As decisões do Estado
O Estado é gerido por homens, de carne osso, como eu ou vocês. Se assim é, o Estado é regido por decisões individuais. Quantas? Tantas quantas forem as pessoas que trabalham e decidem no âmbito do Estado. Cada um, a seu tempo e no seu patamar, tem as suas ideias, os seus métodos, a sua formação, os seus interesses. Cada um, a seu tempo e no seu patamar, é sensível a diferentes pressões, sensações, sugestões.
Ora, a conclusão que se tira daqui é a que o interesse público alegadamente visado pelo Estado nem sempre corresponde ao interesse geral. Pelo contrário, ele corresponde à forma como os indivíduos decisores, no âmbito das suas esferas de decisão regidas pelos seus próprios interesses e valores, encaram o dever ser social, pelo qual se sentem responsáveis mas perante o qual assumem um grau de responsabilidade bastante inferior ao dos indivíduos que gerem o seu destino.
É esta desmistificação do Estado, por intermédio da frustração da sua superioridade, que tem de ser feita e para a qual tentamos contribuir neste nosso burgo. E a consequência evidente dessa desmistificação é a conclusão de que o Estado condiciona as suas atribuições com base em políticas mutáveis e instáveis, conduzindo a um desfazimento evidente entre o que diz ser o interesse público e aquilo que efectivamente interessa aos cidadãos. Ao mesmo tempo, o Estado mostra-se (previsivelmente) incapaz de superiorizar-se aos indivíduos, e vacila perante interesses e posições que nem sempre correspondem ao interesse geral e que conduzem à profusão de interesses públicos variados, muitas das vezes contraditórios. Se a isto somarmos a extensa lista de afazeres a que hoje pacificamente se atribui ao Estado, não podemos senão duvidar das virtualidades do Estado Social.
É esta desmistificação do Estado, por intermédio da frustração da sua superioridade, que tem de ser feita e para a qual tentamos contribuir neste nosso burgo. E a consequência evidente dessa desmistificação é a conclusão de que o Estado condiciona as suas atribuições com base em políticas mutáveis e instáveis, conduzindo a um desfazimento evidente entre o que diz ser o interesse público e aquilo que efectivamente interessa aos cidadãos. Ao mesmo tempo, o Estado mostra-se (previsivelmente) incapaz de superiorizar-se aos indivíduos, e vacila perante interesses e posições que nem sempre correspondem ao interesse geral e que conduzem à profusão de interesses públicos variados, muitas das vezes contraditórios. Se a isto somarmos a extensa lista de afazeres a que hoje pacificamente se atribui ao Estado, não podemos senão duvidar das virtualidades do Estado Social.
Este aproximar ao individualismo metodológico obriga-nos, claro, a repensar muitas das nossas acções diárias. A mim, por exemplo, obrigou-me a repensar toda uma Dissertação de Mestrado, mas adiante. E ao obrigar-nos a repensar a forma como olhamos para o Estado e como devemos relacionar-nos com ele, não podemos senão sentir revolta por afirmações tão despudoradamente desresponsabilizadoras como as de Paulo Ferrero, co-autor da petição em prol da casa-museu de Garrett.
tema por AMN em 20:17











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