio de estimação por terras como o Sri Lanka ou Cuba. Notícias como esta enchem qualquer um de angústia.

Curioso

O chumbo da proposta que defendia a municipalização das reservas ecológica e agrícola nacionais; a isenção do imposto sobre produtos petrolíferos aos produtos biocombustíveis; a aprovação dos Planos de Ordenamento do Parque Natural Sintra-Cascais e do Vale do Guadiana; e a adjudicação do sistema de controlo do tráfego marítimo são outras questões consideradas positivas pela Quercus. (Público)

A César o que é de César?

Analfabetismo científico

Anteontem, na SIC, Rodrigo Guedes de Carvalho referia-se ao sismo ontem sentido no Índico como tendo magnitude 8.9 na Escala de Richter, que ia "até 9". Disparate.

A escala de magnitudes sísmicas de Richter modificada teoricamente não tem limite superior. Na prática, um sismo de magnitude superior a 10 teria consequências catastróficas, ou quase-apocalípticas, mas o facto é que ainda este século foram registados sismos de magnitude superior a 9.0 (Chile 1960, magnitude 9.5, por exemplo).

É um mais um triste exemplo da pouca preparação científica dos nossos jornalistas, que os leva a escrever "Volts" (com aspas), ou ships de computador, ou a escrever que "o planeta Marte será visto tão grande como a Lua" (este é um clássico antigo). E as pessoas acreditam.

Prémios Olho Vivo

Eduardo Cintra Torre elege os melhores e os piores do ano.

Armageddon

Fiquem com o asteróide, com o Bruce, Billy Bob e Ben. Mandem a Liv.

domingo, Dezembro 26, 2004

Alcântara XXI

A construção de um túnel entre a Avenida de Ceuta e de Brasília, prevista no novo projecto Alcântara XXI, incompatibiliza-se com uma das ambições dos lisboetas: ver a linha de Cascais enterrada do Cais do Sodré até Algés.

Citando o Presidente da Câmara: "O dia que hoje vivemos é muito importante, porque há decisões inadiáveis que estão a ser tomadas".

Carris SMS

O novo sistema de aviso por SMS dos tempos de espera dos autocarros da Carris, em Lisboa, vem demonstrar que a empresa tem a tecnologia para controlar a posição e atrasos dos veículos da sua frota. Este serviço será gratuito no período de testes, sendo pago a partir do momento em que se prove a sua fiabilidade técnica.

A Carris, a quem não podem ser imputadas a maior parte da responsabilidade dos atrasos que tanto ferem a sua imagem e que demovem os utentes de recorrer aos seus serviços, procura gerar lucros a partir do seu baixo nível de serviço público.

Se a empresa estivesse vocacionada para promover a mobilidade em Lisboa, as paragens estariam dotadas de painéis informativos, indicando há quanto tempo tinha passado cada uma das carreiras, e eventualmente o tempo de espera previsto para cada uma. Este serviço poderia ser complementado pelo sistema SMS apresentado, dado que seria uma mais-valia em relação à informação disponibilizada.

Ao invés, os utentes continuam a esperar em paragens desconfortáveis, dia e noite, que os autocarros apareçam. Se quiserem mais, terão de pagar. A falta de consideração do transportador pelos clientes é gritante.

Adesão da Turquia

Ainda não assinalado aqui, as conversações para o início das negociações para a adesão da Turquia na União Europeia foram um sinal de maturidade dos líderes europeus. De destacar a maturidade da totalidade das forças políticas nacionais a dar o seu aval às discussões, apesar das ressalvas naturais.

Torres

A não ser por arrogância intelectual, as torres de Siza Vieira não eram justificáveis para a zona de Alcântara. Perante a falta de pulso das autoridades camarárias, o promotor desistiu do empreendimento e fará avançar um projecto do arquitecto Sua Kay, com uma volumetria mais consensual.

Perdeu-se uma boa oportunidade para definir o que não se quer para Lisboa— uma arquitectura cerebral, alienada, que faz tábua rasa das raizes ribeirinhas e populares da cidade, algo que já tinha sido rejeitado por altura dos "Dons do Rio". Faltará deliberar sobre o projecto do arquitecto Foster— infinitamente mais interessante—, mas que por coerência, deverá igualmente ser metido na gaveta.

Megajantares grátis

Em tempo de campanha, os partidos não só prometem almoços grátis como utilizam jantares organizados para vencer a tradicional inércia dos militantes em período de pré-campanha. Um pouco à semelhança dos jantares de desagravo, ou dos jogadores de futebol, ou de aniversário de patriarcas políticos, multiplicam-se jantares por tudo o que é salão comunitário, de exposições, polidesportivo ou industrial, invocando o pior do provincianismo da nossa política.

Nomes e assuntos

Já muito se comentou sobre o despropósito e piroseira da mudança de nomes dos Ministérios feita pela equipa de Pedro Santana Lopes (para não falar da "deslocalização"). Esperemos que na próxima legislatura os Ministérios recuperem as suas designações oficiais e parte da sua dignidade perdida, e que assim se mantenham por muitos e bons anos.

Autonomia meets Regionalização Socialista

Carlos César prepara-se para chegar, ver e ser pago pelo próximo Governo.

Darfur

Perante a inoperância da ONU, que continua de mãos atadas e lavadas perante as desgraças do mundo, o conflito no Darfur, a tragédia que marca o ano, continua a lavrar, sem controlo aparente da comunidade internacional.

Inversão do ónus da prova

Jornalistas não estão interessados em fazer o mínimo esforço para dignificar a classe sem a tradicional ajuda do Estado.

Também a ler, esta notícia.

Mar português

A notícia de instalação de um sistema de VTS e AIS na costa portuguesa representa a entrada de Portugal nos países civilizados em termos de tráfego marítimo.

Hoje em dia, para quem vem do Norte, África começa na dobragem da Galiza. Estamos no faroeste da Europa, aqui podia ser realizado um Mad Max marítimo. As frequências prioritárias estão cheias de relatos da bola, combinações de caldeiradas, conversas de malaios e filinos e insultos gratuitos.

Barcos de recreio misturam-se com cargueiros sub-tripulados, embarcações de tráfico de droga, navios de transporte de cargas perigosas, a toda a hora. Só não temos pirataria e descarga de magrebinos (?) porque ainda não aconteceu. Para além dos perigos do mar, a noite é tenebrosa. Só quem não contactou com esta realidade não tem consciência que o mar em Portugal é um desastre à espera de acontecer.

Este sistema de identificação automática de navios, apoiada por uma rede de centros de controlo em terra, funciona como um sistema GPS que regista digital e automaticamente a identidade, localização e rota de cada navio, cruzando informações com radares fixos. O regabofe no mar e em terra está para acabar.

Metro nos Bairros

Acolhe-se de bom grado a chegada do Metro aos bairros históricos de Lisboa, algo que permitirá suprir muitas necessidades de transporte, criadas com a morte lenta dos históricos eléctricos alfacinhas.

O exemplo do Papa

Ontem, dia de Natal, o Papa dirigiu-se à Igreja com mais uma mensagem de lucidez em que criticou numerosos conflitos e desigualdades, apelando à esperança e força de vontade de todos para criar um Mundo melhor. Aos 84 anos, sofrendo da doença de Parkinson, o Papa vem de novo dar um exemplo de dedicação e superação pessoal.

Tristemente, nos telejornais, nos jornais, nas conversas de café, as pessoas parecem mais preocupadas em comentar a sua debilidade e vê-lo preso a uma cadeiras de rodas mental, do que reconhecer o seu exemplo cristão e entender a sua mensagem, que nos toca a todos.

sábado, Dezembro 25, 2004

Programação cultural

Cronicamente, cá no Tugal a promoção cultural de música clássica é feita de uma forma tosca. Veja-se a notícia do concerto de Ano Novo pela Orquestra Clássica da Madeira, feita no Diário de Notícias da Madeira (link não disponível): Neste espectáculo musical, em que a formação será dirigida pelo maestro titular e director artístico, Rui Massena, serão interpretadas diversas valsas de conhecidos compositores.

É de bradar aos céus! Mas há artigos culturais e promoções de espectáculos bem feitos. Veja-se este exemplo, sobre os concertos de Natal em Lisboa, em perfeita dissonância com a deficiente promoção feita nas páginas da Câmara Municipal de Lisboa (aqui).

Ressabiadismo em livro

De acordo com Ana Sá Lopes, grande parte da antipatia que existe contra a sua escrita deve-se a "inveja". O Público e a respectiva revista "Pública" associam o livro "Vanessa na cidade", que reune algumas crónicas da personagem, a outra personagem fictional -- Carrie Bradshaw, interpretada por Sarah JessicaParker, da série "O Sexo e a Cidade".

A série de televisão centra-se na vida emocional de quatro trintonas e é um produto bem produzido, reconhecido com inúmeras nomeações para prémios do meio televisivo, pontuado um humor fácil mas suficientemente mordaz e com uma saudável dose de loucura.

As crónicas artesanais de Ana Sá Lopes existem no Público para nos lembrar mensalmente porque não as lemos nas restantes semanas. Se as crónicas políticas já provocam repulsa pelo seu estilo deprimente, destrutivo, entrincheirado num raivosismo ideológico repelente que já não se usa em jornalismo, os escritos da Vanessa são apenas confrangedores, boçais, desinspirados e desinspiradores. Não valem um bocejo.

Admite-se que esta literatura cinzento-depressiva possa encontrar no mercado um público que seguramente não tem no jornal— a literatura cor-de-rosa precisa de uma contrapartida igualmente pré-digerida e vazia, que explore o lado negro das frustrações e depressões da meia-idade— e quem melhor do que Sá Lopes para o fazer.

BOM NATAL

sexta-feira, Dezembro 24, 2004

TIJ rejeita queixa contra a NATO

Passou relativamente despercebida esta notícia sobre a recusa do Tribunal Internacional Criminal de avaliar uma queixa por genocídio da Sérvia-Montenegro contra os países da NATO que participaram nas operações militares na ex-Jugoslávia (a guerra do Kosovo) em 1999.

Fica o alerta para a politização potencial destas instâncias, condenadas a virem progressivamente a sua autoridade questionada, à medida que sejam mais comuns os apelos à suas deliberações.

Professor, onde está o livro?

Um exemplo de um silêncio demasiado bem gerido: o livro "Professor, Boa Noite!", apresentado há uma semana, ainda nem chegou ao Funchal, por motivos relacionados com a eternamente incompreendida insularidade.

De passagem, ficamos a saber que o que caracteriza os pivots da TVI é a "capacidade de prognóstico que supera todas as expectativas", o que é um tanto ou quanto insólito. Se havia quem fizesse as notícias, esse era o Professor.

quinta-feira, Dezembro 23, 2004

Atiradores furtivos

Daqui a pouco mais de um ano, todos os que forem comer uns pastéis de Belém, terão de passar pelo Palácio de cabeça baixa e bem depressa...

Tasers nas mãos das polícias

Esta notícia, abre com uma frase perturbadora: "os futuros utilizadores destas armas submeteram-se às suas descargas e garantem a sua fiabilidade."

O equipamento será bem-vindo numas forças policiais, tão cronicamente mal equipadas que se sujeitam a descargas de 200 mil Volts. Mas como sempre existem vozes discordantes sustentando que estas armas já foram usadas em torturas pelas tropas norte-americanas no Iraque.

Supondo que vão sugerir de seguida que se disparem previamente dardos de aviso para o ar, ponho a seguinte questão: ponham-se na pele de um agente de segurança — e se um great homicidal maniac aparece armado com uma banana?

Outra frase desconcertante: "As torturas podem ser feitas de muitas maneiras, com uma simples pinha ou com uma corda. Não é preciso uma arma destas".. Com uma pinha, senhor comandante?

quinta-feira, Dezembro 16, 2004

Recorde de engenharia

Ponte de Millau abre ao trânsito automóvel. Aqui o site oficial.
Mais surpreendente e exemplar, zero acidentes graves registados.

Legendagem

Mais um exemplo de bias da comunicação social: em reportagem da RTP, Luís Filipe Pereira era identificado como "Ministro da Saúde Demissionário".

Túnel

A Segunda Circular prepara-se para perder o título de "cancro da cidade" para o Túnel do Marquês, uma obra que ainda ninguém conseguiu explicar.

Renovação socialista

Isto é só uma amostra do que aí vem... no PS, é altura dos políticos muito incompetentes substituirem eventuais políticos competentes...

Elevação

Com exemplos destes, não sei se sou pelo sistema parlamentar, pelo presidencial, ou pela trapalhada que por cá temos... mas como dizia Churchill...

quarta-feira, Dezembro 15, 2004

Falta pouco

"Marcelo promete silêncio até retomar comentário político", Público, à caça de notícia.

Sociedade do tanque

Quando a tendência é penalizar o transporte individual, o Conselho de Ministros prepara-se para conferir passagem à classe 1 nas portagens aos jipes e monovolumes que já beneficiam de redução em sede de Imposto Automóvel— duplo absurdo.

É do bom senso (e da literatura de Engenharia de Transportes) que dentro dos transportes individuais, sejam favorecidos aqueles que pela sua eficiência (versatilidade, poluição reduzida, manobrabilidade, pequeno tamanho) tenham um custo marginal reduzido.

Um monovolume poderá ter benefícios se tiver uma utilização que maximize frequentemente a sua lotação; deverá ser penalizado caso contrário. Não há razão para um jipe não ser consistentemente taxado, dado que a sua mais-valia em termos de mobilidade não tem valor social.

CORRECÇÃO 2004/12/16: Segundo notícia da RTP, os jipes não serão abrangidos por esta medida. Aqui, pelo Público.

Um dia

O Acidental defende "a criação de um sistema eleitoral maioritário que garanta vitórias claras e decisivas"— como se não bastasse as distorções à representatividade proporcional, criada pelo nosso sistema eleitoral. Na minha terra, graças a um sistema do género, são os mesmos a governar há 30 anos...

É questão de perguntar ao Luciano Amaral se também acha, à semelhança dos camaradas da UDP, que Portugal um dia ainda há de ser um país democrático...

Fantasia política

O cenário colocado por este post e pelo Blasfémias é um bom desafio à imaginação.

Seria necessário a esquerda ganhar as eleições, o PS falhar a maioria absoluta, e falharem redondamente as negociações entre Partido Socialista e BE, ou PCP. O pacto formado pelo PPD e CDS-PP vale o que vale, e seria posto de lado com alusões ao interesse nacional.

Se o PS governasse com o CDS-PP, caminharíamos para um regime tripartidário (um socialista, um conservador, um liberal)?
E se o Partido Socialista governasse com o PSD, como seria o CDS-PP como maior partido da oposição?...

Decepção (2)

No Público, José Manuel Fernandes e João Pedro Henriques falam muito claramente do paradoxo da dissolução do Parlamento: "É um absurdo e, como todos os absurdos da política, afasta os cidadãos das instituições que os governam".

Aborto

Sobre esta notícia do Público, e considerando os compromissos assumidos pelas bancadas parlamentares nas últimas legislaturas, é inevitável que o assunto da liberalização do aborto venha a ser um dos temas de campanha.

É necessário clarificar a lei, definir direitos e deveres, e evitar abusos. Os partidos da ex-coligação farão bem em definir e apresentar com brevidade a respectiva posição, responsavelmente e sem ambiguidades, de modo a retirar da discussão eleitoral este assunto sensível, e dar importância aos projectos que visam resolver os problemas do país.

ADENDA 2004/12/16: em entrevista à RTP, Paulo Portas esclarece: "poderá haver um novo referendo num "prazo razoável de duas legislaturas" (que, se não houvesse interrupção desta legislatura, seria em 2006); quando esse referendo acontecer, o CDS porque tem uma posição oficial sobre o aborto, defenderá a sua posição, o PSD, porque entende que não a deve ter, dará liberdade aos seus militantes.". (Público)

Seriedade

Vale a pena espreitar o que fazem os nossos vizinhos.

terça-feira, Dezembro 14, 2004

Guterres, fugas e despedimentos

Vital Moreira, no Público, sobre António Guterres: "(...) tendo o primeiro-ministro acabado por se demitir a meio do mandato na sequência da derrota nas eleições locais de 2001. Com isso o Presidente foi poupado à questão de saber o que faria, se o primeiro-ministro não se tivesse demitido e se se tivesse instalado o "pântano político" que Guterres pretendeu evitar com a sua saída (sendo contraditoriamente acusado de "fuga" por aqueles que agora acusam o Presidente de o não ter "despedido" antecipadamente...).

1. Guterres fez muito bem em largar o poder, devia tê-lo feito antes de provocar mais estragos. O país foi mantido acamado tempo demais, e as lesões por inactividade ainda hoje se sentem. E não nos esqueçamos da carta de corso que foi passada a todo o boy socialista para pilhar o Estado nas semanas de Goveno de gestão.

2. Guterres é acusado de "fuga" porque adding insult to injury nem ousou enfrentar o julgamento eleitoral pelo fraco serviço prestado ao país.

3. Ninguém acusa o Presidente de não ter "despedido" Guterres. Ninguém estava à espera que o Presidente o fizesse, estando garantidas as condições para o PS manter o poder até ao fim da legislatura. Pedia-se sim responsabilidades ao Chefe de Governo por uma gestão francamente incompetente e ruinosa, que o Presidente tacitamente aprovava.

Por outro lado, ninguém pode dizer o que é que Sampaio teria feito se não tivesse havido a autodemissão do primeiro-ministro; tendo em conta as suas declarações na altura, é lícito presumir que não teria ficado impassível.

4. Não há que enganar: na altura, Jorge Sampaio pretendia que o PS constituisse novo Governo, porque as legislaturas eram para ir até ao fim, não podiam ser influenciadas por desaires eleitorais, e tinha de haver serenidade.

Decepção

"Entendi ainda que se tinha esgotado a capacidade da maioria parlamentar para gerar novos governos."

Não querendo duvidar dos poderes divinatórios do nosso Chefe de Estado, parece-me que o preceito constitucional que obriga o Presidente a ouvir os partidos tem a utilidade averiguar da viabilidade da formação de novo Governo originado da mesma constituição parlamentar.

O facto de se esquecer de avisar o Presidente da Assembleia da República (o segundo órgão de soberania do país) é apenas um pormenor indicativo do seu estado de falta de espírito.

Já não lhe interessava a convivência com aquele Governo desastrado e acossado, que ajudou a viabilizar politicamente. Na presença de bons motivos, não teve a coragem em demitir o Governo, ou pedir a sua demissão, porventura com receio de ser chamado de "caudilho".

Dissolveu o Parlamento, eleito pelo povo, onde havia uma maioria parlamentar sólida, cujo poder reside na representação proporcional de várias vozes políticas— um orgão que durante a crise nunca tinha sido contestado. Uma decepção.

Canas

É por estas e por outras que não acredito nas teorias do "bom selvagem"...

Aburguesem-nos por favor

"Socialistas rejeitam PCP mas aceitam Bloco", notícia do Público. PS prefere uma solução de governabilidade com a força política mais irresponsável do país, a negociar com o PCP, ou pensar em "qualquer entendimento à direita— que nada justifica". Os consensos nacionais tão queridos do Presidente (e agora, sem sarcasmo, bem necessários) vão ter que esperar.

CORRECÇÃO 10:49 -- Sócrates desmente o cenário do Público e diz que não tem estratégias alternativas para depois das eleições.

Hasta la revolución

A não perder o obituário especial do Público de ontem (aqui, aqui e aqui).

segunda-feira, Dezembro 13, 2004

Vivó sismo

Já não nos bastam os terramotos políticos...

Trapalhadas

Há dias, alguém dizia que "trapalhadas" era a palavra que mais se ouvia associada ao Governo agora demissionário.

A Presidência da República entendeu dar a entender que entendia que ainda existia e que o Presidente é um entendido na matéria.

Demissão

O Governo demitiu-se. Não caiu S. Bento nem Belém.

Reality check

"Now, I would just like to point out that this film is displaying a distinct tendency to become silly".

sábado, Dezembro 11, 2004

Belém pariu um rato

Hat tip para o Semiramis, pelo título do post. Aqui também.

A não perder mais uma referência a Dâmocles, no Público.

Belém pariu um Sampaio (2)

"Aliás, por diversas vezes e por formas diferentes, dei sinais do meu descontentamento com o que se estava a passar."

Sampaio sempre pautou os seus mandados pela maior das cordialidades institucionais, pela ingerência política mínima, pela descrição da "legislatura de influência", por reparos infinitesimais e retoricamente refinados.

Para sermos justos, Sampaio sempre se dispensou de mencionar um a um os problemas que identificava. Nem "discordos" nem "disconcordos", apenas explanações vagas de platónicos códigos de conduta para o Governo da nação.

Para Sampaio, cada uma das suas próprias manifestações de descontentamento, timidamente camufladas em discursos suaves, ou sopradas pelas "fontes" de Belém, foram autênticos mandamentos de doutrina.

Foi o que se viu com Guterres, Durão, Santana, e com o senhor que virá.

Belém pariu um Sampaio

"Houve quem estranhasse que só hoje, alguns dias depois do início deste processo politico-constitucional, me dirija ao País (...) calendário foi definido de acordo com o que entendi ser conveniente para o país".

Cada vez salta mais à vista que o nosso Presidente não sabe ser ou não é "conveniente para o país".

Conveniente teria sido comunicar a sua decisão ao Primeiro-Ministro, e de imediato dirigir-se ao país explicando todas as suas razões. As "formas" constitucionais conducentes à dissolução do Parlamento seriam cumpridas com a celeridade necessária e suficiente, de modo a permitir a votação do Orçamento, como desejado.

Sampaio não consegue explicar o porquê de tanta demora, de tanto frenesim. Do adiamento da sua comunicação, não conseguiu produzir nenhum fruto, a não ser "certos comportamentos e reacções dos últimos dias".

A "consciência colectiva" e "preocupação generalizada" do país é ter um Presidente verboso, inconsequente, ilógico e processual, preocupado com a "reacção do país"— mesmo quando decide correctamente.

Mário Soares

Do artigo de José Pacheco Pereira, "Uma vida— as decisões de Mário Soares", destaques:

"Meter o socialismo na gaveta" (1978) - Soares percebeu que a democratização política não se sustentava sem uma economia de mercado sólida, e tudo fora feito no PREC para a impedir. Com arranques e paragens bruscas, os governos de Soares fizeram alguma coisa para diminuir a estatização da economia, mas, apesar da gaveta onde meteu o socialismo, foram sempre governos do PSD que fizeram as reformas fundamentais. A Constituição era o grande obstáculo a essa plenitude da economia de mercado e Soares sempre hesitou, adiando a sua revisão, só conseguida pelo Governo de Cavaco Silva.

Tirar o socialismo da gaveta (2000) - Desde os últimos anos do século XX que Soares vinha tirando o socialismo da gaveta. Falando agora sem censuras, dizendo o que lhe apetece dizer, desde descrever o Presidente Bush como um bêbado incorrigível, que fala com Deus e que pôs o seu Governo a rezar antes de se reunir, até à defesa de negociações com Bin Laden, Mário Soares tornou-se um porta-voz de um socialismo radical antiglobalização, visceralmente antiamericano mais próximo do Bloco de Esquerda do que do PS.

Da comoção que se formou na blogosfera, nada melhor do que isto.

Parabéns

...atrasados ao Ponto Média pelo prémio BOB 2004 (Deutsche Welle International "Best of the Blogs" Weblog Awards 2004).

sexta-feira, Dezembro 10, 2004

New World Order

Já são dois os membros do Conselho de Segurança da ONU que defendem abertamente os "ataques preventivos".

Cenário pouco equacionado

E se o Partido Socialista tiver oportunidade de governar com o PSD ou CDS-PP?

Aceitam-se apostas

Para onde Miguel Sousa Tavares prometerá emigrar se Pedro Santana Lopes vencer as eleições?

Coligação pré-eleitoral (4)

Se o CDS-PP consegue ou não repetir a última votação em eleições legislativas, é uma questão de fé. É de crer à partida que a coligação não passará nas urnas. Se tinha condições de o fazer há quatro meses, marcando uma eventual evolução face ao Governo Durão Barroso, agora decide-se a continuação de um projecto que não teve grandes restrições à sua actuação, e que só foi interrompido por grandes faltas de coordenação ao mais alto nível.

Um fracasso eleitoral será definido como a não obtenção de um mandato governativo, que é um cenário mais do que realista. É um erro dar ao PS a oportunidade de conseguir por si só uma maior votação que os dois partidos de direita coligados. PSD e CDS-PP serão remetidos para uma oposição para a qual não estão preparados, porque perderam a oportunidade de propor ao eleitorado programas de governo coerentes com as suas filosofias políticas.

A apresentação de um programa comum tolhe a identidade política de cada um dos parceiros. É importante para Portugal que sejam marcadas as duas visões distintas da "direita" moderna: o liberalismo reformista do PSD e a democracia cristã do CDS-PP. A coligação não serve os interesses do país e do eleitorado.

Coligação pré-eleitoral (3)

Só existirá uma coligação eleitoral com o empenho pessoal de PSL, e se e só se o CDS-PP mantiver o status quo dentro da aliança, ou seja, a possibilidade realista de reeleger 14 deputados.

É uma perspectiva altamente centrada no CDS-PP, o menor partido da aliança, imediatamente porque mantém o mesmo grupo parlamentar. Para PSL, permite-lhe manter o Poder, condição essencial à sua sobrevivência política. Admite vários cenários:

- CDS-PP não consegue eleger tal número de deputados concorrendo sozinho. Tal dever-se-á ao fenómeno de "voto útil" da direita face ao PS; ou porque o partido poderá ser sancionado pela participação num Governo que teve um fim infeliz, e com o qual foi sempre solidário. Alegadamente, o PSD manterá aproximadamente a mesma votação, possivelmente com ligeira quebra— mas devido às leis eleitorais, a coligação será beneficiada, alcançando-se nova maioria parlamentar;

- o partido consegue de facto eleger o mesmo número ou mesmo mais deputados, dado que ganhou em credibilidade dentro do Governo. Mas numa lógica de sacrifício em nome de Portugal, partilha a mais-valia com o PSD, cujo prestígio foi ferido.

quinta-feira, Dezembro 09, 2004

Yushchenko

Por muito fantástico que pareça, há evidências que Victor Yushchenko tenha sido vítima de uma tentativa de assassinato por envenenamento...

Concorrência

Neelie Kroes, comissária europeia para a Concorrência, chumba a compra da Gás de Portugal pela EDP, argumentando que a medida iria promover a concentração no sector energético, prejudicar a concorrência e não beneficiaria os consumidores.

O projecto designado pelo eufemismo "reestruturação do sector energético em Portugal" sofre um revés. É altura de enfrentar que o tempo da intervenção estatal massiva acabou e que o tempo é de competitividade económica.

Ficamos à espera que o "olho" de Bruxelas se vire para o universo PT, quase-monopolista das comunicações em Portugal, e dos maiores fornecedores de free lunches do país.

Nações Unidas

No Quinto dos Impérios, aqui.

Trunfos

A convocação de eleições antecipadas obriga o Governo a dar mais visibilidade aos projectos até agora desenvolvidos, dos quais os da Defesa, Ambiente e Obras Públicas sarão os mais valorizados. A destrunfada pode ser penosa para a oposição, que demonstra sinais de inquietação.

terça-feira, Dezembro 07, 2004

Um presente para Lisboa

Os novos outdoors da CML, publicitando a reabertura das obras do Túnel do Marquês, são um insulto a todos os que viram a sua vida perturbada, e aos contribuintes que viram os cofres da Câmara ficarem 2,5 milhões de euros mais vazios...

segunda-feira, Dezembro 06, 2004

A língua portuguesa

Da conferência omitiu-se o "passado", para não obrigar a repescar os primeiros discursos do actual Presidente ("oratória de grandes proclamações às quais, depois, na prática, nada ou pouco corresponde").

Coligação pré-eleitoral (2)

Contrariamente ao que pensa e deseja Vasco Pulido Valente, não é líquido que os partidos sofram uma hecatombe nas próximas eleições. Contudo, é inevitável a sangria de votos, uma vez que o eleitorado indeciso e descontente será fortemente seduzido pela dinâmica socialista.

Interessará a ambos os partidos minimizar os prejuízos. Contudo, apenas o CDS-PP estará em condições de maximizar os proveitos da sua experiência governativa, face às baixas espectativas criadas há dois anos. No caso de coligação, é realista pensar que o CDS veja reforçada a sua importância dentro da coligação, de modo a conferir-lhe alguma credibilidade.

Se os partidos se coligarem, existe de facto a possibilidade de obterem a desejada maioria absoluta.

Cenário menos irrealista, se falharem o objectivo, alcançando mera maioria relativa, é previsível que Jorge Sampaio convide a esquerda parlamentar a formar Governo. Assim, ou por desastre eleitoral puro e simples, é mais do que previsível que haja um estado de estado de graça insuportavelmente longo do novo Governo, enquanto PSD se renova e a nova liderança se afirma autonomamente do CDS-PP.

Se a matemática dos lugares e a cobardia política não prevalecerem, é óbvio que os partidos ganham mais em concorrerem separados (o próprio Louçã referiu que é mais fácil derrotar Santana e Portas coligados!). Para todos é claro que o valor político da coligação é inferior à soma do valor político dos partidos que a compõem.

How not to be seen

Não vale a pena explicar-lhe que perdeu o jogo, ele não vai lá...

domingo, Dezembro 05, 2004

Coligação pré-eleitoral (1)

Hoje e ontem vieram a público notícias (1,2,3) sobre a existência de contactos ou predisposição entre as cúpulas do PSD e CDS-PP para formação de uma coligação pré-eleitoral para as eleições.

A solução não revela pragmatismo, mas autismo. Contrariamente ao que será dito e explicado aos portugueses na campanha, e tudo valerá, o Governo não caíu apenas por factores externos (o Presidente, "os grandes capitalistas e todo-poderosos do país", Cavaco Silva, ou a comunicação social)— mas porque sucessivas faltas de coordenação e coerência minaram a sua credibilidade, autoridade e capacidade de liderança do país.

Não interessa à maioria da população ser confrontada com uma moção de confiança a um Governo que muitos vêem como fracassado.

De acordo com muitas opiniões, nomeadamente a de Vasco Pulido Valente (ver artigo no Público), esta manobra só interessará por sobrevivência política de PSL, e para tirar partido das distorções do método de Hondt Modificado, que favorecem desproporcionalmente os resultados mais folgados, e consequentemente a formação de coligações.

Gosto duvidoso

A ler, os posts do Mar Salgado (aqui e aqui), sobre mais uma baboseira provocatória da Clara Pinto Correia.

sábado, Dezembro 04, 2004

Timings

Parece interessante e pouco correcto o pensamento do post da Bloguítica ("As legislativas presidencialistas").

A melhor maneira de empolar o debate sobre os candidatos presidenciais durante a campanha seria justamente Cavaco Silva anunciar a sua candidatura em Janeiro. Seria o caos absoluto na campanha, e tornaria o ex-primeiro-ministro refém dos resultados de Santana Lopes, com quem não quer ser associado.

Quem estará pronto para se fazer à liça política em Janeiro é Marcelo Rebelo de Sousa, livre de compromissos, explorando o aftermath da previsível derrota social-democrata nas urnas.

Cavaco Silva nunca avançará sem o apoio incondicional do aparelho do PSD. O timing ideal é anunciar a sua disponibilidade no Verão de 2005, quando o partido estará a mobilizar forças para as eleições autárquicas no princípio do Outono. Neste cenário, o PS já terá anunciado o seu próprio candidato.

Nova lei autárquica

A nova lei autárquica proposta pelo PS parece ser um mecanismo de bom senso, promovendo executivos autárquicos mais ligeiros e responsabilizados. O debate público tem sido reduzido.

Castigo

A ascenção de PSL deveu-se a um notável instinto de sobrevivência, oportunismo mediático e grande capacidade de auto-promoção, qualidades ora elogiadas, ora cunhadas de "populismo". Nessa medida, foi promovido ao nível onde as suas capacidade deixam de ter utilidade ao sistema que o alimentou. That's entertainment. Um triste espectáculo.

O que é absurdo, inédito e medíocre é ter ascendido ao segundo lugar do maior partido do Governo com tão fraco currículo. Na perspectiva da formação iminente de novo Governo, com a mesma base parlamentar, e exigindo-se continuidade de políticas, a escolha óbvia e competente seria entre Manuela Ferreira Leite e Marques Mendes. E estaríamos bem melhor.

Nesta medida, são justas as culpas atribuídas a Durão Barroso na condução do processo (a "sucessão dinástica" alegada por Louçã). Não o são as críticas à sua ida para a Comissão Europeia, ou os apelos que foram feitos à subversão da ordem natural constitucional da República, quatro meses atrás.

A aventura poderia ter sido bem sucedida. Foi um castigo imposto a Portugal, por garotice e avidez do Partido Social Democrata. Agora importa que os eleitores competentes expulsem os políticos incompetentes.

Cartazes de campanha

Excelente, do Blasfémias.

Ridículo

Post d'O Intermitente sobre a falta de sentido de ridículo (e inteligência) dos dirigentes da Associação Académica de Coimbra. E já agora, este.

Estas vacas devem estar gordas

"Partidos na Madeira recebem 7 vezes mais do que nos Açores", notícia do DN-Madeira.

sexta-feira, Dezembro 03, 2004

Frontalidade

Em época de eleições, em que muitas verdades vão ser ditas, convém recordar onde tudo começou...

Breakthrough

Criação de embriões sem esperma. Notícia do Público.

Título do Dia

"Dungeons and Dragons"

Que tipo de moeda é este?

António Borges, outra incógnita...

Sem medo de coligações

Longe das maiorias absolutas e diálogos intermináveis ao gosto português, em Israel para ultrapassar crises, não há medo de coligações e compromissos governamentais...

Peter

Dado que tanto se fala da "rise and fall" do PSL, cá vai (e aqui em português).

quinta-feira, Dezembro 02, 2004

Mais depressa com mel do que com vinagre?

Libertação de mais um escritor dissidente em Cuba.

Partindo a loiça

Ao seu melhor nível, Alberto João Jardim sem papas na língua...

Adenda 2004/12/03: um artigo sarcástico de Marta Caires...

Sinais de vitalidade

Apresentam-se dez candidatos às eleições presidenciais para a Autoridade Palestiniana.

CML

Santana suspendeu-se da Câmara Municipal de Lisboa?

Adenda 2004/12/03: os piores receios confirmam-se

Anti-Spam

Vigilantes do Spam. Notícia aqui.

Vitorino e não Sousa Pinto

Vão no bom caminho... recordem-me quem escreveu o programa de Governo de Santana Lopes?

quarta-feira, Dezembro 01, 2004

Referendo

Vital Moreira defende que não há base legal para realizar o referendo europeu em 2005.

Wikinews

Um fenómeno interessante: Wikinews, dos mesmos criadores do Wikipedia. Referenciado pelo Ponto Média.

Fundamentos

Não vá por , caro Paulo Portas.

José Manuel Fernandes resume-os muito bem no editorial de hoje do Público.

Reforma da ONU

Algo urgente.

It's SABOTAGE!!!

Na altura de apontar o dedo, há sempre os suspeitos do costume. A esquerda tem os seus, mais ou menos enumerados. E há quem ainda acuse Durão Barroso...

Mas aqui para nós, está tudo resumido no post do Homem-a-Dias:

O PR, este PR, falhou há quatro meses, falhou agora, falhará sempre que necessário. O PR, este PR, é a simpatia mais incompetente que o país já conheceu. Pensar que um terço dos portugueses elegeu isto, e por duas vezes, é a prova maior da degradação política de que tanto se fala..

(também o link para o Blasfémias e Nortadas).

Solidariedade

Em solidariedade para o meu colega de blog, que se afastou destas lides para não entrar em conflito com as suas responsabilidades como servidor do Estado: o A Arte da Fuga precisa de ti!

Cavaco

Um dos marcos de maioridade da democracia portuguesa foi ter passado para a época "Depois de Cavaco", infelizmente marcada por governos incompetentes, incompletos e incoerentes.

Cavaco é o candidato natural à Presidência da República da Direita, e o único que conseguirá dignificar a instituição, depois de dois mandatos de pacholice insípida.

Não faltaria muito para estarmos a clamar pelo octagenário Soares (aquele que o é de corpo), a sacar do sarcófago Álvaro Cunhal, ou a dar alta psiquiátrica a Freitas do Amaral.

(opinião contrária a NoQuintodosImpérios, Blasfémias, Abrupto)

Salomão

Sampaio decreta: "Desliguem a incubadora! Serrem o menino a meio!"

Orçamento

A coligação governamental prepara-se para fazer avançar o Orçamento de Estado. PS diz que não vê mal num regime de duodécimos.

Se for votado um Orçamento, será inevitavelmente uma herança fatal para o próximo Governo, e um factor de incerteza para os agentes económicos, que entenderão que até um eventual Orçamento Rectificativo, estamos num regime puramente transitório.

Por outro lado, há reformas e correcções, nomeadamente nos salários e pensões, que afectam toda actividade económica, e não devem ser adiadas.

Sampaio retira a confiança política ao Governo, mas mantém-lhe a legitimidade constitucional, permitindo que decida se leva ou não o Orçamento a aprovação ("é total a sua liberdade neste momento"). Mais umas vezes lava as mãos das suas responsabilidades.