terça-feira, Maio 31, 2005

Hino à Humanidade

Ludwig van Beethoven, Concerto para Piano e Orquestra n.º5 Op.73, "Emperador"
[ Allegro | Adagio un poco mosso | Rondo (Allegro) ]

Parabéns

Ao Crackdown por um ano de existência!

Desacordo ortográfico

O artigo "De olhos bem fechados" de João Pereira Coutinho na Folha Online, bem apontado pelo FA do No Quinto dos Impérios, tinha uma gralha grave de revisão, entretanto já corrigida.

Referia-se a Robert Schuman, um dos visionários e "pais" da Europa (ver declaração Schuman), mas escrevia "Robert Schumann", nome do compositor alemão.

Um "n" excedentário tanto no boletim de voto como na coluna de opinião. Revi o artigo corrigido. Não substituiram Monnet por Monet, menos mau.

Longe vão os tempos em que os políticos eram artistas, cientistas, filósofos. De certa maneira a confusão inconsciente (se não foi puramente ortográfica) é reciprocamente elogiosa. Pergunto-me com que artistas serão confundidos os actuais ideólogos da construção europeia...

Festivais de Verão



"Défice: Sampaio apela a «espírito patriótico» de sindicatos e patrões (Diário Digital)

Associação de ideias:

- "espírito patriótico": Portugal!

- Portugal: soberania!

- soberania: Presidente da República!

- Presidente da República: Palácio de Belém!

- Palácio de Belém...

MALTA, tudo à manif para a frente do Palácio de Belém!! Sampaio seu fascista!!!

Maiorias qualificadas

- Blasfémias: Por outro lado, ou se aceita que uma Constituição só pode reflectir a relação de forças do momento, e nesse caso não há nada para discutir, ou se considera que uma Constituição deve reflectir determinados princípios de justiça, e nesse caso, há muito para discutir.

- Causa Liberal: E sempre aviso que se assim é, significará isso que qualquer região de um qualquer país europeu pode votar pela Secessão e Independência com um referendo local de maioria simples?

Ainda na mesma linha

Blogue Queridos Anos 80

O que resta

O que resta da infância não são os desenhos animados. Não são as fotografias ou os episódios que revemos. Nem sequer as músicas, encontradas na net e com som do vinil. O que resta mesmo da infância é nosso olhar sempre que encontramos alguém que se lembra dos mesmos desenhos animados. Renasce nesse momento uma cumplicidade infantil que custa quebrar quando se regressa aos temas da actualidade.

Só mais um...

Na senda deste post, aqui ficam os amigos de Gaspar, ao som do Sérgio Godinho se eu fosse o António Amaral e soubesse colocar músicas...


Já agora, alguém encontra imagens da Árvore dos Patafúrdios? Os que cantavam por incrível que pareça, não há que não nos aconteça ai ai ai ai ai...

De volta a Bach


Barbara Bach aka Major Anya Amasova

Pergunta

Que associação existe entre os posts:

- "Deve a metafísica ser ensinada nas escolas?" do João Miranda no Blasfémias;

- "Quadratura" do Adolfo Mesquita Nunes cá no A Arte da Fuga?

(aviso: é algo rebuscado)

segunda-feira, Maio 30, 2005

Melhora com a idade

"Quem Tudo Quer, Tudo Perde" (JCD no Jaquinzinhos)

Adcracia (2)

Para a elaboração do Minority Report, foram consultados cientistas e visionários que lhe deram uma consistência admirável (se excluirmos a parte das habilidades extra-sensoriais). É um excelente filme de previsão científica.

Este género conheceu um programa de TV que atingiu estatuto de culto: Max Headroom ("twenty minutes into the future") (rodada 1985, mas ainda não editada em DVD).

Era uma série de ficção científica que vinha no seguimento do livro "Neuromancer", de William Gibson, que praticamente criara o género cyberpunk.

"Max Headroom" apresentava um futuro distópico onde megacorporações procuravam o monopólio dos meios de comunicação, inventando dispositivos cada vez mais sofisticados para "agarrar" os telespectadores à televisão. Tudo porque estes tinham cada vez menos pachorra para programas compridos, pouca atenção e pouca tolerância a distracções. Faziam zapping por tudo e por nada. A série passava-se em 2004.

As corporações inventaram um sistema ("blipverts") que dispensava a publicidade, usando mensagens subliminares que permitiam saturar os espectadores com informação comercial. Este processo tinha o inconveniente de sobrecarregar o campo eléctrico humano. Alguns couch potatos desenvolviam ataques epiléticos, e com azar podiam explodir de forma aparatosa— menos audiências fiéis. (não podia faltar a parte gore/camp!)

Para além da parte mais fantasiosa e da dimensão pop, Max Headroom apresentava um assustador conjunto de conceitos que hoje são familiares. Uma obra genial.

Museum TV | CorporateMofo

Adcracia

Ainda na linha da "Chantagem invertida" e do editorial da AdAge (password aqui), vale a pena debruçarmo-nos sobre o assunto para fazer outra viagem no tempo.

Hoje em dia é um facto adquirido que não podemos escapar à publicidade em todas as formas e feitios— seja nos media tradicionais, no mobiliário urbano, em tudo o que se mexa, nos patrocínios, nos endorsements, no product placement, no roach baiting, no spam ou no telemarketing, e se formos dados a isso, nas fantasiosas formas de publicidade subliminar.

A publicidade é simultaneamente comunicação, informação, arte, cultura, e doença. Se o século XX foi aquele em que o conteúdo informativo se apoiava comercialmente na publicidade, e em que a publicidade usava o meio informativo como veículo, estamos a caminhar a passos largos para uma fusão dos dois domínios.

A realidade caracterizada no filme "Minority Report"— uma sociedade quase-saturada de publicidade, orientada segundo as necessidades de cada indivíduo (que suprema forma de capitalismo!)— não está tão longe como isso.

A integração dos computadores, dos media, da inteligência artificial, da informação biométrica e comportamental dos consumidores, e da publicidade com o meio físico é um campo de altíssimo perfil de Investigação e Desenvolvimento nos dias que correm.

O A9 da Google/Amazon é um primeiro exemplo prático, como será o Passport quando a Microsoft decidir avançar com o seu potencial. Scientia est potentia.

É de esperar que no futuro não tenhamos que suportar anúncios que não gostamos: serão automaticamente substituídos por aqueles que apelam ao nosso sentido pessoal de estética, humor ou inteligência. Nunca mais aturar promoções de produtos que nunca vamos comprar ou recomendar: apenas os nossos gostos e hobbies espelhados em cada esquina. A publicidade vai deixar de apelar aos instintos básicos e antisociais dos outros para apelar aos nossos próprios instintos e impulsos. E também vai aprender a lavar mais branco as nossas cabecinhas.

Chantagem invertida (2)

A filosofia "passa para cá o dinheirinho que a gente não te chama de 'fascista'" ganha outros contornos quando se coloca a questão:

— As publicações reservam-se o direito de não publicar publicidade de determinadas empresas ou entidades?

Obviamente que sim. É também por isto que alguns gostam de ser jornalistas.

Private post

Este post é dedicado ao gajo que anda a ver o 24 enquanto eu ando a arranjar lenha para me queimar...

Ai tão cansativos...





[ fotografias clicáveis— isto não é o blogue da esquina! >) ]

France douze points...

- Bon Soir l’Europe, ici Paris, voici les resultats français: NON : 54, 86%…
- NON 54,86, NO 54,86
- … OUI:45, 14
- OUI 45, 14, YES 45,14
- Et c’est ça. Merci beaucoup.

- Merci Paris. It is now time to call another jury. Let’s now call The Netherlands. Hello The Hague, can you hear me?

Quadratura

O problema do défice resolve-se em parte através de reformas profundas em diversos sectores, quase todas redundando numa nova perspectiva de Estado.

Só o Governo pode adoptar essa nova perspectiva de Estado.

Essa nova perspectiva de Estado terminará com inúmeros benefícios (imediatos e aparentes) de que hoje beneficia a generalidade das pessoas.

O problema do défice resolve-se, aparentemente, contra a generalidade das pessoas.

O governo emana da Assembleia da República eleita.

São as pessoas que elegem a Assembleia da República e não consta que no contrato eleitoral lhes peçam que resolvam o problema do défice, mas antes a manutenção do seus benefícios.

Pergunta do dia

Porque é que, quando se trata de vencer eleições presidenciais, não interessa se os votos também vêm da extrema esquerda, mas para ganhar um referendo a um Tratado europeu tal é crime de lesa majestade?

Como perder um referendo

De acordo com Ana Gomes, a inteligência, o bom-senso, o pragmatismo, o europeismo e o sentido da História dos franceses perderam no referendo.

Quem tem medo...

Agora que o Não ganhou em França, vai ser um corropio de políticos nas lojas de animais de estimação. Ou era tudo a fingir?...

Paradoxo do Dia

Muitos do que em Portugal anseiam por uma Europa Social e de Providência (PCP e Bloco de Esquerda) votariam Não no Referendo ao Tratado. Ficam com a Europa Económica e Monetária.

Fica registado

O ministro de Estado e das Finanças, Luís Campos e Cunha, admitiu segunda-feira que a taxa máxima de IVA, que aumentará de 19 para 21%, se manterá neste valor até ao final da legislatura, ou seja, 2009.

«Se o próximo ministro das Finanças quiser baixar os impostos daqui a quatro anos, quer dizer que este Governo fez um bom trabalho»


Um desafio ao ministro: que à falta de melhor cumpra o prometido estipulado ("Governo vai reduzir défice para os 3% em três anos"), e que no fim do ano seguinte este défice, calculado com o IVA a 19%, seja inferior ou pouco superior a zero. Independentemente da vontade política do "próximo ministro". Mãos ao trabalho.

Procura-se mais um homem de esquerda... (2)

...para dar continuidade à "onda rosa" que está a varrer o país:

- António Guterres;
- António Vitorino;
- Jaime Gama;
- Manuel Alegre;
- Vítor Constâncio;

Touché

" Água em pedra dura?" do BrainstormZ n'O Insurgente.

domingo, Maio 29, 2005

One-way good two-ways bad

"Governo quer publicitar na Net empresas com dívidas ao fisco" (Diário Digital)

E se publicitassem as empresas a quem o Estado deve dinheiro?

Ça y est

- NON

- Prochain arrêt: Les Pays-Bas.

- "...Par hazard, j'ai ici un «plan B»... alors: allons-y encore une fois?"

Devem achar, devem...



(mov)
MP3
Enquanto vocês viam famílias felizes...

Blindagem

"A Constituição Europeia, uma vez aprovada, fica “blindada”. A sua revisão é quase impossível!

O que isto significa é que as alterações terão de ser aprovadas primeiro pelo Conselho Europeu por maioria simples, depois pela Conferência de representantes dos Estados Membros, por unanimidade (“de comum acordo”) e por fim ratificadas por todos (nova unanimidade!). Isto vai impedir praticamente qualquer alteração significativa!
"

(João Carvalho Fernandes no Fumaças)

O blogue do "monstro"

Apesar do "muso", vale a pena espreitar o novo blogue "Despesa Pública"...

Blogspotices

O Público lançou "a KULTO, uma revista de 16 páginas produzida pela Estado de Sítio para o PÚBLICO, direccionada para jovens de ambos os sexos, dos 7 aos 13 anos", com um blogue próprio: http://www.kulto.blogspot.com.

É curioso que depois de fechar a versão online da edição impressa, estratégia que mereceu os protestos de muitos bloggers, o Público recorra agora ao maior serviço gratuito de blogues, o Blogger...

Late night 'enros'...

"já era altura do Blogger implementar um sistema de comentários hierarquizados..."

...e já agora um corrector ortográfico (com contador na página, para não abusarmos dele), para aquelas madrugadas que puxam pela fonética mais boçal...

Democratas de esgoto

Prémio para Luís Osório e Vital Moreira ex aequo.

Chantagem invertida

Como a "liberdade de imprensa" pode ser usada para negar a liberdade à livre iniciativa das empresas, no Barnabé.

O princípio é simples: algumas empresas exigem "filtrar" o conteúdo de notícias sobre as suas actividades, tendo criado mecanismos automáticos de suspensão de contratos de publicidade nos media que se recusarem a cumprir essa exigência.

A lógica de quem se opõe é simples: trata-se de uma chantagem. Os media devem poder morder a mão que os alimenta, e a mão tem de ficar no sítio. Qualquer hesitação no não pagamento de publicidade deve ser denunciado como pressão insustentável sobre a liberdade criativa dos jornalistas.

Blogofórum

O post "Deve a metafísica ser ensinada nas escolas?" no Blasfémias regista 162 comentários. Invejável. Um verdadeiro serviço público. E já era altura do Blogger implementar um sistema de comentários hierarquizados..

"alors c'est non, nom de nom?"

Hoje: primeira iteração do référendum em França.

1. título roubado a um artigo do Libé;
2. "nom de nom": interjeição;

Teste de paternidade

A propósito do livro em que Cadilhe acusa Cavaco de ser o pai do "monstro" (aqui artigo do Diário Digital), comenta o BrainstormZ n' O Insurgente:

"No entanto, convém não esquecer a restante família do "Monstro": o avôs (Alvaro Cunhal e Mario Soares), o tio (António Guterres), o padrasto (Durão Barroso) e os irmãos (Santana Lopes e José Sócrates)..."

Considerando que já houve quem identificasse o "pai, mãe, avô, avó, gato e periquito do défice"— "a família do défice que está para as finanças públicas como a família Adams está para os filmes de terror"— isto está a começar a parecer uma telenovela australiana...

sábado, Maio 28, 2005

A PIDE voltou (2)

"Os carros são da empresa. A casa também. A de férias também. E o Rolex, o plasma, os computadores, o colégio dos putos, o crédito na Hermès, sim e nem imagina as oportunidades empresariais que existem em Bora-Bora.

A empresa? A empresa é uma chatice, só me dá prejuízo.
"

A PIDE voltou

Perante a previsível sobrecarga dos serviços fiscais, quem define a pertinência ou a prioridade da investigação?

(título roubado ao Lóbi do Chá)

Ressaca

Quando todos cabeçalhos de jornais do tipo "Governo [decide-qualquer-coisa]" são lidos "Guterres [decide-qualquer-coisa]"

sexta-feira, Maio 27, 2005

Conspirações (2)

Entretanto, f. passa a tentar explicar a injustiça das reacções que surgiram a propósito dos programas de educação sexual, noticiados no Expresso.

Aparentemente, é suposto os portugueses aceitarem docilmente as experiências que os ideólogos "não-conservadores" decidem fazer com a sociedade— porque são boas para eles—, mesmo que choquem com os valores instituídos, e mesmo que sejam feitas sem o seu conhecimento. Verificou-se: o interesse mediático e bloguístico frustrou o projecto, o que prova a existência de uma conspiração conservadora e reaccionária também em Portugal.

Sarcasmos à parte, admite-se que todo este caso tenha sido fruto do brainstorming de alguém sem o juízo de conservar as suas ideias revolucionárias para si próprio. Contaminou-se o debate e prejudicou-se o objectivo urgente de integrar nos programas escolares as temáticas da saúde sexual e reprodutiva, numa perspectiva não moral.

Arrepia que aquele projecto descabido possa ter sido pensado como "experiência-piloto", com o mesmo despudor científico e moral com que se mudam programas lectivos para agradar aos egos de uns quaisquer pedagogos no Ministério da Educação.

Mas sobretudo choca que se ponha em causa a preocupação dos pais, o seu direito à informação e participação na instrução dos filhos, a sua "última palavra" na educação das crianças, reduzindo tudo à lenga-lenga ideológica dos "movimentos conservadores ou reaccionários", como já se leu por aí.

Fica um extracto do artigo "Manifesto antidesânimo" (subtítulo "Loucura sexual") de Graça Franco, na edição impressa do Público, de segunda-feira 16 de Maio de 2005, que mantém a actualidade sobre a mentalidade dos proponentes destas tristes propostas:

Nem na década de 60 esta sexualidade reduzida à mais pura genitalidade estava na moda! Aí, lembram-se, ninguém se esquecia, pelo menos, de falar de Amor. E era "fazer amor" e não "fazer sexo" que se recomendava como via pacifista. Eu percebo que os paizinhos autores daqueles manuais não queiram aulas de educação sexual dadas por mim ou por outra qualquer conservadora. Percebo até que fiquem de cabelos em pé com a simples ideia de se poder traumatizar os rebentos com a noção de pecado (para quem não saiba, significa ofensa a Deus), associado a uma série de comportamentos que, pelos vistos, consideram não apenas "normais" (o que nalguns casos a noção estatística desmente frontalmente), mas, e sobretudo, como absolutamente recomendáveis (e aí quem fica de cabelos em pé sou eu!). Mas espero que seja reconhecido o direito à objecção de consciência dos pais que não queiram ver os filhos sujeitos a esta espécie de catequese bloquista. [...] Nem que tenha que evocar o direito ao respeito pela cultura e sexualidade das "minorias".

Conspirações

No Glória Fácil, f. entretém-se a comentar sobre uma suposta teoria da conspiração que descobriu que os media nos Estados Unidos seriam maioritariamente conservadores — "a forma como, diz ele [robert f. kennedy], a maioria dos media 'passam' o catecismo da direita".

O exercício merece um sorriso. É divertido idealizar que os media americanos, ou mesmo Michael Moore e Hollywood em peso, possam estar em conluio secreto com os perigosos neocons.

Sobretudo, é estimulante supor que por detrás da cobertura massiva que fizeram de assuntos de massivo apoio e interesse popular (a cobertura ao perjúrio de Clinton no escândalo Lewinsky, as "mentiras" que Bush utilizou para atacar o Iraque) possam estar sinistros intentos de condicionamento mental dos americanos (se é verdade o que dizem, que os americanos verdadeiramente "pensam").

Medina Carreira (2)

Na Revista Atlântico ("O Estado-providência europeu: o 'velho' e o 'novo' mundo"), saída ontem:

23. Na UE/15, o caso de Portugal é, sem dúvida, o mais complexo. Na última década a "riqueza" cresceu 23%, os "impostos" 36%, as "despesas correntes primárias" 51% e as "prestações sociais" 66%. Só foi possível mascarar esta evolução, iludindo a opinião pública, à custa de uma queda invulgar das taxas dos juros. As "prestações sociais" que absorviam 39% dos impostos (1995) passaram a exigir 48% dos mesmos (2004). O refluxo do "social" já foi exemplarmente iniciado em vários países da UE. Portugal não evitará, tarde o cedo, o mesmo caminho.

Medina Carreira

Resumo da entrevista de Medina Carreira à SIC-Notícias, no Arte de Opinar.

[ADENDA: Transcrição completa no Insurgente.]

Lisboa cosmopolita (4)


Jardins suspensos do Parque Mayer

Lisboa cosmopolita (3)


Circus Avenida da Liberdade

Lisboa cosmopolita (2)

Mais sugestões para os postais da série "Lisboa Cosmopolita", coordenados por Manuel Maria Carrilho, com inspiração em Marina Tavares Dias:

"ting tong" chinatown Lisboa!

Lisboa cosmopolita

Manuel Maria Carrilho quer táxis no Rio Tejo

Bienvenuti ao Cais das Colunas

quarta-feira, Maio 25, 2005

Theremin

A "música electrónica" foi uma invenção soviética!

Em 1919, cientistas russos estudavam aparelhos electromagnéticos de altas frequências para usos militares. Eram aparelhos muito sensíveis: verificou-se que bastava a presença de uma pessoa na proximidade do equipamento para alterar a frequências que produziam. Quando isso acontecia, da subtracção das frequências surgia som— uma frequência audível.

Um dos cientistas, Lev Sergeivitch Termen, criou uma versão simplificada dos aparelhos, adaptou-o para produzir sons musicais, e deu-lhe uma versão ocidentalizada do seu nome— surgia o "theremin", percursor dos primeiros sintetizadores— em mais de 30 anos!

Termen tornar-se-ia um dos maiores intérpretes e professores do instrumento que inventara: tocou para Lénine, fez uma tournée pelo mundo, e estabeleceu-se nos Estados Unidos, onde patenteou a invenção. Seria raptado, levado de volta para a URSS, e obrigado a continuar os seus estudos. É-lhe atribuida a invenção de um bug (dispositivo de escuta) sem baterias, alimentado remotamente (por via wireless como hoje se diz), o que o tornava praticamente indetectável.

O theremin distingue-se de todos os outros aparelhos por não ser operado fisicamente — não há teclas ou cordas para puxar, por onde soprar, qualquer tipo de percussão. Basta que o instrumento esteja ligado à electricidade e o operador só tem de movimentar as mãos em redor de duas antenas especiais (uma controla o tom, outra a intensidade).

O som é comummente classificado como "fantasmagórico" por ser caracterizado por glissandos contínuos. Existem numerosas composições para theremin— até concertos com orquestra!—, e virtuosos, e um circuito internacional de publicações e edição de discos.

Contudo, nunca atingiu popularidade porque parece ser extremamente difícil obter do instrumento qualquer música inteligível, que por sua vez soa bastante patética. Ficam uns links seleccionados, versões de música "clássica":

Ave Maria, Schubert | Clair de la Lune, Debussy | Le Cygne, Camile Saint-Saens | Nocturno [?], Chopin | [ Ave Maria, Bach/Gounod ]

Emoldure-se! (2)

Paulo Pinto Mascarenhas, no Acidental:
- Os últimos dias de Sócrates
- Os últimos dias de Sócrates (II)
- Os últimos dias de Sócrates (III)
- Os últimos dias de Sócrates (IV)
- Os últimos dias de Sócrates (V)

Kyiv III

Há um museu da revolução laranja. Uma dezena de tendas na principal rua de Kiev persiste na vigília e acomoda as várias fotografias que compõem todo o espólio. O acampamento que serve de museu está assim mesmo, no sítio por onde deveriam passar os carros, e quase desaparece na multidão que passeia insistentemente por ali.

Kyiv II

A ferradura da sorte está em todos os autocolantes, cartazes e T-shirts que se vendem na rua. A palavra “tak” (obrigado) aparece enlaçada na ferradura, num fundo laranja. Ao lado, quase sempre e competindo pelo espaço, porta-chaves ou calendários com a fotografia de Yuschenko.

Kyiv I

O azul e o amarelo são as cores do país e não abandonam as ruas nem os edifícios oficiais mas é o laranja que se impõe: nas montras, nas roupas, nas dezenas de bancas que vendem bugigangas em plena rua, ao ar livre e quente que contraria os boletins.

Seduções

Estive uma semana na Ucrânia e, quando chego, encontro neste blogue uma das mais descaradas tentativas de sedução bloguística que alguma vez vi. Ou não fosse todos blogues no feminino...

Pactos de regime

Volta o défice e voltam os apelos ao pactos de regime. Mas os pactos de regime só poderão produzir efeitos no dia em que se abandonar a ideia de que, a todo e cada momento, o parlamento deve representar a vontade dos eleitores.

O pior dia

José Sócrates já confessou a quebra da promessa de não aumentar os impostos. O DN classifica este dia como o pior da vida de Sócrates.
Não posso concordar com a ideia de que hoje Sócrates iniciou o fim do estado de graça com os eleitores. Toda a gente, incluindo os eleitores, sabia que essa promessa iria ser quebrada. Ninguém acreditou verdadeiramente nela embora todos a tivessem desejado verdadeira.
O fim do estado de graça chegará quando José Sócrates começar a quebrar as promessas que todos acreditavam ser inquebráveis.

Tempo dos Mais Novos



Já estávamos a dar demasiado descanso à malta d'O Sinédrio...

A Força não passará

Miguel Tomar Nogueira no A Origem do Amor descobriu o Triumph The Insult Dog a divertir-se com alguns nerds da Guerra das Estrelas. Mais um triunfo de Robert Smigel, um dos melhores (e brutais!) cómicos americanos. MUITO BOM!

Emoldure-se!

"Read my lips: no more taxes! II" de João Miranda no Blasfémias.

"Foi no momento de falha dessa promessa eleitoral, quando o Governo chegou ao poder e decidiu aumentar o IVA, que a confiança veio por aí abaixo."

Towel Day



(ao cuidado de um senhor incontornável)

terça-feira, Maio 24, 2005

Mascote do défice

O Spongebob Squarepants foi escolhido pelo Governo Sócrates para simbolizar o combate ao défice!

A esponja, com o seu poder absorvente, é uma alegoria poderosa ao Estado— e as bolhas espelham os sonhos dos portugueses!

Sim, porque o Bob representa Portugal — note-se a meiinha, a dentição, o sapatinho ortopédico!

O seu sorriso aberto e cativante reflecte o optimismo do país! Sem tanga sorri alegremente! O que é preciso é ter pudor! Está tudo bem!

Will the real candidato a candidato please stand up?

[ADENDA: Nem de propósito: "Presidenciais: Vitorino insiste não ser «candidato a candidato a candidato»".]

Mais uma tara musical

É ponto assente que não se pode gostar das grandes obras sinfónicas e do género maldito das valsas. Também não se pode apreciar a grande ópera e tirar prazer de uma zarzuelas. Enfim, os "géneros menores", como em qualquer arte, são demasiadas vezes menosprezados e subestimados.

Um género interessante é o das marchas— género tão querido dos circos, coretos municipais, instituições militares e marching bands americanas, esses polos de cultura intelectual.

É verdade que Mozart, Beethoven, Tchaikovsky ou Wagner compuseram grandiosas marchas, mas o rei absoluto do género é John Philip Sousa, luso-descendente americano que compôs entre outras, o "The Stars and Stripes Forever", marcha oficial dos Estados Unidos.

J. P. Sousa viveu numa altura em que a identidade artística americana começava a impor-se independentemente do modelo europeu. Esta "insurreição", inspirada na congénere política, estava muito avançada na literatura, por exemplo, mas muito insipiente na música.

Curiosamente, as maiores influências para os americanos não foram as alemãs, tão em voga na altura, mas da Europa de Leste. Antonín Dvořák foi o catalisador óbvio para a revolução musical, tendo sido verdadeiramente visionário:

I am convinced that the future music of this country must be founded on what are called Negro melodies. These can be the foundation of a serious and original school of composition, to be developed in the United States. These beautiful and varied themes are the product of the soil. They are the folk songs of America and your composers must turn to them.

Entretanto, já J.P.Sousa tinha explorado os ritmos de leste, como as polonnaises e as valsas, individualmente e nas suas marchas. Acabaria por preparar o caminho a Dvorak e aos compositores "verdadeiramente" americanos ao fazer a transição entre o mundo da música erudita e a sociedade civil (o livro "A Nona de Beethoven: uma história política" de Esteban Buch é interessante neste dominio, a apropriação de obras musicais pela "identidade" comum).

Lamento não poder disponibilizar gravações que tenho para aqui (a mais antiga é um "Washington Post" de 1890, um ano após a composição da marcha!), mas ficam uns links da Internet:

The Stars and Stripes ForeverMP3
The Washington PostWAV
Semper FidelisMP3
The Liberty BellMP3
(versão dos Monty Python)MP2
Uma boa lista de marchas

Para compensar o post ressabiado


("I hate to go and leave this pretty sight")

Paixão pelos refugiados

"Guterres escolhido para Alto Comissário da ONU para os Refugiados" (Diário Digital)

As criaturas do pântano à beira-mar plantado desejam ao ex-PM muitas felicidades, e prometem enviar fotografias da criança, que atingiu 6,83%, segundo alguém que fez as contas.

Aos refugiados, uma palavra de consolo: nem só de pão vive o homem, mas também de sondagens e muito diálogo. Não vos damos peixe, mas uma picareta que também dá muito jeito.

Era para contribuirmos com bolo-rei, mas esgotou— e não vai haver durante muitos meses. Janeiro vai ser amargo para muita gente.

Obrigatório

"Espiral da história" n'O Impecável.

segunda-feira, Maio 23, 2005

Nem mais uma gota


do excelente Despair.com

O caminho para o coração de um blogger...

...é através dos Monty Python! e aqui também!

A propósito, quando é que importam o Spamalot?

Esclarecimento

1. Aquele bicho ali em baixo é da responsabilidade do AMN;

2. Eu sou do Clube Sport Marítimo, os Campeões das Ilhas;

3. Se os incompetentes do Benfica tivessem feito mais do que empatar com o Boavista, o Grande Marítimo teria ficado num triste mas honroso sexto lugar na SuperLiga. Ficou em sétimo;

4. Não há cá simpatias para com os "grandes"!

Post enquinado

Paulo Gorjão (Bloguitica), que nos habitua a posts ponderados e serenos, só se transtorna quando opina sobre o CDS-PP. O seu último post, "Directas Enquinadas, é bom demais para ficar pelas referências, transcrevo-o aqui:

1. O Conselho Nacional do CDS -- i.e. José Ribeiro e Castro -- marcou para 18 de Junho a eleição directa do líder do partido.
2. Reparem no sinal de fraqueza implícito: consciente de que não controla o aparelho do seu partido, Ribeiro e Castro opta por convocar eleições quase de imediato, procurando assim neutralizar candidaturas alternativas.
3. Ribeiro e Castro reconhece implicitamente a sua fraqueza e, pior do que isso, opta por um caminho pouco democrático.
4. Ribeiro e Castro poderá consolidar a sua liderança, mas não reforçará a sua legitimidade.
5. Logo, as directas terão pouca utilidade do ponto de vista daquilo que é verdadeiramente essencial, i.e. a legitimidade do líder e o debate sobre a estratégia a adoptar pelo partido.


Respondendo, com o à-vontade de quem não está associado ao CDS-PP:

- convém recordar que Ribeiro e Castro foi eleito no último Congresso por normas perfeitamente democráticas que lhe deram toda a legitimidade para assumir a liderança do partido;
- fazia parte do seu programa convocar directas o mais depressa possível. Estratégia ou não, era uma condição a que se submetia;
- os congressistas votaram maioritariamente a sua moção, mas deram aos partidários de Telmo Correia a maioria no Conselho Nacional;
- nestas condições, é pouco correcto identificar o Conselho Nacional com o líder, apesar daquele órgão ter aprovado a sua proposta;
- ao impor a convocação de directas, Ribeiro e Castro exerce o seu poder com autoridade (não fraqueza!); em vez da eleição do líder por delegados do aparelho, envereda por um caminho mais democrático— as directas— uma medida em que o PS de Paulo Gorjão foi pioneiro;
- se Ribeiro e Castro for reconduzido na liderança do partido, por força do voto directo dos militantes, reforça a sua legitimidade— como é possível defender o contrário?
- num partido tão habituado a disputar lideranças em cima do acontecimento como o CDS-PP, e no rescaldo de um congresso bem disputado, três semanas é mais do que suficiente para surgirem alternativas a Ribeiro e Castro, se for caso disso;
- seja qual for o resultado, só contribuirá para discutir, clarificar e legitimar as estratégias do partido.

Como é?

A economia já melhorou?

BE põe AR em tribunal

O Bloco de Esquerda vai avançar com uma acção judicial contra a Assembleia da República (AR) por discordar do processo de atribuição dos apoios estatais aos partidos (...)

As verbas têm sido repartidas segundo o número de mandatos alcançados, mas tanto o BE como o CDS-PP e PCP entendem que esta interpretação prejudica os pequenos partidos e defendem que a distribuição deve ser feita em função do número de votos.


LEI DO FINANCIAMENTO DOS PARTIDOS POLÍTICOS E DAS CAMPANHAS ELEITORAIS:

Artigo 5.º

2 - A subvenção consiste numa quantia em dinheiro equivalente à fracção 1/135 do salário mínimo mensal nacional por cada voto obtido na mais recente eleição de deputados à Assembleia da República.

Blogues bem dispostos

(sem ordem específica, mas só sairam blogues no feminino!)

1. O vitriolica webb's ite é deliciosamente corrosivo e apaixonante, com as suas ilustrações bem humoradas e observações implacáveis— e a Vit faz anos— muitos parabéns! Estava à procura de qualquer coisa diferente para assinalar a data. Claro que encontrei as baboseiras do costume, muito queridas, mas queria algo diferente, algo... bom!, e cá está o pior que consegui arranjar!

2. O Xanel Cinco é o epitome of cool da blogosfera portuguesa. Charme discreto, sofisticação jovial, irreverência inteligente. Se o blogue fosse uma mulher, seria daquelas que se saberia que nunca seriam chatas— uma raridade! A misspearls mesmo quando não está nos seus dias é irresistível, e quando está... estamos todos!

3. O Bomba Inteligente da Charlotte, powerhouse da blogosfera. "I'm every woman" e tomem lá disto: a glorificação do feminino, uma cultura pop irrepreensível, o politicamente incorrecto servido com sofisticação. "Damn, woman"!

4. Bad attitude Rititi: In-your-face Rita é capaz de enxovalhar tudo o que acreditamos e ainda agradecemos e voltamos para mais! Vintage Rititi é uma viagem pelos recantos mais gore da linguagem, com estilo e inteligência disfarçados por um mau-feitio terrível. A miúda tem um coração enorme. Hay que tenerlo para fazer um blogue assim.

domingo, Maio 22, 2005

E para o fim do fim-de-semana, um post à PPM

Pede-se ao 'restante' artista da Fuga, recém-regressado do estrangeiro— bem-vindo de volta!—, o favor de dar sinais de vida. (O "This is Kyiv calling" não conta!)

Caro Adolfo, podes ler abaixo e na restante blogosfera o que se passou neste emocionante país durante a tua ausência. Pouco. Voltas quando o Governo parece decidido a fazer alguma coisa pelas finanças do país, três meses depois das eleições e cinco meses depois da demissão do anterior Governo.

Dos nossos negócios, peço-te que devolvas alguma elevação intelectual a este blogue, que bem precisa. Para começar, tens dois posts do Pedro Picoito no A Mão Invisível para responder...

Star Wars III - soundtrack

O novo filme da série Star Wars, "Revenge of the Sith" é a pedra de fecho da mais conhecida mitologia moderna do século XX.

Neste filme, Lucas faz várias referências ao mundo do cinema (por exemplo, o "nascimento" de Vader-debaixo-da-máscara, decalcado de Frankenstein de Karloff), mas mais interessantes são as referências aos restantes cinco filmes da saga, particularmente à trilogia original.

Seria trivial enumerar todos os pontos de contacto que se encontram na narrativa, nas personagens, nas inúmeras referências visuais. Até existem alguns cameos e easter eggs para quem se desinteressar da interpretação sofrível dos actores e dos cenários saturados de CGI.

Incontornável em toda a saga é a banda sonora composta e dirigida por John Williams. Este compositor, que conta de mais de duas centenas e meia de trabalhos em televisão e cinema, tornou-se conhecido com a banda sonora do "Jaws" de Spielberg, com quem já trabalhou em 27 filmes vezes (todos os sucessos de Spielberg, exceptuando "A Cor Púrpura").

Na saga Star Wars, John Williams teve oportunidade para desenvolver a sua própria mitologia sonora, povoando-a de inúmeros temas que hoje fazem parte da cultura popular (a Marcha Imperial, por exemplo), trabalhando-os como leitmotifs de uma imensa ópera.

Para os que não seguem estas coisas, é preciso explicar que os leitmotifs são temas músicais associados a determinadas personagens, objectos, sentimentos, que são tocados ao longo da banda sonora de formas diferentes, conforme o que se passa na narrativa— ora melancólicos, ora rítmicos, ora românticos, ora triunfantes...

Historicamente, são associados ao mestre Wagner e à tetralogia das óperas do Anel dos Nibelungos. Já antes Berlioz tinha feito uso sinfónico de uma idée fixe na sua Symphonie Fantastique; outros, como Verdi, usavam frequentemente a repetição de temas para dar cor às suas obras. A técnica da variação foi desenvolvida por Wagner a partir do seu ídolo, Beethoven, que por sua vez emulara Bach.

John Williams não é particularmente conhecido pela subtileza com que trabalha os seus leitmotifs. Se é verdade que os motivos em si são relativamente estruturados (diatonicos para os "bons", cromáticos para os "maus"), muitos queixam-se que as suas bandas sonoras acabam por ser demasiado esquemáticas, como cut and paste de variações dos motivos, o que não é inteiramente justo.

Contudo, a banda sonora de "Revenge of the Sith" deixa muito a desejar, apesar de fazer a ponte entre os dois filmes anteriores e a velha trilogia de uma forma bastante eficiente. Mas temas como os de Palpatine ou Grievous são tristemente fracos, em comparação com temas de acção como o da batalha dos heróis ou do combate entre Anakin e Obi-Wan Kenobi, muito animados mas muito pouco originais (associações à Songe d'une nuit de Sabbat da SF de Berlioz?!)...

Never give up

É com prazer que vemos o Casa em Construção de novo no activo, depois da Azul Limão ter-nos dado um susto parecido. Há outros que estão de molho, como o Biblioteca de Babel. Quem também já não faz posts há muito tempo são os Opus Nigrum. Na blogosfera alguns dias são eternidades...

Blog, blog, blog! (2)

What rolls down stairs
alone or in pairs,
and over your neighbor's dog?
What's great for a snack,
And fits on your back?
It's blog, blog, blog

It's blog, it's blog,
It's big, it's heavy, it's wood.
It's blog, it's blog, it's better than bad, it's good."

Everyone wants a blog
You're gonna love it, blog
Come on and get your blog
Everyone needs a blog
blog blog blog

*whistle*
BLOG FROM BLAMMO

Blog, blog, blog!

"Ne dites plus jamais blog mais bloc-notes", diz o Le Monde:

" Ne dites plus jamais blog ! La Commission générale de terminologie et de néologie a publié au Journal officiel du 20 mai un avis établissant une liste de termes et d'expressions destinés à supplanter les anglicismes sur Internet. Ainsi, "bloc-notes", que l'on pourra accepter sous sa forme abrégée "bloc", désignera "un site sur la Toile, souvent personnel, présentant en ordre chronologique de courts articles ou notes, généralement accompagnés de liens vers d'autres sites", soit un blog."

A CGTN, departamento do Ministério da Verdade francês, promoverá acções de reeducação a todos os irmãos que tenham dificuldade em adaptar-se a esta diligência do partido Francsoc, tomada em nome da liberdade do povo.

[ADENDA: JPP apanhou esta notícia primeiro (11:00 de hoje)...]

Bestial.


(clique para aumentar)

Copiadinho do Alerta Amarelo, sobre uma campanha contra a SIDA...

Frustração de blogger

É muito triste chegar tarde a casa, adormecer no sofá, acordar quase de manhã, escrever um post inspirado, esquecer-se de carregar no "Save as Draft", desligar o computador e ir para a caminha descansado...

Money (2)

Numa revista "do social", uma modelo/manequim confessava que estava na moda por dinheiro— obviamente uma escandaleira num mundo que vive não só do estilo e do glamour, mas do fruir de um tipo de nível de vida muito bem pago.

Alguns trabalhos são incompatíveis com querer ganhar dinheiro, mesmo que sejam estupida e reconhecidamente bem pagos.

Particularmente nos sectores mais artísticos, o dinheiro continua a ser uma coisa porca, porque é óbvio que o desapego às coisas materiais é pré-requisito para se desenvolver sensibilidade, cultura, personalidade, carácter, enfim, estas e todas as qualidades de que o ser humano é capaz.

Quem advoga este quadro preconceituoso e moralista regra geral está acima dos que lutam para satisfazer as necessidades primárias do dia-a-dia (condições básicas de dignidade humana, alimentação, habitação)— os descamisados da vida— ou mesmo de quem só quer viver com algum conforto, dignidade e interesse pelas coisas boas da vida— quem não se interessa pela cultura de ponta, pela vanguarda artística, pelos intelectualismos da elite pensante, pelo reconhecimento dos pares sempre acompanhado pela incompreensão dos restantes, pelo pedantismo mediático.

Os desengravados da vida são virtuosos per se— porque desprezam os bens materiais sem a eles renunciarem, suprema forma de controlo sobre os reles instintos que assolam a Humananidade. Ao que chegámos. Alguém que nos salve da condescendência dos novos puritanos.

Money (1)

Esta semana falava-se que o FC Porto poderia estar a dar 'contrapartidas' aos jogadores do Boavista para ganharem ao Benfica no jogo de hoje.

O coro de protestos foi grande. Jogar bem por dinheiro é mau?

Grave seria se os jogadores fossem pagos para perder, ou para 'destruir jogo' de forma que fosse prejudicial ao seu clube ou às suas carreiras, a troco de uma compensação monetária. Pode ser esse o caso, mas é um caso à parte, por ser uma grave forma de anti-desportivismo.

Qual é o limite? Clubes mais ricos pagarem aos adversários dos seus concorrentes directos para jogarem sempre fenomenalmente bem, para nunca desistirem, para darem espectáculo e emoção aos jogos? É lícito darem prémios aos seus próprios atletas mas não aos outros?

Existe um consenso na sociedade que o profissionalismo, a motivação, a ambição, o zelo, o brio são factores muito frágeis, que é compreensivel que as pessoas se sintam sem 'força anímica', deprimidas, e que precisem de chamar atenção para isso com um pobre desempenho no seu trabalho. É que se calhar com uma ajudinha faziam melhor.

Se o condicionamento psicológico é importante no desporto de alta competição— onde se tudo se ganha e tudo se perde com uma distracção— então o cidadão tem o 'direito' de estar em baixo, de estar em baixa, de ser um peso morto, de fazer por fazer, de fazer o necessário e nunca o suficiente, só para que o deixem em paz, ou até que lhe prestem atenção.

Quem fala do cidadão fala das empresas. A malta no fundo não quer trabalhar e quando trabalha, trabalha a contragosto. Venha de lá um subsídio, uma excepção, um favorzinho. Os do lado são iguais, preciso de uma ajuda senão não preciso dela.

É uma mentalidade de subsistência, do esforço mínimo, que consiste em saber ser-se medíocre entre os grandes. E quem quiser ser grande baixe a bolinha, que as analogias desportivas ficam por aqui.

sábado, Maio 21, 2005

Oh não! Eles contratam portugueses!

Os partidários do "Não" ao referendo europeu em França ganharam um alento suplementar.

Uma filial de uma empresa portuguesa que opera em França contratou uma centena de operários portugueses para uma subempreitada para a France Telecom (colocação de postes e linhas telefónicas), que terá poupado aos bolsos públicos qualquer coisa como 180 a 200 mil euros (dois mil euros por trabalhador português).

Tratou-se, contudo, de uma fraude, porque os operários foram empregues com contratos assinados em Portugal, e trabalhavam num regime com maior carga laboral do que é permitida pela lei francesa, o que ainda é proibido pelas leis comunitárias.

Levantou-se de novo o fantasma do "canalizador polaco", da Directiva Bolkestein— a xenofobia económica. (Aqui, a notícia do Le Figaro)

This is Kyiv calling...

Aqui estou eu a tentar contornar o alfabeto cirilico e a ausencia de pontuacao. E como nao tenho qualquer tipo de conhecimentos cibernauticos, nem uma fotografia do Museu da Revolucao Laranja aqui consigo colocar.
Voltarei em breve. Ja com pontuacao e alfabetos mais acessiveis. Ate ja.

Campos e Cunha pode deixar Ministério das Finanças

O ministro de Estado e das Finanças, Luís Campos e Cunha, pode deixar o ministério que tutela por não estar disposto a abdicar do conjunto de medidas que considera absolutamente indispensáveis para combater o descontrolo das finanças públicas, noticia a edição deste sábado do Expresso. (Diário Digital)

1. Depreende-se que se o ministro não deixar o ministério, terá sido por ter conseguido impor "o conjunto de medidas que considera absolutamente indispensáveis". Gostaríamos nós;

2. A notícia do Expresso associa a não vontade de equilíbrio das contas públicas à "ala esquerda" do Partido Socialista. O problema não é do PS. A "ala esquerda" da sociedade, que se habitou a ver no Estado o garante de todos os vícios e birras— como se fossem direitos fundamentais— ainda não percebeu que o Estado não pode mimetizar-lhes o comportamento e depender da condescendência infinita de terceiros providenciais;

3. Há vida para além do défice (como disse um grande ideólogo da "ala esquerda" do PS), mas sem equilíbrio das contas públicas não há margem de manobra para políticas sociais ou liberalismos. Quando é que o primeiro-ministro assume a mesma posição de intransigência e rigor?

Mouth of Coelhon

O coordenador para as autárquicas do PS, Jorge Coelho, garantiu na noite de sexta-feira em Faro, em nome de José Sócrates, que não haverá portagens na Via do Infante e que o Hospital Central do Algarve será construído.

Falando no jantar-comício de apresentação de José Apolinário como candidato à Câmara de Faro, no pavilhão do Farense, Coelho declarou-se portador de uma mensagem do secretário-geral do PS, com quem esteve reunido de manhã e disse falar em nome do partido.
(Diário Digital)

1. É absurdo que um responsável por campanhas eleitorais do Partido Socialista sirva de porta-voz do Governo, alegadamente sob ordens do Primeiro-Ministro (o bold é meu);

2. Esta intervenção não foi irreflectida — tanto José Sócrates como Jorge Coelho sabem o valor do silêncio e dos timings das comunicações políticas, e compreendem as suas consequências;

5. É verdade que nas áreas das obras públicas e da saúde, o Governo não tem tido um porta-voz, dado que os respectivos ministros têm sido pouco dados a silêncios ou coordenações com o restante executivo; se juntarmos o voluntarismo do Ministro das Finanças (que o país agradece!), Sócrates começa a revelar problemas de coordenação da sua equipa;

3. Bad cop Coelho, com as suas inconfidências e incontinências verbais, acaba de vincular a acção do Governo às promessas que foram feitas pelo Aparelho ao eleitorado algarvio; a maneira como não será silenciado como os outros ministros poderá fazer doutrina;

4. A prioridade politica do Governo fica definida; o que importa é prometer cumprimentos de promessas, como se não estivessem associadas com o debate desta semana, que contra a vontade dos spin-doctors socialistas, descambou depressa demais dos sobreiros para o défice orçamental.

sexta-feira, Maio 20, 2005

Isso é o que eles pensam!

Cumprir Quioto pode levar ao fecho de algumas instalações

O presidente da Rede Eléctrica Nacional (REN) e da Agência Portuguesa de Energia, José Penedos, admitiu hoje que algumas empresas poderão ter no futuro de encerrar instalações por incapacidade de cumprir as obrigações impostas pelo protocolo de Quioto.

Não se preocupem— temos do nosso lado as "políticas de proximidade"!

E para o fim-de-semana, um post à Deus

"We apologise for the inconvenience."

A little bit of Sampas in my défice

Quem pensa que Sampaio é co-responsável [com o anterior Governo] pela excessiva grandeza do défice deve estar bem esquecido.

É verdade que o Presidente adiou a dissolução da Assembleia para viabilizar a votação do Orçamento de Estado no Parlamento, e depois alegremente aprovou o irreal documento. Assim o país teria plano (um plano!) durante os longos meses de desgoverno e serenidade, muita serenidade.

Mas Sampaio, "o Sereno", ficará para a História não só como fiador político do Orçamento de Santana Lopes, mas sobretudo como padrinho do guterrismo, regime mentor de tantas e tão tristes barbaridades para com as finanças públicas.

E pelo que temos visto e assistido, Jorge Sampaio será também relembrado como patrocinador do regabofe que ainda está para vir, "Guterrismo II - with a vengeance".

Contrato eleitoral (2)

6. Marcelo Rebelo de Sousa tinha dito que Sócrates representava o pior do guterrismo, um guterrismo em segunda mão, sem a "classe" do anterior. O "contraditório" foi implacável. Pois bem, está à vista;

7. Partamos do princípio que o Governo não sabe o que está a fazer. Faz o que pode, mal, envergonhadamente, contra muitas promessas eleitorais. Aumentará impostos directos e indirectos, taxará o que pode, aumentará a despesa pública para dar ilusão de dinamismo económico, e no fim quando se vir apertado, recorrerá a receitas extraordinárias;

8. Ninguém acredita que o Governo se empenhe em reformas sérias que promovam a competitividade do país, porque toda e qualquer reforma implica a curto prazo ajustamentos sociais que podem ser dramáticos, e que o PS não tem coragem de enfrentar. As reduções da despesa pública serão tímidas, cosméticas, mediáticas, enquanto o monstro continuará a ser alimentado com mais impostos, provavelmente mais bem cobrados;

9. A campanha de desculpabilização do Governo tem funcionado. Usar o défice com desculpa (a "herança fatal" que nunca seria referida) e deixar que a oposição se entretenha a discordar dos artifícios contabilísticos é de uma simplicidade infantil;

10. De nada serve denunciar ferozmente a violação do contrato eleitoral. Ninguém quer saber das promessas, e não é maneira de fazer oposição. O Governo cairá pelas regras democráticas; daqui a quatro anos verificar-se-á que esta gente é incapaz, mentiu, e perderá;

11. Mas ninguém quer que o Governo falhe os objectivos de controlar as contas públicas. Onde está a oposição "responsável" quando precisamos dela? PPD/PSD e CDS-PP têm de admitir que não controlaram o défice, porque (?) viram os seus esforços interrompidos. Isso é razão para o país ficar paralizado? Adiante!

12. O que fariam PPD/PSD e CDS-PP caso ainda estivessem no Governo— com meios, conhecimento e experiência? E como melhorariam essas medidas, caso não tivessem o ónus da governação? Apresentem essas propostas ao Governo, ao Parlamento e ao país! Onde estão os governos-sombra, os grupos de trabalho, as iniciativas legislativas? Ficar à espera que o PS tenha a iniciativa é pura incompetência política;

12. A oposição "responsável" tem tido um comportamento semelhante ao dos sindicatos que se recusam a fazer política e a defender o bem comum, com medo de perda de "face". Se é verdade que o discurso terá de ser moderado na altura das próximas eleições, esta é a altura de não estar com ambiguidades, é altura de mostrar excelência técnica e política;

13. Se for para "salvar" o país, espera-se que os partidos vendam a alma ao diabo, dialoguem, encontrem bases de entendimento e sustentação política para amortecer o choque das reformas necessárias. Se tal for impossível, é preciso que o Governo o faça o mais depressa possivel, usando a maioria absoluta parlamentar e aproveitando o estado de graça. Não tem desculpas;

14. Em suma, os cidadãos não querem saber de politiquices, exigem resultados.

Contrato eleitoral

1. Já ninguém espera que Sócrates e o seu Governo sejam fiéis às promessas eleitorais. Estas eram baseadas num cenário idílico, tão irrealista como o OE para 2005, que tanto criticaram;

2. Foi enganado quem quis. E pouca gente foi enganada. O que estava em jogo não era promover uma alternativa credível às políticas da coligação eleitoral, mas varrer Pedro Santana Lopes (ele próprio pouco credível), esperando que a vaga socialista pudesse dar um jeitinho ao país de forma a afectar ao mínimo a qualidade de vida, os direitos adquiridos, as ilusões;

3. O PS apresentou-se ao eleitorado com um programa vago, nebuloso, apregoando que o "cinto" não precisava de ser apertado. Prometeu um plano tecnológico, milhares de empregos, medidas sociais, independência das tentações "liberais" e da extrema-esquerda;

4. O Governo apresentou-se ao país com um programa vago, nebuloso, anunciando venda de medicamentos fora das farmácias, fim das férias judiciais e outras patacoadas, e começou a governar com descoordenações de ministros, revogando e suspendendo projectos, enredando o país na realização de um referendo às três pancadas, proclamando a sua fé na doutrina das micro-reformas;

5. Quando a poeira começa a assentar, era imperativo que o Governo se ocupasse da Economia, e apresentasse uma ou outra reforma estrutural. O Governo hesita. Precisa de saber quantas casas decimais tem o défice— a obcessão pelo défice, versão "deixemo-lo estar, é tão querido!"

O Optimus.Hype@Meco morreu

"Festival do Meco realiza-se em Lisboa"

[opinião do Bruno Pais no Elba Everywhere]

Finanças públicas, vícios privados

Leitura recomendada: Fernando Albino no No Quinto dos Impérios:

"Cada um que faça pela vida desde que diga aos cidadãos como é que faz. Não temos nada a temer do financiamento privado de partidos desde que se controle, aprofundadamente e com rigor, as contas de partidos e titulares de cargos públicos (proibindo, por exemplo, de concorrer a eleições quem não tenhas as contas em ordem)."

quinta-feira, Maio 19, 2005

Hoje estamos de NEGRO


(clique para ouvir)
John Williams, Star Wars, Marcha do Império

Perfil presidencial

A "brincar", JPH (Glória Fácil) mete o dedo na ferida...

"Jorge Sampaio vai deixar uma marca mais funda do que se pensa. Seguindo este princípio, eu até as eleições presidenciais dispensava. Poupava-se tempo e dinheiro. Por mim, juntava os candidatos e punha-os a chorar. O que chorasse melhor ganhava."

... e ainda consegue defender as candidaturas presidenciais de Guterres e Santana Lopes!

Honi soit qui mal y pense (2)

A ideia não era colocar música russa no blogue no dia da final da UEFA ("Do Not Judge Me Harshly", podia acrescentar ao título do post). Mas um programa da Antena 2 fez cócegas à minha vaidade de blogger. E despoletou uma curiosa associação de ideias:

Antigamente, eu evitava religiosamente as prateleiras de Shostakovich, tão recheadas como as de Bach ou Beethoven, com um rancor mal disfarçado ("esse comuna!", etc). Mas uma pessoa cresce e aprende a superar os seus preconceitos, nem que seja à força da excelência da música.

Shostakovich é uma personagem fascinante, porque atravessou o século soviético, viveu toda a demência da política cultural do regime, foi glorificado, duas vezes "denunciado" e reabilitado, e praticamente nada se sabe sobre as suas opiniões políticas.

Os seus escritos são extremamente ambíguos. Veja-se a carta de Shostakovich a Isaak Davidovich Glikman. Aparentemente, é uma glorificação do sovietismo, mas a sua fina ironia esconde a angústia de quem é privado da expressão livre. Uma realidade tão distante que parece-nos uma obra de ficção.

Ora, recentemente, a blogosfera foi assolada por um questionário que fazia referência ao livro "Fahrenheit 451" de Ray Bradbury. Este livro descreve uma sociedade distópica— um tema recorrente na cultura da ficção científica e política do século XX, sendo exemplos o "1984" de Orwell (1948), ou "Brave New World" de Huxley (1932).

O percursor deste género de literatura foi o "Nós" de Evgeni Zamiatine (1920), uma sátira ao regime comunista russo, que viria a ser a primeira obra banida pelo Glavlit, o órgão de censura da União Soviética. Recomendo vivamente o livro. Para os interessados, a lista da Wikipédia é praticamente um roteiro do género!

Prova que o mundo é pequeno, Zamiatine terá sido autor de um libretto de uma ópera de Shostakovich, "The Nose":

"As for how much Shostakovich knew about Zamyatin's ideas during their collaboration on The Nose, we may safely assume that he was aware of the existence of We and of its contents - and that he was therefore 'collaborating' with a man both the Party and the Proletkult regarded as a 'betrayer of the revolution'."

E viva a liberdade de expressão artística "promovida" pelo Estado...

Blogging@Office

Problemas técnicos "alheios à nossa vontade" têm dificultado a actualização do A Arte da Fuga: o AMN está no estrangeiro e sei lá porquê perdi o sinal ADSL a partir de casa.

Como no escritório não tem havido tempo para esponjar toda a informação que é produzida diariamente na blogosfera, e ainda produzir conteúdos que não redundem em banalidades, a coisa está difícil...