segunda-feira, novembro 20, 2006

Salário Mínimo

José Sócrates disse na sessão de encerramento do XV Congresso do Partido Socialista que o aumento do salário mínimo "permite agora que se possa usar o salário mínimo, de forma responsável mas ambiciosa, como um instrumento de combate à pobreza e de redução das desigualdades".

O que José Sócrates se esquivou a revelar foi o de que essa medida é mais um passo no afastamento de Portugal do modelo finlandês, tão elogiado por aquelas bandas. É que a Finlândia, assim como todo o paraíso escandinavo, não tem salário mínimo. Porque será?###

Os mais cepticos dirão que não têm, porque não precisam. Porque já são ricos. Ora, tanto quanto sei, o dinheiro não nasce nas árvores. Assim como também não consta que aqueles países tenham vivido desde sempre em abundância. Mas ficaria por explicar por que razão o Chipre ou a Itália ou até a Áustria e a Alemanha dispensam aquela medida tão popular.

Seria, de facto, interessante, que José Sócrates perdesse algum do seu tempo a explicar de que forma pode o aumento do salário mínimo contribuir para combater a pobreza. Provavelmente, José Sócrates nem sequer admite, como aliás acontece com a esmagadora (se não totalidade) dos nossos deputados, que o aumento do salário mínimo possa ser prejudicial para esse combate.

Seria importante que José Sócrates explicasse como vai impedir que, aumentando o salário mínimo, aumentem também os custos das empresas e consequentemente os preços dos bens e serviços por ela produzidos. E que explicasse como vai conseguir que o salário que cada um recebe não se revele, afinal, insuficiente para corresponder a esses aumentos.

Seria igualmente relevante que José Sócrates evidenciasse de que forma vai conseguir que os aumentos de preços não prejudiquem as empresas envolvidas, impedindo os consumidores de deixarem de lhe comprar os seus produtos e assim evitando que essas empresas tenham de dispensar trabalhadores.

8 comentários:

  1. Salário mínimo, proveito máximo para o Governo, que decide e as empresas que paguem.

    O assunto não é pacífico mas, no nosso caso,presumo que os efeitos negativos superam alguns méritos.

    O número de trabalhadores que recebem o salário mínimo rondará os 5% e encontram-se, sobretudo, na construção civil, nos têxteis e na restauração.

    Portugal tem uma parte significativa da economia em concorrência com países de mão de obra barata. Os optimistas de serviço acham (e bem)que Portugal necessita de fugir destes segmentos e procurar os de mais elevado valor acrescentado. O problema é que isso não se faz de um dia para o outro. Pessoas não qualificadas, que já passaram a barreira dos 40/50 anos, e são muitas, não são facilmente reconvertíveis. Muitos, se perdem o emprego em consequência de deslocalizações, caem fatalmente no desemprego e do respectivo subsídio.

    Os sindicatos, tão combativos pelos direitos dos trabalhadores, defendem quase exclusivamente o emprego dos instalados.

    De modo que, meu caro António Amaral, ao menos uma vez estaremos de acordo.

    À política de subsídio de desemprego, a que conduz, em parte, o salário mínimo, prefiro o subsídio garantido, via fiscal, aqueles que, trabalhando, não atingem determinado rendimento mínimo. Como nos EUA.

    Mas, neste caso, suponho que já não está de acordo comigo, não é assim?

    Mas sabe porque é que nenhuma das organizações patronais põe o salário mínimo em causa?

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  2. Apesar de compreender a distração, caro Rui Fonseca, porque eu próprio já me enganei, o autor do post não é o António, mas o Adolfo Mesquita Nunes.
    Regressando ao post:
    Os governos nacionais não se arriscam a perder nas sondagens. Uma medida deste género equivale a pontos na opinião pública, é tudo. Demagogia á custa do dinheiro público e do futuro económico do país.

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  3. Pois é Gonçalo, ainda não é desta que o Rui teve o prazer de concordar com o António :)

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  4. Havia de ser bonito em Portugal se não houvesse salário mínimo....e em qualquer caso antes o desemprego ao subemprego.

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  5. As associações patronais não põem o salário mínimo em causa porque representam as empresas em operação, e entre estas, as que têm mais peso económico, as que pagam acima do salário mínimo.

    O salário mínimo implica as empresasm arginais (em termos económicos, claro) na margem fechem as portas, e que empregos não sejam criadas. As empresas no activo vêm a procura de emprego aumentar, pelo que podem não aumentar os seus próprios trabalhadores. Os salários mínimos baixam o salário médio.

    Por outro lado, as empresas no activo ficam blindadas contra a concorrência, que não tem hipóteses de undercutar preços de venda ao consumidor pelo lado do custo do trabalho (não só porque não podem oferecer abaixo do salário mínimo, como pelo facto dos salários médios descerem).

    É uma política que protege o status quo (os que "têm") em deterimento de quem lá quer chegar (os have-nots).

    Curiosamente, quem fica de fora recebe ajuda "do Estado", o que implica que as empresas paguem mais impostos, os seus trabalhadores sejam mais mal pagos, os bens e serviços sejam menos e de pior qualidade, e a Economia seja mais restringida e portanto crie menos emprego.

    O socialismo é perfeito para reduzir desigualdades - nivelando por baixo.

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  6. Caro Rui Fonseca,

    Eu sou "contra" intromissões do Estado em contratos privados. Se uma pessoa quiser trabalhar para outra (ou uma empresa) por menos do salário mínimo, deve poder fazê-lo.

    E esse trabalho ("subemprego", Pedro?) não deve ser subsidiado, porque assim estaria a ser promovido (o Estado estaria a satisfazer as pretensões salariais dos trabalhadores, desobrigando as empresas de o fazerem)...

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  7. que horror o salário mínimo?
    não percebo bem porquê, numa economia completamente liberalizada, com um Estado mínimo ( de preferência até as forças de segurança seriam privadas para assegurar de forma independente a liberdade da propriedade privada) e ausência de impostos, também está instituído um salário mínimo. É igual a zero.
    E alegremo-nos porque não é só na Finlândia, na Somália também não há salário mínimo.

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  8. Mas a Somália é um país de cidadãos livres...?

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