Das duas uma: ou subitamente os conhecimentos de investigação operacional, de decisão multi-critério ou mesmo os métodos de apoio à decisão saltaram dos curricula de engenharia (e de alguns de economia) para o domínio de "qualquer outro cidadão", desde a peixeira do Bolhão até ao guna da Areosa, ou então Vital Moreira está equivocado.
"Cabeças no ar" de JCS no Lóbi do Chá:
O português comum, porém, já conhece mais técnicas para construir aeroportos do que formas de confeccionar bacalhau. Acredito que se agora abordasse um serralheiro mecânico e lhe pedisse para me dar a melhor localização para um aeroporto internacional, ele já teria opinião formada. Qualquer pasteleiro está documentado para, pela manhã, me convencer de que a “Ota é um erro crasso”. Há portugueses que não sabem preencher a declaração de IRS, mas construir aeroportos é com eles. Alguns idosos, cuja placa nem lhes permite dizer o segundo nome do primeiro-ministro português sem atropelos, já sabem enumerar cada parâmetro a considerar na escolha do novo aeroporto. As crianças já discutem nos recreios os ventos cruzados e debatem a importância de fazer só uma ou duas pistas.
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