domingo, dezembro 11, 2005

Tecnocracia e cientismo

Pesa sobre o liberalismo a absurda acusação de cientismo (aplicação dos métodos das ciências físicas às ciências sociais), algo que é fundamentalmente rejeitado pelo pensamento liberal. O facto de se considerar que a realidade social e económica pode ser matematicamente modelável ("apesar das 'falhas' do mercado") leva a que se considere a possibilidade de uma calibração centralizada, fonte técnica de todos os socialismos— logo, de muitas políticas iliberais.

Esta metodologia foi levada às últimas consequências pelo Movimento Tecnocrata, que defendia uma economia optimamente planeada com base numa irrepreensível abordagem científica. Hoje em dia, parece uma visão distópica saída de um conto cyberpunk, uma vez que a ficção científica foi célere a associar tal eugenia económica a totalitarismos de base tecnológica, onde toda a liberdade individual seria suprimida em nome do bem comum.

Mas substitua-se "optimamente planeada" por "justamente planeada" e obtém-se o socialismo económico puro e duro, omnisciente e total, razão porque é tão grande o fascínio desta teoria junto dos movimentos políticos anti-capitalistas. É a mesma linguagem. As consequências trágicas do socialismo real infelizmente não pertencem à ficção.

A ausência de "fins sociais" do liberalismo e do capitalismo liberal foi desonestamente associada pelos socialistas à "tecnocracia" estatal, e a metodologia liberal com o cientismo que tem como consequência aquela visão odiosa e profundamente iliberal. São ideias-feitas, entre muitas outras, que têm de ser desmontadas com infinita paciência.

Technocracy had its inception in 1919 in New York City in an organization known as the Technical Alliance of North America. (...)

The primary aim of the Technical Alliance was to ascertain the possibility of applying the achievements of science to social and industrial affairs. With this in mind, they set about to make a survey of the energy and natural resources of the North American Continent -- all the territory included between the Panama Canal and the North Pole. In addition, they studied the industrial evolution that had taken place therein. They showed graphically the operating characteristics of the present industrial system with all its waste and inefficiency and worked out a tentative design of a completely coordinated system of production and distribution. Of course they always kept in mind their aim, which was to provide a better standard of living for the people living on the continental area with the least possible waste of non-renewable resources.

(Technocracy Inc.)

24 comentários:

  1. Actualmente continuamos com este problema.
    O controle da sociedade pelos economistas que escondem o seu desnorte por detrás de um sólido edifício matemático, leva que as politicas seguidas sejam apresentadas como as únicas possíveis.
    Ora, quando se apresenta uma política como a única possível, estamos em presença de uma ditadura.
    Sim, para quê votar e eleger representantes quando a única coisa que podem fazer é concordar com os economistas, únicos detentores da Solução?
    É que vivemos numa ditadura, uma ditadura impessoal, sem ditador, mas uma ditadura.
    Cavaco Silva, actual candidato à Presidência da República, em tempos apresentou a proposta de se formar um grupo de economistas de reconhecido valor que fixaria o valor do deficit e velaria para que ele não fosse ultrapassado.
    Esta proposta tinha, pelo menos, a vantagem de nos mostrar como já estamos longe da democracia...

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  2. Caro João,

    Apenas estou a dizer que a tecnocracia é tão anti-liberal como o socialismo real, e que ambas partem de uma base racionalista que o liberalismo teórico rejeita— a impossibilidade do socialismo podia estender-se à impossibilidade da tecnocracia.

    É verdade que falo em extremos, mas abordagem "algorítmica" da economia também foi mais ou menos assimilada por gerações de economistas que defendem intervenções mais ou menos extensas do Estado, justificadas pelas limitações dos seus modelos...

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  3. Caro o raio,

    Um Estado comandado por burocratas é iliberal. Delegar funções governativas em corpos independentes formados por sábios é meio caminho para o descrédito do Estado.

    Se há défice, o dinheiro em falta tem de vir de algum lado. Ou será compensado por impostos, ou por empréstimos (logo, impostos diferidos) ou políticas monetárias (impostos indirectos). Em última análise, pagam os contribuintes, e apanham por tabela porque a Economia ressente-se de gestões incompetentes das contas do Estado e não desenvolve espontaneamente o seu pleno potencial.

    A não ser em situações extremas (guerra por exemplo), não deveria haver défice ponto final. Em situações económicas difíceis não se percebe como é que se insiste que o Estado deve intervir e desequilibrar todo o sistema de preços essencial à retoma económica ("a política de Betão", "as Paixões", "o Plano Tecnológico")...

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  4. antónio, há uma coisa que eu não compreendo... não é a democracia, também, a delegação de poder? quanto maior a independência dos decisores, menor será a pressão por parte de grupos de interesse.

    claro que essa independência é também perigosa, pois pode levar à presecução de politicas ruinosas...

    mas dizer que isso é o caminho para o descredito do estado, eu considero um pouco excessivo...

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  5. Alaíde,

    Eu não estou a chamar "sábios" aos nossos governantes eleitos! :)

    Referi-me a "corpos independentes formados por sábios": entidades não sujeitas a controlo democrático, ao equilíbrio de poderes, ou às mais básicas noções de responsabilização, que exercem poder sobre a sociedade. Por exemplo, as Altas Autoridades para-tudo-e-mais-alguma-coisa, que são empregues pela sua alegada pureza científica e isenção. Tecnocracia.

    AA

    PS - Quanto à democracia representativa basear-se na delegação de poderes, estamos de acordo. Acontece que o Estado também assume poderes que não foram delegados pelos indivíduos porque estes não o têm numa sociedade liberal (tirar a uns para dar a outros, por exemplo), mas essa é outra discussão.

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  6. ok, compreendi um pouco melhor... agora onde ainda tenho dúvidas e te pergunto

    1. " é sempre melhor que todas as decisões sejam feitas por quem tem legitimidade democrática, independentemente o seu nível de conhecimento da matéria?"

    i)se sim, porquê?

    ii) se não, por quem deverão ser feitas as decisões, e qual a forma de "controlo"* dos decisores

    *controlo entendido aqui mais como um sistema de "peso e contra-peso" [o "checks and balance" do sistema americano]

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  7. Caro António,

    Fiquei um pouco surpreendido com o seguimento que deste, depois de ter lido o 1 parágrafo. Escrevi um post sobre esta perplexidade.

    http://aforismos-e-afins.blogspot.com/2005/12/liberalismo-cientismo-e-contradies.html

    Um abraço,

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  8. e ja agora eu publiquei dois posts sobre isto! Aparecam

    Abracos

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  9. Antonio,

    Parece-me que confundes duas concepcoes de cientismo. A primeira refere-se ao proprio metodo seguido por determinada corrente de pensamento; e a segunda, a forma como se aplica esse metodo a sociedade. Tu podes ser "hiper-cientistico" e defender o laissez faire. A escola Austriaca -na minha opiniao- faz isto, nao e' menos cientifica (de uma forma errada e simplista) por isso.

    Abracos,
    Joao

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  10. Alaíde,

    Essas são grandes questões do liberalismo clássico, e não há respostas directas.

    Não objecto a que os nossos representantes se valham de opiniões especializadas. Mas não concordo que essas opiniões possam constituir-se como um poder estruturado e não limitado.

    O problema não é das ditas entidades de sábios, mas de um Estado que delega os seus poderes em colégios "científicos" de interesses e vistas limitadas, que a quase ninguém respondem...

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  11. Caros Tiago e João,

    Já lá vou ver, agora tenho pouco tempo em mãos... :/

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  12. Caro João,

    Refiro-me a cientismo a pretensão de poder compreender a sociedade (aqui entendida no sentido lado, como um sistema expontâneo, descentralizado, caótico) pelos mesmos meios intelectuais que as ciências físicas— onde a truncagem e a síntese podem produzir resultados aceitáveis na previsão do comportamento dos sistemas modelados.

    O que se defende, sistematicamente é verdade, é que tal não é possível na Economia, tida como o universo de todos os nossos objectivos pessoais e colectivos. Que os esforços de análise e síntese podem reunir informação útil para a caracterização do sistema, é verdade, mas que são inficientes para agir sobre o mesmo de forma "científica" (obter os fins desejados). Ou melhor, que é possível fazê-lo eficazmente ("posso suprimir a pobreza num país"), mas não eficientemente (leva-se o país à falência, oops)...

    Penso que sobre esta concepção de cientismo podemos por uma pedra. O liberalismo rejeita-a.

    Agora, quais são as alternativas à abordagem "cientística-metodológica" — ser-se dogmático? arbitrário? aleatório? Se reduzirmos o "cientismo" a ser-se sistemático, muitos liberais terão todo o prazer em serem "cientísticos". Mas para isso já temos uma palavra >)

    Impõe-se perguntar onde peca a Escola Austríaca relativamente às outras. É mais cientista que as outras? Mais tecnocrata?

    Enquanto não for feita esta análise comparativa e sistemática, penso que a conversa pode ser sempre entendida como um ataque aos princípios da Economia como ciência social... ou mesmo ao liberalismo que a Escola Austríaca pretende justificar tecnicamente...

    Um abraço,

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  13. Antonio

    se ha coisa que eu tenho feito e' critiar a escola austriaca e seus cientismos. Ainda ontem publiquei uns posts sobre isso...

    Abracos,
    J

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  14. Nao achas que o Human Action do Mises e' revelador de uma pulsao que so pode ser inteligivel a luz da influencia das ciencias naturais (com suas leis, causas e coisas do genero). A maioria das ciencias sociais nao abordam os fenomenos dessa forma, pois consideram que falar de causas e' extrapolar o modelo nomologico das ciencias naturais para fenomenos que sao de outra natureza. Aristoteles dizia que as ciencias humanas eram ciencias morais, a escola hermeneutica-interpretativa concorda. O Mises vem com a historia do value-free. Eu nao sei o que e' uma ciencia social value free.

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  15. Caro João,

    Já li os teus posts, mas não tive tempo para digerir e disparar— daí que estas respostas também sejam telegráficas >)

    Eu não me posso pronunciar sobre o "Human Action" porque só li excertos... e francamente é obra de grande fôlego para passar por ela a correr...

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  16. Caro João,

    O problema de muita abordagem económica é precisamente não ter em conta que a mais importante causa dos fenómenos económicos é o indivíduo.

    É tratado como homo economicus, autómato padronizado destinado a produzir e consumir segundo padrões independentes dele próprio, que podem ser determinados e compreendidos analiticamente. No fundo, e simplificando, como um grave newtoniano. Há uma "lei natural" exógena que sobre ele age deterministicamente.

    Como a informação económica está dispersa, cada indivíduo sabe muito pouco. Considera-se pois que é ignorante, que o seu comportamento só pode ser irracional, e que as suas motivações nunca estarão em linha com critérios de eficiência inteligíveis.

    Diz-se que há funções de eficiência heurística que podem servir para equilibrar a sociedade e suprimir as falhas de mercado. No fundo, alterar a inclinação do plano inclinado, como se estes "graves", actuados por múltiplos vectores endógenos, não interagissem entre si, muitas vezes contrariando os comandos externos...

    Enfim, escuso repetir a lista das falácias económicas que fariam envergonhar Adam Smith e Bastiat. São aquelas conclusões que eu identifico como cientismos, não a sistematização com base científica que a abordagem liberal pode usar...

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  17. Antonio,

    Eu critico os austriacos por fazerem afirmacoes como "a causa dos fenomenos sociais e' o individuo". Afirmacoes causais deste genero nao escapam ao modelo das ciencias naturais. O que e' o individuo? Se o individuo e' o que e' apenas dentro de uma sociedade, como 'e que se pode dizer que entender e sociedade e as suas dinamicas devemos olhar para o individuo como uma causa. Ha uma co-dependencia: o individuo depende da sociedade e a sociedade depende do individuo. Os Marxistas previligiavam a segunda, os austriacos e demais atomismos dao primazia ao primeiro. Ambos seguem uma logica causal que eu rejeito. Apenas uma ciencia holistica que tenha em consideracao uma logica dialectica e historica entre os dois pode escapar aos reduccionismos que tanto Marxistas como Neoliberais invocam. Mas se escolhermos este caminho (que eu penso ser o unico razoavel) temos de abandonar a explicacao que recorre a causalidade e escolher explicacao atraves de interpretacao. Eu ja escrevi isto varias vezes, mas pelos vistos cai em saco roto.

    Abracos,
    Joao

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  18. Caro João,

    1. Bem dito. Se quiseres contestar ideias de quem vês que acomoda cientismos, tens de ser cruamente objectivo, como entendes ser os teus adversários intelectuais.

    2. Disse eu "a mais importante causa dos fenómenos económicos é o indivíduo", e claro que me referia em última análise.

    Conscientes das limitações dos modelos atomistas que muito bem referiste, os economistas austríacos desenvolveram— em conjunto com outras correntes científicas, sociais e filosóficas (aqui um dos mestres é Popper)— a teoria das ordens espontâneas para complementar as tais lacunas teóricas, sendo "a sociedade" provavelmente a mais interessante— por ser obviamente a fonte imediata da maior parte dos fenómenos sociais. [quando digo "imediata", é no sentido de Bastiat, não dou o braço a torcer >) ]

    O que liberais defendem é que a sociedade não tem princípios ou fins, ou dignidade ou moral, ou propósito ou objectivos próprios, apesar da sua incrível estruturação e imensa complexidade. Tal como outras "ordens espontâneas", não partiu nem obedece a um ou vários desígnios racionais, inteligíveis, reproduzíveis, modeláveis (e etc com os adjectivos).

    Mas em parte nenhuma se nega que é através da sociedade, das outras ordens espontâneas (o mercado, a linguagem, a lei, etc), e das organizações (diferem por serem intencionais e terem objectivos bem definidos) que se formam todos os fenómenos sociais que podemos observar, e todos os que pelas nossas limitações, não conseguimos constatar ou abarcar intelectualmente. Claro que é de bom senso afirmar "Ha uma co-dependencia: o individuo depende da sociedade e a sociedade depende do individuo.", com a tal ressalva: a sociedade não é integrável.

    3. Por outro lado, não é verdade que os austríacos recorram à causualidade indivíduo <-> fenómenos económicos (dito assim para compreender os sociais), precisamente porque há uma filtragem da sua acção pelas instituições humanas que não podemos inteiramente compreender.

    É óbvio que o indivíduo é uma fonte, mas o nexo de causualidade conforme entendido pelas ciências físicas (não gosto de "naturais", pois a natureza também é matematicamente caótica, apesar de algumas suas estruturas não o serem) não existe.

    Nas ciências físicas, quando existem tais nexos, é possível fazer um tratamento estatístico, e da parte reproduzir o todo com alguma fidelidade. Na Economia, segundo o pensamento austríaco, tal não é possível, porque a criação empresarial que dinamiza a Economia muitas vezes surge de "grupos" sem peso estatístico— daí os Planos Tecnológicos serem tamanho tributo estalinista...

    4. O método interpretativo é parte da bagagem intelectual da maior parte das teorias racionais, pode ter maior ou menor preponderância no pensamento de determinada escola. A Austríaca é eminentemente teórica, pelo que de facto não confia muito no dito método como forma de comprovar "hipóteses". O que austríacos rejeitam são os métodos historicistas ("aconteceu portanto é reproduzível em condições semelhantes"...)

    5. Sobre os holismos, mando uma acha para a fogueira (particulamente a secção "The Holistic Approach to the Social Sciences")... o que se diz é a abordagem que não é suficiente para formar uma "teoria do todo"— o que pode parecer um paradoxo >)

    Um abraço,

    António

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  19. Antonio,

    Espero que o Tiago Mendes nao leia isto, mas o artigo e' excelente e a perspectiva em relacao 'a accao esta muito proxima da que eu defendo. Uma perspectiva contextual, baseada em practicas e nao racionalista. Mas discordo profundamente de tres pontos:

    1-O Autor caracteriza holismos de forma errada

    2-Individualismo Metodologico

    Now, the specific subject of political philosophy is political life as a part of the totality of
    experience. Political life is described in the widest possible terms as life in society, in
    which ‘we become subject to those sweet and profitable laws of conduct which bring
    with them such conditions of life as will answer to our real needs and desires’.11 In other
    words, political life is understood in terms of the will ‘to live a good life’.12 Society is a
    moral relationship, ‘a union of minds, and its solidarity… is a solidarity of feeling,
    opinion and belief.’13
    The ultimate society is the state, the purpose of which is the good life. The state is a
    ‘cultural unit’14 and ‘culture’ is the end ‘a state sets before itself’.

    The ultimate society is the state, the purpose of which is the good life. The state is a
    ‘cultural unit’14 and ‘culture’ is the end ‘a state sets before itself’.15 This means that the
    state ‘possesses more than a mere unity of action; it must also have some degree of unity
    of purpose’.16 Oakeshott speaks about the state as a self-sufficient moral and cultural
    association and cites Burke, who sees in the state a ‘partnership’.17 The more an
    association is a real unity with a common tradition, memory and purpose, the more it is a
    state in the true meaning of the word.

    There is no real conflict between the state and the individual. ‘Individuality means
    finding our activity within a whole’.22 It is expressed in finding one’s own place within
    society and ‘only through his particular station and the faithful performance of its
    particular duties, can [man] take hold of this thing called “humanity

    Thus, to understand society is to understand it as a whole and to transcend the dualism of
    individual and society. It is to understand that in fact both constitute the totality called the
    state. This totality has its own purpose, which is to be a moral association, in other words
    to be a self-sufficient association of minds united in their common pursuit of the good life
    as they understand it. Oakeshott does not hide his scorn for contemporary critics of this
    holistic approach such as L.T. Hobhouse, and especially Harold Laski, whose ideas he
    twice dismisses as ‘nonsense’.

    3- Value Free

    "For, unlike history and science,
    which are value-free disciplines concerned merely with brute facts and offering only raw
    material, philosophy determines judgements aimed ‘at giving a final and real meaning to
    things by the discovery of their final and real content and value’" Oakeshott For Oakeshott the task of philosophy is to determine the purpose of each
    thing within the totality of experience and hence give the thing its meaning. Philosophy is
    theorising about values within experience. (aqui ele discorda profundamente dos Austriacos)

    A "ciencia" da accao humana e' interpretativa (hermeneutica) mas a hermeneutica e' por definicao anti-value-free

    Nos seus escritos posteriores Oakeshott abandonou o seu Hegelianismo e tornou-se muito mais individualista. Mas ser individualista nao e' o mesmo que ser um individualista metodologico nem defender perspectivas interpretativas value-free (isto e' impossivel)

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  20. Se defendermos que nao existem individuos,mas individuos-num-contexto o individualismo metodologico deixa de ser possivel, pois o contexto e' constitutivo da individualidade do sujeito. O texto que me recomendaste e' muito interessante mas falha na sua analise da Hermeneutica (esta nunca pode ser algo que siga o individualismo metodologico)e na defesa de approaches value-free

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  21. Caro João,

    Confesso-me out-of-my depth para discutir holismos e hermenêuticas... >)

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  22. Antonio,

    Ok. Mas da uma olhada ao meu comment que sao tudo citacoes de um artigo sobre Oakeshott.

    (agradeco o artigo do Mises Institute, do qual gostei bastante -como escrevi em cima )

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  23. Há aqui coisas que me fazem arrepios. Admito que a de Oakeshott possa ser uma análise ideologica e intelectualmente correcta, mas a minha visão de Estado não lhe dá latitude para promover activamente (ou se quisermos, positivamente) o bem-estar dos seus cidadãos...

    "The ultimate society is the state, the purpose of which is the good life. The state is a ‘cultural unit’ 14 and ‘culture’ is the end ‘a state sets before itself’. 15 This means that the state ‘possesses more than a mere unity of action; it must also have some degree of unity of purpose’. 16 Oakeshott speaks about the state as a self-sufficient moral and cultural association and cites Burke, who sees in the state a ‘partnership’."

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