1. Em resposta ao post "Medieval", o jMAC respondeu, com autoridade:
ii. Como liberal, que defende o acesso do cidadão ao maior número de possibilidades de escolha com a mínima interferência do Estado não nutro nenhuma simpatia por qualquer destas figuras. Muito menos para o delírio moral com que algumas delas pretendem organizar a sociedade e por consequência a nossa vida e as nossas escolhas individuais que apenas e só a nós nos dizem respeito.
("medieval, ou a falta de urbanidade" no hARDbLOG)
Mas nos comentários ao meu post, o Lutz ("Quase em Português") comenta:
Não acho que o proprietário deve ter o direito de decidir sozinho como é a sua casa. Na medida em que esta se insere na paisagem (urbana ou natural), ele está a condicionar para além dos limites da sua propriedade o que não é seu.
2. É bom relembrar que as propostas que agora são apresentadas destinam-se alegadamente a promover a "melhoria do ambiente urbano" e "qualidade arquitectónica do que se constrói em Portugal". A contragosto, arquitectos e engenheiros assumem a cruz da responsabilidade técnica, em regime de concessão de exclusividade, para que possam defender o interesse público com todo o seu saber e poder corporativo. A qualidade advirá naturalmente do voto de confiança estatal?
É abusiva a delegação em grupos de interesse profissional de poderes do Estado, nomeadamente o poder de exercer coacção sobre a sociedade condicionando a liberdade profissional dos cidadãos. Não estando o Estado habilitado para julgar sobre "qualidade" técnica, objectivo declarado desta legislação, não deveria devolver esse juízo à sociedade em vez de o conceder a quem depende profissionalmente do mercado?
A montante, devemos questionar que direito tem o Estado de julgar e planear uma "qualidade" para o património edificado. É líquido que a propriedade pública— pertença de todos e paga por todos os contribuintes— deve obedecer a determinados requisitos mínimos de funcionalidade. Mas será lícito que o Estado, por motivos de "qualidade", interfira no usufruto do património privado?
Leituras a propósito: "O Direito de Propriedade do CN no Blogue da Causa Liberal; "Your Home is Your Cottage" no Ludwig von Mises Institute.
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