quinta-feira, Novembro 30, 2006

Ranking

Leituras

"Provocação ao pessoal deste Blog, à Blogosfera e ao Povo em geral" de Francisco A. van Zeller:
A economia "paralela" em Portugal está em estimada em 20% do PIB. [...] Onde é gerado esse dinheiro? Em actividades perfeitamente lícitas [...]

"eu e o papa" de Fernanda Câncio:
não tenham medo das trevas nem daqueles que querem pensar por vós. não tenham medo de decidir pelas vossas cabeças. não tenham medo da mentira nem das ameaças do terror. não tenham medo da verdade. não tenham medo de ser livres. não tenham medo do medo.

"Já pensou para onde vai o dinheiro dos seus impostos?" de Rodrigo Moita de Deus:
Em Portugal os médicos continuam a ser uma espécie de vaca sagrada. A última das salazarentas cooperações. [...] Três faculdades privadas de medicina e a extinção da ordem dos médicos e o problema das listas de espera nunca mais se colocava. Quase que aposto.

as comissões do pente fino

mala diplomáticaroupa sujalixo

Leitura para o fim-de-semana

Revista Atlântico, saiu hoje com (destaques meus):

- "Manga, abacaxi, papaia e Borat" de João Cândido da Silva;
- "Privilégios adquiridos, egoísmos sociais e Estado condutor" de João Marques de Almeida;
- "Votar Sim: a opção menos má" de Vasco Rato;
- "Libertem a Economia!" de Miguel Noronha;
- "O Erro de Lucy" de João Miranda;
- "O Estado não tem direitos" de Henrique Raposo;
- o "Votar sim" de Rita Barata Silvério;
- sobre o "não", Rodrigo Moita de Deus e Matilde Sousa Franco.

Antikythera (2)


Antikythera Mechanism (Wikipedia) | links

"An Ancient Greek Computer" (Scientific American, Junho de 1959)
"In search of lost time" (Nature, 29 de Novembro de 2005)
"Ancient Moon 'computer' revisited" (BBC News, idem-ontem)

"Antitythera" (AADF)
"Antikythera" (O Cachimbo de Magritte)

Leituras em atraso

"Os inalienáveis e auto-evidentes direitos" do Sérgio dos ∫antos, texto publicado na última sexta-feira na revista Dia D do jornal Público:
A lei deve ser inequivocamente baseada numa condição de igualdade efectiva de todos os cidadãos perante si, independentemente da sua origem e das suas diferenças, e não na promoção de um conceito fabricado que os divida em categorias distintas.

"O Estado moderador" de Rui Ramos no Público de ontem:
Em 1859, na introdução a On Liberty, J.S.Mill sugeriu que o Estado só tinha o direito de reprimir aquelas acções dos indivíduos que afectassem terceiros: "Sobre a sua própria pessoa, o seu próprio corpo e espírito, o indivíduo é soberano." Hoje, porém, com o Estado social, todas as acções individuais acabam por afectar terceiros, na medida em que possam redundar num encargo para os serviços públicos. E nessa medida, a tentativa de viabilizar o Estado social abre a porta para um novo paternalismo agressivo do poder público. Para prevenir juízos, o Estado pode reclamar o direito de controlo ou repressão sobre comportamentos de risco, a nível da dieta ou da sexualidade. A escolha é óbvia: ou nós moderamos o Estado social ou o Estado social nos modera a nós.

Relatório Stern II - exclusivo A Arte da Fuga


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"If you want a picture of the future, imagine watching Waterworld over and over again — forever" - Sir Nicholas Stern

quarta-feira, Novembro 29, 2006

Expropriação (4)

"eminent domain" do João Luís Pinto no Small Brother.

Expropriação (3)

Artigo 62.º (Direito de propriedade privada)

1. A todos é garantido o direito à propriedade privada e à sua transmissão em vida ou por morte, nos termos da Constituição.

2. A requisição e a expropriação por utilidade pública só podem ser efectuadas com base na lei e mediante o pagamento de justa indemnização.

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Artigo 65.º (Habitação e urbanismo)

4. O Estado, as regiões autónomas e as autarquias locais definem as regras de ocupação, uso e transformação dos solos urbanos, designadamente através de instrumentos de planeamento, no quadro das leis respeitantes ao ordenamento do território e ao urbanismo, e procedem às expropriações dos solos que se revelem necessárias à satisfação de fins de utilidade pública urbanística.
Artigo 88.º (Meios de produção em abandono)

1. Os meios de produção em abandono podem ser expropriados em condições a fixar pela lei, que terá em devida conta a situação específica da propriedade dos trabalhadores emigrantes.
Artigo 94.º (Eliminação dos latifúndios)

1. O redimensionamento das unidades de exploração agrícola que tenham dimensão excessiva do ponto de vista dos objectivos da política agrícola será regulado por lei, que deverá prever, em caso de expropriação, o direito do proprietário à correspondente indemnização e à reserva de área suficiente para a viabilidade e a racionalidade da sua própria exploração.

2. As terras expropriadas serão entregues a título de propriedade ou de posse, nos termos da lei, a pequenos agricultores, de preferência integrados em unidades de exploração familiar, a cooperativas de trabalhadores rurais ou de pequenos agricultores ou a outras formas de exploração por trabalhadores, sem prejuízo da estipulação de um período probatório da efectividade e da racionalidade da respectiva exploração antes da outorga da propriedade plena.

Expropriação (2)

O público apercebeu-se que o poder político estava a violar direitos dos cidadãos, que o poder judicial falhara, e que por todos os EUA os casos de abuso de eminent domain multiplicavam-se.

Desde então, a reacção popular, política e jurídica tem sido avassaladora. Nas mais recentes eleições, dez de doze referendos regionais concedendo mais prerrogativas de expropriação aos poderes públicos falharam redondamente (aqui: tabela e lista mais completa e, de novo Tim Sandefur, "Ballot iniciatives protect property rights").

"An American's home is still her castle" (Economist):
Public revulsion against such seizures is visceral and nearly uniform: polls find between 85% and 95% of Americans are opposed to them. Political affiliation makes no difference. Republicans hate to see property rights violated and individuals bullied by the state. Democrats hate to see the state's coercive power hired out to big corporations, and worry, correctly, that the chief victims of eminent domain abuse will be the working class and ethnic minorities.

Cave Leopardum

Expropriação (1)

Fifth Amendment to the United States Constitution
[...] nor shall private property be taken for public use, without just compensation.

Há um ano atrás, o caso Kelo v. City of New London levantava grande celeuma nos EUA. Resumidamente, a cidade de New London no Connecticut enfrentava uma degradação progressiva por falta de investimento, quando a companhia Pfizer propôs instalar um complexo de investigação nos arrabaldes da cidade. O governo local reactivou uma "sociedade de desenvolvimento", privada mas sob controlo público, para implementar a reconstrução de uma zona da cidade que seria positivamente afectada pela instalação da farmacêutica. Alguns proprietários recusaram-se a vender, e foram expropriados alegando-se "interesse público" na execução do tal plano de investimento público. Os tribunais decidiram a favor da edilidade.

Tim Sandefur, "Property Rights after Kelo" (MP3 - podcast do Cato Institute):
[...] it is always in the interest of the majority of every community to despoil and enslave the minority of inhabitants. It is only replacing force as a measure of right. And that gets right into the the heart of this problem: the idea that the majority has the right to take away somebody's private property and use it for whatever the majority or their elected representatives think is in the public interest is the real problem.

também: "Cornerstone of Liberty: Property Rights in 21st Century America - Book Forum" (Cato Institute)

lápis azul (2)


imagem: "Helder
- lápis azul" de Gabriel Silva no Blasfémias;

- "Augusto Santos Silva defende a aplicação da censura em Portugal" por André Azevedo Alves n'O Insurgente;

yet another test

O nosso leitor FB recomenda: Test anónimo de posicionamiento ideológico (Revista Perfiles)

Hoje é um dia de festa

Parabéns Adolfo!

[ é o dia em que posso gozar do meu colega de blogue à vontade! ]

Momento Intimista do Dia

There are three hundred and sixty-four days when you might get un-birthday presents ... and only one for birthday presents, you know (Lewis Carroll)

terça-feira, Novembro 28, 2006

Adivinhem de qual destes eu gosto mais

O neoliberalismo selvagem recebe de braços abertos o João Pedro Henriques!

JPH, no Glória Fácil ("A "Caixa" (II)"):

Como todos os assalariados médios, desconto directamente 31 por cento do meu vencimento para o Estado (20% de IRS + 11% para a Segurança Social). Depois da Caixa de Previdência dos Jornalistas fechar continuarei a descontar o mesmo. Em troca receberei um serviço pior do que recebo. Se quiserem nem me importo de não receber nada. Em troca exijo pagar menos (ao Estado, claro). Quer dizer: caminho rapidamente para os braços de quem me quer dar o direito de escolher entre sistemas públicos, sistemas privados ou sistemas mistos. Repito: o direito de escolher.

segunda-feira, Novembro 27, 2006

Sweden ♥ Friedman (3)

"Libertarian position is gaining ground" (PDF), de Mattias Bengtsson, via Johan Norberg:
Coming from Sweden I also notice that [...] my home country is turning towards libertarian practice. Sweden adopted school vouchers in the early 1990s. Many Swedish children now attend private, for-profit schools. The Swedish governmental pension system has been reformed - the system will never pay out more than comes in, and it is partly privatised and fully funded. Major state-owned companies have been sold out, many markets deregulated. Even nuclear power plants have been sold to foreign owners. There is no minimum wage. Immigration from the 25 European Union members is free.
The socialist government, with the support of the former Communist party, recently abolished inheritance tax and the gift tax. Healthcare is to a growing degree produced by private companies - one of the largest hospitals in Stockholm is owned by a for-profit company listed on the stock exchange. The underground in the capital is run by a French company. The taxi business is open for entry and without regulation regarding fares. And the Swedish edition of Ayn Rand's Atlas Shrugged has sold more than 10,000 copies since last year. This is just to mention a few examples.

lápis azul (1)

"O ministro TV Guia" de Ricardo Costa no Diário Económico:

[...] E é curioso que, no único sector da economia nacional em que o Estado tem 50% das licenças, em que o Orçamento de Estado todos os anos gasta mais, em que todos os portugueses pagam uma taxa na conta da electricidade, em que o principal canal do Estado tem publicidade, em que a Entidade Reguladora quer viver à conta das empresas e em que o Estado cria canais que não estão no serviço público, o Governo ainda quer mandar mais. E como é que se manda mais? Proibindo que as “grelhas televisivas” sejam alteradas, quando faltarem menos de 48 horas para a exibição!
Só alguém perverso é que pode querer condicionar uma actividade que funciona em ‘real-time’ a uma grelha estanque. Experimente, sr. ministro, nunca alterar a sua agenda em 48 horas, definir os assuntos que leva ao plenário da Assembleia com 48 de antecedência, nunca mudar a agenda do Conselho de Ministros em cima da hora. [...]

um "projecto totalitário"

"A última baixa pombalina" de Pedro Picoito n'O Cachimbo de Magritte:
É esta utopia onde não se pode viver que Maria José Nogueira Pinto quer reabilitar. Mas as utopias não se reabilitam - pela simples razão de que se crêem perfeitas.

Sweden ♥ Friedman (2)

"School Vouchers in Sweden" (The Frontier Centre for Public Policy):
The two largest teachers’ unions are converts to the voucher system, probably because their colleagues who work inside the burgeoning market for independent schools are generally more satisfied with working conditions than those who remain in public schools. In a poll conducted by Svenskt Näringsliv, the Confederation of Swedish Enterprise, students overwhelmingly confirmed they liked the new freedom of choice.

Parents are on board, too, because they like the academic improvement that vouchers have generated. A 2001 study from the Swedish Ministry of Finance showed that, far from deteriorating as a result of competition from independent schools, municipal schools have been forced to make better use of their resources and improve their quality. The study described a strong positive correlation between the amount of students in independent schools in a municipality and high test results in that municipality’s schools.

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The rapid growth of independent schools—before vouchers, they held fewer than one percent of Swedish students; now more than ten percent of secondary and over six percent of elementary students attend them—did confirm one negative prediction. They have increased the level of educational segregation. Religious and ethnic minorities are placing their children in schools that cater to their special needs, as are parents who seek a specialized pedagogical emphasis, like music.

But in another important sense, vouchers have reduced segregation. Swedish policy analyst Kristian Tiger describes the system as “a possible instrument of social and economic integration. Before the reform, the principle of proximity determined which school a student had to attend. . . . Sweden has wealthy areas and low-income areas, prosperous places as well as places with many social problems, idyllic neighbourhoods and rough neighbourhoods. The old system only fortified segregation of that sort. The voucher system has made it possible for children to choose schools further away from their homes.”

Shower singing threatens music industry!


(imagem: daqui)
O Público publica hoje a reportagem "Artistas e produtores querem cobrar seis milhões de euros a quem passa música", que versa sobre direitos conexos: o "direito" de um artista receber por interpretações públicas da sua obra. To cut a long story short, os autores das letras e melodia das músicas querem receber "direitos" (dinheiro) sempre que as suas criações são transmitidas em público, mesmo quando se tratem de versões.

A questão da propriedade intelectual é polémica, mesmo em meios liberais. Há quem alegue que o fruto do trabalho, seja ele qual for, deve ser protegido pelo Estado por todos os meios. Outros alegam que ninguém pode ter direitos de propriedade sobre um objecto ideal (ou seja, do mundo das ideias) e não-escasso, sobretudo quando na prática esses direitos resultam em títulos de propriedade sobre algo que está na mente das pessoas.

Sobre este tema, "Against intellectual property" de Stephan Kinsella: "Unlike tangible property, information is not ownable; it is not property."

Sweden ♥ Friedman

"School Choice Works! The Case of Sweden" (Milton and Rose D. Friedman Foundation):
Swedish law since 1992 mandates that the government separate the financing of schools from the administration of schools, as Nobel laureate economist Milton Friedman proposed in 1955. Sweden’s independent schools are now financed on par with municipal schools, so long as they are approved. Since the reform, Sweden has shown the following advances:
- Competition created by this new supply of schools has increased performance in Sweden’s municipal (government-run) schools.

- Most independent schools in Sweden are run by for-profit educational companies, with no detrimental effects.

- There is absolutely no evidence that the new “voucher system” has created a scenario where the rich are supplemented in their private choices. In fact, poorer Swedes choose independent schools at higher rates than do wealthy families.

- Teachers’ unions in Sweden support the reform measures and indicate that they prefer to work in independent schools, where working conditions are better.

"School Choice Works! The Case of Sweden" (PDF) por Fredrik Bergstrom and Mikael Sandstrom.

Re: Proteccionismo, proteccionismo, proteccionismo!

No seguimento de "Proteccionismo, proteccionismo, proteccionismo!" e via Samizdata, o sumaríssimo texto "Protectionism and the Destruction of Prosperity" de Murray Rothbard:
As we unravel the tangled web of protectionist argument, we should keep our eye on two essential points: (1) protectionism means force in restraint of trade; and (2) the key is what happens to the consumer. Invariably, we will find that the protectionists are out to cripple, exploit, and impose severe losses not only on foreign consumers but especially on Americans. And since each and every one of us is a consumer, this means that protectionism is out to mulct all of us for the benefit of a specially privileged, subsidized few [...] who cannot make it in a free and unhampered market.

[ How To Look at Tariffs and Quotas | The Negative Railroad | "Fair" Trade | "Dumping" | "Infant" Industries | Older Industries | The Non-Problem of the Balance of Payments ]

Uma excelente medida para cumprir a promessa dos 150000 novos empregos

"Governo reduz 75 mil funcionários públicos até ao final da legislatura" (Vida Económica)

Post tenebras lux

João Caetano Dias, "Friedman e o Chile", no Blasfémias:
É óbvio que o Chile era uma ditadura e que o regime de Pinochet conta com cerca de 3000 vítimas no cadastro. Mas depois da perseguição sanguinária aos adversários políticos, o regime soube reformar uma economia em cacos e permitir aos chilenos a melhoria gradual do seu nível de vida. E como gente rica educa-se e gente educada não aceita ditaduras, o Chile transformou-se numa democracia, sem recurso a mais golpes de estado predadores, numa transição pacífica que deveria servir de modelo a outros ditadores latinos.

O corporativismo reconhecido no notário

A Ordem dos Notários fez publicar publicidade em jornais diários — de um péssimo gosto, diga-se: fotografias de Hitler, Estaline e Churchill e o título "Se eles tivessem tido um notário, talvez não tivesse havido guerra" — que terminava com a seguinte "pérola":


imagem: Abrupto
Equipados com os recursos tecnológicos, que tornam os seus serviços muito mais rápidos e eficientes, os notários, apesar de integrados agora no regime de profissão liberal, têm os preços da sua intervenção tabelados.

A novel Ordem dos Notários é o bébé da família corporativista que comanda o país, e já demonstrou que sai aos seus. O notariado, uma actividade profissional que agora se diz "liberal", mantém como classe todos os vícios derivados de décadas de dependência do Estado. Entre eles, um acesso controladíssimo à prática e preços tabelados, porque isso de concorrência é feio entre colegas. Vergonhoso.


[ via O Insurgente, reparo que o Abrupto já tinha referido este anúncio ]

bom, bom, é que nem aqueçam o lugar

Daniel Oliveira, em comentário ao post: "A Caricatura":
Quando um dos meus camaradas eleitos fizer o manguito à substituição, espero que nem venha a ser do conhecimento público. Porque estará no seu direito e o BE nem o deve publicitar. E estou seguro que assim será.

Crimes sem vítimas

The only power any government has is the power to crack down on criminals. Well, when there aren't enough criminals one makes them. One declares so many things to be a crime that it becomes impossible for men to live without breaking laws. Who wants a nation of law-abiding citizens? What's there in that for anyone? But just pass the kind of laws that can neither be observed nor enforced or objectively interpreted – and you create a nation of law-breakers – and then you cash in on guilt. Now that's the system [...]

Ayn Rand, Atlas Shrugged

sábado, Novembro 25, 2006

Second Life



Em 1995, mais coisa menos coisa, deu-se o Big Bang da WWW, proporcionado pela feliz conjunção do PC, do Windows, do HTML e do Netscape. Dois anos depois, ainda o hipertexto era uma novidade, surgia uma tecnologia que prometia revolucionar tudo aquilo — o VRML (Virtual Reality Modeling Language).

O ciberespaço (ou metaverse, ou matrix), ou seja, o universo de redes de realidades virtuais— o Santo Graal da cultura cyberpunk—, ganhava os seus primeiros contornos reais.

Contudo, o acesso massificado à banda larga ainda estava longe. A linguagem de modelação era limitada. Os conteúdos tardaram a aparecer, e desapontaram. O VRML fracassou miseravelmente.

Os jogos de computador desenvolveram-se. Múltiplos jogadores. Redes caseiras. Servidores. Ambientes de jogo 24 horas por dia (uma nova geração de MUDs).

Quando a tecnologia ficou madura, os velhinhos MUSHs deram o salto, e foram criados os Massively Multiplayer Online Social Games (MMOSGs).

Esqueçam as siglas. Não são necessárias para viver uma segunda vida. Se por lá passarem, perguntem pelo Gath Forager.

O modelo de Singapura (2)

No mesmo post, respondi a um comentário do Tiago Mendes, de uma forma algo desanimada e atabalhoada, fruto de algum cansaço:

[...] o que é trágico é os habitantes de Singapura e outros Estados antidemocráticos gozarem [poderem vir a gozar] de um bem-estar económico superior ao dos Estados democráticos liberais, e assim verem "legitimadas" as suas vias antidemocráticas. No fundo, concretizarem promessas que outros regimes antidemocráticos nunca conseguiram cumprir. De facto, porque haverão aquelas pessoas de querer outra coisa, quando o resto do mundo, "moralmente superior", aparenta ser decadente [economicamente, e em comparação, estagnado]?

Penso ser uma obrigação moral concorrermos com eles - não corrompendo as nossas instituições, mas liberalizando as nossas políticas.

Por outra via, chegou o Henrique Raposo a uma reflexão semelhante:
A grande ameaça que a China representa não é a tal multiporalidade estrutural: um peso material que vai pôr termo à hegemonia americana na balança de poder. A grande ameaça chinesa não é material mas normativa. É que a China pode representar um sistema político legítimo alternativo à democracia liberal representativa. O modelo chinês de capitalismo iliberal (capitalismo não é sinónimo de constitucionalismo liberal) pode servir de modelo legítimo para países na América do Sul, África e, obviamente, Ásia. Não há fins de História.

O modelo de Singapura (1)

Na sequência de protestos que recebi a propósito do post "O modelo sueco?", esclareço:

O conhecimento que tenho das instituições políticas de Singapura limita-se, na prática, ao que conheço via internet. É um Estado de sistema multipartidário e estrutura aparentemente democrática, com Presidente e Parlamento eleitos, saindo o Governo da maioria eleita.

Contudo, o Poder controla os media (isto e mais um pouco), e arrasta os líderes da oposição pelos tribunais (ler São José Almeida, abaixo), o que resulta num Estado iliberal dominado de facto por um sistema de partido único.

Por muito que o crescimento económico seja bom per se, a actuação de instituições repressivas é intolerável de um ponto de vista liberal. [a seguir, atentamente, como é que o Luis M. Jorge irá distorcer estas minhas palavras.]

Vizinhos, bodes expiatórios, porteiros e tribunais políticos

Altamente recomendados, os artigos de opinião do semanário de hoje:
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Rui Tavares, "A casa do vizinho", sobre as sondagens que davam os portugueses receptivos a uma união com Espanha:
[...] Há então duas hipóteses conhecidas: ou os portugueses estão zangados, ou os portugueses estão cansados.

A primeira hipótese parte do princípio de que os portugueses — parte deles — desejavam enviar uma mensagem. A quem? Àqueles que vivem de ler sondagens — os políticos, por exemplo. E a mensagem para os políticos é a seguinte: estamos tão zangados, mas tão zangados convosco, que até nos dá vontade de ser espanhóis. Não é que o queiramos realmente ser, mas é parar que vão sentindo o tamanho da zanga, e a ideia é magoar, como quando numa discussão de casal se diz: porque é que não és como fulano ou sicrana?

Helena Matos, "Queremos tipo coisas fixes":
[...] os manifestantes civis e mulutares dos anos 70, após terem arrumado placidamente os cartazes e cortado as barbas, viveram na forte convicção de que o futuro seria uma espécie de aquisição permanente de direitos e benesses estatais. [...]
E assim, com uns e outros devidamente expostos ao odioso da opinião pública, lá vão cumprindo a função de adiar a pergunta inevitável: mesmo que a evasão fiscal desaparecesse e que todos os regimes especiais fossem extintos, é sustentável este sistema?

E, sobretudo, por que se há-de optar sempre pela solução que nos retira liberdade?

João Cândido da Silva, "Porteiro de Discoteca":
A esta praga que pode ser detectada em todo o lado, por todo o país, pode chamar-se a síndrome do porteiro de discoteca. O homem que se planta à entrada do estabelecimento não é dono, não é investidor, não é credor. Mas é ele que manda. É ele que decide quem entra e terá direito a divertir-se e quem fica fora, deserdado do destino, apenas porque sim e porque não. É neste ambiente que a corrupção alastra. [...] Mas aos porteiros de discoteca é difícil escapar. Tropeça-se neles no Estado central, nas autarquia, no sector privado. Poder, subserviência e corrupção.

Até São José Almeida consegue escrever um artigo ("Para quê?") sem "cuspir" uma vez que seja a palavra "neoliberal" [deseja-se rápida recuperação à jornalista, os sábados são menos divertidos sem a diatribe do costume!]:
[...] Mas será que a figura de um procurador especial, defendida pelo PS, para levar obrigatoriamente a tribunal todas as acusações de crimes praticados em por ocupantes de cargos políticos contidas em conclusões apuradas por comissões de inquérito parlamentar é a melhor maneira de atingir o propósito de dignificar o segundo órgão de soberania? Será que esta figura não altera radicalmente o perfil da democracia portuguesa e merecia, por isso, um amplo debate público?
A outra questão incontornável é a de que se está a criar uma justiça para os políticos. [...] Até que ponto não será perigoso para a democracia permitir que uma maioria política manipule a aprovação de conclusões de um inquérito parlamentar para levar a tribunal políticos da oposição?

Os melhores blogues 2006

Seguem-se os meus [ António Costa Amaral (AA) ] votos para o concurso "Os melhores blogues 2006", promovido pelo Geração Rasca.

Porque todos os votos valem o mesmo, os blogues estão ordenados por ordem alfabética. Estão naturalmente excluídos das minhas escolhas o A Arte da Fuga, assim como O Insurgente, do qual sou colaborador.

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Melhor Blogue Individual Feminino
100 nada (100nada)
Bomba Inteligente (Charlotte)
Chanel 5 (Miss Pearls)
Palavras de Ursa (Margarida V)
Rititi (Rititi)
Sapatos Pretos (TR)
Melhor Blogue Individual Masculino
25 centímetros de neve (Zero)
A causa foi modificada (maradona)
Desesperada Esperança (Bruno Alves)
Lóbi do Chá (JCD)
My Guide to your Galaxy (dos ∫antos)
Rua da Judiaria (Nuno Guerreiro Josué)
Melhor Blogue Colectivo
31 da Armada
Blasfémias
Blogue da Revista Atlântico
Cinco dias
Small Brother
Tugir
Melhor Blogue Temático
desNorte (música)
Frangos para fora (sátira)
GatasQB (erotismo)
Jumento (sátira)
Margens de Erro (sondagens)
Ponto Média (jornalismo)
Melhor Blogue
Abrupto
Blasfémias
Blogue da Revista Atlântico
Cinco dias
Portugal dos Pequeninos
Rua da Judiaria
Melhor Blogger
André Azevedo Alves (O Insurgente)
Daniel Oliveira (Arrastão)
João Miranda (Blasfémias)
Paulo Gorjão (Bloguitica)
Paulo Pinto Mascarenhas (Revista Atlântico)
Vital Moreira (Causa Nossa)

Dia Wagner

O FGSantos recorda que hoje é Dia Wagner na Antena 2!

referendomanias

N'A Fonte, o Mário Almeida pergunta:
Até aqui tudo bem, mas e no dia a seguir? Se é aceitável que oito anos depois os portugueses possam pensar de outra forma, então também o é daqui a outros oito. O que é que impede os partidários do NÃO de exigirem outro referendo em 2015 caso o SIM ganhe? E porque não antes, se a decisão de o convocar é, como já vimos, política? [...]

E se o NÃO ganhar? [...] os defensores do NÃO vão aceitar que em 2015 se faça outro referendo? Não terão direito a exigir que o assunto seja enterrado por muitos anos, ou pelo menos por mais do que oito ?

Não há justificação para não a não repetição de um referendo popular. Mesmo que na pergunta do referendo, se inclua "...e esta lei nunca poderá ser mudada". Mesmo que o resultado seja inscrito na Constituição. Mesmo tomando como legítimo o "princípio" que a vontade expressa da maioria deve condicionar as minorias, nenhum eleitor actual tem o direito de condicionar os direitos políticos de eleitores futuros. Seja qual for o resultado. E especialmente em consultas que são resolvidas por margens pequenas.

[ continua n'O Insurgente ]

31 da Armada

O 31 da Armada tomou de assalto o arsenal da Internet, prometendo ser um "blogue de terceira geração". Ainda é muito cedo para avaliações, porque os gloriosos 31s ainda devem estar a dormir, ou agarrados aos guronsans, e ainda não publicaram os materiais que andaram a preparar diligentemente durante a semana que se passou.

Desde já quero dar os meus parabéns ao mentor Rodrigo Moita de Deus por ter reunido uma equipa de luxo de colaboradores, e aproveitar para lançar um piscar de olho àqueles que são meus amigos na vida real. Estão todos de parabéns pela melhor campanha de marketing pela Internet alguma vez feita em Portugal.

Num oito

Ontem não me viram no Stones, porque os meus serviços profissionais foram necessários de quinta para sexta: lá tive eu de ir ser explorado pelo capitalismo selvagem de inspiração ultraliberal, o mesmo que alguns neo-fásssistas andam para aí a defender nos blogues... e o tão elusivo AA estava feito num oito, e nem com muitos de doze ia lá. "Ó Toni, vais aos Stones?", perguntou-me o AMN. "Eu queria... mas pá... estou um pouco... esticado" respondi eu ao AMN com voz de Xanana, ou de leitor de cassetes com as baterias a rebentar de baba. Basta de comiserações. Trinta anos depois de criminosos contra-revolucionários frustrarem a criação de uma "verdadeira democracia" em Portugal, The circle is now complete! Todos ao 31 da Armada!

quinta-feira, Novembro 23, 2006

Leitura recomendada

"Mochos e ratos" do Fernando Cruz Gabriel no Cachimbo de Magritte:
Há comissões por todo o lado: mochos vigilantes, que nos poupam ao fardo da responsabilidade; que estudam as leis retorcidas e se aliviam de recomendações que por má sorte as retorcem ainda mais. Depois lá estão eles, os mochos na longa noite legislativa, por feliz coincidência os únicos capazes de se orientarem na selva das leis e de nos salvarem de um triste fim.
É necessário compreender que esta salada governamental de decretos, comissões e pareceres continuará a destruir riqueza, na tentativa de manter o controlo político sobre a sociedade e de transferir a maior parcela possível do excedente económico para os grupos de privilegiados do regime.

quarta-feira, Novembro 22, 2006

Gadsen flag


"The history of the Gadsden flag and how the rattlesnake became a symbol of American independence"

Liberdade e individualismo

The defence of liberty consists in the `negative' goal of warding off interference . To threaten a man with persecution unless he submits to a life in which he exercises no choices of his goals; to block before him every door but one, no matter how noble the prospect upon which it opens, or how benevolent the motives of those who arrange this, is to sin against the truth that he is a man, a being with a life of his own to live. This is liberty as it has been conceived by liberals in the modern world from the days of Erasmus (some would say of Occam) to our own. Every plea for civil liberties and individual fights, every protest against exploitation and humiliation, against the encroachment of public authority, or the mass hypnosis of custom or organized propaganda, springs from this individualistic, and much disputed, conception of man.
Isaiah Berlin, Two Concepts of Liberty

Pontos de Fuga

Desta vez no dia certo, estão n'O Insurgente os meus Pontos de Fuga desta semana, novamente a propósito da intervenção estadual na cultura. Tento chamar a atenção para o facto de o fim da festa da música ter sido precisamente provocado pela intervenção do Estado no sector cultural.

terça-feira, Novembro 21, 2006

we were happy in those days


Monty Python, The Four Yorkshiremen

Nanny Watch

"Paternalismo, até de fora para dentro", no Strix Aluco;

"Our Metastasizing Nanny State", do Tom G. Palmer: sobre a Federal Administration for Families and Children;

"Britain becomes a Nanny State— literally" da Michelle Malkin (dica Elise)

O modelo sueco?

Johann Norberg em Singapura:


"Singapore's Paradox":
I am in Singapore for the first time. A wealthy country that is a paradox. The world´s most globalised economy, the country where it is easiest to do business, with an economy that is less corrupt than Sweden´s and Switzerland´s. And yet, it´s an undemocratic country with government control of the courts and the media, where opposition figures are bankrupted by absurd legal processes. That paradox in itself makes it worth studying.
"Singapore's Strength":
The government is very intrusive in Singapore. But it has avoided several important areas of the economy, like the labour market. A salesman of Swedish design here told us that his biggest mistake when he started his business here was that he was stuck in a Swedish mentality, and still thought that the most dangerous thing imaginable was to hire someone - with all the risks and costs it results in.

After a while he realised that you can hire and fire people in Singapore. To employ someone is to give them a job, not a legally enforcable right. And so he began to hire and expand.
"By the way:":
In 2011 Singapore´s GDP per capita (PPP) will be higher than Sweden´s, if present trends continue.

Festa da Música, RIP

"Fim da Festa da Música" (TSF)

É um escândalo que todo contribuinte deste país não seja obrigado a pagar-me— a mim que tanto gosto de música clássica!—, bilhetes por tuta-e-meia para os melhores concertos pelas melhores orquestras nas melhores salas do CCB!

O Estado não se pode demitir da nobre tarefa de dar às pessoas (a mim) o que elas precisam (que eu vá a concertos)! Não ficará ninguém para me dar música quase-à-borla! Os privados só estão interessados em dar ao povão "o que o mercado quer"! Exploram as pessoas, recebem o seu dinheiro sujo! É uma questão de higiene! O dinheiro é bom, limpinho e fofinho, quando vem fresquinho da Casa da Moeda! A ministra é uma mulher sem cultura! Neoliberal!

ADENDA: fico à espera que me baixem os impostos, a mim e a todos os ingratos a quem recusam o privilégio de me pagar bilhetes.

segunda-feira, Novembro 20, 2006

Aviso à navegação

Um post. Um comentário. Anónimo. Disparatado e maldicente. Mas será anónimo? Vamos ao sitemeter. Vemos de que blogue ele vem. Vemos qual o seu IP, igual ao do autor desse blogue, também comentador, não anónimo, deste blogue. E em menos de 10 segundos ficamos a saber quem é o anónimo que (de forma divertida) quis chamar os nomes que não se atreveu a chamar assinando pelo seu punho.

Outing (a sort of)

Estava na Nova Gente e ninguém parece ter notado. Dispenso-me de escrever que motivos me levaram a ler a Nova Gente (há coisas que nem nós próprios gostamos de racionalizar). Interessa-me apenas destacar o que li.

Narana Coissoró, a quem presumo ninguém possa questionar ao seu apego à democracia-cristã, que nunca rejeitou, ao contrário da grande maioria dos democratas-cristãos portugueses que por aí andam, mostra-se favorável ao "sim" no referendo sobre o abortamento. No entanto, segundo ele revela, não vai votar.

Status racism (2)

Via 25 centímetros de neve, directamente do Café Hayek, e na sequência de "Status racism":
My sense is that most of the antagonism toward income inequality does not rest on the fixed-stock-of-wealth view. My sense is that most of this antagonism is surprisingly like the antagonism that Pastor Quinn and his flock have toward homosexuality: they find it repugnant and, therefore, conclude that their own sentiments are sufficient reason to try to solve the alleged problem.

Goblins


Although published in the year of Kuniyoshi's death, this print is judged to have been designed in the later half of the 1830s because of his signature and touch. Sakata no Kintoki is on the right playing a black stone, Usui Sadamitsu is watching, and Watanabe no Tsuna is on the left. An amusing detail of prints on this subject is that the players are shown as being so engrossed in their game that the goblins seem no more than a trivial nuisance, hardly worse than those kibitzers in a go club who keep breathing down your neck while they point out your mistakes.

Salário Mínimo

José Sócrates disse na sessão de encerramento do XV Congresso do Partido Socialista que o aumento do salário mínimo "permite agora que se possa usar o salário mínimo, de forma responsável mas ambiciosa, como um instrumento de combate à pobreza e de redução das desigualdades".

O que José Sócrates se esquivou a revelar foi o de que essa medida é mais um passo no afastamento de Portugal do modelo finlandês, tão elogiado por aquelas bandas. É que a Finlândia, assim como todo o paraíso escandinavo, não tem salário mínimo. Porque será?###

Os mais cepticos dirão que não têm, porque não precisam. Porque já são ricos. Ora, tanto quanto sei, o dinheiro não nasce nas árvores. Assim como também não consta que aqueles países tenham vivido desde sempre em abundância. Mas ficaria por explicar por que razão o Chipre ou a Itália ou até a Áustria e a Alemanha dispensam aquela medida tão popular.

Seria, de facto, interessante, que José Sócrates perdesse algum do seu tempo a explicar de que forma pode o aumento do salário mínimo contribuir para combater a pobreza. Provavelmente, José Sócrates nem sequer admite, como aliás acontece com a esmagadora (se não totalidade) dos nossos deputados, que o aumento do salário mínimo possa ser prejudicial para esse combate.

Seria importante que José Sócrates explicasse como vai impedir que, aumentando o salário mínimo, aumentem também os custos das empresas e consequentemente os preços dos bens e serviços por ela produzidos. E que explicasse como vai conseguir que o salário que cada um recebe não se revele, afinal, insuficiente para corresponder a esses aumentos.

Seria igualmente relevante que José Sócrates evidenciasse de que forma vai conseguir que os aumentos de preços não prejudiquem as empresas envolvidas, impedindo os consumidores de deixarem de lhe comprar os seus produtos e assim evitando que essas empresas tenham de dispensar trabalhadores.

Arte shunga

No :Ilhas.

Perguntas do dia

Durante a campanha eleitoral disseram o que disseram sobre Cavaco Silva. Chegaram a falar de golpes constitucionais. Cataclismos políticos e assim. Que Cavaco queria governar a partir de Belém. Que ia infernizar a vida ao governo. Enfim, não vale a pena recordar muito mais do tudo que se disse acerca do maquiavélico Cavaco, bicho papão.

Como está bem de ver, Cavaco não é bem o bicho papão. Como já se sabia, mesmo no tempo da campanha eleitoral. O que nos leva à questão: é politicamente aceitável e admissível que se crie uma imagem política de alguém que seja destituída da realidade apenas para tentar ganhar eleições? Podem os políticos da nossa praça inventar uma imagem política que sabem não ser verdade para tentar impedir a sua vitória nas eleições? A política é isto?

domingo, Novembro 19, 2006

♪ B10

(clicar para ouvir)
http://qcpages.qc.cuny.edu/~howe/Junior/Brahms%20Symphony%201%20I.mp3
Johannes Brahms, Sinfonia n.1 em Dó menor op.64, Un poco sostenuto - Allegro - meno Allegro

Status racism

Will Wilkinson, no podcast "The politics of Status Quo" (MP3) do Cato Institute (introdução):
The idea that competition for relative position is a zero-sum game that necessarily creates a loser for every winner is the last redoubt of statist egalitarians.

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Now, suppose I'm a racist, and I hate (let's say) green people. A green family moves next door. Are they harming me? Are they imposing a negative externality on me? Well, this problem is (if there is a problem) is a case primarily of my preferences, of my racism. We don't tend to think that racists ought to be compensated for their irritation at the presence of people that they don't like. What we think is that racists ought to stop being racists. If I come around and see that I'm being very small-minded, and that green people aren't so bad after all, there is no problem.

Now, externalities from status racists I think are really a lot like that. If I feel deeply disatisfied about my Honda Civic because my next-door neighbor just bought a Mercedes S-Class, what should we do? Should we put a tax on luxury cars to discourage the status signaling that people do through conspicuous consumption, or should I just learn to care less about other people have?

If that's an option, then there's a good economic case to be made that I'm the least cost-avoider and a very moral case that I ought to be the one to bear the burden.

weapon of choice

Parabéns aos Individualistas!


O Indivíduo faz 9 anos!

sexta-feira, Novembro 17, 2006

Dia D

A ler, hoje, no suplemento Dia D da edição impressa do jornal Público:

"A Economia do pecado" de Luís Aguiar-Conraria:
[...] o impacto das campanhas de educação sexual e quase nulo, pelo que não basta investir na formação profissional das prostitutas e seus clientes. Há que inventar novos e melhores preservativos.

"Mitos Económicos" de Bruno Gonçalves:
[Na Suécia,] A construção do Estado social, com os seus generosos benefícios sociais e à custa de uma elevada carga fiscal, conduziram a uma alteração da moral social. A responsabilidade social, o pilar sobre o qual deveria assentar este modelo, foi relegada para um segundo plano. Com tantos benefícios e direitos sociais, a cultura do trabalho e da responsabilidade individual tornou-se secundária. Entrou-se na era dos direitos e terminou a era das responsabilidades.

não mandas nada!

Quando alguém desafia "no meu corpo mando eu!", há quem responda "não mandas nada!". Para esta resposta ser coerente, alguém tem de tomar posse administrativa do corpo da grávida, directa ou indirectamente, para que esta possa ser bafejada com a graça de parir responsavelmente.

Tratando-se de uma gravidez, parece lógico que o mais sério candidato, por via moral e fisiológica, seja o progenitor da vida em gestação, porque foi quem (prostituindo uma frase bem mais nobre que o uso que aqui se dá) misturou trabalho no corpo da futura mãe.

Não falta, pois, quem argumente que o macho seja chamado às suas "responsabilidades", ou que possa exercer os seus "direitos" de controlo, para evitar abortamentos. Em resposta a estas pretensões, recomenda-se o corrosivo post "muito melhor assim", da fernanda câncio no glória fácil, que evidencia como esta engenharia social padeceria das mesmas maleitas que todos os outros socialismos— a menos que fosse imposta em modelo único.