quinta-feira, outubro 12, 2006

Mulher de César

É evidente que à mulher de César se torna necessário que pareça séria, seja ou não tal seriedade verdadeira. Mas não deixa de ser uma injustiça que uma mesma coisa, dita com a mesma entoação, seja encarada de forma totalmente diferente consoante a pessoa que a diz. Um disparate deixa de ser um disparate apenas porque foi a pessoa A que a disse e não a pessoa B? Haverá pessoas que têm de fazer mais esforços que outras para parecerem sérias?
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Numa recente entrevista, Maria José Nogueira Pinto revelou que antes de tomar uma decisão importante vai comprar roupa para a Zara. Disse ainda que uma mulher que não se pinta nem usa um berloque é desmazelada e tendencialmente não terá o jantar pronto a horas. Quantas mulheres políticas poderiam ter dito coisas semelhantes sem serem consideradas, como direi, deslocadas da realidade?

Não há pouco tempo, Joana Amaral Dias esteve num programa não cientifico nem de debate político da SIC Mulher onde, entre outras coisas, discutiu, com uma naturalidade muito desejável, o orgasmo feminino e a vida sexual dos portugueses. Quantas mulheres políticas poderiam fazê-lo, daquela forma, em televisão, sem serem consideradas ligeiras?

Marcelo Rebelo de Sousa costumava oferecer presentes aos seus entrevistados na TVI. Contaram-me que até um leitão da Bairrada, em directo, foi oferecido. Assim como perorava semanalmente desde sítios tão diversos como o estúdio da TVI ou Roland Garos. Quantos homens políticos poderiam faze-lo sem perderem a credibilidade ou serem acusados de populismo?

2 comentários:

  1. parece-me que tudo o que fazem ou dizem contribui para a sua credibilidade. Se saber que a zézinha cozinha ou limpa o pó junto de alguns lhe granjeia simpatia a mim este tipo de declaração só faz pensar que ela é tontinha. No entanto eu vou esquecer-me das declarações enquanto no povo permanece talvez a imagem de simpatia. Trata-se de fazer contas... há algo em comum nisto tudo, uma dose enorme de Vaidade e em querer aparecer e ser visto. A tal frase de "falem de mim, mal ou bem..."

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  2. Pois, as asneiras de Santana Lopes quando saídas da boca de José Sócrates já não têm aquele sabor... escandaloso.

    Um gajo é para o que nasce!

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