terça-feira, junho 26, 2007

Sobre a propriedade das crianças (2)

O Miguel Madeira comentou no seu Vento Sueste o post em que afirmo que se as crianças não são propriedade dos seus pais, também não são, muito mais seguramente, propriedade da sociedade, da comunidade cientifica, seja lá o que isso for, ou das comissões especializadas de cientistas e psicólogos.

Estava eu a preparar a resposta a esse post quando leio um outro post do Miguel, desta feita sobre o ensino pré-escolar e que me fez sobrestar no que ia escrever, porque fiquei na dúvida quanto à exacta posição do Miguel nesta matéria. É que do cotejo dos dois posts, penso ser possível concluir que o Miguel é simultaneamente:
  • contra a obrigatoriedade da educação pré-escolar, recomendada por alguns especialistas e psicólogos;
  • favorável à obrigatoriedade de frequência da cadeira de educação sexual, recomendada também por especialistas e psicólogos.
Se assim é, e para que deste assunto possa nascer alguma luz das posições discordantes, e antes de antecipar algo mais sobre o assunto, gostava de perguntar ao Miguel se esta análise que faço do seu pensamento está correcta e, em caso afirmativo, qual é, verdadeiramente, a diferença entre uma e outra situação.

3 comentários:

  1. "favorável à obrigatoriedade de frequência da cadeira de educação sexual, recomendada também por especialistas e psicólogos."

    A minha opinião é mais esta:

    http://ventosueste.blogspot.com/2007/06/as-crianas-pertencem-algum.html

    (embora talvez não fosse realizável na prática - penso que a educação sexual não é suposto funcionar como uma disciplina autónoma, mas como um tema que se aborda nas aulas de biologia)

    Agora, a respeito dos posts "As crianças pertecem a alguém?(II)" e "Pré-primária obrigatória?", no primeiro eu critico o argumento "deontológico" contra a educação sexual obrigatória, enquanto no segundo critico o argumento "consequencialista" a favor da pré-primária obrigatória.

    Ou seja, nem o "As crianças pertecem a alguém?(II)" implica uma defesa automática da educação sexual obrigatória (mesmo negando os argumentos "deontológicos" contra, até se poderia chegar à conclusão que não há argumentos suficientes a favor), nem o "Pré-primária obrigatória?" implica uma oposição de principio à pré-primária obrigatória, apenas uma oposição na base do "acho que não se justifica".

    Além disso, a pré-primária obrigatória representa muito mais horas semanais do que a educação sexual obrigatória.

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  2. O que diferencia, então, a educação sexual da disciplina de história, por exemplo? À primeira, os alunos faltam se querem, mas à segunda não?

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  3. "O que diferencia, então, a educação sexual da disciplina de história, por exemplo? À primeira, os alunos faltam se querem, mas à segunda não?"

    Para falar a verdade, eu também me inclino para que a assistência às aulas de História (ou quaisquer outras) seja facultativa para os alunos com "bom aproveitamento" (embora não saiba dizer exactamente a partir de que notas de deveria considerar "bom aproveitamento").

    É verdade que na educação sexual eu não estou a meter a cláusula do "bom aproveitamento" - se calhar, se eu vivesse numa sociedade aonde não houvesse polémica sobre as aulas de Educação Sexual e houvesse sobre as de História, eu estaria a defender que as aulas de História fossem totalmente facultativas...

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