quinta-feira, março 31, 2005

Já não se fabricam

Think Sexy

Ainda a bússola

Caro Pedro Sá,

Estamos de acordo: as perguntas do Political Compass são absurdamente americanizadas. Os issues são ocidentais e por nós partilhados— mas a formulação das perguntas está ferida dos "defeitos" atribuidos à discussão política do mainstream americano— maniqueísmo e falta de pluralidade. Tecnicamente, é um inquérito marcado pela falta de redundância, sensível à disposição de quem responde. Facilmente permite respostas impulsivas e irreflectidas— ou não fosse um valor americano ser-se outspoken por tudo e por nada...

Argumentei que não há razão para não ler directamente os resultados. Que Kerry, considerado um senador ultra-esquerdista, supostamente apoiado pelo Partido Comunista Americano, para muitos americanos a reincarnação de Estaline, aparece onde deve estar para nós— bem à direita da maioria dos políticos europeus. Para todos os americanos, ver Kerry tão próximo de Bush deve ser um insulto. Certamente todos devem achar que o Political Compass foi elaborado por perigosos académicos marxistas.

Paródia à parte, também discordo da sua leitura dos resultados das eleições. Não me parece que José Sócrates tenha feito bandeira eleitoral da sua oposição à privatização dos sistemas sociais. Pelo que percebo do Descrédito!, partilhamos a nossa falta de admiração pela falta de clareza com que Sócrates apresentou o seu programa eleitoral. Conceder-lhe-ia esse argumento se tivesse sido diferente a estratégia do Partido Socialista... mas nestas condições, não é um troféu eleitoral que possa ser reclamado, ou lamentado. A lamentar, sim, a falta de discussão sobre o assunto...

A moção de AJJ (2)

A moção que apresentará ao Conselho Nacional do PSD, redigida por Francisco Santos (outrora um dos mais promissores governantes de AJJ, hoje em dia no sector privado), é mais um documento inteligente sujeito à nossa análise.

A defesa de uma linha programática única, esteja o partido no Governo ou na oposição, e a coragem de trabalhar com os grupos políticos adversários já aqui foi defendida, em linhas que em má hora retirei deste post e esperava desenvolver mais tarde:

Os partidos precisam de ter uma atitude responsável e progressista face à política partidária. Em muitos aspectos, são a negação do conceito de eficiência (poderemos voltar a esta discussão). Pecam por tendenciosidade do observador: interpretam a realidade à lupa da sua ideologia, e com a mesma medida procuram corrigir os excessos encontrados. Em consequência, têm dificuldade em dizer que uma política de outrém está "bem" mas poderia estar "melhor". O pior é nem saberem explicá-lo.

Os apelos a um sistema menos estatizante, com menor carga fiscal e mais margem de manobra para o sector privado, é um imperativo nacional.

A possibilidade de refendar princípios constitucionais que impedem reformas políticas é uma questão de higiene política— obviamente observando todas as salvaguardas quanto aos direitos e garantias à dignidade dos cidadãos.

A questão dos círculos uninominais balanceados com um círculo nacional proporcional merece as nossas reservas ("Deputados limianos", " Revisão do sistema eleitoral"). Fica prometido que aí voltaremos.

A moção de AJJ (1)

Alberto João Jardim, cuja persona política a muitos fascina, é um caso raro na política portuguesa: um político do sistema que defende com absoluta sinceridade a reforma radical do mesmo. Ainda longe da sua reforma, AJJ desafia categorizações.

A sua formação política tem raízes na social-democracia de Sá Carneiro, inspirando a orientação social forte da sua governação. Garantiu para a Madeira invejáveis níveis de protecção social e de prestação de serviços (educação, saúde, segurança social, cultura), só possíveis pela regionalização de muitos serviços do Estado.

Juntou ao investimento público omnipresente uma cultura muito dinâmica de investimento privado, contudo excessivamente dependente da administração pública e do Governo Regional. Mas o capitalismo reflete-se na sociedade— do elevado poder de compra dos madeirenses, à praça financeira offshore.

Por isso, descreve-se a si próprio como o "político de direita que governa mais à esquerda em Portugal". O seu estilo de governação pode ser entendido como estatizante; após um quarto de século de poder, acaba por ser conservador sobre si mesmo. Contudo, o seu discurso é liberal, reformista e inventivo.

Há muito que defende que o sistema político está refém de conceitos ultrapassados, fruto de excessos do 25 de Abril vertidos para a Constituição, e que precisa de ser modernizado para que o país possa ser economica e socialmente competitivo.

A sua acção política nacional tem sido sempre orientada para a refundação (palavra hoje muito em voga) do Estado, pelo combate ao clientelismo, ao corporativismo, aos grupos de influência (sejam económicos, sindicais ou partidários)— sintomas não totalmente ausentes do microcosmos madeirense.

Revista Atlântico

Revista de Crítica e Debate, hoje com o Público, e todas as últimas quintas-feiras do mês.

Do destaque do Público:

"A Atlântico é a mais recente revista no panorama das publicações mensais portuguesas. Na declaração editorial que surge logo na primeira página pode-se ler que é uma revista que se pauta pelo inconformismo (combatendo a cultura dominante e o politicamente correcto), pelo confronto contra a mediocridade, a favor do talento e do mérito."

PSD-M leva moção de estratégia para revolucionar o partido

Segundo notícia do Diário de Notícias da Madeira, o PSD-Madeira prepara-se para levar uma moção de estratégia ao congresso nacional. Nas palavras de Francisco Santos, alguns destaques:

«Uma velha máxima que sempre defendi é o facto de não podermos ter um discurso no poder e outro na oposição. Temos que ter um princípio de coerência política que dê às pessoas a garantia de que, sejamos poder ou oposição, temos determinadas posições. Por exemplo, se amanhã houver um governo que não é nosso, mas que propõe um conjunto de soluções que se enquadram nos nossos princípios, vamos estar com eles»

«Se olharmos para os países que tiveram mais êxito na Europa, encontramos lógicas, ao nível dos sistema fiscal e económico, resultante de uma redução de impostos e incentivos à produção. É isso que defendemos»

No que diz respeito ao sistema político, uma das propostas mais polémicas é a adopção de um modelo eleitoral com círculos uninominais e um círculo nacional proporcional. Algo que poderá ir ao encontro das propostas do PS.

A moção do PSD defende a possibilidade de referendar a Constituição, abrindo a possibilidade de alteração de um conjunto de princípios, entre os quais o próprio sistema político.

O segundo melhor site da Internet

(a seguir ao Google)

StumbleUpon

quarta-feira, março 30, 2005

Save Betamax

- "Camping Out for the Grokster Case" (Wired News):

"Some observers consider this file-sharing case, which will determine whether Grokster and StreamCast Networks should be liable for the copyright infringement of their users, to be the most important copyright case since 1984's Sony Corp. of America v. Universal City Studios. Then, the court ruled 5-4 that Sony's Betamax videotape recorder was a legal device because it was capable of "substantial non-infringing uses." The ruling paved the way for the development of the thriving home video and DVD market."

- "Grokster in the dock for illegal downloads" (Times Online)

- "Court mulls file-sharing future" (BBC News)

Estes não têm nada que ver connosco

Fuga!

Chamem os justiceiros da parvoíce

Não me move nada contra o Descrédito! (segundo post consecutivo), mas a "Profecia Guterrista" é má demais para ser engolida como simples nonsense.

Estamos a mesmo a falar do "picareta falante", o homem da paixão pelo diálogo, o rei do pântano— para a liderança da ONU?

Mais próprio a reflexão, o post "Guterres, «candidato a candidato»" do Bloguitica.

Álgebra política

No Descrédito!, a propósito do editorial do Público, diz-se:

"José Manuel Fernandes bem tenta levar em diante o seu ultra-liberalismo. Esquece-se, porém, que o Political Compass está claramente virado para os valores e realidades norte-americanos..."

1. O Political Compass não está virado para os valores e realidades norte-americanos. Ou pelo menos de maneira que falsifique uma leitura directa. Se sobrepusermos ao gráfico as concepções que fazemos dos políticos europeus, e considerando o problema de escala, chegaremos à conclusão que Kerry, que tanto empolgou os nossos esquerdistas, não deverá ser mais esquerdista que Portas ou Aznar ou Chirac.

2. Se quisermos encaixar os nossos líderes de direita entre Bush e Kerry, ou mais para as vizinhanças de Kerry, temos de puxar a origem do gráfico mais para cima e para a direita— ou seja, admitir que a origem da Bússula Política estava sim do lado da "esquerda libertária" — valores considerados "mais europeus", em oposição ao que consideramos ser a direita autoritária norteamericana.

3. Se o gráfico estiver bem calibrado, o que diz a sondagem informal de JMF? Que o povo português é tendencialmente moderado de esquerda— algo que se comprovou nas eleições. Que o posicionamento político dos candidatos a secretário-geral do PS estava correcto.

4. Podemos continuar a insistir em dizer que o gráfico é americanizado. Enfim. Se o gráfico fosse "americano", Kerry estaria à esquerda, e não está. Mas pelos nossos padrões, está à direita, onde de facto aparece. Se o gráfico fosse "americano", os portugueses estariam na extrema-esquerda, não apenas no centro-esquerda.

5. Não perdendo de vista estas leituras, podemos admitir que a construção americana do Political Compass condicionou o referencial. Nos EUA, "leftist" é um palavrão. O que quer dizer que graças a este bias, a origem do gráfico foi colocada onde nos é familiar.

6. O que diz JMF e tanto irritou o Pedro Sá foi que os portugueses, pelo que se vê, são mais "libertarian" do que "authoritarian". Que a sociedade está mais sensível aos benefícios do liberalismo— o ideológico (explicando o abandono de posições radicais e a concentração no "centro"), e económico. Mas que "a cultura político-económica dominante é iliberal". Isto discutiremos amanhã.

PS - Se quiserem encontrar-me, procurem-me na companhia de Beethoven e Mahler.

Um investimento condenado ao fracasso

- Uma indústria de sucesso: "Portugueses emigram cada vez mais para o Reino Unido" (Público)

- O investimento corajoso: "Duas mil escolas do primeiro ciclo vão ter Inglês" (Portugal Diário)

- O balde de água fria— não há muita possibilidade de aumento das exportações: "Taxa de natalidade em Portugal caiu para metade em 40 anos" (Diário Digital)

Accountability... not.

A ler "Smoking but not inhaling" n' O Insurgente.

- "Questions Linger After Annan Cleared in Iraq Probe" (Reuters);
- "ONU: Kofi Annan assegura que vai continuar no cargo" (Diário Digital);

Entretanto Portugal junta-se a strange bedfellows:

- "Bush gives Annan cautious backing (BBC): "China and Portugal were also among the first countries to voice their satisfaction over the outcome of the inquiry."

♪ Sugestão

Camille Saint-Saëns

Concertos para piano 1-5

Jean-Philippe Collard
Royal Philharmonic Orchestra
André Previn

(clicar para ouvir)
(Concerto para piano nº5, 3º andamento "Molto allegro",
Sviatoslav Richter
)

terça-feira, março 29, 2005

Pois é...

CROMICES!

Einstein@Home

Milhares de pessoas por todo o mundo estão a contribuir em casa para procurar provas da existência de ondas gravitacionais, uma teoria de Einstein de 1916....

- notícia do Science Blog;
- notícia da American Physical Society;

- site do Ano Mundial da Física;
- site do Einstein@Home;
- site do SETI@Home, um projecto semelhante.

Não é só o ranho

Aparentemente também o cabelo tem propriedades surpreendentes...

ADENDA 2005/03/31 - Conclusões tiradas com mestria no Casa em Construção.

Clarificação (2)

Hoje parece claro que o PS não pretende monopolizar ou apoderar-se da a mensagem liberal, se é que podemos usar este chavão.

Nestas condições, mais depressa o PSD poderá enveredar por um caminho regenerador como o descrito no post anterior. A nova facção encabeçada por António Borges, mesmo que não venha a tomar a liderança, condicionará o partido a reassumir uma posição mais liberal, inclusivamente rejeitando as concessões "direitistas" feitas durante os anos de coligação governamental. Eu diria que neste país de conceitos trocados e preconceitos tramados, a noção de "direita" englobará o liberalismo emergente. Que seja.

O CDS poderá assumir o papel de seu contraponto humanizante e chamar-lhe "democracia-cristã". Ou assumir-se como um partido conservador, o que (compreendo) não agradará a muitos dos seus militantes. É um campo de oportunidades.

Pelo caminho, a bem da clareza e da eficiência da mensagem política, terão de ficar muitas ideologias que fizeram escola nestes partidos em mutação. A seu tempo, reclamar-se-á um retorno às origens. Mas por agora, este processo é urgente.

Fifty ways to leave your lover (9)

Liz Taylor.

(continuando a série que tinha ficado suspensa aqui)

Clarificação

No Arte de Opinar, Nuno Moreira de Almeida ("Social Democracia") repete muito pertinentemente o que é óbvio e incontornável: hoje em dia apenas o Partido Comunista não se afastou da génese que determinou o seu nome. Todos os restantes encontram-se presos a "tradições" (no dizer de VPV) que destoam das suas denominações. Sócrates professa a social-democracia; apesar da sua recente deriva populista, o PSD é um partido liberal; e apesar de todos os laivos de modernidade, o CDS-PP é um partido conservador.

No A Esquina do Rio, por outro lado, MC deu voz a muitos bloggers ("O papel dos independentes"): "E existe um número crescente de pessoas, entre as quais me incluo, interessadas pela actividade política e por políticas sectoriais, que prefere viver à margem dos partidos existentes e que por isso mesmo tem dificuldade em encontrar espaço de acção fora dos grupos organizados.".

Cabe-me não desperdiçar a deixa e provocar a primeira discórdia aqui no A Arte da Fuga. Numa série de artigos de fôlego, o AMN fez entender a sua visão sobre o passado distante e recente do CDS, e a sua visão para o futuro da direita portuguesa. Diz o Adolfo: "O CDS cumprirá a sua função histórica se procurar ser o partido dos sectores empreendedores da sociedade, da classe média que trabalha e faz o país crescer e dos jovens que se esforçam por atingir novos patamares de riqueza." e continua "O CDS tem, por isso, de ser um partido reformista e liberal, abandonando o conservadorismo excessivo e relegando a democracia-cristã para um plano secundário, como tem acontecido Europa fora."

Eu não diria melhor, se estivesse a falar do PPD. Tal como também diz o Adolfo, esta análise tem muito de egoísta. Entendo que tanto a democracia portuguesa como as as minhas convicções políticas seriam melhor servidas com dois partidos fortes, complementares e especializados— um liberal e outro democrata-cristão, do que dois all-in-one, sendo o CDS-PP um satélite do gigante laranja. Como é óbvio, entendo que a democracia-cristã não se esgota em nichos eleitorais— conservadores, marginais ou reaccionários—, podendo ser sustento ideológico de um partido de poder.

Os partidos da "direita" portuguesa não precisam de refundação, ou de reencontrar heranças e identidades perdidas. Esse é um problema dos militantes, da sua motivação psicológica, não do eleitorado. Precisam sim de superar a crise de representatividade e confiança que estabeleceram com os seus eleitores— origem da existência de tantos "independentes". É necessário que adoptem um espírito colaborativo, que se abram. Têm de recuperar a leitura das suas políticas, criando agendas próprias, bem assumidas e bem explicadas, e não apenas situacionismos ou doutrina de reacção aos demais partidos.

Salvem a desculpa mais antiga do mundo!

"Dentro em breve, chegar a uma pastelaria, restaurante, café ou bar, pode tornar-se um alívio para a dor de cabeça"

("Cafés e bares candidatam-se a venda de medicamentos", Diário Digital)

E para quando nas vending machines?

(a propósito do título: era gozo— não a salvem!)

Late night rants

1. A notícia que não houve novo tsunami. Delírio histérico televisivo. Houve um sismo. Não houve tsunami. Habituem-se. Botão de off. O vizinho lá teve de gramar os "brandemburgueses" de novo... sábado retribuirá com as sonatas de Beethoven, nisto tenho sorte...

2. O marketing selvagem da revista Dinheiro & Direitos da DECO— já não bastava os concursos do Reader's Digest e as viagens a Badajoz que oferecem um presunto e bibelots em porcelana pintada...

3. O marketing surreal do Holmes Place: "Vamos recebê-lo com uma dúzia de mimos e ajudar a mover os seus sentidos ao ritmo que eles precisam". Oiçam. Já bastou o Santana Lopes a fazer sofrer o povo com a sua campanha pirosa. Camaradas, metam a dúzia de mimos bem lá no fundo dos vossos cacifos.

4. O IRS. Que venha a flat rate e o liberalismo selvagem. Quero poder optar por regimes privados de Governo.

5. O Blogger. Don't die on me brother...

(se não estivesse o Lóbi a ouvir, estas linhas estariam a fumegar com tal palavreado que faria corar a Rititi.)

Há seis anos...

Era Domingo de Ramos e celebrou-se missa na Igreja de S. Francisco em Velha Goa, aquela a quem chamavam a Roma do Oriente...

segunda-feira, março 28, 2005

FUNCHAL: 32º38'N 16º58'W

Cumprimentos ao FUNCHAL: 32º38'N 16º58'W, um blogue do mundo com alma madeirense, uma companhia nestes dias forrados e distantes...

Guerra dos WC

Prometo solenemente não voltar a aludir à famosa casa de banho do Palácio da Ajuda, remodelada com o alto patrocínio do Ministro Manuel Maria Carrilho. O baixo nível acaba quando acabar este post.

Passemos um toalhete dourado sobre o assunto!

Dizia-se num blogue já extinto que Manuel Maria Carrilho tinha uma obcessão por suplantar Pedro Santana Lopes.

Discordo! PSL é que tem relativamente a Carrilho! E na guerra dos WC, Pedro Santana Lopes saiu-se bem melhor!

Deixo uns links úteis para inspiração do futuro edil da capital:

- "World's Best Bathrooms";

- "Top 10 Outrageous Bathrooms";

A Igreja e o PREC

Tem-se falado alguma coisa sobre a Igreja Católica e o sistema partidário português, nomeadamente no período do PREC[1]. Gostaria de me debruçar um pouco sobre esse tema, nomeadamente porque se insiste em reduzir a Igreja Católica à tentativa de forçar o voto na direita quando, na minha opinião, o que a Igreja acabou por proporcionar foi a difusão dos católicos pelos vários partidos democráticos, por forma a estar sempre presente nos diversos cenários políticos.

Em Nota Pastoral publicada logo no dia 4 de Maio de 1974[2], os bispos portugueses advertem a comunidade portuguesa que a Igreja era uma organização isenta e independente e que, como tal, não aceitaria a reivindicação da autoridade da Igreja por parte de nenhum movimento político. Este foi o primeiro sinal, de vários outros que seriam dados pela Igreja, no sentido de que esta se iria abster de fomentar um partido, confessional ou não, que albergasse os católicos portugueses, sob a égide da democracia cristã.

Demasiadamente comprometida com o anterior Regime, e consciente de que partilhava esse comprometimento com grande parte da comunidade católica[3], o período revolucionário que se iniciava não era propício à formação, pelo menos com base e com apoio da Igreja, de um partido democrata cristão como fora tradição em muitos países europeus.

Ainda que as democracias cristãs tivessem surgido como compromissos entre os totalitarismos de esquerda e os totalitarismos de direita, e ainda que em Portugal se colocasse a possibilidade de se caminhar para um totalitarismo de esquerda, o certo é que grande parte da comunidade católica estivera comprometida com o regime deposto, e à Igreja Católica de então não poderia parecer conveniente apostar nessa comunidade para a formação de um partido político, ainda que não confessional, sob pena de o mesmo ser varrido do sistema político português, com a agravante de com ele se arrastar a própria Igreja.

É neste espírito que surge a “Carta Pastoral sobre o Contributo dos Cristãos para a Vida Social e Política”[4], datada de 16 de Julho de 1974, e na qual a Igreja volta a reafirmar que nenhum partido político poderia arrogar-se o direito de invocar a autoridade da Igreja Católica. Mais do que isso, a Igreja vai incitar à filiação dos católicos em vários partidos, pois que nem todos os socialismos estavam dominados por ideologias inaceitáveis para um cristão.

O que a Igreja Católica vai precisamente legitimar é o voto livre dos católicos portugueses em partidos socialistas, desde que estes procedessem à defesa de valores cristãos. A Igreja não quer, pois, comprometer os votos dos católicos portugueses num partido ou numa ideologia, alargando o leque de possibilidades e alternativas, e, até, incitando-os a isso.

Dessa liberdade de escolha vão dando conta os vários movimentos católicos, em vários comunicados e tomadas de posição, que testemunham o assentimento dos católicos portugueses, progressistas ou não, à mensagem que lhes era transmitida pela hierarquia da Igreja[5], havendo mesmo quem alinhasse expressamente críticas à invocação da doutrina democrata cristã[6].

Como já se adivinhava pela forma como (não) estavam organizados os católicos progressistas, não existiu, da parte destes, um êxodo maciço para nenhum partido específico. A maior parte destes optou pelo Partido Socialista ou pelo Partido Popular Democrático, mas outros houve que seguiram caminhos tão díspares como o Partido Comunista Português, o Movimento da Esquerda Socialista, o Partido do Centro Democrático Social ou mesmo o Partido Popular Monárquico.

Tal como acontecera com o período do Estado Novo, os católicos progressistas não enveredaram pela formação de uma verdadeira alternativa política, quer porque a sua ideologia política era heterogénea, quer porque o ambiente político vivido após a revolução a isso não aconselhava, ou ainda por que da hierarquia da Igreja, ou de algumas figuras destacadas da mesma, como D. António Ferreira Gomes, não partiu qualquer iniciativa relevante nesse sentido.
--

[1] Acerca das reacções da Igreja Católica à revolução de Abril, vale muito a pena ler MANUEL BRAGA DA CRUZ, A Igreja na Transição Democrática, in Lusitania Sacra, VOL. VIII/IX, Lisboa, 1996/1997, pág. 523 e ss, ANTÓNIO TEIXEIRA FERNANDES, Relações entre a Igreja e o Estado – no Estado Novo e no pós 25 de Abril de 1974, Porto, 2001, e para uma sucinta, ainda que completa, cronologia das reacções da Igreja Católica à revolução, organizada pelos Cristãos em Reflexão Permanente, CERP, Perguntas à Nossa Igreja - Igreja e Política do 25 de Abril ao 25 de Novembro, Lisboa, 1976.
[2] CONFERÊNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA, Documentos Pastorais (1967-1977), Lisboa, 1978, pág. 130.
[3] Veja-se o discurso de Nuno Teotónio Pereira, no dia 1 de Maio de 1974, em nome dos “católicos progressistas”, cujo rótulo explicou ter sido determinante para os distinguir da hierarquia católica tradicional, que fora um elemento da repressão que esmagou os portugueses, CERP, Textos Cristãos - 25 de Abril, Novembro 25, Lisboa, 1977, pág. 5.
[4] CONFERÊNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA, Documentos …, pág. 132.
[5] Por exemplo, na segunda Assembleia Livre de Cristãos, ocorrida no dia 7 de Maio de 1974, e na qual participaram cerca de trezentas pessoas, entre padres e leigos e entre católicos ditos progressistas e não progressistas, foi aprovada uma moção na qual se rejeitou a designação de partido cristão ou católico de cristãos, ou católicos progressistas para representar um partido político, ou mesmo uma tendência dentro de um partido político. Conclusões semelhantes tiveram a Terceira Assembleia Livre de Cristãos do Porto reunida em 10 de Maio de 1974, o comunicado das Liga Operária Católica/Liga Operária Católica Feminina e Juventude Operária Católica/Juventude Operária Católica Feminina de 1 de Maio de 1974, o Comunicado do Conselho Presbiterial do Patriarcado de 9 de Maio de 1974, o Comunicado dos Padres da Cova da Beira, de 14 de Maio de 1974, o Comunicado da Assembleia Magna dos Párocos do Porto, da mesma data, entre muitos outros, todos citados em CERP, Textos Cristãos - 25 de Abril, ….
[6] Caso da Assembleia Magna dos Párocos do Porto, reunida em 14 de Maio de 1974, CERP, Textos Cristãos - 25 de Abril, …, pág. 46 e ss.

Rain

Não querendo plagiar you-know-who:
Rain, feel it on my finger tips
Hear it on my window pane
Your love's coming down like
Rain, wash away my sorrow
Take away my pain
Your love's coming down like rain


(Acrescentar (bis) e :|| e ||: à vontade)

sábado, março 26, 2005

Ainda os cocktails

Há um ano, o Bloco de Esquerda propunha que as discotecas e estabelecimentos de diversão nocturna com capacidade superior a 200 lugares tivessem locais e equipamentos para testar a qualidade das pastilhas de ecstasy, certificados pelo Ministério da Saúde— dado que admitiam que a substância (MDMA), mesmo quando não alterada, tratava-se de uma droga sintética perigosa.

"Isto sim é ter razão antes do tempo", diz o Barnabé — o Bloco tinha razão: as drogas são perigosas!

Ficámos todos a ganhar: o Bloco porque tinha "razão"; e o país reponsável por não ter caído na esparrela de andar a "certificar" drunfos. A constatação dos efeitos perniciosos dos cocktails das drogas falará mais alto que todas as liberalizações e campanhas de educação "toma-lá-o-speed-mas-não-abuses".

Charles Darwin nomeado barman do ano

'Cocktail' de estimulantes está a deixar jovens impotentes

Penha de Águia, Madeira

Quando era pequeno, considerava esta a paisagem mais bonita da Madeira:

(vista de Nascente - Porto da Cruz)

(vista de Poente - Faial)

sexta-feira, março 25, 2005

Cartão de Visita

 
By appointment to
His Majesty The Minister of Culture of Portugal,
Manuel Maria Carrilho
Purveyors of Fine Goods,
Associação Nacional dos Industriais de Casas de Banho do Distrito de Lisboa, Portugal


A Associação dos Industriais de Casa de Banho do Distrito de Lisboa deseja

BOA PÁSCOA

ao futuro presidente da Câmara Municipal de Lisboa
 

quinta-feira, março 24, 2005

Deputados limianos

Sempre que se fala de reforma do sistema político, surge a questão dos círculos uninominais. Há quem defenda que estes permitirão aproximar os eleitores e eleitos, como se isso fosse garantia de melhor trabalho em prol do país.

Não tenho dúvidas de que os eleitores poderão estabelecer uma maior relação com o seu deputado local: podem exigir, reivindicar e pressionar de forma directa o seu deputado que, para ser reeleito, terá que corresponder positivamente a todas essas solicitações.

Mas essas pressões directas preocupam-me, porque são necessária e legitimamente egoístas. E se assim são, e se o deputado tem que fazer de tudo para as satisfazer, poderemos estar perante uma Assembleia que mais não é do que uma federação de delegados regionais, cada qual lutando pelo seu quinhão sem a obrigação de pensarem e tratarem do conjunto.

Os círculos uninominais vão banalizar o episódio do orçamento limiano. E não vai ser só o orçamento que vai ter de ser decidido a retalho. É tudo o resto.

Depois, a eleição de apenas um deputado por região vai tornar a caça ao voto muito mais exigente. Não basta ser o terceiro ou o quarto partido mais votado. É necessário ser o partido com mais votos. Como conseguir isso? Provavelmente apresentando os candidatos mais populares: desde a estrela da rádio local, ao presidente do clube de futebol da zona, passando pelo construtor civil ou pelo provedor da misericórdia.

Para haver proximidade entre eleitores e eleitos é necessário apenas e só que sejam eleitos bons deputados. Deputados que saibam cumprir a sua função e que tenham consciência dos seus deveres eleitorais. É nisso que devemos apostar. Obrigar os partidos a apresentar os caciques locais não será, penso eu, o melhor passo para chegar lá.

Coisa diferente será a reorganização dos círculos eleitorais que temos. Mas isso é outra questão, que ficará para outro post.

À atenção dos paladinos do contraditório

O professor Marcelo Rebelo de Sousa, em plena operação de condicionamento da agenda política:

- "Marcelo recusa-se a dizer «nunca» às presidenciais" (Portugal Diário);
- "Aborto: Marcelo Rebelo de Sousa fará campanha pelo «não» (Diário Digital);
- "PSD: Marcelo dá vitória de Marques Mendes como certa" (Diário Digital);
- "Marcelo considera co-incineração «teimosia sem fundamento»" (Diário Digital);

Tudo notícias de hoje. Como já se sabe, neste país só o Mário Soares ou o Francisco Louçã podem ter tanto destaque na Comunicação Social. Puna-se o insolente professor.

Mind Maps


Rede da Greenpeace.org
(clique para aumentar)
Os mind maps são um conceito extremamente interessante para quem se interessa pela organização do pensamento— na teoria e na prática.

Este assunto merece uma série de posts mais elaborados, mas deixo aqui uns links interessantes:

- rede simplificada do "A Arte da Fuga" (diminuir o zoom na barra em cima, clicar duas vezes em qualquer link), elaborada pelo Technorati Touchgraph do Hublog (precisa de JRE Java 1.3+ ou superior);

- GoogleBrowser da TouchGraphLLC;

- tour do Personal Brain (flash, a intro é um pouco barulhenta) da TheBrain;

Calendários referendários (2)

Nestas circunstâncias, e considerando que o Governo PS ainda quererá "ganhar o referendo", pode concluir-se:

1. O Governo prepara-se para referendar o aborto no Verão, em vez de o fazer simultaneamente com eleições, tal como propôs à discussão política;

2. É portanto uma manobra de encher a agenda política...

3. ...e de afastar o referendo de Guterres e da sua candidatura as Presidência da República;

4. O Governo marcará a data de referendo mandando às urtigas a oposição. Havendo oposição, nem a data nem a pergunta serão negociadas.

5. Da mesma maneira que o Governo pode impor um referendo à sua medida, poderia passar as alterações legislativas no parlamento;

6. O Governo entende o referendo com uma formalidade;

7. Não serão tiradas conclusões das previsíveis elevadas taxas de abstenção;

8. Ganhando o "sim", provavelmente assistiremos à proposta legislativa de tornar os referendos sempre vinculativos, uma legitimação moral a posteri, e uma inversão toda a lógica do processo.

Chama-se a isto desvirtuar a via referendária.

Calendários referendários

Há um mês atrás, dizia o Público: "Sócrates não quer referendo sobre aborto no Verão":

"O futuro Governo PS pretende obter a vitória do "sim" - "Queremos fazer um referendo para o ganharmos", afirmou -, mas a hipótese de o realizar em Junho ou no início de Julho (a marcação do referendo está condicionada pelas eleições autárquicas e pelas presidenciais) parece não agradar aos socialistas. Isto porque, argumentou Sócrates: "Não me parece bem fazê-lo num mês de Verão, quando muitas pessoas estão de férias.""

Hoje noticia-se o contrário ("Referendo ao aborto provável a 26 de Junho", DN.pt):

"A convocação do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez (IVG) para 26 de Junho permitiria a Jorge Sampaio resolver a questão ainda na vigência do seu último ano de mandato. Se ultrapassar esta data, e em ano de eleições autárquicas, a consulta seria atirada para 2006. Já com novo Chefe do Estado em Belém."

Os limites da vontade reformista do Estado

Start with a cage containing five monkeys. Inside the cage, hang a banana on a string and place a set of stairs under it. Before long, a monkey will go to the stairs and start to climb towards the banana. As soon as he touches the stairs, spray all of the other monkeys with cold water. After a while, another monkey makes an attempt with the same result - all the other monkeys are sprayed with cold water. Pretty soon, when another monkey tries to climb the stairs, the other monkeys will try to prevent it.

Now, put away the cold water. Remove one monkey from the cage and replace it with a new one. The new monkey sees the banana and wants to climb the stairs. To his surprise and horror, all of the other monkeys attack him. After another attempt and attack, he knows that if he tries to climb the stairs, he will be assaulted.

Next, remove another of the original five monkeys and replace it with a new one. The newcomer goes to the stairs and is attacked. The previous newcomer takes part in the punishment with enthusiasm! Likewise, replace a third original monkey with a new one, then a fourth, then the fifth.

Every time the newest monkey takes to the stairs, he is attacked. Most of the monkeys that are beating him have no idea why they were not permitted to climb the stairs or why they are participating in the beating of the newest monkey.

After replacing all the original monkeys, none of the remaining monkeys have ever been sprayed with cold water. Nevertheless, no monkey ever again approaches the stairs to try for the banana.

Why not?

Because as far as they know that's the way it's always been done around here.

Kim Jong-Il deve escutar comunidade internacional, diz Bush

Nunca se sabe quando é que a comunidade internacional estará interessada em vender mais umas armas a um regime totalitário e expansionista...

(da notícia do Diário Digital)

Atentos aos sinais

"Daniel Sanches avisou António Costa sobre adjudicação feita depois das eleições" (Público)

Um silêncio profundo caíu sobre a blogosfera que ontem se indignou com a primeira página do Público. No jornal, a reposição da verdade mereceu uma coluna lateral numa página secundária. A pulhice afinal era uma diligência pragmática, responsável e abertamente passada aos novos governantes. Uma chatice, um pormenor.

O aviso de JPP é para ser levado a sério. A comunicação social reencontra o aparelho socialista. A troca de fluidos começou.

O estado de graça não basta. Para perpetuar a beatitude e o unanimismo, é preciso envenenar o espírito crítico de quem duvida ou discorda. Cada vez mais seremos confrontados com "notícias que permitem desmentidos", com semi-verdades vertidas dos ministérios, contadas com malícia. A boa insinuação à casa torna.

A ler sobre este assunto, o Nortadas e o Desesperada Esperança.

Festa da Música - o plano perfeito e exequível

Sem sobreposições de horários, este era um programa possível:

Estátua de Beethoven,
Universidade de Bona
(clique para aumentar)
- Sinfonias Nº3, Nº5, Nº6, Nº7, Nº9;
- Concertos: Piano (todos); Violino; Triplo;
- Fantasia para piano e orquestra;
- Missa Solene;
- Missa em Dó Maior;
- Oratório "Cristo no Monte das Oliveiras";
- Abertura Prometeu;
- Septeto op.20;
- Quartetos de cordas Nº2, Nº11, Nº12, Nº16;
- Grande Fuga op.133;
- Sonata para piano Nº23, Nº31;
- Variações para piano "Eroica", "God Save the King";
- Fantasia em sol menor para piano;
- (Weber) Quinteto para clarinete e cordas op.31

Festa da Música - a programação

A organização da Festa da Música está de parabéns pelo programa deste ano!

Postal de Beethoven
(clique para aumentar)

Não obstante, ficam os meus protestos pelas seguintes falhas evidentes:

- coincidência entre o concerto para violino com Dumay e as transcrições da Nona para dois pianos por Liszt com Berezovsky e Engerer;

- coincidência entre a Fantasia op.80 e as variações Diabelli com Berezovsky;

- não programação dos romances para violino e orquestra op.40 e op.50.

- não programação das aberturas Leonora, Fidelio, Ruínas de Atenas, Consagração da Casa.

Por fim, a organização poderia forner online o PDF da programação, tal como fez a Folle Journée...

Festa da Música - update


Beethoven, por Andy Warhol
(clique para aumentar)
Actualização informativa dos esforços do A Arte da Fuga para estar presente na edição deste ano da Festa da Música:

- O CDS-PP não gosta de Beethoven: realiza o congresso nesse fim de semana— fica um único elemento deste blogue disponível para o festival;

- ontem à hora do almoço, no CCB, a fila ia das bilheteiras, saía para a rua e encostadinha ao edifício só acabava ao princípio da rampa do lado dos Jerónimos— o trabalho não perdoa, os bilhetes seriam comprados na Valentim de Carvalho das Amoreiras...

- por escassez de bilhetes na loja, e porque hoje abalo para a minha insular terra e não tenho tempo para bichas, fui obrigado a reduzir o meu plano megalómano de três dias de overdose para um mísero sábado.

Le boulot c'est exténuant!

A propósito do aumento do horário de trabalho em França, das actuais 35 horas semanais para a semana de 39 horas, um artigo da Forbes.com:

"Ranked by "competitiveness," France fares poorly, as ranked by a World Economic Forum survey. France places 27th, behind Chile, Spain, Belgium, Portugal and Luxembourg. But the even lazier Norwegians and Dutch rank 6th and 12th respectively. Korea places two rungs below France. "

A ler

"O Plenário dos Servidores dos Utentes" no Jaquinzinhos.

-"(In) segurança." no Faccioso;
-"Homicidas" no Santos da Casa;

-"Jesus, o Judeu: Dois livros a não perder" no Rua da Judiaria;
-"A caminho da Eurabia" no Opus Nigrum
-"Eurabia" da Wikipédia;

quarta-feira, março 23, 2005

"Combate à evasão fiscal"

"A MacGuffin (sometimes spelt McGuffin or Magoffin) is a plot device that holds no meaning or purpose of its own except to motivate the characters and advance the story."

(comentário ao post "Santo Graal" do Tempestade Cerebral)

Spam

Mais uma ferramenta anti-spam, desta vez para administradores de sistemas: FairUCE ("IBM takes aim at spam", ZDNet UK).

Some reports have suggested that FairUCE sends spam back to the sender.

"That's not actually right," said Steve Linford, director of antispam lobbyist Spamhaus. "It isn't sending anything back to spammers. You can't fight abuse with abuse, and that's not what IBM is doing."


O Diário Digital não percebeu nada da notícia: "IBM desenvolve ferramenta que reenvia spam para remetente".

Nota final e para não maçar mais os leitores: "Bad e-mail habits sustains spam" (BBC News)

Tachos

De acordo com o Público, o Governo quer a debater com a oposição os cargos que devem ser sujeitos a confiança política. É uma boa decisão, tal como havia sido proposto pelo CDS na campanha eleitoral.
Parece-me, ainda assim, que o debate vai dar em pouco. Por muitas alterações legislativas que se façam, se o espírito continuar o mesmo, as pessoas continuarem as mesmas, as teias e clientelas continuarem iguais, de nada valem concursos e outras garantias no sentido de credibilizar e melhorar a administração pública.

Para que a reforma da administração pública funcione, é necessário que a sua actividade seja intelectual e profissionalmente estimulante e compensadora. Só assim se conseguirá cativar os melhores e os que mais se destacam. Sem isso, os concursos e os ingressos continuarão a estar povoados de medíocres que, na sua mediocridade, necessitam de tudo para se manter à tona. E é igualmente fundamental que os dirigentes de topo sejam técnicos de excelência e que sejam reconhecidos como tal.

Mas o passo decisivo tem de ser dado pelos partidos políticos. São eles que, uma vez no governo, muitas vezes pressionam e exigem da administração uma actuação clientelar e partidarista. Quem não aceita as regras, é afastado e espera pelo regresso dos “outros”, que terá posteriormente de premiar. Quem aceita, serve “aqueles” sendo posteriormente saneado pelos “outros”.

Se os partidos políticos não estiverem na disposição de terem uma administração pública verdadeiramente isenta, todas as garantias podem ser contornadas.

Ainda Bolkestein

A acrescentar ao post "Europa a tempo nenhum":
- "Directiva Bolkestein" do Blasfémias;

... e ao post "Bolkestein, a opção":
- "O irmão grande" de Luís Salgado Matos no Público (texto transcrito nos comentários), assim como o post "Strike or dead "do Contra a Corrente.

Aborto III

Já que estamos numa de organizar referendos em simultâneo com eleições, porque não juntar o referendo do aborto com as eleições presidenciais? Sempre quero ver como é que o Eng.º António Guterres descalça a bota...

Aborto II

Todos os blogues, de direita ou de esquerda, que se referem ao referendo do aborto, escrevem sempre a palavra "aborto". Assim que o referendo estiver marcado e a pergunta escolhida, uma grande maioria passará a escrever "interrupção voluntária da gravidez".

Aborto I

Uma das maiores preocupações demonstradas pelo Bloco de Esquerda foi a de saber se o Primeiro-ministro participaria activamente na campanha do referendo do aborto, ao arrepio do que então fez António Guterres. José Sócrates já disse que vai fazer campanha pelo Sim à despenalização do aborto.
Fosse o Primeiro-ministro favorável ao Não e aposto como estariam todos idignados pelo facto de um Primeiro-ministro ter decidido fazer campanha num referendo em que apenas está em causa uma questão de consciência.

Europa a tempo nenhum

"UE acorda revisão profunda da directiva Bolkestein"

"Para a França, Alemanha, Bélgica, Suécia ou Dinamarca, esta proposta é inaceitável nos seus moldes actuais devido, sobretudo, ao seu princípio chave do "país de origem", que permitirá a qualquer empresa fornecer serviços em toda a UE com base na legislação do seu Estado. O risco, afirmam, assenta num nivelamento por baixo das suas elevadas normas sociais devido à concorrência proveniente da mão-de-obra barata dos países de Leste. Estes países defendem assim que a abertura dos mercados no sector dos serviços deverá ser precedida de uma harmonização mínima das normas sociais e das condições de acesso a algumas profissões sensíveis."

Os países que defendem a Europa a dois tempos vêm defender que a Europa a um tempo deve ser feita a tempo nenhum.

OGM

"Estudo britânico conclui que OGM são nocivos para o ambiente".

Nunca tinha pensado na criatura dessa maneira...

Blogging@Internet (3)

Há uma dúzia de anos que é possível ter uma página pessoal com características de blogue. A tecnologia pouco mudou desde então. É apenas necessário dispor de espaço de armazenamento num servidor, endereço electrónico próprio, e maneira de aceder e editar a informação.

Antigamente, era preciso um mínimo de afinidade com a tecnologia. Hoje em dia, com tudo centralizado pelos serviços de blogging, fazer um post dá menos trabalho que mandar uma SMS (e pode ser feito dessa maneira).

É difícil explicar à geração "blogue" que a Net é muita antiga, mas desde que os blogues são possíveis já se passaram eternidades.

Muitos bloggers desconhecem os fundamentos da linguagem HTML; muitos provavelmente nunca se perguntaram para que serve o HTTP que escrevem no princípio dos nomes dos sites (os "URL" - exemplo http://aartedafuga.blogspot.com). São pormenores de "baixo nível" que foram remetidos para a cultura geral, e é nessa condição que importa serem conhecidos.

(continua)

♪ Foi aqui que tudo começou

(a propósito de "Spam sobre sexo aumentou 180% no último mês", Diário Digital)

"Have you got anything without spam?"

(clicar para ouvir)

(tudo explicado no Wikipédia)

Mais um dia negro para o jornalismo científico

Bem:
- "Detectados planetas fora do sistema solar que emanam luz" (Público)

Mal:
- "NASA descobre dois planetas fora do Sistema Solar" (Diário Digital)

Péssimo:
- "Detectada luz fora do sistema solar" (Portugal Diário)

terça-feira, março 22, 2005

Mourinho em offside

Rodrigo Guedes de Carvalho anunciava para o Jornal da Noite da SIC:

"José Mourinho em directo e ao vivo no Jornal da Noite. O treinador do Chelsea inicia hoje uma colaboração regular com a SIC. Para início de conversa, não faltam assuntos: o Sporting-Porto de ontem, as acusações de Couceiro ao árbitro, as portas abertas à possibilidade de repetir um título nacional e um europeu. Sem esquecer, naturalmente, a polémica com a UEFA, que o ameaça com um processo."

O melhor treinador do mundo começou a "colaboração" dizendo que não tinha visto o jogo.

Travailleur: Tu as 25 ans mais ton syndicat est de l'autre siècle.

"Parlamento francês aprova flexibilização do horário laboral", Diário Digital

"O parlamento francês aprovou esta terça-feira a alteração do horário de trabalho de 35 horas semanais, permitindo que os trabalhadores laborem por períodos mais longos, apesar da oposição dos sindicatos."

Blogging@Internet (2)

Um dos encantos de escrever em weblogs é não precisar de saber de computação. Os blogues são a imagem de uma evidência: hoje em dia, a barreira da "info-exclusão secundária" (ter computador, não saber o que fazer com ele) é muito ténue, graças à interface muito intituitiva das ferramentas informáticas.

A simplicidade de acesso a estas ferramentas mascara a fenomenal complexidade dos sistemas que as apoiam. Mas isso é óbvio. Contudo, o facto de os blogues serem uma "novidade" no mundo da Internet não quer dizer que sejam o "último grito". Pelo contrário, baseiam-se em tecnologias terrivelmente atrasadas.

Que tal recorrer a um jurisconsulto independente?

"Freitas do Amaral diz que suspensão do PPE é injusta", notícia do Diário Digital.

Bush, Hitler, Freitas e Godwin

Mais do que discutir se Freitas do Amaral comparou Bush a Hitler no passado, interessa que o faça agora.

O ministro Freitas do Amaral ainda não disse se concorda com as opinião do professor Freitas do Amaral, limitou-se a contextualizá-las. Esclareça: o ministro é da opinião que a administração norte-americana partilha características com os regimes de Hitler, Pinochet, Salazar, Franco?

O crime de Freitas do Amaral foi ter lançado mão de um argumento primário para justificar a sua posição contra a Guerra do Iraque, algo que só se esperava das populações indignadas e das oposições radicais. A comparação com Hitler é intelectualmente indigna do professor, por não admitir resposta racional. A partir daí, a discussão acabou, como explica Godwin.

É inevitável que o radicalismo— pró-Bush e anti-Bush— seja exposto ao ridículo.

Blogging@Internet (1)

De acordo com vários estudos feitos à blogosfera, muitos consideram que o fenómenos dos blogues está para ficar, como expoente da liberdade de expressão na Internet. Esta opinião colectiva, contudo, é diametralmente oposta à dos especialistas da Internet: os blogues ficarão por muitos anos, é verdade— mas à semelhança dos sites pessoais, o seu uso será progressivamente mais específico e profissionalizado, e consequentemente menos popular e democrático.

É verdade que o ritmo da criação de blogues tem sido exponencial; mas também é verdade que a audiência média dos mesmos é inferior a 20 pessoas, e que se constituem em rede fechadas. Os estudos dizem que a criação de mais-valia informativa tem sido residual; o ritmo de actualização médio decresce drasticamente ao fim de poucos meses, e o período médio de vida activa não chega a um ano.

Outro jogo muito antigo

Dungeons & Dragons

Dona els requiem

(roubado ao Complexidade e Contradição)
(clicar para ouvir)
(estes não são os Wiener Singverein)

Lacrimosa dies ilia
Qua resurget ex favilla
Judicandus homo reus.
Huic ergo parce, Deus,
Pie Jesu Domine,
Dona els requiem.


Mournful that day
When from the dust shall rise
Guilty man to be judged.
Therefore spare him, O God.
Merciful Jesu,
Lord Grant them rest.

Ode a Sampaio

int i;main(){for(;i["]<i;++i){--i;}"];read('-'-'-',i+++"hello, world!\n",'/'/'/'));}read(j,i,p){write(j/p+p,i---j,i/i);}


(Wikipédia, IOCCC Home Page)

segunda-feira, março 21, 2005

Transparência das contas públicas

Primeiro desafio para o nosso obtuso Ministro da Economia: "Bruxelas exige a Portugal transparência das contas de empresas públicas". Aparentemente, a directiva 80/723/EEC, de 25 de Junho de 1980, está por transpor para a legislação interna portuguesa.

O comunicado da Comissão adianta: "É necessário assegurar, no interesse dos contribuintes, que os fundos destinados a serviços públicos não são desviados para outros fins, nomeadamente comerciais".

A comissária holandesa Neelie Kroes (que sucedeu a Frits Bolkestein), proveniente do partido liberal holandês, com uma impressionante carreira empresarial em empresas multinacionais e no serviço público (ver perfil), estará pouco habituada à realidade portuguesa.

Em Portugal, as empresas públicas ou funcionam em regime de monopólio, constituindo uma extensão da actividade económica do Estado; ou subsistem num regime de concorrência enviesada, caracterizada por constantes intervenções, favorecimentos e proteccionismos estatais.

O financiamento público conforme as necessidades é a norma; os gestores e administradores são nomeados pelo poder político; a dependência da tutela governativa é total; a regulação, estatal, proteje os interesses do accionista Estado em deterimento da qualidade de serviço prestado ao cidadão; a contratualização do serviço público é letra morta; todo o tecido empresarial sofre.

Neste cenário e em última análise, podemos argumentar que todos os fundos estatais destinados às empresas públicas são destinados a "fins comerciais"— garantindo a promoção de empresas que seriam penalizadas por um mercado livre, se não fossem financiadas pelo Estado que as detém.

A Declaração do Dia

Sónia Fertuzinhos, líder do Departamento das Mulheres Socialistas, deputada, hoje na discussão do Programa de Governo na Assembleia da República:

"Este Governo não se resigna à igualdade entre mulheres e homens."

Thom Mayne

Prémio Pritzker de Arquitectura 2005

(Morphosis)

(artigo da MetropolisMag)

Receitas extraordinárias

Luís Campos e Cunha, Ministro das Finanças, acaba de referir que o Orçamento de Estado de 2005, elaborado pelo Governo anterior, prevê receitas extraordinárias não especificadas para garantir o equilíbrio contabilístico das contas públicas.

No Elba Everywhere cita-se muito bem que Sócrates não utilizará receitas extraordinárias a não ser em casos extraordinários (!).

Depreende-se que o Orçamento Rectificativo a apresentar pelo PS eliminará as alíneas respeitantes às receitas extraordinárias; e contemplará receitas (extraordinárias) que colmatarão a eliminação dessas alíneas.

Sócrates já desmentiu o seu ministro uma vez, quando este falou de aumento de impostos. E já prometeu não se queixar da "pesada herança" do Governo anterior, mas ainda não o fez. Quo vadis?

Fracturação (2)

"Uma fractura é uma solução de continuidade"

( [...no tecido ósseo], definição médica)

Fracturação

Daniel Fangueiro foi eleito presidente da JSD, derrotando Jorge Nuno de Sá, com um programa em que se propõe "trazer as 'causas fracturantes' para a JSD".

Fez-me lembrar: por altura das comemorações dos 30 anos do 25 de Abril (a polémica "Evolução vs Revolução"), o objectivo declarado era "chamar a atenção dos mais novos para uma realidade muito distinta da de 1974 e proporcionar uma avaliação objectiva do percurso que se viveu" (Portugal Diário).

Os jovens do PSD avaliaram. Não querem Revolução, nem Evolução. O que a malta quer mesmo é Fracturação.

Este pragmatismo promete

No Diário Digital, "PCP acusa Sócrates de «falta de substância e esclarecimento»":

"Sócrates refutou a acusação de ter apresentado um programa «vago», apontando medidas específicas como é o caso da intenção de retirar cerca de 300 mil idosos da pobreza até final da legislatura."

Já era altura de passar das intenções às palavras, não?

Um jogo muito antigo

"The Fool's Errand" (do site oficial)

Ainda o horror

"Alunos faziam análises duas vezes por ano a doenças sexualmemente transmissíveis" (caso Casa Pia)

Redução das férias parlamentares

"Sócrates anuncia redução de férias judiciais para um mês", notícia do Diário Digital, uma boa medida do novo Governo, já reclamada há muito na blogosfera (O Acidental, Blasfémias, por exemplo).

Para quando a redução das férias parlamentares?

Ministro do culto apela a voto

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) admite que poderá apresentar uma queixa, notícia do DN Online.

Para começar bem uma semana de excitação

"Das Lied von der Erde", Gustav Mahler

domingo, março 20, 2005

Episódio X

Facto: O Programa do Governo é um decalque do Programa Eleitoral e nele nada consta sobre o aumento ou redução dos impostos.

"Trapalhada": Governo recusa-se a esclarecer os portugueses que o elegeram se vai ou não aumentar os impostos.

Expulsões

Segundo o Expresso, o Prof. Freitas do Amaral será expulso do PPE, federação das democracias cristãs europeias. O facto, a ser verdade, é algo que não estranho. O PPE sempre foi cioso da sua matriz fundadora e sempre quis ser implacável para quem, por um motivo ou por outro, dela se afastou. Basta lembrar, por exemplo, a expulsão do CDS/PP de Manuel Monteiro.
O que aqui merece comentário é precisamente a falta de comentários que a notícia do Expesso provocou. É que, impedidos de criticar o PPE, insuspeito de ser um partido radical e anti-democrático, a maior parte dos que defende que o Prof. Freitas do Amaral está onde sempre esteve preferiu fingir que nada se passou.
E não se passou nada de grave: o Prof. Freitas do Amaral fez uma evolução política perfeitamente legítima. Só precisa é de assumir que a fez. Ou vai ele querer fazer-nos acreditar que foi o PPE que mudou e que ele é que ficou na mesma?

sábado, março 19, 2005

É por causa disso que a lei vai ser alterada?

Farmacêuticos: venda medicamentos fora de farmácias é ilegal

Contra a Corrente


Ceci n'est pas un MacGuffin.
Parabéns ao Contra a Corrente por dois anos de actividade!

Bolkestein, a opção

A "directiva Bolkestein" (ver os outros posts do A Arte da Fuga: PDF, a contestação) pode representar uma oportunidade única para Portugal se afirmar como fornecedor de serviços à escala europeia.

O levantamento dos obstáculos que impedem o funcionamento de um verdadeiro mercado único no espaço europeu exigirá do país um grande esforço de planeamento e adaptação— e uma grande capacidade de amortecimento do embate social e económico subsequente.

Portugal só beneficiará deste processo se estiver convenientemente preparado. A abertura de novos mercados externos será acompanhada de uma concorrência livre de proteccionismos nacionais. O país terá de dar passos significativos no campo da produtividade e da competitividade, num horizonte de tempo muito curto.

Tudo isto exige que o Governo e a oposição se entendam desde já. Internamente, teremos de já estar habituados às novas regras do jogo. Há que empreender reformas estruturais profundas que tenham como objectivo claro garantir condições mínimas para tornar o país económica e socialmente mais aberto e concorrencial.

A manutenção do nosso modelo de desenvolvimento não é viável. Ou nos adaptamos, constatando a evolução económica e política do espaço onde nos inserimos, ou seremos obrigados a conformarmo-nos à força, quando o facto estiver consumado.

Bolkestein, a contestação

Enquadramento da polémica, notícia do Público;

- "Ce que prévoit le texte européen" (Figaro);
- "Directive Bolkestein : la polémique s'amplifie" (Figaro);
- "Schroeder joins critics of EU 'open services' plan";
- "The Services Directive and the European Constitution";

- "Sindicalistas portugueses na manifestação europeia" (Público);
- "Manifestation européenne contre la directive Bolkestein";
- uma petição contra a directiva— note-se o calibre dos apoiantes (aqui e aqui).

Bolkestein e patentes

Em 2002, Frits Bolkestein (perfil) foi promotor de uma proposta de directiva comunitária muito pouco liberal respeitante ao registo de propriedade intelectual ("on the patentability of computer-implemented inventions").

O processo, que ainda ainda decorre nas instâncias da União Europeia, já tinha sido objecto de comentário aqui no A Arte da Fuga.

Curiosamente, o patenteamente de software segue uma filosofia diametralmente oposta aos princípios da Estratégia de Lisboa— que justificam a directiva ("Bolkenstein") sobre o acesso aos serviços no mercado interno da União Europeia...

Directiva Bolkestein (PDF)

Rascunho da polémica directiva Bolkestein ("on services in the internal market"), em PDF.

A leitura da primeira dúzia de páginas é suficiente para perceber o incrível alcance das medidas propostas, e explicar a polémica que tem atravessado a Europa.

É tão bom ter um português presidente da Comissão Europeia

Descubra o que falta no Europa, o portal da Comissão Europeia (dica: "The Official EU Languages").

Explicação: quando este post foi feito, não havia o link para a versão portuguesa da página, um fenómeno efémero que pode ter sido originado por problemas técnicos do site.

Verne

Voyage dans la lune, de Georges Méliès
(a propósito da Colecção Planeta Verne do Público)

sexta-feira, março 18, 2005

Para acabar bem uma semana de excitação

"Gurrelieder", por Arnold Schoenberg.

Compasso de espera

O CDS está a viver um momento difícil, não o posso negar. É nesses momentos que os audazes e os que nada têm a perder mostram a sua face e tentam a sua sorte. Mas não é disso que o CDS precisa.

Officer Daniel Faulkner

Em resposta ao meu amigo Fernando Albino do No Quinto dos Impérios (também nos comentários ao meu post anterior), agora o outro lado da história:

Caracterização psicológica de Mumia Abu Jamal:
- "All political power grows from the barrel of a gun.";
- "It is the system that is guilty of the crimes of all that is criminal, all crimes are committed within the system not without...";
- "The state would rather give me an Uzi than a microphone".

"Mumia probably killed that guy [Officer Daniel Faulkner]. There, I said it. That does not mean he should be denied a fair trial or that he should be put to death. But because we don't want to see him or anyone executed, the efforts to defend him may have overlooked the fact that he did indeed kill that cop. This takes nothing away from the eloquence of his writings or commentary, or the important place he now holds on the international political stage. But he probably did kill that guy."
- Michael Moore, "Dude, where's my country?" (depois recuaria na sua opinião, aqui)

Artigos de opinião: "Free Mumia?"; "RAtM: Irresponsible Criminal Support"; livro: "Cop Killer: How Mumia Abu-Jamal Conned Millions Into Believing He Was Framed".

A ler com atenção: site desmentindo um por um os mitos criados pelos defensores de Mumia Abu Jamal.

Parabéns

A minha participação partidária começou na Juventude Centrista. Não tenho qualquer problema em alinhar em muitas das críticas que se fazem às juventudes partidárias, mas não contem comigo para esquecer o que de melhor ali se passa e o que de melhor se pode esperar de um grupo de pessoas que tem o sonho de contribuir para melhorar o país.

Na JC encontrei alguns dos meus melhores amigos. Recordo os debates, as discussões, as festas, os encontros, as esperanças e, sobretudo, as amizades. Alguns desses amigos estão no Uma Geração às Direitas. Tive a possibilidade de trabalhar de perto com alguns deles, e de ver trabalhar muitos outros. Como eles sabem, discordo muitas vezes das convicções políticas que têm, mas respeito-os imensamente pela forma acreditam e como se empenham nessas convicções.

O Uma Geração às Direitas é exemplo do que melhor pode acontecer numa juventude partidária. Discutem ideias, não discutem quotas em congressos. Discutem valores, não discutem lugares. Discutem programas, não discutem intrigas.

Fizeram um ano e, infelizmente, não pude assinalar aqui o seu aniversário, como gostaria de ter feito. Pela amizade e pelo respeito que lhes tenho, aqui lhes desejo muitos mais anos de esperança e de força. Porque certamente precisarão. E que o blogue seja, como até agora, uma manifestação evidente dessas qualidades.

Bolas bolas bolinhas (2)

Para saber mais sobre o daltonismo:

- Wikipédia (com um teste);

- vários testes (aqui, aqui, aqui, aqui);

- estes são para frustar daltónicos (aqui, aqui);

- ferramentas para webdesigners (aqui, aqui e aqui).

Episódios

Caro Zé Pedro,

Estou de acordo contigo quando referes o que deve ser o estilo da oposição a este novo governo. Nesta casa, queremos ser oposição ao que de errado estiver a ser feito. E seremos oposição com responsabilidade e sobretudo com respeito, valores que espero já tenham sido notados em cada um dos posts que escrevemos.
Mas a blogosfera permite ir desmascarando pequenos ilusionismos da nossa vida política. Os episódios que aqui relatamos não são oposição ao governo. Aliás, quando iniciei o relato dos episódios, escrevi que os mesmos eram normais na actividade governativa e que apenas a sua descontextualização permitia lê-los como "trapalhadas".
Daí que, no que respeita à colecção de episódios que vamos seleccionando, a verdadeira crítica é feita à comunicação social e à opinião publicada, procurando evidenciar a sua duplicidade de critérios.
Sei bem que precisamos mais do que meros episódios para fazer oposição ao governo, ainda que essa tese seja recente em Portugal.

Bolas bolas bolinhas

Por duas vezes tive uma conversa com o meu colega de blogue a propósito das cores do template do A Arte da Fuga.

Gostos à parte, sempre me pareceram bem— mas queria que ele me assegurasse que existia um contraste agradável entre a cor dos textos e as cores dos links a visitar e visitados.

Passo a explicar: há pessoas, como eu, que olham para a imagem à esquerda e não vêem um "45", apenas bolinhas irritantemente coloridas— ou nem isso!

[ continua: "Bolas bolas bolinhas (2)" ]

O pulha!

É já habitual os directores-adjuntos e sub-directores do Público fazerem do editorial um púlpito ou poleiro para promoverem a sua agenda política moralista, mesmo quando a notícia comentada tem pouco interesse jornalístico.

Ontem foi a vez de Nuno Pacheco ("A rede do ditador"), a propósito da fortuna escondida de Pinochet: "A cruzada anticomunista de Pinochet brandia uma máscara ideológica como escudo defensivo. Mas o escudo caiu: o ditador era também um delinquente"— "um criminoso de delito comum"!

Coitado do homem! Não bastava ter sido um ditador cruel, um crápula, um assassino— era um verdadeiro patife! Se calhar até roubava lápis de cor à irmã, e copiava nos testes da escola...

Mumia

Há uns dez anos, uma das obcessões da esquerda-dread de todo o mundo, liderada então em solo nacional pelo PSR do nosso amigo Anacleto Louçã, era a campanha de libertação de Mumia Abu Jamal. A questão foi tão empolada que a opinião pública ficou saturada e desinteressou-se.

Este jornalista americano, feroz activista pelos direitos cívicos das minorias, foi preso e condenado à morte há 23 anos por assassínio de um agente da polícia, num processo que tem sido muito contestado. Desde então tornou-se um ícone para a opinião antiamericana, antiglobalização, anti-pena de morte, assim como para os nacionalistas negros— um verdadeiro Mandela rastafariano—, mas o facto é que o caso afigura-se como uma das mais flagrantes perversões do conceito de Justiça.

Ficam aqui uns links para melhor informação:
- Wikipédia;
- Freedom Journal;
- Free Mumia.org;
- Amnesty International USA.

[ADENDA 2005/03/18, 19:00: A leitura destas fontes coloca dúvidas legítimas se o homem teve um fair trial. Contudo, o post Officer Daniel Faulkner esclarece grande parte destas dúvidas.]