O modelo de Singapura (2)
No mesmo post, respondi a um comentário do Tiago Mendes, de uma forma algo desanimada e atabalhoada, fruto de algum cansaço:
Por outra via, chegou o Henrique Raposo a uma reflexão semelhante:
Por outra via, chegou o Henrique Raposo a uma reflexão semelhante:
A grande ameaça que a China representa não é a tal multiporalidade estrutural: um peso material que vai pôr termo à hegemonia americana na balança de poder. A grande ameaça chinesa não é material mas normativa. É que a China pode representar um sistema político legítimo alternativo à democracia liberal representativa. O modelo chinês de capitalismo iliberal (capitalismo não é sinónimo de constitucionalismo liberal) pode servir de modelo legítimo para países na América do Sul, África e, obviamente, Ásia. Não há fins de História.
tema por AA em 21:33












7 Comentários:
Segundo me contaram, em Singapura há um slogan que é:
Not being nice to your fellow citizen carries consequences.
Muito Brave New World.
sem dúvida...
A Suécia, à semelhança do resto da Europa, tem problemas muito sérios mas apesar de tudo goza de substancial liberdade económica (nalguns aspectos, como na regulação do sector financeiro, até mais do que Singapura).
E em relaçãoaos problemas, pelo menos na Suécia têm sido dados alguns passos na direcção certa: o peso da despesa pública (elevadíssimo) tem vindo a ser reduzido e foi introduzido um pilar de capitalização na segurança social (ainda insuficiente mas mais do que na maioria dos países da UE).
Não esquecer também a recente eleição de um governo de centro direita que promete (veremos se cumpre) ser mais market-friendly (um governo com forte representação do Timbro, por exemplo, algo que seria absolutamente impensável há 20 - 10? - anos atrás).
Em termos dinâmicos, creio que países como Portugal ou a França estão bem pior.
"É que a China pode representar um sistema político legítimo alternativo à democracia liberal representativa."
O que é legitimidade política, neste caso?
O que é legitimidade política, neste caso?
Excelente questão... Em Singapura, o Poder faz-se legitimar por processos democráticos corrompidos— é claramente ilegítimo. Na China, nem pouco mais ou menos...
Já agora, este artigo:
http://www.atimes.com/atimes/Asian_Economy/EG12Dk01.html
Muito interessante.
Mas claro que esses entraves administrativos (condenáveis) não são ruthless capitalism, mas sim ruthless socialism— o capitalismo não se compagina com a intromissão do poder político na arena económica. O socialismo disso depende...
Refira-se ainda que no Oriente há muita cartelização por via cultural: há códigos de negócio (formais, mas "a"legais) vedados a agentes exteriores...
Faça um contraponto! (comentário)
Continuar a ler o A Arte da Fuga!