quinta-feira, Maio 31, 2007

Partidos liberais

Contra mim falando, e precisamente por isso, devo realçar aqui três posts do Rui Albuquerque no seu Portugal Contemporâneo sobre a enformação partidária do liberalismo e com os quais estou globalmente de acordo. Apenas quem não me conhece estranhará a minha adesão à globalidade do que é escrito pelo Rui. Existem, no entanto, algumas divergências, a que me procurarei dedicar em breve e que se prendem essencialmente com a forma como a Ala Liberal foi encarada pela generalidade das pessoas, eventualmente com alguma razão.

Ficam, pois, os posts, para mais tarde discordar:

A ler, de pleno acordo

Pai herói /Pai tirano do Eduardo Nogueira Pinto no 31 da Armada. Se o tema fosse o casamento, até parecia um texto meu!
A legislação laboral portuguesa é assustadoramente paternalista. Continua a tratar o trabalhador como um quase inimputável. O Estado Português – por intermédio das leis que cria - não permite que o trabalhador, ainda que na plena posse das suas faculdades, acorde livremente com a empresa sobre matérias tão significativas para o dia-a-dia da relação contratual como: prazo do contrato, horário de trabalho, trabalho suplementar, dias de descanso, férias e até salários.

Tempo de arejar o sofá

Fatal como o destino. O Sol começa a aparecer e os pedidos de couchsurfers começam a chegar ao ritmo de um ou dois por semana. Lá para Julho, aumentam consideravelmente.

Quem acompanha este blogue sabe que sou um convicto couchsurfer e que, sempre que posso e o aspecto não assusta, recebo no meu sofá laranja quem queira visitar Lisboa sem pagar alojamento. E com tempo, até faço de guia. Desta vez, é um belga e chama-se Robbert.

Para quem não sabe, o couchsurfing é uma espécie base de dados mundial que nos oferece, por nada, um sofá ou cama ou até mesmo um chão em destinos tão diferentes como o Afeganistão, o Sudão, a Síria, o Togo, Espanha ou Finlândia.

Basta mandar uma mensagem e avisar quando chegamos. Se o dono do sofá aceitar, temos alojamento, no mínimo. O couchsurfing tem como missão o contacto entre culturas, possibilitando a experiência de viver como nacional num país estrangeiro. Não é obrigatório, mas torna-se inevitável trazer o nosso couchsurfer para a nossa vida, os nossos jantares, as nossas saídas à noite, as nossas idas à praia. Então para um fanático por geografia como eu, que ainda se entretém a decorar o nome, as bandeiras e as capitais de todos os países do mundo, o desafio é irrecusável.

quarta-feira, Maio 30, 2007

Paternalismo

Cora: I'm getting tired of what's right and wrong.

Pontos de Fuga

Já estão n'O Insurgente os meus Pontos de Fuga desta semana, sobre a recente e ditatorial decisão de Hugo Chávez de encerrar o único canal de televisão que aparentemente lhe fazia frente:

Claro está que uns quantos, ainda muitos, precisarão de muito mais, muitos anos, muitas mortes, muitas prisões, muitas violações de direitos e liberdades para descobrir, com uma candura comovente, que Chávez escolheu um caminho obscuro e que, a partir desse dia, cada um segue o seu caminho.

(...) Por cá, apenas os tumultos de protestos nos chegam filmados, quase sempre camuflados de adversativas, as oportunas adversativas, não vá o português ficar com a ideia de que a Venezuela é uma ditadura em vez de uma balão de ensaio para uma sociedade mais justa, mais livre e mais solidárias.

terça-feira, Maio 29, 2007

RE: Libertarian paternalism

John: You listen to me. You say you don't want to tell me how to live my life. So what do you think you've been doing? You tell me what rights I've got or haven't got, and what I owe to you for what you've done for me. Let me tell you something. I owe you nothing! (...) You can't tell me when or where I'm out of line, or try to get me to live my life according to your rules. (...) You don't know how I feel, what I think.

A ler

Pasmos por Sofia Galvão na Geração de 60, sobre os devaneios do Professor Boaventura:
Para que se entenda, aludo ao artigo que o dito assinou na VISÃO da passada 5.ª feira, dia 24 de Maio de 2007. Artigo cuja leitura não posso aconselhar senão em benefício do pleno entendimento da minha estupefacção.O título prometia: socialismo do séc.XXI. Mas não se suspeitaria quanto…Em suma, ficámos a saber que devemos o desígnio a Hugo Chávez. Nas palavras do próprio BSS, desmentindo o fim da história, proclamado pelo pensamento político conservador (sic.), «(…) em 2005, o Presidente da Venezuela colocou na agenda política o objectivo de construir ‘o socialismo do século XXI». A esperança está, pois, em Chávez!!! Com ele – e, também, com Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador) (sic.) –, o socialismo refunda-se para não repetir erros do passado e abre-se a um «debate profundo» capaz de tornar «credível a vontade de evitá-los»(sic.).

Perguntas do dia

Quando estão em causa 2 opções alternativas pode, alguma vez, como vem sendo feito por muito boa gente, acusar-se os defensores de uma das opções de lobby ou de propósitos menos claros? Isso faz dos defensores da outra opção, o quê? Paladinos da verdade ou o reverso da medalha?

Estado à Solta (2)

Quando a governadora civil marca eleições com o evidente propósito de prejudicar uma candidatura oponente ao do seu então superior hierárquico e quando a Directora Regional suspende preventivamente, antes de qualquer processo, um funcionário por alegadas ofensas ao primeiro-ministro ditas em privado fazem-no com base em interesses privados e que não dizem respeito aos portugueses que supostamente servem.

O interesse público que tanto lhes justifica o lugar e que tanto lhes sustenta as atribuições não passa, afinal, de um interesse circunstancial e privado, o que num país que cultivasse a liberdade seria um claro sinal de alerta quanto à excessiva gordura do Estado que temos. Tenciono desenvolver este assunto num artigo próximo, na revista do costume.

segunda-feira, Maio 28, 2007

Dubai


Dark Roasted Blend:
Burj Dubai: Now the Highest Building in the World
Dubai's Architecture Update, Part 2

Flags by colours


( via information aesthetics, Flags by colours )

Novas do Centro-Direita Socialista (3) [AA]

"Em Portugal uma concepção liberal seria uma catástrofe social" — frase que o Expresso decidiu destacar da entrevista a Luís Nobre Guedes [LNG]. Eu concordo com LNG. Pois reparemos que António Pires de Lima, ao apresentar a Ala Liberal— tendência que pretende instituir no CDS-PP—, defendeu que o Modelo Social Europeu não deve ser colocado em causa.

Ora, se esta é uma concepção liberal, e se o Modelo Social Europeu é um desastre à espera de acontecer, há que rejeitar liminarmente o liberalismo e entregarmo-nos de corpo e alma ao Estado, de preferência muito iliberal.

Um pouco mais a sério: tenho Luís Nobre Guedes em boa consideração — já o escrevi anteriormente. Não vejo nestas suas afirmações oportunismo de conveniência. Mas custa-me a acreditar que as tenha proferido com conhecimento de causa do que fala — precisamente porque a mensagem liberal, no CDS como noutros partidos, não tem passado de uns chavões inconsequentes. Continua a ser fácil caricaturar o liberalismo como a ideologia do "Salve-se quem puder".
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Concordo que se o Estado Social desaparecesse, muitas pessoas passariam sérias dificuldades. Nada disso se propõe. Existe um conjunto de soluções políticas de carácter liberalizante que ao invés de enfraquecerem a sociedade, tornam-na mais activa e responsável.

Hoje em dia o Estado Social gere o seu próprio sistema económico, e depois disponibiliza-o generosamente aos cidadãos. A tendência natural do Estado Social é expandir-se, procurando satisfazer todas as necessidades dos cidadãos — ou simplesmente expandir-se, na presença de dinheiro de impostos. Este sistema produz uma sociedade dependente de um Estado que a atrofia, incapaz de se ajudar a si própria. Quando se fala em reformar este sistema, logo surgem medos de "catástrofe social".

Muitas das soluções liberalizantes passam pelo conceito de "liberdade de escolha" — retirar o Estado do papel de monopolista prestador de serviços, e colocá-lo a regular um mercado maioritariamente privado de serviços sociais. O dinheiro que o Estado gasta no seu próprio sistema para o bem dos cidadãos seria dado aos cidadãos, para que o pudessem aplicar segundo as suas conveniências. Para que possam escolher quem lhes presta os seus "direitos sociais". Empower os indivíduos, não a máquina estatal. Não haveria qualquer desgraça social.

Este não é um sistema "liberal", porque permite redistribuição maciça, e grande intervenção do Estado sobre os mercados que se criariam — na Educação, na Saúde, na Segurança Social. É um sistema socialista light, light em termos de pouco estatista. Mas é mais liberal, muito mais aceitável que o planeamento centralizado que hoje em dia é feito pelos Ministérios "sociais", sem qualquer respeito pela capacidade de decisão das pessoas.

Novas do Centro-Direita Socialista (2) [AMN]

Não existiria necessidade de criar uma ala liberal num partido liberal a não ser que se pretendesse criar uma espécie de ranking ao estilo “eu sou mais liberal que tu”. Pressuposto da Ala Liberal do CDS é, por isso, a existência de um partido que não alberga, como deveria albergar por motivos históricos, doutrinais e políticos (que poderemos discutir mais tarde), uma aproximação ao liberalismo.

Não entendo, por isso, a surpresa que aparentemente causou a recente entrevista de Luís Nobre Guedes ao Expresso. Ela é, aliás, sintomática da necessidade de fortalecimento da Ala Liberal de forma a testar, de uma vez por todas, da possibilidade de aproximar o CDS de uma postura liberal que salve Portugal do socialismo reinante.

Discordo de grande parte das linhas de força das declarações de Luís Nobre Guedes ao Expresso, como aliás já tinha discordado da sua intervenção no Congresso que elegeu José Ribeiro e Castro. E suponho que não tenha de explicar muito para evidenciar os nossos pontos de discordância.

Não considero o liberalismo um perigo nem produtor de qualquer catástrofe e preferia conservar o trabalho do Grupo de Ofir como linhas mestas da orientação política do CDS. Discordo, por isso, do reforço da democracia-cristã que se adivinha no discurso de Luís Nobre Guedes, embora registe a sua ampla abertura à discussão de temas que foram durante anos tabu no CDS e que demonstram um esforço de actualização ideológica do partido, que muitos ainda recusam.

Mas devo fazer uma declaração de interesses. Sou amigo de Luís Nobre Guedes, com quem tive o prazer e sobretudo o orgulho de trabalhar no Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território. Não alinho, por isso, no enfileirar de ódiozinhos que sempre se levantam nestas ocasiões e muito menos dou para os tradicionais peditórios das alas formadas em função das pessoas. Aliás, se há vantagem na formação de tendências no CDS, esta é uma delas: são as ideias a comandar as opções.

Cheira mal

Há governadores civis que trabalham em função de agendas partidárias e procuram condicionar eleições. Há Directoras Regionais que instalam um clima de bufaria nos serviços que dirigem e impedem conversas privadas em instalações públicas. Há ministros que procuram limitar o jornalismo que temos em nome de uma sarjeta que não conhece outro nome que não seja o do próprio ministro. Há uma autoridade que se diz independente e deseja comandar os tempos de antena socialistas na televisão pública e condicionar as opções editoriais na imprensa privada. Há um ministro que reduz milhões de portugueses a um deserto apenas e só porque não concordam com ele.

O Presidente da República, enlevado pelas altas percentagens que pretende obter na sua reeleição, pode fingir que não vê nem ouve nem pressente o cheiro a abuso de poder que exala este governo socialista. Enquanto o Presidente anda nos seus roteiros por isto e por aquilo e a escrever discursos a dizer coisa nenhuma que não “reeleição, reeleição, reeleição”, há todo um país que começa a ser amordaçado nas suas mais básicas liberdades.

O que esperamos para aumentar a duração do mandato dos presidentes e a proibir a sua reeleição, de forma a que estes sirvam para alguma coisa?

A Thinkpol do PorSoc não pára

"ERC vai vigiar influência das empresas nos jornais" (DN):
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) não pára. Depois de ter avançado com a polémica monitorização da informação da RTP, para apurar se esta cumpre o pluralismo político-partidário em período não eleitoral, é agora a vez de os jornais, revistas e suplementos económicos ficarem sob o olhar atento do regulador. O objectivo é analisar se existe ou não influência dos grupos económicos nas notícias publicadas nos jornais da especialidade.

Ron Paul on Real Time with Bill Maher


(youtube)

[ continuação ]

God Save the Queen - 30 anos


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sexta-feira, Maio 25, 2007

Planeamento do Território

"Debates pouco plurais e condicionamento da opinião", José Pacheco Pereira no Abrupto:
Os absurdos elogios a Duarte Pacheco não passariam o escrutínio simples de quem soubesse um mínimo da história do Estado Novo e explicasse que o que ele fez só era possível em ditadura e com a subordinação da propriedade privada não à cidade, mas a uma cidade monumental de inspiração nas obras públicas do fascismo italiano. É isso que querem? Grandes avenidas, bairros sociais, estádios “nacionais”, urbanismo imperial, e exposições coloniais? Se calhar é ainda este modelo o que inconscientemente povoa os sonhos de grandeza da esquerda e da direita.

Ainda bem que hoje em dia a intervenção sobre a propriedade privada não tem direito ao Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, que não se fala em demolir prédios por pressão popular, que a propósito de um aeroporto não se sonha com megalópolis aeronáuticas, que não se apresentam planos "ambiciosos" de "reabilitação" de bairros inteiros das cidades, como se tudo fosse propriedade do poder político....

Postais da Margem Sul (3)

Tirando partido das novas tecnologias, mais precisamento das técnicas de "computação distribuída", está a ser desenvolvido um esforço na internet portuguesa para refutar as afirmações do Ministro das Obras Públicas de Portugal, Mário Lino, que disse que na Margem Sul não havia civilização.

Qualquer pessoa pode participar e contribuir neste projecto científico popular, bastando para isso que tenha um computador com acesso à net, browser Firefox ou equivalente, e algum tempo livre para disponibilizar à nobre causa.

A cada utilizador (não é exigido registo) são distribuídas seis fotografias da Margem Sul; cabe à pessoa procurar identificar sinais explícitos ou implícitos de gente (humana ou extraterrestre), e respectiva actividade económica (hospitais, escolas, hotéis, comércio...).
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(a equipa do Plano Tecnológico está reunida para implementar normas de implementação de uma task-force para elaboração de um "livro" de cor a determinar por grupo independente uma vez ouvidas as autoridades competentes para fazer o refresh automático da página.
Entretanto, é favor recarregar a página manualmente)


Em caso de avistamento, pede-se ao leitor que envie mail ao sr. Ministro Mário Lino.

Homeschooling

De "socialization" and mainstream society de BKMarkus:

Leituras para reflectir

"Imposto único, subsídio único" de LA-C n'A Destreza das Dúvidas:
Devemos ser mais radicais. Por exemplo, acabar com a maioria dos impostos, conservando apenas o IVA. Os recursos libertados seriam enormes com inegáveis impactos sobre o Rendimento Nacional.

The Challenge of Globalization to the Church

"The Challenge of Globalization to the Church" de Lord Brian Griffiths no Acton Institute:
We have argued that the sine qua non for economic development is the creation of a vibrant private sector in developing countries. Successful private sector companies provide jobs, training, taxes, exports, and community involvement. As Christians we are committed to companies which pursue excellence, help people develop, and are great places to work. Throughout G7 countries there are thousands of Christians in positions of business leadership, not least in those companies which are at the heart of globalization. There will be others, maybe of other faiths or even no faith, who will have equally high ideals for corporate life. Once again I believe that the Church is in a unique position to mobilize its members to take responsibility and leadership. Let me quote Benedict XVI once more: “In today’s complex situation, not least because of the growth of a globalized economy, the Church’s social doctrine has become a set of fundamental guidelines offering approaches that are valid even beyond the confines of the Church.”

"Justiça social" - Block vs. Hendry

"Block vs. Hendry on Social Justice at Loyola University" de Walter Block, uma troca de argumentos entre Walter Block e Si Hendry, S.J.:
I presently teach at a Jesuit University, Loyola University New Orleans, and have done so since 2001. Previously, I taught at another Jesuit University, the College of the Holy Cross in Worcester, MA, from 1991 to 1997 ....

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Let me say, then, in this regard, that while there are some exceptions, the political economic philosophy of most modern Jesuits is left-liberal, or communitarian. They commonly see their perspective as a "third way," neither advocating the capitalism supposedly of the right, nor the socialism of the left.
Historically, many the early members of the Jesuits, founded in 1540, were members of the School of Salamanca. Paradoxically given what came later, this meant they were libertarians, and actual precursors of the Austrian School of economics ....

.... this Order has been hijacked to a great degree by Liberation Theologians (these are scholars who combine the non-atheistic elements of Marxism with Catholicism), left liberals, communitarians, and other opponents of laissez faire capitalism, private property rights and economic freedom.
It all began with my unhappiness that Loyola University New Orleans publicly characterizes itself as "social justice university." ....

Sócrates: personality goes a long way

Comparações passadas:



Comparações futuras:

Jogos de sombras (2)

"Confissões de um bárbaro (I)" de Ricardo Costa, no Diário Económico::
Eu respeito a ERC e os seus dirigentes. Mas acho que a ofensiva legislativa e normativa do governo e da ERC são um perigo para o jornalismo livre e para a sociedade em que vivemos. É isso que estou pela segunda ou terceira vez a fazer. O facto de a ERC garantir a pés juntos que tudo isto só se aplica ao serviço público não me faz ser menos crítico. Porque acho que a ERC vai piorar o serviço público de televisão em Portugal. Vai transformá-lo num Diário da República ‘hertziano’, uma espécie de Canal Parlamento ligeiramente mais alegre.
Vale a pena ir ao ‘site’ da ERC e ler uma deliberação sobre uma queixa do Partido Ecologista os Verdes e perceber do que estou a falar .... É claro que neste teatro de sombras, a RTP respondeu à ERC e aos Verdes que “errou” e garantiu que o “erro” não se volta a repetir. Na sequência deste acto de contrição, a ERC ficou muito satisfeita porque houve “assunção de culpa” por parte da RTP. Como numa história infantil, tudo acabou em paz e harmonia. Tudo menos a verdade e o jornalismo. A RTP assumiu um erro que não cometeu e a ERC valorizou uma “culpabilização” que não tinha que existir. Os Verdes e os partidos ficaram felizes porque nunca mais um Conselho Nacional irrelevante deixará de ser notícia na televisão do Estado. Está tudo doido e querem fazer de nós parvos.

The worst get to the top

There are three main reasons why such a numerous group, with fairly similar views, is not likely to be formed by the best but rather by the worst elements of any society.

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First, the higher the education and intelligence of individuals become, the more their tastes and views are differentiated. If we wish to find a high degree of uniformity in outlook, we have to descend to the regions of lower moral and intellectual standards where the more primitive instincts prevail. This does not mean that the majority of people have low moral standards; it merely means that the largest group of people whose values are very similar are the people with low standards.

Second, since this group is not large enough to give sufficient weight to the leader’s endeavours, he will have to increase their numbers by converting more to the same simple creed. He must gain the support of the docile and gullible, who have no strong convictions of their own but are ready to accept a ready-made system of values if it is only drummed into their ears sufficiently loudly and frequently. It will be those whose vague and imperfectly formed ideas are easily swayed and whose passions and emotions are readily aroused who will thus swell the ranks of the totalitarian party.

Third, to weld together a closely coherent body of supporters, the leader must appeal to a common human weakness. It seems to be easier for people to agree on a negative programme – on the hatred of an enemy, on the envy of the better off – than on any positive task.

Friedrich Hayek, The Road to Serfdom
(versão condensada pelo Reader's Digest)

Jogos de sombras

"O regime de Sócrates" de Vasco Pulido Valente, no Público, via Bomba Inteligente:
O que se passou não se passaria sem um conjunto de condições prévias. Primeiro, que a denúncia fosse considerada na DREN um acto meritório ou, pelo menos, recomendável. Segundo, que o denunciante contasse com a benevolência e a colaboração da dr.ª Margarida Moreira. E, terceiro, que a dr.ª Margarida Moreira julgasse agradar aos seus próprios superiores, perseguindo a dissidência política ou a sombra dela. Numa repartição normal os funcionários não se andam mutuamente a denunciar, nem os directores toleram a denúncia como método de "vigilância". Até porque a moral comum considera abjecta a figura do denunciante e a do polícia que age por denúncia. O que sucedeu na DREN é um sinal da profunda perversão do regime.
O crescente autoritarismo do poder e o extravagante culto da pessoa de Sócrates, que o Governo promove e alimenta, é que pouco a pouco criaram o clima em que se vive e que inspirou o "caso Charrua" .... A história da prepotência e do arbítrio não começou na DREN, não vai acabar na DREN e com certeza que não se limita à DREN.

Boomerang

José Sócrates bem pode entender que não demitir nem remodelar lhe oferece uma imagem de força e persistência, mas se continuar inerte perante os evidentes dislates dos seus funcionários e ministros, bem pode acontecer que seja o povo, com força e persistência, a remodelá-lo a ele.

Os políticos e os tontos

As desculpas para a politização da Administração Pública são várias e aparecem, por vezes, de onde menos se espera.

Desta vez, a propósito do abuso de poder de uma senhora que já deveria estar na rua, Ricardo Gonçalves do PS dividiu o mundo em duas categorias: os políticos e os tontos. Os políticos são inteligentes, sensatos e moderados. Os outros, coitados, que não se fizeram na política, são uns tontinhos que não conseguem pesar as consequências dos seus actos.

Estou a exagerar? Basta ler no Público, onde se regista que o senhor deputado considera que a escolha de pessoas para cargos de responsabilidade deve assentar mais em critérios políticos do que técnicos. Se tivesse um perfil mais político, afirmou, a Directora não teria avançado com o processo disciplinar do professor Fernando Charrua sem ouvir mais pessoas e pesar as consequências.

Do You Consider Yourself a Libertarian?

"Do You Consider Yourself a Libertarian?", entrevista a Lew Rockwell:
What is a libertarian? It is a person who believes in the absolute right of private property ownership. All else follows from that one proposition.
If you look at the crop of people who are running for president today, you gain new understanding of Hayek's phrase "the worst get on top." What an amazing bunch of dangerous nothings they are. The Democrats look positively dreadful. The antiwar people among them have touted the idea that every young person should be enslaved into national service. What are these people thinking? Most of them are nothing but voices for a special interest cause. The Republicans are creepy too: people in love with the idea of military force and who think more jails and more wars will solve all the world's problems.
Of course I'm cheering on Ron Paul because he is exposing the nature of the whole system. He is not running for president. He is running against the presidency as it is currently understood. Ultimately, however, I do not believe that politics offers a way out. What we need is a new consciousness concerning the idea of human liberty.

na pista do liberalismo

Rui de Albuquerque, "na pista do liberalismo", no Portugal Contemporâneo:
Sem ter qualquer pretensão de contribuir para uma dogmática, aqui seguem um conjunto de pressupostos que julgo necessários ao(s) liberalismo(s).

Liberdade como direito natural | Propriedade | Mercado | Troca | Instituições | Justiça
Direito | Moral e Tolerância | Estado | Ideologia e Pedagogia | Liberdade


1. Liberdade. A liberdade consiste, como lembrava Hayek, na ausência de coacção, ou, como dizia Pessoa (a pretexto de encontrar um conceito), na possibilidade de fazermos o que nos apetecer sem interferirmos com a liberdade dos outros. Em todo o caso, ela representará sempre a preferência pela escolha individual à escolha pública: a nossa liberdade será tanto maior quanto menor for a presença do poder público.


Lição de Geografia

Com Almeida Santos ficámos a saber que a destruição de uma ponte isola o Norte mas, pelos vistos, não isola o Sul...

Perguntas do dia

3 Presidentes depois, as perguntas ganham cabimento: para quê a reeleição, para quê 10 anos de magistério? O que é que transforma o segundo mandato num objectivo maior do que o próprio e adequado exercício do cargo?

quinta-feira, Maio 24, 2007

...e, já agora, vai tomar banho.

"U.S. candidate Paul assigns reading to Giuliani" (Reuters):
Longshot Republican presidential candidate Ron Paul on Thursday gave front-runner Rudy Giuliani a list of foreign-policy books to back up his contention that attacks by Islamic militants are fueled by the U.S. presence in the Middle East.
"I don't think he's qualified to be president," Paul said of Giuliani. "If he was to read the book and report back to me and say, 'I've changed my mind,' I would reconsider."
Among the books on Paul's reading list were: "Dying to Win," which argues that suicide bombers only mobilize against an occupying force; "Blowback," which examines the unintended consequences of U.S. foreign policy; and the 9/11 Commission Report, which says that al Qaeda leader Osama bin Laden was angered by the presence of U.S. troops in Saudi Arabia. Another book on the list was "Imperial Hubris," whose author appeared at the press conference to offer support for Paul.

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A spokeswoman for Giuliani derided Paul's latest comments.

"It is extraordinary and reckless to claim that the United States invited the attacks on September 11th," Maria Comella said in an e-mail.

"And to further declare Rudy Giuliani needs to be educated on September 11th when millions of people around the world saw him dealing with these terrorist attacks firsthand is just as absurd."

"Ron Paul to Rudy Giuliani - Read a Book!" (Free Market News Network):
.... in fact, Ron Paul has committed a radical act in American politics by bringing up the idea of historical literacy - of reading widely as a way of helping to make informed decisions.

The expectation of literacy among leaders was more widespread in the 1700s and 1800s when heads-of-state were supposed to be familiar with a wide variety of ideas, and the books that contained them. With the advent of the popular media, the vulgarization of leadership worldwide and the relentless attacks on Western literature's "canon" as composed of "dead white men" the emphasis on the "great conversation of the ages" has waned.

The point of such a "great conversation" was at least in part to retain and pass on wisdom about how to better humankind's "lot." Not surprisingly, almost inevitably, the ideas that withstand the test of time are those that emphasize the free-market, de-emphasize government control and generally encourage individual human action over collectivism. For this reason, likely, among others, the canon has come under attack, its credibility disparaged, its value criticized by those who seek to collectivize human initiative in order to concentrate and control power.

E, já agora, "notas de leitura"...

Campanha liberal


Postais da Margem Sul (2)

"Ota: «problemas de segurança»" (PortugalDiário):
«Um aeroporto na margem sul tem um defeito: precisa de pontes. Suponham que uma ponte é dinamitada? Quem quiser criar um grande problema em Portugal, em termos de aviação internacional, desliga o Norte do Sul do País», declarou Almeida Santos no final da reunião da Comissão Nacional do PS.

...para não falar de outros perigos:
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Postais da Margem Sul (1)


comércio

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costa alentejana



um lisboeta perguntando indicações



oh compadri há tant' temp' qu'não o via!



emoções fortes

Mário Lino confessa falência do planeamento do território

"«Bruxelas não aprovaria aeroporto a Sul»" (PortugalDiário):
«Fazer um aeroporto na margem Sul seria um projecto megalómano e faraónico, porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, pelo que seria preciso levar para lá milhões de pessoas», disse Mário Lino durante um almoço debate sobre «O Novo Aeroporto de Lisboa», promovido pela Ordem dos Economistas.

Ron Paul on dissent and patriotism


http://video.google.com/videoplay?docid=-5792391565012624048

justiça "social" do resultado

"Futebol e justiça do resultado" de José Manuel Moreira no Diário Económico:
Numa ordem do mercado não há necessariamente correspondência entre mérito subjectivo (ou estima pelos esforços individuais) e necessidades individuais e remunerações. A ordem de mercado opera sob o princípio de um jogo combinado de habilidade e “sentido de oportunidade” em que os resultados de cada indivíduo dependem tanto das circunstâncias, que podem estar muito para além do seu controle, como da sua habilidade e esforço: cada um é remunerado pelo valor que os seus serviços têm para as pessoas a quem os presta, não implicando nenhuma relação necessária com alguma coisa que se possa apropriadamente chamar os seus méritos e ainda menos as suas necessidades.

Cornutopia

"Cornutopia?" no Cox&Forkum:


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From Townhall.com: The Many Myths of Ethanol by John Stossel.
If ethanol's so good, why does it need government subsidies? Shouldn't producers be eager to make it, knowing that thrilled consumers will reward them with profits?

But consumers won't reward them, because without subsidies, ethanol would cost much more than gasoline.

The claim that using ethanol will save energy is another myth. Studies show that the amount of energy ethanol produces and the amount needed to make it are roughly the same. "It takes a lot of fossil fuels to make the fertilizer, to run the tractor, to build the silo, to get that corn to a processing plant, to run the processing plant," Taylor says.

And because ethanol degrades, it can't be moved in pipelines the way that gasoline is. So many more big, polluting trucks will be needed to haul it.

More bad news: The increased push for ethanol has already led to a sharp increase in corn growing — which means much more land must be plowed. That means much more fertilizer, more water used on farms and more pesticides.

This makes ethanol the "solution"?

Lentamente se chega lá

"Vieira da Silva quer relações de trabalho mais «adaptáveis»" (Diário Digital):
«Quem não aceita que as relações laborais têm que introduzir no seu seio níveis de adaptabilidade que neste momento não têm em muitos sectores, está a contribuir para o fracasso de muitas empresas e a condenar ao desemprego milhares de trabalhadores», afirmou Vieira da Silva.
«Nós devemos reflectir todos sobre o que tem acontecido no mercado das companhias aéreas. Nem sempre a solução que parece mais desfavorável é a mais desfavorável. Infelizmente tantas vezes é necessário processos de reestruturação, não para perder 100 ou 200 trabalhadores, mas para evitar perder 3 ou 4 mil», afirmou.

Denn wir haben hie keine bleibende Statt

(clicar para ouvir)
link
Johannes Brahms, Ein Deutche Requiem

[ aqui: ♪ Denn alles Fleisch ist wie Gras ]

quarta-feira, Maio 23, 2007

Fracturas

Diz o Rui de Albuquerque no obrigatório Portugal Contemporâneo:
De facto, para um liberal, as transformações políticas, nomeadamente as de pendor desestatizante não se dão de cima para baixo, sob o efeito benfazejo de um qualquer governante, mas de baixo para cima, por pressão da opinião pública e do eleitorado (...).

Compreendendo o post, e sendo ele certeiro em alguns casos, gostaria de deixar aqui algumas linhas.

Há uma diferença entre discutir questões fracturantes e pedir ao Estado que as promova e incentive. Tomemos o exemplo da liberdade contratual no âmbito do casamento. Quando proponho que sejam os casais a compor o modelo de contrato que preferem e que o Estado se abstenha se promover um modelo específico estou, na minha opinião, a pedir ao Estado que desampare a loja.

No caso do casamento entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, não se trata, por isso, de pedir ao Estado que os promova, incentive ou lhes atribua benefícios. Trata-se apenas de dizer ao Estado, isso sim, que duas pessoas, se assim o desejarem, conseguem perfeitamente organizar a sua vidinha sem a sua intervenção e que devem ser eles a decidir os termos da sua união.

Impedir este alargamento contratual sob os auspícios da função social do casamento (que existe) é que é, na minha opinião, querer atribuir a um contrato, por via estadual, uma função que os indivíduos são livres de atribuir por si próprios e para a qual não precisam do Estado.

Boa memória (2)

Diz o Tiago Mendes, em resposta ao meu post e sem dar a entender, afinal, para que serviram as referências à falta de liberalismo no CDS da sua fundação se o objectivo era criticar os liberais ortodoxos que ignoraram o contexto em que politicamente vivemos e não, como expressamente lá constava, oferecer uma resposta à opinião do Francisco Mendes da Silva que considerava que o CDS se apresentou sempre contra o paternalismo estatista que constitui o nosso iníquo modelo (constitucional) de desenvolvimento:
Quanto aos votos liberais, nunca disse que alguns liberais não votarão no CDS-PP actual ou futuro. O que disse é que acho muito difícil que o CDS-PP possa vir a ser um partido marcadamente liberal e com força em Portugal.


Disse o Tiago Mendes, em resposta a um outro meu post:
Adolfo, um facto que te custa a ti, e a mais uns quantos "insiders" admitir, é que o potencial de "votos liberais" que existe, tirando uma excepção ou outra, sempre com o cunho da partidarite (sem ser no mau sentido) - como a tua - NUNCA iriam para o CDS-PP. O de hoje, o de amanhã, com ou sem este ou outro Portas.

Pontos de Fuga

Estão publicados os meus Pontos de Fuga desta semana n'O Insurgente, sobre a nova lei da televisão que se avizinha, nomeadamente o serviço público de televisão:

Ao invés, temos a proliferação do serviço público de televisão que, em Portugal, é comodamente entendido como serviço estadual de televisão. De tal sorte que o Estado tem tripla presença nesta equação: como entidade tutelar, como concedente e como accionista. Bastava-lhe, na persistência de manter o serviço público, ser concedente. Mas não. O Estado quer ser actor na actividade. Quer meter a sua colher.

Estado à Solta

Cada um é como cada qual e faz as figuras que aceita fazer, mas ver um deputado do PS tentar explicar ao país (e revelar-se ao Mundo) que a Ministra da Educação não tem de dar qualquer explicação ao Parlamento acerca de abusos de poder de funcionários que ela própria directamente tutela é absolutamente confrangedor. Não só pela figura triste, claro. Mas também, e sobretudo, pela bela imagem que oferece de um país pejado de serviços públicos que, pelos vistos, ninguém tutela, ninguém controla, ninguém dirige.

Boa memória

O Tiago Mendes, para quem os liberais nunca vão votar no CDS, apela, num post sibilinamente intitulado de Evolução, Continuidade e Memória, à sua memória - e à falta de memória do Francisco Mendes da Silva - afirmando que em "1974, com todo o “contexto” que é preciso ter em conta, até o CDS-PP teve um discurso bastante estatista - pelo menos à luz da discussão actual sobre liberalismo e estatismo".

É certo que estávamos em tempos de revolução e que o estatismo imperava e intimidava quem dele se quisesse distanciar. Mas, apesar de não me lembrar, porque nem nascido era, tenho a sensação de que o CDS foi o único partido que, nesse contexto, ousou bradar contra o socialismo reinante.
Logo, aliás, no primeiro comício do CDS, em Agosto de 1974, Freitas do Amaral distingiu o CDS da esquerda, porque esta rejeitava o mundo em que vive, era colectivista, estatizante e revolucionária e o CDS aceitava a evolução do mundo, defendia a liberdade de iniciativa, preconizava o sector privado amplo, robusto e empreendedor e era reformista (o discurso pode ser lido na autobiografia de Diogo Freitas do Amaral, pág. 226-227).
Mas, mais do que isso, o CDS foi o único partido que votou contra a CRP, precisamente pela sua contaminação ideológica. Destaco, apenas a título de exemplo, e em nome da memória, algumas das soluções constitucionais que o CDS considerou inaceitáveis e que constam expressamente da declaração de voto do Deputado Vítor Sá Machado, publicada no Diário da Assembleia Constituinte, n.º 132, pág. 4438: ###

  • apropriação dogmática pela colectividade de meios de produção, dos solos e recursos naturais;

  • concepção antidemocrática de exercício do poder democrático apenas pelas classes trabalhadoras;

  • convite contraditório em democracia, de vinculação das Forças Armadas e Governo a um projecto político restrito;

  • ensino particular reduzido às precárias características de supletividade do ensino público;

  • absurda mitificação do plano como instrumento privilegiado de progresso económico;

  • recusa de promover o acesso dos trabalhadores à propriedade;

  • graves limitações acerca do direito de propriedade de pequenos e médios agricultores;

  • definição limitativa e não criadora do sector privado da economia a um papel remanescente e soberante no quadro geral da actividade económica.

A história, como se sabe, veio dar razão ao CDS e a todos os portugueses que, nele não votando, comungavam destes pontos de vista. Que o CDS nem sempre soube cumprir os propósitos vertidos nesta declaração, é ponto assente. Mas ponto assente é também que todos os restantes partidos comeram e calaram o texto constitucional.

Mas não é disso que trata o apelo à memória feito pelo Tiago que parece querer determinar em 1974 o futuro dos partidos portugueses e, nesse gesto, liquidar um dos momentos históricos mais importantes da democracia portuguesa: quando alguém ousou dizer não a uma Constituição que nos persegue e que quase todos consideravam inevitável.

Pergunta do dia

A Senhora Directora Regional de Educação lá suspendeu um funcionário por andar a gozar com o primeiro-ministro. De caminho, não quer suspender também alguns ministros que nitidamente andam a gozar com os portugueses?

AWOL in Rome

Yossarian let the girl drag him through the lovely Roman spring night for almost a mile until they reached a chaotic bus depot honking with horns, blazing with red and yellow lights and echoing with the snarling vituperations of unshaven bus drivers pouring loathsome, hair-raising curses out at each other, at their passengers and at the strolling, unconcerned knots of pedestrians clogging their paths, who ignored them until they were bumped by the buses and began shouting curses back.

Joseph Heller, Catch-22

Giuliani pede desculpa

"Rudy Giuliani admits to hearing voices: "That's why I said all that to Ron Paul"", link generosamente fornecido por um benito-giulianista envergonhado:

Rudy Giuliani, shown here dressed in drag (yes, it's true) as his alter ego, Rudia Giuliani, explains that he hears voices and has hallucinations.
NEW YORK, NY -- A sad and desperate looking Rudy Giuliani poured out his heart on national television. He admitted that the reason why he viciously attacked Congressman Ron Paul is because he is hearing voices in his head.

During the last Republican debate, Rudy Giuliani said that Ron Paul should "withdraw" his comments about the U.S. government inviting the 911 attack, yet it wasn't Ron Paul who said that, but FOX News correspondent Wendell Goler who said that in a question to Ron Paul, who is the only Republican candidate that makes any sense. Rudy Giuliani now admits to hallucinating and hearing voices, which explains his erratic behavior.

"I said that stuff to Ron Paul because I am hearing voices. My ghost friends told me to say that to Ron Paul while I was up on stage," explained a psychotic Rudy Giuliani.

punição à distância

"A punição à distância" de Carla Hilário Quevedo no Bomba Inteligente:
É por isso muito importante que o invejado nunca perca um segundo da sua vida com o invejoso (nos casos em que tal seria possível), sob pena de quebrar um procedimento útil: o da punição à distância.

E que tal deixar que as pessoas decidam caso a caso, quando se casam, não? (3)

"Re:Defender os poderes adquiridos" de João Miranda:
É a confusão em liberalismo e progressismo. Para o Daniel quem não é progressistas só pode ser conservador. É um falso dilema. Progressismo é o oposto do conservadorismo. O liberalismo é tão contra o progressismo político como contra o conservadorismo político e neutro em relação ao progressismo social e o conservadorismo social.

terça-feira, Maio 22, 2007

cooperante

E que tal deixar que as pessoas decidam caso a caso, quando se casam, não? (2)

"União de facto", parte de "Bloco versus Liberalismo (actualizado)" de João Miranda:
Para o Bloco trata-se de mais uma forma de casamento entre duas pessoas que não se querem casar e o estado. Pessoas em união de facto têm uma série de deveres e uma série de direitos que nunca pediram.

E que tal deixar que as pessoas decidam caso a caso, quando se casam, não?

Diz o Daniel Oliveira no Arrastão ("Defender os poderes adquiridos"):
Decidam-se: ou o casamento trata de bens e de recursos e não inclui obrigações relacionadas com o afecto (simpatizo com essa possibilidade), ou inclui a regulação dos afectos e eles não podem ser desprezados nas condições para a exequibilidade do casamento.

É de um jacobinismo insuportável e impróprio de uma democracia liberal que o Estado decida disciplinar a sociedade pela força da legislação. O one-size-fits-all, tão estimado por progressistas e reaccionários, é por definição iliberal. Cabe ao Estado, quanto muito, reconhecer a diversidade — não homogeneizá-la.

Liberty


Liberty. The Idea whose symbol is a towering private subscription statue.

Ao acaso

Nada como ler a imprensa nacional para termos uma ideia clara e precisa do ponto de vista palestiniano do conflito no médio oriente. Não falo, claro, das opiniões legitimas de quem lá escreve opinião mas dos jornalistas, esses mesmos, que supostamente relatam os factos e se abstêm de potenciar e incentivar reacções parciais nos leitores.

Hoje, no Público, ficámos a saber que um projéctil Qassam matou uma mulher israelita na cidade de Sderot. A notícia vem ilustrada com uma fotografia bastante dramática e que qualquer pessoa de mediana inteligência acreditaria ser relativa à notícia em causa. Mas não. Ao invés de uma fotografia alusiva ao drama em questão, o Público optou por uma fotografia (não sei se de arquivo), com a sugestiva legenda de “Orações junto aos corpos de seis palestinianos mortos num raide de Israel”...

Mas há mais, claro que há mais. De acordo com a jornalista do Público, os assassinos são “combatentes”, que é uma expressão bem achada para “terroristas” e “assassinos”. Ainda de acordo com a mesma senhora, é muito raro que estes projécteis artesanais causem vítimas, uma vez que eles são disparados ao acaso. Pois que está mesmo bem de ver que os tais combatentes andam a fabricar projécteis para brincar ao paint ball.

E de acaso em acaso vemos gente a morrer às mãos dos tais combatentes. Ontem, por um dos acasos da senhora jornalista, caiu um projéctil num carro com duas pessoas, matando uma mulher de 35 anos. E terá sido certamente por acaso que, nos últimos dias, têm caído muitos Qassam sobre Sderot. Parece que ontem foram disparados 4 e na véspera tinham caído 14...

One Step Further

Há uns tempos, não muitos, ousar falar em liberalismo no CDS era quase uma heresia. Que não, que o CDS não nasceu para ser liberal. Que não, que o liberalismo poderia aspirar, quanto muito, a ser referido em pé de página de uma qualquer moção de estratégia. Nesses tempos, em que se quis aprisionar a história e a fundação de um partido, o liberalismo não relevava para nada.

Pois eis que actualmente já se discute qual a forma óptima de compatibilizar liberais e conservadores de forma a criar um movimento abrangente, vigoroso e, se me permitem, descomplexado, como aqui faz - e muito acertadamente - o também insurgente André Abrantes Amaral.

E inclusivamente já se lançam alertas, que compreendo e com os quais concordo, como os do Eduardo Nogueira Pinto, afirmando que o liberalismo partidário vai mal se hostilizar os conservadores (ou, acrescento eu, os democratas-cristãos).

Estamos, pois, noutra fase, em que aqueles que se julgam inspirados pelo liberalismo são chamados a uma compatibilização que alguns nem sequer admitiam há pouco tempo atrás. É uma fase nova, que eventualmente não teria chegado sem a primeira, e que motiva uma reflexão profunda sobre o que pode ser o liberalismo (ou uma aproximação ao) num partido político.

Reagan: the very heart and soul of conservatism is libertarianism

"Inside Ronald Reagan" entrevista a Reagan da Reason (July 1975 Print Edition):
I believe the very heart and soul of conservatism is libertarianism. I think conservatism is really a misnomer just as liberalism is a misnomer for the liberals–if we were back in the days of the Revolution, so-called conservatives today would be the Liberals and the liberals would be the Tories. The basis of conservatism is a desire for less government interference or less centralized authority or more individual freedom and this is a pretty general description also of what libertarianism is.

Estes não têm problemas com arredondamentos

"Calendar, Abacus Help Determine Size of Chinese Rate Increases" (Bloomberg):
"In China, interest rates are always set to be multiples of nine," said Fan Wenzhong, deputy director at the Research Department of the China Banking Regulatory Commission in Beijing.

Because the financial year in China has 360 days, it's easier to compute monthly and daily rates if yearly rates are evenly divisible by nine, as are the current lending and deposit rates. The divisible-by-nine rule was enshrined in accounting standards issued jointly by the central bank and the Ministry of Finance in 1993.
"Rates divisible by nine avoid rounding of interest and allow easier calculation by abacus," said Wang Qing, chief China economist at Morgan Stanley in Hong Kong.

Pires de Lima e a Ala Liberal do CDS (4)

"Juntar liberais e conservadores" de André Abrantes Amaral:
Os ditos partidos de direita (PSD e CDS) têm andado a reboque desta conversa, esquecendo que o liberalismo não é igual a democracia. Vai muito mais além. Se a democracia é imprescindível ao liberalismo, aquela pode muito bem viver sem este. A um liberal não basta ser democrata. Precisa também de ser um forte defensor da liberdade. Da liberdade individual contra o livre arbítrio do Estado. Da separação de poderes, para que não dominados pelo entusiasmo popular. Da defesa de um governo limitado que não atropele a liberdade individual. Nessa medida, um fortalecimento do Parlamento é indispensável e a credibilidade dos tribunais, imprescindível.

segunda-feira, Maio 21, 2007

paved with cheese

teste de pureza liberal (2)

"The Tale of the Slave" de Robert Nozick, Anarchy, State, and Utopia.
Consider the following sequence of cases, which we shall call the Tale of the Slave, and imagine it is about you ....
.... The question is: which transition from case 1 to case 9 made it no longer the tale of a slave?

teste de pureza liberal (1)

"Libertarian Purity Test" por Bryan Caplan.

Rachel was wrong (2)

"An Environmental Icon's Unseen Fortitude" (WashingtonPost):

Rachel Carson
Che, para os amigos
Forty-three years after her death, Carson is still cited as an inspiration across the environmental spectrum, by endangered-species advocates and anti-pesticide groups and researchers concerned about hormone-mimicking pollutants.

Mark H. Lytle, a professor at Bard College in Annandale-on-Hudson, N.Y., said that all of these movements can be traced in some way to Carson and her call to look more closely at humans' destruction of natural systems.

Former vice president Al Gore cites Carson as an inspiration for his call to fight climate change. Lytle said "Silent Spring" probably had an impact on Gore's audience as well -- he was primed to speak; they were primed to listen.

"When the warning comes, people are prepared to accept it, because in some ways, this is 'Silent Spring' all over again," Lytle said.

Rachel was wrong

Via OpenMarkets.org, RachelWasWrong.org:
Cultural myths often stand in the way of human progress—in some cases producing devastating consequences. In fact, today millions of people around the world suffer the painful and often deadly effects of malaria because one person sounded a false alarm. That person is Rachel Carson, author of the 1962 best selling book Silent Spring.
Rachel was wrong. Humans were exposed to massive amounts of DDT without showing ill effect. And unlike Carson’s fable, malaria is a harsh reality today, killing more than a million people a year and making 300 million seriously ill, mostly in the developing world.

[ Africa Fighting Malaria | "Mosquitos first" | "Mosquitos first (2)" ]

"Right now, we’re building an embassy in Iraq that is bigger than the Vatican"

- "New U.S. Embassy in Iraq cloaked in mystery" (MSNBC):
Rising from the dust of the city's Green Zone it is destined, at $592m (£300m), to become the biggest and most expensive US embassy on earth when it opens in September.

It will cover 104 acres (42 hectares) of land, about the size of the Vatican [ou duas vezes o tamanho da Baixa Pombalina]. It will include 27 separate buildings and house about 615 people behind bomb-proof walls.

- "One building that's been built on time and on budget in Iraq: America's fortress embassy" (Guardian Unlimited)
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Cidade do VaticanoMillenium Dome, Londres


Construction cranes loom above the site of the new U.S. Embassy being built in Baghdad. The embassy will sit on 104 acres, six times larger than the United Nations compound in New York and two-thirds the acreage of Washington’s National Mall.

United Nations, NYNational Mall Washington D.C.