segunda-feira, janeiro 31, 2005

Checks and balances

"Tribunais militares para julgar prisioneiros de Guantanamo considerados inconstitucionais", notícia do Público.

sábado, janeiro 29, 2005

Outrageous accent

Os sketches dos Monty Python no palco, em Francês, com legendas em Inglês (e porque não em Sueco?)

O independente

Há que criticar a falta de oportunidade do Ministro Bagão Félix por só agora vir repreender o presidente da Assembleia Geral da Caixa Geral de Depósitos nomeado pelo Governo como representante do Estado, Diogo Freitas do Amaral, numa altura em que o remoque ganha contornos político-eleitorais.

Freitas do Amaral não concordou com a transferência do fundo de pensões da CGD, e em vez de se demitir de funções, em rotura com a política da tutela, apresentou um parecer jurídico contra o Estado para os trabalhadores da Caixa, na condição de jurisconsulto independente, sem ver nisso conflito de interesses ou quebra de lealdade para com o seu empregador. Agora, retirada a confiança política, recusa demitir-se.

O conteúdo técnico "independente" do parecer tem de ser lido à luz da atitude militante do professor em favor do maior partido da oposição, demonstrada no artigo da Visão três dias depois, mas pensado duas semanas antes.

Só Freitas do Amaral não vê nesta manobra de oportunismo político qualquer incompatibilidade com noções de deontologia profissional, ética pessoal e carácter. Em relação a isso, também é independente.

sexta-feira, janeiro 28, 2005

25 de Abril Sempre

Manuel Alegre, obcecado com a ameaça de "um novo caudilhismo de fachada democrática", repete a eito os mesmos avisos (22/Jan, 27/Jan)...

Give the man a cracker!

Sem pasmo

Vasco Pulido Valente, no Público.

Visão de esguelha (2)

Não nos compete avaliar a bondade do programa do PS, que agrada a Freitas do Amaral, assim como agradará a muitos portugueses que votarão PS.

Freitas do Amaral diz-se centrista e independente, por necessidade reflexa de reafirmar a sua legitimidade política, capitalizar um passado com o qual já não se identifica, e reforçar a sua nova aposta eleitoral.

Contudo, não se lhe conhecem críticas a qualquer das propostas do PS, que tanto abrangem questões consensuais, como bandeiras de esquerda— por exemplo, a despenalização do aborto, numa visão muito diferente da que o professor defendeu ainda há poucos meses.

Deixou de ser centrista, neutral e independente quando protagonizou a mais renhida batalha presidencial entre esquerda e direita. E quando apareceu ao lado de Louçã, Odete Santos, Mário Soares. E apelou à maiorias absoluta do PSD, e agora defende o mesmo para o PS. Centrista mas pouco.

Diz que teve de escolher "com a cabeça" entre dois grandes partidos porque entende que uma maioria absoluta é a única saída para o país, e que o programa do PS é o melhor.

Não diz em quem votaria "com o coração", porque tal minaria a sua argumentação. Declarando-se "democrata-cristão (independente)", uma tendência que não é representada nem pelo PS nem pelo PSD, depreende-se que o apelo à bipolarização é contrário ao seu instinto e convicções partidárias— ou que não pratica o que professa.

Pede aos portugueses que tenham a coragem de não votar no partido em que acreditam... É pedir demais.

O novo tique (2)

...e o que acontece a todos aqueles que votaram nas últimas eleições presidenciais, ganharam o seu direito ao queixume, e depois desapontaram-se com Sampaio -- uns antes e outros depois? Queixam-se?

O novo tique

Freitas do Amaral apela ao voto com o argumento canónico "se não votas vais para o Inferno"— dizendo que quem não o fizer, "não poderá queixar-se de nada do que porventura acontecer de negativo nos próximos quatro anos na política portuguesa".

É duvidoso que esta opinião crie doutrina. Vem na linha do "não fizeste isto, logo não podes falar sobre aquilo".

Em democracia, a liberdade de expressão é um direito inalienável, que tem o seu corolário no direito do voto. O não exercício do também dever de voto é uma menoridade cívica, mas daí não advém qualquer perda de direitos constitucionais.

Esta afirmação só pode ser vista na lógica referendária de Freitas do Amaral, onde tudo se decide por umas centenas de votos— como em eleições presidenciais.

O "tudo ou nada" do bipartidarismo é uma negação da riqueza da democracia representativa. O resultado as eleições legislativas deve reflectir e congregar as muitas opiniões político-partidárias, e com isso ganha sempre a democracia, independentemente da abstenção e da obtenção ou não de maiorias parlamentares.

Exige-se da classe política seriedade e isenção, o que implica a disponibilidade para discutir e viabilizar reformas estruturais sérias e práticas. Neste momento, existem três partidos que podem assumir esse papel. Com maiorias absolutas ou simples, em coligações ou isoladamente, é isso que se pede. Trabalho.

Capitalismo ideal

Na prática capitalista ideal, segundo a perspectiva da majoração da mais-valia social, os produtos e serviços são vendidos pelo preço que o consumidor considera justo. Um leilão.

Visão de esguelha (1)

O artigo de opinião assinado por Diogo Freitas do Amaral na "Visão" é o mais emotivo e apaixonado apelo ao voto no Partido Socialista a vir a público por uma personalidade pública, neste período morno de pré-campanha.

Um apoio que "deixa um pouco tristes muitas pessoas que um dia acreditaram nele", mas que não as deixa indiferentes.

A "coerência" política não é um valor por si mesmo, dado que a sociedade evolui, sendo necessário que as pessoas e instituições evoluam e se adaptem com inteligência e dignidade.

O trajecto político de Freitas do Amaral é inequívoco. Já não se pode falar de uma aproximação à esquerda, mas de uma verdadeira identificação, um percurso feito com uma coragem notável.

Em termos de acção política, o professor já há muito que abandonou o campo centrista para defender ideias próximas do Soarismo, PCP ou Bloco de Esquerda. Em termos formais, a tendência comprova-se com o apelo à maioria do PSD nas últimas legislativas, e agora com o mesmo aplicado ao PS.

Tendo na sua bagagem a fundação do CDS, Freitas do Amaral é hoje um homem de esquerda, a defender um projecto de esquerda, de forma convicta e maniqueísta, como se exige de um convertido orfão das suas raizes políticas.

Pelas orelhas e pelos cabelos

O sector empresarial surge unido na exigência de medidas urgentes para melhorar a Economia portuguesa, pedindo que o Estado comece a funcionar em função das necessidades do país e dos portugueses. O maior puxão de orelhas aos Governos e à classe política de que há história.

Adenda 05/01/28: os "patrões" repetem a mensagem para que não haja dúvidas.

Bipolarismo

Por muito que se deseje a paz no Médio Oriente, é preciso admitir que as relações entre os responsáveis israelitas e palestinianos se pautam por uma grande alternância de emoções...

Antena 2

A "generalização" da Antena 2 levanta fundados receios que se deixe de ouvir música clássica na rádio em Portugal. Valha-nos a rádio pela Internet...

Entretanto, vale a cobertura da Folle Journée de Nantes...

O preservativo (2)

Ou como até as leis de Darwin tardam a chegar a Portugal.

Razzies

Os piores filmes de 2004.

Reminder

Pacheco Pereira relembra: "uma derrota do PSD é perder as eleições, não é impedir que o PS tenha maioria absoluta"

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Freitas do Amaral

O Professor Freitas do Amaral apela ao voto no PS? Fico mais descansado. Por uns tempos, pensei que ele fosse apelar ao voto no Bloco.

Assim já tem mais a ver. Sócrates e o PS sempre foram democratas cristãos e do centro...

Auschwitz

Através do Rua da Judiaria e do Crónicas Matinais, fui alertado para os 60 anos da libertação de Auschwitz.

חי, חי, חי, כן, אני עוד חי
זה השיר שסבא שר אתמול לאבא, והיום אני
אני עוד חי, חי, חי, עם ישראל חי
זה השיר שסבא שר אתמול לאבא, והיום אני

quarta-feira, janeiro 26, 2005

RTP e Serviço Público

No Causa Nossa, o Professor Vital Moreira (VM) diz que RTP está constitucionalmente obrigada a assegurar o pluralismo da opinião política que emite e a observar um princípio de imparcialidade. Segundo me recordo dos seus ensinamentos, VM considera que o serviço público de televisão é uma garantia institucional de um sector público de comunicação social. Esse tem sido o entendimento dominante na doutrina portuguesa e, quanto mim, esta má leitura do preceituado na CRP, bem como o preconceito injustificado e generalizado quanto à intervenção privada no exercício do serviço público, têm estado na base das sucessivas frustrações do exercício desse serviço público.

O que a CRP estipula é que o Estado tem de assegurar a existência e o funcionamento de um serviço público de rádio e de televisão. Não diz, em parte alguma, que tal serviço deve ser exercido através de uma empresa pública, muito menos pela RTP.

Qual é então o significado de uma Constituição prever, no capítulo dos direitos, liberdades e garantias, um serviço público de televisão? Quanto a mim, o estatuto constitucional do serviço público de televisão é de garantia institucional dos direitos fundamentais em geral, e da liberdade de radiotelevisão em particular e de restrição à liberdade empresa no sector da televisão. Como tal, tanto faz que o serviço público seja exercido pela RTP como pela SIC ou pela TVI.

Da má interpretação generalizada da CRP (no meu entender) resulta um regime jurídico do serviço público de televisão que tende a afastar-se do seu estatuto constitucional.

Em consequência, o legislador impôs aos operadores privados obrigações de programação semelhantes às impostas à concessionária de serviço público, conduzindo a uma verdadeira extensão material do conceito de serviço público, sem que a isso correspondesse a consagração de contrapartidas para os operadores privados semelhantes às da concessionária. O legislador construiu assim um sistema em que as funções da concessionária e dos operadores privados se misturam e se diluem umas nas outras, sem que ninguém preste verdadeiramente o serviço público.

Esta é uma discussão que daria pano para mangas. Espero voltar a ela em breve. Vale a pena igualmente ler este post do Gabriel Silva no Blasfémias.

RCCTE

O Regulamento das Características de Comportamento Técnico dos Edifícios (RCCTE) é porventura a peça de regulamentação técnica menos aplicada em Portugal. A consequência imediata é termos um parque edificado caracterizado por graves deficiências energéticas (aquecimento e arrefecimento).

Quem o conhece, sabe que a sua aplicação é difícil— é composto por numerosas folhas de cálculo com parâmetros de difícil quantificação técnica, com numerosas liberdades discricionárias.

Sendo aplicado "a todas as zonas independentes dos edifícios sujeitos a licenciamento no território nacional" (com excepções para edifícios abertos, e remodelações e recuperações), são numerosas as edificações novas, algumas assinadas por profissionais de renome, que o violam flagrantemente— qualquer edifício envidraçado, por exemplo.

Interessa que a nova abordagem seja prática. Carecerá sempre de mais acção fiscalizadora ao nível do projecto, em fase de licenciamento, e de mecanismos que permitam responsabilizar projectistas durante o período de garantia da obra.

O poster (2)

Sobre a notícia "Poster de Santana para pendurar nas juntas espanta e indigna vários autarcas", é a primeira vez que oiço chamar "espantalho" ao Primeiro-Ministro...

...mas dado que o poder local é uma área da política portuguesa não muito recomendável, como dizia o pai Soares, até pode ser um derradeiro serviço prestado ao país espantar um ou outro...

O poster

No meu tempo, vinham em cromos pequenos. Agora, vêm em tamanho poster.

Surra

Inspirados no movimento estudantil português, estudantes universitários guineenses ocuparam as instalações da Embaixada da Guiné em Moscovo e ameaçam "dar uma surra" ao embaixador, se as suas reinvidicações de receber bolsas em atraso não forem satisfeitas.

Em toda a Europa só se fizeram entender por nós, portugueses, povo lusófono irmão, a quem dedicaram um abraço especial "e em especial aos camaradas de S. Gião".

Paradoxo do Dia

Pelos vistos, o único debate em que José Sócrates vai participar será na 2:, num daqueles programas da sociedade civil que o PS tanto criticou e contra os quais se bateu.

Mais uma voz

O cérebro por detrás do Partido Socialista, António Vitorino, tem a honestidade de avançar com a constatação de um facto bem conhecido dos meios económicos: o modelo económico e social português está esgotado.

Longe de ser uma novidade, é inédito no discurso político dos partidos moderados (PSD, PS, CDS-PP), e sobretudo uma indicação de que o PS tem capacidade de assumir um papel sério, moderno e pragmático, à semelhança de outros partidos socialistas europeus.

Que haja, à direita, coragem política para assumir as mesmas causas. Esperar que esta réstea de esperança morra vítima do aparelho guterrista será um fracasso para todos nós.

Reflexões em tempo de regresso

Durante muito tempo se discutiu como os blogues estariam a roubar lugar à imprensa escrita (jornais) e poucos previram o que verdadeiramente se passou: a imprensa escrita, muito mais experiente, tende, com sucesso, a secar a blogosfera de qualidade.

Para tal, limitou-se a convidar os bloggers de referência a terem o seu espaço nos jornais e revistas. E a verdade é que, uma vez chegados à imprensa escrita, os bloggers tendem a espaçar os comentários nos seus blogues, de tal forma que só vale a pena passar por lá uma vez de quinze em quinze dias.

O Daniel Oliveira e a Carla Quevedo são, até agora, as excepções, talvez por ainda ser recente a sua adesão aos jornais, mas o restante panorama é desolador: Pedro Lomba, Pedro Mexia, Alberto Gonçalves, João Pereira Coutinho, Francisco José Viegas, Luciano Amaral e os Gatos Fedorentos (à sua medida) são alguns exemplos de deserção.

Eles foram verdadeiras referências para uma geração que aprendeu a gostar de pensar e opinar fora dos limites normais que a imprensa escrita tolera. Agora, estão do lado de lá. Já são dos outros. Para nós, os leitores de blogues, sobram meras frases de circunstância e pensamentos vagos. Já não há a mesma intensidade. Já não há a mesma proximidade e a mesma cumplicidade.

E assim a blogosfera se vai reduzindo.

Keep it straight and simple

Já foi formulada a pergunta do referendo europeu no Reino Unido.

terça-feira, janeiro 25, 2005

A vida é um jogo

A vida é um jogo para o Bloco de Esquerda, o jogo da idade da parva.

Entretanto, noutro jogo da Vida que o Bloco despudoradamente joga sempre que pode, Louçã diz que a expressão utilizada com Portas "não foi clara". "Voltaria a esclarecer melhor para que não houvesse qualquer ambiguidade". Por favor, senhor professor, ansiamos por essa conversa— em família.

Irreversíveis

Yushchenko promete tornar irreversíveis as reformas na Ucrânia.

Sugestão para uma campanha eleitoral cívica

No-name calling, uma ideia americana.

Maiorias...

PS, PSD e CDS pedem maioria absoluta. Em nome da estabilidade e de quatro anos de reformas.

Alguém já lhes explicou que o conceito de maioria absoluta desapareceu do dicionário político português desde que uma maioria absoluta foi…dissolvida?

O preservativo

Triste cena a aparente abertura da Igreja espanhola ao uso do preservativo para prevenção da transmissão do HIV (aqui, corrigida imediatamente aqui), quando o ênfase deveria ser posto sempre na preservação e celebração da vida.

Mas eu é que tenho razão

O Grande Fariseu Louçã responde hoje no Público às críticas sobre a sua posição no recente debate com Paulo Portas, que acusou de não ter direito a se pronunciar sobre o aborto por nunca ter gerado uma vida.

Sobre esta declaração, nenhum esclarecimento, restando a intoxicação habitual da opinião pública com espectros de perseguições policiais ao mais belo estilo fascista, e construções alucinadas de realidades fictícias onde é paladino invencível.

Sobre este tema, há que reler o artigo Graça Franco, pleno de bom senso e amargura. Em Portugal, é unânime que a lei tem de evoluir e adaptar-se segundo os valores e mentalidades, respeitando direitos cívicos e deveres morais.

Contudo, para algumas ideologias, a revolução niilista é a única solução "moderada". A pureza da ideologia não pode ser contestada.

Louçã diz ainda "O rosto, a escolha de modo de vida de cada pessoa, é, como sempre foi, estritamente do domínio do privado e não faz parte, em nenhuma circunstância, do debate político", em plena contradição com o seu innuendo de quinta-feira, e com as declarações dos seus correligionários, que acusam Paulo Portas de não constituir a "família tradicional" que defende. São visões diferentes de liberdade.

A destacar Vital Moreira: "não merece aplauso, pelo contrário,o ataque de Francisco Louçã (e do BE) a Paulo Portas com base numa presumida contradição (aliás, não especificada) entre a radical condenação que ele faz do aborto e a sua vida privada. A pretensa "superioridade moral de esquerda" pode passar por explorar as incoerências morais da direita, mas deve parar à porta da esfera da privacidade das pessoas."

Todos diferentes...

Em entrevista Público/Rádio Renascença, Marçal Grilo, diz:

Em termos de projectos, em termos de programas, em termos de grandes desígnios para o país em áreas como a política externa, a defesa, a economia, as diferenças são muito pequenas, mas até não haveria mal entre escolher entre uma secção e a outra. Onde está a perversão é que estes dois partidos foram tomados por interesses muito parecidos, interesses intermédios existentes na sociedade portuguesa.

Mais coisa, menos coisa, é o que dizem José Manuel Fernandes, Teresa de Sousa, Odete Santos. Preocupante.

Read my lips: no jobs for the girls!

Matilde Sousa Franco, cuja acção ou pensamento políticos ou sociais continuam a ser uma incógnita, só integra as listas do PS por Coimbra com vista a ser nomeada Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Cai por terra o argumento das mentes reles que alegavam haver aproveitamento político do PS pela morte do marido. Obviamente não há. Curiosamente o Provedor da SCML não precisa de ser deputado, eleito ou não.

Numa altura que se fala de nomeações "pós-Governo", as colocações "pré-Governo" começaram no Largo do Rato. Contudo, Sócrates diz que não revela um elenco ministerial pois isso seria arrogância. Louva-se o sentido de responsabilidade do líder socialista e dos putativos ministros: primeiro é necessário saber que boys já estão instalados.

Resposta à altura

Com o subtítulo "Sampaio responde a Santana", este artigo do Público despertava interesse.

Às críticas abertas de Santana Lopes, Sampaio responde "Não cabe ao Presidente da República, que chamou o povo português a eleições, ter nestas um qualquer papel activo e participante". Sampaio já só espera ser rendido.

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Picareta is back

O homem que mais fez por menos fazer em S. Bento avança: "É preciso evitar que a próxima década em Portugal seja marcada pela mediocridade e pelo obscurantismo, como já aconteceu em longos períodos da nossa história". Concordamos. Seis anos foram demais.

Harry (2)

É imaturo contrapor imediatamente ao Holocausto Nazi os horrores dos regimes comunistas (União Soviética, Europa de Leste, China, Coreia do Norte, Áfricas...). Todos sabemos que foram páginas negras na História da Humanidade, deturpações grotescas e cruéis do Estado e da sociedade, encarnações do Mal.

Contudo, é gritante que numa altura em que se relembra o genocídio que mais tocou a Europa, se esqueçam essas outras matanças.

Harry (1)

Na Alemanha, o partido da Extrema-Direita perturbou cerimónias de pesar pelo Holocausto Nazi. O Estado Alemão nada pode fazer legalmente contra o partido, pois as declarações polémicas foram feitas durante e ao abrigo de uma reunião da assembleia legislativa. Estas tristes cenas acrescentam ao embaraço de uma tentativa falhada de ilegalizar esse partido, há cinco anos.

Há que notar que passados 60 anos, há quem ainda glorifique o horror e irracionalidade nazi. E que passados 60 anos do fim de um dos piores regimes totalitaristas de sempre, se procure calar pela força verbalizações políticas profundamente abjectas e desumanas, mas contudo expressões legítimas nos regimes democráticos que venceram a Guerra.

Recentemente o príncipe Harry de Inglaterra, ao vestir um uniforme nazi numa festa, causou uma polémica pela Europa fora, e gerou mais uma investida puritana em proibir globalmente símbolos nazis, como se tal erradicasse as ideologias que os usam.

A suástica nazi, ou cruz gamada, hoje símbolo tão reconhecido como o yin-yang ou o símbolo do movimento hippie, foi outrora um símbolo de bons augúrios para os povos nórdicos, que o usavam decorativamente e não só, tal como os helénicos usavam as "gregas".

Tal era a sua expressão popular que figurava entre os muitos símbolos identificados por Baden-Powell, fundador do Movimento Escotista, representando a integração de diferentes culturas e mitologias. Hitler usou-o com o significado contrário.

Manda o bom senso que a cruz gamada nunca mais seja utilizada na política, mas o fervor talibanesco que se gera é antes de tudo antidemocrático, esquecendo que ideias se combatem no fórum político público e se erradicam pela vivência cívica, e não por métodos orwellianos de apagamentos selectivos da História.

Perigos ambientais

Um novo estudo lança o alerta (aqui no Público, aqui na BBC News).

Cigarradas

Enquanto uns fazem de "formiguinhas", outros persistem em atitudes de cigarras.

Santana Lopes, entre disparos em todas as atenções, ainda teve tempo de sacar da cartola uma parábola que cruza a incubadora com o puritanismo de Louçã, comparando o seu adversário ao menino a quem chamam nomes porque se recusa a jogar no recreio.

A propósito destes ataques pessoais, leia-se o de novo excelente artigo de Helena Matos.

José Sócrates procura o mínimo de exposição e debate. Rodeia-se dos capangas políticos de outras eras, aqueles que prometem largar em quem se mete com o partido, e que fazem o trabalho sujo de poluir a opinião pública com os remoques reles da baixa política. O Guterrismo vive.

Novo caudilhismo

O programa de governo do PS apresenta-se desprovido de exageros e choques tecnológicos, apresenta ideias do senso comum e foge das medidas resolutas necessárias para orientar o país, algo que caracteriza o género literário.

Manuel Alegre, entretanto, pede maioria absoluta e alerta para a instabilidade democrática, que segundo ele poderá abrir as portas para "um novo caudilhismo de fachada democrática".

Dado que é líquido que o Partido Socialista ganha as próximas eleições, pergunto-me quem será o caudilho de fachada democrática, caso não haja maioria absoluta...

domingo, janeiro 23, 2005

De promessas está o Inferno cheio

Estas eleições legislativas arriscam-se a ficar para a História pela torrente absurda de promessas desligadas de qualquer programa governativo provido de bom senso ou cabimento.

Como se já não fossem risíveis as propostas dos "grandes" de não aumentarem impostos, ou de não utilizarem receitas extraordinárias (promessas prontamente semi-desmentidas no notíciário do dia seguinte), vem agora o CDS-PP a comprometer-se estudar quixotescamente a candidatura de Lisboa aos Jogos Olímpicos de 2012, embora as cidades candidatas já estejam escolhidas pelo Comité Olímpico Internacional.

Governo sombra

Saúda-se a iniciativa do CDS-PP em apresentar um elenco ministerial, seguindo o modelo britânico, algo defendido por Paulo Portas já há mais de dez anos... mas infelizmente só concretizado em vésperas de eleições.

Esperemos que dê frutos em termos de organização de grupo parlamentar, e que os outros partidos possam seguir o exemplo.

sábado, janeiro 22, 2005

Atascalhanço

Quero começar por pedir desculpas aos leitores deste blogue por não ter direito a opinião sobre numerosos assuntos, e contudo obstinadamente o fazer. Sobre o Aborto, também deveria humildemente suprimir qualquer tipo de posição pessoal, pois também nunca gerei uma vida.

A tirada puritana da Francisco Louçã na SIC-Notícias levantou o véu sobre a intransigência idealista da esquerda radical que representa (como dizia JPH no Público, "Salazar sobrevive onde menos se espera"). Louça, livre de pecado, regozija-se pateticamente com a sua própria virtude de cruzado contra a "hipocrisia".

De entre os bloquitas, o meu respeito vai para Luís Januário, que não teve pejo em repudiar as afirmações do seu líder (ou "mais destacado dirigente", como queiram).

Interessante mas nem tanto

O Presidente da demitida Assembleia da República, que conheceu o seu fim pelos jornais, exaltou-se e depois se reconciliou com o Presidente da República, perdoando-lhe o "lapso" ao bom estilo de um folhetim desportivo, admite ser "muito interessante" uma candidatura presidencial.

Não pondo em questão a seriedade de Mota Amaral, e parafraseando a Ministra da Educação, tal não seria "interessante". Talvez o fosse para Guterres. Para o país, seria quanto muito um "número muito peculiar".

Arquitectura (2)

Nova notícia do Público: os arquitectos responsáveis pelo Pavilhão do Futuro terão pedido uma indemnização pela demolição do imóvel temporário, alegando direitos de autor, na quantia de 750 mil euros, e ainda se atiraram ao projecto de remodelação da edificação.

É pouco provável que estes actos mercenários tenham consequências disciplinares, conhecida a orientação técnica dos responsáveis da Ordem.

Arquitectura (1)

Com o título "Arquitectos Condenam Cidade Administrativa", o Público defende que a criação de um pólo ministerial em Chelas é errada.

Resume a posição dos arquitectos o Arq. Nuno Mateus: "A cidade que funciona melhor é a que tem mistura de funções, contínua e contraditória. É dessas cidades que gostamos".

Nada mais de acordo: as cidades querem-se diversas, estimulantes, dinâmicas. Para tal é necessário que haja zonas onde os usos se misturem. Mas também é necessário que zonas consolidadas de usos muito diferentes coexistam separadas -- habitação em altura ou de moradias, escritórios e serviços, comércio tradicional ou de grandes superfícies, indústria ligeira e pesada, equipamentos desportivos ou de lazer, parques de exposição permanentes ou temporários.

Nesta lógica, foram criadas as Cidades Universitárias, os Parques Industriais, os Parques de Empresas, as Cidades Administrativas.

Por uma questão de eficiência do Estado e redução da burocracia, era importante que este projecto, que já esteve previsto para numerosos locais, pudesse ser seriamente estudado, uma vez que é uma oportunidade de dar dignidade a Chelas, e revitalizar pequenos núcleos espalhados pela cidade.

Por uma vez, os arquitectos da nossa praça não defendem a descaracterização de uma zona da cidade com novas intervenções construtivas e urbanísticas. Pena que o façam precisamente onde a descaracterização mais era precisa. Sugira-se um concurso de ideias. Mudarão de opinião.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Contra Ventos e Marés

Em Arte de Marinheiro, chama-se a isso "navegar contra o tempo" e é uma maneira muito eficiente de mandar com a embarcação para o fundo...

terça-feira, janeiro 11, 2005

Pergunta do referendo europeu

Concorda que o novo Governo divida o país com novo referendo à despenalização do aborto, imediatamente após ter sido eleito?

Petróleo por dólares

Um relatório preliminar de uma auditoria interna a ONU denuncia irregularidades graves na condução do programa "Petróleo por Alimentos" no Iraque.

Este programa, quando foi passado nas Nações Unidas, foi considerado um instrumento interessante— agradava à indústria do petróleo, à comunidade diplomáticas, às sensibilidades humanitárias, e às facções sociais defensoras de recursos "Tobin" como forma de moralizar a geopolítica e economia global.

Milhões de dólares foram perdidos devido práticas ilegais das empresas contratadas e falta de recursos das entidades no terreno. É posta em causa a capacidade da ONU de levar projectos desta envergadura e importância. E sobretudo a sua vocação de ser um farol de esperança.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

às aranhas

O Arte da Fuga volta à actividade, depois de férias prolongadas.

A provar que a silly season já se extende de solstício a solstício, nada melhor que a notícia que o nosso Chefe de Estado, depois de mandar um Parlamento estável para casa, decidiu defender que o nosso sistema eleitoral deveria proporcionar mais maiorias parlamentares (e melhores, se bem interpreto a vontade do cidadão Sampaio).

Contudo, tal como Santana Lopes, já Jorge Sampaio deu mostras que não está à altura do cargo que ocupa. Esperemos que não se lembre de defender agora que as legislaturas são para cumprir até ao fim. Enfim, haja serenidade.

Como prelúdio, sexta-feira vejo o João Soares na SIC-N a atacar o Governo usando os pregões do BE, e a defender o camarada Sócrates e o seu projecto para o país— algo ninguém conhece porque dele ainda nada se ouviu. Nuno Melo chega tarde ao estúdio e oferece um triste espectáculo de falta de educação e de capacidade argumentativa.

A amena cavaqueira de Belém fica-se pelas amenidades intelectuais.

Salvou-se a noite com os zappings rápidos para programa dos "Ídolos". Algo no meu subconsciente ficou reconfortado.