![]() | O João Galamba (Metablog) lançou-se numa "Série Temática: Desconstruindo as Falácias Austríacas". É curioso que o João Galamba comece por contestar a aplicação da metodologia das ciências naturais às "ciências" sociais— o scientism a que Hayek tanto se opunha. Nós somos self-interpretating beings. Isto significa que nós somos constituídos pelas nossas interpretações e não existimos independentemente delas. Nós somos uma "entidade" para quem as coisas são sempre e necessariamente mais ou menos importantes, significativas, indiferentes, positivas, negativas, más, boas, prazenteiras, ameaçadoras, etc... Dou por mim a aplaudir este rasgo austríaco/liberal... |
"A Arte da Fuga" ("Die Kunst der Fuge", BWV 1080) é uma obra-prima de Johann Sebastian Bach:
um único tema musical persegue-se, a si mesmo e as múltiplas variações, num diálogo musical intenso desenvolvido a diversas vozes, rico de simetrias, inversões, ritmos e tempos diferentes.
Fugas para aartedafuga@gmail.com
Quarta-feira, Novembro 23, 2005
Deixámos de discutir a sexualidade dos anjos
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CAA,
ResponderEliminarEu estava a comentar o artigo do Mises. Se leres a introducao vais ver que o gajo fala das ciencias eticas com uma enorme sobranceria como se elas nao fossem "cientificas". Quando digo metodo das ciencias naturais refiro-me a estudos "value free" e a procura de leis explicativas. Uma parte das ciencias humanas pode ambicionar ser value free (eu acho que e impossivel, mas isso e outra historia) agora achar que O Estudo Do Homem e algo que o deva ser parece-me absurdo.
Um abraco
E pa, desculpa nao e CAA mas AA
ResponderEliminarUma pergunta: o Hayek introduziu o conceito de conhecimento tacito e ordens espontaneas como correccao ao Mises? Mas se os pressupostos sobre o individuo se manteem a minha critica aplica-se aos dois. A minha critica principal a Escola Austriaca (e a economia em geral) e o individualismo metodologico e o subjectivismo, mas cada coisa a seu tempo...
ResponderEliminarUm abraco
João,
ResponderEliminar1. No offense taken (não tenho nada pessoal contra o CAA, para que conste)!
2. Eu admito que a veemência do Mises choque e possa ser tida como sobranceria intelectual. É um problema de estilo (ou falta dele!) que só prejudica a mensagem. Uma das razões por que Hayek é mais popular que o seu mentor é precisamente porque FAH sempre se colocou numa posição de maior humildade.
Qualquer ciência, qualquer disciplina de conhecimento tem os seus código, que aparenta ser sempre demasiado redutor para o observador exterior. Perde-se sempre com a síntese da palavra.
Em alguns casos, este empobrecimento é intencional (os casos da propaganda— o vulgar doublespeak orwelliano). Mas na maior parte das disciplinas do conhecimento, é um mal necessário ter de encapsular in a nutshell (eu sei que não é este o significado da expressão!) conceitos demasiado complexos.
Eu estou de boa-fé nesta discussão, mas devo avisar João que a questão do vocabulário não é de menor importância. Quando os austríacos falam de mercado, querem dizer sociedade, por exemplo. É um rol assustador de grandes conceitos que foram associados a palavras do dia-a-dia (estou a exagerar, obviamente).
Mas seria prudente não ir por aí, porque em parte nenhuma se nega a riqueza ou diversidade da experiência humana- pelo contrário, diria eu.
Não tenho competência para julgar das bondades técnicas da filosofia económica da EA, mas julgo que all in all é uma escola de pensamento muito interessante e humanista...
4. Por fim é preciso dizer que a introdução do artigo de Mises não é representativa do resto da obra. É um pouco panfletária e induz em erro. Nesse excerto, Mises apenas traça um contraste imediato entre a Economia compreendida pela Escola Austríaca e os modelos neo-clássicos à altura, não pretende caracterizar os fundamentos da EA...
Quanto às ciências sociais, não são consideradas científicas nem pouco mais ou menos, por não serem demonstráveis, falseáveis e assim em diante como convém a uma ciência natural.
Mas esta constatação não é pejorativa, porque os austríacos dizem o mesmo da Economia, rejeitando os ditos algoritmos e soluções determinísticas dos neo-clássicos. De facto, para a EA (com todos os seus shortcomings), o indivíduo não é um autómato racional ou estocástico...
5. Que eu tenha conhecimento, esse não foi um dos motivos de discórdia entre Hayek e Mises, mas sim um complemento explicativo. Chegaram a discordar, mas em questões bastante mais técnicas...
"cada coisa a seu tempo" - não nos falta tempo...
Um abraço,
AA,
ResponderEliminarTudo o que possamos dizer sobre o mundo e obviamente uma simplificacao Mas existem simplificacoes e simplificacoes. Eu sei que quando eles falam de mercado deve ler-se sociedade. Mas o problema e esse. A sua abordagem nao fala da sociedade, mas da sociedade a luz de uma teroria (com pressupostos sobre natureza humana, accao, subjectivismo, individualismo metodologico,...) que eu acho insustentavel. Eu sou um fenomenologista e antes de impor uma grelha de analise sobre a sociedade (que e o que eles fazem) eu parto da forma como nos a entendemos enquanto pessoas, com a linguagem humana que utilizamos, com as referencias que todos temos enquanto pessoas. As ciencias humanas fazem isto. Podes contestar a minha abordagem e eu faco o mesmo aos Austriacos. Mas enquanto a minha abordagem pode acomoda-los (em certos fenomenos limitados o que eles dizem faz abviamente todo o sentido) ela transcende-os e e mais abrangente. Eu acho que nao ha leis do comportamento nem da accao humana, eu acho...Porra eu achoo que eles estao enganados em tantas coisas que nem sei bem por onde comecar.
Um abraco,
Joao
O teu título é que está incorrecto (mas sem culpa, claro). É que enquanto o João se vai atirar de cabeça a este tema. eu vou insistir no problema que certa direita conservadora tem com certos costumes. A aguardar... e não são anjos. É mesmo sexualidade a valer :)
ResponderEliminarPS: quanto ao post, subscrevo o que o João disse, não negando que o Hayek seja mais "aberto". O que quer dizer que os "apóstolos" que o seguiram o terão misinterpret. Enfim, vamos conversando...
resta dizer que "as minhas interpretacoes" nao sao primeiramente coisas que eu faco (eu nao me torno em x por me reinterpretar desta ou daquela forma)mas algo que eu sou antes de fazer x ou y. E a minha interpretacao primordial e dada pelo contexto e pelas minhas relacoes com os outros (nao ha nada menos austriaco que isto...)
ResponderEliminarAbracos,
J
Caro João,
ResponderEliminarNão respondi totalmente à pergunta da ordem espontânea. Se bem que tenha sido Hayek a dar-lhe consistência técnica e a aplicar a teoria a uma variedade de instituições humanas, deve-se a Karl Menger, antecesssor de Mises, a primeira formulação "moderna" dessa teoria...