Quinta-feira, Setembro 28, 2006

O Elogio da Dhimmitude

"Saramago propõe pacto entre Islão e Cristianismo" (Diário Digital)
O Nobel da Literatura José Saramago propôs hoje um «pacto de não agressão» entre o Islão e o Cristianismo, que vá mais além da Aliança das Civilizações, uma proposta da Europa que considerou insuficiente.

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Mais um dislate do "nosso" Nobel, que recupera uma expresão ("pacto de não agressão") que ainda recorda o pacto Pacto Ribbentrop-Molotov de 1939, no qual os então Ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha e da União Soviética, sob procuração de dois dos maiores facínoras do século XX (Hitler e Estaline), concordaram em retalhar a Europa em "esferas de interesse" e abrir caminho à mais devastadora guerra da História.

Não há que render os princípios da Ocidentalidade. Não há qualquer ameaça de destruição do Islão pelo Cristianismo. Antes pelo contrário, como bem refere Saramago:"o que eles fazem agora é o que nós fizemos no passado com a Inquisição, que não era senão uma organização criminosa que queimava as pessoas por questões religiosas ou de sexo".

O fundamentalismo terrorista é criminoso e só pode ser considerado inimigo de cada um de nós, seus alvos indiscriminados. A única resposta é, plagiando um discurso memorável:
Never give in. Never give in. Never, never, never, never — in nothing, great or small, large or petty — never give in, except to convictions of honor and good sense. Never yield to force. Never yield to the apparently overwhelming might of the enemy.

14 comentários:

  1. "o que eles fazem agora é o que nós fizemos no passado com a Inquisição, que não era senão uma organização criminosa que queimava as pessoas por questões religiosas ou de sexo"

    O Saramago reconhecer "isto" faz deste dia um marco histórico.

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  2. Anónimo5:51 PM

    Entrando no raciocínio de Saramago, e mesmo admitindo deixar de fora as religiões Hindu e Budista, seria então preferível um "pacto" tri-bilateral (3 pares de acordos) entre o Cristianismo, o Islamismo e o Judeísmo.
    Ou será que Saramago também já concluiu que a actual ameaça real e latente que impende sobre o Ocidente e o seu modo de vida, afinal, não tem nada a ver com o conflito do Médio Oriente ?

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  3. violante12:56 AM

    Saramago pretende ser um verdadeiro e antecipado eurábico [sem Arafat, claro].

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  4. acciaiuolli1:16 AM

    Never give in, never, never, never proferido a 29 Outubro 1941 em Harrow, leva-nos a uma Marcha da Churchill Music de Norman H. Rutherlyn.

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  5. Mas esse tipo ainda se advoga arauto da asneira?
    Pior: Ainda há quem lhe dê ouvidos e amplifique o que diz?
    Que cumpra a promessa (afinal, Cavaco é PR) e nos deixe em paz!

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  6. Bem, eu diria que _é_ o arauto da asneira, e que sim, a blogosfera ainda faz caso do que diz :)

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  7. Não me parece que DESTA vez Saramago tenha dito algum disparate. Parece-me, sim, que se referia especificamente aos procedimentos internos relativos À sharia, e não ao terrorismo.

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  8. Pedro,

    Querer paz nunca é uma asneira. Mas um "pacto de não-agressão" esquece-se que:

    1) o Ocidente (Cristianismo, ainda bem que não disse "Cristandade") não "agride" o Islão ao exercer a liberdade de expressão; ao prosperar sob o capitalismo, laicidade do Estado, welfare não-discriminatório; ao ter costumes diferentes do mundo islâmico. O Ocidente está no seu direito, algo que foi conquistado contra séculos de obscurantismo endógeno, e representa o triunfo da tolerância sobre os fanatismos.

    2) o terrorismo islâmico agride indiscriminadamente o Ocidente sem razão, motivado unicamente pelo ódio à nossa civilização.

    Não há sequer que pensar em "pactos" com selvagens. Deixem-nos ficar no nosso canto, ululem à vontade, e se cá vierem sejam tratados como selvagens. Os muçulmanos "moderados" (é tão triste termos de usar esta expressão!), obviamente, serão tratados indistintamente como sendo "nossos".

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  9. violante3:03 PM

    Os muçulmanos "moderados", obviamente, serão tratados indistintamente como sendo "nossos".

    Serão ? A mim não me apetece essa distinção e essa condescendência, sem que os ditos "moderados" condenem veementemente e peçam desculpa pelas selvajarias que os outros muçulmanos andam a fazer.
    Se vierem os mouros, que venham, que 'nós' já estamos habituados a lhes tratar da saúde...

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  10. Violante,

    Não considero que uma pessoa seja responsável pelos actos de outra, mesmo que pertençam a um qualquer mesmo grupo. Nem acho que nestes casos devam ser metidas sobre vigilâncias. Criminosos são criminosos. Gente honesta é gente honesta.

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  11. Anónimo5:15 PM

    Islam in Europe
    By Timothy Garton Ash

    http://www.nybooks.com/articles/19371

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  12. Anonymous, obrigado pelo link. E perturbante...

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  13. violante7:27 PM

    AA,
    1. Não considero que uma pessoa seja responsável pelos actos de outra, mesmo que pertença a um qualquer mesmo grupo.
    Qual ? O dos selvagens ?
    Deixem-nos ficar no nosso canto, ululem à vontade, e se cá vierem sejam tratados como selvagens.

    2. Gente honesta é gente honesta.
    Quem ? Os muçulmanos "moderados" ?
    "... como sendo dos "nossos". ['bold' meu], que somos tudo gente honesta ?

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  14. Violante,

    Não encontrará aqui qualquer proposta de discriminação positiva ou negativa de muçulmanos ou do Islão. Nem islamofobia nem multiculturalismos. Isto não quer dizer que não critiquemos severamente a "comunidade muçulmana" por um silêncio que se arrisca a parecer cúmplice. E que desprezemos todos aqueles que estão a sacrificar valores básicos da civilização ocidental...

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