segunda-feira, Julho 31, 2006

Chão da Lagoa

Pelo terceiro ano consecutivo, o A Arte da Fuga tem o prazer de registar os momentos mais importantes da Festa do Chão da Lagoa.

(video wmv <- clica aqui se não és um maricas colaboracionista!)
"País precisa livrar-se de José Sócrates" (Jornal da Madeira)
Síntese da intervenção de Alberto João Jardim, de Jaime Ramos,
de Miguel Albuquerque, do líder da JSD-M (DN/M)

O Estado da Nação... [act.]

...a fazer de conta que a Nação é do Estado:

- "Estado perde 426 M€ nas suas 139 empresas" (Dinheiro Digital)
- "Défice da Administração Central sobe mais de 6 vezes em Junho" (Diário Digital)

As usual

Vital Moreira quer que Israel se porte com a dignidade e a legitimidade das democracias, mas é o primeiro a confudir-se sempre que Israel, com essa dignidade que nem todos têm, respeita a imagem dos mortos que tem do seu lado e protege as pessoas que vivem no seu solo.

Vater unser im Himmelreich

(clicar para ouvir)
link
Felix Mendelssohn, Sonatas Op.65, 6. Vater unser im Himmelreich ("Pai nosso que estais no Céu")

Disse-o com excelência

"Bom ministro" de António Ribeiro Ferreira n'O Estado do Sítio:
Luís Amado, ministro da Defesa, está a pôr o dedo nas verdadeiras feridas desta Europa. Afirmou que a política externa da UE é uma enorme confusão. Pois é. Começa a perceber-se muito melhor a fúria dos Torquemadas anti-semitas da esquerda quando Sócrates nomeou Luís Amado para o lugar do inenarrável Freitas. E começa também a ficar cada vez mais claro o que une os terroristas, os nazis e esta esquerda e uma certa direita anti-semitas.

em Veneza

Altamente recomendado a quem goste dos géneros literários do horror e da fantasia:


"The Ghost-seer" de Friedrich von Schiller

Os eternos credores

Numa das suas crónicas, Pedro Arroja explicava o espírito dos "eternos credores". Dizia que era característico da Igreja Católica, uma entidade que vendia a salvação eterna— um bem com um valor de mercado praticamente infinito, que nenhum dinheiro podia pagar. Esse espírito teria transitado para a Universidade, uma instituição de génese religiosa, e explicaria a magnanimindade com que se conduzem os seus agentes, para os quais a Educação é uma nova religião.
###
O espírito do "eterno credor" evidencia-se naqueles que de entre nós detêm poder sobre os restantes. Não há especialista que não defenda que "a prioridade nacional" é "apostar" (com o dinheiro dos outros) na Educação, ou na Saúde, ou no Civismo, ou na Poupança, ou nas Energias Alternativas, ou no Urbanismo, ou nas Novas Tecnologias, etc etc etc e etc. O político é o especialista em coisa-nenhuma, que vê na Política a salvação nacional; e o burocrata aquele que vê na sua função o alfa e o ómega de tudo o que existe. Comungam de uma certeza inabalável nos seus conhecimentos e de um altruísmo sobre-humano.

Mas o espírito do "eterno credor" também vive no tirano que há em cada um de nós. Cada um de nós tem o poder de moldar a sua própria vida, e de influenciar aqueles que o rodeiam. Tem o poder, em suma, de controlar um décimo milionésimo da população do país, e de interagir com outras semelhantes fracções. Mas não basta. Para a maior parte das pessoas, não basta saber que é melhor para si e para os seus, é preciso que obrigue os outros a viver essa visão esclarecida. Se eu sou saudável, todos temos de ser; se eu sou instruído, todos temos de ser. Aquilo que que eu defendo cria "externalidades positivas". O contrário, irremediáveis danos à "sociedade". Como a força é reservada ao poder político e burocrático, geram-se "consensos" uniformizadores, para todos insuficientes e inaceitáveis, constantemente discutidos e debatidos— para determinar que vida os outros devem ter.

A esta intoxicação geral chama-se colectivismo e todos deixa material e humanamente mais pobres.

sábado, Julho 29, 2006

Nuevohablar - Ley de Memória Historica

Trinta anos depois, o Governo espanhol propõe-se remexer no baú do franquismo, abrir velhas feridas, e reescrever por decreto a assimilação da História que a sociedade espanhola já fez (que han sabido tratar su memoria histórica colectiva sin necesidad de ley alguna y han transformado la diferencia ideológica en un valor democrático, no en una causa de división).

A par da rehabilitación oficial, en nombre del Estado, de todas las víctimas de la Guerra Civil y la represión franquista, o Governo propõe um saneamento de interpretações erradas pela proibição de símbolos alusivos e proibição expressa de celebrar actos políticos, de exaltación de la Guerra Civil o de la dictadura.

Uma verdadeira lição de democracia aos que que pensam que as liberdades devem ser cultivadas pela convivência cívica e não pela acção firme e resoluta de quem governa os povos.

♪ Toward the sea

(clicar para ouvir)
http://aguava.com/sound/TowardTheSea-1.mp3
Tōru Takemitsu, Toward the Sea

sexta-feira, Julho 28, 2006

Momento Intimista do Dia

Também queria poder falar sem verbalizar ou escrever. Sei que os talentos não se arregimentam ou conquistam, mas esta insuportável vontade de te supreender não tolera a lucidez. Como um espelho que reflecte e devolve, queria ser. Como uma luz, que presente e pressente o que há de ver-se, queria ser. Sem ter de interromper o reflexo ou a luminosidade com algo tão barulhento como as palavras. Mesmo estas.

Espelhos como este ( Isabelle Faria, Mirror #3), na Galeria 111, no Porto, até amanhã.

Onde parar é da função

Anteontem, quarta-feira, cirandando pelas lojas, vi uma camisa que me agradou e que decidi comprar. Perguntei se tinham o meu número de colarinho. Já não, só se mandassem vir do Porto. Do Porto? Sim, mas poderia demorar um pouco a chegar. Antes de sábado? Talvez não, mas sábado sim. Eu referia-me à próxima semana, o assistente à semana que está agora a acabar. Claro que sim. Um telefonema resolveu o assunto: já não havia o meu número. E lá me fui embora, bem impressionado com o serviço, mas a amaldiçoar a época de saldos que perturba até as lojas que não os fazem.

A loja não teve a mínima hesitação em oferecer o transporte de um artigo que estava a 300km de distância para fazer uma venda pelo preço tabelado. Estes custos estão incorporados nos preços, mas é significativo que a prioridade seja servir o cliente, mesmo que seja preciso mover mundos e fundos. É assim que se passa em qualquer empresa que quer prosperar. Onde eu trabalho se for preciso para agradar ao mercado, não hesitam em mandar pessoal e equipamento para qualquer parte do país ou do estrangeiro; e trabalhadores e capital são transferidos entre departamentos ou empresas do grupo. E tudo isto porque na presença de concorrência, parar é morrer.

Tão abissal é a diferença para o sector estatal, que funciona na lógica da repartição, do cadastro e do recenseamento; onde não se transfere um trabalhador, um documento ou um equipamento sem um comboio de assinaturas, selos brancos e despachos; onde o cidadão é tratado com indiferença, hostilidade e desconfiança, tendo de fazer prova presencial de que é uma entidade metafísica e que a cor do gato da vizinha é permitida por lei. Onde as estruturas se eternizam, apáticas, inertes, e todo o ínfimo átomo de poder é avaramente cobiçado e exercido prepotentemente como de uma mole se tratasse. O cliente pagou adiantado, e à força, e vai-se embora mal servido e sem vontade de regressar.

Depois destes pensamentos, lá recorri ao meu mantra relaxante: Be thankful we're not getting all the government we're paying for....

Tortura (2)

Correcção fictícia: poucos segundos depois da publicação do último post, o A Arte da Fuga recebeu, directamente do Aeroporto de Lisboa, o seguinte esclarecimento:
Caro AA,

Antes de tudo obrigado por ter discos meus, é um prazer saber que ainda há quem aprecie que se toque obras de Mozart (e especialmente de Bach!) da forma como deviam ser tocadas: à moda romântica.

Não gostei do seu último post, compreendeu tudo mal. Eu tenho orgulho em ser portuguesa. O Estado, ou seja, a voz de todos os portugueses, nunca contestou os apoios que eu lá ia angariando para Belgais.

Mas como sabe tive de cancelar espectáculos, em Portugal e no estrangeiro, uns atrás dos outros, devidos a problemas de saúde.

A "tortura" que sofri foi às mãos do Sistema Nacional de Saúde. É um horror, não desejo isso a ninguém. Bata-lhes forte. São os pobres que sofrem, mas eu consegui vir para melhores ares. Obrigado portugueses.

Beijinhos, MJP

Tortura

Maria João Pires lanzarotou-se: abalou para o Brasil, agastada com a "tortura" que sofreu em Portugal. Por outras palavras, todas as fibras do seu ser foram brutalizadas pela falta de reconhecimento monetário do Estado português pela sua incontestável grandeza artística. A artista disse "basta". E foi para a terra de Heitor Villa-Lobos.

E Portugal... conforma-se. Onde estão as multidões a exigir nas ruas a proibição da "deslocalização"? Milhares de euros "públicos" depois, não há quem faça as contas? Quanto terá custado cada um dos episódicos recitais da pianista em solo português? Quanto terá custado, por espectador, cada um dos seus espectáculos imperdíveis e irrepetíveis?

Aos mais inconsoláveis, aqueles que se imaginavam banhando-se no prestígio derramado sobre o país pela recém-emigrante, ou aqueles que com convites e bilhetes subsidiados por todos os contribuintes gozavam um privilégio reservado a poucos, recomendo a Deutsche Grammophon. Trinta e um albuns, mas nenhum "what's coming" nem "in the studio". Ficamos a "torcer" pela generosidade do contribuinte brasileiro.

[ aqui um post velhinho do BrainstormZ no Tempestade Cerebral ]

Isto está bonito sim senhor...

Diz Vital Moreira no Causa Nossa:

Em definitivo, mesmo na guerra (ou sobretudo nela) as democracias devem manter alguma superioridade moral; quando usam os mesmos métodos que os utilizados pelas forças que qualificam como terroristas, então descem ao nível destes.

Ou seja, Israel deveria ser extinto, destruído, varrido do mapa como querem todos os seus vizinhos. Mas deveria sê-lo com superioridade moral, essa grande virtude, tão maior que o desejo de viver e sobreviver. Isso é que era. Mortos mas dignos. Para que a história um dia falasse deles como o país que morreu, mas que se portou com imensa dignidade. Como dizia a Palmira Bastos, morrer de pé, de pé como as árvores...

♪ Lacrimosa

(clicar para ouvir)
http://www.animaart.cz/musicaintre/audio/lacrimosa.mp3
Witold Lutosławski, Lacrimosa

Na'am

No seguimento do ficcional "Hu's on first" de James Sheman, um artigo do Washington Post:
There was trouble from the first question at yesterday's news conference by President Bush and Iraqi Prime Minister Nouri al-Maliki.

The AP's Tom Raum had just asked a question about the violence in Iraq, and Bush looked down to gather his thoughts before turning to Maliki. "I'll start," the president said.

"Na'am," said Maliki, using the Arabic word for "yes."

"Okay, you start," Bush offered, evidently thinking Maliki had said "no."

"Na'am," Maliki said again.

quinta-feira, Julho 27, 2006

Luta e Resiste (2)

Via My Guide to your galaxy, e na continuação de Luta e Resiste, "O que todos sabem e alguns fingem ignorar" de João César das Neves no DN Online.

O fardo da liberdade

Instead of taking men's freedom from them, Thou didst make it greater than ever! Didst Thou forget that man prefers peace, and even death, to freedom of choice in the knowledge of good and evil? Nothing is more seductive for man than his freedom of conscience, but nothing is a greater cause of suffering. And behold, instead of giving a firm foundation for setting the conscience of man at rest for ever, Thou didst choose all that is exceptional, vague and enigmatic; Thou didst choose what was utterly beyond the strength of men, acting as though Thou didst not love them at all- Thou who didst come to give Thy life for them! Instead of taking possession of men's freedom, Thou didst increase it, and burdened the spiritual kingdom of mankind with its sufferings for ever. Thou didst desire man's free love, that he should follow Thee freely, enticed and taken captive by Thee. In place of the rigid ancient law, man must hereafter with free heart decide for himself what is good and what is evil, having only Thy image before him as his guide. But didst Thou not know that he would at last reject even Thy image and Thy truth, if he is weighed down with the fearful burden of free choice? They will cry aloud at last that the truth is not in Thee, for they could not have been left in greater confusion and suffering than Thou hast caused, laying upon them so many cares and unanswerable problems.

Imagem:
Texto:
Paul Rubens, Temptation of Christ
de Dostoievsky, O Grande Inquisidor

♪ Laideronnette

(clicar para ouvir)
http://rsta.pucmm.edu.do/biblioteca/Fonoteca/musica/ravel/dswmedia/rav_oye3.mp3
Maurice Ravel, Ma Mère l'Oye, Laideronnette, Impératrice des pagodes

Inversão do ónus

Penso que já contei esta história aqui. No começo da intervenção americana no Iraque, conversava com um amigo que é jornalista numa estação de televisão sobre a legitimidade ou ilegitimidade dos EUA e dos seus aliados em intervir na região. Percebi, pela conversa, que eu era a primeira pessoa com quem ele falava que defendia aquela intervenção. Nunca, em semanas, tinha encontrado ninguém que lhe expusesse argumentos contrários aos seus.

No meio de alguns copos, quando a lucidez ainda persiste mas a desfaçatez já nos abandonou, disse-lhe que achava que a cobertura noticiosa que a sua estação estava a fazer era muito parcial. E ele respondeu-me, chocado, que isso era impossível, uma vez que eles eram contra a intervenção militar no Iraque...

Em algumas questões, sobretudo onde pairem os EUA, as pessoas sentem-se donas de evidências históricas. Há como que um espírito que admite uma só verdade. Ser imparcial é contar essa verdade. Ser parcial será admitir posições diversas. Esse problema existe em muitos dos debates da blogosfera em que, sobre certos assuntos, se considera que a comunicação social não pode senão mostrar uma face do problema, a face da verdade.

Com Israel, passa-se o mesmo. Hoje, no DN, o Rúben de Carvalho, um dos comunistas que mais gosto de ler (sem ironia), diz que o recurso ao que não pode deixar de ser qualificado como uma prática de terrorismo de Estado por parte de Telavive nada tem de novo e existe mesmo em todo o mundo o reconhecimento de que assim é.

Também aqui se sente o cheiro da evidência histórica. Existe em todo o mundo o reconhecimento de que assim é ?? Mas qual mundo ? O Mundo dos manifestos e das petições ou o Mundo real, onde se jogam o futuro das nações e as pessoas pensam pelas suas próprias cabeças ? E quem não pense o mesmo, é terrorista ? Defende o terrorismo ? Curiosa inversão…

O debate unânime

Ontem, enquanto pousava os olhos na dissertação que tem de estar concluída a 15 de Setembro (desta vez é mesmo verdade), deixei-me embalar pelo programa Clube dos Jornalistas na 2:. O assunto era a situação no Líbano. Um jornalista apresentador, 2 jornalistas convidados, e um General. Os quatro no mais profundo, jocoso, divertido, indignado unanimismo. Um programa de debate em que os quatro concordaram sempre. Adivinham em quê, não adivinham?

Afogada mas não assassinada

Não gosto de me pronunciar sobre processos judiciais concretos, os quais muitas das vezes escondem realidades desconhecidas de quem deles apenas sabe pelas notícias. Mas a verdade é que, desde o começo, o caso da Gisberta tem despertado a minha atenção pelo preconceito, pela marginalização e pela despudorada hipocrisia com quem tem sido tratado e analisado.
A pretexto de algumas declarações infelizes que muitas vezes se ouvem por parte de organizações LGBT, o caso da Gisberta não tem merecido a indignação de quem não suporta a interferência alheia na forma como vivemos a nossa vida e como a sentimos como nossa.
Segundo as alegações finais do MP, a procuradora alterou a qualificação do crime de homícidio para o de ofensas corporais qualificadas. E isto porquê? Porque tendo a Gisberta sido atirada para um poço com água, ela terá morrido afogada e não... assassinada.
aquela história de a pessoa em causa ter sido pontapeada, apedrejada, e de um modo geral saco de pancada durante dias, violada com paus e queimada e depois enfiada por um fosso de 15 metros abaixo onde teria vindo a morrer afogada é como é óbvio uma perversa fabricação da própria, que farta de uma vida miserável como prostituta toxicodependente seropositiva para o hiv e para o hcv e ainda por cima turberculosa, para já não falar daquele problema de ter a mania de ser mulher quando nasceu homem (coitada ou coitado, nem sabemos bem) resolveu pôr-lhe termo encenando uma cena horrível com os pobres dos miúdos, a quem já não bastava estarem entregues a instituições e não viverem com a sua família natural (que como se sabe é o melhor que há) para ainda terem de assistir a uma barbaridade daquelas e ficarem para sempre, talvez mesmo para a eternidade, traumatizados. felizmente que foram muito acarinhados e bem orientados para a vida pelos padres lá da oficina de são josé e deram com um ministério público arguto e não disponível para ser enganado, senão não se imagina o que poderia acontecer-lhes.
Desde as primeiras notícias que este caso da Gisberta tem servido para tudo. Aproveitamentos de parte a parte para denunciar conspirações conservadoras e conspirações gays, ruínas civilizacionais e estados de sacristia. Mas o que fica, o que realmente fica, é que a Gisberta parece não ser aceite, mesmo depois de morta, por aquilo que foi. Uma pessoa.

A ler

A Manifestação, pelo Tiago Barbosa Ribeiro no Kontratempos:
Na manifestação de hoje, o Movimento pela Paz continua a imprimir panfletos nas máquinas do Avante! mas já não precisa de defender a Revolução Afegã como fazia em 1988. Os mortos libaneses besuntam a miséria intelectual dos que já não precisam de máscara para defender as cascatas de urânio nas centrais iranianas, nas ogivas, na resistência difusa, no combustível suicida. Em frente à embaixa de Israel devem estar muitos gritos, sempre muito. Independentemente da distância a que se encontrem, fechem as janelas. Na antecâmara da I Guerra Mundial, Mário de Sá-Carneiro escrevia de Paris a Fernando Pessoa: «é talvez o ruído do boulevard que me entra pela janela aberta do hotel que me descarrilou a gramática». O ruído, aqui, descarrila o pensamento.

quarta-feira, Julho 26, 2006

Leituras recomendadas (2)

Excelente reflexão: "O urbanismo é anti-liberal(?)" do Tarzan no Caldeirada de Neutrões:
Se há conceitos que me parecem incompatíveis são liberalismo e urbanismo.
Há, no entanto, outra abordagem possível e na qual, do ponto de vista teórico, a visão liberal se poderá associar ao urbanismo. Num ambiente liberal existe a possibilidade de, voluntariamente, arquitectos e projectistas se poderem associar para criar um espaço harmonizado e urbanisticamente coerente.

Separando lençóis de cobertores

Do texto do LA-C ("Na cama com elas"):
[...] António Costa Amaral diz que o Estado é incapaz de satisfazer os cidadãos e quer os funcionários [públicos] ao serviço do cidadão.

Escrevi que o Estado é incapaz de satisfazer os cidadãos [3], e que para colocar a meritocracia dos seus funcionários ao serviço do cidadão [2], pelas características da organização burocrática do Estado, é necessário que grande parte das funções estatais sejam delegadas ao mercado.

O Estado poderia participar neste sistema por intermédio de empresas públicas, desde que autosuficientes e não dependentes de privilégios legais —, sobretudo de exclusividades ou restrições à concorrência privada — ou seja, num regime de mercado livre.

Neste processo catalático, os "direitos sociais" seriam assegurados pelo Estado por financiamento das pessoas, e não [d]as instituições arbitradas pela administração pública [1]. Por exemplo, na Educação este modelo traduzir-se-ia nos school vouchers.

No caso dos casamentos, defendo simplesmente que o Estado deve cessar de certificar uniões de pessoas, e simplesmente passar a reconhecer contratos de economia comum, desde que de natureza não-criminosa.

Leituras recomendadas

Os artigos dos nossos colegas bloggers, saídos na última segunda-feira com a revista Dia D do Jornal Público:

- "O Estado na cama com elas" de Luís Aguiar-Conraria:
[...] o preconceito da maioria não pode limitar os direitos de cada um.


- "Solidariedade?" de Bruno Gonçalves:
[a "solidariedade" realizada utilizando meios coercivos] Para além de constituir um problema de restrição de liberdades (já que cada um deve ser livre de poder escolher se quer ou não contribuir para um determinado fundo de solidariedade), pode ser também um factor de desagregação social, dado que o imperativo moral de muitas pessoas é transferido para a instituição Estado.

Estupidez ganaciosa

As pessoas não vivem para produzir, produzem para consumir e viver. Interessa às pessoas comprar mais por menos dinheiro. Interessa às pessoas "importar" mais bens e serviços do que aquilo que "exportam" em termos de trabalho pessoal. O mesmo acontece ao nível nacional. Se o "país" importa mais do que exporta, quer isso dizer que tem de trabalhar menos para adquirir as mesmas importações — aquilo que os estrangeiros produzem melhor do que os nacionais. Não é isto que a burocracia estatal defende, porque é mais interessante para o Poder deter poder político sobre os produtores nacionais— daí toda a propaganda da balança comercial.

O comércio livre pode e deve ser liberalizado unilateralmente, pelo simples facto de resultar numa exportação valiosa: a de indústrias e serviços ineficientes, poupando capital para aplicações mais rentáveis e geradoras de competitividade riqueza material e humana.

O recente fracasso da Ronda de Doha é mais uma prova cabal de como os Estados são incompetentes a gerir os interesses dos consumidores, mas exímios a não cederem qualquer ínfima fracção do seu poder.

Ontem dei de comer a um chinês

Comprei um Apple iPod Nano.

De acordo com as opiniões que já recolhi, fiz um péssimo negócio. Os iPods "grandes" dispõem de uma muito melhor relação gigabyte/euro. É incrível, fui roubado! Deveria haver no mercado um único artigo para cada tipo de produto— a profusão que se observa só pode dever-se a assimetrias de informação que lesam o consumidor, e o Estado nada faz. Confesso que me senti oprimido pela posição dominante da Apple no mercado mundial. Afinal sinto-me muito mais seguro quando os monopólios são sustentados por impostos e pelo casse-tête fiscal, e não quando me oferecem produtos em troca do meu dinheiro: a esmola é muita! E a minha consciência pesa-me. Em troca do jogging que vou poder fazer a ouvir Beethoven ou Prodigy, fiz criancinhas sofrer numa sweatshop, imunda como só as multinacionais conseguem inventar, quando os petizes podiam ocupar-se na bucólica agricultura de subsistência, prostituição, venda de droga ou como figurantes para o poverty-tourism. Sou uma pessoa horrível.

[ correm agora as Variações Goldberg tocadas por Glenn Gould, gravação digital de 1981: ficam perfeitas em AAC 128 kbps nos meus Koss Porta Pro. ]

Pergunta do Dia

Se Israel quer bombardear indistintamente o Líbano, se Israel não olha a meios para atingir os seus fins, por que razão as imagens que nos chegam mostram sempre um prédio em ruínas por entre vários outros prédios intactos?

Choque tecnológico

"Funcionários do Fisco terão happy hours para acesso à Net" (Diário Digital)

Pontos de Fuga

Meus caros, a discussão sobre Israel/Hezbollah continua, mas desta vez n'O Insurgente, onde já estão os meus Pontos de Fuga desta semana. Podem deixar os vossos comentários por , aproveitando para ler todo o blogue ou deixá-los aqui. Procurarei estar atento a ambos e continuar o debate, que tem sido um dos mais estimulantes dos últimos tempos.

terça-feira, Julho 25, 2006

Uma opinião que esquece

Diz o Daniel Oliveira no Arrastão que Israel não é um Estado multi-confessional. Não posso concordar com essa opinião, porque ela induz uma discriminação das pessoas com base na religião.
  • Uma opinião que esquece que 18% da população de Israel não são judeus (945 mil muçulmanos, 130 mil cristãos e 100 mil drusos).
  • Uma opinião que esquece que o árabe é idioma oficial em Israel.
  • Uma opinião que esquece que os árabes em Israel têm o mesmo direito de voto. Aliás, Israel é mesmo um dos poucos países do Médio Oriente onde as mulheres árabes podem votar. [Adenda: O Miguel Madeira contrapôs informação de que são mais os países do Médio Oriente que aceitam o voto de mulheres do que aqueles que não aceitam. Fui confirmar na Wikipedia e o Miguel tem toda a razão. A minha informação está desactualizada. Segundo a Wikipedia, o Líbano condiciona o voto feminino e a Arábia e os Emiratos proibem. Nos restantes países que tinha em mente, em 2001 foi possível o voto no Bahrain, em 2003 no Oman e Qatar e em 2006 no Kuwait. Obrigado ao Miguel e peço desculpa pelo erro.]
  • Uma opinião que esquece que há deputados árabes em Israel, sendo que alguns ocuparam lugares no governo ou na hierarquia do Estado.
  • Uma opinião que esquece, por exemplo, que em Jerusalem, após a guerra de 1967, Israel revogou todas as leis discriminatórias em termos de religião que tinham sido promulgadas pela Jordânia e adoptou medidas para salvaguardar o acesso aos santuários religiosos. Israel também delegou a administração dos lugares sagrados às suas respectivas autoridades religiosas.

Uma opinião que esquece.

Pequenos prazeres

"Geldof cancels live concert after only 45 fans buy tickets" (Times Online)
Geldof is widely admired in Italy for his campaign to alleviate African poverty and Third World debt. But in Milan only 45 people bought seats in a venue built to hold 12,000. He refused to perform, and then cancelled a concert in Rome because of similarly dismal ticket sales.

Proporcionalidades (4)

A criação de Israel introduziu na Palestina um problema de terra que não existia há séculos, diz Miguel Portas, no seu artigo no Público. Mas será mesmo assim?

As fronteiras dos países do que compõem o Médio Oriente foram, na sua maioria, estabelecidas de forma arbitrária pelas potências ocidentais, depois da derrota da Turquia na Primeira Guerra Mundial, com os mandatos francês e britânico.

Todas as áreas atribuídas a Israel pelo plano de partilha da ONU estiveram sob o controle otomano de 1517 a 1917. Quando a Turquia foi derrotada na Primeira Guerra Mundial, os franceses ocuparam toda a área hoje, que é hoje conhecida como o Líbano e a Síria. Os britânicos, por sua vez, assumiram o controle da Palestina e do Iraque.

Em 1926, as fronteiras foram redesenhadas e o Líbano foi separado da Síria. A Inglaterra instalou o emir Faisal, que tinha sido deposto da Síria pelos franceses, como governante do novo reino do Iraque. Em 1922, os britânicos criaram o Emirado da Transjordânia, que incorporou toda a Palestina ao leste do Rio Jordão. Isso foi feito para que o emir Abdula, cuja família tinha sido derrotada na guerra tribal da península arábica, tivesse um reino para governar.

Todos os países (todos) que têm fronteiras com Israel só alcançaram a sua independência no século XX. Muitas outras nações árabes só se tornaram independentes depois de Israel.

sem amortecimento


Judy de Bustamante, El ángel caído

Ponto de Ordem

Aqui apreciamos a discussão e a troca de ideias contraditórias ou complementares. E esse ambiente de tertúlia, que cultivamos no blogue, é algo que nos acontece naturalmente. Somos assim e gostamos de ser assim. Mesmo quando as causas que defendemos vêm do mais profundo das nossas convicções e as ideias contrárias afrontam o que de mais valioso há em nós.

Porque qualquer ideia, desde que defendida com honestidade e sinceridade, merece o debate. As pessoas convencem-se, aprendem, evoluem, instruem-se com o debate de ideias contrárias e é isso que estamos dispostos a fazer. Sem juízos de intenções. Sem terrorismos verbais ou insinuações patéticas.

Vem este ponto de ordem a propósito da situação no médio oriente, que tem gerado muitos e interessantes comentários, links, citações. É um assunto que gostamos de debater por aqui e sobre o qual temos opiniões que não gozam da simpatia da maioria das pessoas.

Aceitamos essa realidade sem qualquer problema. Não chamamos terroristas, anti-semitas, loucos, alienados ou pouco lúcidos a quem de nós discorda. Temos pontos de vista diferente. Seguramente estamos ambos certos e ambos errados em cada uma das questões. A verdade não existe nos posts, está lá fora e ninguém é dono dela.

Agradece-se, por isso, a quem nos comente ou quem nos linque, que o faça pelas ideias e pelos argumentos. Com ironias, com brocardos, com recursos estilísticos, com silogismos, com tudo o que vos apetecer. Mas sem nos catalogar e rotular de adversários da vida, da humanidade ou da civilização. Para esse estilo de debate, batam a outras portas.

Proporcionalidades (3)

Pergunta o Miguel Madeira num comentário ao meu post Proporcionalidades
Já agora, vamos fazer o raciocinio ao contrário: o que é que para vocês (sobretudo o AMN, mas também o AA) seria uma reação não-proporcional de Israel?

Ora, eu não posso responder concretamente a uma pergunta que está carregada de abstracção. Mas penso que a resposta passará sempre por uma análise do que está em jogo a cada momento, daí se podendo retirar algumas conclusões sobre proporcionalidades. E é aqui que os problemas surgem e as divergências se acentuam. Muitos vêem neste conflito uma resposta de Israel ao rapto de dois ou mais soldados. Admito que, nessa órbita, possam até achar que a resposta de Israel tem sido desproporcional. Acontece que, quanto a mim, o Hezbollah não acordou agora para a vida, decidindo raptar soldados israelitas. Tudo isto se passa num âmbito muito mais vasto, com outras proporções e outros objectivos, como se pode depreender desta pequena lista que vos deixo.
###
24 Jul 2006 - Hizballah fired more than 70 Katyusha rockets into Israel, several of which landed in Nahariya, Safed, and Kiryat Shmona. Medics treated at least 49 people who were lightly to moderately wounded. More than 2200 rockets have been fired at Israeli cities since July 12, killing 17 Israelis, all of them civilians. 20 Israeli soldiers were killed in other incidents.

23 Jul 2006 - Shimon Glickblich, 60, of Haifa was killed Sunday morning (11:00) while driving his car in Haifa. Habib Isa Awad, 48, of Iblin, was killed while working in the carpentry shop in Kiryat Ata. Another 12 were wounded in the morning barrage in Haifa, and more later in the day as over 90 rockets were fired at Haifa, Akko, Kiryat Shmona, and elsewhere in northern Israel.

20 Jul 2006 - Five IDF soldiers were killed and five wounded in continuing exchanges of fire in the Lebanese village of Maroun al-Ras, near Avivim, where two soldiers were killed on Wednesday. The body of the fifth soldier, St.-Sgt. Yonatan (Sergei) Vlasyuk, 21, of Kibbutz Lahav was retrieved on July 22. At 16, Yonatan immigrated alone to Israel through the Jewish Agency's "Na'aleh" program. He was adopted by Dalia Gal, a member of Kibbutz Lahav in the Negev. An IDF officer was killed and three soldiers were wounded as two Apache (Cobra) combat helicopters on their way to Lebanon to assist IDF forces operating against Hizballah terrorists near Avivim collided and then crashed south of Kiryat Shmona.

19 Jul 2006 - St.-Sgt. Yonatan Hadasi, 21, of Kibbutz Merhavia and St.-Sgt. Yotam Gilboa, 21, of Kibbutz Maoz Haim were killed and nine soldiers were wounded in exchanges of fire between IDF and Hizballah in south Lebanon, near Moshav Avivim. The Israeli force had crossed the border to destroy the Hizballah rocket-launching position at the former IDF outpost of Shaked. Rabia Abed Taluzi (3) and his brother Mahmoud (7) who were playing soccer outside their house were killed and dozens were wounded in two Katyusha rocket attacks on the Israeli Arab city of Nazareth.

18 Jul 2006 - Andrei Zelinksy, 36, was killed Tuesday evening in Nahariya outside a bomb shelter. Though he managed to save his family by rushing them into the shelter, he returned home to get a blanket for his daughter and was killed. Some 130 rockets were fired at the north on Tuesday, 100 of them within one hour and a half - also landing in the Haifa area, Karmiel, Tiberias, Safed, Maalot and Rosh Pina. About 60 people injured were evacuated to hospitals in Safed and Nahariya.

17 Jul 2006 - Over 50 rockets were fired towards the eastern and upper Galilee on Monday night. A Katyusha rocket hit the external wall of the Rebecca Sieff Hospital in Safed, causing damage to infrastructure; five patients, two doctors and two other hospital employees were injured. Earlier, 11 people were wounded in Haifa when a 3-story apartment building was hit by missile. The Israel Air Force destroyed at least ten long-range Iranian-made missiles capable of hitting Tel Aviv, by targeting a Hizballah truck carrying the missiles before they could be launched. To date, missiles have been fired up to 40 kilometers into Israel.

16 Jul 2006 - Eight killed, 50 wounded in Hizballah rocket attack on Haifa - Rockets began falling on the Haifa area shortly after 9:00 a.m. Eight employees of Israel Railways at the Haifa train depot were killed in a direct hit by a Fajar missile made in Syria. A total of over 50 people were wounded in Haifa and the Haifa Bay area.

15 Jul 2006 - Katyusha rockets landed for the first time in Tiberias, located 35 kilometers from the Lebanese border on the Sea of Galilee, as well as in nearby communities.

14 Jul 2006 - Shortly after 8:30 p.m. Friday night an Israeli navy ship was severely damaged by an Iran-manufactured missile fired by Hizballah. Four IDF soldiers were killed: Staff Sgt. Tal Amgar, 21, of Ashdod; Yaniv Hershkovitz, 21, of Haifa; Shai Atias, 19, of Rishon Lezion; and Dov Steinshuss, 37, of Karmiel. Omer Pesachov, 7, of Nahariya, and his grandmother Yehudit Itzkovitch, 58, of Moshav Meron were killed by a Katyusha rocket in Meron early Friday evening. Roni, Omer's older sister, was badly wounded, and the grandfather, Naftali, was lightly hurt. The family had fled the Katyushas in Nahariya to spend a quiet weekend with their grandparents.

13 Jul 2006 - Monica Seidman (Lehrer), 40, of Nahariya was killed in her home by a Katyusha rocket Thursday morning. In the evening, Nitzan Roseban, 33, was killed in Safed by a direct rocket hit. On Thursday evening Katyushas landed in Haifa.

12 Jul 2006 - Hizballah terrorists infiltrated into Israeli territory and attacked two IDF armored jeeps patrolling the border with Lebanon, killing three soldiers and kidnapping two. Ground forces entered Lebanon in the area of the attack. A large explosive device was detonated underneath an Israeli tank, killing all four of the tank crew. An eighth soldier was killed when IDF troops entered Lebanon to try to retrieve the bodies of the tank crew. Throughout the day, Hizballah terror organization fired Katyusha rockets and mortar shells at Israel's northern borders' communities and IDF posts.

27 May 2006 - An IDF soldier was wounded when Katyushas were fired at an army base at Mt. Meron in the upper Galilee.

27 Dec 2005 - A branch of a Palestinian organization connected to Al-Qaida fired 6 Katyushas, damaging a house in Kiryat Shmona and a house in Metulla. In response, the IAF attacked a training base of the Popular Front, south of Beirut.

21 Nov 2005 - An attempt to kidnap an IDF soldier was foiled when paratroopers patrolling near Rajar village discerned a Hizballah unit approaching. Private David Markovitz opened fire, killing all four. In a heavy attack of mortars and Katyusha rockets that ensued, nine soldiers and and two civilians were injured.

29 Jun 2005 - More than 20 mortars were fired from across the border. Cpl. Uzi Peretz of the Golani Brigade was killed and four soldiers wounded, including the unit's doctor. Fire was exchanged and helicopters and planes attacked five Hizballah outposts in the Reches Ramim area.

24 Apr 2005 - Several explosive devices exploded near the Lebanese-Israeli border, in the Mount Dov area. Officials believe the devices were planted by Hezbollah, but this was not confirmed. No injuries were reported in the explosions.

7 Apr 2005 - Two Israeli-Arabs from the village of Rajar near the Israel-Lebanon border were kidnapped by Hizballah operatives and held in captivity for four days. The men, identified as Muki Ben-Jamal and Nuef Maharj Ben-Ali, said they were interrogated by their captors who wanted information on Israel. They were later released. Israeli officials did not believe that any security information had been compromised.

9 Jan 2005 - An explosive device was detonated against an IDF patrol at Nahal Sion. One Israeli soldier was killed, and a UN officer was killed.

20 Jul 2004 - Hizballah sniper fired at an IDF post in the western sector of the Israeli-Lebanese border. Two IDF soldiers were killed.

7 May 2004 - Fire in the Mt. Dov sector. IDF soldier Dennis Leminov was killed, and two other soldiers were severely wounded. The IDF returned fire.

19 Jan 2004 - An anti-tank missile was fired at IDF D9 while neutralizing explosive charges near Zari’t. An IDF soldier, Yan Rotzenski, was killed and another soldier was severely wounded.

6 Oct 2003 - Staff Sgt. David Solomonov was killed when Hizballah fired at an IDF force south of the Fatma Gate in the eastern sector. In addition, the Hizballah fired missiles and rockets at an IDF post in the Reches Ramim area.

10 Aug 2003 - Haviv Dadon, 16, of Shlomi, was struck in the chest and killed by shrapnel from an anti-aircraft shell fired by Hizballah terrorists in Lebanon. Four others were wounded.

20 Jul 2003 - Hizballah snipers fired on an Israeli outpost near Chetula, killing two Israeli soldiers. The IDF retaliated with tank fire directed at a Hizballah position, killing one operative manning the post. That night, there were multiple Israeli flights over Lebanon, two of which generated powerful sonic booms over Beirut.

7 May 2003 - Hizballah attacked IDF positions in the Sheba' farms with heavy rocket, mortar, and small arms fire. One Israeli soldier was killed and five others were wounded in the attack. Lebanese authorities asserted that the Hizballah firing had been preceded by an Israeli army foot patrol crossing the Blue Line.

5 May 2003 - A cycle of armed exchanges across the Blue Line began. Israel carried out more than 20 air sorties over the country. Subsequently, Hizballah fired several anti-aircraft rounds with shrapnel landing inside Israel.

22 Mar 2003 - Hizballah fired rockets and mortars at Israeli army positions in the Sheba' farms and adjacent areas. This attack followed eight incursions into Lebanese airspace by Israeli aircraft.

6 Jan 2003 - Hezbollah fired anti aircraft shells in the vicinity of Birait in the western sector of the Lebanese border. No one was hurt and no damage was caused.
29 Aug 2002 - Fire at an IDF post in the Mt. Dov sector. IDF soldier Ofer Misali was killed, and two other soldiers were lightly wounded.

12 Mar 2002 – Infiltration: In a shooting attack on the Shlomi- Metzuba route. Six Israelis civilians were killed, among them IDF officer Lt. German Rojkov.

7 Aug 2001 - Two houses belonging to senior members of the former Israeli-allied South Lebanon Army militia were blown up using explosive devices. One of the houses belonged to Robin Abboud; the other to Samir Raslan. Hizbollah is suspected.

28 Apr 2001 - A 60 year-old Israeli man was found stabbed to death in Kfar Ba'aneh, near Carmiel in Galilee. The terrorists responsible for the attack were apprehended in July. Six members of a Hizballah-linked Palestinian terrorist cell responsible for the murder were arrested in July. The murder was the initiation rite of the organization.

14 Apr 2001 - Fire at an IDF post in the Mt. Dov sector. IDF soldier Elad Litvak was killed.

1 Apr 2001 - A 42 year-old Israeli woman was stabbed to death in Haifa. Her murder was the initiation rite of a terrorist cell, whose members were apprehended in July. Six members of a Hizballah-linked Palestinian terrorist cell responsible for the murder, originally thought to be criminally motivated, were arrested in July. The murder was the initiation rite of one of the terrorists into the organization.

16 Feb 2001- Fire at an IDF convoy on Mt. Dov. IDF soldier Elad Shneor was killed, and three other soldiers were wounded.

26 Nov 2000 - A charge was detonated near an IDF convoy. IDF soldier Khalil Taher was killed and two other soldiers were wounded.

7 Oct 2000 - Kidnapping: Three IDF soldiers: Adi Avitan, Omer Soued and Binyamin Avraham were kidnapped by the Hizballah from the Mt. Dov sector.

EMO

Quando a legislação promove "empregos para toda a vida", subsidia emprego, talvez trabalho, mas não produtividade. As pessoas não são de facto obrigadas a trabalhar —, mas viver do assistencialismo público não é a vida folgada que alguns descrevem. Em contrapartida, o trabalhador sabe que só precisa de manter uma produtividade nominal durante uma vida activa que durará "tantos" anos de serviço; e poderá então usufruir de um descanso bem merecido. Assim produz-se uma força laboral que faz o que pode e a mais não é obrigada.

O mesmo se passava com o serviço militar obrigatório. Alguns mancebos viviam para o serviço, outros só queriam chegar ao fim. As forças armadas, aos níveis mais baixos, eram a bandalheira que se sabia, apesar da disciplina férrea que sempre caracterizou a instituição militar. Com a profissionalização das forças armadas, ninguém é obrigado a fazer o frete e a jurar lealdade a um Estado que nunca jurou lealdade ao indivíduo. E quem lá fica desempenhará o seu papel com outro garbo, mesmo que não deixe de ser outro funcionário público. Mas é significativo que as pessoas não sejam forçadas à força da baioneta a servir a Defesa Nacional.

Contra a maré, propõe-se o aumento da escolaridade mínima obrigatória para os 18 anos. Muitos jovens serão obrigados a penar até ao fim da sua menoridade legal num sistema educativo gratuito quando podiam estar a fazer pela sua vida. Quando a não exclusão é o princípio e a universalidade é a regra, as fasquia tombam e os desempenhos globais mergulham. A par, promovem-se nos alunos as técnicas de gazetagem, empinagem, cabulagem. Os alunos não estão a enganar-se a si próprios, mas a um sistema que os trata como estatísticas. O absolutismo estatista é ferozmente agressivo contra qualquer tipo de concorrência, particularmente da concorrência da escola da vida. Não admira que sejam formados cidadãos que vêem nos processos os fins, e não admira que a escolaridade mínima obrigatória seja uma realidade tão incontestada.

domingo, Julho 23, 2006

Agro-fascismo

Belmiro de Azevedo, empresário preocupado com a capacidade produtiva do país:

"Há muitas terras abandonadas. Os que as abandonam deviam ser castigados. Ou tratam delas ou passam-nas. A agricultura não deve estar condenada, porque todos precisamos de alimentos"

The thick rose line

O Público noticia hoje que o líder do Partido Popular, José Ribeiro e Castro, acusou Sócrates de "parecer querer atirar o socialismo para o lixo", num discurso em que criticou a alegada "falta de respeito do PS pelas pessoas mais velhas" no que respeita às alterações ao cálculo das reformas;.

O Governo avançou com uma pseudo-reforma frouxa e desonesta, e o líder de um partido que se diz de direita não encontra discurso melhor que lamentar o triste destino do socialismo, alegadamente votado ao abandono pelo primeiro-ministro. Se o socialismo tivesse sido atirado para o caixote do lixo pelo Governo, a única coisa a lamentar seria não lhe terem pegado fogo.

Quais são as políticas do CDS para a reforma do sistema de Segurança Social?

sexta-feira, Julho 21, 2006

Comércio de Emissões

Hoje, no Diário Económico, podem ler um artigo meu, intitulado Um Mercado a Acompanhar, sobre o mercado do comércio de emissões, nomeadamente o mercado relativo aos mecanismos de flexibilidade do Protocolo de Quioto.

Proporcionalidades (2)

Num artigo publicado ontem no Público, Miguel Portas responde a um editorial de José Manuel Fernandes sobre a situação no Líbano. Para a resposta, convoca alguns dos argumentos tradicionais naqueles que não mostram qualquer compreensão pelas posições de Israel. Gostaria de os analisar, um a um, em posts separados, por falta de tempo. O primeiro argumento utilizado por Miguel Portas prende-se com o facto de se tratar de uma guerra assimétrica. De um lado, o Golias Israel, do outro, o David Hezbollah.

O exército permanente de Israel é mais pequeno do que os exércitos do Egipto, do Irão e da Síria. Além disso, Israel é apenas um país que tem de defrontar diariamente uma combinação de inimigos. Israel não tem qualquer outra opção senão basear a sua política de armamento tendo em conta as capacidades de toda a região. É que a história está aí para demonstrar que os conflitos na zona podem ocorrer entre Israel e uma aliança de países árabes, alguns dos quais têm poderio militar muito superior ao de Israel.

Proporcionalidades

A resposta de Israel é proporcional ao que está em jogo: a sua sobrevivência como Estado independente, livre e autónomo.
Será proporcional esperar uma solução política internacional para o conflito? Mas essa solução não exitiu já? A Resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU não previa já o desarmamento do Hezbollah? Foi essa Resolução cumprida? Não.
Será propocional esperar por uma solução negocial para o conflito? Mas com quem pode Israel negociar? Com um movimento terrorista que domina um governo e apenas pretende o fim de Israel?

As evidências sem notícia

As reportagens da RTP sobre a situação no Líbano inscrevem-se na global cobertura que se faz de qualquer conflito em que Israel esteja envolvido. E o pior de tudo, pelo menos na minha opinião, é que tal se deve a preguiça de apurar a verdade para além da espuma da propaganda que igualmente inunda os jornalistas. Não há, por isso, pelo menos quanto a mim, um anti-semitismo militante na cobertura. Há apenas um render a guarda a evidências históricas, segundo a propaganda. Seria bom, isso sim, que se apurassem essas evidências.
Exemplos dessa cobrtura global desconfiada de Israel? São muitos. Um dos melhores exemplos é a lista dos ataques terroristas no mundo, distribuída em Novembro de 2003 pela Associated Press. A lista cita 15 incidentes terroristas durante um período de cinco anos, entre Agosto de 1998 e Agosto de 2003. Nesse período, mais de 800 israelitas foram assassinados em ataques terroristas, mas nenhuma das ocorrências em Israel faz parte da lista.
Da mesma forma, quando a Associated Press editou um livro com a cobertura fotográfica do ano de 2003, 6 das 130 fotografias selecionadas diziam respeito ao conflito israelo-palestiniano. Todas as seis eram de palestinianos.
Outro exemplo, após um homem-bomba palestiniano fazer explodir uma pizzaria no Centro de Jerusalém no dia 9 de Agosto de 2001, matando 15 pessoas, o referido senhor foi descrito como um militante (Los Angeles Times, Chicago Tribune, NBC Nightly News) e como homem-bomba (New York Times, USA Today). Terrorismo? O que é isso?

quarta-feira, Julho 19, 2006

Pontos de Fuga

Porque hoje é Quarta-feira, já estão n'O Insurgente os meus Pontos de Fuga desta semana. Desta vez retomo um dos assuntos que mais me apaixona: Israel. Leiam o que escrevi, aproveitem para ler todo o blogue e voltem depois, mesmo que não queiram cantar o Hallelujah comigo.

"Temos de deixar o mercado funcionar"

Foi essa a frase que ouvi de um Secretário de Estado socialista. Quase atropelei uma família no momento em que a voz do governante ecoou na TSF, como que inaugurando um êxtase intelectual capaz de me elevar o espírito. Um governante socialista a falar do mercado...

Depois de pedir desculpa à família, quase assassinada pelos meus ímpetos liberais, continuei a ouvir a notícia que enformava aquelas declarações. Foi aí que percebi que o governo, na sua ânsia de controlar o mercado, decidiu coercivamente que os parques de estacionamento (privados ou não) vão ser pagos em fracções de 15 minutos, em vez de hora a hora, como acontece actualmente. Segundo o governo, era um exigência para tornar mais justo o pagamento. Como o governo ainda não se lembrou de fixar os preços, e perante esta imposição socialista, os empresários do sector decidiram, então, aumentar os preços dos parques, de forma a evitar perda de receitas. Parece que a generalidade dos consumidores vai pagar mais e que, nos piores casos, o aumento varia entre 40 e 60%.

Ora, perguntam vocês, onde é que o mercado vai funcionar? A que propósito disse o governante socialista que deveríamos deixar o mercado funcionar?

Ora, conclui eu depois, o governante socialista apenas disse essa frase quando confrontado com o aumento dos preços dos parques, causados por medidas coercivas por si aprovadas. Dizia ele que, com os preços a aumentar, o mercado funcionaria e os consumidores teriam que encontrar alternativas.

Em suma, o governo mexe, faz porcaria e, depois... a culpa é do mercado e dos privados.

Parabéns!


Ao Mário Almeida e ao A Fonte!

segunda-feira, Julho 17, 2006

Começaram os treinos para o Verão

Bode Expiatório

A atitude de Israel, que continua a apostar na força bruta passando ao largo da sua própria História, não apenas falha em proteger os seus próprios cidadãos como destabiliza, ainda mais, toda a zona.
Esta opinião de Joana Amaral Dias no DN indicia uma outra muito vulgar nos dias que correm. A de que a recusa de Israel em aceitar a paz e a Palestina é o principal foco de distúrbios no Médio Oriente. Não sei se é a opinião da Joana Amaral Dias ou se serei eu apenas a tresler o que ali está escrito. Limito-me, por isso, a comentar a ideia sem a atribuir à Joana Amaral Dias. Salvo o devido respeito, penso que a questão é precisamente a inversa: a falta de disposição árabe de aceitar um estado judeu na região. Se os governos árabes de então não tivessem começado a guerra em 1948, o plano de partilha da ONU estaria em vigor e, eventualmente, um estado da Palestina estaria actualmente a comemorar o 56.º aniversário de independência.

É preciso recordar que, entre 1948 e 1967, a Cisjordânia e Gaza estavam sob governo árabe e não havia então qualquer colonato judeu. Mas, curiosamente, nunca os árabes ali estabeleceram o Estado da Palestina. Antes pelo contrário, Gaza foi ocupada pelo Egipto e a Cisjordânia foi ocupada pela Jordânia. As exigências por um estado da Palestina independente só começou verdadeiramente a trilhar o seu caminho no momento em que Israel assumiu o controle sobre aquelas áreas na Guerra dos Seis Dias.

Mas adiante. Aqui fica uma lista parcial de outros conflitos na zona desde o fim do século XX e que nada têm que ver com Israel: a Guerra do Golfo de 1991; a Guerra Irão-Iraque; a Guerra Civil Libanesa; a interferência da Líbia no Chade; a Guerra Civil Sudanesa; o conflito Síria-Iraque, e a guerra entre a Frente Polisário (movimento separatista saariano) e Marrocos. Aliás, bem pode dizer-se que quase todas as fronteiras naquela parte do mundo, estão ou indefinidas ou em disputa.

Por outro lado, ainda que se resolvesse o problema da Palestina, muito continuaria por resolver, nomeadamente no que respeitam as rivalidades entre os vários países e etnias árabes, que provocaram numerosas guerras na região. Ao mesmo tempo, Israel continuaria a ser um problema. Veja-se o caso da Síria, por exemplo, que tem uma disputa territorial com Israel que não tem relação com a Plaestina. Outros países, como Irão e Iraque, mantêm ou mantiveram um estado de guerra com Israel apesar de não terem quaisquer disputas territoriais.

Muitas vezes convém sibilinamente referir que se Israel não existisse, tudo seria uma mar de rosas na região. Ora, não me parece que a História aí esteja para confirmar. Antes pelo contrário.

Aliterações (2)

O Sim ao aborto é combate da vida da JS, disse Pedro Nuno Santos, o reeleito Secretário Geral da JS.

Aliterações

Resultado, o que eu fiquei a saber é que Israel intensifica a sua defesa contra Líbano e Gaza. Quem se limitou a ler as parangonas ficou, na minha opinião, com a ideia contrária.

3 anos de (desesperada) esperança

Como imaginam, a realidade da blogosfera era muito diferente há 3 anos. Então, quando eu era apenas leitor e ainda não sonhava vir a participar em qualquer blogue, o Desesperada Esperança do Bruno era (como ainda é) dos blogues que mais lia. Acho mesmo, e penso que já o terei dito algures, que foi um dos blogues que mais contribuiu para a minha vontade de ter um blogue. Quem diria, hoje colaboramos os dois no mesmo blogue, O Insurgente.

Pois bem, o Desesperada Esperança faz 3 anos. E o Bruno está de parabéns.

[ AA: Parabéns ao Bruno! E ao co-aniversariante Luís Carmelo (do Miniscente)! ]

domingo, Julho 16, 2006

Já ninguém liga

O sucesso económico é um obstáculo ao desenvolvimento. Não sabiam disso? Leiam Francisco Louçã no Expresso e fiquem a saber tudo.

sábado, Julho 15, 2006

Ponto de ordem

Um conservador ultramontano, machista, homofóbico, beato, casto, clerical e forreta pode ser um liberal dos quatro costados. Basta que não defenda a imposição social e coerciva das suas ideias e reconheça a todos a liberdade de serem o oposto do que defende.

Achas para a fogueira

The history of all hitherto existing society is the history of class struggles.

Karl Marx e Friedrich Engels, Manifesto comunista

"Classical Liberal Roots of the Marxist Doctrine of Classes" no Mises.org:
As increasing numbers of individuals aspire to government jobs, two tendencies emerge: government power expands, and the burden of government expenditures and taxation grows. In order to satisfy the new hordes of office-seekers, the government extends its scope in all directions; it begins to concern itself with the people's education, health, intellectual life, and morals, sees to the adequacy of the food supply, and regulates industry, until "soon there will be no means of escape from its action for any activity, any thought, any portion" of the people's existence. Functionaries have become "a class that is the enemy of the well-being of all the others."
From a scientific point of view, the liberal theory — which locates the source of class conflict in the exercise of state power — would seem to have at least one pronounced advantage over the conventional Marxist analysis: liberal theory is able to shed light on the structure and functioning of Marxist societies themselves. "The theory of the Communists," Marx wrote, "may be summed up in the single sentence: Abolition of private property." [*] Yet Communist societies, which have essentially abolished private property, do not appear to be on the road to the abolition of classes. This has led to some deep soul-searching and confused analysis among Marxist theoreticians and justified complaints regarding the inadequacy of a purely "economic" analysis of class conflict to account for the empirical reality of the socialist countries. Yet the liberal theory of class conflict is ideally suited to deal with such problems in a context where access to wealth, prestige, and influence is determined by control of the state apparatus.

[ post dedicado ao Miguel Madeira e — como não podia deixar de ser — ao Fernando Cruz Gabriel ]

sexta-feira, Julho 14, 2006

"Solidariedade" (2)

Any alleged "right" of one man, which necessitates the violation of the rights of another, is not and cannot be a right.
Ayn Rand

Neva

O Norte foi como veio / sem avisar, sem um gesto
sem um grito ou manifesto / sem dizer se isso lhe dói

Leva para outras paragens / o resultado dos ventos
leva também as imagens / dispersas de lamentos.
Mas deixa as dos bons momentos / para voltar.

Neva sobre a Marginal / quem me dera que mar fosse
o mar é muito mais doce / e não fere o coração

"Solidariedade"

As "solidariedades" são exercidas pelo poder político e administrativo, com grande virtude e altíssimo sentido de serviço público, utilizando o dinheiro dos outros, dito "dinheiro público".

Este divide-se em duas parcelas: o dinheiro que eventualmente encontra o seu caminho para as mãos alheias previstas no programa de redistribuição [perdão, hoje em dia diz-se "repartição"!], e o dinheiro que é consumido pela burocracia. Esta última parcela corresponde ao custo da solidariedade. As pessoas não podem esperar serem forçadas a contribuir e que tal não tenha custos.
###
Do ponto de vista do indivíduo, há quem não se importe e tenha prazer em "ajudar o próximo". E há quem ache que o Estado é o melhor administrador do seu dinheiro. "O próximo", afinal, também pode ser um desconhecido, separado de nós por muitos burocratas intermediários. Em troca, o Estado cuidará de quem nos seja próximo por laços familiares ou sociais.

Do ponto de vista individual, se a pessoa agir para colmatar o que entende ser uma injustiça da sociedade, acabará por provocar algum efeito. Outras pessoas poderão ajudar. Quanto mais aderirem a uma determinada causa, mais sucesso terá a iniciativa.

Contudo, não caberia na cabeça de ninguém obrigar outra pessoa a contribuir para uma causa que não quer abraçar. Mesmo que em troca "todos" recebam alguma "protecção". Apesar da protecção, as pessoas podem não querer ficar dependentes de uma organização que as força a contribuir. Seria roubo, crime organizado, e não é por acaso que é uma técnica muito utilizada pela máfia.

Quando o agente é o Estado, instala-se uma complacência beatífica. A "solidariedade social" é uma religião. De repente, faz todo o sentido obrigar todas as pessoas a pagar múltiplas dízimas para as causas da "redistribuição" e da "justiça social", e seus ministros. É uma espécie de fanatismo religoso. A heresia não é tolerada pois pode fazer cair a desgraça sobre a sociedade.

Apesar do carácter incremental da "solidariedade", e de ser possível excluir da "protecção" estatal quem não quiser contribuir, há sempre quem argumente que não é de permitir opting-out. Primeiro, porque a sua auto-exclusão faria diminuir o bolo de onde são servidos os almoços grátis; "não contribuir" é perversamente tido como "prejudicar". Depois, porque diz-se que os freeriders retiram sempre benefícios indevidos. Os freeriders seriam aqueles que não contribuiriam, não receberiam protecção, mas beneficiariam do imenso prazer de assistir ao Estado a distribuir o dinheiro dos outros.

Freeriders são aqueles que não contribuem para um sistema, mas que dele beneficiam directamente. No caso da "solidariedade" estatal, são os burocratas pagos com dinheiro do contribuinte para o privarem da sua propriedade; e são os beneficiários, porque as circunstâncias da sua vida foram avaliadas como "meritórias", e portanto têm o direito a serem privilegiados pelo Estado.

Não existe no comportamento destes freeriders qualquer imoralidade. Mas ao dinheiro que recebem do sistema, que é dinheiro proveniente de pilhagem legalizada, burocratas e beneficiários não têm qualquer direito. E os que advogam teses colectivistas não têm qualquer direito a forçar seja quem for a contribuir para totalitarismos sociais.

outro Estado da Nação

"Resultados eleitorais" do JCS no Lóbi do Chá:
Quando há debates sobre o Estado da Nação, no parlamento português, faço sempre um exercício intelectual. Imagino, no decorrer do debate, o que seria o país caso o resultado das eleições tivesse sido outro.

O que é seu é nosso

[pequena fuga n'O Insurgente ]:

Estado – not in my back yard (2)
###
The program of liberalism, condensed into a single word, would have to read: property. – Ludwig von Mises

Há poucos domínios intelectuais onde o colectivismo seja tão passiva e acriticamente aceite como o que fundamenta doutrinas e políticas do "Ordenamento do Território" e do "Planeamento Regional e Urbano".

A incompetência do Estado para conceber, planear e gerir os assuntos económicos e sociais está praticamente demonstrada. Mas parece ser unânime a sua capacidade técnica, superioridade intelectual, autoridade moral e legitimidade ética para levar a cabo masterplans para "uso racional" da propriedade de cada um de nós.

Não é possível ao Estado "ordenar" o território ou "planear" o seu desenvolvimento sem poderes legais de expropriação, ou seja, de transferência da titularidade de propriedade privada para a esfera "pública". Na prática, estes poderes configuram uma transferência dos direitos de propriedade do indivíduo para o Estado. O direito à propriedade fica resumido ao direito de usufruto, manutenção e melhoramentos (condicionados a aprovação), e ao dever de pagamento de tributo fiscal.

Este é um feudalismo corporativo gerido por burocratas, políticos e profissionais do sector (engenheiros e arquitectos urbanistas ou "do território") e justificado pelos piores motivos— nunca pelo valor que a estrutura administrativa acrescenta aos proprietários, e consequentemente à sociedade, mas sim pelo condicionamento e apropriação de propriedade privada alegadamente utilizada para fins "anti-sociais".

Está a decorrer a "discussão pública" do Plano Nacional de Política de Ordenamento do Território. A este assunto voltaremos.

I just know that something good is going to happen

FlashBack (2)

Se concordamos hoje em declarar nosso Estado sobre 22% da Palestina – ou seja, Cisjordânia e Gaza –, o nosso objectivo final é a libertação de toda a Palestina histórica, do rio [Jordão] ao mar [Mediterrâneo]. (...) Distinguimos as metas estratégicas de longo prazo dos objectivos políticos parciais que por ora somos compelidos a aceitar devido à pressão internacional.
Faisal al-Husseini. Al-Arabi, 24 de junho de 2001

FlashBack

Os actuais homens-bomba são os nobres sucessores de seus nobres predecessores (...). Os homens-bomba libaneses, que propiciaram uma dura lição aos marines dos Estados Unidos (no Líbano) (...) Esses homens-bomba são o sal da terra, os motores da história. (...) Eles são as pessoas mais dignas de honra entre nós...
Al-Hayat Al-Jadida, 24 de junho de 2001

The Who

Porque há toda uma geração que não conhece os The Who a não ser por uns riffs que passam no genérico de umas seriezecas de televisão, ficam aqui uns links para as músicas completas:

- You won't get fooled again ("They decide and the shotgun sings the song");
- Baba O'Riley ("It's only teenage wasteland")
- Who are you ("I only feel right on my knees").

do chá quente

Ao meu hábito de beber chá quente, em casa, acompanhado dos meus pensamentos, juntei há cerca de meio ano um novo costume, o de fazer rodar a etiqueta da saqueta em torno da pega da caneca, uma manobra que tem a virtude de evitar que o papel mergulhe no líquido. Passou a ser um rito cerimonial e poderosamente evocativo. No fim da bebida, o abraço do fio à caneca é desfeito, pois não há mais infusão a ser feita quando o vaso está seco. Hoje o abraço foi desfeito e nunca a caneca esteve tão cheia. E hoje a etiqueta pendeu no vazio, da borda da minha caneca de chá quente.

quinta-feira, Julho 13, 2006

A Criação


(a acompanhar com esta música)

As aparências compensam

Cavaco Silva apareceu na campanha eleitoral das eleições presidenciais com uma popularidade quase impossivel de destruir. Apoiado no rigor, no reformismo e na sua posição apolítica, Cavaco Silva apareceu na comunicação social como o homem certo para o lugar certo. Ninguém conseguiu colocar em causa essa postura e essa imagem, fabricada para eleitor ver. A única pessoa que conseguiu encostar o professor à parede foi Constança Cunha e Sá. Foi ela que desmentiu essa imagem, indo buscar declarações e factos da vida política de Cavaco Silva.
Nessa entrevista, saltou à vista que existe sempre a possibilidade de contrariar a aura de rigor e credibilidade vendida à e comprada pela comunicação social. É preciso trabalhar mais, pesquisar, estudar, demonstrar. A aparência, mesmo quando apoiada pela ilusão, é sempre desmontável.
No debate de ontem, José Sócrates passeou-se pelo Parlamento. Numa penada, e com a mão cheia de pouco, desfez os críticos e fez os sociais democratas roerem-se de inveja. O nosso primeiro ministro é muito habilidoso e conseguiu que se lhe colasse à pele uma imagem de aparência.
Se a oposição não consegue, está na altura de deixarem a Constança Cunha e Sá entrevistar o nosso primeiro ministro. Pode ser que CDS e PSD consigam tirar algumas ideias.

Empresas para todos

Parte do argumentário dos blogues liberais seria poupado se fosse oferecida a cada português a oportunidade de ser empresário por um ano. Por essa oportunidade eu seria capaz de desculpar o Estado Social. Faziamos qualquer coisa nestes termos: por ano, o Estado dava 50.000 empresas a cerca de 500.000 portugueses, que as geririam durante esse ano. Os primeiros gestores poderiam ser Carvalho da Silva e Francisco Louçã. No governo, teriam de estar homens de esquerda, amigos do subsídio e da ajuda estatal. No fim de duas legislaturas de 4 anos, voltávamos a falar com todos os envolvidos: empresários, governantes e com os empregados.
Este foi o meu sonho de hoje. Mas depois percebi que nem assim as coisas resultariam. O que acham?

quarta-feira, Julho 12, 2006

Ecumenismo

Faiths in Jerusalem United Over Gay March

Christian leaders condemned it. Jewish radicals put a bounty on participants. Muslim clerics threatened to flood the streets with protesters. Jerusalem's conflicting religions have found rare common ground: opposition to an international gay pride parade next month.

♪ Hey, now, Bird, wouldn't you rather die than walk this world when you're born to fly?

(clicar para ouvir)
http://www.deadboots.com/muzic/music/dead/10_01_94/10_1_94_disc_3/05%20-%20Liberty.mp3
Grateful Dead, Liberty

Ainda e sempre a reforma da administração pública (2)

Para uma verdadeira reforma da Administração Pública

[ texto publicado anteontem na revista Dia D do Público ]

O Governo parece estar disposto a avançar com a reforma da Administração Pública, com vista a reduzir a despesa corrente e equilibrar as finanças públicas. Esperam-se diversos regimes jurídicos: para a regulação da mobilidade dos funcionários, para a criação e gestão de quadros de supranumerários, para a regulação da extinção, fusão e reestruturação de serviços públicos. Estas medidas revelam boas intenções, mas qual será a sua eficácia, quando parecem ignorar a natureza das estruturas que pretendem reformar?
###
O Estado é incapaz de satisfazer os cidadãos porque é uma gigantesca unidade burocrática. Num serviço privado, uma empresa não pode alienar os clientes, servindo-os mal. Nos serviços públicos, o sistema está montado por forma a que o cidadão sancione sempre positivamente a acção estatal, seja ela qual for – porque não pode reflectir nos impostos a sua insatisfação, ou a sua não utilização dos serviços públicos a que tem “direito”. As hierarquias políticas alternam-se, a burocracia eterniza-se.

A natureza da burocracia é a expansão do seu poder. No Estado, este processo dá-se sempre e quando há dotação orçamental. Os serviços públicos deterioram-se; as "falhas de governo" geram distorções na economia e na sociedade; ambas ressentem-se dos recursos que são subtraídos à actividade privada. A máquina estatal identifica então novas insuficiências sociais e económicas, e reclama que sejam "corrigidas" pelo Estado. E o Estado disponibiliza, por via de agravamentos fiscais, adicionais recursos às suas estruturas. "O Estado expande-se para satisfazer as necessidades do Estado em expansão".

O Estado português engordou muito para além do nível óptimo, necessário e suficiente para a preservação dos direitos dos indivíduos, negando à economia condições de competitividade empresarial, e aos indivíduos o consequente desafogo económico. Para que o processo seja invertido, há então que identificar então quais são os serviços estatais indispensáveis à economia e à sociedade, e quais são aqueles que podem ser prestados pelo mercado, gerando riqueza em vez de a consumir.

Os serviços essenciais a uma democracia liberal compreendem as instituições de Justiça, de Defesa, de Segurança Pública, os órgãos político-administrativos. Serviços "sociais" – como a Educação, Saúde, ou Segurança Social –, podem ser integral e universalmente prestados pelo mercado, cujos agentes concorrerão pela prestação dos melhores serviços aos melhores preços. Estes sectores estatais devem ser liberalizados e privatizados. O Estado assumiria então a função de mero financiador “social” de pessoas e de empresas. Grande parte da força laboral do Estado teria de passar para o sector privado; a burocracia seria desmantelada; e, acto contínuo, a carga fiscal sobre os contribuintes poderia ser drasticamente reduzida.

Mercado das ideias

«Those are my principles, and if you don't like them... well, I have others.»

Groucho Marx

terça-feira, Julho 11, 2006

Mundial FIFA 2006 - Jogos da Fase de Eliminação


(alguns links quebrados por violação de copyright)

###
Oitavos de Final
Alemanha 2 - 0 Suécia
Argentina 2 - 1 México
Inglaterra 1 - 0 Equador
Portugal 1 - 0 Holanda
Itália 1 - 0 Austrália
Suiça 0 - 3 ( 0 - 0 ) Ucrânia
Brasil 0 - 3 Gana
Espanha 1 - 3 França
Quartos de Final
Alemanha 4 - 2 ( 1 - 1 ) Argentina
Itália 3 - 0 Ucrânia
Inglaterra 1 - 3 ( 0 - 0 ) Portugal
Brasil 0 - 1 França

Meias Finais
Alemanha 0 - 2 Itália
Portugal 1 - 0 França

3º e 4ª Lugar
Alemanha 3 - 1 Portugal
Final
Itália 5 - 3 ( 1 - 1 ) França

Buddhabrot


(mandelbrot set, retirado daqui)

Separação, ou concorrência entre os poderes?

A Comissão Europeia ameaça agravar uma multa aplicada a uma empresa se a empresa recorrer (nos tribunais) da aplicação da multa original. Aqui.

"Uma ideia monstruosa" (2)

Na continuação de "Uma ideia monstruosa" (1), importa responder ao Bruno Gonçalves quanto aos Planos Nacionais de Vacinação.

O Estado deve existir para garantir a preservação dos direitos individuais, sendo um corolário o exercício de poder contra quem inicie força sobre outrem. Um exemplo-limite é uma situação de invasão militar, por natureza destrutiva de vidas e de propriedade, em que o Poder pode suspender direitos individuais para em última instância os preservar.

É interessante questionar se é lícito que o Estado intervenha para garantir a extirpação de um agente patogénico que esteja a dizimar a população. Se pode impor uma "lei marcial" em nome da vida dos indivíduos, em situações de desespero. É óbvio que sim, na condição dos meios serem os adequados e o seu aumento de poder ser restrito ao necessário e suficiente, e cessar e ser devolvido aos indivíduos quando cumpridos os objectivos propostos.

[ Antes de continuar, quero esclarecer que [só] há prioridades mais importantes na reforma do Sistema Nacional de Saúde. Um Plano Nacional de Vacinação razoável pode perfeitamente ser enquadrado no âmbito de um "Estado Mínimo". Não vale a pena questionar a validade prática e política desses Planos, antes que sejam resolvidas todas as outras prioridades. Vamos admitir que está bem como está e passar à discussão de princípios. ]

###
É forçado justificar um Plano Nacional de Vacinação com argumentos bélicos, como se por todo o lado se escondessem "inimigos invisíveis". As doenças, para o Homem, são dificuldades do meio, que o progresso tecnológico tem superado com exemplar desempenho. São tão "inimigos" como os desastres naturais. É pois de questionar que sejam os Estados a planear uma "guerra" da "Humanidade" contra a "Doença" — uma guerra que nunca há-de ser vencida por mais meios que sejam usados.

Sendo agressões que o meio impõe ao indivíduo —, e sem prejuízo da responsabilidade civil e eventualmente criminal imputável a quem ande a espalhar doenças contagiosas, ou de medidas de quarentena forçada que a Justiça tenha de impor a quem represente um claro perigo para terceiros —, é da responsabilidade do indivíduo proteger-se contra essas agressões.

O indivíduo não tem o direito de inocular a restante população contra uma qualquer ameaça biológica, em nome da sua protecção individual; nem tem o Estado direito a fazê-lo em nome dos indivíduos.

"Os outros têm que" ou "todos têm que" é um ponto de partida colectivista que implica à partida que "o outro" tenha de submeter os seus direitos ao altar sacrificial da "sociedade". É um princípio estranho a quem defende uma política baseada na "liberdade do outro". E como princípio, pode ser usado para todo o tipo de abusos, independentemente da legitimidade dos fins.

Pode sim ser argumentado que a preservação da sociedade, seja ela qual for, depende da imunidade dos indivíduos face a doenças contagiosas comuns, graves e conhecidas. Que a vacinação é um instrumento útil, e o Estado pode (deve?) proporcionar vacinação, em modalidades que podem ser muito variadas: pode ser prestador desse serviço como "bem comum", pago com impostos universais (tal como acontece agora), ou deixar o mercado funcionar.

Mas ser "objector de consciência" face à vacinação compulsiva estatal é um direito individual. Não ser tratado como gado é um direito individual. Cabe às instituições formais e sociais adaptarem-se aos direitos do indivíduo, ao invés de formatarem o indivíduo aos seus desígnios. Mas, como referi, por enquanto estamos no plano das ideias, que a reforma da Saúde em Portugal tem outras prioridades.

Nota para reflexão: A expediência da vacinação universal por intermédio do Estado levanta sérias reservas. É um poder demasiado grande; não obedece ao controlo democrático; nem a princípios de direitos individuais. Seria monstruoso que o Estado decidisse, pela lógica da "legitimidade democrática", do "bem comum", dos "consensos científicos", vacinar por exemplo contra "vícios" (tabaco, álcool, outras drogas, comida gordurosa, sexo, agressividade, depressividade, inconformidade, etc), se tal fosse possível. [note-se que escrevi "vícios" com aspas: o julgamento não é meu, mas será de quem tiver "legimitidade" para o fazer]. Não existe aqui um problema de "ética" do Estado, mas sim um exercício de descoberta do caminho de "menor resistência social" a fins construtivistas uniformizadores e totalitários. O prospecto é aterrador quando pensamos que a lógica da "higiene total" pode verter para campos genéticos...

Momento existencial

Nos meus tempos de universitário vivi numa residência de estudantes. Circundando o edifício, havia um canteiro onde cresciam árvores que davam uma frescura agradável às instalações. O meu quarto, no segundo andar, dava para um espaço interior que já fora campo de jogos, mas havia sido transformado em jardim e parque de estacionamento privativo, pouco usado. Era calmo.


Precisamente por debaixo da minha janela, ao nível do terreno, encontrava-se a torneira-mor que servia para a rega do jardim. Todo o ano, a torneira vertia e pingava para o canteiro e alagava aquele canto virado para Nordeste. Quanto vinha o "bafo" do Verão, os passarinhos banhavam-se no laguito improvisado. Calma. Não é nada disso. Quando vinha o Verão aquilo enchia-se de melgas que entravam pelo meu quarto adentro e faziam as minhas noites num inferno.
###
Gostaria de poder descrever os horrores que passei naquele cubículo sufocante, entre trevas que zumbiam e zombavam, mas compreendo que tenho leitores com estômagos sensíveis. Basta dizer que ao fim de poucas semanas já eu tinha entrado na psicologia dos pequenos monstros, e fazendo minha a máxima "a mente é a melhor arma" (do filósofo John J. Rambo), já havia transformado a pequena célula num matadouro insecticida.

A minha "receita para morte da melga" incluia o afastamento correcto da cama relativamente às paredes, detecção do alvo em movimento, manobras dissuasoras que induziam o alvo a repousar sobre a parede à cabeceira, técnicasstealth que incluiam abrir a luz da cabeceira, subtrair-me aos lençóis escaldantes (tudo sem perturbar o ar estagnado), e terminação.

O que me deu mais trabalho foi encontrar uma arma letal e infalível. A maior parte das pessoas decide brutalizar as pestes voadoras com o que estiver à mão. Nada mais incorrecto, especialmente quando se lida com monstros sugadores de sangue vindos do Inferno. Para cadaverizar uma melga, não serve um qualquer jornal ou livro.

O bicho é pequeno, pelo que é preciso muita pontaria (que não abunda a altas horas da madrugada) para atingi-lo com um objecto de pequenas dimensões. Interessa que a arma interesse uma maior superfície, sendo então necessário compensar a correspondente maior movimentação de ar. Um objecto muito rígido pode ressaltar na parede; um muito flexível pode soprar a melga para longe; ambos implicam a repetição de todo o procedimento. A optimização faz-se ao nível das propriedades elásticas do objecto: é preciso que tenha a correcta forma, massa e rigidez, e facilidade de manuseio.

A escolha recomendada pelo A Arte da Fuga recai sobre a sebenta de materiais lenhosos (cadeira Materiais de Construção, IST, disponível na Secção de Cópias da AEIST), encadernada a plástico transparente, com lombada rígida de plástico. A experiência demonstrou possuir excelentes propriedades de restituição elástica— mesmo acertando no alvo com um canto da arma, o efeito "chicote" é largamente superior ao efeito de "leque". É também a nossa escolha económica. Muitas melgas sofreram na execução destes ensaios.

Conselho prático: não deixar que os restos mortais das melgas sequem nas paredes. De imediato, atravessar uma estaca pelo coração. Depois, um pano molhado deixará a parede como nova para novo banho de sangue.

segunda-feira, Julho 10, 2006

♪ A Vez das Grandes Vozes (2)

(clicar para ouvir)
http://pwp.netcabo.pt/0165760801/nat.mp3
Natália de Andrade - O Rouxinol
[ ♪ A Vez das Grandes Vozes (1) ]

A única oposição possível é a liberal (3)

"Pacheco Pereira e [o] liberalismo" do Tiago Mendes n'A Mão Invisível:
É que, como bem diz no seu artigo do Público, entre o uso do adjectivo e o substantivo vai uma diferença muito relevante no plano semântico, mas também - e é isso que é fundamental, neste caso - no plano político.

"Efectivamente no puede ser" do João Luís Pinto no Small Brother:
O problema é que esse impulso utilitarista, de julgar não as ideologias e os objectivos, mas sim as medidas avulsas que se tomam, é uma das principais doenças que enfermam o nosso panorama político pós-25/Abril, e característica indissociável do "centrão" que desde essa altura nos governa. [...]

Aliás curiosamente é o próprio Pacheco Pereira que no referido artigo ajuda a alimentar o equívoco: quando escreve que o interesse na saída do estado de vários dos papéis que exerce presentemente em direcção a um estado mínimo é motivado não por um objectivo final de promoção da Liberdade, mas sim tendo como objectivo a "justiça social", ou a melhor canalização e redistribuição de riqueza para os "que mais precisam", JPP demarca-se logo à partida do principal ideário Liberal, optando claramente por um objectivo de uma sociedade mais igual que por uma sociedade mais livre. Passa a ser um liberal nos meios (pelo menos para já, quando cada vez mais são incontornáveis medidas de cariz liberal), mas deixa de ser um liberal nos fins.