sexta-feira, julho 29, 2005

Estudos para a net, já.

MICRO-CAUSAS:
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?

Um piano, um violoncelo

(clicar para ouvir)
Frédéric Chopin,
sonata para violoncelo e piano em sol menor, op.65
(final do terceiro andamento: largo)

Ovelha Ranhosa

A não perder n' , a coluna "Ovelha Ranhosa", escrita pelo Miguel Mesquita Nunes.

Soares em pele de cordeiro

Partindo do princípio que a pré-candidatura de Soares não é um bluff para fazer Cavaco Silva desistir e/ou abrir o caminho de Belém a outro candidato "de esquerda", e que se confirma o confronto Cavaco Silva/Soares, não é de todo líquido que assistamos a um debate profundo e mobilizador como muitos antevêem. As eleições podem descambar para uma "paz podre" sem interesse.

"Mário Soares não se candidata para perder". Para ganhar o país, Soares precisa simplesmente de não ostracizar o eleitorado moderado, que tem pavor de políticas marcadamente de esquerda, de direita ou liberais.

Contra esta regra de bom senso, pesam as contas eleitorais. Se toda direita der apoio a Cavaco Silva, e se toda a esquerda apoiar Soares, as eleições presidenciais ficam resumidas à primeira volta. Mas apesar do país ser conjunturalmente de esquerda, Soares não tem vitória assegurada. Mas se não houver aliança da esquerda, é provavel que o candidato socialista passe para a segunda volta com as suas hipóteses muito reduzidas.

Há questões de fundo que separam o PS e Soares do PCP e BE, questões que dificultam enormemente uma possível coligação de apoios. Por exemplo, o projecto europeu não pode deixar de emergir na campanha presidencial. Soares é um dos pais da integração de Portugal na União Europeia e apoia a nova Constituição para a Europa. PCP e BE opõem-se veementemente.

Se Soares concorrer contra candidatos de outros partidos de esquerda, terá de encaixar todos os golpes e demagogias, fazendo o papel do moderado que não tem sido noutros assuntos— e depois relevar e ir a uma segunda volta; no caso de uma candidatura unificada, terá de fugir ao debate sobre temas não consensuais à esquerda, para evitar melindrar os partidos e ficar bem com o eleitorado moderado. Não é essa a imagem que os portugueses têm do ex-Presidente.

Por outro lado, toda a campanha está montada para diabolizar Cavaco Silva como potencial elemento instabilizador da acção governativa. O candidato da esquerda terá de ser o garante da governação. É um "cheque em branco" que PCP e BE não estarão dispostos a ceder pelo menos numa primeira volta— ambos procuram demonstrar que são mais "de esquerda" do que o outro, que o governo é vendido à direita, que têm de condicionar a governação para o campo da esquerda radical.

Sócrates pode vender a alma que já ninguém acredita, pelo que tudo passa pela negociação pessoal de Soares. O "pleno da esquerda" resultará numa aliança fundada em desconfianças mútuas. Simplesmente pode não compensar. Em todo o caso, Soares perde a aura senatorial que era o seu maior trunfo no confronto eleitoral.

Bottomline: Mário Soares ainda pode ganhar.

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Sugestões do colega de blogue:

Banho de mar. Não há melhor.
Em alternativa, um duche bem frio, "à masoquista";
Big Mac (vai saber a cinza) com um "balde" de Coca-Cola geladinha mas sem gelo;
Bloody Mary— sem medos;
ou uma cuba livre pouco forte;
dose americana de café à portuguesa e pastéis de nata;
à falta de Guronsan, bebida energética para desportistas ou ravers, daquelas com ar venenoso;

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Guronsan, café, coca-cola... Aceitam-se mais sugestões, com carácter de urgência.
Adenda: Uma hora depois e continuo sem uma resposta amiga, um conselho sábio ou sequer uma palavra de solidariedade. Viesse eu dizer mal do Freitas ou do Soares e estavam todos a mandar bitaites nos comentários. Enfim, este blogue não tem queda para intimismos...

quinta-feira, julho 28, 2005

Humor do Dia

"3 homens no deserto" do João Miranda no Blasfémias— num estilo bem mais negro que o genial Jerome K. Jerome...

Um piano

(clicar para ouvir)
Franz Liszt, Rapsódia Húngara n.2 (S/G244, R106)

a caminhar para o worst case scenario

Sócrates, Soares, Marques Mendes.

O valho



Há muito tempo que estou para ir a Cuba. "Antes que o velho morra".

"O valho?", responderam-me hoje, por causa do meu sotaque.

"Sim, o valho", repeti amargamente. O tropicalismo decadente de Havana pareceu-me tão próximo. Fidel Castro ainda não fez 80 anos.

Reformas

Há reformas que só a esquerda conseguirá concretizar. Não porque seja melhor do que a direita mas tão só porque conta com a legitimidade acrescida que muitos lhe reconhecem. Viessem Bagão Félix e Manuela Ferreira Leite congelar carreiras e aumentar idade da reforma e logo teríamos "o maior e mais gigantesco atentado aos direitos adquiridos na revolução jamais visto". A contestação social é inevitável. A indignação institucional, pelos vistos, não. Que façam bom proveito dessa faculdade e a usem até à exasutão. Portugal só ficaria a ganhar.

A ler...

.. a série de posts O Islão é integrável no ocidente? do Pedro Picoito, n'A Mão Invisível.

Presidenciais (7)

De um lado e do outro nos atiram com o fantasma do intervencionismo presidencial e com a instrumentalização das funções presidenciais. Quase todos foram adeptos desse fantasma e dessa instrumentalização durante o anterior governo. É por isso que não há reformas do sistema político em Portugal: ninguém se importa com o sistema que temos desde que ele se acomode aos egoismos do momento e preserve o status quo.

Sem título

Começa a ser confrangedor.

Manifesto (2)

Vamos discutindo Ota e TGV ao contrário. O próprio Manifesto o faz. A Ota e o TGV não são dispensáveis ou discutíveis apenas porque estamos em crise.

Twilight zone


A série "The Twilight Zone" volta à televisão nacional, às 22:30 na 2:, numa nova versão de 2002 com Forest Whitaker como apresentador.

quarta-feira, julho 27, 2005

Liberdade para aprender e ensinar

A cereja no cimo do bolo:

"Sindicatos concordam com limites à acumulação dos professores" (Público)

Recordando um artigo antigo do www.mises.org, em jeito de desabafo:

The truth is that unions are essentially parasitic organizations that thrive only by draining and ultimately destroying the companies and industries they control. The essential goal of the unions is to compel the payment of higher wages for the performance of less work and less productive work.

Relvinha verdinha em tempo de eleições

"O ministro do Ambiente, Francisco Nunes da Silva, não vê quaisquer problemas nos consumos mínimos cobrados aos municípios pelas empresas do grupo Águas de Portugal, que tutela. Segundo o ministro, que respondeu a questões do PÚBLICO através de um assessor de imprensa, os consumos mínimos são como a bandeirada numa corrida de táxi: os municípios concordaram em pagar um [valor] fixo à cabeça, para garantir a viabilidade económico-financeira dos sistemas a que se ligaram e do qual dependem para o seu abastecimento de água. Nunes Correia entende que isso não obriga as câmaras a consumirem mais do que necessitam. Por isso, o ministro do Ambiente não acredita que este sistema contratual possa induzir consumos excessivos." — na edição impressa do Público.

- para começar, a imagem é completamente errada; uma bandeirada não dá direito a ser conduzido uma distância mínima, ou durante um período mínimo de tempo; do ponto de vista do potencial passageiro, e havendo alternativas, é apenas uma taxa dissuasora;

- se um município estiver a consumir abaixo do consumo mínimo imposto, custa-lhe zero consumir qualquer unidade de água adicional, até ao consumo mínimo. Como o custo marginal é zero, qualquer uso ou abuso, por muito baixo que seja o proveito, é economicamente interessante;

- nesta situação, torna-se "custoso" empreender reparações. O armazenamento não é vantajoso porque não poderá reduzir o consumo mínimo para o futuro. A reutilização deixa de ser interessante. Ou o recurso a água não potável para limpezas e rega, por exemplo; ou até mesmo as "operações de sensibilização" tão em voga;

- nenhuma autarquia é obrigada a consumir em excesso, mas era escusado tornar a cenoura tão apetitosa. Torna-se aliciante alimentar o repuxo da mais recente rotunda, como se houvesse fartura de água;

- dizer que o custo marginal é zero é ilusório: há um custo fixo pago pela autarquia. Logo, são os contribuintes que o pagam, independentemente dos seus esforços de redução do consumo; e o desleixo dos nossos governantes paga-se caro, como sabemos;

- a "viabilidade económica" das Águas de Portugal é feita por impostos que não distinguem os esforços de poupança de água dos consumidores. O sistema beneficia da conivência das autarquias. Interessa-lhes que os cidadãos não tenham conhecimento do custo real da água que consomem. Assim vai a racionalidade ecológica e económica do país.

Presidenciais (6)

O mais engraçado nesta pré-campanha presidencial, como em todas as outras, é ver como os argumentos decisivos para a escolha de uma personalidade presidenciável se vão alterando consoante os pré-candidatos vão surgindo. É por isso que os diversos apoiantes partidários poderiam e deveriam resumir a questão ao que para eles é essencial: quem é que pode ter mais votos. O resto é conversa.

Manifesto

O Manifesto sobre o investimento público é um bom resumo de tudo quanto se tem vindo a dizer e a escrever sobre este governo. Não traz, por isso, nada de novo. Nem sequer traz algo de muito relevante. Limita-se a recordar velhas regras básicas de governação. É neste nível que estamos. O tempo das trapalhadas já passou.

Noções

Há por aí a noção que o ministro Campos e Cunha foi demitido porque o artigo que escreveu estava errado...

Primeiras e básicas perguntas

- Quantas pessoas passarão a usar o TGV e actualmente optam por não viajar de comboio?
- Dessas pessoas (se as houver) que outros meios de transporte (se os houver) usam?
- Quantas pessoas passarão a vir a Portugal ou a sair de Portugal que actualmente optam por não o fazer por estar o aeroporto na Portela?

Kai Tak International Airport



In 1996, the Kai Tak Airport reached an important milestone when it handled 29.5 million international passengers and 1.56 million tonnes of international cargo making it the third busiest Airport in the world for international passengers and first in the world for international cargo throughput in the world."

It took 73 years for Hong Kong's former airport at Kai Tak to evolve into one of the world's busiest airports and to be acclaimed as one of the great airports of the world. By 1997, passenger traffic had risen to 29.7 million a year and the airport was handling up to 31 takeoffs and landings an hour at its peak.

Kai Tak:
- Comprimento da pista 13/21: 3,390 metros
- capacidade: 24M passageiros/ano

Portela:
- Comprimento da pista 03/21: 3,802 metros;
- Comprimento da pista 17/35: 2,400 metros;
- capacidade maxima estimada: 12M passageiros/ano
- espaço para expansão das instalações/runways.

Paradoxo

Um governo que atira os custos da governação para a geração seguinte e entrega o poder à geração passada.

terça-feira, julho 26, 2005

Windows Genuine Advantage

Microsoft Corp. is tightening the noose for those people running illegal or pirated copies of its Windows XP Professional, Windows XP Home, Windows XP Tablet editions and Windows 2000 software on their systems. (eWeek)

Bring back the 80's (2)

john mcenroe mats wilander ivan lendl martina navratilova
moses malone larry bird magic johnson
nelson piquet alain prost ayrton senna
John McEnroe | Mats Wilander | Ivan Lendl | Martina Navratilova
Moses Malone | Larry Bird | "Magic" Johnson
Nelson Piquet | Alain Prost | Ayrton Senna

Notas sobre transportes (3)

(continuação dos posts anteriores)

13. Resumindo: o sistema que caracterizámos obriga os cidadãos a utilizarem os seus automóveis, mesmo em situação de sobrecarga das vias rodoviárias, porque o uso dos transportes colectivos é condicionado pelos congestionamentos (nem que seja a nível de distribuição local). Dado que os "engarrafamentos" são entendidos como um mal menor, o sistema tende para um equilíbrio caracterizado pela saturação das vias, por muito que se aumente a capacidade (mais estradas). A tendência não é naturalmente invertível, a menos de um choque petrolífero dramático, que retiraria aos cidadãos qualquer margem de escolha económica.

14. Neste sistema, acima de uma determinada solicitação, verifica-se que o nível de serviço desce, e diminui o número de viaturas "servidas". Pelas leis de mercado, quando a procura aumenta costuma ser viável o aumento do preço do serviço, porque a diminuição consequente da procura não fará diminuir a receita. No modelo apresentado, se o preço do uso das estradas aumentasse em alturas de congestionamento, menos carros apresentar-se-iam às entradas da estrada, o que aliviaria os "engarrafamentos" e aumentaria o "débito" do sistema — a procura aumentaria com o aumento do preço! O máximo produto corresponderia ao preço óptimo aplicado ao máximo débito da via (um nível de serviço compacto, mas fluido) pelo que (pela óptica de quem explora o sistema), seria uma compensação pela diminuição das receitas provocada pelo abuso da infraestrutura pelo utente;

15. "Socialmente" este sistema é mais justo, porque com a melhoria do nível de serviço, confere-se viabilidade aos sistemas de transportes colectivos, que deixam de estar condicionados aos "bottlenecks" rodoviários. Por sua vez, poderão desincentivar o uso de transporte particular. Com a melhoria dos serviços de transportes colectivos, deixa de ser necessário usar os nossos impostos a subsidiar as empresas de transportes (públicas e privadas), agora sem desculpas para funcionar mal com prejuízo dos interesses dos utentes. Mesmo sem subsídios, os transportes colectivos são mais baratos que os particulares, pelo que seriam libertados recursos importantes para a economia;

16. Isto pode ser dito de outras formas: temos consciência que o facto de levarmos o carro para o engarrafamento tem um custo colectivo apreciável que não nos é imputado? Que valor damos ao tempo que passamos num engarrafamento dentro do automóvel? Que quebra de produtividade resulta de não podermos realizar deslocações e transportes em tempo padrão? Estaríamos dispostos a despender uma fracção destes custos de modo a não estarmos sujeitos a engarrafamentos? A resposta a estas perguntas determina se entenderíamos optar pelo transporte colectivo ou particular, perante uma taxação do congestionamento. Sobretudo é uma optimização económica que aumentaria a liberdade de escolha do cidadão;

17. De acordo com as leis de funcionamento de mercado, imputar ao utilizador o sobreuso da via seria uma boa solução. Estabelecer-se-ia um equilíbrio entre uma maior utilização dos transportes colectivos e o transporte particular, taxado de acordo com a versatilidade que oferece. É uma solução, que não é a única, mas seria um primeiro passo para fazer entender aos cidadãos o verdadeiro custo da mobilidade, um quadro mais vasto que não se limita a esta análise. Este assunto fica para outra ocasião.

A fazerem-se ao piso

Presidenciais (5)

Ao candidatar e eventualmente eleger Mário Soares, o PS pode assegurar 5 anos de mandato para a esquerda, mas desde há muito que Mário Soares é muito mais do que o PS e está muito mais interessado na sua faceta messiânica (aqui se aproximando de Cavaco Silva) do que em proteger o seu partido. Se for eleito, Soares será o baluarte da verdadeira esquerda e não hesitará em forçar o governo a assumir-se como de centro ou a governar segundo os seus ditames. Basicamente, Soares espera encontrar em Belém a gaveta onde guardou o socialismo.
Se houver um duelo entre Soares e Cavaco (o que duvido, como direi depois e já deixei entendido aqui) teremos exactamente a mesma visão de Presidente de um lado e do outro. Pouco diferem nos resultados: enfraquecimento do governo e saturação constitucional. Valha-nos esta última.

(continua)

segunda-feira, julho 25, 2005

Grandes fugas


(clicar para ouvir)
The Great Escape | Ludwig van Beethoven, op. 133 "Grosse Fuge"

Bring back the 80's

Ronald Reagan Margaret Thatcher Pope John Paul II
Caro Diogo, a luta continua!

Presidenciais (4)

Cavaco Silva quer ser Presidente da República porque quer prestar um serviço ao país. Assumiu a sua condição de timoneiro do governo quando foi primeiro-ministro e quase todas as suas intervenções políticas desde então revestem o tom iluminado dos que garantem a salvação. Mas Cavaco Silva não é um iluminado qualquer. Ele acredita verdadeiramente que tem a receita para fazer evoluir o país e nesse destino encontra o seu caminho e o seu rumo.

Adivinhando o naufrágio do seu governo, quis antes ser timoneiro na presidência da República. Quando se apresentou a essas eleições, a sua mensagem era clara: iria colocar a sua experiência e saber governativos à disposição da República portuguesa, sendo seu presidente. O que Cavaco Silva quis em 1996 foi um novo começo, uma nova oportunidade para a sua tarefa de sempre: levar o país para a modernidade. É essa mesma tarefa que Cavaco Silva quer retomar agora. Ao contrário do diz o Paulo Gorjão, Cavaco Silva foi sempre bastante lapidar quando falou da Presidência da República. Belém é um meio para atingir o progresso nacional. E nenhuma presidência a la Soares ou a la Sampaio pode almejar contribuir para o progresso nacional.

A eleição de Cavaco Silva como Presidente da República trará um conflito de poderes, constitucionalmente consagrado, que Eanes ainda ensaiou e que Soares ainda ponderou. Cavaco Silva, porque iluminado, usará todos os seus poderes para contribuir para desenvolver Portugal. Se tiver que dispensar o PS, o PSD ou a Assembleia da República, fá-lo-á.

É precisamente contra este estado de coisas que o PS avança com Mário Soares. O objectivo não é eleger Soares mas impedir Cavaco Silva de perturbar o trabalho de José Sócrates, nomeadamente a sua reeleição. É muito, mas é a única coisa que o PS tem a ganhar com uma eventual eleição de Mário Soares.
(continua)

sur le désastre de Lisbonne

O malheureux mortels! ô terre déplorable!
O de tous les mortels assemblage effroyable!
D’inutiles douleurs éternel entretien!
Philosophes trompés qui criez : « Tout est bien »;
Accourez, contemplez ces ruines affreuses,
Ces débris, ces lambeaux, ces cendres malheureuses,
Ces femmes, ces enfants l’un sur l’autre entassés,
Sous ces marbres rompus ces membres dispersés;
Cent mille infortunés que la terre dévore,
Qui, sanglants, déchirés, et palpitants encore,
Enterrés sous leurs toits, terminent sans secours
Dans l’horreur des tourments leurs lamentables jours!

Antevisão do aeroporto da Ota (2)


(previsão de tráfego aéreo: APOVNI e prefeitura da cidade de Bocaiuva do Sul)

Presidenciais (3)

Não partilho dos risinhos à candidatura de Mário Soares. Estou como o Bruno. Mário Soares é perigoso. Perigoso demais. Tentarei voltar ao assunto depois de acabar as contra-alegações que me ocupam.

Presidenciais (2)

Mário Soares não se candidata para perder. Cavaco Silva só se candidata se ganhar. Parece o mesmo, mas não é.

Presidenciais

Mário Soares candidata-se contra o intervencionismo que adivinha em Cavaco Silva. Todos os que lamentaram as intervenções de Jorge Sampaio no Governo de Santana Lopes e que vituperaram contra a excessiva governamentalização de Belém, deveriam votar nele.

Project Bojinka

Para que ninguém se iluda com o caso dos explosivos por detonar:

Oplan Bojinka (...) was a planned large-scale attack on airliners in 1995, and was a precursor to the September 11 attacks.

The term can refer to the "airline bombing plot" alone, or that combined with the "Pope assassination plot" and the "CIA plane crash plot". The first refers to a plot to destroy 11 airliners on January 21 and 22, 1995, the second refers to a plan to kill Pope John Paul II on January 15, 1995, and the third refers a plan to crash a plane into the CIA headquarters in Langley, Virginia and other buildings. Operation Bojinka was prevented on January 6 and 7, 1995, but some lessons learned were apparently used by the planners of the September 11 attacks. This article will cover all three plans.


(Wikipédia)

Breve cronologia das trocas e baldrocas

Em 1975, Freitas do Amaral candidata-se pelo CDS contra o PS de Mário Soares.
Em 1985, Cavaco Silva ganha o Congresso do PSD por ser contra o Bloco Central com o PS de Mário Soares.
Em 1986, Cavaco Silva apoiou Freitas do Amaral contra Mário Soares nas eleições presidenciais.
Em 1991, Freitas do Amaral candidatou-se contra Cavaco Silva nas eleições legislativas e contra a maioria absoluta de um só partido.
Em 1991, Cavaco Silva apoiou o ex-desapoiado Mário Soares nas eleições presidenciais.
Em 1992, Freitas do Amaral sai do CDS e torna-se independente.
Em 1996, Mário Soares apoia Jorge Sampaio contra o seu ex-apoiante e ex-desapoiante Cavaco Silva, nas eleições presidenciais.
Em 2002, Freitas do Amaral apela à maioria absoluta de um só partido, não democrata-cristão: o PSD.
Em 2005, Freitas do Amaral apela à maioria absoluta de um só partido, não democrata-cristão: o PS.

Project Habbakuk

Project Habbakuk was a plan by the British in World War II to construct an "unsinkable" aircraft carrier out of ice, for use against German U-boats in the mid- Atlantic, which was out of range of land-based planes.

The Habbakuk would have been virtually impossible to sink, as it would have effectively been a streamlined iceberg kept afloat by the buoyancy of its construction materials.


( Cabinet Magazine | Wikipedia: Project Habbakuk , pikrete )

Um porta-aviões velhinho

domingo, julho 24, 2005

Na linha

"Mao : The Unknown Story" por Jung Chang e Jon Halliday

"Jung Chang and Jon Halliday have not, in the whole of their narrative, a good word to say about Mao. In a normal biography, such an unequivocal denunciation would be both suspect and tedious. But the clear scholarship, and careful notes, of The Unknown Story provoke another reaction. Mao Tse-Tung's evil, undoubted and well-documented, is unequalled throughout modern history."

-Roy Hattersley, The Observer

Antevisão do aeroporto da Ota (1)

O A Arte da Fuga está em posição de comunicar que o ministro Mário Lino prepara a apresentação ao país de um estudo de viabilidade do novo aeroporto, elaborado por entidades portuguesas e brasileiras, e que já seria do conhecimento do Presidente da República.

Aparentemente, as declarações de António Vitorino e Fernando Pinto obrigaram a uma mudança de estratégia do Governo, que não pretende levar a discussão até às eleições autárquicas.

O projecto que será apresentado corresponde a uma variante que Campos e Cunha sempre rejeitou, mas que é entendida dentro do partido do Governo como uma obra de regime que não poderá ser adiada.

Nova definição de fogos florestais

Uma carga de bombeiros sobre chamas em fuga.

Este também não leu o programa do Governo

"O socialista António Vitorino juntou-se hoje à lista de individualidades políticas que questiona os projectos de investimento no aeroporto da Ota e no TGV (alta velocidade ferroviária), ao considerar que estes não vão criar a dinâmica de crescimento económico necessária para os próximos três anos. Prazo concedido pela Comissão Europeia para que Portugal situe o valor do défice abaixo dos 3%." (Jornal de Negócios)

(referência aos hábitos de leitura defendidos pelo Glória Fácil)

Política de combate ao rating

"As agências de rating dizem que Portugal não tem condições para avançar, simultaneamente, com os projectos do novo aeroporto e do TGV. Ou escolhe, ou o rating da dívida nacional é revisto. (Agência Financeira)

sexta-feira, julho 22, 2005

Agenda mediática

Domingo, dia 24 de Julho 2005, Festa do Chão da Lagoa

ANACOM 0 - Blogosfera 1 (era: ANACOM.die.die.die)

"Autoridade quer acabar «blogs»", notícia do Expresso Online referenciada pela A aba de Heisenberg.

A Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) pretende acabar com os chamados «blogs», páginas de opinião muito em voga na Internet, alegando que estes sítios são frequentemente utlizados para difamação, afirmou ao EXPRESSO Online Pedro Amorim, especialista em direito para as novas tecnologias da informação.

ADENDA: O RAF chamou esta atenção que esta notícia tem mais de um ano... peço desculpas a quem caiu nesta armadilha por nossa causa!

muitos caracteres, pouco carácter

Alarmante é quando Carrilho se dispõe a contratualizar a “nova Cidade” com os “nossos talentosos arquitectos”. O próprio arquitecto Salgado, por quem não se nutrem grandes paixões neste casulo, se encarregou de revelar a metodológica “falha de carácter” com que o nosso candidato age.

"tautologia Carrilho" do jMAC no hARDbLOG.

O brother... (2)

(clicar para ouvir)

Dedicada ao nosso Presidente da República:

I am a man of constant sorrow
I've seen trouble all my day.
I bid farewell to old Paços do Concelho
The place where I was born and raised.

For nine long years I've been in trouble
No pleasures here on Belém I found
For in this world I'm bound to ramble
I have no friends to help me now.

A malta quer é festa

+=VIII Festa da Cerveja do Castelo de São Jorge

Começa hoje.

Aceitam-se desafios blogosféricos.

Provocação (2)

Qual é a percentagem de facturação do escritório de José Miguel Júdice em Lisboa?

O brother...

"Onde andas tu, garante da Constituição?" do JCS no Lóbi do Chá.

Copos ou janelas, whatever...

"Estupidez sofisticada", post do João Miranda no Blasfémias, sobre copos partidos.

Totalitarismos (2)

3. O professor insiste numa falácia. Numa falácia dupla. Quando se refere ao sistema de vouchers (o "cheque-ensino"), diz que é uma forma de financiar o sistema privado de ensino, que tal é pouco liberal e que cobre de vergonha todos os proponentes de tais sistemas. De novo o ódio ao privado.

Segundo este sistema (e mesmo assim não deixa de ser um sistema "redistributivo"), o cheque-ensino é "dado" pelo estado não às escolas (públicas ou privadas), mas aos cidadãos. É "dado" aos cidadãos de forma a que possam, com toda a liberdade possível, assumir a sua responsabilidade insubstituível na educação dos filhos, e pagar respectivas despesas de ensino.

A segunda falácia é própria de quem só pensa no enquadramento de um estado socializante. Não é o estado que "dá" cheques-ensino. São os contribuintes com os seus impostos. São os contribuintes que pagam o sistema público de ensino na sua totalidade e dele apenas levam reguadas para ficarem calados.

Ao intermediário— que é o estado—, admite-se que colecte, planeie, disponha, e que preste um serviço sem contestação nem alternativa. Chama-se a isto totalitarismo.

4. Alega-se que só os "ricos" terão capacidade para pagar o ensino. Este "ódio ao burguês" parte do princípio que o ensino é na verdade mais caro do que é percepcionado (não era "gratuito"?), e que é exemplar e milagrosamente gerido pelos burocratas. Com uma privatização, os custos do ensino alegadamente disparariam e a instrução ficaria acessível apenas a uma elite económica. Falso. O facto é que o ensino é muito dispendioso, o estado gere-o mal, esconde os custos, faz-nos pagá-los pelo impostos, e para cúmulo ainda nos diz que é tudo gratuito.

Diz-se então que este sistema serviria para pagar aqueles que já usufruem de sistemas privados de ensino, esses malandros que pelo seu poder económico podem usufruir, a custo, de uma liberdade que é recusada aos restantes. Antes pelo contrário: é uma obrigação moral lutar para que a liberdade de escolher— entre público ou privado, o que seja melhor— seja estendida a todos.

O sistema em discussão (dos vouchers) também pagaria aos pobres que não recebem do estado um ensino em condições, e que o têm de pagar à mesma, directamente ou indirectamente. Uma liberalização do ensino seria a oportunidade de ouro para o desenvolvimento de sistemas cooperativos, descentralizados, socialmente mais justos e mais adaptados às comunidades que servem. Seria devolver o poder à sociedade. Mas é precisamente isso que o estado e os estatistas não querem.

Conservative or not Conservative?

Escrevi ontem que o Presidente dos Estados Unidos tinha renunciado às escolhas ultra-conservadoras de que tanto se falavam para ocupar o lugar de Juiz no Supremo Tribunal dos Estados Unidos. E que a sua escolha tinha suscitado boas reacções à esquerda e à direita. O Luís Aguiar Conraria, nos comentários e no seu excelente blogue, discordou dessa minha impressão, citando o caso Roe vs Wade, relativo ao aborto, em que Roberts representou o Estado e defendeu posições conservadoras. No Insurgente também se falou sobre o assunto.

Antes de comentar a escolha de John G Roberts, penso que há algo importante a relembrar. A escolha de George W Bush seria sempre uma escolha por um conservador. Isso parece-me evidente e não se pode pedir ao Presidente dos Estados Unidos que traia os fundamentos da sua eleição nem ao Senado americano que traia a sua composição. A questão seria sempre a de avaliar o quão conservadora seria a escolha, daí retirando as devidas ilações.

Ora, dos nomes que se falavam e receavam, John G Roberts não constava. Dos nomes que “de certeza” seriam a escolha do “estúpido” e “burro” e “ultra-montano” Presidente, o nome de John G Roberts não constava. Isto significa que, por um lado, o Presidente não cedeu às pressões do seu próprio partido para escolher os mais conservadores dos conservadores. E, por outro lado, que o nome escolhido não pode ser conhecido por posições ultra-conservadoras, caso em que já teria sido há muito listado.

Bem sei que, a partir de hoje, John G Roberts começará provavelmente a ser considerado como um senhor pouco recomendável, não só pela sua posição no caso Roe vs Wade, como também pela sua actividade como advogado (sempre ao serviço de interesses e clientelas).

Mas a verdade é que John G Roberts é juiz há apenas 2 anos e antes disso foi deputy solicitor general. Tudo o que possa ter dito nessa qualidade, ou na qualidade de advogado não pode ser transposto para uma actuação de magistrado. Os cargos obrigam a posturas diferentes e o de Juiz do Supremo Tribunal Americano, como o de qualquer outro Supremo Tribunal, obriga claramente a uma postura de isenção na interpretação e aplicação da lei.

Exemplo disso, e para não fugir à principal questão que se coloca actualmente, é o facto de, em 2003, John G Roberts ter aclarado que as suas declarações relativamente ao caso Roe v. Wade terem sido proferidas apenas na sua qualidade de advogado. A frase terá sido qualquer coisa como "Roe v. Wade is the settled law of the land. ... There's nothing in my personal views that would prevent me from fully and faithfully applying that precedent."

Desta forma, reitero o que disse ontem. A escolha não parece ser errada e não parece estar irremediavelmente condenada a ser mais um passo da evangelização Bush que tanto se temia. Muitos gostariam que ele escolhesse um Democrata para o lugar. Afinal de contas, é a primeira vez na vida que o Supremo terá uma maioria conservadores, curiosamente a maioria que existe no país. Não seria pedir demais que ele escolhesse um Democrata?

O essencial desta escolha, penso, é o sinal de que George W Bush pretendeu dar de que não cedeu ao ultra-conservadorismo. Se de facto cedeu, é algo que, em minha opinião, ainda não se pode julgar. Cá estaremos para o avaliar.

quinta-feira, julho 21, 2005

Rádio impedância

A comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura considerou esta quinta-feira ser legítima a defesa da música de produção nacional após ter ouvido criadores culturais, editoras discográficas e rádios a propósito da alteração à Lei da Rádio.

Está praticamente decidida, por unanimidade dos partidos, a imposição de quotas às rádios portuguesas, e possivelmente um generoso pacote a produtoras, distribuidoras, estabelecimentos e quiçá aos próprios artistas com o objectivo de dinamizar a indústria musical portuguesa.

A comissao admite ter cedido a "pressões do exterior", à pedinchice infame de lobbies incógnitos, sem qualquer consideração pelo interesse do consumidor/ouvinte: "Todos os grupos parlamentares receberam cartas ou foram contactados para que fizéssemos alguma coisa em prol da música portuguesa"

Justifica-se esta intervenção cultural ao mais belo estilo maoísta de educação do povão: "um bem cultural não é uma mercadoria" / "um mercado assistido" / "uma formação de públicos" / "uma democracia cultural" / contrariar "a ideia de reduzir a mera mercadoria a música boa" / recusar identificá-la [a "música boa"] com a que os ouvinte de rádio gostam.

Esta medida, que tem tanto de politicamente correcto e "moderno" como de apologia envergonhada por um Portugal "atávico" e parolo, tem como um dos objectivos declarados evitar que vão "para a vala comum alguns dos nossos melhores compositores e intérpretes de sempre".

Os nossos melhores compositores e intérpretes portugueses "de sempre" tornaram-se "clássicos" porque ergueram-se por mérito artístico e aceitação popular acima da mediocridade geral que esta comissão quer promover. A esmagadora maioria da música que hoje é feita por todo o mundo daqui a dez anos estará muito bem esquecida, e a música portuguesa não é diferente.

A menos que se admita que o objectivo é tentar ressuscitar música que já teve o seu tempo de glória, não há outra forma de pôr a coisa: é um subsídio directo com dinheiros públicos a uma indústria privada que produz bens que o consumidor não sanciona no mercado livre.

Assim se agride a liberdade de escolha do ouvinte e se ataca o bolso do contribuinte, desbaratando sem critério a enriquecedora exposição a todo o tipo de culturas musicais que ainda se vive em Portugal, só possível pela existência de nichos de mercado radiofónico que serão violentamente afectados— a não ser que sejam compensados, para duplo prejuízo do consumidor final.

A mesma lógica pode e provavelmente será aplicada ao cinema português, assim como à televisão (quotas mínimas de produções nacionais)— traduzindo-se num empobrecimento cultural que só poderá ser mantido pelo favorecimento contínuo de uma indústria que nunca deu mostras de o merecer.

Desobediência civil

Mas o que é desobediência civil?

É por exemplo num país que está em guerra não pagar a minha parte de impostos que corresponde ao esforço de guerra quando estou desacordo com ela.


Francisco Louçã, hoje no Público

Novos ataques em Londres

(clicar para ouvir)

Ludwig van Beethoven,
7 variações sobre a música "God Save the King", WoO 78
(MIDI de fraca qualidade)

O ministro não remodelável



(do post com o mesmo título, no Mau tempo no Canil)

Totalitarismos

1. Cá no A Arte da Fuga temos um sério a problema a resolver— a mania de dar troco a alguns terroristas verbais com os quais não há diálogo possível por soberba destes últimos.

Vital Moreira decidiu defender "a singularidade da escola pública", num artigo provocador no Público, no qual defendia que o sistema público de ensino estaria atacado por obscuros interesses. Que não era indiferente a natureza pública ou privada do estabelecimento de ensino, porque o ensino público era por natureza virtuoso e guardião de uma “singularidade” infinitamente democrática e liberal.

Mário Pinto, também nas páginas do Público, respondeu ao professor ("Entre o direito de educar e pagar socialmente a escola"), contestando o conceito estatal de "direito ao ensino"— no fundo uma forma de "liberdade coerciva"— o direito à não-opinião contrária.

Vital Moreira não perde tempo e ataca ad hominem Mário Pinto, contestando a sua legitimidade para reclamar um modelo diferente (porque alegadamente tal só poderá ser feito com argumentos constitucionais — uma liberdade vedada à maior parte dos portugueses). Não contente, responde-lhe indirectamente comentando violentamente um artigo de José Alberto Xerez (não o nomeando— o professor é muito instruído mas pouco educado).

2. Há vários vícios intelectuais no discurso de Vital Moreira — isto independentemente de concordarmos ou não com o seu modelo — e discordamos com veemência como será bem patente.

Para começar, o ódio ao ensino privado. Se o ensino privado fosse igual ao ensino público, inclusivamente nos programas e condições de acesso sócio-económico (o que pressupõe a mesma "gratuitidade" perversa inscrita na Constituição)— ou seja, se pagássemos a mesma carga fiscal mas não pudéssemos distinguir um do outro, para o professor seria igual, porque o modelo privado é naturalmente vicioso.

Exageramos: o professor nunca o disse. Naturalmente, sendo os dois sistemas iguais, dar ou não dar liberdade de escolha de escola aos cidadãos seria indiferente. Acontece que nem essa liberdade é dada, porque perturbaria o planeamento central estatal de uma experiência social tão bem controlada. Não se pronunciem as cobaias.

O professor acredita que se desse liberdade de programa educativo às escolas privadas, mesmo que fossem "gratuitas" e "acessíveis" a todos, inevitavelmente cairiam em experiências e em metodologias socialmente alienantes, lesivas da incrível experiência que é a sujeição à cartilha iluminada dos pedagogos do Ministério. Se as pessoas pudessem escolher, escolheriam as instituições que pior as maltratariam— portanto deixai o estado maltratar os cidadãos em exclusividade, porque assim eles realizam plenamente a sua liberdade.

Se admitirmos que não é bem assim, justifique o estado porque é que considera que os seus ditames de homogeneização do ensino, encharcados em relativismos ultrapassados, são mais "correctos". Discutam-se os programas. Discutam-se as metodologias. Mas não pela sua "lógica" mística, ou outras baboseiras retóricas— pelos seus resultados. Compare-se e compita o estado com o melhor e o pior que o privado tem para oferecer.

A "singularidade", qual macguffin, é usada para mascarar o essencial— que os alunos saiam tão bem preparados em Matemática, Português, História ou Filosofia como em capacidades pessoais, sociais, desportivas, artísticas, humanas. A tolerância, civismo e cidadania aprendem-se em qualquer lado, sempre que as pessoas forem chamadas a assumir as suas responsabilidades, e não com lógicas paternalistas, absolutas e totalitárias.

(continua)

Supremo

Diziam os profetas do apocalipse que George Bush escolheria um juiz ultra-ortodoxo para o Supremo Tribunal. A escolha recaiu em John G. Roberts, bem recebido à esquerda e à direita. Obra do acaso, certamente.

Desiquilíbrio institucional

O próximo Presidente da República não tratará como igual o novo Ministro das Finanças.

Auto Retrato

Disse Freitas do Amaral a Judite de Sousa: "Fazendo eu [agora] parte de um Governo socialista, se o prof. Cavaco Silva for o candidato da direita e o PS tiver um candidato adversário, eu não posso apoiar Cavaco Silva contra o candidato do PS. Por uma questão de gratidão ao prof. Cavaco Silva, que fez de mim presidente da Assembleia Geral da ONU, não posso apoiar um candidato do PS contra Cavaco Silva. Assim, a posição mais natural é abster-me."

Pensava que o Prof. Freitas se movia pela democracia-cristã. Afinal é pela gratidão. Terá sido por isso que apelou a uma maioria absoluta de Durão Barroso em 2002?

Se sim, talvez se explique o apelo à maioria absoluta de Sócrates em 2005. Alguma gratidão haveria aqui também...

A duas mãos, pouco invisíveis

Saudações aos excelentes Pedro Picoito e Manuel Pinheiro, que têm mantido um elevado nível de discussão intelectual no A Mão Invisível, desde que este super-blogue com super-bloggers foi criado, há uns longos cinco meses...

(sem prejuízo do mérito devido às colaborações esporádicas dos restantes companheiros de blogue)

A história repete-se

Lembram-se de Nogueira Leite, Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças de António Guterres, que abandonou o governo ao fim de oito meses, ao constatar que não havia vontade política de António Guterres para dar sequência às suas recomendações, tendo daí retirado as devidas ilações?

Breves notas de uma demissão

Um qualquer ministro das Finanças que esteja disposto a fazer um bom trabalho por Portugal, é sempre um ministro contra os restantes. É ele que fecha as torneiras e é ele que impede os ministros de andarem a fazer brilharetes e a zelar pela sua carreira ministeriável. Um ministro das finanças que queira fazer um bom trabalho depende sempre e só da vontade política do primeiro-ministro, que terá de obrigar todo o governo a acompanhar a política financeira a ser seguida;

Em consequência, não é possível haver um bom ministro das finanças em simultâneo com um mau primeiro-ministro. Esta demissão prova-o.

A demissão de Campos e Cunha pode ter os mais variados motivos e as mais diversas justificações. Mas a verdade é que poucos meses antes das eleições autárquicas que o PS tanto medo tem de perder, sai pela porta fora o Ministro a quem se podem imputar as medidas impopulares;

A exoneração de Santana Lopes e a campanha das últimas legislativas encarregaram-se de lateralmente contribuir para o descrédito de Durão Barroso. Os episódios governativos deste PS que se vêm sucedendo nos últimos tempos, estão a encarregar-se de zelar pela sua reabilitação.

Testamento

Os últimos dez dias foram férteis em notícias económicas para o nosso país.

1. O artigo “Economia e Finanças” do recém-exonerado (demitido?) Ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha suscitou reacções muito diversas, mas poucos (incluindo Miguel Beleza) não tiveram dúvidas em classificá-lo como excelente. É um artigo excepcional, sucinto e transparente, de grande valor pedagógico, científico e programático, de uma clareza que não se viu no Programa de Governo, nem se tem visto do executivo desde então.

2. O imperativo nacional: Campos e Cunha explica que existe uma “crise das finanças públicas”, e que a redução do défice público não é uma obsessão.

Destas recomendações [Ecofin] podem retirar-se as seguintes ideias centrais: (i) importância da redução do défice de forma rápida; (ii) dever de evitar operações financeiras que aumentem a dívida; (iii) controlo da despesa, melhorando a sua qualidade; (iv) garantia de sustentabilidade das finanças públicas.

No ‘novo’ PEC [Pacto de Estabilidade e Crescimento] o limite de 60 por cento para a dívida passou a ter um papel mais central, a par do limite de 3 por cento para o défice.

A rapidez da redução do défice implica que o ajustamento previsto no Prec [Programa de Estabilidade e Crescimento] seja visto por Bruxelas como o ajustamento mínimo necessário. (...) impõe-se uma cautela ainda mais vigilante na disciplina orçamental, o que pode implicar mais medidas de contenção da despesa, possivelmente já para 2006.

O país só tem conseguido viver acima das suas capacidades porque tem hipotecado aos poucos a sustentabilidade do seu modelo social e económico. A crise das contas públicas não é uma situação conjuntural, mas sim uma grave doença estrutural, agravada por decisões políticas que foram e têm sido financeiramente desastrosas. O emagrecimento do Estado (porque é do défice público e dívida pública que se trata) obrigará a reformas e sacrifícios vários, que exigem do governo capacidade técnica mas sobretudo orientação e determinação política.

3. Não se trata aqui de defender um modelo para o Estado. Ele não é viável tal como está organizado. Campos e Cunha explica que com a evolução demográfica, os custos com a Saúde são galopantes; e pelo mesmo motivo, a Segurança Social sobrecarrega o Estado de forma insustentável porque é um sistema que não é auto-sustentável, contra a sua própria concepção— até o mais bem intencionado sistema de pirâmide está condenado ao fracasso.

Campos e Cunha insinua que na Saúde, estão em curso os mecanismos que permitirão racionalizar a despesa pública, sem contudo grande vontade de mudança de modelo; que na Segurança Social, ainda as equipas governamentais ainda estão na fase de estudo e planeamento; nas Obras Públicas como sabemos é o descalabro. Sobretudo diz que o que já foi feito até agora está longe de ser o suficiente.

A sustentabilidade a longo prazo das finanças públicas assenta em três aspectos: a Segurança Social, a Saúde e os investimentos públicos.

o crescimento de tais despesas [Saúde] implicará medidas adicionais de contenção dentro dos parâmetros que conciliem os objectivos orçamentais com imperativos de serviço público e de justiça social.

[Segurança Social:] um vasto e difícil programa de reformas que permitem poupanças significativas nos próximos anos, imprescindíveis à sua sustentabilidade financeira de longo prazo.

4. Campos e Cunha dedica grande parte do seu artigo ao investimento público. Refere que o investimento público em Portugal tem tido pouco retorno, uma constatação importante com implicações doutrinárias imediatas. Mas sobretudo insiste repetidas vezes na importância da avaliação da rendibilidade do investimento. Não se trata aqui de chamar a atenção ao custo de oportunidade de realizar investimento público pouco eficiente— só por si uma prática grave e irresponsável— mas sim de abrir os olhos da opinião pública aos paquidermes albinos alinhados para desfilar a curta distância do nosso colectivo nariz.

A ideia de que o investimento é sempre algo de bom é errada.

Hoje viveríamos melhor se certos investimentos não tivessem sido realizados.

Consequentemente, uma boa decisão de investimento impõe a necessidade de uma análise prévia de rendibilidade.

(...) difícil mas necessária selecção dos projectos de investimento. Caso contrário, hipotecamos, gastando em investimento, o presente e comprometemos o futuro com prejuízos de exploração

Caso contrário temos, hoje e no futuro, menos benefícios do Estado ou mais impostos.

(...) o crescimento económico tem uma vaga relação com a quantidade do investimento público realizado.

Como é referido pelo FMI, o investimento público deve dar prioridade aos projectos com a maior rendibilidade económico-social possível.

A boa qualidade do investimento público é fundamental para que este seja parte da solução da crise das finanças públicas e não parte do problema, ou seja, que promova efectivamente a retoma económica.

5. Note-se que Campos e Cunha faz referência a um desígnio político (“única forma de manter a viabilidade do Estado Social”) apenas uma vez: Portugal enfrenta desafios urgentes. Em causa está o seu desenvolvimento e a necessária manutenção do Estado Social. Um ministro político teria enchido a meia página do Público com lugares-comuns sobre o Estado Social. O ministro técnico, de saída, não quis deixar de testamento ao país e ao seu sucessor um embrulho de banalidades.

Estas ideias traduzem-se em políticas concretas que todos podem entender facilmente.

Campos e Cunha já tinha ameaçado demitir-se se houvesse hesitação na condução das políticas de rigor e austeridade que ele considerava serem vitais para Portugal. Obviamente, demitiu-se.

[ADENDA: o Público publica de novo este artigo na edição de hoje.]

quarta-feira, julho 20, 2005

Teoria da Relatividade e o Alcorão

Directamente do A Cruz e o Crescente, o link para Relativity in Quran (Koran), que explica como é que os textos sagrados do Islão anteciparam em 1300 anos as teorias de Einstein— uma explicação cabalística.

Instrumentalizações

No Causa Nossa, Vital Moreira diz que ao defender novo referendo à regionalização em 2007, o PCP só quer instrumentalizar a questão da regionalização para "chatear" o PS. E acrescenta que o PS e o Governo já garantiram que tal referendo não se fará nesta legislatura, antes de haver condições para o vencer.

Não sei o que é mais grave: se o PCP instrumentalizar a questão da regionalização para “chatear” o PS, se o PS instrumentalizar a sua governação para ganhar referendos.

Descubra a herança vermelha

Vital Moreira ao seu estilo no Causa Nossa, sobre artigo de José Alberto Xerez no Diário de Notícias:
A gente lê e pasma. Em que é que esta privatização do ensino aliviaria a despesa pública, se afinal o Estado continuaria pagar o ensino privado!? Aliás, muito provavelmente essa solução até traria mais despesa pública, pois o Estado passaria a suportar os alunos que hoje estão nas escolas privadas à sua custa, e além do pagamento às escolas privadas teria sempre de pagar os professores e funcionários que não poderia despedir...

Custa ao professor aceitar que um novo mercado abrir-se-ia aos professores e aos funcionários— um novo mercado para quem não estivesse pregado à cátedra, pois claro.

Deliberação n.º 1

Eu e o António conversámos acerca desta discussão e polémica sobre o liberalismo que atravessa a blogosfera de direita. Chegámos à conclusão de que aquilo que começou por ser uma boa oportunidade de actualização doutrinária e filosófica, acabou por se tornar num triste espectáculo em que, como sempre, há bons e maus espalhados por ambos os lados.

O A Arte da Fuga não vai, por isso, dedicar-se ao tema nos tempos mais próximos.

Tiques cavaquistas

"Não preciso da ajuda da comunicação social, diz Sócrates" (Diário Digital)

Idealismo

The main lesson which the true liberal must learn from the success of the socialists is that it was their courage to be Utopian which gained them the support of the intellectuals and therefore an influence on public opinion which is daily making possible what only recently seemed utterly remote.

Those who have concerned themselves exclusively with what seemed practicable in the existing state of opinion have constantly found that even this had rapidly become politically impossible as the result of changes in a public opinion which they have done nothing to guide.

Unless we can make the philosophic foundations of a free society once more a living intellectual issue, and its implementation a task which challenges the ingenuity and imagination of our liveliest minds. But if we can regain that belief in the power of ideas which was the mark of liberalism at its best, the battle is not lost. The intellectual revival of liberalism is already underway in many parts of the world. Will it be in time?


F.A. Hayek, "The Intellectuals and Socialism", citado pelo Miguel Noronha n'"O Insurgente". A separação dos parágrafos é minha e não é inocente.

"que não se implemente o liberalismo pela metade"


http://www.fractalus.com/info/zoom.html
(botão direito do rato -> rewind -> play para recomeçar)

CAIS

Anuncia o Público que começa a ser vendido hoje o número 100 da Revista Cais.

A associação daz coincidir o lançamento da revista n.º 100 com a inauguração, às 19h00, da exposição 03, Concurso de Fotografia CAIS, que estará presente até 13 de Agosto na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Lisboa.

Melhor ainda que o Live 8

Já só falta um ano! Vamos mudar o mundo! World Jump Day: 20 de Julho de 2006.

A ideia é simples e cientificamente provada! Se 600 milhões de pessoas saltarem coordenadamente, é possível mudar a órbita do planeta, o que fará parar o aquecimento global, aumentar a duração dos dias em relação às noites, e tornar o clima terrestre mais homogéneo!

A explicação científica é simples: milhões de pessoas a saltar criarão um efeito místico que suspenderá a aplicação da terceira lei de Newton— aquela que diz que a quantidade de movimento mantém-se quando só estão em jogo forças internas. Com o interesse das autoridades, a lei poderá mesmo ser revogada, inaugurando um período de prosperidade mundial! Assim, e sem necessidade de ejectar para o espaço largas quantidades de matéria a grande velocidade (seria ecologicamente inaceitável), a órbita do planeta será mudada para melhor!

Adira a esta gigantesca manifestação de solidariedade e inteligência humana!

Cenas de campanha

Imagino como será a campanha de Freitas do Amaral a Presidente da República, pela esquerda.
Local: Mercado de Arroios
Hora: 9:40
PROF. FREITAS: Bom dia minha Senhora, vote em mim para PR.
VARINA: Em si? Mas o senhor é dos outros, das direitas e mudou agora para as esquerdas. Não gosto de si!
PROF. FREITAS: Mas eu não mudei minha senhora. Eu estou no mesmo sítio. Eles é que mudaram todos.
VARINA (virando-se para os dirigentes socialistas que acompanham Freitas na campanha): É verdade o que ele diz? Que vocês é que mudaram todos e que ele (aponta para PROF. FREITAS) está na mesma?
DIRIGENTES DO PS: ...erm...eh...bom...

terça-feira, julho 19, 2005

Superpotências on the turntable

(clicar para ouvir)
Red Army Choir, Hino da União Soviética
(clicar para ouvir)
Jimi Hendrix, Star Spangled Banner

"Problemas alheios à nossa vontade"

O A Arte da Fuga sofreu uma perda de template. Foi necessário reconstrui-lo a partir do modelo de há três semanas. Por este motivo, alguns dos links do sidebar desapareceram. Vamos tentar repor a situação, mas desde já agradecemos a ajuda dos leitores que deixaram de estar referenciados, dando-nos conta do facto nos comentários.

Mantra

"Ninguém contribuiu o suficiente para a sua reforma"


O artigo do Portugal Diário, que não é brilhante, resume intervenções de Saldanha Sanches e Medina Carreira. Está lá tudo dito. Repetir continuamente o título do artigo com ênfase no "ninguém".

A ler com atenção

O post "A guerra das mentiras" do FCG no The Guest of Time.

Para evitar esta permanente campanha de propaganda jornalística é preciso repor a verdade.

A sistemática ignorância deste elo óbvio de ligação entre o regime de Saddam e o terrorismo islâmico não é acidental. Nem o é a forma como muitos dos meios de comunicação social tratam a decisão de conclusão das operações militares no Iraque. A questão é sistematicamente apresentada como se existisse um amplo conjunto de possibilidades de escolha de opções estratégicas (falso), como se existissem opções preferíveis (sem nunca se dizer quais e preferíveis de acordo com que critério normativo) e como se o regime de contenção fosse sustentável e não tivesse sido directamente responsável pelo recrudescimento do terrorismo islâmico (que foi).

Governo demonstra incapacidade para comunicar (q.e.d.)

"Freitas do Amaral acusa Diário de Notícias de «manipulação»" (Diário Digital)

Governo demonstra incapacidade para comunicar

"Governo demonstra incapacidade para comunicar" (Diário Digital)

Freitas do Amaral, que segundo a TSF aproveita a entrevista para fazer também um mea culpa, considera que tanto ele, quanto os seus colegas de Governo, não conseguiram ser persuasivos e esclarecedores o suficiente de forma a elucidarem os portugueses sobre a necessidade de implementação de medidas de austeridade.

Ar puro


"Aqui na Dinamarca o maior parque eólico está instalado no mar, onde o ruído não incomoda e e até se torna visualmente agradável.", do Bruno Pais no Elba Everywhere

I'm going slightly mad


mais sobre Jean Ignace Isidore Gérard (J.J. Grandville)

Fatwa

More than 500 British Muslim religious leaders and scholars have issued a fatwa in response to the London bombs. (BBC News)

- link para o British Muslim Forum;

ADENDA: Mr Blair's official spokesman said: "The Prime Minister has said that we have to recognise where this perversion of Islam came from and we have to recognise that all of us need to stand together and that includes the Muslim community."

He added: "The Muslim MPs who came to see him, and the Muslim leaders, have said that it is not enough just to condemn the bombings, that the Muslim community itself has to act. That is part of the reason for the meeting.

segunda-feira, julho 18, 2005

So you want to write a fugue

(clicar para ouvir)
Glenn Gould, "So you want to write a fugue" (letra)

So You Want to Write a Fugue is sung in a madrigal-type round with four singers all repeating small variations of the base lyrics. The careful listener of the polyphony can likely pick out variants to the above lyrics as the singers repeat and repeat again their lyrics. Its another example of his multiple layered "voiced-over" pieces where the listener is expected to follow two or three lines of sound at once.

Referendo à Ota

O deputado social-democrata Miguel Relvas defende que "um investimento público como o aeroporto da Ota deve ser sujeito a referendo" porque "ultrapassa a legislatura e não reúne consenso técnico nem político".

É do mais puro bom senso explicar aos contribuintes o que justifica este investimento público aparentemente megalómano. É uma obrigação do governo prestar contas, e é uma obrigação da oposição não se demitir de o reclamar por todos os meios. Com tempo, insistência e competência política, será compreendido que o elefante rosa é na verdade um elefante branco.

A ameaça da via referendária é reflexo da impotência da oposição, que a cada dia que passa demonstra que não tem qualquer estratégia para o país. A iniciativa é completamente desfasada da agenda política nacional, revelando um péssimo sentido de oportunidade. Com as férias à porta, poucas causas sobreviverão ao silly season. Seguem-se as autárquicas, com os candidatos da região Centro a reclamar a Ota até que os pulmões lhes doam, sem qualquer contestação das direcções nacionais dos partidos da oposição.

O governo poderá desde já dizer "não" e forçar o bluff— "Se o governo avançar, então Miguel Relvas diz que esta matéria será, obrigatoriamente discutida durante a campanha para as eleições presidenciais". Nas presidenciais, mais depressa discutiremos o Aborto, ou a Europa, ou a regionalização, muito a contragosto do candidato "da direita".

E mesmo que o novo aeroporto fosse a referendo— apostando o PSD na degradação da imagem do governo— já é sabido que o PSD não tem posição definida no referendo ao Aborto; é a favor da posição do governo no referendo à Constituição Europeia; e só poderá fazer oposição contra a Ota. Pela amostra não vamos lá. É de perguntar se tanta inépcia não tem como fim matar à nascença uma discussão incómoda.

PS: Esta seria uma boa oportunidade para que os partidos de direita dissessem que modelo económico pretendem para o país. Miguel Relvas já se adiantou: «favorável ao investimento público como factor de desenvolvimento da economia»— ao arrepio da linha mais cautelosa de Marques Mendes e Campos e Cunha.

Bloco aqui, partido ali

Os neocomunistas alemães do PDS da ex-RDA decidiram, ontem, mudar o nome do partido para facilitar a sua aliança com uma nova formação da esquerda contestatária, criada em Janeiro último no Ocidente da Alemanha. Durante um congresso extraordinário em Berlim, os delegados do Partido do Socialismo Democrático (PDS) aprovaram, por 74,6% dos votos a favor, a mudança do nome do partido para Partido de Esquerda.

Mudo e quedo

O senhor que ficou mudo no debate da RTP diz que o PCP não vai ficar calado...

Eye in the sky (2)



ADENDA: o leitor DL sugere esta outra nebulosa planetária.

Eye in the sky


NGC 6543, "Cat's Eye Nebula", uma estrela moribunda

PREC na Venezuela

"Chavéz ameaça empresas pouco produtivas com nacionalizações"

A prova máxima que o Estado é economicamente estúpido (aqui ou na Venezuela) é o facto de querer as empresas pouco produtivas para si próprio.

ADENDA: A Venezuela não é um qualquer paíseco. É uma potência económica regional. Seria importante que o mundo reagisse a esta mugabização da sua economia, precisamente porque não o fez noutras paragens, com os resultados conhecidos.

O ensino liberal numa perspectiva conservadora

Do artigo "Entre o direito de educar e pagar socialmente a escola" de Mário Pinto, publicado hoje, dia 18 de Julho de 2005, na edição impressa do Público:

1. Nos famosos tempos do Doutor Salazar, quando alguém defendia o direito aos partidos políticos (privados), logo lhe era retoricamente explicado, e às vezes por professores de Direito Constitucional, que só a União Nacional, criada como espécie de serviço público partidário "que cobria as necessidades de toda a população", estava em consonância com a Constituição e "poderia constituir a plataforma adequada para as referidas funções cívicas de socialização política, de coesão social e de unidade nacional, num quadro de pluralismo político e religioso". E depois esta tese era devidamente desenvolvida com inúmeros argumentos fundados na experiência do passado, na Constituição e no interesse público, destacando a ideia de que "o direito (à participação partidária) foi concebido como direito (à participação na União Nacional) e não como a qualquer (participação) e a qualquer (partido)". "Só a (União Nacional), socialmente aberta e plural, bem como neutral sob o ponto de vista ideológico e confessional, é que poderia constituir (aquela) plataforma adequada".

Leitor amigo: faça o favor de reler este parágrafo, substituindo "participação política" por "ensino", e "União Nacional" por "escola pública", e verificará que este discurso ideológico é ainda perfeitamente actual porque ainda há hoje quem o defenda.

Adenda. (...) acrescenta a nossa Constituição: "Os pais e as mães têm direito à protecção da sociedade e do Estado na realização da sua insubstituível (insubstituível!) acção em relação aos filhos, nomeadamente quanto à sua educação...". É claro, não é? A sociedade e o Estado protegem os pais e as mães; mas não podem ir ao ponto de os substituir, porque eles são "insubstituíveis".

Aproveito-me da ocasião para pedir também a atenção de alguns constitucionalistas para estes princípios fundamentais, que colocam o Estado em posição ancilar e subsidiária relativamente aos pais em matéria de educação dos filhos. Neste sentido, o Estado pode e deve pagar o ensino— e sem discriminações; mas não pode educar. Ergo...


ADENDA: De todas as reacções da blogosfera ao retorico artigo de Vital Moreira, recomenda-se como sempre a resposta do João Miranda no Blasfémias.

Os mensageiros inúteis

A pedido de uma família, que muito respeito, aqui deixo a crónica que escrevi no Independente desta semana.
Os mensageiros inúteis

Lá vão eles de mãos dadas, por um caminho entre ruínas e ruminando cortesias. Ali estão, de sorriso nervoso e amor pronto, como freiras surpreendidas por um grupo de marginais. Vejo-os carregados de tratados do Boaventura e panfletos do Chomsky, transpirando boas intenções. Cai uma bomba enquanto alinham o discurso mas recompõem-se e louvam a bondade do diálogo. Porque eles compreendem e aceitam ainda que condenem e vituperem ao mesmo tempo, num estado de alma que só eles concebem e que não ficará senão para escárnio futuro. Na fila indiana do politicamente correcto, ensaiando a dialógica celebração, lá se vão dirigindo aos filhos da puta. É que os filhos da puta são as primeiras (e verdadeiras) vítimas. É que os filhos da puta têm porquês e merecem a compreensão, antes da condenação. A eles se dirigem, pisando escombros (ups, um autocarro foi pelos ares) na busca dos tais porquês que a racionalidade omite, mas o politicamente correcto descobre. Caminham uns atrás dos outros, na confiança estúpida e sempre desmentida na humanidade. Já despojados de liberdade, na covardia da alienação, estão felizes na sua condição de mensageiros. Se servir para suster um só dia de guerra, dizem, vale a pena (o metro acaba de explodir). Como se a guerra estivesse para acontecer e os corpos que pisam, devagar e mansamente, mas pisando, não fossem já símbolo de guerra. Mas não são os que caminham, os únicos na fila. Há depois os outros, os apoiantes morais, treinando de bancada, destilando nos fóruns e alapados na comodidade de quem cospe nos pratos em que come (os edifícios ruem). Todos crentes. Todos iluminados. Os que se defendem, esses traidores da humanidade, não valem nada. Não compreendem os incompreendidos. Quando tudo arde, eles serão ainda os culpados. Mas quando a paz regressar, imposta como sempre, indesejada por muitos, como sempre, com humilhações, como sempre, serão os que defenderam que ficarão na história. Os outros? Os outros foram levados com os escombros que tanto tentaram compreender mas nada fizeram para evitar.

Um investimento prejudicial (2)

Quando escrevi o post "Um investimento prejudicial", abaixo, ainda não tinha lido a mais recente pérola de Vital Moreira (transcrevo para não correr o risco de o post ter desaparecido daqui a três meses):

De um líder político [Marques Mendes] que alinha demagogicamente com os interesses localistas imediatos de Lisboa na questão do novo aeroporto não são de esperar grandes vôos. Estando indesmentivelmente previsto para dentro de poucos anos o esgotamento da capacidade do actual aeroporto da capital — e mesmo assim à custa de enormes investimentos para lhe prolongar a vida até 2015 —, como é o presidente do PSD pode tomar posições tão pouco responsáveis? Ainda se se tratasse de algum candidato ao município de Lisboa...


Nunca é demais responder que pode estar "indesmentivelmente previsto para dentro de poucos anos o esgotamento da capacidade do actual aeroporto da capital". "Indesmentivelmente previsto" pelas cabecinhas empírico-oníricas dos nossos governantes, em pleno exercício de wishful thinking. Leia-se de novo o artigo de Luís Salgado de Matos.

Se há estudos, são documentos pagos com dinheiros públicos, e não há razão para não serem disponibilizados online a quem os quiser consultar.

Mais: Carmona Rodrigues, enquanto ministro, defendeu a Ota, com a mesma falta de transparência que o actual executivo. Vital Moreira poderia atacar por aí. Mas preferiu falar dos "candidatos ao município de Lisboa".

Queremos saber a posição de Carrilho— como poderá, contra tudo o que defendeu João Soares, defender a deslocalização do aeroporto da Portela, com graves prejuízos para a competitividade da cidade e do país, em troca de uma qualquer operação imobiliária — interesses contra os quais prometeu lutar este fim de semana. Este fim de semana, com o mercado das promessas ainda em baixa.

domingo, julho 17, 2005

PCWorld's 100 Best of 2005

PCWorld's "The 100 Best Products of 2005"

Firefox, Gmail, Mac OS, Skype, Google, Thunderbird, iTunes, Flickr, Wikipedia, TypePad, iPod, ... um snapshot do state-of-the-art nas novas tecnologias.

(lista completa)

Pirâmide alimentar express


krill - Baleia Azul

What a diference um estado de graça makes

Álvaro Barreto relembrou ontem, em entrevista a Sérgio Figueiredo na 2:, que se a história se repetisse, a Assembleia da República estaria agora a ser dissolvida pelo Presidente da República forçando na prática o Governo a demitir-se.

Um investimento prejudicial

Reproduz-se aqui o artigo "Um investimento prejudicial" de Luís Salgado de Matos, publicado no Público a 4 de Julho de 2005.

A 31 de Janeiro de 1974, o Ministro das Obras Públicas, Eng.º Rui Sanches, anunciava que, dentro de poucas semanas, seria aberto concurso para a primeira fase do novo aeroporto de Lisboa. Já então "rigorosos" estudos técnicos anunciavam o esgotamento para breve da capacidade da Portela. O 25 de Abril livrou-nos desse erro.

Como o leitor se lembra, a questão do novo aeroporto de Lisboa foi politizada. Nas eleições de 2001, Durão Barroso garantiu que ele não seria construído "enquanto houver crianças que esperam três anos para serem operadas". O PS, embora preocupado com as cirurgias infantis, defendeu sempre a Ota.

O aeroporto da Ota consta, em termos hábeis, do programa de Governo mas não foi debatido na campanha eleitoral. O governo anunciou há dias 650 milhões de euros para o lançar. Pagaremos caro. Em 2003 custaria uns 3% do PIB, três mil milhões de euros— 600 vezes o preço de saldo de 2000. Este investimento deveria ser travado de imediato porque é dinheiro deitado à rua— para mais em tempo de "vacas magras".

A razão básica é esta: não há procura. Na Portela aterram todos os anos onze milhões de passageiros. Com duas pistas e o Figo Maduro, o aeródromo militar, irá aos 23 milhões. Como o seu potencial tem sido sempre subestimado, é de esperar que, nas previsões de amanhã, a portela chegue aos 30 milhões. Ora a Ota tem capacidade para os mesmos 30 milhões. Isto é: não vale a pena pagar para mudarmos para pioto pois ficaríamos 90 minutos mais longe da Europa central. Ora sabemos que construir aeroportos não lhes cria tráfego.

Se em 2025 houver passageiros que não possam aterrar na Portela, bastará enviar os "charters" e "low cost" para Tires ou Monte Real. Mas não haverá. Porque o transporte aéreo está hoje estruturado em aeroportos-eixo ("hub" em inglês), onde aterram aviões cada vez maiores donde os passageiros são distribuídos para outros aeródromos em aviões mais pequenos. O pesadelo da Ota faz-nos perder um trunfo que temos: um bom aeroporto de turismo e negócios na Portela. Como dizia João Soares, com bom senso e coragem, quando dirigia a Câmara de Lisboa.

Em desespero de causa, apelam ao nosso patriotismo: sem a Ota, os espanhóis é que terão um aeroporto "hub". Em Barajas, o aeroporto de Madrid, aterram mais de 30 milhões. Quem acreditará que a Ota será o aeroporto "hub" da Península?

É referido que é possível obter fundos comunitários para a Ota mas não para a expansão da Portela. Ainda que seja assim— o que está por provar—, fica por demonstrar a vantagem da Ota.

O lóbi da Ota é antigo e poderoso. Quando Durão Barroso congelou o novo aeroporto, foi logo atacado pelo seu ministro-sombra das Obras Públicas, Isaltino Morais. E o seu ministro Carmona Rodrigues apontou como 2015 como data para a conclusão da Ota. Esperemos que o actual governo consiga despolitizar este projecto tipo bloco central.

Leitura de domingo

"Ensino e Democracia: colossal embuste", de Gabriel Mithá Ribeiro, online na Revista Atlântico.

Parabéns!

Ao Mário Almeida e ao seu A Fonte por um ano de excelentes águas!

(clicar para ouvir)
Handel, extracto do Water Music "Alla hornpipe"

sexta-feira, julho 15, 2005

The Proms


Hoje começou o maior e melhor festival de música clássica do mundo — os Promenade Concerts, ou Proms, este ano na 111ª edição, no Royal Albert Hall em Londres. A não perder, a transmissão dos concertos online e a pedido.