sexta-feira, junho 29, 2007

País de tiranetes

Portugal é povoado de tiranetes que, se tivessem acesso ao Poder, "endireitavam" "isto tudo" à sua maneira. Comum a todo o tiranete é o espírito de "equilíbrio"— entre tirania pura-e-dura, "vontade democrática" (quando favorável), "legitimidade democrática" (quando a anterior é duvidosa), despotismo iluminado, cientismo, misticismo, absoluto respeito pela "liberdade" de quem quer oprimir, absoluto desprezo pela "opressão" de quem exerce a sua liberdade, paternalismo, regulamentação, fiscalização, policiamento, controlo da informação, da acção, do pensamento. Comum a todo o tiranete é uma sólida lealdade a princípios e valores, de fundo, que devem ser escrupulosamente cumprido e inclementemente adaptados à realidade sem olhar a princípios e valores. O tiranete vive num mundo mau, cru, desprovido de moral ou autoridade— mas tem a fórmula que melhorará a existência de "todos", se nenhum obstáculo se interpuser entre si e os objectivos do colectivo que ele tão bem compreende. O tiranete enfurece-se, mas é gentil ao ponto de dizer, sorrindo, que até é um pouco ditador—, mas é assim que tem de ser. E os demais tiranetes repetem "é assim que tem de ser".

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