Daqui a uns anos, quando os DVD tiverem morto de vez os velhinhos VHS, Fernando Rosas será a memória viva dos dispositivos turbo-rebobinadores de cassetes dos aparelhos políticos caducos do velho século XX. Vale a pena ler o seu mais recente delírio onírico no Público!
O tema até era interessante— a cidade de Falluja e os seus habitantes, uma vez acabada a guerra militar no Iraque— duas colunas de texto com descrições atrozes, quase contadas na primeira pessoa, recheadas com relatórios independentes de organismos internacionais e uma isenção que faria corar Sgrena.
A desilusão não se apodera do leitor assíduo do historiador bloquista— de repente, Rosas solta todos os seus papões apocalípticos, imperiais e capitalistas, e "oportunamente" encadeia Falluja, o regresso dos EUA ao multilateralismo, a posição dos estados europeus em acolher essa nova abordagem, e a Constituição Europeia!
"É, sobretudo, um pretexto patético para o realinhamento com o partido da guerra, para a capitulação de uma UE já rendida à lógica económico-social do neoliberalismo e, por essa via, candidata a transformar-se num apêndice político-militar da estratégia imperial norte-americana.
É essa escolha, afinal, que se condensou no tratado constitucional europeu a referendar proximamente".
Entretanto, Mário Soares, n'A Capital, escreve sobre a possível rejeição da Constituição Europeia pelos franceses (crédito ao Insurgente):
"Pior do que isso: seria o fim da União como «potência mundial» capaz de equilibrar as relações euro-americanas e de resistir às pretensões do hegemonismo imperial, que vê a ONU como um empecilho. Os "falcões" que aconselham Bush, seguramente, agradeciam!"
Se eu fosse americano estaria perdido de riso. Mas sou europeu e nem sei o que é que isso significa.
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