"A Arte da Fuga" ("Die Kunst der Fuge", BWV 1080) é uma obra-prima de Johann Sebastian Bach:
um único tema musical persegue-se, a si mesmo e as múltiplas variações, num diálogo musical intenso desenvolvido a diversas vozes, rico de simetrias, inversões, ritmos e tempos diferentes.
Fugas para aartedafuga@gmail.com
quarta-feira, outubro 31, 2007
15.000 empregos
Momento Intimista do Dia
Depois de ter saído do clube*, encostei-me a uma corrente de ar com vontade de regressar mais depressa. Deixei-me conduzir até que uma inoportuna esquina desviou o trajecto sem que a minha precaução desse de si. Acabei em queda, mãos no ar, joelhos em sentido, como se soubesse ballet. Uma queda pouco aparatosa que nem um olhar pediu de empréstimo. Não foi como nos filmes, onde uma queda pode despertar a bíblica caridade de alguém. Se alguém olhou, nem sorriu. Não foi aí que o acaso ditou o começo de uma história de amor.terça-feira, outubro 30, 2007
Esquizofrenia bloguística
segunda-feira, outubro 29, 2007
A ler
Perguntas do Dia
Como pode um primeiro-ministro considerar que os parágrafos de uma lei recompõem a memória de milhões de pessoas? E como pode um primeiro-ministro considerar-se no direito de escolher o conteúdo dessa memória?
Momento Intimista do Dia
De um lado para o outro, com paragens pelas bermas de um livro antigo ou de um azulejo desalinhado, perdi as horas e quase me perdi deles. O Z. nem permitia que os óculos lhe escondessem a certeza. Queria trabalhar ali. A A. nem deu pela nossa falta, que o D. precisava de indicações e, em bom rigor, só ela as tinha para oferecer.
Regressei à enorme sala para me encontrar com eles, antes de sair. Quase vazia, apenas uma mesa no centro a disfarçar o espaço e um sofá que dominei naquele momento, a sala respirava sem qualquer luz que não fosse a da rua e a do trânsito e a da voz das pessoas que passavam. Um Chiado imenso espreitava pela janela que entretanto entreabrimos, para resgatar um pouco da última luz. Luz que, em segundos, se fez em fio que desapareceu pelo corredor, como um fantasma que se assusta com a carne viva.
De repente, ficámos na penumbra, aproveitando os cambiantes que um enorme espaço esconde. O Z. à janela, de cigarro na mão, aproveitava as lentes para reflectir o amarelo do candeeiro colado ao clube. Era o único, talvez, que podia dizer-se iluminado. A A. dispensou tudo o mais, deixando-se ficar silhueta. Uma sombra agitada, que não desistira das fotografias e que, talvez por isso, se apagara para não perturbar o trabalho do D., que não desistia não, antes aproveitava a ausência de luz. Ninguém falava, talvez a máquina, através de um flash, talvez a A. de quando em vez. Talvez todos nós, cada um para si, como nas epifanias.
Quando a luz se acendeu, apenas para experimentar, já nada havia para ver. Comentei com o Z. que era bom saber que a luz não interferia com a visão, antes a prejudicava porque não permitia a busca e a selecção. Ele concordou, mais por pressa de ir à sua vida. E eu anotei a ideia. Quando for grande, escrevo um livro sobre isso.
Trabalha a escola, não o ranking (4)
domingo, outubro 28, 2007
Mickey Che
'CHE! Revolución y mercado' se expone en el Palau de la Virreina de Barcelona .... desde el 25 de octubre hasta el 20 de enero.
sexta-feira, outubro 26, 2007
Trabalha a escola, não o ranking (3)
| Seguindo a proposta do Vasco no seu excelente Memória Inventada, e a convite do Tarzan do não menos excelente Caldeirada de Neutrões (dois blogues do Quadro de Honra aqui da casa, portanto), informo que o meu liceu (Escola Secundária Frei Heitor Pinto, na Covilhã cidade neve) está no posto 117 da classificação do DN. |
Momento Intimista do Dia
Não sei como deixei escapar a notícia da morte de Deborah Kerr. Cada um lá terá a sua galeria de estrelas, e Deborah Kerr figurava num dos cinco degraus da minha. Tudo começou com aquele beijo enrolado a Lancaster, quando ainda nem sequer conseguia pronunciar o nome (comecei por “quer” e evoluí para “car”) e foi seguindo ao ritmo dos filmes antigos que ia descobrindo nos clubes de vídeo de bairro, até à confirmação final em The End of the Affair, passagem ao cinema de um dos meus livros favoritos.Tantas vezes preterida em favor de actrizes com um estilo mais expansivo de representação, foi uma das mais injustiçadas actrizes do seu tempo, sem um único Óscar que não o de carreira - ela que foi nomeada tantas e tantas vezes. Só eu, pelas minhas contas, dei-lhe 3 Óscares.
RE: Diferenças de projecto ambiental à direita
Assim de repente:
São precipitadas, para dizer o mínimo. Tratando-se de dinheiro dos contribuintes, esperava-se algum maior cuidado na execução de investimentos ou na imposição de impostos ou benefícios assentes em teorias ainda em demonstração. Imaginar, por exemplo, que daqui a 10 anos se demonstra que o alegado aquecimento global, a existir, deveria ser combatido de uma forma cientificamente diversa é algo que deveria perturbar quem toma decisões com poucas certezas.
Gostava, por exemplo, de saber (e isto nem sequer é critério dominante, é apenas curiosidade) qual o número de cientistas que validam a visão do IPCC e qual o número dos que consideram como mais influentes as causas naturais do aquecimento.
São descuidadas, para dizer o mínimo. Tratando-se de uma absoluta cedência a uma corrente científica, promove todo um mercado climático. Repara que até o dióxido de carbono já se comercializa, tudo em nome de algo que ainda não é dado como seguro e que o Estado claramente potencia.
São injustas, para dizer o mínimo. Porque são de um proteccionismo encapotado. Taxar mais o que não vem de países do Protocolo é agravar a sua situação, tentando impor-lhes um Protocolo dispendioso e que muitos países poderão não conseguir comportar. Num estudo de William Nordhaus (Requiem for Kyoto: An Economic Analysis of the Kyoto Protocol), ele chegou ao valor de 7/1 para o rácio custo-benefício da aplicação do Protocolo…
Trabalha a escola, não o ranking
Tão preocupados que estão com os mirarios desta vida a ocupar os primeiros ligares, esquecem-se do que verdadeiramente interessa para os pais de um criança que viva, por exemplo, em Silvares, concelho do Fundão e de quais as potencialidades que este ranking lhes oferece.
O que esses pais poderão eventualmente querer saber é qual das escolas, na sua zona, na sua área de influência, pode desempenhar um melhor serviço educativo. E se existir uma escolha melhor, transferir o seu filho para tal escola. Podem fazê-lo? Claro que não. Que o Estado não deixa.
Não podendo transferir, os pais poderão querer intervir, melhorar, contribuir, intervir nos programas, propor métodos alternativos de ensino. Podem fazê-lo? Claro que não. Que o Estado não deixa.
O que resta aos pais? Mudar de localidade. É a isto que o Estado os obriga. E em vez de com isto se preocuparem os detractores do ranking, parecem mais interessados em discutir as tendências homoeróticas de escolas unisexo ou as virtualidades da mistura de géneros no espaço escolar.
quinta-feira, outubro 25, 2007
Não faças aos outros...
Trabalha a escola, não o ranking
quarta-feira, outubro 24, 2007
Momento Intimista do Dia (actualização)
Momento Intimista do Dia
Environmentalist Response to Global Warming Is a Threat (5)
Rajoy não está sozinho na forma prudente como encara a histeria do aquecimento global. As suas declarações não estão muito distantes, por exemplo, das que Václav Haus já tinha tido oportunidade de fazer nas Nações Unidas e que aqui destaquei (ler, já agora, também estas aqui, destacadas pelo António).Nem estão longe das questões levantadas por membros de outras comunidades que não a política, como estas levantadas por Michael Griffin, Administrador da NASA, ou das do Copenhagen Consensus, um grupo de 10 economistas, 4 dos quais (txananana!!) nobelizados ou de Freeman Dyson da Princeton University, para citar alguns exemplos.
E Rajoy não está sozinho precisamente porque não há verdades cientificas indiscutíveis, muito menos num caso como este, em que as verdades têm revelado fragilidades várias. É claro que saber, afinal, que as temperaturas que vinham sendo anunciadas como ilustrativas de um aquecimento preocupante estavam erradas, ou saber que o filme de Al Gore partia de 9 pressupostos carecidos de prova, ou ainda saber que o Polo Sul atinge proporções recorde não ajuda muito à univocidade no tema.
Mas são também as políticas de combate a este alegado problema que estão em causa. É por causa delas que Rajoy apela à calma. E ainda bem que há quem apele, porque o pior que poderia acontecer seria entrar huma histeria tal que qualquer solução servisse. E há soluções que manifestamente não servem, como nos tenta demonstrar William Nordhaus, Professor de Economia na Yale University:
Clearly, meeting these ambitious objectives would require sharp emissions reductions, but the timing induced by excessively early reductions makes the policies much more expensive than necessary. For example, the Gore and Stern proposals have net costs of $17 trillion to $22 trillion relative to no controls – they are more costly than nothing. The emissions target of the German proposal is close to that of the Stern Review analysis, and the cost penalty is likely to be similar.
Environmentalist Response to Global Warming Is a Threat (4)
Na sequência destas declarações, o Carlos Manuel Castro condenou Rajoy a uma quase irrelevância política, considerando que com estas declarações o senhor demonstrou que não tem a mínima noção dos tempos em que vivemos e de quais os riscos que se enfrentam.
Confesso que não partilho desta indignação do Carlos, que parece partir de dois pressupostos que considero estarem longe de provados. O primeiro, o de que o senhor Rajoy é uma espécie de solitária vozinha insignificante alheada de um problema de grandes contornos. O segundo, o de que o problema das alterações climáticas, tal qual ele vem sendo colocado pelo nobelizado IPCC, não merece reparos que o contradigam ou relativizem.
Bestial a besta
Agora, para todos aqueles que são chegadinhos ao prestígio do Nobel, que adoram o Nobel e que de cada vez que um dos seus apaniguados leva para casa tão distinto prémio quase alcançam o êxtase, não deve ser fácil engolir, não. Como explicar, afinal, que um Nobel (uma espécie de Al Gore, portanto) é capaz de tais dislates?
Foi você que pediu um Tratado? (4)
Uma pergunta como essa, sobretudo no actual contexto, seria o mesmo que dizer que apenas os tecnocratas teriam possibilidade de gizar a modelação da construção europeia. Ao povo apenas caberia dizer, aceito e fico ou não aceito e vou embora.
E que tal, assim de vez em quando, deixar que sejam os europeus (aqueles tais que vivem nesta União e que são o centro das preocupações e trinta por uma linha) a decidir, nas grandes questões, como querem fazer evoluir a construção europeia?
Se para alguns pode ser essa a questão, sim ou não à UE, para muitos outros a questão é que tipo de UE queremos. E é esse poder de modelação diária da UE que Vital Moreira nos quer retirar, ao estilo tão comunista de que ou é como eles querem ou então não é.
terça-feira, outubro 23, 2007
Foi você que pediu um Tratado? (3)
Obynãoseiquê
Aproveito assim para copiar o André Azevedo Alves, n’ O Insurgente e destacar alguns links recomendados referentes ao movimento liberal polaco:
Instytut Liberalno-Konserwatywny
Mises Institute Poland
Centre for Political Thought
Centre for Social and Economic Research
Gdansk Institute for Market Economics
The Polish-American Foundation for Economic Research and Education
Direita pela Esquerda
A blogosfera veio trocar as voltas a esses catalogadores natos. Uma nova geração de gente descomplexada desbravou os caminhos da direita e ofereceu novas variantes e cambiantes ao espectro político nacional. De repente, sem que a esquerda estivesse preparada para o efeito, apareceu gente à direita que recusa terminantemente o lado canhoto da vida mas que ousou pensar, tocar ou sistematizar bandeiras apropriadas pela esquerda.
Não foi só no aborto ou nas uniões de facto, mas também no ambiente e na cultura, na economia e na fiscalidade, há todo um novo programa político a ocupar um espaço antes ocupado pelas esquerdas. É o espaço múltiplo das direitas.
E é isso que desnorteia a coisa. A existência de várias direitas, que convivem, debatem, se contradizem e discutem entre si e que, em conjunto, oferecem uma nova forma de pensar o país. É por isso mesmo que a esquerda, já em reacção ao desnorte, volta a insistir na catalogação da direita, em termos que o Daniel Oliveira, por exemplo, aqui faz no Arrastão.
Porque é preciso estancar este crescimento e este rejuvenescimento, porque é que preciso impedir uma batalha cultural com igualdade de armas, a esquerda procura acantonar a direita novamente num extremo, seleccionando uns quantos, muito poucochinhos, para figurarem na galeria da direita aceitável e tolerável. E de novo, por exemplo, a direita liberal, que funda o seu pensamento numa consistência doutrinária invulgar, não é liberal coisa nenhuma.
E assim se procura, de novo, reduzir ao mínimo a direita que merece partilhar o espaço público. Mas não funciona. Desta vez não funciona. Porque o espaço público é como as pombinhas da catrina: é de quem o apanhar.
segunda-feira, outubro 22, 2007
Momento Intimista do Dia
Demasiado trabalho e muito pouco tempo impedem-me de postar, responder aos comentários que vão chegando ou até de ler o que outros escrevem. E tenho vontade de escrever, muita até. Sobretudo porque tive este fim-de-semana, nas Universidades da Juventude Popular, a oportunidade e prazer de debater com José Pacheco Pereira o papel das juventudes partidárias. Mas até isso terá de ficar para mais tarde.
domingo, outubro 21, 2007
Ron Paul - update
Não obstante, fica aqui um muito pequeno 'Best of' das últimas semanas:
Ron Paul: A New Hope
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"What Does Freedom Really Mean?", um excelente texto de Ron Paul:
.... Americans have been conditioned to accept the word “democracy” as a synonym for freedom, and thus to believe that democracy is unquestionably good.
The problem is that democracy is not freedom. Democracy is simply majoritarianism, which is inherently incompatible with real freedom ....
Simply put, freedom is the absence of government coercion. Our Founding Fathers understood this, and created the least coercive government in the history of the world. The Constitution established a very limited, decentralized government to provide national defense and little else .... This reflected the founders’ belief that democratic government could be as tyrannical as any King.
The political left equates freedom with liberation from material wants, always via a large and benevolent government that exists to create equality on earth .... In other words, government claims on the lives and property of those who are expected to provide housing, medical care, food, etc. for others are coercive-- and thus incompatible with freedom. “Liberalism,” which once stood for civil, political, and economic liberties, has become a synonym for omnipotent coercive government.
The political right equates freedom with national greatness brought about through military strength. Like the left, modern conservatives favor an all-powerful central state-- but for militarism, corporatism, and faith-based welfarism .... “Conservatism,” which once meant respect for tradition and distrust of active government, has transformed into big-government utopian grandiosity.
.... We must reject the current meaningless designations of “liberals” and “conservatives,” in favor of an accurate term for both: statists.
No seguimento imediato:
Overview of America
Fiat empire | The Money Masters | Ron Paul vs. The Federal Reserve | The Liberty Dollar ]
Ron Paul on NBC Nightly News
Should people listen to Ron Paul?
sexta-feira, outubro 19, 2007
Foi você que pediu um Tratado? (2)
Viola no saco (2)
Pois eis que, depois de ver a sua curta-metragem (A Ilha da Boa Vida) em competição no IndieLisboa, soube agora que ela ganhou o prémio de melhor documentário experimental no Docupolis, em Barcelona.
Como que calando aqueles que, como eu, dedicam os seus tempos livres a escrever sobre as vontades dos outros, em vez de cumprir as suas.
Foi você que pediu um Tratado?
Sim, eles. Que ao que se sabe, o sentimento de pertença da coisa ainda não saiu dos corredores das instituições comunitárias. Mas lá está, quem somos nós para falar de coisas dessas, se temos uma Constituição a que ninguém liga propriamente pêva?
Descubra as diferenças
quinta-feira, outubro 18, 2007
Com amigos destes...
By a nearly two-to-one margin, Republican voters believe free trade is bad for the U.S. economy, a shift in opinion that mirrors Democratic views and suggests trade deals could face high hurdles under a new president.(...)Six in 10 Republicans in the poll agreed with a statement that free trade has been bad for the U.S. and said they would agree with a Republican candidate who favored tougher regulations to limit foreign imports. That represents a challenge for Republican candidates who generally echo Mr. Bush's calls for continued trade expansion, and reflects a substantial shift in sentiment from eight years ago.
Interesse nacional? Naaahhh!
É certo que estamos numa União e coiso e tal e temos de ser uns para os outros. Mas lá porque a nossa tradição tem sido a desbaratar todo e qualquer interesse nacional, em nome do quadro de honra de melhor aluno, não me parece que tenhamos o direito de exigir aos outros que se resignem à simples condição de mais um sem voto na matéria.
Mas essa não é, pelos vistos, a opinião da imprensa que se dedica a estas questões. Pois que os polacos e italianos são uns danados vejam lá. Que se querem dar ao respeito e atrasam o processo deste belo tratado. E então não é que os polacos, esses mafarricos, o que querem é surgir ao povo polaco ostentando uma vitória das pretensões do país?
O rei vai nu
A Ana Sousa Dias está agora na rádio. A coisa não é melhor, devo confessar, e pelos vistos não sou o único. Devem ser botões a mais.
quarta-feira, outubro 17, 2007
Círculo vicioso (3)
E de facto, uma leitura das declarações que sobre essa revisão ou substituição têm sido feitas dá razão ao Pedro Mexia. Concretamente, de alínea em alínea, ninguém parece saber muito bem o que quer efectivamente rever ou substituir. Que é socialista e tal e mais não sei o quê. Mas na hora H, naquela hora de colocar uma assinatura que desencadeie a mudança, a coisa acaba por correr mais ou menos como manda a CRP. Estado e mais Estado.
Quase sempre, no final das contas, quem tanto quer rever a CRP mais não quer do que agravar o principal defeito da CRP e que não é, vão desculpar-me, o ser socialista. O grande defeito da CRP é querer ser alguma coisa de programática, seja esse programa socialista ou não. Esse é o erro de base e é nesse erro que me parece estarem ainda encerrados todos aqueles que verberam contra a CRP.
Uma Constituição deveria ser, como qualquer lei aliás, de forte carácter universal e abstracto. Só assim se alcança uma CRP útil, no sentido em que estrutura politicamente o país e não compromete as práticas governativas que resultem das eleições. Em vez de obstáculo ou fomento, a CRP deve limitar-se a ser um suporte. Nada mais do que isso.
É por isso com algum receio que vejo este afã revisionista da CRP. Não que ela não merecesse ser revogada. Mas porque me parece que ninguém está propriamente disposto a abdicar de uma Lei fundamental parcial, programática, ambígua e produto de transacções e negociações com orientações muitas vezes distintas e contraditórias.
Momento Intimista do Dia
Um blogue é mais que um blogue
terça-feira, outubro 16, 2007
Círculo vicioso (2)
Mas já com o PS na oposição a coisa pia de fininho. Nessa altura, e basta lembrar o Código do Trabalho, tudo é inconstitucional, tudo tem de ser vetado, tudo tem de ser fiscalizado, criando-se um clima de verdadeira intoxicação da comunicação social e da opinião pública que tende, mesmo, a acreditar que estão a ser ultrapassados os limites do tolerável num Estado de Direito.
Mas isso não significa que a reforma da Constituição, ou a sua substituição, seja algo de dispensável no estado a que isto chegou. Antes pelo contrário.
Acontece que ou há um compromisso sério do PS em deixar de irresponsavelmente invocar a Constituição ou a coisa só lá vai com a dita reforma... a qual só é possível com os votos do PS.
Círculo vicioso (1)
É evidentemente ridículo, em sintonia com aquilo que o Pedro Mexia escreve, que se queira mexer nesta Constituição se, por detrás, não existe qualquer propósito de reformar profundamente o Estado que temos. Isso seria como mudar a forma do bolo de chocolate sem lhe tocar nos ingredientes, à espera de o transformar num bolo de claras. Ora, o discurso de Menezes não trouxe ingredientes necessários para mudar de Constituição razão porque essa intenção não passa de mais um fogacho, condenando a substituição da Lei Fundamental à condição de pescadinha de rabo na boca.
Paradoxo do dia
* De acordo com o Tribunal de Contas, se bem se recordam, há reguladores muito pouco independentes do governo.
segunda-feira, outubro 15, 2007
Regresso ao passado
PSD (4)
Não é pois o discurso de Menezes que importa na hora de dizer, como parece fazer São José Almeida no Público, que o PSD se apresenta com "um visível cunho liberal". São as concretas propostas políticas (não tanto as emblemáticas e para inglês ver mas sim as quotidianas) que poderão dar-nos um sinal concreto sobre o propalado cunho liberal do PSD de Menezes.
Há, por exemplo, que esperar pelo dia em que uma fábrica feche e leve centenas de pessoas para o desemprego, para ver o que resta do discurso de Menezes quanto à legislação laboral. Assim como importa esperar pela colocação dos professores no próximo ano para saber ao certo o que pensa o PSD do sector público de educação.
É no embate diário com a espuma dos problemas que o liberalismo partidário português sempre se revlou inexistente. Há que esperar pelo dia-a-dia e não pelos discursos. É preciso tempo.
PSD (3)
PSD (2)
PSD (1)
sexta-feira, outubro 12, 2007
Peace through superior scientific suppression
The fact is that Al has ducked, feinted, dived away from, or fluffed each and every opportunity for a reasoned debate with any global warming scientist not of his choice, a choice he no longer enjoys ....
Here's the rub: if any opposition were so easy to vanquish, Gore would relish the opportunity. Obviously there's a substantive and cogent argument he can't kill.
For example, the United Nations' Intergovernmental Panel on Climate Change (of which I am a member, while Gore is not) predicts a mean sea-level rise of about 13 inches by 2100. Gore's book and movie contain an undated montage showing Florida sliding beneath the waves, something that could only happen with 13 feet or more.
How on earth does one accomplish such a disconnect from scientific reality?
Aurora

APOD - imagem original
Sometimes, after your eyes adapt to the dark, a spectacular sky appears. In this case, a picturesque lake lies in front of you, beautiful green aurora flap high above you, brilliant stars shine far in the distance, and, for a brief moment, a bright meteor streaks by. This digitally fused breathtaking panorama was captured late last month across one of the Chena Lakes in North Pole, Alaska, USA, and includes the Pleiades open cluster of stars on the image right. The shot is unusual not only for the many wonders it has captured simultaneously, but because lakes this far north tend to freeze and become non-reflecting before a sky this dark can be photographed.
Cracking Go
![]() | In 1957, Herbert A. Simon, a pioneer in artificial intelligence and later a Nobel Laureate in economics, predicted that in 10 years a computer would surpass humans in what was then regarded as the premier battleground of wits: the game of chess. Though the project took four times as long as he expected, in 1997 my colleagues and I at IBM fielded a computer called Deep Blue that defeated Garry Kasparov, the highest-rated chess player ever. |
Ten years later, the best Go programs still can't beat good human players. Nevertheless, I believe that a world-champion-level Go machine can be built within 10 years, based on the same method of intensive analysis—brute force, basically—that Deep Blue employed for chess.
Discurso de aceitação
and then you meet me and your whole world changes
because everything I say is everything you've ever wanted to hear
so you drop your defenses, and you drop all your fears
and you're so busy feeling good
that you never question why things are going so well
You want to know why?
###
quinta-feira, outubro 11, 2007
Momento Intimista do Dia
Gosto da ideia de segredo. Não enquanto penhor da hipocrisia, uma espécie de bifrontismo que nos permite aparentar o que não guardamos. Mas, isso sim, como garante de uma certa sanidade, quase como um reduto onde nos permitimos testar e conhecer sem a pressão de quem nos espreita. Um segredo é um testemunho de individualismo, uma reserva que nos permitimos construir e que eventualmente tenderá a cair em desuso com as novas tecnologias.
Mas quando o segredo não passa de um temor, quando mais não é do que um pecado que, em vez de nos libertar, nos aprisiona, como pode o corpo humano aguentá-lo? Teremos alguma capacidade que nos garanta a manutenção da aparência e nos ofereça a persistência da ocultação?
Tudo isto porque, através do Conversas de Canto, cheguei a este vídeo com que escandalosamente me locupletei (um curso de direito também serve para aprender palavras destas), e através deste à Post-Secret Community, que vale bem a visita. O pretexto é simples. Publicar um segredo.
Seja para nos libertar do pecado, seja para deixarmos alguém entrar na reserva construída ou seja até por um qualquer voyeurismo, cada um fará do segredo o que quiser. A mim, pôs-me a divagar, conforme se constata.
A culpa dos ausentes (5)
Por exemplo, reentrar no Largo do Caldas depois do Prós & Contras em que defendi o voto “sim” no referendo à IVG não foi, devo confessar, coisa fácil. Tratando-se, ainda para mais, de uma matéria que desperta sentimentos demasiadamente poderosos, nem sequer poderia não esperar o que, em alguns casos veio a acontecer, como a intolerância, o insulto ou a incompreensão. Fui chamado de abortadeiro num Conselho Nacional do partido, em que a senhora Presidente do mesmo me recusou o direito de responder ao estúpido insulto. Foi-me dito, num Conselho Nacional da JP, que tinha deliberadamente prejudicado o partido. Tudo isto tive que ouvir e a tudo isto tive que (tentar) responder. ###
Se a ida ao programa não me trouxe engulhos de maior, tendo a minha vida profissional e social continuado como se quase nada se tivesse passado, já a vida política não poderia, compreensivelmente, ficar na mesma.
Sabia exactamente o que me esperava, embora estivesse certo (e com razão) de que muitos estariam empenhados em fazer aceitar uma voz aparentemente única e dissonante (depois, claro, são aquelas mensagens sms a dizer que muito bem e que sim e que também eles votaram “sim”, mas adiante).
Prevendo tudo o que poderia acontecer, desconfiando daquela solidão que vim a sentir, nem por um segundo me passou pela cabeça ficar por casa a escrever no blogue ou a mandar artigos para os jornais. Como militante e dirigente daquele partido, tinha a obrigação de, nos fóruns internos, dar a cara pelas minhas opções num referendo, mesmo sabendo que me iriam ser assacadas responsabilidades pela derrota do CDS no acto referendário. Nem em sonhos me imaginaria refugiado atrás de um computador a espingardar contra a indigência mental de alguns. Enfrentei-a, como seria de esperar, no local exacto.
Quem somos?
Causou-me estranheza, essa estranheza causada pelo blogue, sobretudo no seio de uma blogosfera particularmente atenta e militante em questões de política internacional. Tão atenta e militante que sistematicamente publicita os seus candidatos favoritos com vídeos, citações, artigos e links para as campanhas dos diversos candidatos. Ele até há recensões e manifestações de fascínio.
Ora, porquê então uma estranheza face a um blogue de apoio a Ron Paul? Não sei. Sei apenas que, ineditamente, sentimos necessidade de explicar, devagarinho e com paciência. O texto está no blogue, limito-me a citar algumas partes.
Seria difícil que todos aqui estivessem pelas mesmas razões. Uns valorizarão mais a política monetária proposta por Ron Paul, outros estão mais próximos do carisma de quem não é mediático mas conquista a Internet. Para uns é importante que os EUA saiam do Iraque, para outros que continue a mostrar-se que é possível ser um país próspero sem Serviço Nacional de Saúde público e pseudo-grátis.
O que sem dúvida unirá os apoiantes de Ron Paul por todo o mundo - e em Portugal - é a verdadeira força motriz da sua candidatura: liberdade. Ron Paul é o único pré-candidato às presidenciais americanas que intransigentemente defende a liberdade do indivíduo face às garras dos governos e seus burocratas. E isso, para nós, basta.
Basta para querer que os EUA tenham um presidente assim e que com isso o Mundo volte a ter um exemplo de liberdade nos EUA - que aliás, foram o primeiro país do mundo a reconhecer o direito natural dos seus cidadãos a serem livres.Basta para querer que algumas das ideias de Paul saltem o Atlântico e acordem a velha Europa da suposta inevitabilidade da socialista "social-democracia".
Basta para sonhar que também em Portugal se possa confiar nas vantagens das decisões individuais face à omnipotência do governo, que rouba nos impostos, para gastar não se sabe bem onde.
Por estas e por outras razões estamos aqui. Em bom rigor, o que nos une nem sequer é Ron Paul. É a liberdade.
quarta-feira, outubro 10, 2007
O distraído
A ler
É sabido ainda que o actual Governo, desde que tomou posse, pretendia colocar novos nomes, mais próximos do “socialismo moderno” de José Sócrates, na administração da RTP. Já se ouviu falar, por exemplo, de Luís Nazaré.
Por isso, perante as notícias da “suspensão de funções” de José Rodrigues dos Santos, por razões que se conseguem compreender depois das afirmações que fez à Pública”, pergunto eu: quem quer tramar a actual administração da RTP? E porquê?
Não há volta a dar
A questão da independência da RTP não pode, por isso, ser vista senão do ponto de vista da sua titularidade. Se queremos uma RTP livre do Estado, não há outro remédio que não seja retirar o Estado de dentro dela. Não há volta a dar.
Paradoxo do dia
terça-feira, outubro 09, 2007
Supreme knowledge (2)
Assim de repente, não vejo por que carga de água deva ter o Estado que se preocupar com a inexistência de vagas nos hospitais para os médicos licenciados. Admito, isso sim, que o Estado anualmente informe as vagas que vai abrindo, de forma a que cada um possa saber o que fazer e quando fazer. Já me parece excessivo que deva ser o Estado a impedir jovens de cursar medicina com a desculpa de que não há vagas no Sistema Nacional de Saúde quando estes jovens podem não só seguir para investigação como igualmente podem seguir a sua carreira no estrangeiro ou podem apenas estar interessados em ter uma formação complementar a uma formação anterior. Que eu saiba, é isso que anualmente se passa com os professores que se candidatam ao ensino público.
Quem é, afinal, este Estado que se sente no direito de planear a vida de todos estes jovens? O facto de monopolizar SNS e ensino universitário de medicina dá nisto. Qualquer dia, ainda havemos de ouvir os médicos dizer que o curso de medicina tem de fechar porque não há mais vagas e o SNS está lotado…
Momento Intimista do Dia
N’O Acossado, o Francisco Valente escreve sobre um dos grandes filmes da minha vida. Grande filme não no sentido de lista de melhores filmes, que evito tanto quanto posso, mas mais no sentido de filme que vi no privilegiado momento em que “filme e eu” nos encontramos a meio caminho. Não sei se me percebem, mas acredito mesmo que há um tempo certo para ver um filme. Ou ler um livro. Quantas obras-primas não estão por aí esquecidas porque o editor, ou o próprio escritor, ainda não a leu no momento certo.
É raro, embora não propriamente impossível, encontrar momentos desses. Tem que ver com tudo. Connosco, com os outros, com o tempo, com a chuva, com o quente cá dentro, com as mãos, com o jantar que se segue ou com o fim que antecedeu. Tenho a certeza que se tivesse visto O Apartamento num outro dia, já sem aquela pessoa ao meu lado a derreter com o calor da Cinemateca improvisada no Palácio Foz, ainda desdenhoso e rancoroso, nunca me lembraria de escrever o que ora alinho a propósito de um post alheio.
Há demasiados motivos para se ver O Apartamento (que devia ser obrigatório para todos os que só conseguem ver Shirley Maclaine como uma lunática espírita, sem sequer imaginar do verdadeiro deslumbramento que ela consegue provocar quando devolve o baralho de cartas a Jack Lemon). Eu terei os meus, que são bem acolhidos pelo título deste post mas que não encontram qualquer espaço neste blogue. Mas o Francisco aponta alguns, bem certeiros.
Supreme knowledge
O Estado acha-se na suprema capacidade de saber descortinar quantos médicos precisamos em Portugal. Vai daí, assume coercivamente o papel de anualmente mandar não sei quantas centenas de pessoas para outras carreiras - ou até para o estrangeiro - numa interferência intolerável na vida das pessoas.Não se trata, aqui, de fazer anunciar, todos os anos, quantos alunos conseguiram obter emprego após terminados os seus cursos, para que os jovens possam estar informados sobre o eventual desemprego que podem encontrar se forem para medicina. Nada disso. Os jovens não são tidos nem achados. O Estado acha que não há espaço para mais médicos (mesmo que ente esses jovens possa estar um futuro brilhante médico) e não abre mais vagas e está o assunto encerrado. Ou então, como agora acontece, acha com base não se sabe em quê, que precisamos de mais X vagas. Nem Y nem Z: X.
Não é, por isso, de espantar que quando o Governo decide abrir novas vagas, mais uma vez depreendendo que detém o perfeito e geométrico conhecimento das necessidades, se insurjam os agentes do sector, os mais beneficiados pelas restrições gritantemente injustas que o Estado tem imposto no acesso àquela carreira.
Talvez o Estado fizesse melhor se se preocupasse mais em reformar o sistema nacional de saúde, que nada tem de universal, do que em se imiscuir nas escolhas dos jovens alunos. Essa sim, seria uma excelente forma de combater os privilégios que o Governo tanto diz querer combater.
segunda-feira, outubro 08, 2007
Momento Intimista do Dia
Não se tratou propriamente de uma epifania, ainda que goste muito de o ler, desde os tempos da defunta senhora Coluna Infame, mas a verdade é que, vinte segundos depois de o ver, mais coisa menos coisa, dei em me questionar sobre qual deve ser a reacção de duas figuras públicas que pessoalmente não se conhecem, se o acaso as cruzar na rua, sem possibilidade de desviar o olhar.
Por exemplo, se a Bárbara Guimarães se cruza com a Clara Ferreira Alves nos corredores do Amoreiras, e admitindo que estas nunca se cruzaram anteriormente - e que ambas sabem da existência uma da outra... - que fazem elas? Cumprimentam-se como se se conhecessem, ou ignoram-se como se se desconhecessem?
Tudo isto, claro, porque quinze ou vinte segundos depois, no mesmo local, passou a Maria Elisa, que não se cruzou com o Pedro Mexia por uma vertigem de segundo, e me deixou nestas elaborações.
Adenda: Ouve lá, essa-senhora-de-cabelo-branco-muito-curto-que-também-devia-ser-do-Bloco devia ser a Diana Andringa, não (ó pa ela aqui)? Ainda estou à espera que ela faça um novo documentário, desta feita para dizer que a invasão da herdade em Silves pelo Gualter e amigos não existiu.
Questões de regime
Pergunta do Dia
Gracias
(imagem retirada daqui)Neste fim-de-semana rumei até Madrid para poder ir à exposição de Paula Rêgo no Museu Rainha D. Sofia. Não fui só eu, claro. Portugueses em Madrid é o que mais há, sobretudo com feriados colados ao Sábado. Na fila que antecedia a entrada no Museu só se havia falar português. Atrás de mim, uma mãe com duas filhas perorava sobre a estupidez dos espanhóis. Tudo ali era estúpido. A fila, o trânsito, a siesta, a comida. De tanta estupidez junta naquela cabeça não poderia jorrar senão a incompreensão sobre o sucesso espanhol.
Mas adiante. A exposição tinha, como de costume, um livro de visitas, que pude consultar enquanto alugava o audioguide que me ajudaria a enfrentar a obra da pintora. Também ali abundava o português, numa unanimidade que só Espanha consegue gerar: a indignação pela ausência de audioguides em português, já que se tratava de uma pintora portuguesa. Dezenas e dezenas de páginas com a mesma reclamação, num português às vezes com erros. Não perdi tempo e deixei também a minha assinatura no livro, agradecendo o facto de Espanha estar tão perto e assim me permitir ver um exposição que tarda em chegar a Portugal e ainda para mais com audioguides, coisa que não se vê em Portugal e onde temos de nos contentar com o título da obra em português e inglês.
quinta-feira, outubro 04, 2007
Observatório
O desconhecimento nacional face ao que pela UE se vai fazendo, atenta a interferência que a mesma representa no nosso quotidiano, é algo que casa mal com a classe política que temos, que continua aliás a olhar para as negociações em Bruxelas como algo de esotérico e para burocratas. Fica, pois, aqui o link: http://jp-ue2007.blogspot.com/
Trilho do post que deveria estar aqui
Cautela
Essa afirmação não pode corresponder à verdade. Tratando-se, como se noticia no Público, de uma sentença no processo cautelar, o Tribunal não pode emitir juízos definitivos, julgando a causa e decretando a ilegalidade do processo de concessão da exploração. A não ser, e não é isso que transparece da notícia, que o Tribunal tenha convolado o processo cautelar em processo principal. Assim, quanto muito, o Tribunal poderá dizer, após uma apreciação meramente sumária, que existem indícios de ilegalidade e que esses indícios serão suficientemente fortes para o decretamento de uma providência cautelar.
Pode, por isso, acontecer que em sede de processo principal (já para não falar de recurso do decretamento, como no Túnel do Marquês) o Tribunal, após um juízo exaustivo, venha a considerar a inexistência de ilegalidades.
Não estou, com isto, a querer dizer que não houve ou que houve ilegalidades. Apenas quero deixar claro que a Plateia não teve cautela com o que disse.
quarta-feira, outubro 03, 2007
Simcity Baixa Chiado (4)
Para quem queria fazer da Baixa um lugar aprazível, não está nada mau. Pela net circula já uma petição a dar conta do caos instalado, assim como há já blogues e relatar o pesadelo.
Neste momento, por exemplo, quem quiser ir ver casas à Baixa ao fim-de-semana (única altura, meus caros, em que pessoas que trabalham conseguem ver casas) fica seguramente esclarecido sobre o crasso erro que cometerá se ali se decidir a viver. Em bom rigor, basta um passeio pela net para ficarmos cientes de que só doido aceita ir viver num local em que o Domingo, um dos dois dias de descanso do pessoal, é um verdadeiro inferno.
Esta decisão é, portanto, errada. Mas, mais do que isso, é sintomática de uma forma centralista de planear e pensar a cidade. Em vez de deixarem a cidade viver e revitalizar-se, preferem engenharias destas. E depois dá no que dá.
Natureza humana
Being Alive
Não partilho com o Ricardo a devoção por Bernardette Peters, ainda que esta minha opinião se circunscreva ao que dela ouvi e não ao espectáculo que motivou o tributo do Ricardo. Mas já partilho, inteiramente, esta admiração pela forma como Sondheim evidencia uma muito esquecida (e até negada) alteridade do ser humano.
Escolher apenas uma das suas letras seria, não tivesse esta um significado muito especial, quase uma heresia. Mas se há alguma das suas letras que, em certos aspectos, me melhorou, é esta Being Alive, do Company, aqui cantada por Patti LuPone:
Someone to hold you too close
Someone to hurt you too deep
Someone to sit in your chair
And ruin your sleep
And make you aware of being alive
Someone to need you too much
Someone to know you too well
Someone to pull you up short
And put you through hell
And give you support for being alive-being alive
Make me alive, make me confused
Mock me with praise, let me be used
Vary my days, but alone is alone, not alive!
Somebody hold me too close
Somebody force me to care
Somebody make me come through
I'll always be there
As frightened as you of being alive,
Being alive, being alive!
Someone you have to let in
Someone whose feelings you spare
Someone who, like it or not
Will want you to share a little, a lot of being alive
Make me alive, make me confused
Mock me with praise, let me be used
Vary my days, but alone is alone, not alive!
Somebody crowd me with love
Somebody force me to care
Somebody make me come through
I'll always be there
As frightened as you to help us survive,
Being alive, being alive, being alive, being alive
A culpa dos ausentes (4)
terça-feira, outubro 02, 2007
Obscena #6
A culpa dos ausentes (3)
Ao contrário do que profetizou Paula Teixeira da Cruz (...) as elites não debandariam em caso de vitória de Luís Filipe «Viva Portugaia» Menezes: as elites debandaram antes mesmo da temida vitória. Não foi só Manuela Ferreira Leite; não foram só os barrosistas, santanistas (parece que nem todos com LFM), a velha elite conservadora e polida. Ante as alternativas e o que o Partido Social-Democrata, com algum determinismo, passaria a ser, as elites debandaram logo no início. Manuela Ferreira Leite e qualquer militante com direito a cartão especial, com a devida referência no canto superior direito a «Militante de Elite», já estavam a milhas, na sexta-feira passada.
The road to...
Não é fácil, num mundo carregado de tonalidades cinzentas, marcar a vida pelo preto ou pelo branco. É a sorte, sobretudo a sorte, que é determinante para que pessoas que não se prendem ao cinzentismo consigam alcançar lugares onde podem fazer a diferença. Uma vez lá chegados, é o estrelato. Até lá, enfim, é o costume.
segunda-feira, outubro 01, 2007
Those were the days

O seu a seu dono
Tratou-se, portanto, de um resultado que mais não faz do que ilustrar o tal partido mais português de Portugal. O resultado é o espelho dos seus militantes e, portanto, diz-nos muito sobre estes sobre o que pensam e o que procuram.
Ora, porque ninguém está proíbido de militar no PSD, cabe aos militantes do partido determinar os rumos a seguir e as estratégias a desenvolver. A eles, essencialmente, cabe dizer de sua justiça, hierarquizando as candidaturas, os valores e os princípios.
É pois engraçado que uns quantos nos tentem agora convencer da ilegitimidade das eleições ou, até, da conveniência de alterar este resultado o quanto antes. Faz lembrar aqueles euroeufóricos que querem negar ao povo o direito de votar contra uma constituição ou tratado europeu, com o argumento de que não estão bem informados, não sabem bem o que querem, não têm noção do que está em causa ou, como também já se ouviu, porque há coisas que não devem ser colocadas à sua disposição.
Momento Intimista do Dia
Depois de anos de frustrações e escolhas adiadas, não tive outra opção que não desenhar uma técnica que me permitisse orientar em situações de desnorte como estas. Perante tanta escolha, procuro aquilo que sei não vir a gostar. Quase sempre, por ironia, ao lado do que não me agrada, está exactamente aquilo que procuro. Foi, por isso, sem supresa, que hoje, numa venda de livros antigos da Bertrand do Chiado, fui dar com o Que Futuro para Israel? de Shlomo Ben-Ami, que há tanto procurava, mesmo ao lado de um livro da Jackie Collins sobre sexo e estrelas e Hollywood.







