sábado, abril 30, 2005

Muito boa

A entrevista de António Vitorino na 2:.

Fosse ele do PSD e seria chamado de "liberal selvagem".

ADENDA: A ler o artigo "A cassete liberal" do Biblioteca de Babel!

Trocadilhos perigosos

Daniel Oliveira (Barnabé) inaugura um admirável novo mundo de argumentação, ao defender, no essencial, que as penas criminais não devem ser discriminadas segundo a natureza do crime, se isso puder ser interpretado como uma discriminação pela natureza do criminoso.

Refere-se ao caso do acórdão do tribunal de Ponta Delgada que se recusou a aplicar o artigo 175º do código penal ("Actos homossexuais com adolescentes"), alegando "ofensa ao princípio de igualdade" (Art.º 13º da CRP). É obrigatória a leitura dos posts de Carlos Loureiro e João Miranda sobre o assunto.

O que faz o Barnabé (diferente dos outros) é confundir "actos homossexuais" com a orientação sexual do agressor— algo muito contestado pelas associações de defesa dos homossexuais. E daí partir para uma vasta conspiração contra os homossexuais inscrita na lei. Lendo assim, parece óbvio que não pode estar elaborada para defender a vítima. Não pode discriminar as penas pela natureza das agressões. Tem de garantir direitos iguais e livre acesso não-discriminatório ao abuso de crianças e adolescentes.

Pela leitura do Barnabé, pode pensar-se que só se deve aplicar o artigo 175º se for um heterossexual a abusar sexualmente de um adolescente através "actos homossexuais de relevo". Porque obviamente os homossexuais encontram-se num estado de "necessidade desculpante"...

Basicamente, se a lei discriminasse uma pena para quem é assaltado na rua "à seringa", ou para quem o promove, estaria a discriminar, como é óbvio, todos os toxicodependentes e traficantes (grupos sociais que o Barnabé também ama).

Hoje no Público, São José Almeida fala do "artigo 175º do Código Penal ainda em vigor" (bold meu), ignorando que este também salvaguarda: "ou levar a que eles sejam por este praticados com outrem". Ou seja, é uma lei feita à medida para combater o horrenda prática da pedofilia organizada, o tráfico de carninha sexual— precisamente o que o tribunal de Ponta Delgada apreciava. Ainda em vigor, mas não muito.

Acrescenta "neste processo dos Açores, o país pôde assim ver o que é a justiça a funcionar, o que é o Estado de direito" — "patamares pouco habituais na defesa da cidadania, ou seja, dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos". Os cidadãos condenados agradecem, as entidade abstractas abusadas tomam conforto em ver a justiça a funcionar.

Os pequenos passos

Ontem, Vicente Jorge Silva, no DN, suavizava "a política gradualista de pequenos passos" de Sócrates— uma "pedagogia" que "ajuda a criar um ambiente de simpatia e popularidade em torno do Governo"— contra "o anúncio estridente de grandes reformas que, como se viu no passado, não passam normalmente de intenções piedosas". Parece-lhe secundariamente preocupante que esta política possa "defrauda[r] as expectativas que gerou". Como se o país pudesse esperar.

José Manuel Fernandes, hoje no Público, explica como a perfeição na "gestão da informação" esconde a falta de vontade de agir— a falta de verdadeiras intenções piedosas ou capacidade pragmática de reformar o país. Guterres ficou dependente das songagens. Sócrates parece estar viciado no "estado de graça".

Assim se compreende que Sócrates só "adie", "estude", "revogue". Promete que a "política de proximidade" será cirurgicamente aplicada aos grandes problemas do país, como se a gestão corrente fosse solução para as enormes deficiências estruturais de Portugal. Como se a floresta possa ser vista árvore a árvore, de muito perto.

Armado com maioria absoluta, não se exige menos do Governo que tome desde já, no início da legislatura, as decisões mais difíceis e possivelmente controversas— precisamente aquelas que exigem força política e tolerância da população— e que apresse o país no caminho da convergência com os nossos pares.

Mas Governo insiste em ser excelentemente "suficiente". Em pequenos passos.

EIA do Túnel

PDF do estudo de impacte ambiental, no Instituto do Ambiente.

Para quando...

...a aparição do infante Dinis Maria na pré-campanha eleitoral?

Prémio site piroso

Manuel Maria Carrilho

Pequenos racismos

Quarta-feira, o Público colocava em destaque Pedro Mantorras. Explicava que o seu nome significa "homem queimado", mas apressava-se a esclarecer que tal se deveu a um "acidente doméstico" — "ocorrido quando ele entornou uma panela de sopa quente por cima de si próprio", diz a Casa de Angola— não fossem pensar que o jornal andava a chamar "escuro" ao jovem ídolo africano...

Por todo o lado pululam restaurantes chineses. Era giro, dava para ir jantar com a maltosa e pagar pouco, sempre era diferente do "menu-febras" da tasca do Bairro Alto. Apareceram as lojas chinesas como cogumelos, expulsando a lojas de bairro decrépitas, abandonadas em favor dos Centros Comerciais. Já não se acha tanta graça. O próximo passo é lamentar a folclória "baixa demográfica" dos cães e gatos vadios.

Quanto ao jovem Ivo Ferreira, ninguém duvida que se ele tivesse sido apanhado em qualquer outro lado, a história teria metade do impacto. Mas o jovem está nas arábias, não propriamente "qualquer país civilizado" como diz o Daniel Oliveira. Entenda-se que só não é civilizado por ter aberto as portas ao capitalismo, mantendo a sua estrita tradição islâmica. Se fosse um ninho de terroristas a viver na Idade das Trevas, já a coisa mudava de cor. Se o Indiana Jones não gostava dos gajos, nós também não.

Nostalgia 80s!

KNIGHT RIDER
(1982-1985)


Knight Rider, a shadowy flight into the dangerous world of a man who does not exist.

Este link só para fans incondicionais! :)

(aqui, a opinião do KITT sobre a carreira de David Hasselhoff!)

Uma pergunta...

Depois de aprovada a nova lei sobre a "Interrupção Voluntária da Gravidez", quanto tempo demorará a esquerda intelectual a tratar o Aborto por "tratamento da gravidez"?

Insulto à inteligência

Sócrates insiste que ter menos ministros que o anterior Governo é um sinal importantíssimo da sua determinação na redução dos efectivos da função pública.

Ivo (2)

Em declarações telefónicas ao Público a partir da prisão, Ivo Ferreira apelidou o seu processo de "kafquiano" e lamentou que as autoridades portuguesas "andem a passar a batata quente umas às outra[s]". (lido no Público, edição impressa)

As autoridades portugueses já negaram andarem na passa [da batata quente]. É verdade que experimentaram duas vezes, mas nem gostaram. É que batatas quentes "fazem mal ao cérebro".

Ivo (1)

Depois da escandaleira das fotografias invertidas usadas pela pré-campanha eleitoral de Carrilho, o A Arte da Fuga conseguiu apurar que o recurso ao Photoshop é mais frequente do que se pensava:

Aparentemente, todas as fotografias do jovem cineasta Ivo Ferreira foram sujeitas ao tratamento de "eliminação de olhos vermelhos".

sexta-feira, abril 29, 2005

Prazak

'Grosse Fuge' op.133 de Beethoven, tocada pelo Quarteto Prazak na Festa da Música: "Foi uma visão arrasadora, esmagadora", do Crítico Musical.

A política num cabide (2)


O que fazer com Carrilho depois da sua candidatura a Lisboa


(o trocadilho com o "cabide" é do Diogo Belford Henriques: "O cabide do Carrilho".)
("A política num cabide (1)")

A política num cabide

"O que faz uma candidatura fraca ou forte é o conteúdo do seu projecto" diz Carrilho, mas contrapõe, em sua defesa: "obviamente há razões políticas, mas o que conta é a força da mobilização".

Nesta linha de pensamento (?) não se compreende que face ao "esforço [falhado] para manter a coligação", recuse que o fim da coligação de esquerda na capital— ou seja, uma menor mobilização— tenha fragilizado a sua candidatura.

A estratégia de Carrilho para arrebatar Lisboa à coligação PSD/PP é demolidora, baseia-se no princípio ancestral 'Dividir para reinar':

— a mobilização das forças de esquerda: "Estamos desde o princípio convictos de que podemos ganhar sozinhos a Câmara de Lisboa";

— a desmobilização dos restantes adversários: "só há dois candidatos possíveis, o do PS e o da direita".

Reversão

O JMF do Terras do Nunca publicou um interessante post. Discordo dele, porque acho que o post é reversível, mas ainda assim obriga-nos a pensar em alguns dos argumentários que por vezes se usam, mesmo neste blogue. Acho o post reversível. Vou tentar:

Há uns tempos que andam por aí. Primeiro em jornais de culto, depois nos blogues, agora no mais puro mainstream, ou seja em todo o lado. Até já têm um livro. É possível reconhecê-los a léguas – passam a vida a dizer que o mundo está dominado por uma secreta aliança a que chamam globalização. Vivem, por isso, obcecados com aquilo a que chamam pensamento único. Dizem que estamos dominados, nos media, na política, na universidade, por neo-conservadores mais ou menos assumidos. Eles acham que toda a gente anda com o pensamento formatado por essas teorias libertadoras, de que o capitalismo pode salvar e que é o amigo do desenvolvimento. Eles têm, pois, uma missão – desmontar a cabala global. Por isso, estão sempre do contra. Ou melhor, gostam de dizer que estão sempre do contra. Porque o verdadeiro problema dessa malta é que, verdadeiramente, eles não estão do contra. Eles, à custa de estarem do contra, multiplicaram-se, invadiram toda a esfera pública, e agora são eles já uma espécie de pensamento único.
O método é simples – se se fala do Iraque, eles inventam que os que estão a favor da guerra é porque se deixaram enganar por uns campónios evangélicos. Porque nós não percebemos que qualquer paz é sempre preferível a qualquer guerra. Por isso, eles (re)descobriram a verdadeira América. E acham-se proprietários da dita. Por isso, vêem inimigos da verdadeira alma da América em todo o lado. Por exemplo, na própria América. Ah, como eles detestam a outra América – porque a verdadeira América, dizem, está engolida pela outra América. Na outra América, dizem, os evangélicos e neo-conservadores e os media ainda dominam tudo. Na Europa, não. Porque a Europa tem Zapatero. É um dos ídolos deles o Zapatero, não porque provou governar bem e melhorar a vida dos espanhóis, mas porque pôs a Espanha na modernidade. Está agora na sua galeria de heróis. Porque se alguém (quem? os media, as multinacionais, os capitalistas…) se atreve a dizer que a escolha de Zapatero não se deveu a mérito das suas propostas é porque não percebe nada de nada. Relativista até ao tutano é o que está a dar. Esta malta toda tem, de resto, apesar das aparências que eles se esforçam em criar para indicarem o contrário, um cheirinho a Albânia.
Domesticamente, esta malta adora zurzir no sistema. Contra aqueles que vivem à custa dos oprimidos e dos trabalhadores. Quem? Adivinharam – os políticos de direita. E os de esquerda também. Menos os deles. Pois é, verdadeiramente, esta malta já não surpreende ninguém.
Mas o mais curioso desta malta é que eles nasceram como que em oposição ao Independente e ao estilo de partido de Manuel Monteiro e Paulo Portas. Se não fosse a direita, esta malta não existia. Porque eles só existem em contraponto à direita. Aqueles moinhos de vento contra os quais lutam são única e exclusivamente as ideias da direita. Que eles tomam como corrente dominante da sociedade. É vê-los por aí a argumentar – espreme-se e que sai? Apenas manifestos anti-direita. Mas essa malta não beneficiou apenas da existência da direita, sobretudo da direita no poder, a tal direita cujos valores são hegemónicos. Beneficiou igualmente dos media (a outra face negra da coisa…), a qual, sem quaisquer problemas de consciência, lhes dá espaço generoso.E é assim que está criado o monstro – dois extremismos que se digladiam na praça pública, como se representassem maiorias, quando, no fundo, são pouco mais que nada.

Passa a outro e não ao mesmo (2)

Caro Guilherme, ver abaixo por favor. Um abraço!

Lista de links: ♪

Um reparo: a nota de colcheia ( ♪ ) que assinala alguns links da nossa lista (muito desactualizada, eu sei...) serve apenas para chamar a atenção que o site tem música "automática"— é preciso ir lá fazer pause, e às vezes, nem isso é possível— não é bom para quem gosta de ter várias janelas abertas— portanto não é nenhum endorsement do A Arte da Fuga!

Seja como for, encontram-se sistematicamente algumas pérolas, ou bloggers que não sofreram com a saturação do Verão passado— como é que é possível??—, e belas manobras de marketing!...

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"História Velha, História Nova" no Ecosfera

quinta-feira, abril 28, 2005

Sinestesia


A propósito de Wassily Kandinsky (mais um fascínio de estimação — Henrique Raposo, comentário?), um post sobre um fenómeno quase fantástico:

Synaesthesia (also spelled synesthesia); from the Greek (syn-) “union”, and (aesthesis) “sensation”; is the neurological mixing of the senses. A synaesthete may, for example, hear colors, see sounds, and taste tactile sensations.

Hearing Colors, Tasting Shapes: People with synesthesia—whose senses blend together—are providing valuable clues to understanding the organization and functions of the human brain (Scientific American)

A Brief History of Synaesthesia and Music (Thereminvox)

Artificial Synesthesia for Synthetic Vision (Seeing with Sound)

Só mais um!

Caro Bernardo, as minhas desculpas pela intromissão na vossa viagem ao passado...

...mas só queria dizer:

Vamos fazer amigos entre os animais
que amigos destes não são demais na vida
e vêm aqui mostrar
que têm uma família como eu e tu
E esta mora numa outra casa
que se chama (digam!)
a Arca de Noé!
vamos lá ver como é
a Arca de Noé!

(Carlos Alberto Moniz, do concurso "Arca de Noé", apresentado pelo Fialho de Gouveia)

Mind maps (2)

Wassily Kandinsky, Transverse Line
Wassily Kandinsky, Transverse Line
Kevin Lynch, 'imagem' de Boston
Kevin Lynch, 'imagem' de Boston

rede Touchgraph de um site
Três mind maps.

(post original)

Canal História (2)

Bernardo, aqui vão mais uns ícones televisivos dos anos 80, da música e do público infantil, para o nosso Canal História: Doce, Cândida Branca Flor e Dora,
Vera Roquette, Calimero, Abelha Maia (cuja música era cantada pela...Ágata), Marco, Candy Candy, Conan e Bana & Flapi
e os meus favoritos: Era Uma Vez... o Espaço.

A direita e a cultura (4)

O Pedro Picoito da Mão Invisível diz que eu ingenuamente acredito que o Estado está ausente no nascimento das referências culturais comuns. E acredito mesmo. O Estado não interfere no nascimento das referências culturais que, entretanto, se tornam comuns. O que o Estado faz, e deve fazer, é não contribuir para que essas referências, enquanto se mantiverem comuns, desapareçam. Nomeadamente, criando condições para que essas referências floresçam e tenham condições de se fortalecer. E, em casos onde se justifique, interferir na sua normalização e globalização, com respeito pelas diferenças, e enquanto forem comuns.

É o caso da língua, que o Pedro refere. A língua nasceu espontaneamente e até que o Estado tivesse que desempenhar o seu papel, demoraram séculos. O que acontece hoje é que o Estado quer, à força, fazer-nos comungar de referências culturais, que autoritariamente quer classificar como comuns. E que o Estado aposta, igualmente, em criar referências culturais, apenas porque que acha que sim. E sempre que se quer demonstrar que existem outras referências mais fortes, o Estado ignora. Veja-se as polémica em torno das referências ao cristianismo no Tratado Constitucional Europeu...

O resto do post do Pedro não pode ser endereçado a mim. Porque eu acho que o Estado deve ter um papel no sector da cultura. E não sou apreciador da forma como a direita lida com a cultura. E considero mesmo que a direita deve reflectir seriamente sobre o assunto, e sem preconceitos. Mas onde eu divirjo do Pedro é no fundamento da intervenção estadual. Eu considero que a cultura deve ser encarada como um direito, porque potencia a liberdade do homem, e é nesse plano que o Estado deve erigir a sua política. E o Pedro acha que o Estado deve erigir a sua política de cultura no sentido de partilha de referências culturais comuns, de um património herdado e que devemos transmitir à próxima geração, que é decisiva para a coesão nacional.

O que estamos para ver se nos diferencia é a política em concreto. Avancemos pois para esse plano.

A fachada de Garrett (3)

Falemos novamente da Casa Garrett, já que a polémica, quer nos comentários, quer noutros blogues tem prosseguido.

A princípio de conversa, gostaria de dizer que factualmente vejo as coisas assim: uma bonita casa do Século XIX viveu abandonada durante décadas. Foi passando de proprietário em proprietário, até que o actual proprietário decidiu obter todos os licenciamentos necessários para a construção de um novo edifício. Só depois de todas as licenças passadas se levantou a questão de a casa ter assistido aos últimos dias de Garrett. A mesma casa olimpicamente ignorada e nunca lembrada de Garrett durante anos deveria agora, porque alguém lá tem direito a (não é apenas querer, ele já pode) construir, ser transformada em casa museu. Todos os que defendem a existência da casa museu e que publicamente se expressaram basicamente disseram o seguinte: o Estado tem de comprar a casa, fazer a casa museu ou, caso contrário, desprezam o valor da memória de Garrett.

Quando escrevi sobre o assunto quis apenas realçar os seguintes pontos:

a) Que a única coisa a manter-se em termos de recuperação é a fachada.
b) Que não aceitava aproveitamentos partidários da questão, já que todos os partidos políticos tiveram a oportunidade de criar a casa museu e não o fizeram.
c) Que o valor alegadamente em causa era o da memória de Garrett, isto é, que o que tem levado as pessoas a manifestar-se é o apagar da memória viva de Garrett, sendo certo que, como aliás veremos, para muitos Garrett é indiferente. O que interessa é manter Campo de Ourique intacto, o que é certamente legitimo, mas nada tem que ver com Garrett.
d) Que me impressionava assistir à triste redução a que estas coisas sempre levam: a única alternativa apresentada era a de ser o Estado, sempre o Estado, a comprar a casa e a fazer a casa museu, mesmo que para tal possa não existir espólio ou que este tenha de ser igualmente adquirido com dinheiros públicos.

Falemos então um pouco mais sobre o assunto, sendo que, desde o começo, o que me interessa é discutir a situação em concreto: deve a Câmara Municipal de Lisboa, que planeou o seu orçamento para quatro anos em variadas e múltiplas intervenções culturais, ver-se obrigada a adquirir a casa Garrett e aí construir uma casa museu? Repare-se que o valor actual da casa já não é o da fachada. É o do projecto já aprovado.

Não estou por isso a discutir se a Câmara deveria ter aprovado aquele projecto, independentemente de lá ter morado Garrett, e de esse projecto ser terrivelmente feio. Não é isso que se discute. Não é isso que se reivindica ainda que, como sempre, parte dos interessados no assunto sejam os moradores de Campo de Ourique interessados na manutenção do charme do bairro.

O Rodrigo Moita de Deus diz o seguinte: A obra que para ali se projecta é um pequeno empreendimento com cinco andares que duplicará o actual índice de contrução. Numa zona da cidade que tem estado particularmente sensível à especulação imobiliária, sem que tenha tido as respectivas melhorias em matéria de infraestruturas, é papel do Estado evitar a descaracterização urbanística preservando a qualidade de vida dos residentes. Até porque, a médio prazo, o aumento descontrolado do preço por metro quadrado provoca a desertificação dos centros da cidade.

Ora, este é o exemplo de como, a pretexto de Garrett (ou de qualquer outro nome da nossa história), se tenta evitar uma construção que deve ser impedida, não invocando memórias encontradas à pressa, mas por outros meios, eventualmente contenciosos.

Continua o Rodrigo, se o “valor da casa é o da memória de Almeida Garrett” isso quanto é que dá? Cinquenta mil, oitenta mil? Bem negociado, outros cem mil? Mas que parvoíce a minha. Estar a dar preços à memória das coisas!

A memória de Garrett pode ser evocada de diversas formas. Que a Câmara Municipal de Lisboa, perante a recente descoberta da ligação a Garrett da casa, tenha de adquirir a casa ignorando outras formas de perpetuar a memória de Garrett ou não estudando os custos e benefícios de tal aquisição parece-me um pouco despropositado. Em tudo o que mexa com dinheiros públicos, a racionalidade precisa-se. Mesmo comprando a casa, pode a Câmara garantir financeiramente a sua manutenção? E se não, alguém se propôs cooperar?

Diz ainda o Rodrigo que os espanhóis gastam outros milhões a preservar fachadas e a colocar estatuetas em todas as ruas por onde Cervantes terá ou não passado. São opções Rodrigo. E provavelmente há dinheiro para isso. Mas a questão é que Garrett já tem muitas evocações em Lisboa. Esta seria mais uma e a Câmara pode não ter dinheiro. Ou pode preferir gastar parte do dinheiro em projectos que preservem a memória de Garrett de outras formas. Porque há outras formas.

Ora, depois de tudo isto, espero que tenha ficado claro que não sou opositor a que a Câmara Municipal, tendo dinheiro e um bom projecto, e em cooperação com as dezenas de pessoas interessadas em manter a casa, aposte naquele equipamento cultural. Mas eu estou a falar do caso concreto de não haver dinheiro. De não haver projecto. De não haver nada. Nem sequer um único admirador de Garrett que apresente um projecto de associação à Câmara e que com ela queira encontrar uma solução. Nada, apenas isto: a Câmara que compre. Como sempre.

A imagem da cidade

O post "Uma sanita" do jMAC no Hard Blog trouxe ao nosso blogue vários leitores interessados em discutir o assunto da "salvação" da casa de Almeida Garrett em Campo de Ourique (1,2).

Têm em comum o desejo sincero de preservação do património arquitectónico e da beleza dos conjuntos edificados. Contudo, muita argumentação parte de uma base empírica e emocional, que acaba por meter no mesmo saco a "casa" de Almeida Garrett, o Cinema Europa, o Convento dos Inglesinhos ou o Terreiro do Paço.

[Esclareço eu nos comentários que para determinar prioridades para uma política coerente de preservação do património, é preciso conhecer como é que o dito património é percepcionado pelo cidadão.]

Fica aqui uma sugestão de leitura para quem deseje iniciar-se no assunto, uma obra excepcional de síntese da leitura dos elementos urbanísticos: "A Imagem da Cidade", de Kevin Lynch, publicada entre nós pelas Edições 70.

Pedrada no pântano

Hoje a Revista Atlântico passa a ser vendida separadamentemente do Público, com linha editorial independente, um mês depois de ter nascido. Uma pedrada no pântano nacional do politicamente-correcto.

É uma iniciativa arriscada, de sucesso e reconhecimento incerto, e de retorno económico muito difícil no restrito e desconfiado meio da imprensa nacional. O A Arte da Fuga deseja as maiores felicidades a todos os que para ela contribuem.

Por outro lado, o Partido Ecologista "Os Verdes"— conhecido pelo pseudo-ecologismo de bola vermelha no nariz— continua à pendura do PCP, 23 anos depois da sua fundação, para gáudio de todos os "mininos e mininas" que não dispensam a glória fácil do circo da política.

quarta-feira, abril 27, 2005

Pork Barrel

"Cumprir promessas", no Blogue dos Marretas

Quem quer ser líder de oposicão na Madeira?

Quem quer ser líder de oposicão na Madeira?...Calma, calma,...não se empurrem,...um de cada vez...um de cada vez...

Jacinto Serrão reeleito líder do PS-Madeira

O presidente dos socialistas da Madeira, Jacinto Serrão, foi reeleito líder do PS-Madeira, com o apoio de 92% dos militantes votantes em sufrágio directo realizado no último fim-de-semana.

A notícia é avançada na edição desta quarta-feira do Público, que recorda o facto de Serrão não ter tido qualquer adversário directo na eleição, depois da desistência de José António Cardoso.


[texto do MJP, um abraço!]

Recomendação cruzada

Cabe-me agradecer a recomendação do António Torres no Faccioso, retribuir, e lamentar não ter avançado com a cortesia mais cedo...

O Faccioso, apesar do nome, é um espaço de invulgar e desarmante independência ("Racionalismo, Pragmatismo e Liberdade. Interpretações facciosas e quase sempre politicamente incorrectas."). É uma escrita sincera, inteligente, idealista, ética. E um canon de coerência.

Greetings from planet Mongo


(MP3)
(WMV)

Um grande filme muito subavaliado:

"Klytus: Bring me... the bore worms!
Princess Aura: No! Not the bore worms!
"

(com dedicação ao Lóbi)

terça-feira, abril 26, 2005

Prémio "O ar é teu?"

"O Tribunal de Vale de Cambra absolveu hoje os nove activistas do Greenpeace que se acorrentaram a 29 de Março ao portão da empresa Vicaima, em protesto contra o abate de árvores na Amazónia." (Diário Digital)

"A juíza Susana Cajeira deu como provado que os ambientalistas se acorrentaram entre si (...) Considerou igualmente provado, no entanto, que os arguidos não transpuseram o portão"

TrêsQuatro excelentes posts

- "A nova grande causa do "centrão"" do LR no Blasfémias;

- "Discursos históricos" do Bernardo Pires de Lima n'O Acidental;

- "Os custos de estacionar" do LA no Office Lounging, não só mas também sobre posts do Jaquinzinhos;

- "A luta da liberdade" de André Abrantes Amaral n'O Insurgente.

Ver abaixo!

Sabendo que o que a maioria dos nossos leitores quer é ler as considerações do Adolfo Mesquita Nunes (AMN) sobre o Congresso do CDS-PP, cá vão os links directos (abrem em novas janelas):

- "Alguns equívocos"

- "O meu Congresso do CDS"

Abril é Evolução

Antes:


Depois:



(Centro de Documentação 25 de Abril, Universidade de Coimbra)
(Graffiti.org — Art Crimes — The Writing on the Wall)

Murais

Um importante documento histórico: o registo fotográfico (em CD-ROM) de uma selecção de "Murais de Abril", coordenada pela Fundação Mário Soares.

Combate ideológico (2)

Uma página da história (encontrada aqui):

NúmeroData da SessãoData do DiárioPáginas do DiárioPágina
1301976-03-311976-04-014323 a 43644356

O Sr. Secretário (António Arnaut): - Proposta de alteração, apresentada pelo Grupo Parlamentar do CDS:

Propõe-se a substituição, no § 4.º do texto do preâmbulo da expressão «e de abrir caminho para uma sociedade socialista» pela seguinte: «e de abrir caminho para uma sociedade sem classes».

O Sr. Sá Machado (CDS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: É evidente que não pudemos votar o texto da Comissão porque não somos socialistas. Mas, temo-lo dito muitas vezes, concordamos e subscrevemos os ideais de justiça social e de igualdade que iluminam a proposta socialista e que é praticamente o ideal da sociedade sem classes.

O Orador: - A nossa proposta visa justamente ressalvar esse valor essencial, mas desvinculado de uma metodologia política, concreta, com que não concordamos.

HCESAR desidiosi te salutant

O post João Miranda no Blasfémias, sobre o teclado HCESAR, lembra o tema dos "path dependant processes", em que concepções originais impedem que os sistemas evoluam na procura das soluções mais eficientes.

É bem sabido o exemplo anedótico do condicionamento do Space Shuttle ao tamanho dos traseiros dos cavalos, mas um caso bem mais prático é o do teclado QWERTY, concebido especificamente para reduzir a velocidade de escrita de palavras (porque tal encravava os martelos junto ao alvo).

Com o tempo, surgiram outros sistemas, como o Dvorak, que simplificava a escrita de palavras em inglês. Estes sistemas nunca vingaram por condicionamento prévio.

Tal como na tecnologia, os exemplos multiplicam-se na economia, nas ciências sociais, na política— especialmente na política, refém de inúmeros "pecados originais". O pensamento liberal e reformista também consiste em desafiar esses preconceitos e preguiças— e fazê-lo de forma inteligente e enquadrada.

Curiosidade - novos teclados:

Frogpag

DataEgg

(projectados)

Regra de igualdade de condições

É tão giro ver que ninguém dá ao Vital Moreira um lugar na TV, nem mesmo para que ele esteja um pedacinho calado...

segunda-feira, abril 25, 2005

Combate ideológico

Entender porque é que a direita, que tanto reclama o 25 de Novembro como o instante fundador da democracia liberal, não contesta nem debate a Constituição [aqui dizia-se uma grande baboseira], um documento basilar e estrutural que ainda hoje se propõe "abrir caminho para uma sociedade socialista".

Discutir-se se 25 de Abril é "Revolução" ou "Evolução" é prolongar o acordo tácito.

Provérbio do Dia

Out of the frying pan and into the fire.

Este post do Blasfémias, sempre!

Liberalismo e 25 de Abril por Rui A., no Blasfémias.

Alguns equívocos

Vejo muitas análises sobre o Congresso do CDS. E vejo muitos equívocos também. Aqui elenco alguns, sem com isso querer retirar o mérito de José Ribeiro e Castro, homem que considero bom, sério, responsável, credível, profundamente empenhado nas suas convicções e claramente iluminado pela sua cultura e bagagem política, que estou certo colocará à disposição do CDS, assim o deixem.
Alguém acredita mesmo que José Ribeiro e Castro, ou alguém por ele, não tenha (legitimamente) palmilhado as estruturas e não lhes tenha oferecido benesses?
Alguém acredita que o CDS é assim tão diferente de todos os outros partidos e que os seus Congressistas são assim tão desinteressados?

Alguém acredita que o Portismo estava todo em peso na candidatura de Telmo Correia, correndo o risco de desaparecer do partido, em vez de estar convenientemente dividida pelas duas candidaturas? Alguém acredita que os jovens turcos de Portas estão afastados da direcção?
Que fazem Nuno Fernandes Thomaz (o Secretário de Estado dos Assuntos do Mar e do barco do Aborto), João Luís Mota Campos (Secretário de Estado de Celeste Cardona), José Paulo Castro Coelho (ministro sombra de Portas) na direcção de Ribeiro e Castro?
Que fazem apoiantes de primeira hora de Paulo Portas (mesmo antes de ele se afirmar candidato a presidente) na direcção de Ribeiro e Castro, tais como Sílvio Cervan, João Varandas, Miguel Brito, Raul Almeida ou Sónia Sousa Mendes?

O meu Congresso do CDS

Entrei no Congresso do CDS sem ter plena certeza de quem deveria apoiar para a liderança do partido. Penso que, como eu, muitos dos congressistas queriam ouvir os candidatos e, tão importante como isso, os seus principais apoiantes, para poder decidir em consciência.

O primeiro discurso de Ribeiro e Castro não acrescentou muito à sua moção. Foi, no entanto, um discurso extraordinariamente inflamado, muito virado para o interior do partido, e destilando um entusiasmo que muitos queriam ver no seu próximo líder. No entanto, para mim que procurava encontrar um líder que permitisse a abertura do partido a novas questões e gerações e que não o recentrasse exclusivamente na democracia cristã, o discurso de Ribeiro e Castro nada me disse. Pelo que teria de esperar por novas intervenções. O primeiro discurso de Telmo Correia foi virado para o exterior do partido, mas quase sempre fazendo um balanço do passado. Ficaram por responder diversas questões que gostaria de ter visto analisadas. E foi um discurso menos entusiasta e, sobretudo (o que lhe foi fatal) menos afectivo.

Do resumo dos dois discursos foi possível perceber que os dois candidatos se afirmavam democratas cristãos e queriam manter a democracia cristã como trave mestra do partido. Que ambos ambicionavam tornar o CDS como maior partido português. Que ambos defendiam o Não ao aborto e o Sim ao tratado constitucional europeu. Que ambos apoiariam um candidato presidencial único do centro e direita. Que ambos apostariam nas autárquicas. Que ambos queriam a abertura do CDS à sociedade civil. Posto isto, teria de esperar pelos discursos dos apoiantes de cada um para me decidir.

De um lado, percebi que os apoiantes de Ribeiro e Castro temiam a abertura do CDS às correntes liberais. Maria José Nogueira Pinto chegou a defender que a primeira questão a ser colocada pelo partido deveria ser: “o que é ser português e o que significa a bandeira portuguesa hoje em dia?” apelando a um discurso mais conservador e nacionalista. Continuou dizendo que as ideias trazem eleitores e que o partido não deveria ponderar rectificar estratégias em busca de novos eleitores, apelando a um partido marcadamente doutrinário. Luís Nobre Guedes veio criticar a estratégia de falar para a classe média e para os empresários, dizendo que os empresários eram os eleitores do PSD e que as classes mais desfavorecidas e os novos pobres eram os eleitores do CDS, apelando a um reforço profundo da democracia cristã.

Do outro lado, os apoiantes de Telmo Correia falavam na necessidade de o partido se abrir a liberais e conservadores, alargando o seu espaço e, em consequência, esbatendo o seu carácter doutrinário. Pires de Lima defendeu um partido mais liberal, que encontrasse resposta para os que mais sofrem e para os que mais iniciativa têm. Chegou mesmo a criticar a forma fechada e dogmática como o CDS fala de família tradicional. Teresa Caeiro e Guilherme Magalhães alertaram para o risco de fechar o partido e de o tornar demasiadamente confessional, insistindo na vontade de tornar o CDS um partido mais pragmático.

O sentimento da sala foi exactamente contrário ao meu. De cada vez que um congressista falava no aprofundamento da democracia cristã, os aplausos somavam-se (muitos deles vindos de pessoas que ajudaram Manuel Monteiro a enterrar a democracia cristã). De cada vez que um congressista falava na abertura do partido, os sussurros somavam-se. O sentimento geral, que o segundo discurso de Ribeiro e Castro corporizou na perfeição, foi o de a democracia cristã poder estar em risco com Telmo Correia. Ribeiro e Castro ganhou o Congresso, e Luís Nobre Guedes percebeu perfeitamente o caminho quando discursou, porque se assumiu como o garante de um partido doutrinário. Telmo Correia perdeu apoios precisamente porque assumiu que queria abrir o partido a novas correntes.

Decidi por isso apoiar Telmo Correia, nomeadamente durante o seu segundo discurso, quando expôs o seu projecto de partido de quadros e aberto à sociedade civil, que não segregasse doutrinariamente, que encontrasse novas bandeiras e novas respostas, que assumisse a batalha cultural com a esquerda.

Quando Telmo Correia apresentou parte da sua equipa e apresentou para Secretário-Geral do CDS o nome de João Almeida, decidi que não poderia manter o meu apoio. Indepententemente das profundas divergências pessoais e políticas que me afastam de João Almeida, não consegui entender que um partido que se quer credibilizar e que quer encontrar um novo elan na sociedade civil apresentasse como Secretário Geral um pessoa cuja única actividade conhecida é a de político e cujas convicções estão bem mais próximas (legitimamente) do conservadorismo. E ao apresentar apenas os nomes Pires de Lima, Nuno Melo, Álvaro Castelo Branco e João Almeida, a sensação de todos os que apoiavam Telmo Correia no pressuposto de um novo e grande partido de quadros, pragmático e reformista, foi a de que apenas o nome Pires de Lima reflectia esse espírito e os restantes nomes eram insuficientes, sendo mesmo, no caso de João Almeida, um nome contrário ao projecto de partido sonhado.

Optei assim por me abster, não votando em nenhum dos candidatos. Foi, seguramente, uma opção de eleitor, mais do que militante. Um militante, quando as convicções não estão espelhadas em nenhuma candidatura, vota no menos mau, naquele que tem melhores pessoas mesmo que delas se discorde, naquele que ofereceu melhores lugares ou naquele que pareceu mais entusiasta. Esse não é o meu caminho. Senti que em consciência o Congresso não era um oportunidade perdida. Havia ali, isso sim, falta de oportunidade, porque nenhuma das candidaturas me assegurava aquilo que eu, talvez à força, sonho para o CDS. Abstive-me enquanto eleitor do CDS. Como militante, colaborarei sempre com tudo o que me for pedido e em tudo o que não violar as minhas convicções.

Teremos assim um CDS marcadamente doutrinário e essencialmente democrata cristão, que não é, nem pode ser o meu caminho. A esquerda já rejubilou. Veremos se o eleitorado de direita fará o mesmo.

Revista Atlântico - o site

Site da Revista Atlântico.

Bom no 25 de Abril...

...é poder ouvir toda a boa música de intervenção sem ser considerado um esquerdalho.

Liberdade

Aparelhocracia (corrigido)

São notáveis os artigos que António Barreto escreveu no Público, ontem e na semana passada, em que critica as medidas de limitação de mandatos e as regras de nomeação de cargos de confiança política.

António Barreto argumenta que ambos os casos apenas visam aumentar o controlo das cúpulas partidárias sobre o seu aparelho e sobre a máquina do Estado. Os políticos, aproveitando a noção demagógica que eles próprios só querem tirar partido do poder ("são todos iguais", diz o povo), tomam medidas "clarificadoras"— salvadoras da pátria mesmo—, que não fazem mais do que afrouxar o controle democrático que devia pender sobre a sua actuação.

Ninguém pensa que pela limitação de mandatos se mata o compadrio e a corrupção que se geram pelo abuso do poder. Ao arrancar as maiores urtigas, ficam campos inteiros de ervas daninhas para mondar.

Por outro lado, a infiltração dos partidos na máquina administrativa, agora processada à vista de todos (como se isso fosse moralizante!), é mais um garante que a teia de influências não tenderá a diminuir. A coisa pública será cada vez mais politizada, pois é sabido que as hierarquias inferiores tendem a mimetizar os seus comandos.

Por muito que se glorifique o sistema do políticos não-impolutos, é um facto que o problema é do foro da ética partidária. As nomeações para cargos executivos não são feitas de forma espontânea. Nem são as nomeações para os cargos de confiança política que não precisavam de o ser.

Se quisermos mesmo mudar a sociedade por decreto, temos [ADENDA: por absurdo] que impor aos partidos o controlo de que eles carecem— afinal os eleitores nem sempre "percebem" que a alternância democrática imposta pelo voto é um instrumento poderoso— ou seja, limite-se o tempo que os partidos podem estar no poder.

Hubble Space Telescope (15 anos)

domingo, abril 24, 2005

Isenção

Ontem, entre concertos, lá ia acompanhando o congresso do CDS-PP pela TSF— a rádio também transmitia, via Antena 2, o que se passava nas outras salas.

Quando Paulo Portas se queixou da comunicação social, os jornalistas lá mandaram umas bocas. Com certeza era mania de perseguição do ex-líder, insinuavam, despeitados.

Outra companhia foi o volumoso Expresso, que nem foi aberto, e o mais portátil Público. Este publicava escritos diferentes de São José Almeida e Ana Sá Lopes, que nas suas análises defendiam que face ao previsível atraso na realização de referendo ao aborto, a lei devia ser imediatamnete passada na Assembleia da República.

A fachada de Garrett (2)

O meu companheiro AMN irritou-se com o meu post sobre os "assuntos quentes" de Campo de Ourique, lendo que eu poderia estar a defender uma intervenção estatal no caso do Cinema Europa e da antiga casa de Almeida Garrett.

Era bom que o Estado pudesse disponibilizar todo o tipo de equipamentos sociais e culturais; mas infelizmente é preciso definir prioridades que têm de ser tanto mais objectivas quanto maiores forem as carências financeiras das entidades públicas.

Não há necessidade de uma "Casa Almeida Garrett" financiada por dinheiros públicos. Mesmo que fosse realizada, seria uma pequena e pobre homenagem ao grande escritor. E de pouco serviria— basta ver a actividade da Casa Fernando Pessoa. É importante que o Estado intervenha exemplarmente, mas para mandar deitar abaixo a dita fachada sem mais demoras.

Infelizmente, a prática demonstrou que o Cinema Europa não era viável comercialmente. Pode alegar-se que a gestão de Carlos Cruz foi má, e que não se esgotaram todas as possibilidades de experiência privada. Mas muito se tentou, até que João Soares (que tinha em mãos dossiers mais importantes como o S. Jorge, por exemplo) decidiu pagar principescamente para passar para o Estado a sua gestão. O resultado foi o abandono do Cinema Europa.

O imóvel chegou ao fim da sua vida. É claro que isso consterna os cidadãos e principalmente a junta de freguesia, que é de cor contrária à da Câmara (curiosamente não tem opinião quanto à fachada Garrett!). Se o Estado puder ser o catalizador de uma utilização que represente uma mais-valia para o bairro, melhor. Caso contrário deverá rapidamente declarar o seu desinteresse e deixar funcionar a iniciativa privada.

Produtividade

Pergunta de maçarico recém-chegado ao mercado de trabalho:

— nós aqui fazemos ponte?

— nós não fazemos ponte. Nós construímos pontes.

sexta-feira, abril 22, 2005

Lock 'em up

Recebi no correio electrónico publicidade da Gant relativa ao Dia da Mãe.

Metade das modelos, com idade para ser mãe, é verdade— mas não minha!— são bem mais novas que eu. Não se nota naquelas carinhas e naqueles corpinhos um único sinal de "maturidade"— antes pelo contrário. Perturbador.

Amigos bloggers: se a vossa mãe tiver este aspecto, um conselho: fechem-na bem fechada.

O Túnel do Marquês (2)

Os opositores do projecto reclamam um estudo de impacte ambiental que porá tudo a limpo. Mas por muito que isto choque, estudos de impacte ambiental não são "estudos científicos credíveis". Só quem não trabalha no meio não se apercebe do incrível grau de arbitrariedade com que são elaborados. A isto voltaremos.

O primeiro e mais importante pre-requisito a ser barbaramente atropelado (por total omissão!) foi um estudo de tráfego que previsse como se comportariam os fluxos automóveis após construção do túnel, com o fim único de determinar o seu interesse para a cidade.

Infelizmente, foi aplicado à cidade um tipo de empirismo que funciona no mundo difuso da política, mas falha redondamente na prática, onde a realidade não pode ser conformada aos sonhos e às ideologias abstractas.

O projecto foi prometido por Santana Lopes, que fez dele um cavalo de batalha eleitoral. Como passou a ser habitual na sua experiência governativa, falhou. Na altura de dar ouvidos ao bom senso, devia ter lançado estudos, tirado conclusões, dado o dito por não dito, e empenhado energias em projectos mais estruturais e necessários.

A questão pertinente, agora, é questionar onde estavam aqueles que deveriam tê-lo demovido desta ideia peregrina.

O Túnel do Marquês (1)

Só não tenho opinião definitiva sobre o Túnel do Marquês por uma questão metódica— neste assunto técnico, a minha formação profissional exige que só dê ouvidos ao que diz a minha intuição após ter tido conhecimento de resultados de estudos científicos credíveis que sustentem ou desaconselhem por completo a obra.

Não queria pronunciar-me sobre particularidades conceptuais ou estruturais do anteprojecto levado a concurso, ou respectivas questões processuais, por ter tido acesso directo a esses mesmos elementos e estar obrigado à obrigatória discrição deontológica.

Mas diz a intuição de qualquer engenheiro que o Túnel foi mal concebido de raiz— não por motivos ambientais, estruturais ou construtivos, mas porque a sua concepção como estrutura viária contraria as mais elementares regras do bom senso, quanto mais da arte de projectar infraestruturas de transportes.

Foi tudo a correr para Espanha

Edição da «Love Parade» de Berlim foi cancelada.

Esquerdismos?

A Concelhia de Lisboa da JP apresenta os seus 19 representantes no Congresso do CDS/PP listando primeiro os seus elementos femininos.

A malta lá do meio da lista que me esclareça (especialmente o JCS, apenas um nico afastado da mediana): estão ordenados por sexo?

Every man fights his own war


This great evil--where's it come from? How'd it steal into the world? What seed, what root did it grow from? Who's doing this? Who's killing us, robbing us of life and light, mocking us with the sight of what we mighta known? Does our ruin benefit the earth, aid the grass to grow and the sun to shine? Is this darkness in you too? Have you passed through this night?

the "wierd" factor

No vitriolica webb's ite, via Xanelcinco...

A fachada de Garrett

Já que o António puxou o assunto, falemos então da Casa onde Almeida Garrett viveu escassos meses e morreu. Melhor seria falar em fachada, porque não existe nem casa, nem espólio, nem absolutamente nada que testemunhe a presença de Almeida Garrett por ali.

A casa chegou ao estado de total destruição precisamente porque durante anos ninguém ali quis fazer nada. Ninguém. Muito menos a gestão socialista e comunista que, nas comemorações do bicentenário do nascimento de Garrett, nada fez pela casa que agora tanto quer preservar.

O valor da casa é o da memória de Garrett, que já tem estátua, nome de rua e nome de sala de teatro em Lisboa. Existe ainda a Casa Museu Garrett no Porto. E existe a Biblioteca Municipal Almeida Garrett também no Porto. Fora todas as restantes evocações de Garrett por este país fora.

O que fazer então com uma mera fachada, sem nada para lá colocar dentro? Eu tenho uma sugestão: os admiradores da obra de Garrett criam uma associação de amigos de Almeida Garrett, que enceta negociações com o proprietário para comprar, com as quotas que pagam, o dito prédio. E depois criam um verdadeiro espaço cultural vivo, onde residam mais do que 3 funcionários municipais, uma placa e um busto, onde se celebre Garrett.

O que não fazer? Exigir que um município que tem inúmeras obras em curso na área cultural e viva com recursos escassos, compre um edifício, construa lá uma casa, compre espólio, contrate funcionários e nomeie directores para lá ter uma exposição e um busto e uma placa.

Ainda se Lisboa ignorasse por completo a extraordinária obra de Garrett...

Notas culturais de Campo de Ourique

O movimento SOS Cinema Europa continua a "lutar pela preservação, no essencial, do edifício onde funcionou o Cinema Europa e, por outro lado, defender a sua reutilização como Europa – Casa da Cultura / Centro Cívico.". A não esquecer que o Cinema Europa era um cinema.

A Livraria Ler volta a expor os livros proibidos pela ditadura. Este exercício de saudosismo é o ponto alto da actividade anual de uma livraria que resistiu à censuma mas ameaça fechar porque se recusou a acompanhar os tempos.

Continuam os esforços para "salvar" a antiga casa de Almeida Garrett, da qual só resta a fachada banal, a fechar entulho num terreno mínimo. O IPPAR propõe-se classificar o imóvel. O assunto promete polémica porque o dono da casa é o ministro da Economia, Manuel Pinho.

ADENDA: Descubro, via Marretas, que o comentador mais chato da nossa praça é lá do bairro.

ADENDA 2: este post foi escrito com distanciamento e algum desinteresse. A minha opinião sobre o assunto está acima: Se o Estado puder ser o catalizador de uma utilização que represente uma mais-valia para o bairro, melhor. Caso contrário deverá rapidamente declarar o seu desinteresse e deixar funcionar a iniciativa privada.

Debate sobre o Aborto

Anteontem, na SIC-Notícias, as deputadas Odete Santos (PCP) e Ana Catarina Mendes (PS) debateram os projectos de lei relativos à despenalização do Aborto, conforme apresentados na Assembleia da República pelos respectivos partidos.

Nestes debates em que só um "lado" é representado, já se espera tudo menos confronto e discussão de ideias— estas baixas expectativas são frequentemente comprovadas. Contudo, tal não aconteceu na quarta-feira. O projecto do Partido Socialista foi desmontado e enxovalhado de uma forma confrangedora— mais uma "trapalhada" do Governo.

O projecto do PCP é de grande simplicidade: Aborto a pedido até às 12 semanas, o mesmo prazo mínimo vigente para casos de necessidade comprovada. O PCP não entende que a acção não moralmente reprovável, mas é um mal necessário que tem de ser encarado de frente, depressa e bem. Considera as mulheres capazes de tomar essa decisão em consciência.

O projecto do PS prevê que o Aborto seja permitido até aos 4 meses em casos excepcionais, incluindo motivos económicos.

Primeiramente, há que perguntar porquê quatro meses, dado que não foram avançadas nenhumas explicações ideológicas, médicas (saúde da mãe, viabilidade do feto) ou estéticas (as ecografias...?) para esta barreira temporal.

Mas a maior polémica, que tem atingido a bancada parlamentar socialista, recai sobre a questão económica. Considerando o PS existir o "direito ao aborto", por que razões seria negado a quem não tivesse dificuldades económicas? Que entidades comprovariam a existência das mesmas necessidades? Seria de considerar a saúde financeira familiar? O que se entende por meio familiar? Tradicional ou "alargado"? Não seria então de considerar motivos sociais? Não é isso que será permitido sem restrições até às 10 semanas?

A deputada socialista revelou que o PS estaria disposto a deixar cair esta disposição na discussão na especialidade.

Discutiu-se a legalidade da pergunta, tendo admitido Odete Santos que a pergunta poderia levantar objectões formais legítimas. É óbvio que por detrás da simplicidade aparente da pergunta, esconde-se a vontade do PS em fazer divergir a discussão pública do essencial — não os quatro meses, mas a despenalização em si. Uma situação reminiscente da última pergunta à Constituição Europeia.

A pergunta foi descuidada ou premeditadamente formulada, aprovada pela Assembleia, enviada para Belém, e lançou-se a polémica, como era de esperar.

É sabido que o Partido Socialista pretende, antes de tudo, evitar que mulheres sejam julgadas pelo crime de Aborto. Contudo, Odete Santos diz que o projecto do PS terá sido decalcado de uma lei francesa, que previa nos mesmos moldes a despenalização total até às 10 horas. Esta lei terá redundado em fracasso, e teve de ser alargada até às 12 horas por se ter verificado na prática que o prazo era insuficiente para resolver todo o processo.

Será esta proposta que será levada a referendo.

Por fim, o PS propõe que as mulheres passem previamente por um Centro de Aconselhamento. Na evidência que isso atrasaria ainda mais o processo, a deputada socialista revelou que o Partido Socialista está disposto a deixar cair esta medida em discussão na especialidade.

Perante a falta de rigor político do projecto de lei do PS, a deputada Ana Catarina Mendes referiu que o projecto basicamente pouco diferia do que tinha sido apresentado em 1998 por altura do outro referendo, mas que agora haveria oportunidade de o melhorar.

Verifica-se que o Partido Socialista, na ânsia de condicionar a agenda política, avançou com um projecto antigo, caído no esquecimento durante seis anos. Não o actualizou perante a mais recente realidade nacional e europeia. Apenas juntou à proposta algumas medidas avulsas reconhecidamente pouco práticas, com a agravante de serem pouco consensuais dentro do seu grupo parlamentar.

O projecto que foi apresentado será despido de superficialidades na discussão na especialidade, restando uma proposta (das 10 semanas) de difícil viabilidade prática. Muitas mulheres ultrapassarão o prazo, por lentidão burocrática. Enfrentarão o problema moral de continuar o processo de forma clandestina, de inventar motivos extremos que até aí não "existiam", ou de assumirem tardiamente uma gravidez indesejada, fracassadas as suas espectativas (literalmente) legítimas.

Esta ilegalidade será estatisticamente comprovada pelo Estado, que terá então de fechar os olhos ou sujeitar as mulheres à humilhação do escrutínio público e legal — precisamente o que o Governo pretende evitar. Em última análise, esta medida terá de ser alterada. Nesta legislatura ou na seguinte, passará a classe política e a sociedade a discutir se o referendo "10 semanas" poderá ser aplicado às 12 semanas.

É uma questão de honestidade intelectual e cívica insistir que as leis da República, mesmo quando divergem da nossa consciência, sejam bem concebidas e bem aplicadas. O projecto de lei foi mal engendrado, mal apresentado na Assembleia, mal aceite mesmo pelos socialistas, mal defendido nos meios de comunicação social, e vai dar azo a mais roturas sociais do que é necessário. O PS volta a não surpreender.

A Direita e a Cultura Parte III

Volto à questão da cultura, depois de ler o post do Diogo e do Pedro, no qual encontro algumas afinidades. Mas gostaria de ir um pouco atrás. Partindo do pressuposto que considero importante o acesso à cultura, tenho de criar condições para que ele exista para quem o queira. Portanto, tenho de verificar se existem mecanismos que garantam a criação cultural e a divulgação cultural.

Ora, a criação cultural é um fenómeno de talento. Só dela faz profissão quem considera que a mesma pode ser rentável ou que da mesma pode viver. Quanto a mim, esta divisão é muito importante. Existem os criadores que não estão interessados no lucro, apenas na sua fruição criativa que, num acto de generosidade, partilham com os restantes existem os criadores que entendem que querem fazer da cultura a sua profissão. Aqui, essas pessoas são iguais a todos nós que trabalhamos. Têm por isso que racionalizar a sua actividade de forma a que mesma possa garantir a sua sobrevivência. Isso obriga, necessariamente, a que eles se encarem como trabalhadores como outros quaisquer, com as contigências de todos os outros.

Feita esta distinção, o Estado pode agora pensar no que fazer, atento o interesse que tem na existência de um panorama cultural rico, interessante e diversificado.

Quanto aos criadores culturais não profissionais, impor-se-á, por exemplo, ajudar na sua divulgação, através da organização, em parceria com privados, de festivais, mostras, exposições, feiras ou na disponibilizarão das infra-estruturas e espaços necessários à sua divulgação. Isto porque o Estado reconhece um interesse na sua actividade.

Quanto aos criadores profissionais, é importante que o Estado olhe para eles como profissionais e os trate com a mesma (ausência) de assistencialismo que aos restantes. Tanto me faz que um artista tenha de, por vezes, ceder ao seu gosto para ganhar dinheiro, porque muitas vezes também deixo de fazer certos trabalhos porque os mesmos são menos lucrativos, embora neles menos me realize profissionalmente. E se são profissionais, o Estado tem de encarar a formação profissional nessas áreas. Falo não só das áreas criativas como as áreas de gestão cultural, por exemplo. Tem igualmente de estar receptivo às condições específicas dos profissionais. Um bailarino tem a sua decadência profissional muito mais cedo, por exemplo. Não pode, por isso, pretender que ser artista não é profissão, ou que é profissão menor.

Quer aos criadores profissionais quer aos restantes, existem depois outros mecanismos importantes como o apoio ao mecenato, os benefícios fiscais ou não obstaculização de meios de financiamento.

O Estado pode, claro, financiar, de forma programada e racional, alguma criação. Mas esse não é o cerne da sua actividade. Ele só deve financiar aquilo que for praticamente impossível de subsistir sem a colaboração do Estado. Ele aliás só deve financiar aquilo que necessita, por natureza, de investimentos avultados. E como reconheço importância, por exemplo, à Opera ou às Orquestras, acho que o Estado deve intervir para a sua manutenção. Mas se o Estado só financiar em determinadas circunstâncias, gastará menos dinheiro do que actualmente.
Por fim, há o outro lado da cultura. O lado da procura, do consumidor. Que fica para mais tarde. Como ficará para mais tarde a análise de outro facto, que me parece importante, que é a afirmação cultural de Portugal como factor económico muito relevante e, assim sendo, carece de uma atenção especializada por parte do Estado.

Canal História

N' O Sinédrio, o Bernardo Pires de Lima e o Henrique Raposo revisitam os míticos apresentadores e comentadores de TV. Aqui vai uma pequena ajuda, ainda sem fotos, que espero conseguir providenciar em tempos próximos.

Alice Cruz e o seu marido Rui Romano. O infindável Ponto por Ponto de Raul Durão. A Ana Paula Reis e a sua estridente voz juntamente com o Fialho Gouveia em programas de fim de tarde. Luís Pereira de Sousa saído da prateleira todos os Verões.

E já que eles falam dos Jogos Sem Fronteiras (que muito devem ter dado alegrias ao Madeirense António Amaral), falo de Ivone Ferreira e Ana Zanatti, que apareceram antes da Ana do Carmo.

Mas se eles têm os Jogos Sem Fronteiras, aqui o A Arte da Fuga tem o Festival RTP da Canção. Desde Júlio Isidro a Margarida Mercêz de Melo, passando por Manuela Moura Guedes, Nicolau Breyner, Rita Ribeiro, Valentina (ou deveria dizer Valentona) Torres todos passaram por lá.

Muss es sein? Es muss sein! Es muss sein! Ja ja ja ja Es muss sein!


(clique para aumentar)
Mais uma ironia beethoviana:

“A certain Dembscher owed Beethoven fifty florins, and when the composer , who was chronically short of funds, reminded him of the debt, Dembscher heaved a mournful sigh and said, ‘Muss es sein?’ To which Beethoven replied, with a hearty laugh, ‘Es muss sein’ and immediately jotted down these words with their melody. On this realistic motif he then composed a canon for four voices: three voices sing ‘Es muss sein, Es muss sein, ja, ja, ja, ja!’ (It must be, It must be, yes, yes, yes, yes!) and the fourth voice chimes in with ‘Heraus mit dem Beutel!’ (Out with the Purse!). A year later the same motif showed up as the basis of the fourth movement of the last quartet, Opus 135."

A Festa da Música começa hoje!

quinta-feira, abril 21, 2005

E Depois do Adeus

Meu caro PPM, aqui o je tem o E Depois do Adeus, versão Paulo de Carvalho, quer em português, quer em inglês...

A Blogosfera à escuta

O Acidental passou a ter som!

(Caro PPM: Tive muito gosto em ajudar— é com prazer que vejo o "monstro" à solta!— e obrigado link que tem trazido a estas páginas tanta gente tão pouco preparada para alguns disparates que aqui se escrevem! :D )

Trilogia Acidental


Hoje, na FNAC do Colombo, a não perder: o lançamento de "O Acidental" — o livro!