Backcourt socialism
"Wimbledon to pay equal prize money" (CNN):
Não cabe na cabeça dos promotores desta absurda ideia que os prémios são diferenciados não só porque há maior mercado para ténis masculino, como as respectivas receitas são maiores, também fruto dos encontros serem mais compridos. Se a paridade dos prémios fosse razoável, seria a prática corrente.
Esta medida terá sérios custos, não somente financeiros. Subir prémios implica cobrar mais bilheira ou mais direitos de transmissão, tornando o evento mais exclusivo e menos espectacular. Baixar prémios da competição masculina para aumentar os prémios da competição feminina implicará que o evento perderá prestígio para as outras provas do tour.
O capitalismo faz bem ao ténis: tornou-o um dos únicos desportos capazes de rivalizar com o futebol. Por todo o mundo, são organizadas provas em concorrência entre si, o que torna a competição saudável. Se o ténis adoptar o socialismo, em nome do politicamente correcto, a prazo será um desporto decadente — como toda a actividade socialista.
###
Reacção de Amélie Mauresmo:
A primeira reacção que se impõe - "Stupid, stupid tennis players" no The Devil's Kitchen:
Também: You What? de Tim Worstall.
![]() | Men and women will receive equal prize money at Wimbledon this year for the first time in the history of the most prestigious tennis tournament in the world. |
Não cabe na cabeça dos promotores desta absurda ideia que os prémios são diferenciados não só porque há maior mercado para ténis masculino, como as respectivas receitas são maiores, também fruto dos encontros serem mais compridos. Se a paridade dos prémios fosse razoável, seria a prática corrente.
Esta medida terá sérios custos, não somente financeiros. Subir prémios implica cobrar mais bilheira ou mais direitos de transmissão, tornando o evento mais exclusivo e menos espectacular. Baixar prémios da competição masculina para aumentar os prémios da competição feminina implicará que o evento perderá prestígio para as outras provas do tour.
O capitalismo faz bem ao ténis: tornou-o um dos únicos desportos capazes de rivalizar com o futebol. Por todo o mundo, são organizadas provas em concorrência entre si, o que torna a competição saudável. Se o ténis adoptar o socialismo, em nome do politicamente correcto, a prazo será um desporto decadente — como toda a actividade socialista.
###
Reacção de Amélie Mauresmo:
"I think most of the people agreed it's not a matter of how long we (women) spend on the court. The men are always going to play longer because they play best of five sets. It's just a matter of being equal."
A primeira reacção que se impõe - "Stupid, stupid tennis players" no The Devil's Kitchen:
Look, you silly bitch, if it's a matter of being equal, then either the women get paid less or they play five sets, OK?
If you employ two people and, all other things being equal, one works for 8 hours and the other works for 4 hours, the one working for 4 hours gets paid less. That's equal, right?
Because if you paid the one working 4 hours the same as the one working 8 hours, that wouldn't be equal, would it? Because the person working 4 hours would be getting paid twice as much per hour as the person working 8 hours. That, my little Mauresmo, is not equality, is it?
Também: You What? de Tim Worstall.
tema por AA em 20:16












23 Comentários:
Se a paridade de prémios é socialismo (que de resto é uma expressão do ponto de vista intelectual, absolutamente inacreditável) pergunto eu mesmo o que achas do "revenue sharing" e "salary caps" implementadas nas ligas Norte-americanas de desportos profissionais, que salvaram e viabilizaram as respectivas modalidades. NFL, NHL e sobretudo a NBA.
"Se a paridade dos prémios fosse razoável, seria a prática corrente."
Bem, como a prática corrente é efectivamente a paridade, o AA estará pronto a admitir que afinal é razoável? Ao contrário do que parece pensar, Wimbledon era o único Grand Slam onde não existia a paridade. O US Open e o Australian Open já a praticam há vários anos (no caso americano, para aí há uns 30 anos) e não tiveram grandes problemas com isso.
Eu não percebo qual é o problema de uma empresa privada ser "socialista". A questão da duração dos confrontos também é, per se, irrelevante: o revenue não se mede propriamente pelo tempo que os tenistas estão no campo. (curiosamente, a Martina Navratilova foi tão estúpida
Embora eu prefira, de longe e como qualquer verdadeiro adepto, o ténis masculino - não por os jogos serem mais compridos, mas por a qualidade do jogo ser muítissimo mais elevada (há mais força e rapidez) e os jogos mais equilibrados e de resultado mais incerto - a verdade é que ténis feminino tem crescido imenso de popularidade nos últimos anos.
Os jogadores devem ser pagos pelo entertenimento que proporcionam - e pelo que estão dispostos a pagar as pessoas que os vão ver ou as tvs - o que não tem nada a ver com a duração do jogo, nem apenas com a qualidade do ténis praticado - nesse caso qualquer jogador do top 100 do ATP Tour ganharia mais que a Sharapova. O ténis masculino gera mais receitas - basta analisar os prize-moneys do ATP Tour e do WTA Tour. Mas, para os Grand Slams essas contas não funcionam assim tão bem - primeiro porque comparando apenas os melhores jogadores as diferenças (na capacidade atrair receitas) não são assim tão grandes (falta ao ténis feminino a profundidade do masculino, logo é raro existirem jogos verdadeiramente competitivos nos WTAs); depois porque é muito díficil fazer uma separação de receitas. num Grand Slam (e eu até acredito que no caso de Wimbledon a maioria dos espectadores nos courts prefira ver jogos masculinos; mas os sponsors, as tvs?)
Mas a decisão é sempre legítima e parte apenas de uma avaliação de custos/benefícios: Wimbledon percebeu que os custos de imagem seriam superiores ao de igualar os prize-moneys; e que o investimento no ténis feminino poderia, a prazo, pagar. Isto não tem nada a ver com socialismo. O inacreditável argumento de que os prize-moneys não deveriam subir para os preços não subirem é que me parece muito socialista, mas, já agora, eles também anunciaram que os preços não seriam actualizados este ano - isto sim, uma notícia importante.
Willespie, não são apenas as ligas americanas que adoptam esses socialismos. No caso do futebol (soccer) isso é ainda mais gritante - o socialismo é ainda mais evidente. O IGB do futebol (a FIFA) é, essencialmente, uma máquina de redistribuição de riqueza - voluntária. Parte substancial das receitas das grandes competições profissionais é redistribuída pelas ligas menores e pelos clubes amadores (via federações nacionais), pelo futebol de países mais pobres (via FIFA) e na promoção do futebol juvenil (ambas).
Foi este tipo de organização "socialista" que permitiu tornar o futebol o mais bem sucedido desporto profissional de sempre. Aliás, é sintomático que após n tentativas frustradas de impôr o futebol nos EUA, seguindo o modelo das ligas profissionais fechadas, este esteja finalmente a ser bem sucedido - graças ao know-how da FIFA e ao seu peculiar esquema de redistribuição. Por alguma coisa, os grandes clubes não optam por uma liga europeia fechada: sabem que para o sucesso do seu negócio é imprescindível a existência de um esquema deste género, e aí a FIFA tem sido extremamente eficaz.
Aliás, para grande pena do AA, os desportos profissionais mais bem sucedidos são aqueles que adoptam este tipo de socialismo voluntário: a história do boxe ou da luta entre o futebol e o sumo no Japão são elucidativas.
"Não cabe na cabeça dos promotores desta absurda ideia que os prémios são diferenciados não só porque (...)"
"Esta medida terá sérios custos, não somente financeiros"
Por outro lado, não será legitimo supor que "os promotores desta absurda ideia" (o grupo que organiza o torneio) sabem melhor o que é bom para o torneio de Wimbledon do que eu ou o AA?
Afinal, se eles tomaram essa decisão é porque concluíram que os benefícios ultrapassarão os custos (incluindo eventuais benefícios não tangíveis, como o status de passarem a ser considerados um torneio "moderno")
nesta tenho que dizer que concordo com o AA, não falo de socialismo nem de feminismo.
Falo sim de que os jogos dos homens duram o dobro senão o triplo do das mulheres, digamos que os jogos das mulheres, a grande maioria são fraquinhos. por isso os homens devem ganhar mais. quem quer ver jogos de break, contra break, breakpoint e contra contra break.
Nisto sou machista.
Ao fim dos posts do quizzer, eu até me sentiria mal em aumentar ainda mais o embaraço ao AA. Muito bem quizzer.
Caros amigos,
Não tenho embaraço nenhum em responder-vos, especialmente porque só o Miguel Madeira (como sempre) se dirigiu directamente ao que eu escrevi, com a acutilância habitual.
salvaram e viabilizaram as respectivas modalidades
É absurdo pensar que o sistema foi salvo do colapso por um controlo de preços! Não há noção de como funcionam os incentivos económicos?
Isso é o mesmo que dizer que o racionamento ou fixação estatal de preços "salvam" qualquer economia socialista!
Como se essas ligas desportivas desaparecessem se essas medidas não fossem implementadas! Ri-dí-cu-lo!
O que se preservou foi um sistema mau, pela implementação de medidas más. O sistema fechou-se sobre si mesmo. Típico de uma economia estatizada cujo status quo é incapaz de reagir a um mercado livre.
O sistema só pode ser perpetuado porque é suficientemente aberto para fora, pelo que de facto se mantêm incentivos para uma meritocracia de mercado.
Bem, como a prática corrente é efectivamente a paridade, o AA estará pronto a admitir que afinal é razoável?
Cherry Picking. Qual é a média de prémios no circuito masculino, e qual é a média correspondente no feminino?
Ao contrário do que parece pensar, Wimbledon era o único Grand Slam onde não existia a paridade.
Contrariamente ao que parece pensar, eu leio os artigos antes de lhes dar destaque aqui no blogue.
Eu não percebo qual é o problema de uma empresa privada ser "socialista".
Nenhum. O meu problema não é com o board do All England Lawn Tennis and Croquet Club, que é exemplar do poder da sociedade civil.
O meu problema é com uma decisão que os próprios administradores dizem ter contornos "sociais", o que quer dizer, considerando que Wimbledon beneficia da benesse do Estado, contornos "políticos".
Os jogadores devem ser pagos pelo entertenimento que proporcionam - e pelo que estão dispostos a pagar as pessoas
bingo
duração do jogo, nem apenas com a qualidade do ténis praticado
daí eu ter usado a partícula "também". Se os jogos são mais compridos, é estúpido alegar-se "salário igual por trabalho igual".
Mas a decisão é sempre legítima e parte apenas de uma avaliação de custos/benefícios
Incluindo políticos.
No caso do futebol (soccer) isso é ainda mais gritante
Que disparate. E todos os clubes e ligas recebem o mesmo?
Foi este tipo de organização "socialista"
Doublespeak não - Português por favor. Em nenhum caso há paradigmas de "todos ganham o mesmo". Quem se dá melhor ganha mais. Tal como os trabalhadores numa empresa.
que permitiu tornar o futebol o mais bem sucedido desporto profissional de sempre.
Para isso é preciso provar que na ausência dessa organização, não haveria tanto ou mais futebol.
Por outro lado, não será legitimo supor que "os promotores desta absurda ideia" (o grupo que organiza o torneio) sabem melhor o que é bom para o torneio de Wimbledon do que eu ou o AA?
[finalmente, o Miguel!]
É inteiramente legítimo. Como referi acima, o meu problema é que estas medidas foram tomadas por pressão política - que obviamente tem de ser tomada em conta por qualquer agente livre.
A minha objecção política - e uma que ninguém ainda se dignou a responder, tão preocupados estão a discutir a lana caprina que recobre as bolas - é o absurdo de homens ganharem o mesmo que mulheres, por uma actividade que o mercado tem diferenciado.
nesta tenho que dizer que concordo com o AA, não falo de socialismo nem de feminismo.
Margarida, há um mundo de diferenças. Até podíamos ir para coisas bem menos prosaicas, como os jogadores serem regalos diferentes para diferentes espectadores.
"Qual é a média de prémios no circuito masculino, e qual é a média correspondente no feminino?"
Eu abordei isso: "O ténis masculino gera mais receitas - basta analisar os prize-moneys do ATP Tour e do WTA Tour." Mas também adiantei uma explicação: a profundidade dos quadros. Não faz sentido comparar os Grand Slams com o resto do Tour.
"
A minha objecção política - e uma que ninguém ainda se dignou a responder, tão preocupados estão a discutir a lana caprina que recobre as bolas - é o absurdo de homens ganharem o mesmo que mulheres, por uma actividade que o mercado tem diferenciado."
O problema é que participar nos torneios de Grand Slam não tem sido uma actividade que o mercado tem diferenciado de forma sensível - a parte umas sondagens ao público que o All England Club divulgou há uns anos. E se a objecção política é essa, não percebo bem a referência à duração dos encontros.
Ou por exemplo "aumentar os prémios da competição feminina implicará que o evento perderá prestígio para as outras provas do tour."
O US Open e o Australian Open perderam prestígio, foi?
"O que se preservou foi um sistema mau, pela implementação de medidas más. O sistema fechou-se sobre si mesmo. Típico de uma economia estatizada cujo status quo é incapaz de reagir a um mercado livre."
Mas está a falar de quê? O que não tem faltado no desporto americano é concorrência entre ligas.
"Que disparate. E todos os clubes e ligas recebem o mesmo?"
Não. Nem todos os jogadores de ténis recebem o mesmo.
"Se os jogos são mais compridos, é estúpido alegar-se "salário igual por trabalho igual"."
Por acaso, eu não aleguei isso.
"O meu problema é com uma decisão que os próprios administradores dizem ter contornos "sociais", o que quer dizer, considerando que Wimbledon beneficia da benesse do Estado, contornos "políticos"."
It's a long shot... Acho que o problema foi o AA ter achado que os prémios iguais eram uma imposição do PC e não do mercado. As pressões foram sociais porque foram da sociedade - ou seja, do público. Acha que era confortável para os sponsors - que asseguram o grosso das receitas, quer no mercado primário, quer no secundário - estarem associados a um torneio que era visto como anacrónico? Acha que a publicidade negativa - na qual as jogadoras se empenhavam tanto - não tinha um custo?
"A minha objecção política - e uma que ninguém ainda se dignou a responder, tão preocupados estão a discutir a lana caprina que recobre as bolas - é o absurdo de homens ganharem o mesmo que mulheres, por uma actividade que o mercado tem diferenciado."
O mercado não tem diferenciado tanto quanto isso. Maria Sharapova em 2006 ganhou mais dinheiro que o número um mundial do sector masculino Roger Federer. Dado que os prémios obtidos nos torneios são inferiores, não deixa de ser um facto notável - e mostra que no mercado da publicidade, é possível alguém do sector feminino "derrotar" os atletas masculinos.
E Sharapova não é um caso tão isolado quanto isso. Já antes Kournikova tinha feito a mesma proeza. E Serena Williams, bem como a sua irmã, obtiveram também muito bom dinheiro à custa do mercado... da publicidade.
Por exemplo, em Wimbledon em 2005, a audiência da final masculina (Roddick vs Federer) foi de 5,8 milhões de espectadores, enquanto a final feminina foi vista por 6,8 milhões de espectadores - falo desta porque foi a única onde numa pesquisa breve pela net consegui encontrar... mas aposto que por exemplo a final do Australian Open Serena vs Sharapova tenha dito muito mais audiência que a final Federer vs González.
Gostava que o AA me explicasse o que quer dizer com isso do mercado diferenciar a favor do sector masculino?
Jorge, vai-se ater à questão dos prize moneys do ATP e do WTA, como se não fossem organizações distintas, com públicos diferentes, competições distintas e fosse possível traçar um pararelismo com os Grand Slams - que tem um público bastante diferente.
Eu abordei o assunto - "mas os sponsors, as tvs?"; "parte apenas de uma avaliação de custos/benefícios: Wimbledon percebeu que os custos de imagem seriam superiores ao de igualar os prize-moneys";"Os jogadores devem ser pagos pelo entertenimento que proporcionam - e pelo que estão dispostos a pagar as pessoas";" nem apenas com a qualidade do ténis praticado" - mas o AA preferiu passar por cima.
O AA poderia ter alguma razão - mesmo assim, seria muito, muito, discutível, e eu acho que continuaria a não ter - se o que estivesse em causa fosse uma decisão da ITF para estabelecer uma paridade nos prémios das competições tenísticas profissionais. Teria toda a razão caso fosse alguma imposição legal. Assim, não.
Quizzer,
totalmente de acordo com o que dizes. Também concordo com a linha de raciocinio do AA, ele parte é de uma premissa errada. A de que o mercado (o público dos Grand Slam) diferencie o sector masculino do sector feminino tanto quanto isso.
Outro exemplo:
Audiência da final do Wimbledon 2001 (BBC).
Ivanicevic vs Rafter - 6,6 milhões de espectadores
Venus vs Henin-Hardenne - 7,5 milhões de espectadores
Claro que os restantes torneios da WTA, quando comparados com os do ATP não são comparáveis, mesmo porque as mulheres sofrem de um grave problema de falta de competitividade. Como no Grand Slam participam quase todas as mulheres bem classificadas no ranking, tal problema torna-se menos significativo.
"Como referi acima, o meu problema é que estas medidas foram tomadas por pressão política"
Não sei o contexto em que a decisão foi tomada, mas houve efectivamente pressão politica do governo, ou o que houve foi mais uma pressão "social", estilo o torneio estar a ganhar imagem de "machista" e querer afastar essa imagem?
Não faz sentido comparar os Grand Slams com o resto do Tour.
Não faz sentido não o fazer. Um mercado é um contínuo. É nesse contínuo que se encontra a diferenciação do valor do ténis masculino e feminino - que podia ser ao contrário, isso é indiferente à discussão.
não percebo bem a referência à duração dos encontros.
Já expliquei uma e outra e outra vez. Só por si, refuta a exigência "salário igual para trabalho igual".
O US Open e o Australian Open perderam prestígio, foi?
As "outras provas do tour" não se limitam aos três outros grand slams, mas ao tour, que compreende inúmeros torneios.
Mas está a falar de quê? O que não tem faltado no desporto americano é concorrência entre ligas.
Estou a falar de condições de concorrência dentro de um desporto.
estarem associados a um torneio que era visto como anacrónico?
A diferenciação de ordenados não é um modelo anacrónico, antes pelo contrário. Digamos antes que o torneio não era "progressista".
Enfim, o ténis não se resume à ITF; ou muito me engano ou a ATP só terá a ganhar com isto - para prejuízo do ténis feminino, com pena minha.
Maria Sharapova em 2006 ganhou mais dinheiro que o número um mundial do sector masculino Roger Federer.
A questão não é os jogadores de topo (a amostra tem de ser maior), e quanto ganham no total (não conta a correcção feita pelo mercado publicitário) - são os prize moneys no tour. Que são inferiores.
no mercado da publicidade, é possível alguém do sector feminino "derrotar" os atletas masculinos.
Que o seja, com muito regozijo da minha parte, não vejo ninguém defender "contratos publicitários" iguais para homens e mulheres - ou estaria a barafustar da mesma maneira, por muito que fossem entidades privadas a praticá-lo.
a audiência da final masculina
Se falamos de um torneio, temos de comparar as audiências totais. Não é só a final que conta. Mas é um bom ponto. Se as receitas publicitárias directas (que revertem para a organização) forem superiores para o ténis feminino, há caso subjectivo para admitir que os prémios sejam menos díspares. Objectivamente, é uma questão de saber qual é o retorno marginal dos prémios para um e outro caso.
Jorge, vai-se ater à questão dos prize moneys do ATP e do WTA, como se não fossem organizações distintas, com públicos diferentes, competições distintas e fosse possível traçar um pararelismo com os Grand Slams - que tem um público bastante diferente.
É o mesmo desporto. E é por ATP e WTA terem tão poucos pontos de contacto - mas estruturas muito similares - que é possível dizer que o ténis masculino está mais valorizado que o feminino...
os custos de imagem seriam superiores ao de igualar os prize-moneys
E custos políticos.
>>estarem associados a um torneio que era visto como anacrónico?
>A diferenciação de ordenados não é um modelo anacrónico, antes pelo contrário. Digamos antes que o torneio não era "progressista".
O que interessa para os patrocinadores não é se o torneio é ou não anacrónico, mas se é ou não visto como anacrónico.
Aparentemente, esta mudança mais não é que o produto adaptar-se às "exigências do mercado" - os patrocinadores preferem patrocinar torneios com "prestigio", e o ser "progressista" passou a ser um dos factores que influenciam o prestigio social de um torneio.
Afinal, se os patrocinadores tiverem feito pressão para essa mudança, é sinal que concluíram que os seus potenciais clientes não gostariam muito de consumir produtos associados a um torneio que paga prémios diferentes a homens e mulheres.
E se os consumidores finais preferem produtos associados a torneios "politicamente correctos", o mercado mais não está a fazer do que ajustar-se às suas preferências (subjectivas, como o AA saberá melhor que eu).
o mercado (o público dos Grand Slam) diferencie o sector masculino do sector feminino tanto quanto isso.
Agora nunca saberemos porque os prémios foram indexados um ao outro. Pela paridade.
E se os consumidores finais preferem produtos associados a torneios "politicamente correctos", o mercado mais não está a fazer do que ajustar-se às suas preferências (subjectivas, como o AA saberá melhor que eu).
Vocês tiram todo o gozo a um bom rant.
Como já disse, há alternativas, no ténis, aos Grand Slams; e o que é verdadeiramente questionável é serem apoiados pelo poder político, o que limita a emergência de alternativas - um benefício que se paga oportunamente.
Faça um contraponto! (comentário)
Continuar a ler o A Arte da Fuga!