Umas linhas antes de me deitar (o sapo já cá canta)
Vencedores absolutos
a) Cavaco Silva. Vitorioso e legitimado como a primeira escolha da maioria dos portugueses torna-se, como nos seus tempos de primeiro-ministro, a figura de proa da direita portuguesa, por muito que nunca ostente o título ou manifeste vontade de o ostentar;
b) PSD cavaquista.
Vencedores relativos
a) Manuel Alegre. Ao distanciar-se de tal forma de Mário Soares, não há riscos de que possam fundadamente recair nele as culpas da derrota da esquerda. Assumindo um capital eleitoral próprio e demonstrando que era ele, afinal, o mais bem posicionado para combater Cavaco Silva, ganha um capital impressionante num PS de Barões: foi a votos e sabe quanto vale. Ao mesmo tempo, a sua postura e o seu resultado impedirão que o PS se desfaça dele ou dele se vingue. As aparências ainda valem muito;
b) PSD de Marques Mendes. O líder do PSD sairá vitorioso momentaneamente mas terá sérias dificuldades em impor-se como a referência do eleitorado não socialista e perderá demasiado tempo a autonomizar-se da figura de Cavaco e da sua acção presidencial;
c) CDS. Da fragilidade de Marques Mendes e do espaço de centro que Cavaco ocupará na presidência, o CDS verá o seu campo de actuação alargar-se podendo capitalizar os votos da direita reinvindicativa e reformista que eventualmente verá as suas expectativas frustradas com a performance de Cavaco;
d) PCP. Segura eleitorado de eleição para eleição, demonstrou quem manda à esquerda do PS, ficou a menos de metade do resultado de Mário Soares e assumiu Jerónimo de Sousa como líder incontestado, para dentro e para fora.
Derrotados relativos
a) CDS se Marques Mendes não conseguir manter-se à frente do PSD.
b) Figura política de Mário Soares. A sua derrota implica o fim do título de pai da pátria e revela a incapacidade deste em unir o eleitorado de esquerda, mas sairá da vida política como um lutador e combatente intransigente. Mário Soares ficará na história, independentemente deste resultado e cedo recuperará a aura que o vem acompanhando.
c) José Sócrates e o PS. Porque de facto perderam as eleições e apostaram mal no candidato. Mas José Sócrates não apostou nada nestas eleições. Pelo que não perdeu muito.
Derrotados absolutos
a) Mário Soares e a geração de socialistas dona de Abril. Acabou-se uma era. Acabou-se o direito de propriedade sobre a história. Acabaram-se as inevitabilidades eleitorais.
b) Bloco de Esquerda. Depois de frustrar as expectativas nas autárquicas, o Bloco sofre novo revés eleitoral e pode começar a questionar a liderança de Francisco Louçã. Não só este não vale mais do que o Bloco, como não consegue ter um discurso alternativo.
a) Cavaco Silva. Vitorioso e legitimado como a primeira escolha da maioria dos portugueses torna-se, como nos seus tempos de primeiro-ministro, a figura de proa da direita portuguesa, por muito que nunca ostente o título ou manifeste vontade de o ostentar;
b) PSD cavaquista.
Vencedores relativos
a) Manuel Alegre. Ao distanciar-se de tal forma de Mário Soares, não há riscos de que possam fundadamente recair nele as culpas da derrota da esquerda. Assumindo um capital eleitoral próprio e demonstrando que era ele, afinal, o mais bem posicionado para combater Cavaco Silva, ganha um capital impressionante num PS de Barões: foi a votos e sabe quanto vale. Ao mesmo tempo, a sua postura e o seu resultado impedirão que o PS se desfaça dele ou dele se vingue. As aparências ainda valem muito;
b) PSD de Marques Mendes. O líder do PSD sairá vitorioso momentaneamente mas terá sérias dificuldades em impor-se como a referência do eleitorado não socialista e perderá demasiado tempo a autonomizar-se da figura de Cavaco e da sua acção presidencial;
c) CDS. Da fragilidade de Marques Mendes e do espaço de centro que Cavaco ocupará na presidência, o CDS verá o seu campo de actuação alargar-se podendo capitalizar os votos da direita reinvindicativa e reformista que eventualmente verá as suas expectativas frustradas com a performance de Cavaco;
d) PCP. Segura eleitorado de eleição para eleição, demonstrou quem manda à esquerda do PS, ficou a menos de metade do resultado de Mário Soares e assumiu Jerónimo de Sousa como líder incontestado, para dentro e para fora.
Derrotados relativos
a) CDS se Marques Mendes não conseguir manter-se à frente do PSD.
b) Figura política de Mário Soares. A sua derrota implica o fim do título de pai da pátria e revela a incapacidade deste em unir o eleitorado de esquerda, mas sairá da vida política como um lutador e combatente intransigente. Mário Soares ficará na história, independentemente deste resultado e cedo recuperará a aura que o vem acompanhando.
c) José Sócrates e o PS. Porque de facto perderam as eleições e apostaram mal no candidato. Mas José Sócrates não apostou nada nestas eleições. Pelo que não perdeu muito.
Derrotados absolutos
a) Mário Soares e a geração de socialistas dona de Abril. Acabou-se uma era. Acabou-se o direito de propriedade sobre a história. Acabaram-se as inevitabilidades eleitorais.
b) Bloco de Esquerda. Depois de frustrar as expectativas nas autárquicas, o Bloco sofre novo revés eleitoral e pode começar a questionar a liderança de Francisco Louçã. Não só este não vale mais do que o Bloco, como não consegue ter um discurso alternativo.
tema por AMN em 01:22











4 Comentários:
Adolfo, esta é uma boa análise dos resultados das eleições. no entanto tenho algumas dúvidas [pontos em que não concordo]:
1. Cavaco Silva, não é dev direita, por mais que lhe queiram colar essa etiqueta, ela é sempre colada a cuspo;
2.M.A. é ele próprio um barão num PS de barões de 5ª categoria; e os 20,6% não são o valor "individual" de MA. MA vale muito menos que isso, houve muitos votos em MA que foram votos contra CS e contra MS;
3. A vitória relativa que apontas a MM só poderá beneficiar o PSD, pois este ver-se-á forçado a defenir de forma cabal o seu rumo as suas opções para o país [duvido que MM tenha capacidade para "aguentar" tal pressão*]
4.relativamente ao CDS penso o mesmo que relativamente ao PSD, terá de se definir;
5. a estratégia de homem simpático, próximo do povo, a imagem do operário, preduz resultados. Dado o estado actual [em termos de pensamento ideológico] do PCP o facto de manter o resultado é para mim uma vitória absoluta;
subscrevo as tuas listas e argumentação dos derrotados
*quer o psd quer o cds [até mesmo o ps] necessitam de ser reorganizar internamente. de compreender as alterações que [subtilmente] vão acontecendo na sociedade. Há um salto geracional que tem de ser feito, há mudanças que têm de acontecer, é necessário não ter medo de mudar.
[esperemos que o sapo não seja indigesto....]
Então Marques Mendes não faz parte do PSD cavaquista?
Sobre isso é que devias fazer uma tese!
"Mário Soares e a geração de socialistas dona de Abril. Acabou-se uma era. Acabou-se o direito de propriedade sobre a história. Acabaram-se as inevitabilidades eleitorais."
É esta a frase do teu post que mais me aquece o coração numa esperança real, mas ainda cuidadosa.
O 25 de Abril nunca foi "deles". Nem o 25 de Abril lhes dá o direito para se advogarem como donos da democracia nacional.
Está muito bem analisado por AMNunes...
extensível ao outro post posterior "Os votos de Alegre".
Faça um contraponto! (comentário)
Continuar a ler o A Arte da Fuga!