Escrevi um post sobre as críticas de algumas companhias teatrais à política de atribuição de subsídios do actual governo. O Tiago teve a gentileza de discordar e fundamentadamente apresentar a sua opinião sobre o assunto, nos comentários a esse post. Os comentários do Tiago, com os quais discordo, levantam questões interessantes e valem bem mais a discussão do que os sapos engolidos este Domingo. Vamos então para uma conversa sobre políticas culturais? Mas em episódios, por favor.
Diz o Tiago, é de facto impressionante que o único argumento que se encontre, uma vez mais, para bater na criação contemporânea, seja o da "subsidio-dependencia". Chega a dar pena tantos anos de discurso por renovar.
O meu post não pretendeu expor o meu pensamento sobre o que deve ser uma política cultural num país como Portugal. Daí que o mesmo careça de um sem número de aspectos, muitos dos quais focados no comentário do Tiago. O meu post limitou-se a constatar que as reivindicações relativamente à política de subsídios culturais por parte de algumas companhias teatrais são absolutamente impossíveis de satisfazer.
O meu post não pretendeu expor o meu pensamento sobre o que deve ser uma política cultural num país como Portugal. Daí que o mesmo careça de um sem número de aspectos, muitos dos quais focados no comentário do Tiago. O meu post limitou-se a constatar que as reivindicações relativamente à política de subsídios culturais por parte de algumas companhias teatrais são absolutamente impossíveis de satisfazer.
Dizem algumas companhias, a quem dei razão, que os subsídios em Portugal são atribuídos em circuito fechado, alimentando companhias que há muito não produzem um espectáculo considerável e que pouco têm contribuído para a renovação do panorama teatral português. Mas isto acontece precisamente porque se confiou ao Estado a tarefa de distribuir subsídios.
Ora, se assim é, e provado que está que quem trabalha no Estado não é insensível a compadrios, amizades, grupos de pressão e pequenos ódios, como podemos sair deste circuito e impedir que algumas companhias sejam beneficiadas injustamente? Se o que as companhias contestarárias pugnam é pela substituição dos titulares do poder de conceder o subsídio, não vejo como pode o problema ser resolvido. Haverá alguém capaz de magnanimamente e do alto da sua sapiência conseguir atribuir com justiça e ponderação os subsídios às diversas companhias? Se as companhias contestarárias forem premiadas, outras haverá prejudicadas que lançam a mesma suspeição que as anteriores lançaram. E quem perde com tudo isto? A meu ver, o consumidor da cultura, que tem alguém a escolher por si e a decidir o que é que ele pode ver ou não ver. Quem sai prejudicado é o amante de teatro que tem de rezar aos santinhos para que o senhor que dá os subsídios seja amigo do tio do primo da namorada do encenador de um determinado espectáculo, para que este seja levado à cena. E é isto que nos traz ao cerne do problema: quem pode escolher o que deve ser visto?
Os subsídios à produção cultural, dada a escassez de recursos, serão sempre subsídios a uma determinada produção cultural e a rejeição de outras. Sempre foi assim e sempre o será. É por isso que todos os anos, com todos os governos, ouvimos as pessoas do mundo do espectáculo reclamar relativamente ao critério de atribuição de subsídios. Mas se assim é, como insistir que cabe ao Estado apoiar financeiramente, e de forma sistemática, as companhias teatrais? Quais? Todas? Algumas? As do Norte? As do Sul?
É que não existe nem pode existir um critério justo. Somos 10.000.000 de portugueses. Que critério justo poderá ter em conta as 10.000.000 perspectivas sobre a cultura? Que iluminado consegue vislumbrar as companhias a apoiar e as companhias a rejeitar? Será justo que uma excelente companhia seja punida e rejeitada para favorecer uma medíocre como tantas vezes acontece? Não me parece. Não é justo para a companhia nem para o espectador.
Do que antecede gostaria de retirar a primeira conclusão (não necessariamente a minha primeira premissa, mas assim vai para comodidade do post): o Estado não consegue, nunca, assegurar-se de há um critério justo de atribuição de subsídios. E de cada vez que atribui um subsídio, rejeita a sua atribuição a outros, escolhendo. O que nos leva ao segundo problema.
(continua)
Caro Adolfo, ainda bem que o meu comentario lhe deu vontade de estender o assunto para "a pagina principal" e assim estender também o debate: Agrada-me também que o possamos discutir (com mais ou menos capitulos) de uma forma menos demagogica e falaciosa que aquilo que argumentos como "o dinheiro dos contribuintos" propõem. ora bem:
ResponderEliminar- eu proprio ja o defendi por diversas vezes, fosse no blog, em debates ou textos varios, criticas ou perante as partes interessadas: a politica de atribuição de subsidios cria problemas, impede o desenvolvimento e sustenta incapacidades e fragilidades. Por mim, o plano ideal seria a existencia de um programa de subsidios plurianual que fosse sendo reduzido à medida que os anos passam, tal como existe noutros planos economicos e sociais. Mas, para que tal pudesse acontecer teria que haver uma verdadeira cultura cultural, passe a redundância. E isto quer dizer o quê?
Quer dizer que deveriam existir agentes economicos capazes de se substituir ao Estado para o apoio às companhias, da mesma forma que deveriq haver da parte das companhias um discurso consciente das implicaçòes economicas do seu trabalho.
Caro Adolfo, o problema não é de hoje e tem historial. Por exemplo: o facto das companhias de teatro não acreditarem no seu potencial economico prende-se, em grande medida, com o facto de terem surgido no periodo pre e pos-revolucionario, em que era preciso dar conta daquilo que o Estado não permitia. Todas as companhias independentes, começaram por se-lo ideologicamente (sendo a ideologia a ditatorial, obviamente) sendo depois independentes dos apoios do Estado. Companhias como a Cornucopia, a Comuna, o Novo Grupo (agora teatro Aberto), o teatro experimental de cascais ou o Bando surgiram como contraponto a uma politica mercantilista, onde se dava ao povo aquilo que rendia dinheiro enão exactamente o que se deveria apresentar:os textos disruptores, as tematicas pertinentes, as abordagens mais relevantes. Foi alias nesse contexto que apareceu o Ballet Gulbenkian, como espaço para dar a ver ao publico portugues o que se fazia alem-realidade nacional. O facto de aparecerem "do lado artistico" levou a que muitas destas companhias recusassem a figura do produtor, ou do empresario, dependendo muitas delas de apoios que vinham de instituições privadas como a Gulbenkian. Começava ai a separação daquilo que era o gosto do Estado e o gosto dos criadores. Uma outra nota historica: existem apoios de teatro desde 1954, e ao cinema desde 1939. E no entanto, o Estado sempre pautou por um apoio às companhias não comerciais. Ou seja, empresarios, como Vasco Morgado que dominava 80% do tecido cultural, nao recebiam qualquer apoio. E porque? Porque o Estado, ja nessa altura, considerava que o que podia ser sustentado por si mesmo não devia ser apoiado. Depois de David Mourao Ferreira ter estado na Secretaria de Estado da Cultura, no fim dos anos 70, as coisas mudaram e os apoios começaram a ser mais abrangentes. do teatro comercial ao independente. E assim tem sido até aos dias de hoje.
A existencia de programas de apoio prende-se, no plano formal e conceptual, com a inexistencia de redes economicas eficazes que se possam substituir ao Estado, ou tenham com a cultura uma relação menos utilitaria. Vejam-se alguns dos espectaculos patrocinados por empresas para perceber que essas têm da cultura uma ideia enviezada, pouco atenta ao que podemos considerar como movimentação artistica e até capaz de perpetuar uma fascização do gosto. E é ai que o Estado peca, porque ao não estabelecer com as empresas um dialogo cultural, impede que essas se abram à observação do que de mais interessante se vai fazendo. E atenção que não falo de gosto ou estética, mas de espectaculos que possam dialogar com a realidade, que façam reflectir, que não sejam efémeros. O Estado peca também porque quando tem a possibilidade de encontrar empresas que podem utilizar o mecenato, açambarca-as para as suas dependencias. vejam-se os mecenas dos teatros nacionais, da CNB, das orquestras ou da rede de cine-teatros. Não ha da parte do Estado um verdadeiro interesse em se independentizar das companhias, não por uma questão de compadrios, trafico de influencias ou relações familiares, mas porque isso poria a nu as deficiencias do sistema.
Por isso mesmo é que a politica de subsidios esta para a cultura como a democracia esta para os regimes de poder. é o melhor dos sistemas dentro dos piores sistemas. Porque ao não estabelecer regras para o fim da atribuição de apoios, alimenta estruturas que devem ser conscientes desse poder economico a que me referi. Mas, falta toda uma cultura que o possa sustentar.
Esta opção que defendo não é no entanto eficaz para companhias mais radicais, experimentais ou de pesquisa, e menos ainda para criadores que trqbqlhem individualmente. A arte faz-se de transformações contantes, muitas delas incapazes de se colocarem em formularios, regras ou classificações. Pense no que aconteceu no festival de Avignon, em França, o ano passado, com o publico e a critica a recusarem grande parte do trabalho das companhias institucionais, não porque ele fosse mau, mas porque fugia do que estavam habituados. Deveria o Estado recusar apoiar essas companhias porque não corresponderam às expectativas do publico? Ou, para falarmos de um exemplo comum, devera o Estado optar por uma linha dirigista, popular e de “portas abertas para a apopulação” como pretende querer fazer com o Nacional, so porque alguem se lembrou que a contemporaneidade estava a asfixiar o te-a-tro???
Caro Adolfo, a politica cultural serve a cultura e procura molda-la a partir daquilo que os agentes têm para oferecer. Não se pode substituir aos agentes. E deve ajuda-los a encontrar alternativas. Deve, no limite, ser a alternativa, quando a sociedade civil não sabe compreender (a arte). O Ministério da Cultura existe porque existem artistas e agentes culturais. Regular e permitir que possam ser integrados e aceites na mesma sociedade que se ofende com menos de 1% do Orçamentod e Estado mas não se indigna com a fuga aos impostos dos clubes de futebol, os jipes que os “jovens agricultores” compraram com os fundos da UE, ou as despesas exorbitantes com novos programas para baixar o défice.
Bom, este comentario vai longo e contradiz a discussão em episodios.
Um abraço,
Tiago
Uma achega bibliografica: WHY ARE ARTISTS POOR?, uma tese de Hans Abbing, economista e teorico de artes performativas. A ler partes e adquirir aqui: http://www.xs4all.nl/~abbing/DOCeconomist/new_book.htm
ResponderEliminarAdolfo, creio que [agora] me lembro de realmente teres escrito qualquer coisa sobre o assunto [cultura]. acho que até imprimi os posts, mas não sei por onde andam esses papeis [mudei de casa há pouco tempo e tenho ainda coisas encaixotadas]. assim sendo, recorro ao que tenho à mão e citar este liberal [fareed zakaria, que é muito bem tratado por aqui: «[...]sem uma orientação ou referência de vozes autorizadas, as pessoas podem fazer más escolhas. Com certeza, ser-se orientado exige não apenas que as pessoas tenham vontade de seguir as opiniões, mas que haja quem queira liderar»
ResponderEliminarnão é a melhor citação, nem o exemplo mais cabal da "bondade" da intervenção do estado na cultura, mas foi o que consegui arranjar. não sei em que caixote está aquele que cada vez mais parece ser o vosso [teu adolfo, mas mais nitidamente do antónio] rosário
o facto é que um investimento do estado na cultura só produz resultados, ou melhor só é possível identificar esses resultados, no espaço de gerações. isso é que torna as decisões [politicas] muito complicadas e delicadas, porque não é imediatista [como o mercado].
obviamente que eu sei que o estado não tem a informação toda, de forma de decidir da forma mais eficaz, e que o estado ao tomar essa decisão está a profanar a liberdade do individuo. mas considero que neste caso esta profanação tem mais benefícios do que custos. claro como os custos são identificáveis a curto prazo [afinal sempre podemos contar notas!] e os beneficios apenas são detectáveis a longo prazo [e não medíveis em termos quantitativos].
Adolfo, podes ajudar-me a localizar a tua série de post sobre a cultura... não quero ser injusta [quer dizer acho que já fui, peço desculpa]nos comentários sobre a tua posição sobre o assunto. obrigada!
ResponderEliminar*aL
Aqui tens Alaíde. Uns meus, outros do António:
ResponderEliminarNotas culturais de Campo de Ourique http://aartedafuga.blogspot.com/2005/04/notas-culturais-de-campo-de-ourique.html
A direita e a cultura http://aartedafuga.blogspot.com/2005/04/direita-e-cultura.html
A direita e a cultura (2) http://aartedafuga.blogspot.com/2005/04/direita-e-cultura-2.html
A direita e a cultura Parte III http://aartedafuga.blogspot.com/2005/04/direita-e-cultura-parte-iii.html
A direita e a cultura (4) http://aartedafuga.blogspot.com/2005/04/direita-e-cultura-4.html
A direita e a cultura (5) http://aartedafuga.blogspot.com/2005/05/direita-e-cultura-5.html
A fachada de Garrett http://aartedafuga.blogspot.com/2005/04/fachada-de-garrett.html
A fachada de Garrett (2) http://aartedafuga.blogspot.com/2005/04/fachada-de-garrett-2.html
A fachada de Garrett (3) http://aartedafuga.blogspot.com/2005/04/fachada-de-garrett-3.html
A imagem da cidade http://aartedafuga.blogspot.com/2005/04/imagem-da-cidade.html
bjs
a.
Caro Tiago,
ResponderEliminarIndependentemente de depois, nos próximos posts, ir tocar em alguns desses teus (pode ser?) pontos, penso que temos de fazer aqui uma importante distinção.
Eu admito a intervenção estadual, já direi em que moldes e em que ciscunstâncias. Mas é a intervenção estadual actual que criou todos esses problemas que identificas, de tal forma que se criou a ilusão de que sem o Estado, a cultura de vanguarda desaparece. Penso que isso carece de ser provado, porque a cultura de vanguarda existiu sempre, criou sempre, inovou sempre, mesmo em regimes onde nem a liberdade de expressão era permitida. A questão estará então, talvez, no acesso a essa produção. Talvez se o Estado não cobrasse de impostos o que cobra, por exemplo e se, como em qualquer actividade, permitisse que a mesma se desenvolvesse sem entraves... A isto voltarei.
Por fim, nunca aqui denfi, antes pelo contrário, qualqyer teorização da subsidio-dependência, em qualquer actividade. Subsidio-dependência exige que haja muito Estado, e eu quero que haja pouco. Daí que os jovens agricultores podem ser incluídos nestes posts tanto como os agentes culturais, apenas se mudando o título do post.
Um abraço e até mais logo à tarde, em que espero ter um pouco mais de tempo,
a.
Eu admito a intervenção estadual, já direi em que moldes e em que ciscunstâncias. Mas é a intervenção estadual actual que criou todos esses problemas que identificas
ResponderEliminarPerfeito.
Não resisti a intrometer-me:
ResponderEliminarO Tiago escreveu "Quer dizer que deveriam existir agentes economicos capazes de se substituir ao Estado para o apoio às companhias, da mesma forma que deveriq haver da parte das companhias um discurso consciente das implicaçòes economicas do seu trabalho.
". Tal como um pai que não quer largar a criança para que aprenda a andar por si, é o estado paternalista que ao dar esses apoios cria a falta de necessidade de, por um lado, surgirem esses agentes económicos privados, e por outro das companhias se preocuparem com as implicações económicas do seu trabalho.
adolfo, obrigada! lerei com a máxima atenção logo à noite!
ResponderEliminar«Eu admito a intervenção estadual, já direi em que moldes e em que ciscunstâncias.» Ah! ok, era isso que eu queria ouvir... espero é que não seja apenas a "lenga-lenga" do património...
bom trabalho!
o facto é que um investimento do estado na cultura só produz resultados, ou melhor só é possível identificar esses resultados, no espaço de gerações.
ResponderEliminarUma presciência notável da parte de um Estado cujas "políticas culturais" variam conforme as cores políticas no Governo.
Não nos esqueçamos que os resultados negativos também se propagam no futuro, apesar da capacidade imensa da Economia livre se regenerar apesar de todos os intervencionismos...
isso é que torna as decisões [politicas] muito complicadas e delicadas, porque não é imediatista [como o mercado].
O que faz o Estado é apoiar projectos presentes (ano a ano, conforme o Orçamento), crente que os seus efeitos serão propagados no futuro.
O mercado, por outro lado, lida _sempre_ com espectativas futuras, nem que sejam quase-imediatas.
obviamente que eu sei que o estado não tem a informação toda, de forma de decidir da forma mais eficaz, e que o estado ao tomar essa decisão está a profanar a liberdade do individuo.
Não só o Estado não tem a informação presente como nunca poderá ter a informação futura. A eficiência de um método assente nestas condições é altamente duvidosa.
mas considero que neste caso esta profanação tem mais benefícios do que custos.
fé? é assim que se faz gestão de dinheiros públicos?
claro como os custos são identificáveis a curto prazo [afinal sempre podemos contar notas!] e os beneficios apenas são detectáveis a longo prazo [e não medíveis em termos quantitativos].
Não me parece.
Os benefícios são imediatamente aparentes ("apareceu obra!") e quanto mais distante for o horizonte, mais difusos ficam.
Os custos têm uma componente imediata, mas a mais importante é aquela que não se vê, o dinamismo que é retirado à Economia, cujas consequências nós não vemos.
Já leste o Hazlitt que te recomendei? :/
Caro Tiago, a achega bibliográfica é gira, mas há ali uma data de contrasensos económicos...
ResponderEliminar«Já leste o Hazlitt que te recomendei? :/ » não me recordo de me teres "doutrinado" ;) com o hazlitt... manda outra vez a dica...
ResponderEliminaradolfo, claro que nos podemos tratar por tu. não sei porque é que o perfil esta indisponivel. e obviamente que não é um despique, é um debate.
ResponderEliminarantonio, os excertos não são brilhantes mas o livro serve o proposito. Outra referência obvia: teodor adorno, para uma industria de cultura, angelus novus.
ja volto.
Adolfo,
ResponderEliminarNao se trata de uma questao de simples preferencias individuais para as quais o universo relevante sao os 10 milhoes de portugueses e suas escolhas, pois para isso temos o mercado livre. Aqui nao podes ser neutro: ou achas que e' importante existir teatro, musica e danca de qualidade, ou entao estas-te nas tintas e deixas que o mercado funcione. Parece-me evidente que o mercado iria arrasar com uma parte singificativa do incipiente espaco cultural portugues. Podes lamentar a intervencao do Estado os compadrios que ele gera, mas qual e' a alternativa. O mecenato? Ele existe? Aqui entramos no problema do ovo e da galinha: ha pouco mecenato por causa do Estado ou vice versa? Existem paises com uma tradicao cultural que antecede o Estado e que conseguem sustentar uma actvidade cultural intensa mais independente do que em Portugal (embora nenhum pais, nem mesmo os EUA, se abstenham de subsidiar o mundo artistico -o national endowment for the arts nao e' privado).
A cultura nao e' um bem de entretenimento (embora tambem o seja) mas tem uma componente formativa fundamental (aqui o paternalismo e' incontornavel)para contrabalancar a vulgaridade que uma parte singificativa do mercado gera. Nao achas que produtos culturais de qualidade sao importantes para a formacao de uma cidadania mais humana, culta, informada, com capacidade de pensar? Ou estas-te nas tintas que a maioria dos teus co-cidadaos sejam uns infantiloides robotizados para quem Bach ou EZT sao ambos meros produtos em que o unico determinante e' o gosto de cada um. O gosto nao e' um dado, mas educa-se e e' influenciado pela oferta existente (mais uma vez o ovo e a galinha).
etc..........
Abracos
J
Caro Tiago, o meu comentário foi tímido mas vá lá: dos excertos não percebi qual é o propósito do livro... :)
ResponderEliminar