Quinta-feira, Junho 29, 2006

Ainda as artes

15 Comentários:

Blogger aL contrapôs...

não reconheces, então adolfo, ao estado qualquer função na cultura?

11:29 AM  
Blogger AMN contrapôs...

Reconheço. Para já, reconheço o papel de não interferir, que é um papel que exige competência :)
Por exemplo Alaíde, não me incomoda absolutamente nada que haja um Teatro Nacional e uma Companhia Nacional de Bailado e Ópera e até Museus com o espólio do Estado. A sua função, assegurada pela qualidade, itinerante, deveria ainda assim funcionar num mercado aberto e não num mercado em que a pouca aberura do Estado é ocupada...pelo Estado. E a sua função, de mínimo cultural, bastar-se-ia. O mercado encarregar-se-ia de fazer sobressair o restante.

11:55 AM  
Blogger aL contrapôs...

:) «reconheço o papel de não interferir, que é um papel que exige competência» isso é uma não função...
O teatro nacional e a cia. nac. bailado seriam cias. de repertório? sem qualquer actividade de criação? como designar os seus directores? por decreto? concurso?

«Museus com o espólio do Estado» o que é espólio do estado?

«A sua função, assegurada pela qualidade» avaliada por quem?

12:34 PM  
Blogger AMN contrapôs...

alaíde, eu não sou o António! Trabalho durante o dia! :P

Já te respondo mais logo!

12:37 PM  
Blogger AA contrapôs...

Adolfo, penso que a resposta não é essa. Aos desafios que fazemos à Alaíde, ela responde com mais e mais perguntas. Há um ano que ela promete um modelo para a Cultura, e há dois que não temos feito outra coisa. É claro que não temos tempo para tudo. E depois somos nós os dogmáticos.

12:47 PM  
Anonymous Carlos a.a. contrapôs...

Estimados Adolfo Mesquita Nunes e Alaíde Costa

Corro o risco de repetir o comentário que coloquei mais abaixo em resposta a uma pergunta do António Costa Amaral.

Nunca disse, nem defendo, que pelo facto de considerar que os subsídios à criação são um meio de impor uma estética e de desresponsabilizar os criadores face à sociedade, o Estado não deva ter um papel na cultura. Bem pelo contrário!
O Estado deve impor-se como regulador (interferindo mesmo directamente nas distorções que o mercado alimente) e como incentivador à fruição das artes.

(e transcrevo o que escrevi mais abaixo)

"Defendo, sinceramente, que o Estado, no seu papel de incentivador da fruição das artes, deve é centrar os seus esforços na escola, proporcionando o ensino artístico curricular, como o faz noutras áreas do conhecimento.
Nesta perspectiva, consideraria muito positivo que o Estado desse trabalho (não subsídios) aos criadores através de encomendas que enriquecessem, de forma integrada, esses planos curriculares, seja ao nível de produções audiovisuais, teatrais, literárias, musicais, plásticas ou multidisciplinares.
Ensinar e criar um habitat cultural na escola é o melhor, mais eficaz e mais produtivo meio de, simultaneamente, educar, formar novos públicos e dar trabalho aos artistas.
Só que para isto, como tenho defendido, é necessária uma política de Gestão Cultural do Estado, transversal a várias tutelas."

1:59 PM  
Blogger aL contrapôs...

Adolfo, com tempo e sem pressões...
não penses que as minhas perguntas são pedras de arremesso, que não são. servem apenas para eu perceber o grau de concordância que poderemos ter...

caro carlos, concordo em muito com o que diz. não consigo neste momento alongar-me mais, porque também trabalho durante o dia! e tenho um projecto para entregar ao Ministério da Cultura [ironia do destino, sempre que me meto em discussões sobre cultura nesta casa, estou sempre a trabalhar em candidaturas para o tal subsídio ...]

3:18 PM  
Blogger AMN contrapôs...

Querida Alaíde, aqui vão algumas respostas, no pouco tempo que tenho entre dois trabalhos :)

"teatro nacional e a cia. nac. bailado seriam cias. de repertório? sem qualquer actividade de criação? como designar os seus directores? por decreto? concurso?"

Digo que sou sensível ao argumento de que pode e deve haver, em cada país, uma companhia de teatro, opera e bailado. E que o Estado pode deter uma, desde que respeite as regras do mercado, garantindo a sua existência, se possível itinerante. O ideal seria que não existisse nenhuma. Mas para os mais cépticos, que acham que o teatro e a opera e o bailado desapareceriam se deixados ao mercado, aqui ficaria uma garantia que tal não aconteceria. Os problemas que levantas são evidentes. Mas eu não defendo a intervenção do Estado, tu é que a defendes.

«Museus com o espólio do Estado» o que é espólio do estado?

O património artistico detido pelo Estado. Desde os coches aos paineis de são vicente.

A sua função, assegurada pela qualidade avaliada por quem?

Uma vez mais, levantas um problema que existe sempre que o Estado intervem. Uma vez mais, a minha tolerancia com as companhias nacionais tem que ver com uma concessão minha perante os mais cépticos. Tão só.

5:12 PM  
Blogger AA contrapôs...

Há património artístico público que deve ser cuidado. Mas até a gestão dos museus pode ser subcontratada a privados, por concurso público.

No limite, também outras estruturas culturais. O "Gabinete de Actividades Artísticas" definia previamente um calendário de actividades necessárias. E lançava concurso público internacional para a sua prestação.

5:30 PM  
Blogger AA contrapôs...

Caro C.A.A.,

(respondo aqui ao outro comentário)

O Estado deve impor-se como regulador (interferindo mesmo directamente nas distorções que o mercado alimente) e como incentivador à fruição das artes.

Compreenda a impracticabilidade dessas funções. Ou melhor, a sua ineficiência.

Como propõe que o estado seja incentivador? Pela educação, pela oferta, pela coacção fiscal (abatimentos para quem consumir cultura)? Resumindo: como "educar as massas"? E com que legitimidade?

E como define "distorção" do mercado? De acordo com um "modelo ideal"? Sempre que o mercado (ou seja, as pessoas agindo de acordo com os seus interesses culturais) divergirem do plano, será o mercado alvo de uma correcção? Ou mesmo um correctivo?

uma política de Gestão Cultural do Estado, transversal a várias tutelas.

Mais centralismo, mais uniformismo, mais planeamento, mais estatismo?

ou

Melhor centralismo, melhor uniformismo, melhor planeamento, melhor estatismo?

5:40 PM  
Anonymous Carlos a.a. contrapôs...

Estimado A.A.

É fácil, com frases feitas, é fácil.
Peço que leia com atenção o que escrevi sem defuntas ideologias de querer mais ou menos Estado.
Defendo um Estado forte, exigente, regulador, fiscalizador, mas nunca centralizador e muito menos determinante no que ao acto criativo diz respeito.
O que defendo é, como disse, a centralização de esforços na escola e provo, como em estudo já o fiz, que o Esatdo gasta menos, controla melhor o investimento e produzirá, a médio prazo, muito melhores resultados.
Some, por favor e se tempo tiver, quanto dispende o Estado no programa de itinerâncias, no programa de difusão cultural, no programa de formação de novos públicos, nas 74 salas de espectáculos distribuídas pelo país, em orquestras sinfónicas, nos teatros Nacionais e no Serviço Público de Televisão e diga-me como é que se pode gastar tanto dinheiro com tão pouco proveito!
Trata-se de uma necessária e urgente reforma administrativa que coloque todos estes recursos em missões e objectivos comuns e não desconcertadamente, como tem sido até agora.

nota final: Mercado distorcido?
Será preciso um modelo ideal para ver o que está à vista de qualquer pessoa de bom senso?

1 - será que alguém desconhece que a PT impede o funcionamento normal do mercado em desfavor dos consumidores?

2 - será que não é visível aos olhos de todos que a concentração da banca privada coloca os seus clientes como seus reféns?

Não são precisos mais exemplos, pois não! Não necessitamos de modelos ideais nem de frases feitas. Necessitamos de alocar muito seguramente os nossos parcos recursos e rentabilizá-los!
E, para esta receita, não precisamos nem de esquerdas nem de direitas, precisamos de gente com bom senso e coragem.

7:54 PM  
Blogger aL contrapôs...

Obrigada, Adolfo! :)

«a minha tolerancia com as companhias nacionais tem que ver com uma concessão minha», ok, entendido. não me pareceu claro que essa tua opinião sobre as Cias. Nacionais, Museus, etc. fossem uma cedência...

9:54 PM  
Blogger AA contrapôs...

como é que se pode gastar tanto dinheiro com tão pouco proveito

Bingo. Nem que seja por este diapasão...

nota final: Mercado distorcido?

1 - A PT está a beneficiar de condições de privilégio. Deveria ter sido dividida e privatizada integralmente; note que foram os contribuintes que pagaram o mal feito aos consumidores...

2 - pergunto eu se algum cliente da banca está impedido de retirar o seu dinheiro e metê-lo debaixo do colchão. Se as reticências são a propósito dos "males" da concentração, abra-se o mercado à banca estrangeira, diminuindo burocracias e requisitos administrativos para o seu funcionamento no país...

9:11 AM  
Anonymous Carlos a.a. contrapôs...

É bem verdade, estimado A.A.!

O monopólio da PT é ilegal e o monstro foi criado e alimentado pelos governos, em especial os do Prof. Cacavo Silva, Guterres e Durão Barroso!
Há, no entanto, dentro desse monopólio, bens muito valiosos que foram pagos directamente pelos contribuintes, nomeadamente a rede de difusão televisiva, através de uma taxa paga na conta da EDP!
Para que fosse possível aparecerem as televisões privadas o governo do Prof. Cavaco Silca, de uma assentada, aboliu a referida taxa e retirou a propriedade da rede de difusão à RTP e entregou-a à PT, alugando por preços muito abaixo daqueles que o mercado praticaria (quase oferecido) às estações privadas.
Não fora esta cosmética de subsidiar indirectamente as televisões privadas e estas teriam morrido à nascença!
Isto são distorções e manipulações, estamos certamente ambos de acordo, mas é bom que se apure que o intervencionismo do Estado é ainda mais grave quando deliberadamente o faz em benefício de entidades privadas!
Estes subsídios encapotados são superiores, por exemplo, à totalidade do orçamento do Mistério da Cultura!

No que à banca diz respeito é evidente que é incompreensível, no momento actual, a proibição podermos, enquanto clientes negociar com qualquer banco europeu.
No entanto, o processo de concentração foi, a todos os títulos vergonhoso! O BPA foi entregue pelo Estado ao BCP; o Totta foi entregue pelo Estado a José Roquete que, após decisão, o vendeu ao Mário Conde; o BPSM foi entregue a Champalimaud que o vendeu também de seguida e por aí fora!
Nenhum destes processos passou directa e apenas pelo mercado bolsista!

12:31 PM  
Blogger AA contrapôs...

No que à banca diz respeito é evidente que é incompreensível, no momento actual, a proibição podermos, enquanto clientes negociar com qualquer banco europeu.

Fazemos o sistema funcionar mal, porque o resultado é inverso ao esperado;

E depois, na base da observação que o sistema funciona mal, não culpamos o intervencionismo, mas sim os mecanismos não-intervencionistas que teoricamente conduzem a resultados análogos, sem os avaliar...

3:25 PM  

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