Our theory consists only in observing universal facts, universal attitudes, calculations, and procedures, and at most in classifying and coordinating them so as to understand them better.
Frédéric Bastiat, Economic Sophisms, Theory and Practice
"A Arte da Fuga" ("Die Kunst der Fuge", BWV 1080) é uma obra-prima de Johann Sebastian Bach:
um único tema musical persegue-se, a si mesmo e as múltiplas variações, num diálogo musical intenso desenvolvido a diversas vozes, rico de simetrias, inversões, ritmos e tempos diferentes.
Fugas para aartedafuga@gmail.com
Our theory consists only in observing universal facts, universal attitudes, calculations, and procedures, and at most in classifying and coordinating them so as to understand them better.
O mesmo poderá dizer-se, em geral, de todas as áreas do conhecimento: de médico e louco, todos temos um pouco. Mas nem sempre as aparências são evidências.
ResponderEliminarFréderic Bastiat foi um panfletário satírico que, entre outras coisas, jocosamente advertiu para os perigos do "concorrente" Sol quando a França, em meados do sec. XIX, decidiu aumentar os direitos de importação. O Sol, produtor a baixo custo de energia, é um formidável concorrente de todos os que na Terra vivem do negócio da energia. Por isso mesmo Bastiat ironizava propondo várias formas de evitar a entrada do Sol para não prejudicar os produtores franceses ligados ao ramo.
Mas a ironia de Bastiat é reversível: o neoliberalismo, em geral, recusa as projecções que apontam para o esgotamento, a médio prazo, dos recursos não renováveis e insiste que, até prova em contrário, enquanto a OPEP mantiver os preços a níveis competitivos o melhor é gastar o que há e logo se verá.
Ora o Sol é um generoso produtor de energia mas o aproveitamento dela, como substituto das energias não renováveis tem os seus custos.
Que, por enquanto, são relativamente elevados. A menos que o Estado intervenha com medidas que os neoliberais condenam: por exemplo, tornar obrigatória a instalação de paineis solares em todos os novos edifícios.
Um neolib verá nesta imposição qualquer coisa de semelhante aos impostos aduaneiros que inspiraram a verve do sr. Bastiat. Para um neolib, suponho, nenhum favorecimento é legítimo mesmo que seja o de proporcionar algumas vantagens ao Sol.
Que diria disto, Bastiat?
As melhorias na tecnologia de recolha e tranformação da energia do sol, ou a generalização da instalação de painéis solares, surgirão naturalmente com o declínio das energias não renováveis. Não é preciso forçar...
ResponderEliminarSe o Gonçalinho acha...
ResponderEliminarCaro fonsecarui,
ResponderEliminarEu sugiro que não se fique pela petição dos fabricantes de velas e procure ler outras obras de Bastiar, nomeadamente os Sofismas Económicos.
Se se mantiverem administrativamente os preços dos combustíveis fósseis, as reservas actuais conhecidas muito provavelmente esgotar-se-ão.
Acontece que à medida que forem sendo consumidas, o seu preço aumenta. E quando aumenta, torna viável a prospecção e exploração de outras reservas (algumas das quais não conhecemos a existência). E quando estas se tornarem rara, o processo continua.
Até as energias alternativas passarem a ser mais competitivas.
Obrigar as pessoas a instalarem uma tecnologia pouco competitivo, para além de ser uma agressão, é economicamente estúpido.
O país não fica mais rico obrigando a gastar em meios económicos pouco eficiente. Nas palavras de Bastiat, ilegalizando o uso da mão direita.
Melhor, transcrevo dois parágrafo que terminam o capítulo de onde foram tirados os do post:
And what purpose does it all serve? Face up to it frankly. You want to prove that we consumers are your property! That we belong to you, body and soul! That you have an exclusive right over our stomachs and our limbs! That it is your prerogative to feed and clothe us at your price, whatever may be your incapacity, your greed, or the economic disadvantages of your situation!
No, you are not practical men; you are impractical visionaries—and extortionists.
"Se se mantiverem administrativamente os preços dos combustíveis fósseis, as reservas actuais conhecidas muito provavelmente esgotar-se-ão."
ResponderEliminarCaro António Amaral,
O assunto tem vários vértices, pegar em todos eles é problemático.
Pegando no seu comentário em referência, percebo mal que V. chame às decisões de um cartel uma decisão administrativa.
A OPEP, contudo, não representa a totalidade dos produtores de crude, como bem sabe.
De qualquer modo, o cartel existe e fixa as regras do jogo.Como é que o podemos desmantelar?
Imaginemos, contudo, que vamos ser capazes de o fazer.O que é que acontece? Os preços sobem, dirá V., porque só subindo os preços se reduzirá a procura por desvio para outras alternativas. Certo?
Errado. Sem cartel os preços baixarão. É para manter os preços a níveis considerados compensadores que o cartel existe. Ou não?
De modo que o cartel, a fixação administrativa dos preços, como V. lhe chama, tem sustentado os preços e a redução dos consumos. Esta situação, aliás, foi muito nítida na crise de 1973, quando o aumento inusitado dos preços desencadeou políticas de poupança de energia um pouco por todo o lado.
O sr. Bastiat, se fosse vivo, ficaria admiradíssimo com isto, garanto-lhe. E a sua verve vergaria um pouco. Já que, ao que se sabe, ele não era tipo para vergar muito.
Caro fonsecarui,
ResponderEliminarNão tenho interesse em continuar um debate em que me atribui pensamentos tão absurdos quando achar que os cartéis mantêm os preços baixos.
Quando tiver descoberto uma qualquer afirmação minha nesse sentido, por favor traga-a à minha atenção.
"Se se mantiverem administrativamente os preços dos combustíveis fósseis, as reservas actuais conhecidas muito provavelmente esgotar-se-ão."
ResponderEliminarEsta a frase da discórdia. Vamos desdobrá-la:
"Se se mantiverem administrativamente os preços dos combustíveis fósseis" Quem é que fixa administrativamente os preços dos combustíveis fósseis? Os preços do cf, deduzidos os impostos, que são muitos, e aumentam os preços finais, dependem dos preços do crude. Certo?
Quem fixa os preços do crude? A OPEP. Certo?
"as reservas actuais conhecidas muito provavelmente esgotar-se-ão."
Se se esgotam não será por os preços serem altos (aumenta o preço, baixa a procura) mas por serem baixos (baixam os preços, aumenta a procura)
Quem baixa ou sobe? Já vimos que um Cartel, a OPEP. Certo.
Donde qd. os cf esgotar-se-ão por manutenção (de preços baixos) por parte da OPEP.
Ou não? Sinceramente, não vejo que possa ter cometido, inadevertidamente, um qualquer erro falacioso. Mas V. dirá sff.
Caro fonsecarui,
ResponderEliminarOs preços podem ser "administrativamente" fixados e mantidos, contrariando a variação natural do mercado, por um de dois meios:
- por acção de um cartel que os fixa acima do preço natural de mercado;
- por acção dos governos que querem recolher os benefícios políticos de preços fixados abaixo do que seriam num mercado livre.
Se o preço de um recurso escasso e finito é mantido, a procura tenderá a esgotá-lo, seja o preço inicial "baixo" ou "alto".
Se o preço é inicialmente "alto" (cartéis), este processo é mais lento, porque a procura não se satisfaz tão depressa. Se o preço é "baixo" (governos), mais depressa se esgotará.
Se um recurso "começa" com um preço "alto", à medida que vai sendo consumido e "esgotado", torna-se mais difícil explorar. Aumentam os custos de produção. Passa a não compensar explorá-lo aquele preço. Passa a ser "baixo".
Mantido ao mesmo preço ("alto" e "baixo" é relativo), conduzirá ao esgotamento do recurso para aquele preço (porque a preços superiores, pode ser vantajosa a exploração com custos superiores).
Os cartéis, quando eficientes, têm o poder de fixar preços de venda. Não interessa aos cartéis fixar preços abaixo do preço de mercado porque estariam a perder dinheiro. Ao fixarem-nos acima acima do mercado, procuram ganhar mais dinheiro, mas também adiam o "esgotamento" do recurso, e promovem o aparecimento de alternativas. Os cartéis são "amigos" dos "preservacionistas" - mas não, claro, dos abolicionistas.
Se os cartéis actualizarem os preços, e os mantiverem "altos", o recurso nunca se esgota.
No caso prático: a OPEC é um cartel, mas um cartel patético em termos de eficiência económica. Não tem qualquer poder de fixação de preços. Justamente porque não congrega todos os países e empresas produtoras de petróleo e afins. Decidindo um boicote ou concertação, há sempre um fura-greves e reservas para quem quiser fazer fortunas a vender a menos um cêntimo que o cartel.
ResponderEliminarA OPEC não tem verdadeiro "poder económico", mas tem poder político. Esse é o lado repugnante da coisa. Não é um cartel de produtores, mas de países produtores, de Estados, muitos dos quais albergando regimes facínoras, com propósitos políticos.
Uma empresa não tem nada em ganhar em negar serviço aos seus clientes. Países e organizações multinacionais, por motivos ideológicos, sim. É esse o "problema" da OPEC.
E nota final: para desmantelar a OPEC, basta abrir o mercado, como tem sido feito. A concorrência é o melhor e mais eficiente mata-cartéis. Uma alternativa é bombardear os países aderentes.
Caro António Amaral,
ResponderEliminar"Se o preço de um recurso escasso e finito é mantido, a procura tende a esgotá-lo..."
Qualquer análise mostra que a evolução dos preços do crude tem sido tudo menos constante.
"No caso...da OPEC...não tem qualquer poder de fixação dos preços"
????????? Esta, francamente, não percebo. Devemos estar a falar de coisas diferentes. Não só por aquilo que lemos e ouvimos mas também porque há algumas obras fundamentais para o conhecimento dos meandros deste negócio que ilustram bem a influência decisiva da OPEC não só a nível económico mas também da estratégia global, desde a sua criação.
Deve conhecer mas de qualquer modo recomendo-lhe "The Prize" , de Daniel Yergin, que foi Pulitzer Prize há uns anos atrás.
"Para desmantelar a OPEC, basta abrir o mercado, como tem sido feito...Uma alternativa é bombardear os países aderentes"
Para um neoliberal (desculpe se estou a ofendê-lo) é uma solução contratidória. Para quem se bate pelas opções individuais com tanta gana como as compatibiliza com esta resolução "à bomba" se elas não coincidem com as suas?
Não estou a dizer que a OPEC não seja um cartel. Dificilmente se arranja um exemplo melhor.
ResponderEliminarEstou a dizer que o seu "poder económico" é hoje muito limitado, anos depois das crises energéticas dos anos 70.
É verdade que detém capacidade para influenciar preços, mas não fixá-los, muito porque o sector é extremamente competitivo, e más práticas comerciais acabam por ser penalizadas a médio-prazo.
Já que estamos nisso, recomendo "Uncle Sam's Energy Mess" de William Anderson...
Quando à parte das bombas, era sarcasmo.