segunda-feira, dezembro 26, 2005

O Mau Gosto

Em tempo de Natal, o "Tratado que estabelece uma constituição para a Europa"— documento que não reconhece a herança judaico-cristã na identidade europeia— parece querer voltar à discussão.

("Europeus querem iniciar reflexão constitucional" - Diário de Notícias online, via Causa Nossa)

8 comentários:

  1. Não reconhece e ainda bem!

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  2. Do ponto de vista que seria um triste testemunho...

    ...é verdade que prefiro que seja bode expiatório, carregando para a morte os pecados, vícios e falácias intelectuais que presidiram à sua elaboração... já tenho um nome para o dito bode: Rousseau. Que tal? >)

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  3. Não acho que seja "mau gosto", aliás, é uma óptima estratégia de timming. nada melhor do que nestas alturas de uma religiosidade à flor da pele, do que trazer para o debate púbilco questões religiosas...

    «...é verdade que prefiro que seja bode expiatório, carregando para a morte os pecados, vícios e falácias intelectuais que presidiram à sua elaboração... já tenho um nome para o dito bode: Rousseau.» queres dizer... ???

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  4. Não sendo eu judeu ou cristão, essa identidade europeia não se me aplica? e a herança nazi, fascista e comunista? É pra lá pôr também? E não esquecer as invasões bárbaras e mouras? E o cozido à portuguesa! Quero tudo isso na identidade europeia. Pelo menos na minha identidade europeia!

    Pedro Veiga

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  5. Quero eu dizer que o "património cultural, religioso e humanista da Europa" que a Constituição para a Europa diz ser herdeira está muito longe daquele que eu gostaria de ver reflectido num eventual texto constitucional. Há um ímpeto cego em estabelecer uma "democracia totalitária" (centralizada) descrente nas suas próprias raízes e tradições...

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  6. O Pedro tem alguma razão, pelo exagero... A partir do momento que o ideário é racionalista, ou positivista, toda e qualquer herança cultural perde o sentido perante o "humanismo" e "iluminismo" deste projecto europeu. Onde param Kant e Hume, e Locke e Adam Smith e tantos outros, não sei...

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  7. Não sendo eu cristã ou judia, não posso deixar de reconhecer, embora com algumas reticencias, que a europa enquanto unidade politica teve por base uma unidade religiosa [estou a pensar em carlos magno]. é esse o minimo denominador comum. é básico, é um facto é realmente muito básico, e haverá outros factos que permitiram a concretização dessa unidade politica, mas este não deixa de ser um facto primordial...

    Agora é muito importante não considerar este facto, como algo que transforme a europa num clube exclusivista, e não a feche esquizofrenicamente sobre si mesma.

    «Há um ímpeto cego em estabelecer uma "democracia totalitária" (centralizada) descrente nas suas próprias raízes e tradições...» [???]

    posso estar completamente enganada, mas creio que não existiriam os Kant's, os Hume's,os Locke´s ou os Smith's que não tivesse existido primeiro uma "doutrina" moral judaico-cristã*...

    *a particular relevância que aqui dou à "doutrina" moral judaico-cristã, prende-se com o impacto que esta teve simultânea e continuamente em territórioss geograficos distantes [no ocidente], eu não encontro qualquer outro paralelismo noutras "doutrinas"....

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  8. Alaíde,

    Por motivos óbvios, não atribuo ao império carolíngeo o estabelecimento de uma cultura europeia comum, especialmente quando falamos da herança religiosa europeia.

    Esta estabeleceu-se fortemente, sim na Idade das Trevas, mas numa altura de anarquia política em que os poderes dos estados estavam mais enfraquecidos.

    Foi a "cola" que permitiu às antigas "marcas" romanas manter uma identidade comum que evoluiria para o edifício cultural que associamos à Ocidentalidade.

    Que se preze mais na "construção europeia" os ideias jacobinos, positivistas e construtivistas que eu maldosamente resumi em Rousseau, e que são tão fundamentais aos socialismos é preocupante.

    A Europa escolhe um novo obscurantismo racionalista (uma construção deliberada, esclarecida, absoluta!), em vez de se tornar uma verdadeira comunidade de indivíduos unidos por culturas diferentes mas tão comuns...

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