domingo, Dezembro 31, 2006

Feliz Ano Novo!

Os fugas desejam aos amigos e leitores do A Arte da Fuga um Feliz Ano Novo!

♪ Sexta Oitava

(clicar para ouvir)
link
Johann Sebastian Bach, Die Kunst der Fuge ("A Arte da Fuga")
Contrapunctus VIII, a 3, interpretada por Glenn Gould

verdades inconvenientes — das taxas de desconto (7)

"Global Warming: Confusing Moral and Practical Arguments" de David Friedman no Ideas:
In my view, the next century is sufficiently uncertain so that it makes little sense to take expensive precautions against risks that far off. By the time the risk arrives, if it arrives, we may have already wiped outselves out in some other way. If we have not wiped ourselves out, our lives may have changed in a way that eliminates or even reverses the problem; communting via virtual reality produces little CO2. If we are still around and the problem is still around, we are likely to have a level of technology and wealth that will make possible a range of solutions well beyond what we are currently considering.

sábado, Dezembro 30, 2006

newfangled rights

"Health Care is Not a Right" de Leonard Peikoff na Capitalism Magazine:
The right to life, e.g., does not mean that your neighbors have to feed and clothe you; it means you have the right to earn your food and clothes yourself, if necessary by a hard struggle, and that no one can forcibly stop your struggle for these things or steal them from you if and when you have achieved them. [...] But you have no right to the actions or products of others, except on terms to which they voluntarily agree.

[...] Otherwise, there would be no liberty in the country: if your mere desire for something, anything, imposes a duty on other people to satisfy you, then they have no choice in their lives, no say in what they do, they have no liberty, they cannot pursue their happiness. Your "right" to happiness at their expense means that they become rightless serfs, i.e., your slaves. Your right to anything at others' expense means that they become rightless.
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You are entitled to something, the politicians say, simply because it exists and you want or need it -- period. You are entitled to be given it by the government. Where does the government get it from? What does the government have to do to private citizens -- to their individual rights -- to their real rights -- in order to carry out the promise of showering free services on the people?

The answers are obvious. The newfangled rights wipe out real rights -- and turn the people who actually create the goods and services involved into servants of the state. The Russians tried this exact system for many decades. Unfortunately, we have not learned from their experience.

Perguntas relacionadas (3)

Saiu ontem, na revista Dia D que é suplemento do jornal Público, o meu artigo "Um bom projecto de liberdade laboral". Relendo-o, uma semana e meia depois de o ter elaborado, julgo que ao ter tentado compatibilizar princípios liberais, um caso particular, e a necessária limitação de espaço, eu acabei por comprometer o que era mais importante: clareza.

O meu propósito era tão simplesmente apontar para a incoerência ("falácia" ou ilogicidade) do argumento que a "qualidade" de um bem ou serviço é garantida pelo licenciamento de quem o produz. Obviamente que refutar um argumento demonstrando ser logicamente errado (non sequitur) não implica que a posição que a ele recorre esteja errada— mas é de elementar honestidade intelectual que os actores políticos não recorram a misticismos e argumentos falhos só porque são politicamente eficazes.

♪ Quinta Oitava

(clicar para ouvir)
http://www.bbsland.org/music/01 shostakovich_symphonyN8.mp3
Dmitri Shostakovich, Sinfonia nº8, Allegretto

Appeasement (2)


ETA reaparece con una potente bomba en el aeropuerto de Barajas (El Pais)
ZAPATERO : "He ordenado suspender todas las iniciativas para el diálogo con ETA" (El Pais)

Appeasement (1)


"Whisper of Peace", Cox & Forkum

Leituras

- "Novo ano, Europa velha de Luciano Amaral no DN, e "Da Europa" de Gabriel Silva no Blasfémias;

- "Noi Vivi" do Migas no Crónicas do Migas;

- "Complicadex de João Luís Pinto no Small Brother;

sexta-feira, Dezembro 29, 2006

♪ Quarta Oitava


Gustav Mahler, Sinfonia n.8, Finale
Simon Rattle and the National Youth Orchestra of Great Britain, 2002

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[ nota, para quem não conhece: é conhecida como a "sinfonia dos mil". go figure. ]

Último post do ano*

Chegou o último post do ano da graça de 2006.

Tenho todos os caracteres à minha inteira disposição para dispersar as últimas notas deste e neste ano. O fatalismo da data não me oferece qualquer inspiração, antes me atrapalha os sentimentos. Não gosto de balanços, do melhor e do pior, do menos bom e do menos mau, porque balanços vou eu fazendo periodicamente, alguns deles partilhando convosco. ###

Sou também, como já o disse aqui, avesso a listas de melhores livros e melhores filmes e outras que tais, onde uma dúzia de gente se cita, num mutualismo enternecedor.

Não gosto de perspectivar o futuro, porque sou um convicto pessimista e se estamos em altura de festejos, é preferível não embarcar em ensaios divinatórios. E se é verdade que sou um pessimista, também é certo que estou plenamente consciente da finitude das minhas capacidades de mutação.

Não vou mudar e deixar de ser como sou, tenho a certeza. Não porque necessariamente me desiluda com as minhas possibilidades, mas porque as vejo reflectidas nos outros, que também não mudam e se multiplicam em variações pouco variadas da sua postura original. E se sei que não vou mudar, que vou persistir nestes defeitos que aparento, não posso ocupar este espaço com uma saudável lista de coisas a mudar em mim e na minha relação com os outros.

Alguma coisa, eventualmente, irei mudar. Mas não será por mero efeito de calendário. Também não sou grande adepto, como penso que já aqui vos disse, da tentação do recomeço, que se repete, pelo menos, uma vez por ano, nesta época em que nos achamos capazes de abandonar a nossa humana condição e a que tanta gente adere com inspirada convicção.

E se também careço desse sentimento, fico, em resumo e como já deu para perceber, sem os temas recorrentes em posts escritos em vésperas de ano novo, sem que essa situação me inspire o que quer que seja que não a sorrateira inveja dos que não têm grandes escrúpulos intelectuais e cedem ao que lhes apetece.

Sendo assim, não tenho nada para vos dizer em final de ano, nem sequer em começo de ano. É essa a condição de quem não se rege por dias nem por horas num ousado alheamento do ritmo das coisas ou, presume-se, do mundo.

*adaptado de crónica publicada, o ano passado, n'O Independente

Publicidade Institucional

Está nas bancas o novo número da Atlântico, onde podem contar com a coluna Solteirão deste Vosso amigo, como de costume.

Os artistas do mas

Hugo Chavez decidiu resgatar a concessão a um canal de televisão, por motivos estritamente políticos. É claro que veremos comoção por estas bandas. A liberdade de imprensa e mais não sei o quê. Mas veremos também as tradicionais adversativas a enfeitar as comoções. O costume, provando que o ano que vem será igual ao ano que vai.

Perguntas relacionadas (2)

Com o aumento da sofisticação da formação de arquitectos e engenheiros, há actividades de "gama baixa" que estão, objectivamente, ao alcance de uns e de outros. A ordem natural das coisas seria que essa sobreposição da áreas de actividade servisse para proporcionar, a engenheiros e arquitectos, valências acrescidas na sua actividade profissional — o sector da construção. O resultado seria termos profissionais mais versáteis e mais conhecedores do seu mester. Contra estas forças de mercado, criaram-se barreiras artificiais: "a arquitectura para os arquitectos", "a engenharia para os engenheiros". Todos ficamos mais pobres.

Perguntas relacionadas

Porque é que um engenheiro não pode assinar um projecto de uma moradia?

Porque é que um arquitecto não pode ser director de obra de uma empreitada de acabamentos?

Não seria imensamente mais vantajoso para arquitectos e engenheiros (assim como para as respectivas Artes, assim como para a sociedade!) que o mercado da construção fosse partilhado liberalmente pelas classes profissionais, em vez de escrupulosamente subdividido entre elas?

(continua)

quinta-feira, Dezembro 28, 2006

♪ Terceira Oitava

(clicar para ouvir)
http://jnjmuse.cnei.or.kr/musicbox_6/bruckner_symphony_no8_4th.mp3
Anton Bruckner, Sinfonia nº8, Finale (Feierlich, nicht schnell)

Blogpreferidísimos!

Da Bomba Inteligente!

Muito obrigado, Charlotte, o sentimento é mútuo — isto é o que eu chamo acabar um ano em beleza!

Micro Causa

Então não é que o Público teve o atrevimento de dizer que a arte é uma indústria multimilionária? E que não é raro um quadro custar tanto como um Boeing? Onde é que já se viu chamar à arte uma indústria, como se pintar um quadro e depois o vender ou expor fosse um acto sujeito à oferta e procura e pudesse ser avaliado economicamente?

Parece que este ano, em apenas uma noite, a Christie’s, fez o melhor resultado de sempre, ao vender 78 lotes por 384 milhões de euros. E a Sotheby’s, fez o melhor leilão dos últimos 16 anos por 184 milhões de euros.

E isto, meus amigos, é verdadeiramente escandaloso. A actividade leiloeira deveria ser proibida. Que direito têm essas leiloeiras de cobrar pela aquisição de obras de arte que não têm preço? Permitir que saiam do espectro público e possam ser adquiridas por um qualquer magnata que não sabe apreciar duas linhas rectas sob um cubo?

Pugnemos pelo fim da exploração comercial da arte. A arte não é uma indústria!

quarta-feira, Dezembro 27, 2006

♪ Segunda Oitava

(clicar para ouvir)
http://911verses.com/911/underground/Music_MP3_Schubert_Unfinished_Symphony.MP3
Franz Schubert, Sinfonia nº8

Excuse me, is this the secret headquarters of the Gestapo?

"As ocorrências e os crimes" de Helena Matos no Blasfémias:
Indiferente e quase criminosamente negligente quando se trata de assegurar aos cidadãos que estes não serão inibidos dos seus direitos - viver sem ser agredido e sem ter medo de ir à rua é um direito - o Estado português toma-se dum extraordinário zelo, a que acrescenta fortes traços de autoritarismo, quando estima que alguém não paga os seus impostos ou exerce uma actividade sem estar devidamente licenciado - e o licenciamento nem sempre quer dizer mais qualidade ou mais segurança para os cidadãos, frequentemente quer só dizer isso mesmo: que se pagou a licença.

Os cidadãos estão reduzidos e domesticados na sua condição de contribuintes. E é nessa vertente que o Estado os reprime, os procura e se interessa por eles. Quanto ao resto, «aos costumes disse nada».

Freedom to dissent

Consenso de Perdição de André Abrantes Amaral n'O Insurgente:
Hoje, que vivemos atolados no socialismo, há que admirar, quanto mais não seja pela lufada de ar fresco em que se possa traduzir, quem faz considerações que não sejam comummente aceites pela maioria.

terça-feira, Dezembro 26, 2006

♪ Primeira Oitava

(clicar para ouvir)
http://jnjmuse.cnei.or.kr/musicbox_6/beethoven_symphony_no8_1st.mp3
Ludwig van Beethoven, Sinfonia nº8, Adagio-Presto

[ nota: na Madeira, as "oitavas" são os dias que se seguem ao Natal ]

e tudo em nosso nome

"O absurdo de 2007 vai ser..." de Henrique Raposo no blogue da Revista Atlântico:
... uma multidão de gente a defender que a vida é determinável pela política. "Se o Estado diz que até às 10 semanas é possível abortar, então, só há vida no início da 11ª semana". Entregar à Política a responsabilidade para decidir a partir de que momento é que há vida, eis uma coisa que assusta. Sobretudo num país, o nosso, onde o Estado mete o bedelho em tudo. Parece-me uma daquelas caixas sem qualquer tipo de bombom lá dentro. Uma daquelas que diz “made in pandora”.


A Vida de Maria Madalena
Salvador Dali
O aborto é uma questão moral. E a moral não começa às cinco e fecha à nove como a política, como a lei. O aborto é uma decisão moral com implicações pessoais que não são mensuráveis pela lógica da lei. Aborte ou não dentro da legalidade, o peso moral da decisão vai pesar na mulher em causa. Na política, as coisas são transmissíveis. Na moral, o que é nosso é nosso e ninguém pode acartar com o peso que tem o nosso nome. Em política, a culpa morre muitas vezes sozinha. Na moral, a coisa pia mais fininho: quando a culpa existe, existe mesmo e não vale a pena transferi-la para a política (dizendo que é legal) porque a dita vai continuar a atormentar. A culpa moral não se limpa pela lei.

Uma linda história de Natal... ou talvez não

"Desempregado faz a barba para tentar arrumar trabalho" (Rádio Grande FM):
O destino de [Henrico] Frank começou a mudar na terça-feira, enquanto passeava por uma feira de Natal na cidade de Wiesbaden, vestindo roupas sujas, piercings no nariz e exibindo mechas descoloridas, ao estilo punk. O homem de 37 anos, há seis desempregado, deu de cara com Kurt Beck, líder do partido social democrata - a metade centro-esquerda da coalizão federal da chanceler Angela Merkel.
Beck foi o alvo perfeito da frustração de Frank. Proferiu palavras bombásticas ao político sobre o que ele entendia como o fracasso das reformas econômicas destinadas a recuperar pessoas como ele - um trabalhador da construção civil. Qual foi a resposta do político? "Se você simplesmente tomasse um banho e se barbeasse, também conseguiria um emprego".

Dois dias depois, Frank tosou o cabelo, raspou a barba escura e retirou os piercings. [...] E ao que tudo indica o novo visual funcionou. Beck pretende apresentar diversas oportunidades de emprego a Frank na semana que vem, em empresas de construção, pintura e limpeza.

"The premier and the punk: a tale of Christmas spirit spurned" (Financial Times):
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Had the chairman taken a proper look, he might have noticed the "work is shit" button on the former builder's lapel, a crucial clue to the 37-year-old's life philosophy and a harbinger of things to come. [...]

After proclaiming his willingness to do "any job my health will allow", Mr Frank then twice refused to meet Mr Beck this week and declared his eight job offers - including positions as construction worker, truck driver and rubbish collector - overly taxing and inadequate.
Brigitte Vallenthin, the crusading spokeswoman who has since shielded the self-styled "punk" from the media, said Mr Beck had "defamed him and million of other benefit recipients. . . Henrico Frank has no chance of ever finding a job". [...]

Andreas Steppuhn, an SPD leftwinger and no friend of Hartz IV, said the man had "done all jobseekers a mighty disservice with his show", while the Bild tabloid daily thundered: "Why is this lazy bum getting €345 [$450, £230]?"

(via Johan Norberg)

James Brown 1933-2006

segunda-feira, Dezembro 25, 2006

Todo o cidadão é um suspeito (3)

Via A Origem das Espécies, "A nostalgia da liberdade" de Francisco José Viegas no Jornal de Notícias:
Nada nos garante que, daqui a uns anos, a uns meses, depois de entrar em vigor o cartão único, não exista um organismo, muito cioso da segurança do Estado e do controle dos cidadãos, que comece realmente a fazer o cruzamento dos dados contidos no "chip" que cada um trará dentro do bolso.
Não contem anedotas, não consumam colesterol, não riam. Deixará de haver uma lei da República que vos garanta a liberdade de fazer; haverá, antes, uma lei que vos restringirá a liberdade de ser o que quiserdes ser. Em nome do Estado, do bem comum, das crenças absolutas dos outros - sempre com a bênção dos que sabem, por nós, o que é melhor para nós. Sim, estamos em guerra pela nossa liberdade.

Post antigo: "Governo anuncia já estar a trabalhar no próximo Cartão do Cidadão (2)"

Christmas Should be More Commercial (8)

"A Capitalist Christmas" de Dale Steinreich:
Halloween has a socialist tenor. Menacing figures arrive at your door uninvited, demand your property, and threaten to perform an unspecified "trick" if you don't fork over. That's the way the government works in a nutshell.

Thanksgiving has been reinterpreted as the white man, after burning, raping, and pillaging the noble Indian, trying to make amends with a cheap turkey dinner. New Year's can be ruined as the beginning of a new tax year, and the knowledge that the next five or six months will be spent working for the government.

That's why I love Christmas. To this day it remains a celebration of liberty and private life, as well as a much-needed break from the incessant politicization of modern life. It's the most pro-capitalist of all holidays because its temporal joys are based on private property, voluntary exchange, and mutual benefit.

Contributos para a compreensão da já habitualmente retorcida SMS de Natal do AA aos crentes e infiéis

Invoco o amor e harmonia da sagrada família (o José, o menino de Belém e a Maria de centro-esquerda) para te desejar muitas prosperidades neste Natal! António

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"Capa: A primeira entrevista com Maria Cavaco Silva" (Visão)
‘Sou de centro esquerda’

"Sócrates enaltece «comportamento impecável» de PR" (Diário Digital)
Antes de cumprimentar individualmente cada um dos ministros, Cavaco Silva fez votos de «bom Governo», «feliz Natal e um ano cheio de prosperidades»

"És o Nietzsche do Natal"

Não, a sério, eu até gosto muito do Natal, que encaro espiritualmente: são dias que lavam a alma.

Mas o Natal não precisa de ser uma quadra de entorpecimento mental, onde todo e qualquer socialismo de púlpito é aceite com um amen e desejos de Boas Festas, todo o reaccionarismo sobranceiro tem os seus quinze minutos de exposição mediática, e todo o progressivismo desdenhoso se incuba acriticamente.

O Natal é uma celebração de Vida, e não existe Natal sem o Homem. Não há tolerância ou tréguas de Natal para quem servir "a Humanidade" e esquecer-se do Homem.

Christmas Should be More Commercial (7)

"Relax" de Luciano Amaral no 31 da Armada:
Se há conversa irritante é mesmo a conversa contra o consumismo do Natal. [...] Mas quando, por causa disso, se passa para toda uma filosofia sobre o consumismo e os “valores” que se “estão a perder” é que já não há pachorra. [...] Claro que a maior parte destas reacções são causadas pelo nojo que inspira ver o povo a fazer aquelas coisas que antes só alguns podiam fazer. [...] Um conselho só a esse pessoal tão chato: live and let buy.

sábado, Dezembro 23, 2006

Season’s Greetings (4)

Noel, noel, noel, noel,
May all my enemies go to Hell.
Noel, noel.

Hillaire Belloc, mouse

Um peso e uma porrada de medidas

"Dois pesos e duas medidas" de Pedro Correia no Corta-Fitas

Christmas Should be More Commercial (6)

"Is Christmas Inefficient?" de Jeffrey Tucker:
Perhaps the socialists have long understood something about Christmas that others, even advocates of the market, have overlooked. In the institution of the gift, we find a strong rationale for the establishment and protection of private property and the capitalist economy. In order to give, we must first produce, acquire, own.

G.K. Chesterton, a great defender of Christmas against English Puritans who regarded it as corrupt and pagan, observed that collective ownership would mean the end of voluntary giving. Moreover, he clarified, "giving is not the same as sharing: giving is the opposite of sharing. Sharing is based on the idea that there is no property, or at least no personal property. But giving a thing to another man is as much based on personal property as keeping it to yourself."

A giant sucking sound

"Sócrates enaltece «comportamento impecável» de PR" (Diário Digital)

sexta-feira, Dezembro 22, 2006

Leitura recomendada

"Iluminismo" de Tiago Barbosa Ribeiro no Kontratempos.

Christmas Should be More Commercial (5)

"The Economics of Santa's Workshop" de Michael Levin:
But the biggest problem facing Commissar Santa is the internal allocation of resources. [...] Santa's realm can function only as an island of autocracy in an ocean of market freedom, which is why the whole world could not run like what we imagine to be the worker's paradise of Toyland. If Toyland ever attempted to provide everything for everyone and, thanks to IMF subsidies, succeeded in becoming the world's only producer, it would bring about global poverty and misery. That's because when firms get so big as to abolish internal markets for their capital goods, they lose the ability to calculate efficiently. Inefficiency invites competition.

Todo o cidadão é um suspeito (2)

O utente deste cartão é propriedade do Estado.
Em caso de extravio, é obrigatório notificar as entidades.


"The problems with ID Cards" - No2ID.net ("stop ID cards and the database state"):
[...] A failure in any part of the system at a check might deny a person access to his or her rights or property or to public services, with no immediate solution or redress—"license to live" withdrawn.
[...] The system offers a ready-made police-state tool for a future government less trustworthy than the current one. A Home Secretary could create classifications of individuals to be registered as he sees fit, introducing onerous duties backed by severe penalties for fractions of the population. Religious or ethnic affiliation, for example, could be added to the Register by regulation—or be inferred by cross-referencing other information using a National Identity Register Number or associated data.

quinta-feira, Dezembro 21, 2006

Season’s Greetings (2)


clicar para aumentar

"Cartão único de cidadão aprovado no Parlamento por unanimidade" (Público)

Todo o cidadão é um suspeito


"AR: Cartão de cidadão aprovado por unanimidade" (Diário Digital)

"o Che Guevara do liberalismo"

Pedro Arroja, em entrevista à Sábado:
A prazo é na blogosfera que se fará opinião pública e a minha preocupação é essa. [...] Se o homem das cavernas não tivesse visto exemplos do que iria acontecer e nessa base não actuasse, nunca teria saído da caverna. Se há dois séculos alguém dissesse que era possível pôr umas toneladas de avião a voar ninguém acreditava. [...] Eu quero lá saber que as pessoas não me levem a sério. Desde que esteja convencido, que tenha lido e estudado. Não me quero eleger para nada, não preciso de agradar à opinião publica, ou aos politicos.

A ler

Israel e a Desestabilização pelo Tiago Barbosa Ribeiro no Kontratempos:
Historicamente, a única «desestabilização» israelita que eu vejo no Médio Oriente é facto singelo, embora não negligenciável, de Israel existir e assim querer continuar.

Sobre esse assunto, ver aqui no aAdF a série Proporcionalidades 1 2 3 4

Momento Intimista do Dia

Queria dizer mal das compras de Natal. Das filas. Dos engarrafamentos. Da tristeza da maior árvore de Natal que entope uma avenida até ao Marquês. Dos pais natais a trepar vindos não sei de onde, de rabo espetado, a fazer de espantalho à janela não sei de quem. Dos presentes dos 300. Mas não consigo. É nestes dias que me descubro filho e herdeiro do mainstream sentimental que enforma o Natal dos nossos dias. E que me deixa feliz.

a vidraça


(NASA Telescope Picks Up Glow of Universe's First Objects)

Olhó modelo nórdico de novo

"Já somos 20% " no 25 centímetros de neve.

Obra que revoluciona a compreensão das alterações climáticas

Season’s Greatings (1)

À moda da Al-Qaeda:
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Ayman al-Zawahiri

Christmas Should be More Commercial (4)

"Christmas Movies and Bad Economics" de Michael Levin:
The division of labor allows the creation of a variety of toys--the typical parent cannot whip up a Lego set at home--and kids love the variety. Imagine what they would say if reformers restored "the spirit of Christmas" by banishing all the electric robots, the dozens of different Barbies, and everything that to adult eyes is a cheesy fad. To youngsters, a dazzling array of goods is the spirit of Christmas, and places like Macy's are magical because they display it. [...]

Take the Christmas tree. Once a man would locate a nice spruce in the forest, chop it down, drag it home, and his family would festoon it with homemade ornaments. Total effort: about a day's worth. Today's urban paterfamilias buys a spruce someone else chopped down for his family to festoon with commercial ornaments. Suppose he earns $50,000 per year. A nice spruce costs about $50 and some new ornaments perhaps $100. That $150 is about one day's income, representing a day's effort. Each man has, directly or indirectly, exchanged his labor for a decorated tree. Who is to say which is more spiritual?

quarta-feira, Dezembro 20, 2006

No checks, no balances, what scales?

"poder judicial" de Pedro Arroja no Blasfémias:
[...] os juízes em Portugal - os quais exercem o seu poder em nome dos cidadãos, como é próprio de uma democracia - acabam a prestar contas da sua actividade, não aos cidadãos - ou aos representantes que estes tenham eleito expressamente para esse fim -, mas, em primeiro lugar, a si próprios. E, em segundo lugar, acabam a prestar contas e a submeter-se ao controlo dos poderes executivo e legislativo - que é para isso que estão lá os sete deputados designados pela Assembleia da República -, que são precisamente os poderes que, numa sociedade democrática, incumbiria ao poder judicial controlar.

Não é, por isso, surpreendente que a justiça portuguesa não funcione. Uma justiça que tenha como seu orgão máximo um orgão assim, com esta composição, não pode funcionar nem em Portugal nem em qualquer outro país democrático. [...]

É altura dos yous começarem a dar prémios à imprensa tradicional

9 de Outubro de 2006
Blog P.I.
Dezembro de 2006
Time Magazine

terça-feira, Dezembro 19, 2006

Lilliportugal

"Demagógicos" de Carlos Manuel Castro no Tugir

Christmas Should be More Commercial (3)

"Scrooge Defended" de Michael Levin:
Scrooge is skeptical that many would prefer death to the workhouse, and he is unmoved by talk of the workhouse's cheerlessness. He is right to be unmoved, for society's provisions for the poor must be, well, Dickensian. The more pleasant the alternatives to gainful employment, the greater will be the number of people who seek these alternatives, and the fewer there will be who engage in productive labor. If society expects anyone to work, work had better be a lot more attractive than idleness.

The normally taciturn Scrooge lets himself go a bit when Cratchit hints that he would like a paid Christmas holiday. "It's not fair," Scrooge objects, a charge not met by Cratchet's patently irrelevant protest that Christmas comes but once a year. Unfair it is, for Cratchit would doubtless object to a request for a day's uncompensated labor, "and yet," as Scrooge shrewdly points out, "you don't think me ill used when I pay a day's wages for no work."

sprint pela baboseira do ano: "Hayeck: liberdade económica absoluta sem liberdade política"

"José Manuel Moreira sobre artigo de São José Almeida" n'O Insurgente. (JPG de SJA aqui)

PS: a não perder, no próximo sábado no Público, São José Almeida escreve sobre Chimsky.

Rovente in ogni vena

Dedicada à Rita [ obrigado pelo prémio! — veste-se? ]:

(clicar para ouvir)
http://www.artinfo.ru/RU/news/wavreports/Cecilia_Bartoli-Vivaldi%20-%20Gelido_in_ogni_vena.mp3
Vivaldi, Farnace, ária Gelido in ogni vena (Cecilia Bartoli)

Estado ausente. Anarquismo. Comunidade. Sociedade civil.

"Colectividades de Lisboa reunidas em 18 volumes" (Público edição impressa):
As mais de 500 colectividades que existem na cidade de Lisboa vão estar reunidas numa colecção com 18 volumes, o primeiro dos quais foi lançado ontem nos Paços do Concelho da capital. "Lisboa é a capital com mais colectividades, clubes, casas regionais e associações recreativas da Europa", refere a autarquia, acrescentando que "muitas destas colectividades são centenárias e têm vindo, ao longo dos anos, a desempenhar um papel fundamental na vida da cidade" através da promoção das práticas desportivas, actividades recreativas, culturais e outras "acções que conduzem a uma maior coesão social". [...]

taxas sobre a inovação

O jornal Público publica hoje uma entrevista com Lawrence Lessig [mentor do projecto Creative Commons — aqui o seu blog], cuja leitura se recomenda:
Esqueça por um segundo a ideia tradicional das pessoas que estão à procura de fazer dinheiro no sistema. Falemos de todas as outras que estão no negócio da criação— académicos, amadores, bloggers, pessoas que fazem vídeos de música em computador. Toda esta gente está regulada pelos direitos de autor de forma muito ineficiente.

(também com interesse: "Lawrence Lessig visits Second Life")

verdades inconvenientes — das taxas de desconto (6)

"Do Economists Agree on Climate Change? Yes" de Robert Whaples no TCSDaily:
Why do economists generally conclude that the economic impact of climate change is likely to be small, not large? The growing literature on this topic suggests that most parts of the economy are not very vulnerable to climate change. Just as importantly, parts of the economy that might be negatively impacted are pretty flexible and adaptable to change. If climate does change, crops can be modified, different crops can be planted and crops can be planted in different places, for example. If sea levels rise, we have the ability and resources to build protective structures or, in a worse case scenario, simply move to higher ground.
Thus, while potential climate changes might be devastating to parts of the environment, most economists don't think that it will affect our economic standard of living much, one way or the other. The bottom line is that recent history has shown economists that the primary cause of economic growth is technological improvement. Climate change cannot staunch the global torrent of new discoveries, processes and products. Human ingenuity is the ultimate resource and - as far as most economists are concerned - rising greenhouse gas levels cannot imperil this.

Christmas Should be More Commercial (2)

Montes de presentes no Christmas stuff at Mises.org! Os seguintes posts com o mesmo título virão de lá — mas quem quiser estragar a surpresa (de ler os destaques aqui no A Arte da Fuga), pode ir lá ver: é gratuito e agradecem freeriders.

"Bethlehem's Economic Lessons" de Lew Rockwell:
Let's begin with one of the most famous phrases: "There's no room at the inn." [...] In fact, the inns were full to overflowing in the entire Holy Land because of the Roman emperor's decree that everyone be counted and taxed. Inns are private businesses, and customers are their lifeblood. There would have been no reason to turn away this man of aristocratic lineage and his beautiful, expecting bride.
Clearly, if there was a room shortage, it was unusual event and brought about through some sort of market distortion. After all, if there had been frequent shortages of rooms in Bethlehem, entrepreneurs would have noticed that there were profits to be made by addressing this systematic problem, and built more inns. [...] It was because of a government decree that Mary and Joseph, and so many others like them, were traveling in the first place. [...] Thus we have another lesson: government's use of coercive dictates distorts the market.

Ainda Pinochet

"O economista e o ditador" do Hidden Persuader no Bicho Carpinteiro, com um texto de Brian Doherty:
Yes, it’s true—Friedman gave advice to Pinochet. But it wasn’t about how to find the best place at sea to dump the bodies of murdered political enemies. [...] If you believe it is a moral duty to boycott government criminals without reservation, then Friedman did the wrong thing in talking to Pinochet and writing him a letter. But if any Chilean had a better life because of any free-market reform that Friedman or Chicago-trained Pinochet advisors helped push through, that’s a small price to pay for any damage to Friedman’s reputation.

"General Augusto Pinochet" de Carlos Novais no Causa Liberal, com um texto de George Reisman:
When General Pinochet stepped down, he did so with a guarantee of immunity from prosecution for his actions while in power. However, the present and previous regime in Chile violated this agreement and sought to ensnare the General in a web of legal actions and law suits, making the last years of his life a period of turmoil. This was a clear violation of contract, comparable to the seizure of property in violation of contract. Not surprisingly the regimes in question were avowedly socialist. As a result of their breach, it is now considerably less likely that the world will soon see any other dictator voluntarily relinquish his power. The Chilean socialists will have taught him that to be secure, he must remain in power until he dies.

verdades inconvenientes — das taxas de desconto (5)

"Recalculating the Costs of Global Climate Change" de Hal R. Varian no The New York Times:
So, should the social discount rate be 0.1 percent, as Sir Nicholas Stern, who led the study, would have it, or 3 percent as Mr. Nordhaus prefers? There is no definitive answer to this question because it is inherently an ethical judgment that requires comparing the well-being of different people: those alive today and those alive in 50 or 100 years.

Still, we may at least ask for consistency in our decisions. Forget about global warming and consider the much simpler problem of economic growth. How much should we save today to bequeath to future generations if we really believed in a 0.1 percent social discount rate and the other assumptions built into the Stern model? The answer, according to Sir Partha’s calculation, is that we should invest 97.5 percent of what we produce today to increase the standard of living of future generations.
Sir Partha’s stripped-down model leaves out uncertainty, technological change and population growth, but even so, such a high savings rate is totally implausible.

Leituras

"Desonestos?", de João Luís Pinto no Small Brother:
Ora, assim como não aceito um referendo sobre a "liberalização da droga" que estabeleça um "direito à droga", ou seja e comparativamente, que o estado deveria então disponibilizar droga a todos os que não consigam pelos seus meios dispôr dela, não posso pactuar com uma pergunta de referendo que claramente desde a sua génese se escamoteia da clareza que seria desejável para a tomada de decisão, optando por referendar uma questão sem contornos e mandado bem definidos e cujo desfecho pode acarretar a violação de outras liberdades, nomeadamente a associada à propriedade de todos os contribuintes.

segunda-feira, Dezembro 18, 2006

Microsoft Repeats The Broken Windows Fallacy

"Microsoft Repeats The Broken Windows Fallacy" (TechDirt):
Back in September, we noted that Microsoft had commissioned a study that tried to demonstrate how much of a boon the release of Vista would be to the European economy. The company bragged about the thousand of IT jobs that would be "created" due to people working on Vista installations. Of course, this was precisely the opposite of what the company should be touting. It would be far more impressive if they could anticipate how many existing positions in IT could be eliminated, freeing up workers to do jobs that produce more value than installing an operating system. Well, it sounds like the US is in for even more fun once Vista is released here. The company says it will create 100,000 jobs, and $70 billion worth of business. Put another way, companies will have to bring on 100,000 more people and spend another $70 billion to deal with the launch, if the figures are accurate. Why are they bragging about this again?

O Governador do Banco de Portugal comprometeu a independência política da instituição

Via Canhoto, "Constâncio propõe imposto para combater a desigualdade" (Jornal de Negócios):
Vítor Constâncio defende a criação de mecanismos que promovam uma melhor redistribuição do rendimento em Portugal. O Governador do Banco de Portugal considera que "Portugal não está a ter um bom desempenho em termos de desigualdade de rendimento.

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Não se encontram estas liberdades ideológicas na Lei Orgânica (PDF) do Banco de Portugal:
Disposições gerais
Art. 12.º Compete especialmente ao Banco, sem prejuízo dos condicionalismos decorrentes da sua participação no SEBC:
a) Gerir as disponibilidades externas do País ou outras que lhe estejam cometidas;
b) Agir como intermediário nas relações monetárias internacionais do Estado;
c) Velar pela estabilidade do sistema financeiro nacional, assegurando, com essa finalidade, designadamente a função de refinanciador de última instância;
d) Aconselhar o Governo nos domínios económico e financeiro, no âmbito das suas atribuições.

...nem tão pouco no seu Código de Conduta (PDF):
No exercício de actividades políticas, os trabalhadores devem actuar por forma a preservar a independência e neutralidade do BP. Os trabalhadores não podem exercer actividades dessa natureza durante o horário de trabalho, nem utilizar, para tal efeito, o equipamento ou as instalações do BP.

O Governador do Banco de Portugal comprometeu a independência política da instituição. Acusado de ser um comissário político governamental, atravessa agora o Banco de Portugal numa discussão ideológica fora das suas competências ou responsabilidades. O Banco de Portugal devia ser um organismo da máxima discrição, previsibilidade, e escrúpulo. Estas declarações são marradas ao "regular funcionamento das instituições".

O direito ao funcionário público

Via Impertinências, o já antigo (2006/12/12) artigo de Miguel Frasquilho "Número de funcionários públicos: A confirmação de uma certeza", no Jornal de Negócios:

(clicar para aumentar)
Portugal surge em primeiro lugar, ou seja, é o país em que este indicador é mais baixo: apenas cerca de 18 habitantes por funcionário público, logo seguido pelo Luxemburgo com 19. Na Europa (UE-25) existem, em média, cerca de 31 habitantes por cada funcionário público da Administração Central, na vizinha Espanha este rácio é quase o dobro do nosso (36) e nas três primeiras posições surgem a Finlândia (com 46.5), a Lituânia (44.7) e a Polónia (com 42.3).
E já agora: o país da Europa melhor classificado nesta matéria é, como se viu, a Finlândia - que é muitas vezes citado como exemplo a seguir em várias áreas pelo primeiro-ministro. Pois aqui fica uma sugestão ao engenheiro Sócrates: faça lá também da Finlândia um modelo a seguir nesta matéria. Isso é que era!...

Saindo em defesa do liberalismo

Daniel Oliveira, em Porque voto "sim", no Arrastão [disclaimer prévio]:
Os movimentos pelo "não" têm insistido muito na palavra "liberalização". Não faz sentido. O aborto só poderá ser realizado antes das dez semanas e em estabelecimento de saúde autorizado. Não é livre. Os limites estão expressos na própria pergunta. Dizer que se trata de liberalizar é o mesmo que dizer que tudo o que é legal está liberalizado [AA: "a lei dá a liberdade"]. E temos dezenas de exemplos que nos demonstram o contrário.

Também não se trata de apenas descriminalizar. Por exemplo: o consumo de droga foi descriminalizado. Mas não foi despenalizado. E muito menos liberalizado. Se o aborto será feito apenas em estabelecimento de saúde autorizado trata-se de mais do que uma descriminalização e menos do que uma liberalização. O aborto será assim legalizado, com limites claros e definidos na lei.
Não se tratando apenas de uma descriminalização, ao despenalizar, como é evidente, também se descriminaliza. Ou seja, a descriminalização está em debate. [...]

O Daniel Oliveira está muito correcto quando diz que a legalização não é liberalização; contudo, adiante diz-se "liberal nos costumes", e propõe "o papel do Estado" como "regulador". Lamento, mas isso não é ser-se liberal nos costumes. É querer um Estado que imponha à força um liberalismo "social", o que não é muito liberal. E o liberalismo— qualquer liberalismo— é indissociável dos direitos económicos, nomeadamente os de propriedade — mas essa é outra discussão.

"There may be two libertarians somewhere who agree with each other about everything, but I am not one of them."

Via Catallarchy, "Some Responses to Mike Huben's A Non-Libertarian FAQ", David D. Friedman responde a Mike Huben:
1. They [libertarians] are utopian because there has never yet been a libertarian society (though one or two have come close to some libertarian ideas.)
A utopia is an ideally perfect society, not merely a society that has never existed.

To see the difference, consider a writer in 1600 describing the sort of mass franchise liberal democracy that is currently the standard form of political organization for developed societies. No such societies existed in 1600 or ever had existed. Yet such a society is by no means ideally perfect— indeed, most of us agree that there are quite a lot of things wrong with it, although we disagree about just what they are and what should be done about them.
A second mistake in the quoted sentence is that it identifies being a libertarian with holding the political goal of a perfectly libertarian society. No doubt many libertarians hold such a goal and regard it as achievable. But one can also be a libertarian in the sense of wanting a more libertarian society but not expecting ever to get and maintain a perfectly libertarian one.

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Ou, noutra toada:
Any set of acts, by government or by private individuals, can be "justified" by appropriate assumptions about what belongs to whom. Government taxation is merely the enforcement of the government's property rights--if you start with the assumption that the government has a property right to my income. Slavery is merely the enforcement of private property rights--if you start with the assumption that the slave owner has a right to own the slave. On precisely the same basis, the Mafia protection racket is merely the enforcement of property rights if you believe that the local don has a property right to tribute from those living in his territory--although at this point in the argument, Mike unaccountably refuses to follow out the logic of his own position.

Thus what Mike is attacking in much of his argument is not only not libertarian moral theory, it is not a moral theory at all, since it can equally well demonstrate any act to be legitimate or illegitimate--according to what rights you assume the actors have. To adequately answer libertarian arguments, Mike has to take account of libertarian views on how things justly become property--more generally on how rights are acquired. Those views are inconsistent with slavery as it actually happened. They are also inconsistent with most of Mike's social contract arguments. In order to deal with those views, Mike will have to either broaden his attack into a rejection of all moral theory--which I take to represent his real views--or show why some alternative is more convincing than the libertarian version.

Liberaltarians (2)

Na continuação de Libertaltarians (1), o podcast do Cato Institute com Brink Lindsey.

Lifestyles of the Rich & Fascist


Lifestyles of the Rich & Fascist

domingo, Dezembro 17, 2006

A blogosfera acaba já ali...

"Fim do boom dos blogues previsto para 2007" (Público)

...e o Governo não faz nada??

Re: Liberais pela vida (1)

Nos posts Liberais pela vida (1 e 2), também publicados n'O Insurgente, apresentei argumentos liberais pela criminalização do Aborto (ou contra a sua despenalização— é indiferente, porque nas doutrinas liberais, a "sociedade" não decide não penalizar crimes: só as vítimas podem perdoar penas).

Julgo ter apresentado, das fontes consultadas, os textos mais sólidos, mas admito que o meu enviezamento pode ter prejudicado a minha selecção. Para preservar o mínimo de isenção naquele exercício, expondo ideias com as quais não concordo, decidi guardar os meus comentários àqueles textos para posts posteriores — começando por este.
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Doris Gordon ("How I Became Pro-Life: Remarks on Abortion, Parental Obligation, and the Draft") invoca a imagem da conscrição militar, uma instituição justamente odiada por liberais. A sua lógica é que ninguém deve anos da sua vida às Forças Armadas, mas os pais devem sustento à criança por nascer: "once having brought children into a state of dependency, we have the obligation to bring them safely out". É o argumento central de Feser, que será respondido adiante porque a sua argumentação é muito mais sólida.

Doris Gordon refere Ayn Rand, mas é útil relembrar a posição desta escritora e filósofa liberal, aqui em duas citações encontradas no Abortion is Prolife:
I cannot project the degree of hatred required to make those women run around in crusades against abortion. Hatred is what they certainly project, not love for the embryos, which is a piece of nonsense no one could experience, but hatred, a virulent hatred for an unnamed object...Their hatred is directed against human beings as such, against the mind, against reason, against ambition, against success, against love, against any value that brings happiness to human life. In compliance with the dishonesty that dominates today's intellectual field, they call themselves 'pro-life.'
Observe that by ascribing rights to the unborn, i.e., the nonliving, the anti-abortionists obliterate the rights of the living: the right of young people to set the course of their own lives.

Ou seja, para Rand, nenhum embrião é um "vivo", um agente moral, e portanto nenhum embrião tem direitos.

A Infâmia da Censura (5)

Eduardo Cintra Torres, "Um documento negro e infame", hoje no Público:
O meu artigo de 20.08, Como se Faz Censura em Portugal, centrado nos noticiários de 12.08, tinha página e meia em A4. A ERC produziu sobre ele uma Deliberação e uma Recomendação de 234 páginas, das quais menos de 20 sobre acusações separadas do deputado Agostinho Branquinho.

É um documento negro para a história da liberdade de expressão após o 25 de Abril, sem paralelo na produção de matéria sobre o assunto por parte de organismos do Estado. Extenso, produzido por uma equipa que inclui dezenas de pessoas, em 3,5 meses [...]
[...] A ERC defende o mesmo tipo de censura e atropelo à liberdade que denunciei no meu artigo: afirma que o director do PÚBLICO "tinha o direito-dever de não publicar" esse artigo.

Considero este documento infame, oriundo de uma entidade marcada pela suspeita da sociedade livre desde a sua origem e que agora confirma as mais negras previsões ao agir sob o signo da desonestidade intelectual, abuso de competências e ao defender a censura no nosso Portugal livre.

A Infâmia da Censura (4)

António Barreto ("Quem o tem chama-lhe seu"), hoje no Público:
[...] um passo dado no condicionamento da liberdade de expressão é sempre um passo a mais.
[...] a liberdade de expressão não é um privilégio dos jornalistas, é um direito dos cidadãos.
Este governo está à beira de pensar o impensável: dá sinais de acreditar em que a liberdade dos cidadãos é incompatível com o poder. O seu.

Leituras

"Na Minha Clínica Manda o Estado" de Bruno Alves no Desesperada Esperança:
[...] Parece não ocorrer ao senhor Ministro da Saúde que uma clínica privada de saúde é um estabelecimento comercial como outro qualquer. [...] Parece não ocorrer ao Ministro da Saúde que a lei não deve servir para [...] obrigar as clínicas privadas a prestarem determinados serviços só porque a lei os permite [...]. Ao ignorar isto, o Ministro da Saúde apenas mostra como o Governo não consegue fugir à tentação, à instintiva tendência socialista, de moldar a sociedade a partir do Estado, a partir da imposição central de comportamentos e acções. [...] esta propensão socialista para o "design-não-muito-inteligente" da sociedade é algo que não quero para o meu país. E ela ultrapassa em muito esta questão.

♪ Say dance sucka dance

(clicar para ouvir)
http://pianistmatthewcameron.com/gnomen.mp3
Franz Liszt, Gnomenreigen (a dança dos gnomos)

O Natal chegou mais cedo

À volta da viçosa árvore de Natal, dispõem-se sapatinhos cheios de personalidade— desirmanados mas ufanos pela sua festiva responsabilidade— e, sobre eles, em cascata cuidadosamente descuidada, dispõem-se vários presentes primorosamente embrulhados em papel colorido.

Calma aí. A árvore de natal é uma mesa de secretária, os sapatos são capas de dossier, e os presentes são maços de folhas A4 à espera do carimbo que fará a alegria dos senhores da auditoria. De volta ao trabalho.

Lealdade ao estatismo (3)

Incluído em "Libertarian Party (2)" (André Azevedo Alves n'O Insurgente), e recordando "Lealdade ao estatismo (2)":
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"The famous "Battered Voter Syndrome" ad." | youtube

Globalisation is Good (3)

In Defense of Global Capitalism
Johan Norberg

What I really believe in, first and foremost, isn’t capitalism or globalization. It isn’t the systems or regulatory codes that achieve all we see around us in the way of prosperity, innovation, community, and culture. Those things are created by people. What I believe in is man’s capacity for achieving great things, and the combined force that results from our interactions and exchanges. I plead for greater liberty and a more open world, not because I believe one system happens to be more efficient than another, but because those things provide a setting that unleashes individual creativity as no other system can. They spur the dynamism that has led to human, economic, scientific, and technical advances. Believing in capitalism does not mean believing in growth, the economy, or efficiency. Desirable as they may be, those are only the results. At its core, belief in capitalism is belief in mankind.

Um livro absolutamente recomendado pelo A Arte da Fuga é o excelente In Defense of Global Capitalism do escritor sueco Johan Norberg. Johan Norberg descreve-se como um liberal na tradição clássica europeia, mas o livro não defende o liberalismo em si: é um manifesto a favor do capitalismo, o melhor sistema gerador de riqueza não-inventado pelo Homem.
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Norberg dá a volta ao mundo explicando como a globalização capitalista arranca da miséria milhões de seres humanos, transforma o eterno desespero da subsistência na esperança da prosperidade e faz criar sociedades vibrantes, equilibradas e tolerantes. Norberg demonstra que são os recantos onde a liberdade económica mais é reprimida, os países que menos acesso tiveram à globalização que tanto precisam, que mais contribuem para as desigualdades que tanto nos chocam, justamente as que movem os movimento anti-globalização.

Pelo caminho, Norberg desmancha as sempiternas ideias-feitas e falácias económicas anticapitalistas. Um breve relance para a estrutura do livro é suficiente para reconhecer que o autor não se retrai. Exemplos de capítulos: "Oprression of women", "Global inequality", "Freedom or equality? Why choose?", "Property rights— for the sake of the poor", "Free trade is fair trade", "No end of work", "An unequal distribution— of capitalism", "The white's man shame", "Big is beautiful", "The leaderless collective", "The right to choose a culture".

[ In Defense of Global Capitalism: Amazon.co.uk | Johan Norberg: webpage/blog, wikipédia ]

Globalisation is Good (2)

"Os Bandalhos dos Capitalistas" no irredutível 25 centímetros de neve.

Globalisation is Good

Globalisation is Good (Google Video), o famoso documentário de Johan Norberg para o Channel 4

"Globalisation is good" tells a tale of two countries that were equally poor 50 years ago - Taiwan and Kenya. Today Taiwan is 20 times richer than Kenya. We meet the farmers and entrepreneurs that could develop Taiwan because it introduced a market economy and integrated into global trade. And we meet the Kenyan farmers and slum dwellers that are still desperately poor, because Kenya shut its door to globalisation. The Kenyans are suffering from regulations, corruption and the lack of property rights. The unequal distribution in the world is a result of the unequal distribution of capitalism - those who have capitalism grow rich, those who don't stay poor.

sábado, Dezembro 16, 2006

Queen is a monster

Os Melhores Blogues 2006 (2)

Julgo que não agradecemos convenientemente a quem votou em nós no concurso "Os Melhores Blogues 2006", promovido pelo Geração Rasca. Não subimos aos pódios, mas é sempre gratificante figurar entre as referências deste pequeno meio. Estas nomeações enchem-nos de vaidade e vontade de agradecer com muitas frases feitas. Mas porque o Technorati não está a ajudar a fazer a lista dos blogues e bloggers credores da nossa gratidão, ficamos por um grande "muito obrigado". Voltem sempre, que nós continuaremos a fugir.

Prémio Bastiat

"Guerrilha semiológica digital" no Remixtures:

Qualidade

Neste sábado solarengo, quando podia estar fechado num centro comercial numa orgia de consumismo, estou fechado no meu aquário laboral a preparar a malfadada auditoria da "Qualidade" de segunda-feira — uma burocracia despegada que obriga todo o telefonema a levar um carimbo e todo o documento informático a ser duplicado em papel.

Ressinto uma artificialidade que me rouba o fim-de-semana, pois claro que ressinto. Pior. Qualquer medida administrativa que reduz a minha produtividade é uma heresia do ponto de vista liberal.

Aqui, no A Arte da Fuga, já nos debruçámos sobre esta "problemática", e provavelmente a ela voltaremos. Auto-regulação, certificação privada, e tal. Por agora, deixo à consideração dos leitores uma solução engenhosa, imediata, e inegavelmente neo-ortodoxo-liberal: atirar os senhores da Qualidade para fora de um avião em pleno voo.

Christmas Should be More Commercial

"Christmas Should be More Commercial" de Leonard Peikoff na Capitalism Magazine:
America's tragedy is that its intellectual leaders have typically tried to replace happiness with guilt by insisting that the spiritual meaning of Christmas is religion and self-sacrifice for Tiny Tim or his equivalent. But the spiritual must start with recognizing reality. Life requires reason, selfishness, capitalism; that is what Christmas should celebrate -- and really, underneath all the pretense, that is what it does celebrate. It is time to take the Christ out of Christmas, and turn the holiday into a guiltlessly egoistic, pro-reason, this-worldly, commercial celebration.

Sociedade (i)liberal (2)

Na continuação deste texto do AMN, recordo este excelente artigo.

sexta-feira, Dezembro 15, 2006

Dia D

Hoje, na revista Dia D, distribuída com a edição impressa do jornal Público:

"Manifestações de vontade" de José Pedro Costa e Silva:
Os trabalhadores da Administração Pública que não concordam com as decisões políticas que alteram o conjunto caprichoso das suas regalias, podem e devem sair.

"Balanço e avaliações" de Luís Silva
Repare que muitos dos concidadãos que elegemos, criadores da tal legislação, gestores do dinheiro dos impostos que cada um de nós paga, assim como muitos dos demais agentes não eleitos do Estado, têm tantos ou menos conhecimentos formais de economia como o leitor.

Proponho apenas que se interesse em descobrir e perceber quais os resultados, na economia e na sua vida, que as diferentes propostas políticas podem ter.

Não sabem nem sonham

"O socialismo tem adeptos em toda a parte" de Miguel Noronha n'O Insurgente.

Euro-social-nacionalismo cultural

"How we laughed at these comic new regulations about films", Boris Johnson no Telegraph:
Let us [...] assume that Gordon Brown is right to want to subsidise British film, on the grounds that you have got to chuck a sprat to catch a minnow. Let us indulge his efforts to funnel £120 million down the gullet of our needy film industry. It is not so much the subsidy that is objectionable, as the bureaucratic hell he has created. As soon as the Brussels EU commission got word of the plan, they saw the problem. "What ees these?" said the competition directorate. "It is a state aid," they said. "It is forbidden." So the junior Arts minister Shaun Woodward went out to plead with the Commission. Oh please let us subsidise our film industry, he begged. It is very important. We have loads of brilliant film studies graduates, we have a great reservoir of talent, we have untold numbers of grips and gaffers and best boys and all they need is the vital lubricant of taxpayer's dosh and soon they will be producing another wonderful highbrow film like the one extolling Irish republicanism.
Mais non, said the commission. You cannot just give them the money like this. You can only do it if you say it is promoting your national culture. Hmm, said Shaun, wondering whether extolling Irish republicanism was the same thing as extolling British culture. You mean we can only bung this money to British film-makers if we can show that there is something really quintessentially British about these films?

That's right, said the Commission officials [...]

Top of the heap

Sociedade (i)liberal

No Blasfémias, o Pedro Arroja escreve que, no que tocava à esfera dos interesses privados a que pertence a actividade económica, Portugal de Salazar, a Espanha de Franco e o Chile de Pinochet eram sociedades liberais. Tenho muita dificuldade em acompanhar tais considerações, pelo menos no que toca ao nosso país, que conheço melhor que os exemplos restantes.

Porque não sei encaixar, nessa frase do Pedro Arroja, circunscrita ao aspecto económico, os monopólios criados e forçados por lei nem os benefícios estaduais a um conjunto privilegiado de banqueiros e industriais que existiram nos idos tempos do Estado Novo. Como igualmente não sei descrever a actividade económica livre entre indivíduos que não são livres como “sociedade liberal”.

Nem sei, nessa perspectiva de Pedro Arroja, contextualizar as palavras de Salazar, nomeadamente quando este dizia “Normalmente, o Estado deve tomar sobre si a protecção e a direcção superior da economia nacional pela defesa externa, pela paz pública, pela administração da justiça, pela criação das condições económicas e sociais da produção, pela assistência técnica e o desenvolvimento da instrução, pela manutenção de todos os serviços que são auxiliares da actividade económica, pela correcção dos defeitos que por vezes resultam do livre jogo das actividades privadas”.

quinta-feira, Dezembro 14, 2006

No fun

Uma das novidades mais giras da blogosfera, que nos atira perigosamente para a política, é esta forma moderada de reagir às notícias, sempre acautelando incoerências futuras.

Noutros tempos, morria o Pinochet e os Castristas deste mundo entretinham-se a saudar a morte de um ditador e a fazer elegias sobre a liberdade e mais não sei o quê. Hoje, acagaçados com a perspectiva de lhes atirarem à cara os mesmos textos no dia em que quiserem manifestar tristeza pela morte do seu grandioso ícone, debitam umas palavras de circunstância e até ressalvam o crescimento económico que o homem proporcionou.

Isto assim não tem piada nenhuma.

Momento Intimista do Dia

Dias inteiros sem blogar servem para perceber que não mandamos, afinal, na vida que temos. Ela corre, indiferente, como se nada fosse. Os dias chegam, ficam e vão. Como antes. O que mais nos caracteriza, os maiores prazeres, os nossos vícios, as nossas escapadelas valem nada.