Segunda-feira, Novembro 21, 2005

água na fervura

4 Comentários:

Blogger Tiago Mendes contrapôs...

Caro AA,

Acho que esta citacao, tal como esta, sem mais contexto (incluindo a exclusao do autor), nao poe agua nenhuma na fervura - atira sim achas para a fogueira. O ponto que esta' aqui em causa sao as "vistas curtas" de certos economistas (e de muitos que nao o sao mas botam palavra a toda a hora) que tomam o mercado livre como um monstro sagrdo, numa forma religiosa que ultrapassa a maior beatice que possamos imaginar.

A frase citada de Hayek, tal como esta', nao contradiz a frase citada de Vargas LLosa.

Ou seja, e vais-me perdoar a ousadia, estas a recorrer a um argumento "ad hominem" - ao sacar do grande e unanime guru Hayek - para tentar parecer mais "moderado" (?), quando na realidade a frase transcrita esta' DE ACORDO com o pensamento de Vargas LLosa.

Nao podemos fazer apelos autoriais numa citacao. Uma citacao vale o que vale. OU entao nao vale a pena usa-la, e nesse caso punhas so' a foto do "monstro sagrado" que e' O Hayek para tantas hostes liberais... e assim diminuias a fogueira... ainda que sem usar argumentos "em si" mas apenas apeloas 'a autoridade.

http://criticanarede.com/subject.htm

7:53 PM  
Blogger Helder contrapôs...

A chave desta citação estah em "rough rules of thumb" que é coisa que o Liberalismo rejeita.

8:22 PM  
Blogger Tiago Mendes contrapôs...

Coisas mais importantes... if I may say so:

http://aforismos-e-afins.blogspot.com/2005/11/o-coming-out-um-conservador-liberal.html

12:07 AM  
Blogger AA contrapôs...

Caro Tiago,

Para dizer a verdade não vejo onde esta discussão está a ir.

A literatura liberal está repleta de obras que dizem que o liberalismos depende da cultura e das instituições, nunca ninguém o negou— muito menos o João Miranda ou o Henrique Raposo, que quanto a mim, só vieram a destacar esse mesmo fundamento liberal.

Aprecio muito esta frase do Hayek, precisamente porque aparece quase descontextualizada no Road to Serfdom. (podemos falar sobre isto depois)

Diz-nos que não há soluções fáceis e únicas, e que da mesma maneira que a comunidade (ou sociedade, ou seja lá o que queiram chamar) é falível, também é uma teoria liberal que pretenda ser sintética— tal como os totalitarismos que Hayek criticava.

É coisa que o liberalismo pela escola austríaca nunca pretendeu ser (sobre isto responderei no outro post). Sobre a minha anterior utilização desta frase, noutro contexto, ainda terei de responder.

Existem rules of thumb simplistas em alguns liberais, mas encontro-as mais depressa nas correntes liberais-sociais que defendem uma espécie de multiculturalismo negativo ("não discriminarás") como forma de conformar a sociedade que todos nós criamos, bem ou mal, com a nossa vida imperfeita (a "ordem espontânea").

Utilizei esta citação _precisamente_ porque vai ao encontro de Llosa, autor que muito gosto, e político que admiro (tão melhor estaria o Peru sem o Fujimori!).

Continuo a dizer que não há sentido as correntes liberais procurarem afastarem-se umas das outras, quando o objectivo devia ser combater todas as formas de socialismo agressor das liberdades individuais.

(sim, sim, linguagem maoista, mas que fazer...)

10:53 AM  

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