Joaquim Chissano exige de Portugal um pedido de desculpas por causa da escravatura, "sem paternalismo" mas com o "auxílio verdadeiro e estruturante".
Ou uma coisa, ou outra. Portugal assume que, tal como outras potências europeias, promoveu e beneficiou da Escravatura, mas "desculpas oficiais pelas atrocidades cometidas" não serão mais do que pura condescendência inconsequente.
É altamente irreal atribuir à Escravatura o atraso civilizacional verificado pelas ex-Colónias, e está por provar que entregues a si próprias, estivessem muito melhor — como se veio a verificar nos últimos 30 anos, marcados por guerras, desgraças humanitárias e governos corruptos, alheios às necessidades das populações. Não se trata de defender o modelo colonial, que ficou muito aquém dos ideiais que hoje consideramos universais, mas desculpas temos muitas, o perdão já há muito é devido.
Como diz Vasco Pulido Valente, no Público, "A 'desculpa' não pode servir de desculpa".
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