Sexta-feira, Abril 28, 2006

A ler, uma vez mais


Depois de o António aqui ter recomendado a leitura da "Fazer Futuro", moção apresentada pelo João Almeida ao XXI Congresso do CDS-PP, recebi vários e-mails de amigos a pedirem-me para comentar aqui a moção e a sua oportunidade. Os pedidos não são ingénuos, evidentemente. Todos os que acompanham a minha actividade no CDS sabem que não sou propriamente um apoiante do João Almeida e a recomendação de leitura do António quase que lhes soube a provocação. Pois bem, aqui ficam algumas linhas sobre o assunto.
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Concordo com o esforço da moção Fazer Futuro, concordo com os seus pressupostos e com a sua apresentação, mas não a subscrevi.

A moção resulta essencialmente do Programa aprovado no último Congresso da Juventude Popular. Apesar de todas as divergências que mantive com o João Almeida, ele convidou-me a participar na redacção de um novo Programa, que reunisse as diversas sensibilidades que existem actualmente na Juventude Popular: conservadores, democrata-cristãos e, claro, liberais. Aceitei o convite, evidentemente. Um Programa é um documento que rege e norteia uma organização e que persiste para além dos ciclos, das lideranças e das estratégias.

Tivemos a preocupação, na elaboração desse Programa, que ele não fosse uma espécie de mínimo denominador comum, mas que se tratasse antes de um compromisso geracional de síntese entre as várias ideias de Portugal que existem na JP. Nele posso, por isso, encontrar com facilidade pontos com os quais não me identifico. Mas estou certo que existem outros pontos com os quais me identifico de forma plena e integral e que marcaram uma viragem na JP, tornando-a mais plural e aberta a novas correntes.

A moção Fazer Futuro resulta, como disse, desse esforço de síntese feito no Programa da JP. Logicamente que concordo com os seus termos e com os seus pressupostos ideológicos. Havendo muita coisa com a qual discordo, há ali muito material que há muito não se ousava escrever ou dizer no CDS e que merecem o meu aplauso.

Mas não subscrevi a moção, porque as moções apresentadas a Congresso constituem um projecto político próprio, com um corpo de pessoas definido e uma vocação de exercício das ideias defendidas. Não faço parte desse projecto e não faria qualquer sentido que desse a cara por ele. Se colaborar na redacção de um Programa se assume como um compromisso de deixar um documento ideológico, o compromisso de subscrever a moção é essencialmente de acção política e marca uma posição estratégica.

Não tendo subscrito a moção, mas concordando com o seu esforço, concordo inteiramente com a sua oportunidade. As regras do Congresso eram claras: quem quiser apresentar ideias, que se candidate. A JP sempre apresentou as suas ideias, justo será que o seu Presidente se candidate, assumindo todas as consequências do seu acto. Dir-me-ão que foi concedida à JP a possibilidade de apresentar um moção em condições de excepção, não tendo que se sujeitar às mesmas regras que os outros, não precisando de corporizar qualquer candidatura. Mal seria da JP se o seu Presidente aceitasse estar em Congresso em condições de excepção. Para o bem e para o mal.

1 comentário:

  1. «Mal seria da JP se o seu Presidente aceitasse estar em Congresso em condições de excepção. Para o bem e para o mal.»
    é interessante perceber a forma como se menoriza a importância das juventudes partidárias.

    por vezes parecem só servir para 2 coisas:
    i)apresentar propostas "fracturantes" [que os lideres "sérios" não podem fazer]; ii) agitar bandeiras nas campanhas eleitorais

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