As férias não desculpam a ausência de uma reacção firme e definitiva do primeiro-ministro quanto ao que se passou em Silves. Falo não só da existência de um grupo de gente, que recebe de uma ou outra forma apoios estatais, que se dedica a destruir o fruto de trabalho legalmente desempenhado por outrem. Falo, sobretudo, da absoluta e inadmissível ausência de reacção conforme da GNR e do intolerável, pífio e juridicamente irresponsável encolher de ombros do Ministro da Administração Interna.Se o Primeiro-Ministro se apressou a vir a terreiro mostrar-se muito chocado com a forma como as juntas médicas se fazem em Portugal, seria talvez curial que viesse agora aos holofotes de que tanto gosta manifestar-se igualmente chocado com a forma como, no Estado de Direito que ainda somos, se pôde assistir a uma tão evidente atitude de provocação aos mais básicos direitos que consolidam a nossa existência social.
Note-se que estamos perante uma atitude de provocação e teste, típicas de quem dá os primeiros passos na desobediência civil. Conscientes da ilicitude do seu comportamento, uns quantos bandalhos invadiram propriedade privada em nome da sua causa, perfeitamente legítima por sinal, e não contentes com isso destruíram 2% do trabalho legalmente desempenhado por alguém.
A reacção das autoridades, ao invés de servir uma empenhada defesa dos nossos valores civilizacionais, pautou-se por uma cómoda e até divertida conivência com a coisa. Que patuscos que são estes jovens, tão cheios de vida, tão cheios de causas, tão cheios de amor pelo ambiente e eles é que são o futuro e lá sabem o que fazem. Com reacções destas, acompanhadas de apressadas manifestações políticas de simpatia, a coisa não tem senão como piorar.
E o Governo não devia, neste momento, estar a culpar Blocos de Esquerda, nem sequer a visitar o agricultor em causa. Deveria era estar a identificar, um por um, os autores de tal vandalismo. Seria preferível estar a identificar estes senhores em vez de perder tempo a coleccionar fotografias dos manifestantes contra o Primeiro-Ministro, digo eu.
As Ladeiras Históricas de Monsaraz estão a ser arrasadas, por obras realizadas sem qualquer tipo de painéis de identificação pelo que se desconhece o seu enquadramento legal.
ResponderEliminarPor entendermos que estas obras são prejudiciais para a imagem de Monsaraz e para a sua qualidade ambiental e paisagística e ainda por questionarmos a sua legalidade, face ao que delas é visível, vimos por este meio solicitar a actuação e divulgação que esteja ao Vosso alcance.
Todas as informações acerca deste "atentado" ao património histórico, estão disponíveis em http://adim-monsaraz.blogspot.com
Desde já o nosso obrigado.
Algo exagerada a ideia de que nada foi feito.
ResponderEliminarPretender atacar a desobediência civil através de actos destes parece-me estar um passinho antes do fascismo.
Ainda assim, creio que o Adolfo termina dizendo o que é necessário "Deveria era estar a identificar, um por um, os autores de tal vandalismo." Este é um caso de polícia.
(já agora, alguém me explica porque é que a Direita pretende forjar a ideia de que o país está a ferro e fogo por uma centena de anarco-palhaços e se calou - quando não apoiou - a actuação de AJJ no caso do aborto? A lei só é boa quando nos convém? E porque é que Cavaco Silva se preocupa com um caso de polícia e não com a salvaguarda do Estado de Direito?)
Quanto à direita, que se pronuncie.
ResponderEliminarO que eu recomende é que a pergunta seja posta de uma forma mais adulta. Não é lícito comparar destruição de propriedade privada com uma questão administrativa de não cabimentação orçamental. E ter em atenção que o Estado de Direito exige precisamente que não haja habilidades financeiras - tal como a não-impunidade de casos de polícia claro está.
Além de que, António, neste blogue se escreveu acerca da falta de fundamentação jurídica para a posição de AJJ.
ResponderEliminarEu também não acho que seja lícito comparar um crime com um ataque ao Estado de Direito.
ResponderEliminarQuanto à direita, referi-me a toda a direita - organizações e pessoas. O AA por exemplo acabou de se pronunciar e já antes o tinha feito. O PR também se pronunciou.
" "não pode restar quaisquer dúvidas de que lei em Portugal é para ser cumprida e quem tem o poder para a fazer cumprir não pode deixar de utilizá-lo"
Sua Excelência o Presidente da República falando sobre a «invasão de propriedade privada em Silves».
"Quando a legislação não é aplicada, os cidadãos podem recorrer a instâncias próprias ao sistema de justiça"
Sua Excelência o Presidente da República falando sobre a recusa madeirense em aplicar a lei que despenaliza a IVG, uma lei geral da República com força obrigatória geral."
(via Devaneios Desintéricos)