sábado, Dezembro 31, 2005

2005 (2)

Vem comigo para 2006, sem interrupções ou transições.

2005

Foi o ano que as nossas descobertas nos descobriram. Que aqueles que sempre lemos, nos passaram a ler. E isso resume a nossa existência blogosférica em 2005. Podiamos lá querer coisa melhor?

sexta-feira, Dezembro 30, 2005

Os melhores filmes do ano

Não consigo ordenar os filmes que vejo por anos e guardá-los assim, em gavetas desenhadas por outros e artificialmente pensadas para tratamento universal. Um ano, nos seus 365 dias, nao me faz qualquer sentido, porque é um pressuposto da vida. Impõe-se independentemente do que nos vai alinhando a alma. Faz algum sentido dividir o melhor beijo da nossa vida em dois, apenas porque entretanto terminaram os últimos minutos do que se convencionou chamar de Dezembro? Daí que os anos não me sirvam para agrupar as consequências que os filmes têm na minha vida. Ela não se divide em anos, mas em muitas outras coisas que não cabem neste blogue.

Recomendo...

... este post. E faço-me de convidado. Ok?

quinta-feira, Dezembro 29, 2005

♪ Aranjuez


(clicar para ouvir)
http://library.sau.edu/accelmusic/Rodrigo%20Concierto_De_Aranjuez.mp3
Joaquín Rodrigo, Concierto de Aranjuez, Adagio

Pergunta do dia

Questionado sobre o anúncio do ministro das Finanças de que só será possível aumentar os salários da função pública em 1,5 por cento tendo em conta a situação das finanças públicas, Mário Soares escusou-se a comentar, considerando que se trata de "uma questão de política do Governo pura" no Público.

Será preciso elencar aqui as inúmeras questões de política pura que motivaram intervenções de Mário Soares Presidente, ou basta as nossas memórias e a nossa capacidade de não torcer a realidade apenas para tentar ter razão?

Momento intimista do dia (2)

Gosto de beber, muito, de sair à noite, muito, e de me divertir, muito também. A passagem de ano é, no entanto, um cutelo encostado às minhas costas, obrigando-me e impelindo-me a fazer algo de que gosto muito mas, desta vez, com a obrigação de ser memorável. Desisto sempre.

Momento intimista do dia

- Tu é que és o Adolfo da Arte da Fuga?
- (encolhendo a barriga e endireitando as costas) Sim, sou eu mesmo.
- Eu achava que devias ter aí uns 40 anos!
- ...

quarta-feira, Dezembro 28, 2005

A primeira vitória de Soares

Cavaco Silva veio agora desmentir que tivesse efectivamente proposto a existência de uma secretaria de estado que acompanhasse as empresas estrangeiras, num desvio total à sua estratégia. Em vez de recorrer ao so what, fundamentar a sua (má) proposta e insistir na vertente positiva da sua campanha, Cavaco foge, recua e amedronta-se perante Mário Soares, preferindo desmentir o indesmentível e, com esse desmentido, alimentar as vorazes acusações de que pretende governar a partir de Belém. Se ele tivesse explicado, com ar professoral e natural, o teor da sua proposta, o caso estava encerrado e deixava Soares nos histerismos do costume. Ao desmentir, fugir e recuar, Cavaco deu o espaço que Soares tanto quis conquistar. E deu o flanco. Agora que se aguente.

Paradoxos do dia

Os mesmos que acharam que Santana Lopes deveria primeiramente apresentar os nomes dos seus ministros a Jorge Sampaio, antes de este tomar a decisão de não dissolução, são oque negam a Cavaco Silva o direito de opinar sobre as alegadas vantagens de uma nova secretaria de estado.
Os mesmos que aplaudem as 1001 prioridades nacionais de Jorge Sampaio vêm agora fazer-nos acreditar que as intervenções de Cavaco Silva sobre o país são uma intromissão grosseira na função governativa.

terça-feira, Dezembro 27, 2005

Algoritmo português

1. Enterrar a cabeça na areia

2. Fuga em frente

Weaseling "liberalismo"

Sobre o termo liberal nos Estados Unidos, e sobre alguns partidos europeus do centro político, autorotulados "liberais":
As a supreme if unintended compliment, the enemies of the system of private enterprise have thought it wise to appropriate its label.

Joseph A. Schumpeter

(em Hayek, The Fatal Conceit: The Errors of Socialism, capítulo VII— "Our poisoned language")

Só nesta medida, concordo com o João Galamba (via Blue Lounge): "Aquilo que é verdadeiramente importante é não deixar que a palavra Liberal seja monopolizada por uma posição particular."— porque dizer "Isto é fundamental porque o termo acarreta uma certa autoridade associada a uma aura de esperança e mudança politica" é meio caminho para fazer da palavra Liberal uma weasel word— como social, democrático, justo, bom...

Central Nuclear

De energia nuclear não percebo muito. Gostava de perceber, sinceramente. Sem demagogias nem fantasmas. Conto com o blogue Central Nuclear para me ajudar a esclarecer as diversas dúvidas. Já agora, e se não for abuso, lanço aqui uma pergunta: existindo uma central nuclear tão perto das nossas fronteiras, será lícito considerar que Portugal apenas colhe as desvantagens dessa forma de energia sem, ao mesmo tempo, colher o que ela possa trazer de bom?

A regra e a excepção

É vulgar em Portugal que se configure como excepcional um regime que deveria ser geral. O caso da AutoEuropa será, a todos os níveis, paradigmático desse estado de espírito que grassa pela nossa comunidade política. O regime excepcional acalma as consciências, por não derrogar o regime constitucionalmente inspirado e alimenta as esperanças, por ser o mais razoável. Cavaco Silva vem agora, em entrevista ao Jornal de Notícias, propor a criação de uma secretaria de Estado para acompanhar a vida das empresas estrangeiras a actuar em Portugal, para antecipar algum desejo dessas empresas se irem embora, para assim o Governo tentar ajudá-las a inverter essas motivações. O que Cavaco propõe é o reconhecimento do desajustamento da nossa política fiscal e económica. Não se propõe mudar de política, mas apenas criar uma Secretaria de Estado (se fosse um Instituto Público, já não pegava) para excepcionalmente ir ajustando, caso a caso, essa política. É pouco. É muito pouco.

segunda-feira, Dezembro 26, 2005

Boato

Freitas do Amaral está indignado. Queria ser ele o primeiro democrata-cristão português a ser confundido com um socialista europeu.

Boomerang

Eu até poderia vir aqui dizer o que os meus amigos socialistas europeus andam humoristicamente a dizer do Dr. Soares por este ter dito que José Ribeiro e Castro era do Partido Socialista Europeu, mas não o vou dizer porque seria deselegante.

O Mau Gosto

Em tempo de Natal, o "Tratado que estabelece uma constituição para a Europa"— documento que não reconhece a herança judaico-cristã na identidade europeia— parece querer voltar à discussão.

("Europeus querem iniciar reflexão constitucional" - Diário de Notícias online, via Causa Nossa)

sexta-feira, Dezembro 23, 2005

Declaração

Estamos nisto para nos divertirmos. De uma forma ou de outra, o importante nas linhas que escrevemos não é ter razão, destrunfar os oponentes ou desabafar opiniões. O importante é gozarmos a sensação de companhia nas opiniões. De nos sabermos lidos, não necessariamente por muitos, mas por aqueles que realmente gostam de passar aqui uma e outra vez. E é para esses, perdoem-me todos os outros, que faz sentido desejar um excelente Natal ou, para outros, uma excelente época de Festas. Cá estaremos para partilhar os presentes. E os envelopes também, o que eu gosto de envelopes! Mas sobretudo, cá estaremos para partilhar esta alegria de não estarmos sós. Um abraço a todos!

Eu ainda sou do tempo...

... em que o ódio a Paulo Portas era tanto que o seu sucessor, José Ribeiro e Castro foi saudado na blogosfera como um moderado, um homem do centro, uma figura longe do conservadorismo e uma mentalidade forjada fora dos estritos limites da Doutrina Social da Igreja.

quinta-feira, Dezembro 22, 2005

Ponto de ordem à mesa

O terrorismo não é de direita nem de esquerda. É como as putas. É de quem lhes pagar.

Momento intimista do dia

A felicidade é um aborrecimento literário e de árdua descrição. O desdém, esse alcoviteiro de almas, sempre engrandeceu livros e teorias. Se geralmente aceito e me regojizo com esta regra (com excepções, bem sei, com excepções...), confesso que não consigo perder um único segundo a ler aqueles que desdenham o Natal.

Debate (4)

Vamos lá ver se os eleitores do CDS, tendo embora muito orgulho em Cavaco Silva, não se esquecem do nome dele na hora de colocar a cruzinha...

Debate (3)

Naquela noite de debate, Mário Soares olhou para Cavaco e assustou-se com o que viu: o produto perfeito do Estado Social. O jovem remediado que trabalha para subir na vida e se qualificar para o futuro, chegando às altas instâncias da governação. E assustou-se. Logo desta vez, em que o Estado Social, por acaso, deu certo.

quarta-feira, Dezembro 21, 2005

♪ Rito

(clicar para ouvir)
link para a música
Igor Stravinsky, (con)Sagração da Primavera, danca sacrificial

Debates presidenciais

Debate (2)

Nos Bichos Carpinteiros, José Medeiros Ferreira diz que ontem Soares apareceu como candidato a Presidente da República e Cavaco Silva como candidato a primeiro ministro. Mas será que os soaristas ainda não perceberam que é exactamente essa postura de Cavaco Silva que atrai o eleitorado que actualmente pensa votar nele? Ou alguém imagina que Cavaco possa ser visto como um moderador que se passeia pelo Mundo?
Adenda: No Super Mário, o João Pinto e Castro diz que os soaristas há muito que sabem que é isso que atrai os portugueses em Cavaco e que, por isso, alguns apoiam Mário Soares. Pois. Não explicam é porque é que o eleitorado que elegeu Soares em 1986 para contrapor o poder do PSD de Cavaco (os tais ovos na tal cesta), não podem fazer o mesmo desta vez (os mesmos ovos, noutra cesta).

Declaração Final

Portuguesas e portugueses,
Fomos a votos, com a convicção das nossas ideias e a emoção dos nossos valores. Perdemos. Serviremos a blogosfera na oposição, com o mesmo sereno empenho e dedicação com que a serviríamos no governo. À Joana, digna vencedora de eleições limpas e lavadas, os nossos parabéns. Terá no A Arte da Fuga o alento que precisar para endireitar a blogosfera. Contará connosco, como sempre contou, para uma blogosfera mais livre. Aos restantes nomeados, não nos juntemos na dor, juntemo-nos antes na profunda sensação de termos servido um ideal e de termos dado o nosso melhor. A todos quantos confiaram em nós, as palavras não bastam para agradecer a serena alma que nos emprestaram para continuar a sonhar. A todos quantos nos nomearam, continuarão a ser um penhor dos nossos valores e das nossas ideias.
Obrigado (snif!)

Debate

Mário Soares pode, até, dizer que ganhou o debate, o que em certo ponto até posso conceder. Resta saber se ganhou algum voto aos que pensavam votar Cavaco. E aí, onde a porca torce o rabo, parece-me que Soares foi derrotado a toda em linha. É como Portugal quando vai à Eurovisão. Não temos pontos e ficamos sempre em último, mas somos sempre os mais bem vestidos, temos o melhor maestro e fomos considerados os mais animados da noite.

terça-feira, Dezembro 20, 2005

O Melhor Blogue

Há sondagens por aí e votos por acoli. Não fazemos link para quem nos nomeia, por enquanto, para não perturbar. Mas agradecemos, oh se agradecemos.

Quotas

Que país é este em que as rádios não podem programar o que querem emitir e os cidadãos são obrigados a ouvir a música portuguesa em todas as rádios, num momento de absoluto êxtase nacional? Pode pensar-se que estamos a falar do Portugal da outra senhora, embalado pelo nacional cançonetismo e alinhado bipolarmente entre Madalena Iglésias e Simone de Oliveira ou António Calvário e Artur Garcia. Mas não. Falamos do Portugal de hoje, de 2005.

Hoje, na TV, o grande dia!!

♪ wir finden Ruh'!

(clicar para ouvir)
http://www.gv-meerholz.de/O__welche_Lust__Chor_der_Gefangenen_.MP3
Ludwig van Beethoven, Fidelio op.72,
O Welche Lust! ("Coro dos Prisioneiros")

segunda-feira, Dezembro 19, 2005

Let's dance

Chip de sobrevivência

Status: modo automático.

Quero um candidato inconstitucional (2)

Segundo o Público, "Luís Botelho Ribeiro, pré-candidato a Presidente da República, iniciou ontem à tarde, em Braga, uma greve de fome contra 'as expectativas que a RTP criou' sobre a cobertura televisiva da sua candidatura, parcialmente formalizada na passada sexta-feira".

Eu quero um candidato que prometa meter o país a fazer dieta.

(link do pré-candidato via secção Especial Eleições Presidenciais do Blasfémias)

Com o Bloco não haveria dissidentes!

"Miguel Portas criticou hoje as políticas seguidas por Cavaco Silva enquanto era primeiro-ministro, acusando-o de ser o responsável pela crise que Portugal atravessa e que leva cerca de 80 mil portugueses a emigrar por ano."

(Diário Digital)

Resposta às quotas na rádio (2)

Proteccionismo e proibicionismo— duas faces da mesma moeda:

"Presidente iraniano proíbe divulgação de música ocidental" (Diário Digital)

TV Memória


Becas e Egas

Resposta às quotas na rádio


InFusion da Torian:
Internet Radio portátil por Wireless LAN

Hat tip ao João Miranda.

Pergunta do Dia

Será que o taxista não tinha telemóvel e precisava assim tanto de ficar com um, neste caso, o meu?

sexta-feira, Dezembro 16, 2005

Campeonato Nacional de Go

Porto, 17-18 de Dezembro

(via Dolo Eventual)

Estado vs anarquia linguística

Imagine-se um país remoto onde existem 336 língua vivas, faladas ou escritas.

É possível que este país prospere sem a definição de uma língua oficial, ou que as línguas minoritárias sobrevivam sem protecção cultural?

Resposta aqui. E já agora aqui.

[ CORRECÇÃO: (inglês a mais): "linguagem" substituído por "língua" ]

Fly in the Eye

Re: A Esquerda, a Direita e a Cultura

Recomenda-se vivamente o artigo "A Esquerda, a Direita e a Cultura" de Pedro Tunhas na Revista Atlântico, onde caracteriza com acutilância intelectual e um excelente humor, subtil e caricatural, como é que os ideários políticos têm convivido com a Cultura em Portugal— da "subsídio-dependência" crónica da Esquerda [1] ao "niilismo" da Direita e liberais [2].
Dizer que o Estado não deve impor o seu arbítrio em matéria cultural e substituir-se ao mercado, ditando o que deve ou não ser apreciado (uma proposição impecavelmente correcta), não significa que ele deva, nomeadamente no domínio da educação, abster-se de qualquer acção para manter viva a tradição e o que surge como reactualização possível dessa tradição. Quanto à tradição – Camões e Eça, por exemplo – as objecções são mínimas. Quanto à reactualização da tradição, a “criação”, a controvérsia é legítima. Resta que deveria haver uma comunidade crítica capaz de discernir efectivamente (com os riscos todos do provisório) o que conta e o que não conta. Que ela seja entre nós eminentemente deficiente é, de facto, uma parte do problema.

[1] Um belo exemplo de pedinchice, fonte Elise;
[2] Aqui levanto o braço, e aproveito para destacar o post "Sustentar os prazeres das elites" do DA no Ideias Livres.

Checklist

- "Guia para a tomada de decisão política" do João Miranda no Blasfémias;

- " Em nome de uma teoria... do João Galamba no Metablog;

- "Numa sociedade, a acção não se esgota no estado", resposta do João Miranda

- "Pluralismo Agonismo e Practica", contra-reposta do João Galamba

Radio says there's a storm comin' in


A não esquecer...

Hoje (sexta-feira) começa a overdose de Bach na BBC3!


(programa)
(clicar para ouvir)
http://www.cs.wmich.edu/~elise/audio/Toccata_and_Fugue.mp3
Johann Sebastian Bach, Tocata e Fuga em ré menor, BWV 565

(era para dedicar à Rititi a Cantata do Café [e cigarros e whisky já agora]... mas não encontrei na Net...)

quinta-feira, Dezembro 15, 2005

António

Como é que queres combinar, para irmos à festa destes senhores?

Perguntas do Dia

1) Para que serve uma Constituição que reflecte apenas as concepções de apenas uma parte dos portugueses?
2) Para que serve um ordenamento jurídico alegadamente assente na generalidade e abstracção e nitidamente impulsionador de normas programáticas, obscuras, ambíguas e produto de transacções entre grupos de interesse e partidos políticos com orientações muitas vezes distintas e contraditórias, para protecção de interesses públicos difusos e menos difusos, tantas vezes conflituantes?

Bem lavadinho


(tocar "Gallows Pole")
Este senhor apresentou-se bem lavadinho à Rainha Isabel II para receber de suas mãos a Ordem do Império Britânico, por dez anos de colaboração activa com instituições de auxílio a crianças das favelas brasileiras.

É Jimmy Page, guitarrista dos Led Zepellin, cuja música "Gallows Pole" toca ao lado. (notícia aqui).

(...se tivesse andado a zurrar banalidades sobre a globalização, teria merecido sorte diferente, pelas mãos de outra rainha de Inglaterra...)

Presidente de coisa nenhuma

A forma como todos os candidatos embasbacam sempre que lhes perguntam como é que eles, afinal, vão actuar no sentido de dar consequência a toda a lista de preocupações, problemas e sensibilidades, diz tudo, absolutamente tudo, sobre o regime que temos.

Quero um candidato inconstitucional

Uma Constituição deve ser, como qualquer lei, geral e universal. Basta dar uma olhadela nos principais artigos da nossa Lei fundamental e logo nos apercebemos como é uma lei parcial, programática, ambígua e produto de transacções entre partidos políticos com orientações muitas vezes distintas e contraditórias. Em resumo, a nossa Constituição é o oposto da generalidade e da abstracção que devem suportar uma qualquer iniciativa de conformar legalmente a realidade.

É por isso curioso ver como a Constituição permanece um mito na boca de qualquer candidato presidencial, fundamento de todos os seus pensamentos e argumento para todas as suas contradições. Pode dizer-se uma coisa hoje e outra amanhã ou entrar em contradição evidente entre actos e palavras, que logo respondem com o facto de a Constituição não os impedir de candidatar ou de se manterem Deputados ou o que mais lhes aprouver.

Um candidato que se propusesse substituir esta Constituição (porque é de uma substituição que precisamos, até para manter a dignidade e a coerência na Lei fundamental actual), neste panorama, seria um candidato inconstitucional. E é pena que ele não exista.

Contas feitas

Mário Soares ganhou o debate porque estancou o crescimento de Manuel Alegre, ainda que tenha sofrido as farpas do seu companheiro. Encostou Alegre à esquerda, obrigou-o a propor o inenarrável e a assumir-se como o Presidente que reage a quente, inclusive dissolve a quente. Tudo o mais são as contas habituais de um debate, com golos de parte de parte. Mas, ou muito me engano, ou Alegre voltou ao seu lugar.

Ámen!

"PR dá graças por Constituição não permitir recandidatar-se" (Diário Digital)

[ADENDA] Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens por Ele amados!

Aid for trade

Debate entre o primeiro-ministro britâncio Tony Blair e o recém eleito líder dos conservadores David Cameron, na Casa dos Comuns, anteontem dia 13 de Dezembro (via Globalisation Institute):
Mr. David Cameron (Witney) (Con): Expanding free trade is the most powerful force for the reduction of world poverty, but there are some at the world trade talks in Hong Kong this week who argue that expanding free trade means forbidding developing countries to protect their environments. Does the Prime Minister agree that that is the wrong argument? Does he agree that it is perfectly possible for developing countries to have free trade and benefit from it, while allowing the environmental protections that we enjoy in this country?

The Prime Minister: Yes, I do agree with that, but there is another thing that I consider important. It is also important for developing countries whose economies are at a very low stage of development to get help - aid for trade - so that they can build the capacity that will enable them to trade. I was particularly pleased that the G7 Finance Ministers agreed to increase aid for trade to $4 billion, because that trade capability is also an important part of making free trade work.

Ambos concordam com as premissas básicas do comércio livre. Revelam sintonia com a herança do liberalismo britânico, ao qual se deve a prosperidade do Reino Unido ao longo dos últimos cento e cinquenta anos.

Cameron ataca a falácia que a globalização prejudica o Ambiente. Embora as fases iniciais da industrialização de um país em vias de desenvolvimento sejam de facto lesivas para o Ambiente (é um mal necessário no caminho do desenvolvimento económico), as empresas estrangeiras têm todos os incentivos para instalarem capacidades produtivas utilizando as tecnologias mais recentes, que custam menos a manter e actualizar, e que obedecem a padrões "ocidentais" de qualidade ambiental. Não só a industrialização do país é mais rápida, como se evitam erros ambientais grosseiros como os que se verificaram nos países desenvolvidos.

Tony Blair concorda, mas insiste na perigosa prática do "aid for trade". Basicamente, consiste na subsidiação de países em vias de desenvolvimento para que possam negociar com os desenvolvidos em condições mais "justas". O "aid for trade" reveste-se de várias formas, das quais podemos destacar:

- Doação directa de capital (dinheiro, equipamento, materiais, infraestruturas) — é a preferida por alter-mundialistas e defensores do fair trade. Consiste na cobrança de impostos aos cidadãos dos países desenvolvidos, para que sejam dados aos países pobres por solidariedade e bom coração. É dinheiro que vai e não volta;

- Empréstimos financeiros— o Estado entende usar o dinheiro dos seus contribuintes num investimento de fraca rendibilidade e alto risco, capital que o mercado de outra forma não empregaria nesse uso. Não só se drena recursos à Economia como se investe externamente em condições de eficiência e retorno duvidosos. É dinheiro que vai, se calhar volta, e entretanto fez muita falta;

- Subsídios ao comércio "livre"— o dinheiro dos contribuintes é "dado" pelo Estado aos países mais pobres, para que estes possam importar bens necessários aos beneméritos credores. Primeiramente, é uma forma de "redistribuição" (ineficiente, por definição) dos contribuintes para as indústrias de exportação, que vêem a sua actividade "estimulada", mas é também pagar com "dinheiros públicos" capital que não fica no país.

Todas estas soluções são mediáticas e os directos beneficiados são as burocracias dos Estados envolvidos, e não os respectivos cidadãos, o que explica duplamente o voluntarismo dos governantes.

Partem de um princípio apologético: que há obrigação moral de compensar o interesse em causa própria, inconscientemente(?) digno de censura. E necessidade de reforçar o estatismo que pretensamente é condição necessária ao free trade. Como consequência as Economias de ambos os lados são distorcidas para atenderem à oferta de subsídio.

Importa que os países desenvolvidos eliminem barreiras alfandegárias às importações, subsídios à produção e exportação, e proteccionismos às suas indústrias e serviços. Do lado dos países em vias de desenvolvimento, no seu próprio interesse, é essencial que criem instituições que garantam o Estado de Direito, o respeito pela propriedade e iniciativa privada, a não-intervenção estatal na Economia— condições sem as quais os benefícios da globalização terão um tecto máximo. Laissez-faire.

White nights


The Kriukov Channel. The St. Nickolas cathedral. The Nikolsky market place.
The area where the Dreamer from White Nights (1848) took his lonely walks.

Lastro

Designa-se lastro "areia em sacos que vai num balão e que o aeronauta alija em momento conveniente, para subir mais alto"; mas também "qualquer matéria pesada que se coloca no fundo de uma embarcação para assegurar o seu equilíbrio". Perder um ou outro tipo de lastro não é indiferente.

(definições do dicionário online Priberam)

The shine

"I can remember when I was a little boy my grandmother and I could hold conversations entirely without ever opening our mouths. She called it 'shining'. And for a long time I thought it was just the two of us that had 'the shine' to us. Just like you probably thought you was the only one. But there are other folks, though mostly they don't know it, or don't believe it."

quarta-feira, Dezembro 14, 2005

Plano Tecnológico, Ota, TGV... e tudo o resto


"Resistance is Futile"

E você, já foi assimilado?

"Jovens" à força

Adultos impedidos de entrar no mercado de trabalho

Segundo o Diário Digital:
Governo quer retirar do mercado de trabalho jovens sem o 12.º

A notícia surge na edição desta quarta-feira do Diário Económico, que fundamenta a medida com a intenção do Executivo de impedir a entrada no mercado de trabalho de jovens [com menos de 23 anos que não tenham terminado o 12º ano] sem qualificações.

Um aluno que faça toda a escolaridade sem reprovar um ano lectivo tem 16/17 anos quando inicia o 12º ano. Aos 18 anos é maior de idade, responsável pelos seus actos. O Governo pretende restringir a sua liberdade laboral caso não tenha cumprido a escolaridade obrigatória. Fá-lo de uma forma não-positiva: discriminando-o relativamente aos outros jovens, que beneficiam de já incompreensíveis incentivos à contratação de activos, supostamente válidos para jovens não licenciados. O jovem deverá beneficiar de incentivos à reintegração escolar por um Ensino "gratuito" que obviamente não quer. O emprego não-qualificado que ocuparia será preenchido por outro jovem, sobrequalificado e subsidiado, ou deixará de existir, ou nem será criado. Um dia seremos todos reeducados e tudo fará sentido.

♪ Faune

(clicar para ouvir)
http://jnjmuse.cnei.or.kr/musicbox_2/debussy_prelude_a_lapresmidi_dun_faune.mp3
Claude Debussy, Prélude à l'après-midi d'un faune

Comportamentos e responsabilidade (2)

Para ilustrar a corrosão dos valores básicos da sociedade promovida pela subsidiarização de "comportamentos correctos", relembra-se o post "Solidariedade vs. caridade I" do LR no Blasfémias:
"17. Como os benfeitores deixam de conhecer os beneficiários, não têm qualquer incentivo em definir a ajuda mais adequada para a sua reintegração social. Estes, por sua vez, não estando sujeitos ao controle daqueles, que antes gastavam tempo e recursos a ajudá-los e por isso pretendiam a sua rápida integração e independência, deixam de ter qualquer motivação para crescer e evoluir, resignando-se a uma vida de eterna subsídio-dependência, com reivindicações constantes de mais e maiores apoios."

Comportamentos e responsabilidade

No artigo "SIDA e Economia", publicado no Diário Económico, o Tiago Mendes questiona se o Estado deve subsidiar preservativos para prevenir contágio da população por doenças sexualmente transmissíveis (um tema com cheirinho de fracturante).

No blogue da Causa Liberal, o CN argumenta que não e remata o seu raciocínio:
A "sociedade" arranjará formas de reagir, seja pelo provável aumento do valor das relações de fidelidade e monogamia e outras.

Claro que ao "Estado" o que se quer é: "nós" queremos que o nosso padrão de comportamento sexual actual se mantenha intacto e para isso exigimos que o Estado distribua preservativos, porque sem isso, sou "obrigado" a tornar-me mais "conservador".

A acção social do Estado "social" é frequentemente justificada pela necessidade de reduzir os riscos do dia-a-dia aos cidadãos, distribuindo os custos por todos. Como consequência, não só os cidadãos passam a não serem responsáveis pelo seu bem-estar, como vêm a sua percepção de risco pessoal ser embotada— não é preciso "exagerar" com as precauções de Saúde, não é preciso "exagerar" com poupanças para a velhice, não é preciso "exagerar" em ser-se produtivo... porque o Estado cuidará sempre.

Quando o risco é assumido pelo indivíduo, que passa a ser responsável por todas as consequências que advenham das suas acções, a sua escala de valores é questionada: é obrigado a ser consequente com as suas decisões. Valores como a preservação da vida, da saúde, da propriedade, de todos os que estima e de tudo o que preza, passam a ser mais importantes. Tem mais a perder com comportamentos irreflectidos e extemporâneos. Relativamente aos riscos da vida, tornar-se-á mais conservador.

Este seria o comportamento por defeito, mas alega-se que o "mercado" (comportamentos/riscos/consequências) tem falhas, e que o Estado tem de garantir a "liberdade de escolha" aos que não querem adoptar comportamentos consequentes ("pagar mais")— à custa de todos, particularmente dos mais responsáveis e socialmente conscientes. É um esquema vicioso de solidariedade forçada, que acaba por ter efeitos perversos sobre a sociedade, porque destrói valores que promovem a sua coesão.

La acción de oro (3)

No seguimento deste e deste post, a notícia que "CE pede explicações sobre poder do Governo na gestão da PT" (Diário Digital)— as golden shares, um dos mais flagrante instumentos anti-capitalistas do Estado, estão para acabar...

(notícia via... bem, via toda a blogosfera liberal)

Algoritmos e Heurística

Um algoritmo é um conjunto definido de instruções computacionais sequenciais, utilizado para obter um determinado resultado a partir de dados fornecidos. As heurísticas também são algoritmos, mas que se aplicam a problemas demasiado complexos para serem resolvidos explicitamente— aqueles para os quais não há um "caminho" computacional para encontrar "a solução". As heurísticas são portanto directivas ou "regras por alto" de como resolver um problema. Utilizam-se heurísticas para resolver problemas em que o meio é demasiado complexo mas também quando é dinâmico, enquadrando-se nesta última categoria aqueles em que o sistema está sujeito a interacção com o meio exterior.

Na vida real, um algoritmo "simples" pode ser uma linha de montagem de um qualquer processo industrial; ou uma receita de culinária onde é suposto não haver imprevistos; ou o processo de ir de um sítio ao outro de comboio. Uma heurística pode ser o projecto de arquitectura de uma fábrica, a resolução de problemas de uma receita de culinária que deu para o torto; ou ir de um sítio para ou outro conduzindo um carro através do trânsito automóvel. Nestes últimos exemplos, há uma componente de "decisão" que escapa à especificação procedimental.

Em meios matemáticos ou computacionais, utilizam-se algoritmos (do primeiro tipo) por exemplo no cálculo estrutural de um edifício. As heurísticas utilizam-se por exemplo na elaboração um programa que "saiba" jogar o jogo do galo, ou damas, xadrês ou Go.

Na implementação computacional de heurísticas, e tomamos o exemplo de um jogo de xadrês, não basta que o jogo saiba mexer as peças e como são capturadas, que saiba que o objectivo é "ganhar" e que ganha o primeiro jogador que faça um cheque ao Rei sem resposta possível. Nem há avaliações qualitativas como as que o cérebro humano realiza. É preciso que o jogo tenha um algoritmo (uma "função posicional"), que a partir de uma dada configuração de peças no tabuleiro, e de um conjunto de ponderações internas, devolva valores numéricos que sirvam para alimentar o sistema de decisão.

Para um determinado tabuleiro, o programa determina quais são as suas jogadas "legais". Para cada uma avalia o "valor" correspondente. E depois repete o processo para possíveis contra-jogadas do adversário; e depois repete o processo até à "profundidade" possível ou desejada. No fundo, está a "ver várias jogadas à frente", avaliando cada uma de acordo com a sua escala de valoração. No fim, tem uma árvore de alternativas, cada uma com uma avaliação numérica, e considerando que o jogador adversário vai tentar maximizar as suas possibilidades de ganhar [aqui entra uma ramificação interessante da Teoria dos Jogos], escolhe uma jogada. Eventualmente este processo conduzirá a uma vitória da máquina sobre o adversário.

Na programação de uma heurística do género, o mais difícil não é mover peças, ou determinar as jogadas legais, ou mesmo montar o sistema de construção da "árvore" de jogadas, ou problemas técnicos muito complexos como tornar mais eficiente o imenso volume de cálculo envolvido— mas sim a construção da função de valor, e a calibração dos respectivos parâmetros.

Aforismo para uso próprio

Don't blog angry

♪ soultime!

James BrownIsaac HayesBarry WhiteMarvin Gaye
(clicar nas imagens)

terça-feira, Dezembro 13, 2005

Cavaco e Freitas

Qual é a semelhança entre ambos, enquanto candidatos presidenciais? É que Cavaco, enquanto candidato, criou, de forma involuntária ou pelos menos por omissão, a ilusão nos seus apoiantes de que reformaria um sistema que nem em sonhos ele está disposto a reformar. Para Cavaco, tal como para Freitas, o que está mal são os executores do projecto, não o projecto em si.

Sobre a privatização da segurança social

Há assuntos em que posso ter algumas dúvidas, mas confesso que neste estou particularmente convencido das vantagens de uma adequada e bem ponderada a privatização da segurança social. Mais do que não fosse porque o nosso sistema de segurança social assenta numa promessa que o Estado nos faz: “dá cá o teu dinheiro que eu te devolvo daqui a uns anos”. O problema é que:

a) quem paga a promessa não é o Estado, é outro indivíduo qualquer a quem o Estado fez exactamente a mesma promessa;
b) entre o “dá cá” e o “toma lá de volta”, o Estado gasta o dinheiro em despesa corrente, sabe-se lá para quê, não se acumulando qualquer capital ou criando qualquer incentivo particular.
Como eu não acredito nas promessas do Estado e não consigo conceber um sistema de segurança social que, perante a pirâmide demográfica actual, não aposte na capitalização em vez deste sistema de promessas, adiro a um sistema de privatização, sem as habituais reservas que lhe são oponíveis.

Duas maneiras de ler o mesmo texto

1. "As ordens espontâneas a quem parece que aconteceu não sei o quê":
Spontaneous orders need not be what we called abstract, but they will often consist of a system of abstract relations between elements which are also defined only by abstract properties, and for this reason will not be intuitively perceivable and not recognizable except on the basis of a theory accounting for their character. The significance of the abstract character of such orders rests on the fact that they may persist while all the particular elements they comprise, and even the numbers of such elements, change. All that is necessary to preserve such an abstract order is that a certain structure of relationships be maintained, or that elements of a certain kind (but variable in number) continue to be related in a certain manner.

F.A.H., Law, Legislation, and Liberty

2. As teorias da acção:
Spontaneous orders (...) will not be intuitively perceivable and not recognizable except on the basis of a theory accounting for their character.

segunda-feira, Dezembro 12, 2005

♪ Ich liebe dich

(clicar para ouvir)
http://jnjmuse.cnei.or.kr/musicbox/ich_liebe_dich.mp3
Ludwig van Beethoven, Zärtliche Liebe, op.123

Ich liebe dich, so wie du mich,
Am Abend und am Morgen,
Noch war kein Tag, wo du und ich
Nicht teilten unsre Sorgen.

Auch waren sie für dich und mich
Geteilt leicht zu ertragen;
Du tröstetest im Kummer mich,
Ich weint in deine Klagen.

Drum Gottes Segen über dir,
Du, meines Lebens Freude.
Gott schütze dich, erhalt dich mir,
Schütz und erhalt uns beide.
I love you as you love me,
in the evening and the morning,
nor was there a day when you and I
did not share our troubles.

And when we shared them
they became easier to bear;
you comforted me in my distress,
and I wept in your laments.

Therefore, may God's blessing be upon you,
You, my life's joy.
God protect you, keep you for me,
and protect and keep us both.

Ponto da situação

Leituras recomendadas sobre o sistema estatal de segurança social, n'O Insurgente:

- "O problema da segurança social compulsiva e estatizada" do André Azevedo Alves, que para além de Selected Readings apresenta uma citação muito oportuna de Mises, a cujos números poderíamos acrecentar 35 anos:
The whole system is the acme of the short-run principle. The statesmen of 1940 solve their problems by shifting them to the statesmen of 1970. On that date the statesmen of 1940 will be either dead or elder statesmen glorying in their wonderful achievement, social security.

(Ludwig von Mises)

- " Friedrich Hayek sobre a Segurança Social" do Miguel, citando o The Constitution of Liberty:
It has been well said that, while we used to suffer from social evils, we now suffer from the remedies for them. The difference is that, while in former times the social evils were gradually disappearing with the growth of wealth, the remedies we have introduced are beginning to threaten the continuance of that growth of wealth on which all future improvement depends.

(Friedrich Hayek)

domingo, Dezembro 11, 2005

Tecnocracia e cientismo

Pesa sobre o liberalismo a absurda acusação de cientismo (aplicação dos métodos das ciências físicas às ciências sociais), algo que é fundamentalmente rejeitado pelo pensamento liberal. O facto de se considerar que a realidade social e económica pode ser matematicamente modelável ("apesar das 'falhas' do mercado") leva a que se considere a possibilidade de uma calibração centralizada, fonte técnica de todos os socialismos— logo, de muitas políticas iliberais.

Esta metodologia foi levada às últimas consequências pelo Movimento Tecnocrata, que defendia uma economia optimamente planeada com base numa irrepreensível abordagem científica. Hoje em dia, parece uma visão distópica saída de um conto cyberpunk, uma vez que a ficção científica foi célere a associar tal eugenia económica a totalitarismos de base tecnológica, onde toda a liberdade individual seria suprimida em nome do bem comum.

Mas substitua-se "optimamente planeada" por "justamente planeada" e obtém-se o socialismo económico puro e duro, omnisciente e total, razão porque é tão grande o fascínio desta teoria junto dos movimentos políticos anti-capitalistas. É a mesma linguagem. As consequências trágicas do socialismo real infelizmente não pertencem à ficção.

A ausência de "fins sociais" do liberalismo e do capitalismo liberal foi desonestamente associada pelos socialistas à "tecnocracia" estatal, e a metodologia liberal com o cientismo que tem como consequência aquela visão odiosa e profundamente iliberal. São ideias-feitas, entre muitas outras, que têm de ser desmontadas com infinita paciência.

Technocracy had its inception in 1919 in New York City in an organization known as the Technical Alliance of North America. (...)

The primary aim of the Technical Alliance was to ascertain the possibility of applying the achievements of science to social and industrial affairs. With this in mind, they set about to make a survey of the energy and natural resources of the North American Continent -- all the territory included between the Panama Canal and the North Pole. In addition, they studied the industrial evolution that had taken place therein. They showed graphically the operating characteristics of the present industrial system with all its waste and inefficiency and worked out a tentative design of a completely coordinated system of production and distribution. Of course they always kept in mind their aim, which was to provide a better standard of living for the people living on the continental area with the least possible waste of non-renewable resources.

(Technocracy Inc.)

His Mário Soares Voice... mas não muito

"O candidato presidencial Mário Soares disse hoje que a sua campanha está num ponto de viragem, marcada pelo total empenhamento do PS e pelo fim das críticas a Cavaco Silva." (Diário Digital).

Resultado: verificou-se um total empenhamento do patrão do PS (Jorge Coelho) nas críticas a Cavaco Silva. Supõe-se que a blogosfera pró-Soares também ignorará o seu super-candidato...

sábado, Dezembro 10, 2005

♪ Flauta e Harpa

(clicar para ouvir)
http://www.goclassic.co.kr/mp3/Mozart_Concerto_Flute_Harp_2.mp3
Mozart, Concerto para Flauta e Harpa, K.299, Andantino

Voting without representation

A propósito do post "Correio dos leitores: Votos brancos" no Causa Nossa, vale a pena relembrar os posts do BrainstormZ publicados n'O Insurgente:

- " Representatividade para o voto Branco/Nulo";
- " Representatividade para o voto Branco/Nulo (2)".

Fica aqui uma provocação de Herbert Spencer:
"(...) the citizen is understood to have assented to everything his representative may do, when he voted for him.

But suppose he did not vote for him; and on the contrary did all in his power to get elected some one holding opposite views—what then? The reply will probably be that, by taking part in such an election, he tacitly agreed to abide by the decision of the majority.

And how if he did not vote at all? Why then he cannot justly complain of any tax, seeing that he made no protest against its imposition. So, curiously enough, it seems that he gave his consent in whatever way he acted— whether he said yes, whether he said no, or whether he remained neutre! A rather awkward doctrine this.

Here stands an unfortunate citizen who is asked if he will pay money for a certain proffered advantage; and whether he employs the only means of expressing his refusal or does not employ it, we are told that he practically agrees; if only the number of others who agree is greater than the number of those who dissent. And thus we are introduced to the novel principle that A's consent to a thing is not determined by what A says, but by what B may happen to say!"

Herbert Spencer, Social Statics, The Right to Ignore the State (1851)

(outra citação de Herbert Spencer no A Arte da Fuga: "Stop the Government I want to get out (2)")

ADENDA: "Voto em branco não conta nas presidenciais" (PortugalDiário)

Electric sheep

The name Electric Sheep comes from Philip K. Dick's novel Do Androids Dream of Electric Sheep. It realizes the collective dream of sleeping computers from all over the Internet— an idea inspired by the SETI@home project.

Electric Sheep is a distributed screen-saver that harnesses idle computers into a render farm with the purpose of animating and evolving artificial life-forms. The project is an attention vortex. It illustrates the process by which the longer and closer one studies something, the more detail and structure appears.

Each sheep is about 4 seconds long. Its shape, motion, and color are specified by a genetic code, a long string of numbers. If a user sees a sheep they like, they may vote for it. Sheep that receive more votes live longer and are more likely to reproduce. These votes form a fitness function for the esthetic evolution of the flock. Users can also download software to manually design genomes and post them to the server where they join the flock.

About once every ten minutes a new sheep is born and distributed to all active clients. Each sheep is an animated fractal flame. The shape is specified by a string of 150 real numbers—a genetic code of sorts. Some of the codes are chosen at random by the server with heuristics to avoid malformed sheep, somewhat like spontaneous abortion. Most of the rest are derived from the current population according to a genetic algorithm with mutation and cross-over.

electric sheep | conceptual explication (PDF) | video documentary (MPEG4- 164MB)

Tsunami


arte fractal

ukiyo-e

sexta-feira, Dezembro 09, 2005

Machista ma non troppo

Nos Bichos Carpinteiros, agora sem comentários, a Joana Amaral Dias congratula-se com o facto de o Chile, um país católico, conservador e machista, estar perto de eleger a sua primeira mulher presidente. Segundo a Joana, as sondagens dão-lhe uma vantagem de 25%. Três questões se levantam:
1) Qual a surpresa de um país católico ter como presidente uma mulher?
2) Qual a surpresa de um país conservador ter como presidente uma mulher?
3) Se o Chile é um país machista, como afirma a Joana, provavelmente com conhecimento de causa, como é que uma mulher conseguirá ser eleita, ainda para mais com 25% de vantagem?

Contradição do dia

Por muito que compreenda, aceite, concorde, apoie, incentive e me identifique com a estratégia de Cavaco Silva para estas eleições, a verdade é que é uma grande seca! Isto para quem cresceu para a política com as eleições presidenciais de 1986 e guarda na memória aquela campanha e aqueles debates, sobretudo o último, com Freitas a ser dizimado (injustamente antes, justamente agora...) por Mário Soares. Bons tempos esses, contradições minhas.

Coisas da Tese

Alguém sabe se existe uma regra nacional para a citação e referência bibliográfica? Miss Pearls, sempre tão actualizada, talvez?

Debate

Do debate de ontem retenho apenas a ideia de que os comunistas se andam a vestir muito melhor.

quinta-feira, Dezembro 08, 2005

Momento intimista do dia


Os dias feriados trazem surpresas destas. A bomba inteligente acordou Grace Kelly, outra das predilecções aqui da casa e, se me permitem, bem perto em talento e beleza da predilecção maior (Jessica Lange para os mais distraídos). Quantos já conseguiram abstrair-se da beleza de Kelly para conseguir concluir sem temor que se trata de uma das melhores actrizes que o Mundo alguma vez viu, aqui numa fotografia bem mais próxima da imagem que tenho dela?
Senhores Editores, estão à espera de quê para contratar este senhor?

Paradoxo do Dia

Depois de ter violado sucessivamente a lei eleitoral, fazendo campanha pelo PS e pelo seu filho à boca das urnas, Mário Soares veio agora insinuar que estas eleições... poderiam não ser limpas.

100 ondas

A Clark Foam, empresa que actualmente tem 80% de quota do mercado de espumas para o fabrico de pranchas de surf fechou subitamente as suas portas, causando um profundo choque no meio do mercado relacionado com este desporto, tantas vezes considerado amigo do ambiente. A explicação do seu proprietário, Gordan 'Grubby' Clark, para a sua decisão pode ser lida aqui e funda-se na hiper-regulação ambiental que ceifou, no momento, qualquer possibilidade de lucro da empresa.

"Any fool could see that"

No seguimento de "♪ Fantasia Coral de Beethoven" e "♪ Ode", o último andamento da primeira sinfonia de Brahms, que contém uma referência explícita à Nona Sinfonia de Beethoven.

Quando questionado a medo sobre uma possível influência musical, Brahms terá respondido secamente "Any fool could see that!".
(clicar para ouvir)
link
Johannes Brahms, Sinfonia nº1 em dó menor op.68,
Adagio— Più Andante— Allegro ma non troppo, ma con brio

terça-feira, Dezembro 06, 2005

Agora que se fala tanto do Noddy...

...relembrando a "obra maior" da autora:

 

(Post temporário)

Já foi dada resposta ao Quiz.

Caros amigos e leitores, eu sei que é feio fazer-vos isto— mas atrevam-se a aceitar o desafio que eu vos proponho nos comentários (aqui).

Olhar para trás

Quando era pequeno, pensava que tinha "visão de falcão" como os meus heróis de literatura— mas já sabia que confundia azuis e roxos. Foi com surpresa que descobri que era míope e que teria de usar óculos. O meu primeiro comentário foi "está tudo a três dimensões!". Acompanharam-me desde então, comme il faut a um "cromo" de ciências.

À custa da minha falta de vista, passei a ser mais distraído do que sou por natureza, e a reconhecer as pessoas pelos seus movimentos mais simples— os gestos, o jogar do corpo, um menear de anca, o arquear de um pescoço. Desenvolvi bons reflexos e bom posicionamento nos desportos porque não via bem as bolas; nas regatas, os outros barcos eram meras manchas brancas sobre um azul que perdia textura com a distância. Enquanto fazia jogging, cidades sonhadoras passaram por mim, e o fundo do mar era cinzento e chato.

Foram mal-tratados e riscados, e as suas cicatrizes traduziam memórias de família, amigos, amores, e de tantos sítios: a Madeira e o Porto Santo, Goa, Monsanto da Beira, Viena, Budapeste e Liubliana, o Mont Saint Michel, Salvador da Baía, Veneza, o Museu do Prado, Louvre e tantos outros...

Tirava-os quando estavam porcos demais, para dormir ou tomar banho—, mas também quando estava muito confortável ou quando não estava para ser chateado. Mas sobretudo, estando cansado do que via fisica ou mentalmente. A minha "máscara" era tirá-los e ver o mundo muito mais real porque menos definido ou a preto-e-branco.

É estranho, a partir de ontem parece que passei a ser menos eu.

Vai fazer um pouco de impressão...

A Dança da Lua

Pela voz de Alcione (sem comentários, que a ocasião dispensa) recebemos a notícia de estarmos entre os preferidos da Bomba Inteligente (é mais forte do que eu, não resisto ao nome do blogue). E nós estamos aí, pois estamos. E é bom demais para ser verdade. Ai pois é! Logo de um dos meus (posso atrever-me a dizer meu, não posso?) primeiros blogues, senão mesmo o primeiro: Quando eu olhei para o céu, só vi a primeira estrela...

(clicar para ouvir)
http://www2.uol.com.br/eugeniameloecastro/musica/danca_da_lua1.mp3

Debate (3)

Por muito que as sondagens coloquem Alegre na dianteira, sejamos sinceros. O debate que todos queremos, por boas e más razões, é entre Cavaco e Soares. E provavelmente, esse será o debate mais decisivo para a carreira política de... Manuel Alegre.

Debate (2)

O apelo à língua e à pátria e à bandeira e à nação vêm de onde menos se espera. Ou talvez não. Pensando bem, vêm dos que praticam o não-discurso e dos que infelizmente ainda não conseguiram vislumbrar as preocupações e os anseios que unem os portugueses.

Debate (1)

Que Cavaco está igual e carrancudo e agreste e demasiado sério e excessivamente arrogante e mais não sei o quê. Se o não estivesse, que Cavaco estaria a disfarçar e a sonegar e a transvestir-se e ceder e a dar o flanco e a não ser ele. Para o bem e para o mal, por muito mal que dali venha ou bem que dali advenha, Cavaco vai a votos como ele é. O silêncio é típico dele. A arrogância é natural nele. A lapidar forma como se expressa faz parte do seu património. Como se diz, e muito bem, quem quer vota, quem não quer não vota.

segunda-feira, Dezembro 05, 2005

♪ Fantasia Coral de Beethoven

Pergunta do Quiz: "Deixo aqui aos nossos leitores o desafio de descobrirem quem compôs esta pequena jóia, aqui maravilhosamente interpretada."

(clicar para ouvir)
http://antoniocostaamaral.planetaclix.pt/blog/musica/guesswho.mp3
Ludwig van Beethoven, Fantasia para Piano, Coro e Orquestra ("Coral") op.80

Claudio Abbado, Berliner Philharmoniker, Rias Kammerchor, Yevgeny Kissin, Cheryl Studer

Também sobre esta peça, outros posts aqui no A Arte da Fuga: "Fabuloso", "Hino à música"

Associação gráfica

Património cultural que tende a cair no esquecimento:

 

Liberalismo taoista (4)

No seguimento dos anteriores posts (1, 2, 3):

- "The Ancient Chinese Libertarian Tradition" (Murray N. Rothbard no Ludwig von Mises Institute)

- "Mysticism and the Idea of Freedom: A Libertarian View";

- "ancient Chinese secret" no lowercase liberty;

domingo, Dezembro 04, 2005

MC6 em Hong-Kong

Sobre a sexta Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (MC6), a ser realizada de 13 a 18 de Dezembro em Hong-Kong:
As barreiras comerciais agrícolas são um «obstáculo» ao desenvolvimento dos países mais pobres e são «indefensáveis», afirmou sexta-feira o presidente do Banco Mundial, o norte-americano Paul Wolfowitz.

(Dinheiro Digital)
The World Bank has calculated that a successful Doha round could lift 140 million people out of poverty and estimated that $287 billion could be gained from global trade liberalization."

(Reuters)
Estimativas do Banco Mundial dizem que as nações em vias de desenvolvimento que desenvolvem uma agenda de comércio livre e de boa governação poderiam ver mais do que triplicadas as suas taxas de crescimento. O comércio livre consagrado nos acordos multilaterais da Organização Mundial do Comércio o é o elemento chave para retirar da pobreza 300 dos 500 milhões de pessoas mais pobres do mundo"

(artigo de Adrienne S. O'Neal no Público de 2005/12/01)
The major issues to be discussed:

1. Market access - free traders want either put an end to quotas, or substantial increases in quotas, so they can export their goods into different countries.
2. Domestic support - demands for end of direct payments to farmers to produce their goods
3. Export subsidies - EU has promised to end its subsidies that depress international prices, so far, however, no exact date has been provided.
4. Services - push for lifting of restrictions on services sector.
5. Singapore issues - demands from some rich nations for more transparent laws and better legal protection for trading companies. They include issues in investment, competition, government procurement, and trade facilitation."

(Wikipedia)

Pergunta do Dia

Mas vamos eleger um Presidente da República Portuguesa, e portanto de todos nós e tendo que receber a maioria dos votos, ou um Guru?

Intervalos de Tese

Descobriu tarde demais o que todos pareciam saber e a eles se juntou sem imaginar que ele era, afinal, o único que sabia alguma coisa.

Time warp


(clicar para ouvir)
http://home.imf.au.dk/tkammer/lotr/mp3/Rocky_Horror_Picture_Show_-_Time_Warp.mp3
The Rocky Horror Picture Show, Time Warp

[ Estes não são para virgens— Audience participation scripts: 1, 2 ]

quinta-feira, Dezembro 01, 2005

Parabéns!

Em conversa telefónica com uma amiga*:

— Sabes, agora escrevo para um blogue, com um amigo meu— sabes o que é um blogue?
— (com gozo) Sim, sim, sim, eu sei o que é...
— É um mundo muito giro; eu escrevo sobre política e meto uns disparates a meio, mas há todo o tipo de escritos...
— (ainda no gozo) Ah sim, depois tens de me dizer qual é...
— Eu mando-te o link. Sabes, há dias encontrei um que é a cara chapada da tua irmã. Já não me lembro do nome... Claro que não é possível, o blogue está muito bem produzido, e a Rita como sabemos é uma infoexcluída sem pachorra para estas cromices dos computadores...
— (sem dúvida a gozar comigo) Ah sim— O blogue da Rititi???
— ("clic", sentindo-me muito estúpido) ...pois, era o diminutivo dela, era...


Hoje o blogue da Rititi faz dois anos! Parabéns Rita!

* a amiga é conhecida na blogosfera como a "mana-mai-linda-có-soli-caté-fere-a-vista" >)

♪ Rapsódia


(clicar para ouvir)
http://jnjmuse.cnei.or.kr/musicbox_2/rhapsody_on_a_theme_by_paganini_op43.mp3
Rachmaninov, Rhapsody on a theme by Paganini

[o ficheiro é grande— recomendo aos nossos leitores que façam download: basta carregarem com o botão direito em cima do link e escolherem "Save target as..." ou "Save link as...". Como gestor de downloads recomendo o Flashget, e adicionalmente para utilizadores Firefox, o Flashgot ]