Sábado, Junho 02, 2007

Arrogância colectivista e totalitária

Via O Insurgente, "NASA’s Top Official Questions Global Warming" (ABC News):
“To assume that it is a problem is to assume that the state of Earth’s climate today is the optimal climate, the best climate that we could have or ever have had and that we need to take steps to make sure that it doesn’t change,” Griffin said. “I guess I would ask which human beings — where and when — are to be accorded the privilege of deciding that this particular climate that we have right here today, right now is the best climate for all other human beings. I think that’s a rather arrogant position for people to take.”

4 comentários:

  1. O clima muda. Tem mudado ao longo da história geológica do planeta, tem sido a força motriz de extinção de espécies e da criação de novos nichos ecológicos.

    O clima está a mudar. Há razões para acreditar que grande parte dessa mudança deve-se à actividade humana que alterou drasticamente o equilíbrio do ciclo do carbono. As consequências desta intervenção são difíceis de prever e há tantas razões para acreditar que o clima irá melhorar (segundo qualquer critério subjectivo que queiramos adoptar) como que irá evoluir para um perfil climático incompatível com a vida humana. A arrogância reside na posição em que irresponsavelmente se afirma que nem devemos preocupar-nos muito com a matéria.

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  2. Caro Nuno,

    Não se fala em "preocupações". Essas, graças a Deus, ninguém as pode forçar na cabeça das pessoas - embora a histeria mediática seja um bom lubrificante. Simetricamente, qualquer pessoa é livre de se arreliar até à morte com as alterações climáticas.

    Fala-se em "acção" para "controlar" o clima - algo que, como diz, se tivesse resultado, com o conhecimento que temos até poderia ser-nos prejudicial (se actualmente o processo acabar por ser benéfico - algo que de facto é altamente subjectivo).

    Mais grave é que essa "acção" global exige nada mais do que um "esforço concertado" para alterar toda a economia mundial - o que só é possível fazendo limitando as liberdades individuais - a nível global - e intervencionando severamente o capitalismo global - fascismo económico à escala planetária.

    Se hoje em dia já não há ilusões que o planeamento central falha - outrora não faltavam as "arrogâncias" que o louvavam - e por isso qualquer "esforço" custará de certeza absurdamente mais do que se propõe, bem mais grave são aquelas consequências indirectas do eco-voluntarismo.

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  3. Não se trata de uma "acção" para "controlar" o clima, trata-se de limitar os efeitos das actividades humanas no sentido de não iniciar uma alteração climática de consequências imprevisíveis.

    De resto já existem várias limitações às actividades económicas no que diz respeito à sua interacção com o ambiente. Por avisadas razões não se podem verter produtos tóxicos sem controlo, e protegemos ecossistemas inteiros pela sua riqueza natural. E isto tudo por boas razões económicas, não apenas porque somos eco-entusiastas.

    Uma alteração climática à escala global que inclua cenários catastróficos (mas realistas), representa uma ameaça que, mesmo que tenha uma probabilidade baixa de ocorrer, vale a contrapartida de 1-2% do produto mundial. De resto, pela mesma razão fazemos seguros contra terramotos, ou seguros contra outras catástrofes naturais.

    Contrapôr contra este possível cenário a lógica das liberdades individuais parece-me irresponsável e demagógico. Em qualquer dia que estejam em conflito a liberdade de poluir e a sobrevivência da espécie humana, tanto pior para a liberdade de poluir.

    Se há alguma discussão a ter nesta polémica é sobre a plausibilidade dos cenários que as simulações climáticas nos dão. Isso é uma discussão científica que vale a pena acompanhar, mas em última análise são os factos e as evidências recolhidas que nos dão uma ideia do que pode vir a acontecer.

    Outra discussão que se pode ter é qual é a melhor forma de incentivar o mercado a produzir menos dióxido de carbono, se através de taxas, se através de um mercado de licenças, etc.

    Mas pôr termo a esta discussão dizendo pura e simplesmente que é inadmissível porque vai contra a minha liberdade é autismo.

    Enfrentar a ameaça das alterações climáticas exige concertação global? Sim. Isso é o mesmo que planeamento central? Não necessariamente. A existência de um mercado mundial de licenças de carbono não é o mesmo que ter um planeador central da economia. O único parâmetro definido centralmente neste caso é o número de licenças disponíveis de acordo com os objectivos de redução de CO2, que devem ser informados pelos dados climáticos que tivermos.

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  4. Uma alteração climática à escala global que inclua cenários catastróficos (mas realistas), representa uma ameaça que, mesmo que tenha uma probabilidade baixa de ocorrer, vale a contrapartida de 1-2% do produto mundial.

    Primeiro, não há cenários catastróficos _e_ realistas. Até o IPCC faz cenários que são tudo menos catastróficos. Quando se argumenta com doomsday cenarios, estamos conversados.

    Segundo, o "produto mundial" é propriedade de milhões de indivíduos, não de uma clique de decisores.

    Terceiro, sacrificar 2% de "produto" não é sacrificar 2% da riqueza futura. Esse é um erro económico grosseiro.

    Ao fim de 100 anos, por exemplo (em que o IPCC "prevê" um aumento máximo das águas do mar de 20 polegadas), 1% de "produto" corresponde a sacrificar 41% da riqueza futura. Um "sacrifício" de 2% de "produto" corresponde a sacrificar 84% de riqueza futura. Capital maior do que todo o que existe hoje em dia.

    Daqui a 100 anos a tecnologia será tal que de facto será possível agir sobre o clima, com maior conhecimento de causa, por uma fracção do que custa hoje, com efeitos garantidos, descentralizadamente (afinal, as pessoas não gostam de morrer) e sem necessidade de fascismos globais.

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