"A Arte da Fuga" ("Die Kunst der Fuge", BWV 1080) é uma obra-prima de Johann Sebastian Bach:
um único tema musical persegue-se, a si mesmo e as múltiplas variações, num diálogo musical intenso desenvolvido a diversas vozes, rico de simetrias, inversões, ritmos e tempos diferentes.
Fugas para aartedafuga@gmail.com
sábado, dezembro 31, 2005
sexta-feira, dezembro 30, 2005
Os melhores filmes do ano
Não consigo ordenar os filmes que vejo por anos e guardá-los assim, em gavetas desenhadas por outros e artificialmente pensadas para tratamento universal. Um ano, nos seus 365 dias, nao me faz qualquer sentido, porque é um pressuposto da vida. Impõe-se independentemente do que nos vai alinhando a alma. Faz algum sentido dividir o melhor beijo da nossa vida em dois, apenas porque entretanto terminaram os últimos minutos do que se convencionou chamar de Dezembro? Daí que os anos não me sirvam para agrupar as consequências que os filmes têm na minha vida. Ela não se divide em anos, mas em muitas outras coisas que não cabem neste blogue.
quinta-feira, dezembro 29, 2005
♪ Aranjuez

(clicar para ouvir)
http://library.sau.edu/accelmusic/Rodrigo%20Concierto_De_Aranjuez.mp3
Joaquín Rodrigo, Concierto de Aranjuez, Adagio
Pergunta do dia
Será preciso elencar aqui as inúmeras questões de política pura que motivaram intervenções de Mário Soares Presidente, ou basta as nossas memórias e a nossa capacidade de não torcer a realidade apenas para tentar ter razão?
Momento intimista do dia (2)
Momento intimista do dia
- (encolhendo a barriga e endireitando as costas) Sim, sou eu mesmo.
- Eu achava que devias ter aí uns 40 anos!
- ...
quarta-feira, dezembro 28, 2005
A primeira vitória de Soares
Paradoxos do dia
terça-feira, dezembro 27, 2005
Weaseling "liberalismo"
As a supreme if unintended compliment, the enemies of the system of private enterprise have thought it wise to appropriate its label.
Joseph A. Schumpeter
(em Hayek, The Fatal Conceit: The Errors of Socialism, capítulo VII— "Our poisoned language")
Só nesta medida, concordo com o João Galamba (via Blue Lounge): "Aquilo que é verdadeiramente importante é não deixar que a palavra Liberal seja monopolizada por uma posição particular."— porque dizer "Isto é fundamental porque o termo acarreta uma certa autoridade associada a uma aura de esperança e mudança politica" é meio caminho para fazer da palavra Liberal uma weasel word— como social, democrático, justo, bom...
Central Nuclear
A regra e a excepção
É vulgar em Portugal que se configure como excepcional um regime que deveria ser geral. O caso da AutoEuropa será, a todos os níveis, paradigmático desse estado de espírito que grassa pela nossa comunidade política. O regime excepcional acalma as consciências, por não derrogar o regime constitucionalmente inspirado e alimenta as esperanças, por ser o mais razoável. Cavaco Silva vem agora, em entrevista ao Jornal de Notícias, propor a criação de uma secretaria de Estado para acompanhar a vida das empresas estrangeiras a actuar em Portugal, para antecipar algum desejo dessas empresas se irem embora, para assim o Governo tentar ajudá-las a inverter essas motivações. O que Cavaco propõe é o reconhecimento do desajustamento da nossa política fiscal e económica. Não se propõe mudar de política, mas apenas criar uma Secretaria de Estado (se fosse um Instituto Público, já não pegava) para excepcionalmente ir ajustando, caso a caso, essa política. É pouco. É muito pouco.segunda-feira, dezembro 26, 2005
Boato
Boomerang
O Mau Gosto
("Europeus querem iniciar reflexão constitucional" - Diário de Notícias online, via Causa Nossa)
domingo, dezembro 25, 2005
sábado, dezembro 24, 2005
sexta-feira, dezembro 23, 2005
Declaração
Eu ainda sou do tempo...
quinta-feira, dezembro 22, 2005
Ponto de ordem à mesa
Momento intimista do dia
Debate (4)
Debate (3)
quarta-feira, dezembro 21, 2005
♪ Rito
link para a música
Igor Stravinsky, (con)Sagração da Primavera, danca sacrificial
Debate (2)
Declaração Final
Debate
terça-feira, dezembro 20, 2005
O Melhor Blogue
Quotas
♪ wir finden Ruh'!
http://www.gv-meerholz.de/O__welche_Lust__Chor_der_Gefangenen_.MP3
Ludwig van Beethoven, Fidelio op.72,
O Welche Lust! ("Coro dos Prisioneiros")
segunda-feira, dezembro 19, 2005
Quero um candidato inconstitucional (2)
Eu quero um candidato que prometa meter o país a fazer dieta.
(link do pré-candidato via secção Especial Eleições Presidenciais do Blasfémias)
Com o Bloco não haveria dissidentes!
(Diário Digital)
Resposta às quotas na rádio (2)
"Presidente iraniano proíbe divulgação de música ocidental" (Diário Digital)
Pergunta do Dia
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Estado vs anarquia linguística
É possível que este país prospere sem a definição de uma língua oficial, ou que as línguas minoritárias sobrevivam sem protecção cultural?
Resposta aqui. E já agora aqui.
[ CORRECÇÃO: (inglês a mais): "linguagem" substituído por "língua" ]
Re: A Esquerda, a Direita e a Cultura
Dizer que o Estado não deve impor o seu arbítrio em matéria cultural e substituir-se ao mercado, ditando o que deve ou não ser apreciado (uma proposição impecavelmente correcta), não significa que ele deva, nomeadamente no domínio da educação, abster-se de qualquer acção para manter viva a tradição e o que surge como reactualização possível dessa tradição. Quanto à tradição – Camões e Eça, por exemplo – as objecções são mínimas. Quanto à reactualização da tradição, a “criação”, a controvérsia é legítima. Resta que deveria haver uma comunidade crítica capaz de discernir efectivamente (com os riscos todos do provisório) o que conta e o que não conta. Que ela seja entre nós eminentemente deficiente é, de facto, uma parte do problema.
[1] Um belo exemplo de pedinchice, fonte Elise;
[2] Aqui levanto o braço, e aproveito para destacar o post "Sustentar os prazeres das elites" do DA no Ideias Livres.
Checklist
- " Em nome de uma teoria... do João Galamba no Metablog;
- "Numa sociedade, a acção não se esgota no estado", resposta do João Miranda
- "Pluralismo Agonismo e Practica", contra-reposta do João Galamba
A não esquecer...
(programa) | (clicar para ouvir) http://www.cs.wmich.edu/~elise/audio/Toccata_and_Fugue.mp3 Johann Sebastian Bach, Tocata e Fuga em ré menor, BWV 565 |
(era para dedicar à Rititi a Cantata do Café [e cigarros e whisky já agora]... mas não encontrei na Net...)
quinta-feira, dezembro 15, 2005
Perguntas do Dia
Bem lavadinho
![]() (tocar "Gallows Pole") | Este senhor apresentou-se bem lavadinho à Rainha Isabel II para receber de suas mãos a Ordem do Império Britânico, por dez anos de colaboração activa com instituições de auxílio a crianças das favelas brasileiras. É Jimmy Page, guitarrista dos Led Zepellin, cuja música "Gallows Pole" toca ao lado. (notícia aqui). (...se tivesse andado a zurrar banalidades sobre a globalização, teria merecido sorte diferente, pelas mãos de outra rainha de Inglaterra...) |
Presidente de coisa nenhuma
Quero um candidato inconstitucional
É por isso curioso ver como a Constituição permanece um mito na boca de qualquer candidato presidencial, fundamento de todos os seus pensamentos e argumento para todas as suas contradições. Pode dizer-se uma coisa hoje e outra amanhã ou entrar em contradição evidente entre actos e palavras, que logo respondem com o facto de a Constituição não os impedir de candidatar ou de se manterem Deputados ou o que mais lhes aprouver.
Um candidato que se propusesse substituir esta Constituição (porque é de uma substituição que precisamos, até para manter a dignidade e a coerência na Lei fundamental actual), neste panorama, seria um candidato inconstitucional. E é pena que ele não exista.
Contas feitas
Ámen!
[ADENDA] Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens por Ele amados!
Aid for trade
Mr. David Cameron (Witney) (Con): Expanding free trade is the most powerful force for the reduction of world poverty, but there are some at the world trade talks in Hong Kong this week who argue that expanding free trade means forbidding developing countries to protect their environments. Does the Prime Minister agree that that is the wrong argument? Does he agree that it is perfectly possible for developing countries to have free trade and benefit from it, while allowing the environmental protections that we enjoy in this country?
The Prime Minister: Yes, I do agree with that, but there is another thing that I consider important. It is also important for developing countries whose economies are at a very low stage of development to get help - aid for trade - so that they can build the capacity that will enable them to trade. I was particularly pleased that the G7 Finance Ministers agreed to increase aid for trade to $4 billion, because that trade capability is also an important part of making free trade work.
Ambos concordam com as premissas básicas do comércio livre. Revelam sintonia com a herança do liberalismo britânico, ao qual se deve a prosperidade do Reino Unido ao longo dos últimos cento e cinquenta anos.
Cameron ataca a falácia que a globalização prejudica o Ambiente. Embora as fases iniciais da industrialização de um país em vias de desenvolvimento sejam de facto lesivas para o Ambiente (é um mal necessário no caminho do desenvolvimento económico), as empresas estrangeiras têm todos os incentivos para instalarem capacidades produtivas utilizando as tecnologias mais recentes, que custam menos a manter e actualizar, e que obedecem a padrões "ocidentais" de qualidade ambiental. Não só a industrialização do país é mais rápida, como se evitam erros ambientais grosseiros como os que se verificaram nos países desenvolvidos.
Tony Blair concorda, mas insiste na perigosa prática do "aid for trade". Basicamente, consiste na subsidiação de países em vias de desenvolvimento para que possam negociar com os desenvolvidos em condições mais "justas". O "aid for trade" reveste-se de várias formas, das quais podemos destacar:
- Doação directa de capital (dinheiro, equipamento, materiais, infraestruturas) — é a preferida por alter-mundialistas e defensores do fair trade. Consiste na cobrança de impostos aos cidadãos dos países desenvolvidos, para que sejam dados aos países pobres por solidariedade e bom coração. É dinheiro que vai e não volta;
- Empréstimos financeiros— o Estado entende usar o dinheiro dos seus contribuintes num investimento de fraca rendibilidade e alto risco, capital que o mercado de outra forma não empregaria nesse uso. Não só se drena recursos à Economia como se investe externamente em condições de eficiência e retorno duvidosos. É dinheiro que vai, se calhar volta, e entretanto fez muita falta;
- Subsídios ao comércio "livre"— o dinheiro dos contribuintes é "dado" pelo Estado aos países mais pobres, para que estes possam importar bens necessários aos beneméritos credores. Primeiramente, é uma forma de "redistribuição" (ineficiente, por definição) dos contribuintes para as indústrias de exportação, que vêem a sua actividade "estimulada", mas é também pagar com "dinheiros públicos" capital que não fica no país.
Todas estas soluções são mediáticas e os directos beneficiados são as burocracias dos Estados envolvidos, e não os respectivos cidadãos, o que explica duplamente o voluntarismo dos governantes.
Partem de um princípio apologético: que há obrigação moral de compensar o interesse em causa própria, inconscientemente(?) digno de censura. E necessidade de reforçar o estatismo que pretensamente é condição necessária ao free trade. Como consequência as Economias de ambos os lados são distorcidas para atenderem à oferta de subsídio.
Importa que os países desenvolvidos eliminem barreiras alfandegárias às importações, subsídios à produção e exportação, e proteccionismos às suas indústrias e serviços. Do lado dos países em vias de desenvolvimento, no seu próprio interesse, é essencial que criem instituições que garantam o Estado de Direito, o respeito pela propriedade e iniciativa privada, a não-intervenção estatal na Economia— condições sem as quais os benefícios da globalização terão um tecto máximo. Laissez-faire.
White nights

The Kriukov Channel. The St. Nickolas cathedral. The Nikolsky market place.
The area where the Dreamer from White Nights (1848) took his lonely walks.
Lastro
(definições do dicionário online Priberam)
The shine
quarta-feira, dezembro 14, 2005
"Jovens" à força
Segundo o Diário Digital:
Governo quer retirar do mercado de trabalho jovens sem o 12.º
A notícia surge na edição desta quarta-feira do Diário Económico, que fundamenta a medida com a intenção do Executivo de impedir a entrada no mercado de trabalho de jovens [com menos de 23 anos que não tenham terminado o 12º ano] sem qualificações.
Um aluno que faça toda a escolaridade sem reprovar um ano lectivo tem 16/17 anos quando inicia o 12º ano. Aos 18 anos é maior de idade, responsável pelos seus actos. O Governo pretende restringir a sua liberdade laboral caso não tenha cumprido a escolaridade obrigatória. Fá-lo de uma forma não-positiva: discriminando-o relativamente aos outros jovens, que beneficiam de já incompreensíveis incentivos à contratação de activos, supostamente válidos para jovens não licenciados. O jovem deverá beneficiar de incentivos à reintegração escolar por um Ensino "gratuito" que obviamente não quer. O emprego não-qualificado que ocuparia será preenchido por outro jovem, sobrequalificado e subsidiado, ou deixará de existir, ou nem será criado. Um dia seremos todos reeducados e tudo fará sentido.
♪ Faune
http://jnjmuse.cnei.or.kr/musicbox_2/debussy_prelude_a_lapresmidi_dun_faune.mp3
Claude Debussy, Prélude à l'après-midi d'un faune
Comportamentos e responsabilidade (2)
"17. Como os benfeitores deixam de conhecer os beneficiários, não têm qualquer incentivo em definir a ajuda mais adequada para a sua reintegração social. Estes, por sua vez, não estando sujeitos ao controle daqueles, que antes gastavam tempo e recursos a ajudá-los e por isso pretendiam a sua rápida integração e independência, deixam de ter qualquer motivação para crescer e evoluir, resignando-se a uma vida de eterna subsídio-dependência, com reivindicações constantes de mais e maiores apoios."
Comportamentos e responsabilidade
No blogue da Causa Liberal, o CN argumenta que não e remata o seu raciocínio:
A "sociedade" arranjará formas de reagir, seja pelo provável aumento do valor das relações de fidelidade e monogamia e outras.
Claro que ao "Estado" o que se quer é: "nós" queremos que o nosso padrão de comportamento sexual actual se mantenha intacto e para isso exigimos que o Estado distribua preservativos, porque sem isso, sou "obrigado" a tornar-me mais "conservador".
A acção social do Estado "social" é frequentemente justificada pela necessidade de reduzir os riscos do dia-a-dia aos cidadãos, distribuindo os custos por todos. Como consequência, não só os cidadãos passam a não serem responsáveis pelo seu bem-estar, como vêm a sua percepção de risco pessoal ser embotada— não é preciso "exagerar" com as precauções de Saúde, não é preciso "exagerar" com poupanças para a velhice, não é preciso "exagerar" em ser-se produtivo... porque o Estado cuidará sempre.
Quando o risco é assumido pelo indivíduo, que passa a ser responsável por todas as consequências que advenham das suas acções, a sua escala de valores é questionada: é obrigado a ser consequente com as suas decisões. Valores como a preservação da vida, da saúde, da propriedade, de todos os que estima e de tudo o que preza, passam a ser mais importantes. Tem mais a perder com comportamentos irreflectidos e extemporâneos. Relativamente aos riscos da vida, tornar-se-á mais conservador.
Este seria o comportamento por defeito, mas alega-se que o "mercado" (comportamentos/riscos/consequências) tem falhas, e que o Estado tem de garantir a "liberdade de escolha" aos que não querem adoptar comportamentos consequentes ("pagar mais")— à custa de todos, particularmente dos mais responsáveis e socialmente conscientes. É um esquema vicioso de solidariedade forçada, que acaba por ter efeitos perversos sobre a sociedade, porque destrói valores que promovem a sua coesão.
La acción de oro (3)
(notícia via... bem, via toda a blogosfera liberal)
Algoritmos e Heurística
Na vida real, um algoritmo "simples" pode ser uma linha de montagem de um qualquer processo industrial; ou uma receita de culinária onde é suposto não haver imprevistos; ou o processo de ir de um sítio ao outro de comboio. Uma heurística pode ser o projecto de arquitectura de uma fábrica, a resolução de problemas de uma receita de culinária que deu para o torto; ou ir de um sítio para ou outro conduzindo um carro através do trânsito automóvel. Nestes últimos exemplos, há uma componente de "decisão" que escapa à especificação procedimental.
Em meios matemáticos ou computacionais, utilizam-se algoritmos (do primeiro tipo) por exemplo no cálculo estrutural de um edifício. As heurísticas utilizam-se por exemplo na elaboração um programa que "saiba" jogar o jogo do galo, ou damas, xadrês ou Go.
Na implementação computacional de heurísticas, e tomamos o exemplo de um jogo de xadrês, não basta que o jogo saiba mexer as peças e como são capturadas, que saiba que o objectivo é "ganhar" e que ganha o primeiro jogador que faça um cheque ao Rei sem resposta possível. Nem há avaliações qualitativas como as que o cérebro humano realiza. É preciso que o jogo tenha um algoritmo (uma "função posicional"), que a partir de uma dada configuração de peças no tabuleiro, e de um conjunto de ponderações internas, devolva valores numéricos que sirvam para alimentar o sistema de decisão.
Para um determinado tabuleiro, o programa determina quais são as suas jogadas "legais". Para cada uma avalia o "valor" correspondente. E depois repete o processo para possíveis contra-jogadas do adversário; e depois repete o processo até à "profundidade" possível ou desejada. No fundo, está a "ver várias jogadas à frente", avaliando cada uma de acordo com a sua escala de valoração. No fim, tem uma árvore de alternativas, cada uma com uma avaliação numérica, e considerando que o jogador adversário vai tentar maximizar as suas possibilidades de ganhar [aqui entra uma ramificação interessante da Teoria dos Jogos], escolhe uma jogada. Eventualmente este processo conduzirá a uma vitória da máquina sobre o adversário.
Na programação de uma heurística do género, o mais difícil não é mover peças, ou determinar as jogadas legais, ou mesmo montar o sistema de construção da "árvore" de jogadas, ou problemas técnicos muito complexos como tornar mais eficiente o imenso volume de cálculo envolvido— mas sim a construção da função de valor, e a calibração dos respectivos parâmetros.
terça-feira, dezembro 13, 2005
Cavaco e Freitas
Sobre a privatização da segurança social
a) quem paga a promessa não é o Estado, é outro indivíduo qualquer a quem o Estado fez exactamente a mesma promessa;
b) entre o “dá cá” e o “toma lá de volta”, o Estado gasta o dinheiro em despesa corrente, sabe-se lá para quê, não se acumulando qualquer capital ou criando qualquer incentivo particular.
Duas maneiras de ler o mesmo texto
Spontaneous orders need not be what we called abstract, but they will often consist of a system of abstract relations between elements which are also defined only by abstract properties, and for this reason will not be intuitively perceivable and not recognizable except on the basis of a theory accounting for their character. The significance of the abstract character of such orders rests on the fact that they may persist while all the particular elements they comprise, and even the numbers of such elements, change. All that is necessary to preserve such an abstract order is that a certain structure of relationships be maintained, or that elements of a certain kind (but variable in number) continue to be related in a certain manner.
F.A.H., Law, Legislation, and Liberty
2. As teorias da acção:
Spontaneous orders (...) will not be intuitively perceivable and not recognizable except on the basis of a theory accounting for their character.
segunda-feira, dezembro 12, 2005
♪ Ich liebe dich
| (clicar para ouvir) http://jnjmuse.cnei.or.kr/musicbox/ich_liebe_dich.mp3 Ludwig van Beethoven, Zärtliche Liebe, op.123 | |
| Ich liebe dich, so wie du mich, Am Abend und am Morgen, Noch war kein Tag, wo du und ich Nicht teilten unsre Sorgen. Auch waren sie für dich und mich Geteilt leicht zu ertragen; Du tröstetest im Kummer mich, Ich weint in deine Klagen. Drum Gottes Segen über dir, Du, meines Lebens Freude. Gott schütze dich, erhalt dich mir, Schütz und erhalt uns beide. | I love you as you love me, in the evening and the morning, nor was there a day when you and I did not share our troubles. And when we shared them they became easier to bear; you comforted me in my distress, and I wept in your laments. Therefore, may God's blessing be upon you, You, my life's joy. God protect you, keep you for me, and protect and keep us both. |
Ponto da situação
- "O problema da segurança social compulsiva e estatizada" do André Azevedo Alves, que para além de Selected Readings apresenta uma citação muito oportuna de Mises, a cujos números poderíamos acrecentar 35 anos:
The whole system is the acme of the short-run principle. The statesmen of 1940 solve their problems by shifting them to the statesmen of 1970. On that date the statesmen of 1940 will be either dead or elder statesmen glorying in their wonderful achievement, social security.
(Ludwig von Mises)
- " Friedrich Hayek sobre a Segurança Social" do Miguel, citando o The Constitution of Liberty:
It has been well said that, while we used to suffer from social evils, we now suffer from the remedies for them. The difference is that, while in former times the social evils were gradually disappearing with the growth of wealth, the remedies we have introduced are beginning to threaten the continuance of that growth of wealth on which all future improvement depends.
(Friedrich Hayek)
domingo, dezembro 11, 2005
Tecnocracia e cientismo
Esta metodologia foi levada às últimas consequências pelo Movimento Tecnocrata, que defendia uma economia optimamente planeada com base numa irrepreensível abordagem científica. Hoje em dia, parece uma visão distópica saída de um conto cyberpunk, uma vez que a ficção científica foi célere a associar tal eugenia económica a totalitarismos de base tecnológica, onde toda a liberdade individual seria suprimida em nome do bem comum.
Mas substitua-se "optimamente planeada" por "justamente planeada" e obtém-se o socialismo económico puro e duro, omnisciente e total, razão porque é tão grande o fascínio desta teoria junto dos movimentos políticos anti-capitalistas. É a mesma linguagem. As consequências trágicas do socialismo real infelizmente não pertencem à ficção.
A ausência de "fins sociais" do liberalismo e do capitalismo liberal foi desonestamente associada pelos socialistas à "tecnocracia" estatal, e a metodologia liberal com o cientismo que tem como consequência aquela visão odiosa e profundamente iliberal. São ideias-feitas, entre muitas outras, que têm de ser desmontadas com infinita paciência.
Technocracy had its inception in 1919 in New York City in an organization known as the Technical Alliance of North America. (...)
The primary aim of the Technical Alliance was to ascertain the possibility of applying the achievements of science to social and industrial affairs. With this in mind, they set about to make a survey of the energy and natural resources of the North American Continent -- all the territory included between the Panama Canal and the North Pole. In addition, they studied the industrial evolution that had taken place therein. They showed graphically the operating characteristics of the present industrial system with all its waste and inefficiency and worked out a tentative design of a completely coordinated system of production and distribution. Of course they always kept in mind their aim, which was to provide a better standard of living for the people living on the continental area with the least possible waste of non-renewable resources.
(Technocracy Inc.)
His Mário Soares Voice... mas não muito
Resultado: verificou-se um total empenhamento do patrão do PS (Jorge Coelho) nas críticas a Cavaco Silva. Supõe-se que a blogosfera pró-Soares também ignorará o seu super-candidato...
sábado, dezembro 10, 2005
♪ Flauta e Harpa
http://www.goclassic.co.kr/mp3/Mozart_Concerto_Flute_Harp_2.mp3
Mozart, Concerto para Flauta e Harpa, K.299, Andantino
Voting without representation
- " Representatividade para o voto Branco/Nulo";
- " Representatividade para o voto Branco/Nulo (2)".
Fica aqui uma provocação de Herbert Spencer:
"(...) the citizen is understood to have assented to everything his representative may do, when he voted for him.
But suppose he did not vote for him; and on the contrary did all in his power to get elected some one holding opposite views—what then? The reply will probably be that, by taking part in such an election, he tacitly agreed to abide by the decision of the majority.
And how if he did not vote at all? Why then he cannot justly complain of any tax, seeing that he made no protest against its imposition. So, curiously enough, it seems that he gave his consent in whatever way he acted— whether he said yes, whether he said no, or whether he remained neutre! A rather awkward doctrine this.
Here stands an unfortunate citizen who is asked if he will pay money for a certain proffered advantage; and whether he employs the only means of expressing his refusal or does not employ it, we are told that he practically agrees; if only the number of others who agree is greater than the number of those who dissent. And thus we are introduced to the novel principle that A's consent to a thing is not determined by what A says, but by what B may happen to say!"
Herbert Spencer, Social Statics, The Right to Ignore the State (1851)
(outra citação de Herbert Spencer no A Arte da Fuga: "Stop the Government I want to get out (2)")
ADENDA: "Voto em branco não conta nas presidenciais" (PortugalDiário)
Electric sheep
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| The name Electric Sheep comes from Philip K. Dick's novel Do Androids Dream of Electric Sheep. It realizes the collective dream of sleeping computers from all over the Internet— an idea inspired by the SETI@home project. Electric Sheep is a distributed screen-saver that harnesses idle computers into a render farm with the purpose of animating and evolving artificial life-forms. The project is an attention vortex. It illustrates the process by which the longer and closer one studies something, the more detail and structure appears. Each sheep is about 4 seconds long. Its shape, motion, and color are specified by a genetic code, a long string of numbers. If a user sees a sheep they like, they may vote for it. Sheep that receive more votes live longer and are more likely to reproduce. These votes form a fitness function for the esthetic evolution of the flock. Users can also download software to manually design genomes and post them to the server where they join the flock. About once every ten minutes a new sheep is born and distributed to all active clients. Each sheep is an animated fractal flame. The shape is specified by a string of 150 real numbers—a genetic code of sorts. Some of the codes are chosen at random by the server with heuristics to avoid malformed sheep, somewhat like spontaneous abortion. Most of the rest are derived from the current population according to a genetic algorithm with mutation and cross-over. |
![]() |
sexta-feira, dezembro 09, 2005
Machista ma non troppo
Contradição do dia
Coisas da Tese
Debate
quinta-feira, dezembro 08, 2005
Momento intimista do dia

Paradoxo do Dia
100 ondas
A Clark Foam, empresa que actualmente tem 80% de quota do mercado de espumas para o fabrico de pranchas de surf fechou subitamente as suas portas, causando um profundo choque no meio do mercado relacionado com este desporto, tantas vezes considerado amigo do ambiente. A explicação do seu proprietário, Gordan 'Grubby' Clark, para a sua decisão pode ser lida aqui e funda-se na hiper-regulação ambiental que ceifou, no momento, qualquer possibilidade de lucro da empresa. "Any fool could see that"
Quando questionado a medo sobre uma possível influência musical, Brahms terá respondido secamente "Any fool could see that!".
link
Johannes Brahms, Sinfonia nº1 em dó menor op.68,
Adagio— Più Andante— Allegro ma non troppo, ma con brio
quarta-feira, dezembro 07, 2005
Amendments
♪ Ode

(clicar para ouvir)
http://stellamaris.vije.net/sons/classique/Beethoven%20-%20symph9%20-%20joie.mp3
Ludwig van Beethoven, Nona Sinfonia, Presto e final coral
terça-feira, dezembro 06, 2005
(Post temporário)
Caros amigos e leitores, eu sei que é feio fazer-vos isto— mas atrevam-se a aceitar o desafio que eu vos proponho nos comentários (aqui).
Olhar para trás
À custa da minha falta de vista, passei a ser mais distraído do que sou por natureza, e a reconhecer as pessoas pelos seus movimentos mais simples— os gestos, o jogar do corpo, um menear de anca, o arquear de um pescoço. Desenvolvi bons reflexos e bom posicionamento nos desportos porque não via bem as bolas; nas regatas, os outros barcos eram meras manchas brancas sobre um azul que perdia textura com a distância. Enquanto fazia jogging, cidades sonhadoras passaram por mim, e o fundo do mar era cinzento e chato.
Foram mal-tratados e riscados, e as suas cicatrizes traduziam memórias de família, amigos, amores, e de tantos sítios: a Madeira e o Porto Santo, Goa, Monsanto da Beira, Viena, Budapeste e Liubliana, o Mont Saint Michel, Salvador da Baía, Veneza, o Museu do Prado, Louvre e tantos outros...
Tirava-os quando estavam porcos demais, para dormir ou tomar banho—, mas também quando estava muito confortável ou quando não estava para ser chateado. Mas sobretudo, estando cansado do que via fisica ou mentalmente. A minha "máscara" era tirá-los e ver o mundo muito mais real porque menos definido ou a preto-e-branco.
É estranho, a partir de ontem parece que passei a ser menos eu.
A Dança da Lua
http://www2.uol.com.br/eugeniameloecastro/musica/danca_da_lua1.mp3
Debate (3)
Debate (2)
Debate (1)
segunda-feira, dezembro 05, 2005
♪ Fantasia Coral de Beethoven
![]() | (clicar para ouvir) http://antoniocostaamaral.planetaclix.pt/blog/musica/guesswho.mp3 Ludwig van Beethoven, Fantasia para Piano, Coro e Orquestra ("Coral") op.80 Claudio Abbado, Berliner Philharmoniker, Rias Kammerchor, Yevgeny Kissin, Cheryl Studer |
Também sobre esta peça, outros posts aqui no A Arte da Fuga: "Fabuloso", "Hino à música"
Liberalismo taoista (4)
![]() | - "The Ancient Chinese Libertarian Tradition" (Murray N. Rothbard no Ludwig von Mises Institute) - "Mysticism and the Idea of Freedom: A Libertarian View"; - "ancient Chinese secret" no lowercase liberty; |
domingo, dezembro 04, 2005
MC6 em Hong-Kong
![]() | Sobre a sexta Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (MC6), a ser realizada de 13 a 18 de Dezembro em Hong-Kong: |
As barreiras comerciais agrícolas são um «obstáculo» ao desenvolvimento dos países mais pobres e são «indefensáveis», afirmou sexta-feira o presidente do Banco Mundial, o norte-americano Paul Wolfowitz.
(Dinheiro Digital)
The World Bank has calculated that a successful Doha round could lift 140 million people out of poverty and estimated that $287 billion could be gained from global trade liberalization."
(Reuters)
Estimativas do Banco Mundial dizem que as nações em vias de desenvolvimento que desenvolvem uma agenda de comércio livre e de boa governação poderiam ver mais do que triplicadas as suas taxas de crescimento. O comércio livre consagrado nos acordos multilaterais da Organização Mundial do Comércio o é o elemento chave para retirar da pobreza 300 dos 500 milhões de pessoas mais pobres do mundo"
(artigo de Adrienne S. O'Neal no Público de 2005/12/01)
The major issues to be discussed:
1. Market access - free traders want either put an end to quotas, or substantial increases in quotas, so they can export their goods into different countries.
2. Domestic support - demands for end of direct payments to farmers to produce their goods
3. Export subsidies - EU has promised to end its subsidies that depress international prices, so far, however, no exact date has been provided.
4. Services - push for lifting of restrictions on services sector.
5. Singapore issues - demands from some rich nations for more transparent laws and better legal protection for trading companies. They include issues in investment, competition, government procurement, and trade facilitation."
(Wikipedia)
Pergunta do Dia
Intervalos de Tese
Time warp

(clicar para ouvir)
http://home.imf.au.dk/tkammer/lotr/mp3/Rocky_Horror_Picture_Show_-_Time_Warp.mp3
The Rocky Horror Picture Show, Time Warp
[ Estes não são para virgens— Audience participation scripts: 1, 2 ]
sexta-feira, dezembro 02, 2005
♪ for ruin and the world's ending
![]() | (clicar para ouvir) link Richard Wagner, Die Walküre, "A Cavalgada das Valquírias" ADENDA: de todas, a melhor interpretação... |
Os novos descobrimentos*

("Intricate Crab Nebula Poses for Hubble Close-Up")
* título roubado ao Abrupto, e com agradecimentos à fonte.
A ler
quinta-feira, dezembro 01, 2005
Parabéns!
— Sabes, agora escrevo para um blogue, com um amigo meu— sabes o que é um blogue?
— (com gozo) Sim, sim, sim, eu sei o que é...
— É um mundo muito giro; eu escrevo sobre política e meto uns disparates a meio, mas há todo o tipo de escritos...
— (ainda no gozo) Ah sim, depois tens de me dizer qual é...
— Eu mando-te o link. Sabes, há dias encontrei um que é a cara chapada da tua irmã. Já não me lembro do nome... Claro que não é possível, o blogue está muito bem produzido, e a Rita como sabemos é uma infoexcluída sem pachorra para estas cromices dos computadores...
— (sem dúvida a gozar comigo) Ah sim— O blogue da Rititi???
— ("clic", sentindo-me muito estúpido) ...pois, era o diminutivo dela, era...
Hoje o blogue da Rititi faz dois anos! Parabéns Rita!
* a amiga é conhecida na blogosfera como a "mana-mai-linda-có-soli-caté-fere-a-vista" >)
♪ Rapsódia

(clicar para ouvir)
http://jnjmuse.cnei.or.kr/musicbox_2/rhapsody_on_a_theme_by_paganini_op43.mp3
Rachmaninov, Rhapsody on a theme by Paganini
[o ficheiro é grande— recomendo aos nossos leitores que façam download: basta carregarem com o botão direito em cima do link e escolherem "Save target as..." ou "Save link as...". Como gestor de downloads recomendo o Flashget, e adicionalmente para utilizadores Firefox, o Flashgot ]
quarta-feira, novembro 30, 2005
Nova disposição para o próximo acto eleitoral
Laissez-faire em chinês
(clicar sobre a imagem para aumentar)Hong Kong's economic success illustrates the benefits of free market economics. When the economic success of countries like Latvia and Estonia this is sometimes dismissed as being merely a "catch-up" effect as they with their low initial income level can benefit from existing technology and markets in rich countries. But Hong Kong cannot be as easily dismissed as they already were the richest country in Asia, having a higher per capita income than countries like Japan, Sweden and Hong Kong's former colonial power, the United Kingdom.
Yet they still manage to maintain extremely high growth. The reason for this is of course that Hong Kong is the economy in the world that comes closest to the laissez faire ideal, with its very low levels of government spending and taxation, its low regulatory burden, its consistent free trade policies and its lack of a independent monetary policy.
Choque, pasmo e aplauso
Lealdade ao estatismo (2)
- Wikipedia:
Learned helplessness is a well-established principle in psychology, a description of the effect of inescapable punishment (such as electrical shock) on animal (and by extension, human) behavior. The theory was developed by Martin Seligman through experiments going back to 1965.
"Learned helplessness" offered a model to explain human depression, in which apathy and submission prevail, causing the individual to rely fully on others for help. This can result when life circumstances cause the individual to experience life choices as irrelevant.
- Learned Helplessness:
In early 1965, Martin E. P. Seligman and his collegues, while studying the relationship between fear and learning, accidentally discovered an unexpected phenomenon while doing experiments on dogs using Pavlovian (classical conditioning). As you may observe in yourselves or a dog, when you are presented with food, you have a tendency to salivate. Pavlov discovered that if a ringing bell or tone is repeatedly paired with this presentation of food, the dog salivates. Later, all you have to do is ring the bell and the dog salivates. However, in Seligman's experiment, instead of pairing the tone with food, he paired it with a harmless shock, restraining the dog in a hammock during the learning phase. The idea, then, was that after the dog learned this, the dog would feel fear on the presentation of a tone, and would then run away or do some other behavior.
Next, they put the conditioned dog into a shuttlebox, which consists of a low fence dividing the box into two compartments. The dog can easily see over the fence, and jump over if it wishes. So they rang the bell. Surprisingly, nothing happened! (They were expecting the dog to jump over the fence.) Then, they decided to shock the conditioned dog, and again nothing happened! The dog just pathetically laid there! Hey, what's going! When they put a normal dog into the shuttlebox, who never experienced inescapable shock, the dog, as expected, immediately jumped over the fence to the other side. Apparently, what the conditioned dog learned in the hammock, was that trying to escape from the shocks is futile. This dog learned to be helpless!
- ChangingMinds.org;
- University of Plymouth (completo com ilustrações);
- relacionado: "Os limites da vontade reformista do Estado"
Presidenciais — Declaração de voto [AA]
Concorrência em jogo viciado?
Perante a decisão da Autoridade da Concorrência (AdC) de proibir a parceria entre o Grupo Barraqueiro e o Grupo Arriva na área metropolitana de Lisboa, vem o Grupo Barraqueiro esclarecer o seguinte:
2. Ao fim de tão longo período ["um ano e vinte dias (!)"], a AdC não conseguiu, ou não quis, perceber que o sector dos transportes é fortemente regulado, com concessões atribuídas em regime de exclusividade aos operadores.
3. Neste sector assim regulamentado, todas as regras em termos de qualidade de serviço e tarifas são definidas e controladas pelo Estado, sendo por isso indiferente, para a qualidade e preço dos serviços prestados, o número de operadores em presença.
5. Sabe o Governo, sabem os clientes e sabem as transportadoras que compete exclusivamente ao Governo fixar preços e aumentar tarifas. É por isso falso, grave e lamentável que a AdC venha publicamente afirmar que a operação em apreço poderia levar as empresas envolvidas a aumentar os preços dos bilhetes e dos passes.
[...]
(bolds de AA)
A solidão de Cavaco
Obrigado...
♪ Ritual
http://www.bonnienilsen.com/audio/DeFalla-ElAmorBrujo-DanzaRitueldelFuego.mp3
Manuel de Falla, El Amor Brujo, "Danza Rituel del Fuego"
Alto e pára o baile!
"Saúde recusa liberalizar propriedade das farmácias " (Diário Económico, notícia incompleta):
O Governo "não tenciona alterar, para já, as regras que obrigam a que a propriedade das farmácias seja detida por um farmacêutico”, garantiu ao Diário Económico uma fonte oficial do Ministério da Saúde, depois de confrontada com um estudo encomendado pela Autoridade da Concorrência (AdC), que recomenda precisamente o contrário.
As propostas da autoridade da concorrência ao ministro:
1. Liberalização da abertura e propriedade das farmácias;
2. Preço dos medicamentos só com tecto máximo;
3. Permissão de venda pela Internet.
Em "Medicamentos com receita poderão vir a ter descontos" (Jornal de Notícias), refere-se:
O estudo [que serviu de base às recomendações da AdC] revela ainda que as restrições impostas pela actual legislação permitem às farmácias beneficiarem de uma margem supra-normal. Este excedente poderia ser transferido para os consumidores ou para o Estado, quer por via concorrencial, quer por via regulamentar.
Notas:
- "Transferência de excedentes por via regulamentar" chama-se "redistribuição", e parte do princípio que o Estado sabe o que é um excedente "justo";
- A "transferência dos excedentes para o Estado" só pode ser concretizada por via fiscal, em prejuízo da competitividade do sector, e em última análise, do consumidor.
- Assim se combinam propostas liberais, socialismo de mercado e intervencionismo estatal. A Autoridade da Concorrência reflecte, em última análise, o carácter esquizofrénico de um Governo que diz querer promover a competitividade mantendo controlos estalinistas sobre a Economia...
ADENDA: A ler: " "Para já", não…" no Câmara Corporativa.
Fernando Pessoa
terça-feira, novembro 29, 2005
Estado vs. Estate
1. Em resposta ao post "Medieval", o jMAC respondeu, com autoridade:
ii. Como liberal, que defende o acesso do cidadão ao maior número de possibilidades de escolha com a mínima interferência do Estado não nutro nenhuma simpatia por qualquer destas figuras. Muito menos para o delírio moral com que algumas delas pretendem organizar a sociedade e por consequência a nossa vida e as nossas escolhas individuais que apenas e só a nós nos dizem respeito.
("medieval, ou a falta de urbanidade" no hARDbLOG)
Mas nos comentários ao meu post, o Lutz ("Quase em Português") comenta:
Não acho que o proprietário deve ter o direito de decidir sozinho como é a sua casa. Na medida em que esta se insere na paisagem (urbana ou natural), ele está a condicionar para além dos limites da sua propriedade o que não é seu.
2. É bom relembrar que as propostas que agora são apresentadas destinam-se alegadamente a promover a "melhoria do ambiente urbano" e "qualidade arquitectónica do que se constrói em Portugal". A contragosto, arquitectos e engenheiros assumem a cruz da responsabilidade técnica, em regime de concessão de exclusividade, para que possam defender o interesse público com todo o seu saber e poder corporativo. A qualidade advirá naturalmente do voto de confiança estatal?
É abusiva a delegação em grupos de interesse profissional de poderes do Estado, nomeadamente o poder de exercer coacção sobre a sociedade condicionando a liberdade profissional dos cidadãos. Não estando o Estado habilitado para julgar sobre "qualidade" técnica, objectivo declarado desta legislação, não deveria devolver esse juízo à sociedade em vez de o conceder a quem depende profissionalmente do mercado?
A montante, devemos questionar que direito tem o Estado de julgar e planear uma "qualidade" para o património edificado. É líquido que a propriedade pública— pertença de todos e paga por todos os contribuintes— deve obedecer a determinados requisitos mínimos de funcionalidade. Mas será lícito que o Estado, por motivos de "qualidade", interfira no usufruto do património privado?
Leituras a propósito: "O Direito de Propriedade do CN no Blogue da Causa Liberal; "Your Home is Your Cottage" no Ludwig von Mises Institute.
La acción de oro (2)
- "não está a ser estudado";
- "cada Governo toma as decisões que deve tomar no momento que deve tomar, e não segue as acções de outro";
- "não recebi nenhuma notificação de Bruxelas".
Quando Bruxelas se pronunciar, provavelmente o ministro já não estará em condições de assumir responsabilidades políticas pela sua falta de visão económica e cegueira ideológica.
Até lá, proponho que passemos a designar o czar da política nacional de infraestruturas e telecomunicações por "Mário Está-lá Lino", ou porque não, "Mário Estálino"...



































