Num sistema totalitário, o cidadão só tem os direitos e liberdades que uma entidade superior aprouver.
Mas em sociedades democráticas liberais, os indivíduos são livres: é praticamente inconsequente a enumeração de direitos e liberdades.
Até escrever que o cidadão tem direito à vida é absurdo— porque é trivial (advém do conceito de liberdade); e não é algo que possa ser assegurado— como todos os outros "direitos" ou "liberdades".
Os direitos e liberdades são apenas instâncias específicas do exercício da Liberdade, conceito que pressupõe o respeito pelos direitos e liberdades do outro.
Não será o conceito de liberdade que advém do direito à vida?
ResponderEliminarAcha que o Liberalismo é mais pálpavel no sentido de não ser utópico como o Comunismo?
ResponderEliminarIsto porque, quando refere "o respeito pelos direitos e liberdades do outro" está implicito que o agente é o Homem e ou tem uma grande fé na raça humana ou a sua crença no liberalismo apaga-se. O objectivo primeiro do Homem é a guerra, tout court!
« O objectivo primeiro do Homem é a guerra» eu não seria tão radical, meu caro Morgado Louro, diria antes " O objectivo primeiro do Homem é a sobrevivência" e guerreará quando, onde e com quer for preciso para assegurar a sua sobrevivência... mas não é assim com todos os organismos [vivos...]???
ResponderEliminarAntónio, há 2 gralhas no texto...
correcção:
ResponderEliminar"O objectivo primário do Homem é a sobrevivência" e guerreará quando, onde e com quem quer que seja preciso para assegurar a sua sobrevivência, como qualquer organismo [vivo]
Koba,
ResponderEliminarAntes de tudo, uma explicação: este post não se destina propriamente à blogosfera geral, daí um tema tão nebuloso e tão pouco prático.
Não quero entrar numa discussão retórica. Não é possível liberdade sem vida, mas é possível vida sem liberdade. Mas isso é irrelevante. Inscrever o direito à vida ou direito è liberdade é igualmente patético. Quanto mais outros "direitos e liberdades".
O que é preciso é garantias.
Morgado Louro,
ResponderEliminarEu tenho uma grande fé no Homem e pouca nos homens quando metem as mãos em poder que não lhes pertence...
...e concordo com a tese da sobrevivência, acrescentando eu "bem-estar".
ResponderEliminarGralhas corrigidas, obrigado Alaíde.
António, se reparares bem alterei ligeiramente a 2ª frase [ao tentar corrigir uma gralha na 1ª frase deparei com uma pequena imprecisão] e o que digo na 2ª é diferente do que afirmo na 1ª[a semântica não é tão irrelevante quanto isso...].
ResponderEliminarquando digo objectivo primário [e não primeiro]digo-o porque é algo orgânico e indissociável à continuiadade da espécie. independentemente de ser um ser social ou não o objectivo primordial do ser humano é a sua sobrevivência. o "bem-estar" está num outro nível, já não é fundamental... e estou a pensar meramente em termos biológicos, mas esse sistema não difere assim tanto dos sistemas de cooperação social...
"Eu tenho uma grande fé no Homem " não é o conceito de "Homem" demasiado unitário, uniformizador e que faz tábua rasa das particularidades que componhem cada individuo?! curiosa esta afirmação, muito curiosa...
Eu gosto da definição da procura pelo bem-estar. Sobrevivência remete muito para as balelas do darwinismo social.
ResponderEliminarNão é o conceito de "fé" igualmente unitário? :)
"pursuit of happiness" acho que se calhar é o mais adequado!
ResponderEliminar"fé" tanto pode ser um conceito aglutinador dos individuos, como também pode ser conceito diferenciador inter-individuos...
1 - Parto do princípio que, quando diz entidade superior, está a referir-se ao poder (ou a uma divindade?)
ResponderEliminar2- O seu segundo parágrafo é bonito mas uma utopia IMHO
3 - Se o homem tem direito à vida, tem, do seu ponto de vista, à escolha da sua própria morte? (chama-se suicídio ou eutanásia)
4 - Tal como o dois. Gostaria de estar viva, um dia, para ver tal sociedade. Só falta, então, educarmos as almas que andam neste planeta de modo a conseguirem compreender uma série de coisinhas....
Teresa:
ResponderEliminar1. num sistema totalitário, equivalem-se. Note-se que muitas aristocracias não eram totalitárias, apesar da presunção da legitimidade divina do governante;
2. sem que eu complete o texto com as "garantias", sim...
3. Sim. As excepções que possamos considerar não devem atropelar o princípio que a propriedade última do indivíduo é a sua propria vida.
"3. Sim. As excepções que possamos considerar não devem atropelar o princípio que a propriedade última do indivíduo é a sua propria vida"
ResponderEliminarPorquê a última? Curiosidade....
A minha vida é a primeira....
"última" no sentido de "superior", "máxima" - daí "propriedade última" e não "última propriedade" :)
ResponderEliminarAA: Ufa!!!! Por momentos duvidei do seu Liberalismo!!! :P
ResponderEliminarNunca. Seria como sair de um comboio a alta velocidade. :)
ResponderEliminardo http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx
ResponderEliminaresbulho | s. m.
1ª pess. sing. pres. ind. de esbulhar
do Lat. spoliu
s. m.,
acto de esbulhar;
espoliação;
despojo;
expropriação forçada.
Por causa do acto de esbulhar temos portugueses a passar em cima de uma quinta que foi bonita, em nome da nação, mas chegam a Espanha em três tempos.
ResponderEliminarClaro que esses donos ficaram danados principalmente quando o troço escolhido foi o último a ser considerado mas altas influências falaram mais alto.
Deste tipo de esbulhar (agora tenho que usar e abusar desta palavrinha nova), como um Liberalista salva a situação?
Constrói-se a auto-estrada (um bem social, ao que parece), e vai-se contra os direitos de uns ou não se constroi?
(não caia do combóio, s.f.f. para esse existir, esbulharam muito, de certeza)
Não há expropriações justas. O que vale um terreno hoje nada tem que ver com o que pode valer no futuro, e as pessoas fazem os seus planos de acordo com preferências temporais que não são regra geral imediatas.
ResponderEliminarPara isso o liberalismo tem poucas mezinhas. Teoricamente seria preciso que as vias de comuicação fossem exclusivamente construídas por privados, e que a aquisição de terrenos fosse feita pelo mercado...
Mas se a compra fosse feita por um privado não havia autoestrada
ResponderEliminar(a construção deve ter sido concurso público)
Por acaso referia-me à Auto-Estrada Braga-Espanha que nem lhe conto os problemas que aquilo teve - não deve ter havido uma expropriação amigável e se fosse venda, ninguém teria vendido.
E se não fosse a expropriação, garanto-lhe, pelo menos um troço não tinham pois foi na quinta dos meus avós que passaram. Qual particular, qual quê. Só mesmo por imposição.
(e no caso da barragem do lindoso? Não foi essa que deu cabo de uma aldeia inteira??? Imagine se tentassem a bem... ehehheh )
Bom... Em certos casos tem de se apelar ao bem de todos. Como em caso de guerra - tem de ser por imposição.
Este é um ramo teórico do liberalismo que ainda não assimilei com a profundade que merece.
ResponderEliminarO problema é que é complicado passar do sistema que temos para um modelo idealizado, do tipo anarco-capitalista, em que de facto os direitos de propriedade não fossem atropelados.
Há muitas objecções teóricas a que o Estado construa infraestrutuas. Se isto nos parece estranho quando falamos de vias de comunicação, há que pensar na Internet, por exemplo.
Mas considerando que a infraestrutura é paga por quem a utiliza, e admitindo que a supressão de alternativas privadas não é muito grave (há "pouca" distorção da Economia), até é possível que a compra de terrenos seja feita por acordo com os proprietários.
Quando alguém não quer vender, expropriar por preço "justo" (já deve ter percebido, Teresa, que a palavra "justo" quer dizer "aquele que o Poder decidir) ou esbulhar é a mesma coisa. São métodos ditatoriais.
Agora imagine que as pessoas não eram obrigadas a ceder terrenos ao Estado, que desistia dessa função (e deixava de cobrar impostos para isso).
As pessoas teriam de se organizar para construir acessos às suas propriedades. Localmente isto não é complicado, mas grandualmente ficaria claro que regionalmente seria preciso determinar eixos de passagem, e assim por diante até um nível nacional. A rede de transportes organizar-se-ia organicamente.
Claro, utopias...
Nem é só nas auto-estradas. Veja, por exemplo, no tratamento de águas, nas indústrias poluentes. Se pensar em termos liberais, construir uma fábrica de cimento/papel que dá cabo em termos de poluição de uma região (ou uma central nuclear, pelo eventuais perigos), tratamentos de resíduos e reciclagem, ou todas aquelas industrias que ninguém quer no seu quintal, ou existem áreas determinadas ou vai contra a minha/ sua liberdade.
ResponderEliminarOu seja, ou existe um plano de ordenamento de território (bem como para o caso da floresta - se o mercado fica desenfreado, lá se vão as árvores e aparece o eucalipto que cresce em cinco anos e não em cinquenta como o carvalho).
IMHO em certas zonas/áreas tem de se misturar o seu liberalismo com o senso comum (e não colocolo nenhum -ismo - é-me indiferente)
(Um P.S. Afinal, lá se vai o Inatel e mais alguns organismos completamente inutéis mas em relação ao ME - Ministério da Educação ainda ficou muito aquém do que é necessário...)
Teresa,
ResponderEliminarA questão Ambiental é difícil mas resolúvel (posts antigos: aqui e aqui).
Quanto aos carvalhos e eucaliptos, a questão é de quem é a propriedade.
E o problema do senso comum é que por ele, todos os direitos individuais têm de ser suspensos em nome do "bem comum" -- como no caso da autoestrada que referiu. Isso é ditadura da maioria, como a que estavam a discutir lá no Insurgente...