Leitura recomendada
"Estado Liberal" do Bruno Alves no Desesperada Esperança:
.... Aos defensores da liberdade resta, portanto, um caminho: defender, no jogo democrático, que o poder democrático deve ser limitado, para que os interesses de uma parte não se sobrepunham à liberdade de outros procurarem satisfazer os seus. Cabe aos defensores da liberdade defender o "Estado liberal" sem o qual, sem a ordem por ele estabelecida, essas liberdades não têm garantia de sobrevivência. Mas precisamente por essa ordem ser tudo menos "natural", nada nos garante que ela possa ser mantida. Só a força dos que a defendem o pode garantir. Neste caso, através da força da argumentação dos que o querem ver em Portugal.
tema por AA em 11:33











3 Comentários:
Estou plenamente de acordo com este excerto do post do Bruno Alves, António Costa Amaral. Aliás, acho que é exactamente, neste ponto, no equilíbrio entre a liberdade individual e a democracia, que passa a distinção entre ser o liberalismo e o neoliberalismo.
No entanto, apesar de estar de acordo que a liberdade é uma atitude cultural, divirjo do Bruno Alves quando afirma ser essa uma atitude com raízes greco-romanas e judaico-cristãs! Em boa verdade, até ao advento do protestantismo, a igreja condicionou à sua aprovação (à de Deus, na sua concepção) todos os princípios, atitudes e comportamentos.
De facto, desde os primeiros séculos do 1º milénio a igreja católica mais não fez do que inverter essa atitude cultural herdada da cultura greco-romana, condicionando, e até publicamente reprovando, qualquer liberdade que pusesse em causa o seu dogmatismo.
A atitude liberal nas naºões que permaneceram católicas após Lutero só foi possível após o eclodir de um sentimento anti-clerical generalizado.
Abraço
Caro Carlos,
Não é minha intenção entrar em discussões históricas: o que lá vai, lá vai.
Hoje em dia, que há separação entre o Estado e as igrejas, dificilmente se pode considerar liberal um sentimento anti-clerical que vá para além da manutenção desse saudável arranjo institucional.
Abraço,
É certo, estimado António Costa Amaral, que não faz hoje sentido identificar o liberalismo com o anti-clericalismo, mas (eu de facto não expliquei) é interessante recorrer à História não para julgar, mas para compreender, no caso o aparecimento das ideologias utopistas que foram construções dogmáticas do devir social, em substituição da dogmatismo católico.
Abraço
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