"A Arte da Fuga" ("Die Kunst der Fuge", BWV 1080) é uma obra-prima de Johann Sebastian Bach:
um único tema musical persegue-se, a si mesmo e as múltiplas variações, num diálogo musical intenso desenvolvido a diversas vozes, rico de simetrias, inversões, ritmos e tempos diferentes.
Fugas para aartedafuga@gmail.com
Segunda-feira, Outubro 02, 2006
Uma lei estúpida
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Contudo, não se tenha ilusões. Perante um enquadramento legislativo diferente do que existe, há dispensa de trabalhadores. A lei é má. As novas regras destróiem emprego.
Há postos de trabalho que desaparecem, e pessoas que vão parar ao desemprego. Recebem subsídio (cada vez mais racionado). Sobreoneram fiscalmente o mundo empresarial e tornam menos sustentáveis os postos de trabalho sobreviventes. Há uma menor oferta e uma maior procura de emprego: os salários descem ou não sobem.
O mercado laboral torna-se mais rígido porque passa a ser mais difícil despedir. A Economia fica menos atractiva para os investidores, e há menos actividade criadora de riqueza (e receitas fiscais). As empresas tornam-se menos capazes de se adaptarem às circunstâncias e atenderem às necessidades dos consumidores: os serviços pioram.
É sempre possível voltar atrás, mas entretanto criou-se uma "segurança" artificial para os trabalhadores que de facto mantiveram o emprego. O retorno a uma situação em que havia mais emprego, pela abolição da lei que a provocou, torna-se impopular porque há quem alegue demagogicamente que "provoca desemprego".
Nada disto é fenomenalmente difícil de compreender. A bondade da lei demonstrou-se ainda antes de ser aplicada. É má. É preciso uma vontade demente em fazer de conta que a realidade muda por decreto para ignorar mecanismos que estão explicados em todos os livros de economia.
Quando o Governo vem dizer que já esperava que a nova lei tivesse este efeito, confirma que não tem escrúpulos em brincar despreocupadamente com a vida e o trabalho dos cidadãos. Não importa ao executivo ser visto como infantil, incompetente e irresponsável, porque prefere sacrificar o país em nome de ideologias populistas, estúpidas e irracionais.
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Quer dizer que será mais difícil despedir os gestores incompetentes que grassam nas nossas empresas. Com efeito, concordo que a lei laboral deveria ser mais facilitadora dos despedimentos, mas com o efeito desejado. Deveria ser como a água, quando lava, e por efeito da gravidade, começa de cima para baixo...
ResponderEliminarO comentário anterior fala, como é óbvio, do despedimento por incompetência. Tanto quanto sei, em Portugal, ninguém pode ser despedido por incompetência, a não ser que provoque um cataclismo. Logo, depreendo que o autor daquele comentário concorda que a lei é estúpida.
ResponderEliminarGonçalo, claro que é possível. Por exemplo se elaborares estudos propondo a reforma da administração local... ou se fores Ministro e publicares artigos críticos da política expansionista do Governo...
ResponderEliminarCaro Gonçalinho
ResponderEliminarAbsolutamente.
Mas agora pergunto, será que os trabalhadores têm de pagar pelos erros de gestão? É claro que há bons e maus trabalhadores. O problema é que os gestores portugueses são pouco pragmáticos e muito "chico espertos". Querem uma lei que facilite o despedimento para voltar a contratar mais barato. É a continuação na aposta dos baixos salários.
O verdadeiro gestor (ou competente) é aquele perante a adversidade procura tirar partido do que tem de melhor na empresa que é o capital humano.
Agora, quando olhamos para uma classe de gestores com "cara de pau", como é o caso do Compromisso Portugal, mais preocupados com as regalias do que em trabalhar...Enfim!
Outra questão, embora não disponha de dados concretos é sabido que em Portugal os salários são dos mais baixos da Europa. No entanto, também é sabido que os quadros de topo portugueses são também dos mais bem pagos da Europa. Como explicar esta contradição?...
Se fossem competentes ao ponto de poderem merecer essa remuneração certamente que as empresas portuguesas seriam extremamente competitivas a nível internacional. No entanto isso não se verifica.
Alguém me explique...
Caro Eumesmo,
ResponderEliminarSe fossem competentes ao ponto de poderem merecer essa remuneração certamente que as empresas portuguesas seriam extremamente competitivas a nível internacional. No entanto isso não se verifica.
As empresas pertencem aos accionistas, a maior parte dos quais tem um objectivo único: fazer dinheiro. Cabe às administrações julgarem o "merecimento" do salário dos gestores, e não a qualquer observador.
O verdadeiro gestor (ou competente) é aquele perante a adversidade procura tirar partido do que tem de melhor na empresa que é o capital humano.
Não há tal coisa como "verdadeiro" gestor. Há os que produzem mais ou menos riqueza, e os que a perdem. Para maximizarem a riqueza produzida, têm de tirar o melhor partido de todos os recurso, incluindo (mas não exclusivamente) os humanos. Mesmo no que diz respeito ao capital humano, é da competência dos gestores melhorar continuamente a sua equipa, algo que se torna difícil ou impossível quando é praticamente proibido despedir.
Mas agora pergunto, será que os trabalhadores têm de pagar pelos erros de gestão?
Não, pagam os accionistas, são eles que têm capital investido e que podem perder. O trabalhador recebe dinheiro para trabalhar. Se for despedido não perde nada, apenas deixa de ganhar.
Querem uma lei que facilite o despedimento para voltar a contratar mais barato. É a continuação na aposta dos baixos salários.
Os gestores querem o maior retorno para o seu dinheiro. Se só se interessassem por salários baixos, contratariam vagabundos da estrada. E depois iriam à falência.
Num mercado laboral competitivo, os melhores custam caro, e há concorrência pelo serviço de todos os trabalhadores, ao preço de mercado da sua força de trabalho.
É quando ao mercado é permitido contratar o máximo de gente que se gera saudavelmente escassez de trabalhadores (é saudável porque apesar de haver pouca gente disponível para as empresas, as pessoas estão a trabalhar) e o seu preço (salários) sobe. O processo inverso está descrito no post.
Não é com uma má lei que se combatem más práticas. Antes pelo contrário.
ResponderEliminar"Algumas forças políticas aplaudirão a iniciativa legislativa, decerto preferindo que tivesse efeitos retroactivos e que trabalhadores "injustamente" dispensados por mútuo acordo fossem readmitidos"
ResponderEliminarEstamos a falar de que lei? Da lei que determina que o valor das indeminização por mutuo acordo será deduzido no subsidio de desemprego (penso que é a unica lei a dificultar as rescisões por mútuo acordo que está na mesa)?
É que se fôr essa lei, a passagem acima do AA não faz grande sentido (quem são essas forças politicas que gostariam que a lei tivesse efeitos retroactivos, ou seja, que os trabalhadores "injustamente" dispensados por mútuo acordo tivesse que devolver o subsidio de desemprego entretanto recebido?)