No Desesperada Esperança, o Bruno refere o dumbing down, o processo pelo qual nos media a boa moeda se transforma em má.Depois de dez anos de consolidação contínua, os media portugueses, como os seus homólogos estrangeiros, começam a sofrer a concorrência de novas formas de comunicação. O sector audiovisual ainda está resguardado, mas a imprensa escrita tradicional já começou a sentir o embate. Os blogues ainda fazem pouca mossa, mas as edições online estruturadas agigantam-se, e a imprensa gratuita está instalada.
Observamos o mesmo processo de desartesanalização que ocorre sempre que novas tecnologias destronam aquelas que fazem obsoletas. Os processos anteriores faziam-se com profissionalismo e uma qualidade comprovada, que derivava de métodos testados e calibrados ao longo dos tempos. As novas formas de comunicar industrializaram o processo, é aparente uma quebra na "qualidade" do produto. Aconteceu o mesmo com os camiseiros e as lojas pronto-a-vestir.
O "camiseiro" mais famoso da nossa imprensa escrita tem decaído no desleixo, e sofre agora o desafio de outro, mais adaptado ao tempos modernos (o site do Sol é uma aposta ganha).
No passado fim-de-semana, a comparação era entre o eucalipto folhado e o Sol. Este fim-de-semana, a comparação fez-se entre o Sol e a edição de sábado do Público, à qual sou fiel há muito tempo. E no próximo, penso que regressarei à minha rotina de jornal diário, sites e blogues...
[ Faltou referir a revista solar "Tabu", muito boa para tardes sonolentas de fim-de-semana, e prova última que a natureza mediática não tem horror ao vácuo. Três excepções: as excelentes ilustrações de ponta "Na terra como no céu" do Nuno Saraiva, a página "cinco sentidos" da nossa sempre atordoante Charlotte (ficam os sentidos todos baralhados!), e a esperança que Paulo Portas, ontem a discorrer sobre Ataturk, relembre às novas gerações o que fazia noutras paragens... ]
Lamento dizer, mas o Portas está muito sabujo (a opinião não é só minha) e pretensioso! Parece o Esteves Cardoso, no requentado expresso... Enfim! A imprensa escrita nunca primou pela originalidade - prefiro um bom "economist" ou o "der spiegel", regado diariamente pelo "FT". Aí sim...
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