terça-feira, abril 11, 2006

Re: Estado, tabaco, automóveis

Rui Pena Pires ("Estado, tabaco, automóveis") no Canhoto (via O Insurgente):
A dualidade total entre radicalismo antitabágico e grande tolerância para com a “virilidade” automóvel teve de novo expressão na recente polémica sobre os limites legais da taxa de alcoolemia dos condutores. Taxa essa que, em rigor, deveria ser, simplesmente, zero, caso predominasse o critério da protecção da vida e da integridade física de terceiros. Parece, no entanto, que o (mesquinho) respeitinho pelos galões foi, neste caso, mais importante do que a preocupação com a saúde pública. Sem esquecer, claro, os superiores “interesses da lavoura nacional”. Critérios…

A tolerância zero à alcoolemia ao volante, para ser coerente, teria de ser acompanhada por tolerância zero ao cansaço físico, à sonolência, à descontracção, à existência de quaiquer distracções no interior e exterior do automóvel, à observância "militar" de todo e qualquer artigo do Código da Estrada, que poderia ser expandido de forma a cobrir todas as causas estatísticas dos acidentes rodoviários.

Se predominasse o critério da protecção da vida e da integridade física de terceiros, em vez do critério de respeito à lei proibicionista, em rigor não haveria limite legal de alcoolemia.

Todos os condutores seriam plenamente responsáveis pelos seus actos. O automóvel seria considerado uma arma e um acidente com vítimas mortais poderia ser considerado homicídio. Tal como se fosse perpetrado por arma de fogo.

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