terça-feira, Julho 31, 2007

The Secret (2)

A Visão desta semana recupera o "The Secret". De novo, repito: eu nada tenho contra o "pensamento positivo". Mas é completamente mentecapta a teoria que postula que "pensamento positivo" altera a realidade, e que basta pedir em pensamentos, que o "Universo" . E que acrescenta que pelo facto de não se poder refutar este voodoo, ele existe e é ciência incontestável.

Qualquer misticismo pode e deve ser desmontado por argumentos racionais, e mais não são necessários. Por esta razão, é interessante, e trágico, que algumas reacções recorram a irracionalidades igualmente abusivas. O erro típico da maior parte das refutações falaciosas é disputar a utilidade da "Lei da Atracção". Dizem, por exemplo, que o "The Secret" tende a criar uma sociedade marcada pelo individualismo materialista. Ora, dar de barato que existe este tipo de shamanismo, e discutir os seus méritos, é uma contribuição intelectual nula.
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Por esta lógica, se o The Secret produzisse um colectivo fortalecido, seria uma ferramenta formidável - e válida. É triste. Infelizmente, este é o tipo de pensamento — de fé — que move muitas pessoas a acreditarem em fórmulas sociais milagrosas.

Consequentemente, tudo o que se proponha a promover a sociedade tem de merecero "benefício da dúvida". As políticas passam a ser avaliadas pelas suas intenções, e não pelos efeitos que produzem. E assim prospera o intervencionismo económico, a hiper-regulação, o nanny-estatismo, o fascismo dos costumes, o centralismo administrativo, o neomercantilismo. A cereja em cima deste bolo miserável, o elemento que mais se identifica com o "The Secret", é os nossos governantes dizerem que vão mudar o país com um discurso de "confiança".

A linha de produtos "The Secret" é uma fraude científica. É profundamente lamentável que haja quem escolha des-instruir-se, porque não há desculpa para o desleixo intelectual. Mas faço votos que toda esta baboseirada possa ao menos despertar em algumas pessoas o espírito de iniciativa, empreendedorismo, realização pessoal, perseguição da sua própria felicidade.

Computadores e produtividade

No frente-a-frente da SIC-Notícias de ontem, Ferraz da Costa [emendado] lembrou-se de defender que não tinha certeza que os computadores tivessem aumentado a produtividade das sociedades modernas. Ora, temos a certeza que o comentador teve um momento de estupidez em directo para todo o país. Para refutar tamanha baboseira, bastará a qualquer pessoa procurar fazer o mesmo trabalho que faz no computador usando apenas papel e lápis. Ou placas de argila e cunhas de pedra, porque também não há certeza que o papel de pasta de celulose e o lápis de grafite tenham aumentado qualquer produtividade.
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O que Ferraz da Silva queria dizer é que apesar da introdução dos computadores, as pessoas trabalham tanto ou mais que antigamente. E portanto a "produtividade" não aumentou. Definindo-se produtividade como produção de valor por unidade de tempo, só é possível dizer tal disparate quando se assume que o valor de um determinado bem ou serviço é definido pela quantidade de trabalho que nele é investido. Logo, se as pessoas trabalham o mesmo, não houve acrescento de valor para as mesmas horas de trabalho, logo não houve aumento de produtividade. Por esta lógica, para gerar riqueza o que interessa é trabalhar, mesmo que o que se produza seja inútil - abrir ou tapar buracos, ou construir pirâmides, por exemplo.

Por esta lógica retorcida, se os computadores aumentam a produtividade, então faríamos a mesma coisa em menos tempo. E como as coisas a fazer são sempre as mesmas, devíamos trabalhar cada vez menos. É a mesma lógica que defende que a industrialização é um processo pelo qual cada vez haverá menos trabalho, e que o capital esmagará o proletariado, etc.

Ora, esta pérola teórica é desmentida pela realidade - o que deveria indiciar que a teoria está errada. Quando pelo avanço da tecnologia é possível desempenhar o mesmo trabalho com menos recursos, tempo, esforço, ou com mais qualidade ou em maior quantidade, libertam-se recursos para outras actividades produtivas. como o Homem nunca terá suficiente saúde, alimentação, habitação, instrução, cultura, lazer, ..., nunca haverá falta de trabalho no mundo.

Esta lógica ruralista não é nova: também já houve quem tivesse lamentado as técnicas de produção em massa, o motor de combustão, a electricidade, a máquina a vapor, a charrua. Sempre se vivia melhor. Faz parte de um mal-de-vivre anticapitalista. Mas ainda é possível aos condoídos críticos regressarem aos tempos em as pessoas viviam "melhor" sem a "tirania" da produtividade - pois o que não falta é terceiro-mundo por esse mundo fora, desprovido de qualquer traço de capitalismo...

segunda-feira, Julho 30, 2007

Cálculo diferencial político

Para a política, quando os valores absolutos não interessam, existe o crescimento ou diminuição desses valores; quando isto é desinteressante, a evidência de reforço ou inversão destes valores; quando isto é desinteressante, o grau de certeza dos valores; quando isto é interessante, todo e qualquer tipo de média estatística. E ainda dizem que a matemática vai mal em Portugal.

Já me pareceu menos absurdo... (2)

Dois mil mails, cinco mil attachments, vários gigas de correspondência...

... I hereby declare Email Bankruptcy!

awe (2)


Astronomy Picture of the Day

domingo, Julho 29, 2007

Desnacionalização dos direitos de propriedade

Excertos do artigo "Quem manda nos seus direitos de propriedade?" de Manuel Caldeira Cabral no Jornal de Negócios de sexta-feira:
Os direitos de propriedade no espaço urbano traduzem-se, sobretudo, em direitos de construção, e em Portugal são lamentavelmente, atribuídos de forma arbitrária. Há nesta matéria, no país, uma situação de de excesso e, muitas vezes, de abuso de poder, que alimenta teias de corrupção, e urge ser mudada. Definir de forma clara os direitos de construção e permitir a sua compra e venda num mercado transparente seria uma solução interessante e viável ....
Imagine-se uma alternativa em que as Câmaras continuavam a regular a construção, mas que os direitos de construção eram atribuídos de uma forma clara e independente. Alguém que quisesse construir para além dos seus direitos teria de os comprar no mercado. E alguém que visse os seus direitos de construção negados, por razões urbanísticas, poderia vendê-los.
.... se as regras fossem outras, e se criasse um mercado claro, em que as licenças de construção associadas ao direito de propriedade pudessem ser transaccionadas .... poderíamos saber quanto vale cada metro quadrado de direitos de construção, em cada cidade. O valor de cada terreno urbano deixaria de depender da capacidade da capacidade do respectivo proprietário em influenciar os executivos camarários ....

Liberty & Learning

I have been saying this for some years now and so far I have been wrong. However, I am not discouraged. Public support for educational vouchers is growing. More and more states are considering proposals for vouchers or taz-funded scholarships. Pressure is building behind each of the 50 dams erected by the special interests. Most major public policy revolutions come only a lengthy buildup of support. But when the break comes, what had been politically impossible quickly becomes politically inevitable. So it will be for a competitive free-market educational system compatible with our basic values.

Milton Friedman, Liberty & Learning

Liberty & Learning — Milton Friedman's Voucher Idea at Fifty é um livro publicado pelo Cato Institute que reúne ensaios de distinguidos economistas e líderes de think tanks associados ao movimento de Liberdade de Educação, procurando avaliar os méritos do conceito dos "school vouchers", proposto por Milton Friedman no seu marcante ensaio de 1955, "The Role of Government in Education" e retomado em Capitalism and Freedom (1962) e Free to Choose (1980).

Cada contribuidor explora-se um conjunto extensivo de facetas económicas, sociais e políticas, demonstrando porque que não há razões para crer que um sistema liberalizado de educação não seria francamente superior aos actuais sistemas estatizados.

Recomenda-se vivamente a várias "forças vivas" da sociedade interessadas na Educação.

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Desde logo, ao status quo educativo. Refiro-me principalmente ao pessoal docente, não aos planeadores de serviço do Ministério que tem o belo nome newspeak de "Educação". Contrariamente à percepção imediata, uma liberalização da actividade de ensinar não reduziria a quantidade e qualidade de trabalho associado à Educação — antes pelo contrário — um mercado aberto permitiria a cada professor desenvolver ao máximo o seu talento obtendo assim máximos resultados e máxima satisfação profissional. A manutenção do actual sistema é contrária aos direitos económicos e políticos de pais e alunos, como é lesiva dos legítimos interesses das classes profissionais docentes.

Eu também recomendaria o livro a responsáveis políticos de direita da craveira intelectual de Nobre Guedes, para quem liberalizar parece equivalente a escancarar as portas para a entrada da caixa de Pandora de onde saltarão os cavaleiros do Apocalipse social. O livro explica como os sistemas de vouchers, onde quer que foram tentados, acabaram por produzir indivíduos com sentido cívico mais fortalecido - de tal forma que até Friedman foi obrigado, face às evidências empíricas recolhidas durante 50 anos, a rejeitar algumas suas próprias reticências iniciais.

O livro também aborda como não implementar um sistema de vouchers. Esta secção seria imensamente útil por exemplo para os responsáveis do Fórum para a Liberdade de Educação, inicativa notável que tem proposto alternativas políticas válidas em princípio, mas cuja mais recente proposta é perturbadora. O actual sistema estatal é um monopólio legal e económico em que o Estado determina quem, onde, e com que meios é feito o Ensino em Portugal — à mais bela maneira estalinista. A alternativa proposta consistiria num um sistema que na prática colocaria sob administração pública os estabelecimentos privados de acesso público (ou seja, não privativos), em nome de um livre acesso e da "liberdade de escolher". É uma subversão da ideia, porque truncada da "liberdade de ensinar". De socialismo educativo para (inevitavelmante) fascismo educativo, obrigado mas não obrigado.

Por fim (o "The Fatal Conceit — The Errors of Socialism" do Hayek seria mais adequado...), aproveito para recomendar o livro a alguns colegas bloggers do Movimento "Liberal" Surreal— em especial ao admiradores confessos do progressismo educativo de John Dewey. Nada como educação privada (ler livros não sancionados pelo Estado) para arrumar com a ideia que liberalizar é "dar" liberdade à existência de horrendas práticas educativas. Ou que a verdadeira liberdade só será atingida quando o colectivo for cientificamente educada por ideias que obedeçam à Ciência e à Razão. Um dos grandes insights do livro é que os vouchers (ou tax-credits) se destinam a servir os indivíduos — nunca a moldar a sociedade ou a criar um "Homem Novo" "liberal". E que tentativas anticapitalistas de mitigar a sua raiz de mercado livre e laissez-faire dos vouchers só conduzirão a mais tirania política e mediocridade educativa, com outro disfarce.

sábado, Julho 28, 2007

nothing but the ancient despotism brought back in pseudo-scientific garb

And freedom is never more than one generation away from extinction.

Ronald Reagan

"It's the 1930s All Over Again" de Lew Rockwell:
The stock market crashed in 1929, thanks to the Federal Reserve, and with it fell the last remnants of the old liberal ideology that government should leave society and economy alone to flourish. After the federal Great Depression hit, there was a general air in the United States and Europe that freedom hadn't worked. What we needed were strong leaders to manage and plan economies and societies.

And how they were worshipped ....

Things didn't really return to normal until after the war. These "great men" of history keeled over eventually, but look what they left: welfare states, inflationary banking systems, high taxes, massive debt, mandates on business, and regimes with a penchant for meddling at the slightest sign of trouble. They had their way even if their absurd posturing became unfashionable later.

It's strange to go back and read opinion pieces from those times. It's as if everyone just assumed that we had to have either fascism or socialism, and that the one option to be ruled out was laissez-faire.

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Have you listened carefully to what the Democrats are proposing in the lead-up to the presidential election? It's just about as disgusting as anything heard in the 1930s: endless government programs to solve all human ills. It's as if they can't think in any other way, as if their whole worldview would collapse if they took notice of the fact that government can't do anything right.
But before we get carried away about the Democrats, let's say a few words about the bloodthirsty Republicans, who think of war not as something to regret, but rather the very moral life of the nation. For them, justice equals Guantánamo Bay, and public policy means a new war every month, and vast subsidies to the military-industrial complex and such other Republican-friendly firms as the big pharmaceutical companies. Sure, they pay lip service to free enterprise, but it's just a slogan to them, unleashed whenever they fear that they are losing support among the bourgeois merchant class.

So there we have it. Our times are good, and yet we face a choice between two forms of central planning. They are varieties of socialism and fascism, but not overtly: they disguise their ideological convictions so that we won't recognize that they and their ilk have certain predecessors in the history of political economy.

sexta-feira, Julho 27, 2007

Arroja e os Bons Rapazes

[ Escrevo antes de ler o Portugal Contemporâneo, estou de férias e o meu Google Reader rebenta de cheio ]

No Público, noticia-se "Paulo Macedo apresentou queixa-crime contra o economista Pedro Arroja":
Na queixa-crime apresentada pelo director-geral dos Impostos juntam-se algumas das expressões alegadamente utilizadas por Pedro Arroja: "Ele [Paulo Macedo] é importante porque é o director-geral dos Impostos e, nessa qualidade, tem poder para abusar ou perseguir qualquer cidadão"; "O serviço de Impostos é uma máquina feita para abusar dos cidadãos", são algumas das expressões utilizadas. Mas Pedro Arroja terá ainda acusadoo actual sistema de ser desumano, de não ser feito por pessoas de bem nem para pessoas de bem e de ser gerido por canalhas.

"Canalhas"? É assim que se trata quem trabalha numa instituição destinada a devassar a vida de cada um de nós, organizada para expoliar sistematica e continuamente todo o cidadão desde o início da sua vida activa até à sua morte (e para além dela), e garantir repressão musculada, perseguição judicial, expropriação e cadeia a quem resistir? Francamente, que abuso de linguagem! Ainda para mais, porque eles fornecem "segurança" e "protecção"!

Simpsons meet the Simpsons they're the modern dysfunctional family

Sou incondicional dos Simpsons desde que me lembro — começo a rir-me no genérico e só páro nos créditos. Daí a minha apreensão quando vejo que na promoção do filme a famosa família aparece a invocar idas ao cinema, pipocas incluídas. Para já, é péssima estratégia entregarem os pontos às brigadas do alimentarmente correcto do futuro. Mas sobretudo porque vejo nas manobras de marketing uma saturação de meios que acabará com a comicidade das personagens. Tal como aconteceu com os Flintstones, os Simpsons de há três décadas. Se um filme mediano pode ser aceitável, um filme mediano celebrado como um coroamento é fatal. Que não seja o salto ao tubarão...

awe


Astronomy Picture of the Day

Posta Restante

Meus caros,

Porque o Sol quando nasce, é para todos, coisa muito igualitária bem ao gosto do nosso establishment, também eu vou de férias. Amanhã, pelas 10 da matina, rumo ao Estado-que-quer-entrar-na-União-e-muitos-não-deixam-e-mais-não-sei-o-quê-e-houve-umas-eleições-e-coiso-e-tal.

Quem quiser ir despedir-se ao aeroporto, feliz de se livrar de mais um neoliberal-fascista-representante-do-grande-capital-ainda-por-cima-do-CDS, faça favor!

Tenciono voltar de Segunda a oito. Se eu não disser nada nesse dia, por favor chamem a polícia.

Até breve,
a.

A Madeira e o Referendo

Alberto João Jardim andou a cirandar de argumento para argumento, com a Constituição na boca, para justificar a não aplicação da lei da IVG na Madeira. Todos esses argumentos parecem assentar num sistema autonómico que não temos, embora devessemos ter. Ora, isso não faz de Alberto João Jardim dono da razão ou senhor do lado certo da lei.

Verdadeiramente, se Alberto João Jardim quer fazer face à lei da IVG, no sentido de não colocar os serviços de saúde estatais a praticá-la, tem mais é que colocar a questão noutro ponto fulcral, que não tem que ver com a constitucionalidade da lei (que me parece certa): aplicar a lei na Madeira através da existência de estabelecimentos de saúde privados autorizados para praticarem a IVG e declarar (e comprovar) que o estado financeiro da Região só lhe permite organizar-se de modo a garantir a possibilidade de realização da IVG num quadro temporal muito alargado.

Se assim for, e até que algum tribunal venha dizer o contrário (nomeadamente por aplicação do princípio da igualdade), a lei aplicar-se-á em pleno respeito dos resultados do referendo. As mulheres podem, por sua opção, interromper voluntariamente a gravidez, em estabelecimento de saúde autorizado, até às 10 semanas, sem qualquer penalização associada.

Pena é que Alberto João Jardim tenha preferido a pressa ou o mau conselho para reagir a esta lei. Agora, mesmo que reacerte os argumentos, como vem vindo a fazer, a estratégia de afronta ao governo socialista está demasiadamente escancarada para que consiga arregimentar todos os apoios que poderia obter.

quinta-feira, Julho 26, 2007

Publicidade Institucional

Quem me conhece, sabe que tenho voz de radialista. Se eu vivesse nos anos 50, teria sido uma estrela da Emissora Nacional, e passava a vida a apresentar programas com músicas da Simone e da Madalena e do Calvário. Agora, julgava eu, o máximo que poderia fazer era dar a voz a anúncios do Nasex, e mesmo assim só na primeira parte, na do Dasex do dariz. Alguém se encarregaria de fazer a voz fresca e limpa e não "adasalada".

Mas não. Há uma luz ao fundo do túnel. Amanhã vou estar no programa Descubra as Diferenças, em debate com a Antonieta Lopes da Costa, o Henrique Raposo e o Henrique Burnay, transmitido às 19H05 e retransmitido Domingo, dia 29 de Julho, às 11H05 e 19H05. A emissão também disponível online em www.radioeuropa.fm/ ou através da powerbox da TV Cabo.

Os temas do programa serão os seguintes:
  • A contratação de figurantes pelo Governo para o lançamento do Plano Tecnológico;
  • Libertação das enfermeiras e do médico búlgaros : qual o papel da União Europeia e da França neste processo?
  • Madeira fora da lei ? Alberto João Jardim e a recusa em aplicar a lei do aborto;
  • O Livro de Zita Seabra e as acusações implícitas: o verdadeiro Partido Comunista Português, ou muitos anos de Comité Central?
  • Directas no PSD: Fará Menezes frente a Marques Mendes?

Transformers


The People's Cube

Popcornófagos

Já era altura do Estado disciplinar tão nojenta actividade em espaços públicos.

quarta-feira, Julho 25, 2007

Ron Paul 2008 — Hope for America

missing
site oficial da candidatura

fonte da fotografia

Ron Paul - mais texto

"Sunday NYT Article on Ron Paul -- Full Text" — "The Antiwar, Anti-Abortion, Anti-Drug-Enforcement-Administration, Anti-Medicare Candidacy of Dr. Ron Paul" (NYT):
In Congress, Paul is generally admired for his fidelity to principle and lack of ego. "He is one of the easiest people in Congress to work with, because he bases his positions on the merits of issues," says Barney Frank, who has worked with Paul on efforts to ease the regulation of gambling and medical marijuana. "He is independent but not ornery." Paul has made a habit of objecting to things that no one else objects to. In October 2001, he was one of three House Republicans to vote against the USA Patriot Act. He was the sole House member of either party to vote against the Financial Antiterrorism Act (final tally: 412-1). In 1999, he was the only naysayer in a 424-1 vote in favor of casting a medal to honor Rosa Parks. Nothing against Rosa Parks: Paul voted against similar medals for Ronald Reagan and Pope John Paul II. He routinely opposes resolutions that presume to advise foreign governments how to run their affairs: He has refused to condemn Robert Mugabe’s violence against Zimbabwean citizens (421-1), to call on Vietnam to release political prisoners (425-1) or to ask the League of Arab States to help stop the killing in Darfur (425-1).

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"Catholics for Ron Paul":
At Catholics for Ron Paul, we are faithful to the Magisterium and the Social Doctrine of the Church; if there are areas where Ron Paul's policies don't square with CST, we will not jettison CST to promote Ron Paul but will examine the issues .... It is our contention that Ron Paul's candidacy has the most reality based understanding of the problems facing America and his policy proposals are profoundly in harmony with CST.

"Libertarian Party Presidential Candidate Steve Kubby Endorses Ron Paul"
I'm still running for president," says Kubby. "My campaign's first television commercial will debut shortly. I'm continuing to debate my opponents, attend public events as a candidate, and appear on talk radio to make my case. There are important things that need to be said, and I'm saying them. Dr. Paul and I disagree on some issues that I want to skyline, and I firmly believe that I'm the best candidate to represent the party next November. But when 70% of your own party believes so strongly in a candidate that they're willing to cross party lines to support him at least until he's out of the running, you owe it to them to back their play."


"Why the US Military Loves Ron Paul" (The Nation):
.... Recently, the Federal Election Commission released its July quarterly figures on contributions to presidential candidates--and Congressman Ron Paul from Texas modestly made the news because the libertarian candidate managed to pull in more money than that military icon (and war supporter) Senator John McCain ....

"Ron Paul LEADS GOP Candidates in Military Donations":
52.53% of military donations to GOP candidates went to Ron Paul. It may be only $23,000, but I think it is very significant. As a mother, it almost makes me cry. They want to come home. Their families want them home. I would imagine these are primarily grassroots small individual contributions. I think they are huge.

Ron Paul - mais video


Ron Paul Speech in Austin, Texas May 19, 2007 Complete

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Iraq Troop Surge Debate: Ron Paul - Anti Surge


aqui começo da festa, Ron Paul 7-7-7 Las Vegas Rally Speech Video (link para o vídeo acima)

Q&A: Ron Paul on CSPAN at Las Vegas FreedomFest 7/7/7 - segunda parte aqui


Ron Paul and Ben Bernanke - segunda parte do video
"More on Paul v. Bernanke" - com audio completo da conversa acima.

Ron Paul - mais audio

"Unlike Other Politicians, Ron Paul Answers the Questions He's Asked" - sobre a entrevista do Mises.org a Lew Rockwell sobre Ron Paul (MP3):
Ron's unusual - he actually [laughs] answers the questions people ask. That's very charming, and he can actually change people's minds. So he gave his usual, very radical libertarian answers to everything people asked him about, and including on things the people at Google don't agree with. For example, Ron's against net neutrality, and the Google company is for net neutrality. But he made a very good impression on people.

(Audio) Mike Gallagher Interviews Ron Paul (Townhall)

KNPR Nevada Ron Paul Interview from 7/7/6

innovation ahead


TED Talks - Jeff Bezos: After the gold rush, there's innovation ahead

The dot-com boom-and-bust is often compared to the 1849 Gold Rush, and Amazon.com founder Jeff Bezos offers historical evidence showing how similar they were: from the riches made by pioneers to the media hype that attracted luckless speculators. But a better analogy can be found in the early days of the electric industry, he says. In the late 1800s, the U.S. was first wired to support lightbulbs; the following century saw a long procession of new appliances, life-changing advances, and of course some amusing failures. His conclusion in 2003: "I believe there's more innovation ahead of us than behind us."

Pontos de Fuga

Já estão n'O Insurgente os meus Pontos de Fuga desta semana, sobre a opção do governo de contratar figurantes para se fazerem passar por alunos na apresentação do Plano Tecnológico para a Educação e chamar jornalistas para registarem o momento:

Há gestos que marcam, opções que nos caracterizam e tornam irreversível o julgamento do nosso carácter. Ao preferir a encenação à realidade, o primeiro-ministro demonstrou ao que vem. Como já tive oportunidade de dizer, ele está cansado dos portugueses, está farto desta realidadezinha que o impede de ser reconhecido, adorado, glorificado. Não suporta mais esta ingratidão com que vem sendo brindado.

segunda-feira, Julho 23, 2007

Geometria Variável

A opção de Alberto João Jardim de não aplicar a lei sobre IVG é política e juridicamente inaceitável no âmbito do sistema que temos. Que fique, por isso, registada a minha estupefacção perante a forma como o Presidente da República, Governo e PSD fingem que nada se passa.

Coisa diferente é saber, no quadro de uma reforma do sistema político e constitucional que temos, se não seria desejável que o enquadramento legislativo nacional não fosse de geometria variável, de forma a permitir que, em regiões como a Madeira, que firmemente se opuseram à despenalização da IVG, pudessem ali negar a sua realização. O mesmo é dizer que permitiria que uma região claramente favorável à despenalização no referendo de 1998 se tivesse antecipado ao resto do país, despenalizando aí a sua prática.

Tenho para mim que um sistema como esse, que implicaria uma profunda reforma do sistema e uma absoluta mudança de paradigmas constitucionais que actualmente adoptamos, traria mais vantagens, aproximando, como se espera, o poder político dos cidadãos por ele servidos e encarnaria o princípio da subsidiariedade da actuação estadual. Um assunto a desenvolver depois de férias.

Goldwater podcasts

Podcasts (MP3) do Cato Institute, com CC Goldwater:
- "Mr. Conservative: Goldwater on Goldwater"
- "Barry Goldwater After 1964"

Anteriores posts do AADF sobre Goldwater:
- "Libertarian Republican (1964)";
- "A Time for Choosing";
- "Libertarian Republican (2007)";
- "Libertarian Republican (for 2008)".

É (2)

O Pedro Arroja lembra agora que o Museu Judaico em Berlim terá recebido apoio estatal. Desconheço se assim é, assim como o exacto valor desse financiamento, mas acredito na ideia que o Pedro Arroja procura passar, uma vez que todos sabemos como funciona o Estado no que à cultura diz respeito, por esta Europa fora.

Pena é que Pedro Arroja tenha dito que “como cidadão português, eu nunca aceitaria que a comunidade judaica em Portugal fosse colocar no centro de Lisboa um museu evocativo das perseguições que os judeus foram alvo no país”, em vez de escrever qualquer coisa do estilo “Como cidadão português, eu nunca aceitaria que a comunidade judaica em Portugal se servisse de fundos públicos para criar um museu”.

É que os dois textos são bastantes diferentes. No do Pedro Arroja, critica-se a própria existência do museu, assim como o local em que se encontra e o conteúdo que alberga. Ou seja, critica-se a possibilidade de uma comunidade colocar no centro de Lisboa um museu que ofendesse, de alguma forma, a sensibilidade de alguns nacionais. Abre-se, por isso, a porta a um controlo prévio de i) abertura de museus, ii) escolha da sua localização e iii) definição do seu conteúdo.

No segundo, na minha proposta, critica-se a dependência estadual do museu, abrindo-se apenas a porta a uma política cultural não assente no financiamento estadual. Já por várias vezes escrevi sobre a intervenção estadual na cultura, apontando os seus malefícios e, também aqui, essas opiniões mantêm plena actualidade. O único financiamento admissível neste caso, no plano teórico das minhas posições, seria todo aquele que, na ausência de herdeiros dos judeus confiscados - e assumindo-se o Estado como seu herdeiro, se destinasse a compensar o valor de tais bens.

Gostaria ainda de deixar aqui uma nota adicional, motivada por alguns comentários. Tenho por regra não adjectivar as pessoas das quais discordo. E tento ainda não adjectivar as suas posições. Apenas me limito a rebatê-las. É o que se passa aqui, como noutros posts, com o Pedro Arroja. Assim se preserva uma saudável troca de ideias e se impede que o visado possa escudar-se atrás de homens de palha para não responder às ideias que lhe são opostas.

domingo, Julho 22, 2007

Good clean — barely illegal — fun at nazis


Charlie Chaplin, The Great Dictator

Chaplin's film is highly exceptional for the period before the American entry into World War II, when the United States was still at peace with Nazi Germany. Well before the full extent of the horrors of Nazism were known, this movie presented a fearless satire and condemnation of both Hitler and Nazism along with a vivid portrayal of the plight of Jews in Europe.

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Lambeth Walk - wikipedia
Me and My Girl The Lambeth Walk Tony 1987, Dalida - The Lambeth Walk

In 1942 Charles A. Ridley made a short propaganda film, Lambeth Walk - Nazi Style, which edited existing footage of Hitler and Nazi soldiers (taken from Leni Riefenstahl’s Triumph of the Will) to make it appear as if they were marching and dancing to “The Lambeth Walk”. The film so enraged Josef Goebbels that he ran out of the screening room kicking chairs and screaming profanities.


Monty Python's Flying Circus, Mr. Hilter and the Minehead by-election

Think Globally, Act Irrationally: Recycling

"Munger on Recycling" (EconTalk):
Mike Munger, professor of economics and political science at Duke University and frequent guest of EconTalk, talks with host Russ Roberts about the economics and politics of recycling. Munger argues that recycling can save resources, of course, but it can also require more resources than production from scratch. Some curbside recycling, for example, makes sense, while other forms (such as green glass) may be akin to a form of religious expression rather than a wise policy that is environmentally productive. The conversation is based on Munger's recent essay at the Library of Economics and Liberty.

Os links no fim da página são altamente recomendados.

É

Como cidadão português, eu nunca aceitaria que a comunidade judaica em Portugal fosse colocar no centro de Lisboa um museu evocativo das perseguições que os judeus foram alvo no país - e estou persuadido que seria nisso acompanhado pela esmagadora maioria dos portugueses, diz o Pedro Arroja no Portugal Contemporâneo.

Numa sociedade liberal, não vejo o que é Pedro Arroja poderia fazer para impedir um grupo de pessoas, neste caso judeus, de construir e manter um museu e um espólio dedicado às perseguições que os judeus foram alvo no país.

Porque nessa sociedade liberal, o conteúdo museológico não estaria dependente de outra coisa que não da livre iniciativa dos seus membros, razão pela qual Pedro Arroja se ficaria pela negação, pela não aceitação daquele museu, que continuaria a existir, apesar das suas irritações. Numa sociedade liberal, Pedro Arroja poderia não concordar nem aceitar. Mas tal nunca poderia impedir a vontade dos que, querendo, erigem o museu e definem o seu conteúdo.

A não ser, e não acredito nisso, que o Pedro Arroja defenda que existem determinadas pessoas, ou elites, ou comités, que possam definir quais os conteúdos museológicos adequados a figurar num museu do centro de Lisboa.

Ways to justify government intervention

Comentário de Terje (say tay-a) no Catallaxy, via Wacking Day:
1. If prices are low call it preadatory pricing.
2. If prices are stable and consistent call it collusion.
3. If prices are lower in some places than others call it a lack of proper competition.
4. If prices are cyclical (eg petrol) call it evidence of price co-ordination. And make accusations of greed since the price co-ordinaters are so mean as to put prices up at precisely the moment when demand is strongest.
5. If alternate suppliers are plentiful refer to the excessive consumer choice as confusing and inefficient.
6. If alternate suppliers are few then call it market failure.
7. If profits are high call it exploitation.
8. If businesses are failing call it wasteful and complain about job loses.

etc.

The advocates of government intervention have an endless supply of justifications. The stew is always too hot or too cold and never quite right.

Férias (2)

sábado, Julho 21, 2007

Citação de arremesso

"Society without a State" de Murray N. Rothbard:
The state, by its use of physical coercion, has arrogated to itself a compulsory monopoly of defense services over its territorial jurisdiction. But it is certainly conceptually possible for such services to be supplied by private, non-state institutions, and indeed such services have historically been supplied by other organizations than the state. To be opposed to the state is then not necessarily to be opposed to services that have often been linked with it; to be opposed to the state does not necessarily imply that we must be opposed to police protection, courts, arbitration, the minting of money, postal service, or roads and highways.


( directamente relacionada com esta outra famosa citação )

Dupla precaução

Ernest Van Den Haag, a sociologist, wrote a fascinating book called The Jewish Mystique. I read that book, got a lot out of it, and went over to Ayn and said, “I’ve got to tell you something shocking.” Because we never thought of ourselves as Jewish in any important way, I announced, laughing, “We are both exponents of the Jewish messianic tradition. We believe we are here on earth to be signposts pointing to the good life.” What I got out of that book was how Jewish that was. The whole idea of these prophets coming along, or however he was describing it—it fit Ayn and me to a tee. I thought that was very funny.

Nathaniel Branden, entrevista no Free Radical

Partido Único à direita

Sim senhor, uma ideia verdadeiramente liberal!

The Secret

Ainda há dias o Público dedicava umas páginas à publicação de um livro baseado no filme de auto-ajuda "The Secret". Dias antes eu tinha tido uma discussão monstra sobre o conteúdo verdadeiramente monstruoso desta produção.

Nada tenho contra o "poder" do "pensamento positivo". É de bom senso que quem cultiva "pensamento positivo" estará mais bem preparado para se adaptar às circunstâncias da vida do que quem assume uma atitude apática ou derrotista. Mais, quem tem "pensamento positivo" acaba, regra geral, por ser uma pessoa aprazível, tolerante, mobilizadora de quem a rodeia. Quem tem pensamento positivo acabará por valorizar e potenciar as ocasiões em que a vida lhe sorri, e a minorar e ultrapassar aquelas em que está na mó de baixo.

Dito isto, não importa de onde vem o "pensamento positivo". Se de uma boa disposição natural, confiança nas próprias capacidades, reconhecimento social, abundância de meios materiais, por filosofia de vida... ou se através da fé em Deus, na Virgem e nos Santos... ou mesmo pela crença em amuletos e superstições. É o indivíduo, propriamente motivado, que faz a sua vida acontecer com o que lhe acontece.
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Ora, o que defende o The Secret é que existe uma Lei da Atracção, que postula que o pensamento tem o poder de alterar o mundo físico. Diz esta teoria— um segredo escondido da Humanidade por poderes ocultos, mas agora revelado a quem comprar o DVD—, que alguém que tenha pensamentos positivos está a pedir ao Universo os seus desejos, e o Universo acabará por satisfazer as suas preces. Se os pensamentos forem negativos, será isso que a pessoa receberá.

Ora, chamem-lhe "Lei da Atracção". Mas ao poder da mente sobre o mundo físico chama-se "magia", ou voodoo. É isto que vendem como "ciência".

Attacking the Messenger

Via Bruno Gonçalves, "Attacking the Messenger: The Left Unhinged by The Fox News Channel" de Martha Zoller:
.... They are afraid of the free market of ideas.

Look at the pattern--the silencing of opposing points of view. For arguments sake, let's assume that Fox News is the Right Wing Arm of the Right Wing Nuts of America. Fox News is not looking to silence the opposition through boycott or through governmental means, they are looking to obliterate the opposition through ratings, bringing viewers to their network by providing what viewers seem to want. They employ a free market solution.

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The right competes in the marketplace of ideas and is willing to have their ideas challenged. When lefties controlled all the news magazines, righties came up with their own magazines and competed .... The dominance results from the fact that we, the talk radio community, won that battle in the marketplace.

.... They know they can't win with facts and ideas, so they want to shut down the debate ....

.... the left is too entrenched in their “collegial” strategy -- that is, they lecture to the American people without allowing question, legislate free markets out of existence and control what you hear and see, when you hear and see it because THEY know what's best for you ....

o Estado-bébé-na-incubadora-a-levar-estalada-e-pontapés-dos-liberais

Por vezes há textos que nos deixam sem resposta... José Luiz Sarmento em comentário no Insurgente:
O que não é natural é o Estado. Por isso é que ele é tão frágil e tão precioso. O mercado não precisa da nossa protecção nem do nosso respeito, funciona sem elas. A tribo também funciona por si, é o default template que aparece automaticamente quando o Estado falha.

Mas o Estado só subsiste por um acto consciente e continuado de vontade por parte de um número suficiente de pessoas. E sendo, como é, a única estrutura jamais construída capaz de inverter a natural prevalência da tribo sobre o mercado, o Estado devia ser particularmente acarinhado pelos liberais.

Férias

De regresso

Estive arredado destas lides blogosféricas porque estive a cuidar da saída do meu emprego. As duas últimas semanas foram ocupadas a garantir que não deixava pontas soltas - trabalhos inacabados, documentos por arquivar, tarefas por desempenhar. Meras pontas soltas para mim podiam tornar-se emaranhados infernais para os meus colegas. Este derradeiro trabalho não ficou perfeito, mas não me envergonha.

Neste processo, tive oportunidade de constatar uma vez mais a insanidade de algumas imposições legais a que as empresas estão sujeitas. Por exemplo, ter de satisfazer os micro-fascistas da Qualidade ao mesmo tempo que os micro-fascistas do Ambiente. Se estes últimos dizem que é preciso poupar no autoclismo e no papel, os outros insistem que tudo - mail, faxes, reunião, telefonema - tenha uma "evidência" em papel.

Por agora, férias, e um regresso ao mundo dos blogues, onde não há qualquer tipo de insanidades.

sexta-feira, Julho 20, 2007

Irritações

O Pedro Arroja saiu irritado do Museu Judaico de Berlim, porque cobrindo o Museu toda a história dos judeus na Alemanha, fez sobressair, a grande distância de todos os outros, o período do holocausto.

Como pode ver-se neste mapa aqui, o Museu tem três grandes pisos. Desses três, um é dedicado ao Holocausto. Aqui pode ver-se a lista de todas as exposições existentes no Museu.

Cada um formará a sua opinião. Eu também saí irritado do Museu. Mas a minha irritação foi outra. Foi ter percebido que basta um soluço mínimo de tempo para quase pôr fim a uma história de 2000 anos. Coisa de somenos, claro. O que foi o Holocausto numa história de 2000 anos? Uns anitos mais complicados.

A caminho do fim

Depois da surdez, a conjuntivite. Para quando o piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii final?

Lucidez

Manuel Monteiro:
"Temos de ter a coragem de perceber que estamos gastos, e de ter a clarividência de reflectir sobre se faz sentido continuarmos na primeira linha do debate de intervenção política. O país está cansado de Marcelos Rebelos de Sousa, de Paulos Portas, de Monteiros e de Marques Mendes e nós não temos consciência disso, em vez de andarmos entretidos com as nossas palmas e com as notícias que saem nos jornais"

"Contributo para (acabar com) as reflexões" de JCS no Lóbi:
Parem de encontrar problemas nas instituições quando o problema está nas pessoas. A crise da direita, a tão falada crise da direita deve-se, única e exclusivamente, à geração de políticos ignorantes e sem substância. Políticos com a escola de organizações políticas de juventude, que mais não sabem fazer do que intriga.

quinta-feira, Julho 19, 2007

Aniversário

Cumprem-se hoje 33 anos sobre o nascimento do "partido do centro, de tipo neo-liberal e de inspiração giscardiana” que tomou o nome de Centro Democrático e Social.

A descrição e definição do partido como neoliberal não é minha. Muito menos, a referência à eleição de Valery Giscard d’Estaing para Presidente da República Francesa, ocorrida meses antes, saiu da minha cabeça revisionista. Limito-me a citar Diogo Freitas do Amaral, que assim descreve o partido acabado de fundar, na sua autobiografia, lá para a página 184.

quarta-feira, Julho 18, 2007

Parabéns!

Por lapso, deixámos passar o quarto aniversário do Desesperada Esperança — muitos parabéns ao Bruno Alves, que mantém um dos espaços mais lúcidos e maduros da blogosfera portuguesa!

Pagan god


Um pouco no seguimento de " Why do you have sex?", "Wish for rain to wash away Homer" (BBC):
Stunts to publicise the forthcoming Simpsons film have begun in earnest. A 180ft image of Homer Simpson waving a doughnut aloft has appeared adjacent to the ancient Cerne Abbas giant, the 17th Century chalk fertility symbol in Dorset. Though Homer is drawn in biodegradeable paint, local pagans aren't amused, saying that the proximity of Homer is disrespectful. Ann Bryn-Evans, joint Wessex district manager for the Pagan Federation adds that they'll be doing some "rain magic" to wash it away (which surely shouldn't be necessary given the current weather).

Pontos de Fuga

Já estão n'O Insurgente os meus Pontos de Fuga desta semana, sobre as recentes declarações da Comissária Europeia Viviane Reding:

Num invulgar assomo de liberalismo, que não mora muito pelas bandas da Comissão Europeia (muito menos em matérias como os media), Viviane Reding disse o óbvio. Que não cabe ao Governo, nem à Comissão Europeia: “A imprensa escrita livre é a base da nossa sociedade democrática e os governos não devem interferir na regulação. E esta é uma regra sine qua non”.


É pena que o Governo precise de Comissários Europeus para aprender que as liberdades não são outorgadas pelo Estado. Que não há uma liberdade de imprensa boa e uma má. Que não cabe ao Estado definir o que seja uma sarjeta. Que não cabe ao Ministro que tutela a Comunicação Social interferir na própria edição dos órgãos de imprensa.

democracia representativa, legitimidade e consentimento

89% foi a percentagem de lisboetas com direito a voto que não elegeram o novo Presidente da Câmara.

terça-feira, Julho 17, 2007

Dizzia


an infographical depiction of all intimate relationship in 23 years Gregory M. Dizzia was engaged in. relationships are analyzed by how they met (e.g. school, phone, party), impressive attributes (e.g. figure, eyes, karma), what they did (e.g. kissed), facts (e.g. engagement, possible baby, long distance), emotional involvement & how they broke up.

( via information aesthetics )

Ron Paul : mais texto

"Being Pro-Life Is Necessary to Defend Liberty":
Libertarians believe, along with the Founding Fathers, that every individual has inalienable rights, among which are the rights to life, liberty, and the pursuit of happiness. Neither the State, nor any other person, can violate those rights without committing an injustice. But, just as important as the power claimed by the State to decide what rights we have, is the power to decide which of us has rights. Today, we are seeing a piecemeal destruction of individual freedom.

"A Message from Ron Paul - 7/3/07":
As my great mentor Ludwig von Mises showed, government meddling in the economy creates conflict, as special-interest groups seek to rip us off through big government. The voluntarism of the free market, on the other hand, brings social cooperation and peace. That's why this campaign is a showcase for the real unity-in-diversity that is freedom.

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"The Ron Paul Presidential Campaign, A Self-Organizing Complex System" (LewRockwell):
The Ron Paul campaign for the American Presidency is a vivid example of how a complex system can self-organize and grow toward a common goal. With far fewer resources than the so-called major candidates, Dr. Paul, through a mechanism of self-organization, has made amazing progress in the last few months. Practically unknown just a few months ago, the Republican Congressman is raising money at an increasing rate, appearing almost every week on a nationally televised program and most importantly is gaining support at the "grass roots" level through the many meet-up groups that are spontaneously forming all over the country ....
The scientific community that has been studying complex systems intensely for the last twenty-five years is familiar with this sort of phenomenon, but this is perhaps the first time that it has been made apparent on such a large scale .... One important characteristic of complex systems is so-called "emergence," that is the spontaneous appearance of novel and coherent structures .... This phenomenon is most likely growing exponentially, and given enough time will become a major political force in the world ....

"Ron Paul: A Distributed Web 2.0 Campaign":
Paul is also the underdog in the Presidential race, dismissed by the mainstream media and political pundits as nothing more than a kook with no hope at all. And yet if you believe online polls and surveys, Paul will be the next President of the United States. The secret recipe for Paul’s every increasing support base is Web 2.0

"Reason's Jesse Walker With an Excellent Analysis of the Ron Paul Movement"
The Paul movement is different. Unlike the Jackson and Perot campaigns, it is open, decentralized, and largely driven by activists operating without any direction from the candidate or his staff. Unlike the netroots, it has no particular attachment to the party whose nomination its candidate is seeking.

"The Ron Paul Movement — The libertarian longshot won't win the presidency, but that isn't the only prize on the table" (Reason)

Ron Paul : mais audio

"John Diaz: Straight-talkin' presidential candidate Ron Paul"

"Candidate Ron Paul would shrink military-industrial complex"

"Conservative, and Philly guy, Michael Smerconish Interviews Ron Paul - Must Hear"

"Ron Paul interview with Mancow June 26, 2007"

Ron Paul : mais videos


Candidates at Google: Ron Paul

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The YouTube Interview: Ron Paul


Ron Paul on Tucker Carlson (07/11/07)


Ron Paul in Mountain View Video - July 14 - restantes partes aqui


(Video) Local Austin News Coverage of the Ron Paul Revolution

Momento Intimista do Dia

Há adiamentos que nos adiam. Tento escapar à redundância, mas não consigo. Há mesmo adiamentos que me atrasam a alma, que me impedem de crescer, que me adiam como pessoa. São arrepios na espinha para nada, que ficam a pairar em suspenso, porque tudo ficou afinal sem efeito, para outro dia, quando der. Nestas alturas, custa muito regressar à tese de que a minha pontualidade se aplica, também, às pessoas e não só aos lugares. Mas é o que tenho para suster o frio na espinha e não o dar por perdido.

O resultado do CDS (2)

Os resultados obtidos pelo CDS, que devem ter uma leitura nacional, devem ser motivo de reflexão para todos os militantes. Escrevi-o ontem, anunciando as principais linhas que, no meu entender, deveriam nortear essa reflexão, as quais, aliás, evidenciam grande parte do que penso sobre o que se passou.

O Nuno Pombo, num tom que tem rareado na “blogosfera CDS” (incluindo-se aqui as diversas sensibilidades em causa), avançou no Incontinentes Verbais com as suas respostas às perguntas que coloquei.

O nosso ponto de partida é, como penso ser conhecido, diferente. Ele votou em Ribeiro e Castro e eu em Paulo Portas, nas últimas eleições directas. Mas a verdade é que, não chegando às mesmas conclusões nem às mesmas respostas, considero que os seus pontos de vista merecem particular atenção e reflexão. Eu, pelo menos, considero que elas transportam uma visão razoável dos resultados, inclusivamente desgarrada do tal ponto de partida, e que por isso deve ser tida em conta, merecendo aliás a minha concordância em alguns aspectos. ###

Agradeço-lhe o facto de me considerar muito pouco responsável pelos resultados eleitorais, mas não me parece que ele tenha razão. Claro que não adiro à tese da sua colega de blogue, Mafalda Miranda Barbosa, que me enviou os sinceros parabéns pelo excelente trabalho realizado em prol da destruição da direita em Portugal. Não adiro à tese da Mafalda, já que não sei o qual foi o meu contributo para a destruição da direita em Portugal, mas sei qual foi o meu contributo para este resultado: era candidato – o que me faz responsável, e muito, pelo resultado. Entre os dois haverá de estar, portanto, a medida das minhas responsabilidades.

Não tenciono avançar aqui com o que direi nos locais próprios. Tenho como regra não utilizar o meu blogue para discutir a situação interna do CDS. Gostava de deixar claro que esta não é uma opção boa nem má. Apenas é a minha visão das coisas e com a qual me sinto confortável. De alguma maneira, é a minha forma de verter algum do institucionalismo que me caracteriza. Coisa diferente será discutir as opções doutrinais e estratégicas do partido, sujeitas claro está, ao escrutínio diário dos seus militantes.

E os resultados eleitorais do CDS, se podem ter uma leitura política, não deixam de ter uma leitura interna, atendendo ao contexto da recente disputa pela liderança, que inclusivamente alguns pretendem, com toda a legitimidade, chamar à liça. Portanto, mantendo esta regra e respondendo (e agradecendo) ao Nuno, gostaria apenas frisar que as perguntas que coloquei apontam uma linha de força. Esta candidatura corporizou, ou não, aquilo que Paulo Portas propôs como nova forma de estar do CDS? Sabemos que não correspondeu em resultados, evidentemente. Mas o Programa, a campanha, a estratégia, o posicionamento, reflectiram essa postura? É por aqui que penso dever ser feita a análise, para sabermos ao certo o que errou, se é que errou. Se foi a proposta ao Congresso que falhou, ou a candidatura, ou ambas. É nesse ponto que assenta a minha reflexão sobre os resultados.

Pela regionalização do politicamente indiferente


Festival do Bom Fumo, Funchal

Encompassing the globe

"Portugal and the World in the 16th and 17th centuries" - exposição no Smithsonian.



Entre muitos motivos de interesse, este ficheiro do Google Earth.

"Portugal, Conquering and Also Conquered" (The New York Times)

Novo estaminé no bairro

O Luís Novais Tito abriu uma barbearia, onde ele próprio se encarrega de ser mestre-barbeiro. Há por aqui, pelo menos, mais dois clientes (alguém tinha de dizer ao AA que está na altura de ele cortar a gadelha...).

segunda-feira, Julho 16, 2007

The Liberty Dollar


The Liberty Dollar - America's Inflation Proof Currency


Nota: aos 3'06" há uma mentira descarada:

[ Money, Banking and the Federal Reserve | America: Freedom to Fascism
Fiat empire | The Money Masters | Ron Paul vs. The Federal Reserve ]

J.K. Rowling, libertarian?

"Harry Potter and The Half-Crazed Bureaucracy" (PDF):
The truly surprising aspect of The Half-Blood Prince is how effortlessly Rowling covers the questions of the nature, role, and legitimacy of government in what is ostensibly a work of children’s literature. I must admit that when I sat down to reread the Harry Potter books in light of The Half-Blood Prince I did not expect to find the overwhelming skepticism of government that seeps through Rowling’s work. Of course, the ability to entertain first and foremost, although providing other levels of discourse, is the hallmark of great and thoughtful literature, and The Half-Blood Prince is both.

Separados à Nascença

Nicholas SarkozyLe Nabot

Mudam-se os tempos...

Vital Moreira queixa-se do jornalismo que temos. Parece que não destaca suficientemente a vitória de António Costa. Vejam só:

Perante a histórica derrota da direita nas eleições municipais de Lisboa, há os média que preferem pôr em relevo a escassez da vitória do vencedor!

Querem agora recordar o que escreveu Vital Moreira sobre a vitória de Cavaco Silva? Sim, aquela eleição em que a direita, pela primeira vez, elegeu um Presidente da República, à primeira volta (isto é, com maioria absoluta imediata), com vários candidatos de esquerda a somar todas as sensibilidades, entre eles o decano da nossa democracia, Mário Soares, todos eles a muitos pontos percentuais de distância de Cavaco. Ora vejam, sob o título Vitória Fraca (bolds meus):

A vitória de Cavaco Silva é obviamente inatacável sob o ponto de vista da sua legitimidade democrática. Mas é uma vitória politicamente fraca. Foi uma vitória à tangente, a mais magra de todos presidentes até agora; foi uma vitória assente numa forte abstenção, principalmente no campo socialista; foi uma vitória em queda acentuada, ficando a anos-luz das expectativas de vitória esmagadora do início (basta reler os bloggers e colunistas do campo cavaquista de há umas semanas). Dá a impressão de que com mais uns dias de campanha e a vitória escaparia.

O balão de oxigénio de Sócrates

O PS regressou à Câmara sem maioria, o que equivale a estar, daqui a dois anos, a dizer que tudo o que ficou por fazer se deveu à falta de maioria, e tudo o que se fez, à sua tenacidade e competência. Recebeu, por isso, um balão de oxigénio suficientemente grande para Costa construir um percurso e Sócrates não averbar mais uma derrota eleitoral. Nessa óptica, Sócrates ganhou estas eleições.

Mas há todo o outro conjunto de factos que desvaloriza a vitória do governo e que têm vindo a ser realçados pelos blogues que não afinam pelo lado canhoto. Não serei tão papista, dizendo que José Sócrates perdeu estas eleições. Esses factos não são suficientes para apagar a vitória, mas tão só para a desvalorizar. E se o PS não os entender, pode bem acordar, num futuro próximo, com uma vitória apagada pelos tempos.

José Sócrates tem necessariamente que ficar preocupado com o número de votos que recebeu. Com a transferência de votos socialistas para Helena Roseta, CDU e Bloco de Esquerda. Com a pesada abstenção que ficou em casa ao invés de vir votar no mais forte candidato à Câmara que o PS apresentou na última década.

É certo que o desnorte à direita lhe permite ganhar algum tempo. Mas confiar nisso seria esquecer as mais elementares regras da política. Uma delas diz que tudo pode mudar num segundo, podendo o balão que agora recebeu rebentar-lhe nas mãos.

O resultado do CDS

Os resultados eleitorais de ontem obrigam-nos a encarar a realidade nacional. Ainda que Lisboa não se confunda com o país, a verdade é que todo o sistema político convergiu para uma leitura nacional dos resultados, como aliás José Sócrates comprovaria, ufano, saudando o povo de Cabeceiras de Basto e do Teixoso. Fugir de uma leitura nacional dos resultados seria não perceber o essencial do que deles ficou. Em consequência, também o CDS deve fazer uma leitura nacional dos seus resultados, pelos quais também eu sou evidentemente responsável.

A derrota do CDS, porque é de uma pesada derrota que se trata, encontra várias justificações, nem só circunstanciais, que merecem análise por parte do partido. Bem sei que Paulo Portas foi eleito há poucos meses, que as candidaturas independentes, sobretudo a de Carmona Rodrigues, baralharam os resultados e que a ex-vereadora do CDS fez campanha encapotada pelo candidato socialista. Se tudo isso é verdade, há toda uma outra verdade que não oferece desculpa para a derrota, pela qual, repito, também sou responsável.

De facto, a imensa abstenção confirma que há todo um eleitorado à espera de ser cativado, que não foi seduzido nem pelo pintasilguismo de Roseta nem pelo calimerismo de Carmona; que não seguiu o consenso do regime nem se mobilizou para penalizar um partido em concreto; que considerou não existir, em 12 candidatos, uma verdadeira alternativa às políticas que temos.

Tivesse havido uma participação eleitoral massiva e talvez o circunstancialismo pudesse aliviar o resultado eleitoral. Mas esta abstenção, este eleitorado à espera de um sinal, ficou por conquistar por incapacidade de todos os partidos, CDS inclusivé. Ora, é nesta abstenção que está, a meu ver, o potencial de crescimento do CDS, porque dela constam - não só mas também - todos aqueles que não se revêem nas políticas (para-)socialistas que o regime tem fornecido. Nela se encontram todos aqueles que procuram uma resposta alternativa para a forma de encarar a coisa pública. O CDS falhou nessa tarefa. Também eu, repito, falhei nessa tarefa.

Penso, por isso, que todos os militantes do CDS - e não apenas Paulo Portas - devem fazer uma reflexão profunda sobre estes resultados. A estratégia do Congresso foi seguida nestas eleições? Se foi seguida, está errada? Se não está errada, que aperfeiçoamentos são necessários para que resulte? Se não foi seguida, porque não o foi? Deveria ter sido? Paulo Portas conseguirá recuperar este resultado? Fomos penalizados pelo discurso ou pelo protagonista ou por ambos? Que precisa o eleitorado para voltar a votar CDS?

Estas perguntas devem ser feitas por todos aqueles que militam no CDS. E as respostas de cada militante devem poder ser expressas com toda a clareza. O CDS é dos seus militantes. A eles cabe dar sequência às respostas a que chegarem, dando sinal à liderança do partido de qual o rumo a seguir. Tenciono fazê-lo, como sempre tenho feito, sem qualquer tipo de dogmas. Prezo muito a minha própria cabeça.

domingo, Julho 15, 2007

Eleições intercalares - Lisboa 2007

António Costa - venceu as eleições, com um resultado historicamente mau, mas relativamente folgado. Está condenado a coligar-se com o PSD.
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José Sócrates - não teve espinha para sequer comentar as eleições regionais antecipadas da Madeira; hoje apareceu histérico a comemorar a vitória de Costa, roubando-lhe as luzes, num esforço desesperado para recuperar alguma simpatia junto às bases e com o aparelho - porque o "povo PS", esse, nunca existiu nesta campanha. Talvez Sócrates esteja a sentir-se solitário nas suas alturas; escolheu um péssimo palco para procurar exibir a sua plumagem de animal feroz, e recuperar das vaias que o perseguem - certamente não devia ter voltado a local onde foi feliz (há dois anos gritava-se "Sócras-te! Sócras-te!") para se empoleirar num autocarro, acima das bandeiras, acima da produção televisiva que não captava os aplausos, acima de uma assistência deslumbrada com a sua visita à capital. O povo sente quando um político demonstra medo.

Carmona Rodrigues - o sleeper destas eleições sai com um resultado airoso e a garantia que daqui a dois anos estará em excelente posição para se reeleger.

Fernando Negrão - um candidato esforçado, digno, de sacrifício. Fez uma campanha horrível e sem imaginação - à semelhança de todas as campanhas autárquicas lisboetas do PSD desde que há memória. Perdeu, a toda a linha, porque não é um homem de primeira linha. No fim da sua comunicação, Negrão anunciou que ia tornar-se militante do PSD. Contactados, todos os partidos com siglas de três letras não rejeitaram a ideia.

Marques Mendes - responsável pela queda da Câmara, um evento que muitos lisboetas não compreenderam. Marques Mendes deitou o jogo abaixo numa altura em que o partido nem candidato tinha. Foi responsável pela escolha de um candidato de cartão, que teve menor votação que o candidato dissidente, mas cujas votações somadas ultrapassaram a votação do candidato mais votado. Marques Mendes foi inequivocamente responsável pelo resultado pavoroso do seu partido. Não choca que não se tenha demitido; chocará se o partido não correr com ele.

Helena Roseta - dela vieram as palavras mais acertadas na noite eleitoral - e também as mais despudoradas. Os lisboetas estiveram nas tintas para estas eleições. Mas a retórica da luta contra os "interesses" e pela "democracia de rua" é hipócrita. Qualquer investimento na cidade é em nome de um "interesse". O que se quer dizer é que deve ser o poder político a avaliar que "interesses" são bons e quais são maus - discriminar ideologicamente promotores - quando diz o bom senso e o Estado de Direito que sejam os investimentos a serem avaliados, não quem os promove. À boleia de Helena Roseta, que me parece-me uma boa pessoa apesar de muitas das suas ideias serem perfeitamente fascistas, foi eleito o fascista dos cidadãos auto-mobilizados, o paladino da Pureza dos Passeios. Habituem-se.

Sá Fernandes - até ao momento não é sabido se o bloquista-sem-cartão vai impugnar as eleições. Reafirmou um programa com fedor a PREC, que inclui, por exemplo, uma exigência que todos os empreendimentos de construção ou reabilitação reservem 20% dos seus fogos para habitação a custo controlado. Já se percebeu há muito que o senhor convive bem com o prejuízo e ruína dos outros.

Telmo Correia - A equipa de luxo montada por Portas fracassou. Miseravelmente ou não, já não interessa. Telmo Correia nunca fez a diferença. Fez bem em anunciar a sua saída dos cargos de vice-presidente do CDS-PP e da bancada parlamentar do partido. De Portas já pouco se espera. É possivelmente o político no activo que mais baixo conseguiu colocar as espectativas que depositam em si. Um partido como o CDS, que tem na sua matriz ideológica o municipalismo, está a extinguir-se do mapa autárquico. A nível nacional, continua a praticar um socialismo ora de inspiração católica, ora reaccionário, ora com poses de Bloco Central. Ao partido falta muita reflexão e muita cultura política.

Garcia Pereira - Quem não consegue gostar do dux veteranum da democracia portuguesa? Sai destas eleições com mais uma inscrição.

Pinto Coelho - um partido de retórica nacionalista não tem mensagem para eleições autárquicas. Mais importanto do que isso é constatar que se na capital do país, a extrema-direita é insignificante, também o é no resto do país. Contudo, revolta meio mundo - o mesmo meio mundo que se comove com as baboseiras da extrema-esquerda, que se pudesse, transformaria o país num Estado Policial não muito diferente.

Manuel Monteiro - os sketches do Ginjas estavam bons. As ideias construtivas, contudo, eram iguais às de todos os outros - todas? não! Gostei especialmente da tirada contra os chineses, fez-me lembrar um senhor lá da minha terra - que ganha eleições.

MPT e PPM - whatever.

Costa NUNCA

Caros amigos e leitores, quem me conhece sabe que eu sou um homem de palavra (consideração frequentemente abreviada para "casmurro"). Pois bem, eu não suportarei viver em Lisboa, cidade adoptiva que eu muito estimo, enquanto a Câmara Municipal estiver nas mãos de António Costa e dos seus quarenta ladrões. O mais tardar a meio do Verão, emigro. E só volto, se voltar, em 2009.

Noite de eleições

sexta-feira, Julho 13, 2007

Excelente notícia

José Manuel Moreira, nome muitas vezes aqui citado e admirado, vai passar a estar no:

Momento Intimista do Dia

Chego sempre a horas. Mesmo quando tento atrasar-me, os ponteiros parecem resistir ao meu abrandamento e inevitavelmente lá estou, à hora marcada, comprovando a regra de que “o Adolfo é a pessoa mais pontual que eu conheço”.

E levo a pontualidade quase ao limite, fazendo coincidir a minha chegada com a hora marcada, passos e ponteiros em sincronização. Nesse momento, quase sempre associado a espera, pergunto-me se a minha pontualidade se resume aos lugares ou se, por um acaso, terei o poder de chegar às pessoas, de as conhecer e tocar, na hora certa. Nunca o saberei. Mas gosto de pensar que sim.

How convenient...

Na RTP, que todos sabemos ser o farol da independência face ao Estado*, Luís Filipe Vieira foi entrevistado por Judite de Sousa. Muito Benfica, claro, e futebol e as coisas que se esperam de uma entrevista a um dirigente desportivo. A meio, assim como quem não quer a coisa, Luís Filipe Vieira foi questionado sobre o seu sentido de voto para a CML. António Costa, claro está.

* O Estado tutela a RTP, é seu accionista e concedente. Coisas de somenos, claro.

Euro-imperialismo

Relembrando isto, "União Europeia - O Império do Bem (versão Durão Barroso)" de Júlio Silva Cunha n'O Apaniguado.
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Do muito lincolniano / leninista / fascista "full text of Palpatine's speech to the Senate":
Citizens of the civilized galaxy, on this day we mark a transition. For a thousand years, the Republic stood as the crowning achievement of civilized beings. But there were those who would set us against one another, and we took arms to defend of way of life against the Separatists. In doing so, we never suspected that the greatest threat came from within.
In order to ensure the security and continuing stability, the Republic will be reorganized into the first Galactic Empire, for a safe and secure society .... An Empire ruled by the majority, ruled by a new consitution.

By bringing the entire galaxy under one law, one language, and the enlightened guidance of one individual, the corruption that plagued the Republic in its later years will never take root. Regional governors will eliminate the bureaucracy that allowed the Separatist movement to grow unchecked. A strong and growing military will ensure the rule of law.
We have been tested, but we have emerged stronger. We moved forward as one people - the Imperial citizens of the first Galactic Empire. We will prevail. Ten thousand years of peace begins today.

Passa a outro e não ao mesmo

Finalmente fui chamado a debitar a lista dos últimos cinco livros que li. A oportunidade é boa para mostrar que os liberais deste Mundo também sabem, conseguem e gostam de ler outras coisas que não a fascista cartilha por que se regem e com a qual planeiam tomar o país de assalto.

E por isso tenho de agradecer este repto ao Pedro Marques Lopes, outro trânsfuga e idiota útil como eu (esta do idiota útil é maravilhosa...).

A coisa presta-se, claro está, a grandes mentiras. Afinal de contas, há que manter uma certa aparência de seriedade e intelectualidade, ainda que a coisa esteja mais facilitada desde que se chega a Presidente sem saber os Cantos dos Lusíadas ou a Primeiro-Ministro a mandar cartões de visita a Machado de Assis.

Vou, por isso, dizer a verdade, escondendo apenas o facto de ter apanhado uma Tv Guia antiga e de me ter deliciado durante duas horas de um Sábado quente demais. E se é a verdade que vale, se dela vive este post, terei de abdicar das releituras, que ficam sempre muito bem. Muito gostam os nossos intelectuais de reler. Ele é o Eça, o Camilo ou o Tolstoi. Tudo o que é clássico, já se sabe, nunca se lê. Relê-se.

Vamos então a isso:

Memorial de Aires, de Machado de Assis, editado pela Cotovia;
Os Mensageiros Secundários, da Clara Pinto Correia, editado pela Relógio d’Água;
Um Caso Arrumado, de Graham Greene, editado pela Ulisseia;
Pastoral Americana, de Philip Roth, editado pela Dom Quixote e
O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzatti, editado pela Cavalo de Ferro.

Passo este desafio ao Pedro Magalhães, do Margens de Erro, à Alaíde, do 19 Meses Depois, ao Tiago Bartolomeu Costa, d'O Melhor Anjo, ao Ricardo Alves do Esquerda Republicana e ao Nuno Pombo, do Incontinentes Verbais.

Direitos individuais (2)

Argumentando-se que "não é possível provar" que os direitos individuais existem, como se justifica então que o Estado possa intervir para os reconhecer, garantir e prestar?

Where the avatars roam

"Earnest Goes to MMORPG" (The Agitator):
.... Gerson's latest belch onto the WaPo op-ed page says the interactive game Second Life is nothing more than the freak show Gomorrah we'd get if libertarians ran the country:
But Second Life is more consequential than its moral failures. It is, in fact, a large-scale experiment in libertarianism ....

.... main result is the breakdown of inhibition. Second Life, as you'd expect, is highly sexualized in ways that have little to do with respect or romance. There are frequent outbreaks of terrorism, committed by online anarchists who interrupt events, assassinate speakers (who quickly reboot from the dead) and vandalize buildings. There are strip malls everywhere, pushing a relentless consumerism. And there seems to be an inordinate number of vampires, generally not a sign of community health.

Gerson doesn't seem to know the difference between anarchism and libertarianism. Or, for that matter, fantasy and reality ....

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It's always amusing how when libertarians say things like "SWAT teams shouldn't be kicking doors down at 3am to arrest pot smokers," or "committed gay people should be allowed to marry," earnest conservatives like Gerson skip ahead to visions of Mike Judge's Idiocracy, where Starbucks sells handjobs like lattes, elementary schools sell heroin from vending machines, and goat-fucking goes mainstream.

.... the rapists, vandals, pillagers, and killers in Second Life don't behave that way in their normal lives, and the reason isn't because we have faith-based federal grants, Americorps, and school prayer here in meatspace.

It's because social norms (which arise spontaneously, and exist without laws, too) and the lack of anonymity make it difficult to be antisocial in real life without being an outcast, and losing your social standing. Yes, we also have laws that demand you respect others' person and property, and those laws would of course still exist in a libertarian society, too. So no. Legalizing pot won't turn America into Beyond Thunderdome.


Também: "Michael Gerson Discovers Second Life (and Furries)" (Reason).

Uninsured In America (2)


Dead Meat

Direitos individuais

A melhor maneira de os destruir é entregar o seu reconhecimento, a sua garantia, e a sua prestação ao Estado.

Os nannystatistas gostam de multiplicar

O Nanny-State preocupa-se em suprimir da vida pública e privada todos os riscos e perigos que possam colocar em causa a saúde física e psicológica, ou o bem-estar, ou a felicidade dos cidadãos.

Ora, a vida é tão rica em acontecimentos que a condicionam, que ninguém que queira empreender tal engenharia social alguma vez terá capacidade para influenciar todos os indivíduos de uma sociedade. Nem é essa a intenção. Influenciar é uma forma lenta de formatar a sociedade. O nannystatista tem de se valer de um pragmatismo sem escrúpulos para fazer valer o seu progressismo iluminado.

Uma das suas ferramentas é brincar com grandes números e absolutos numéricos e morais. Esta técnica consiste em isolar práticas odiadas, aferir-lhes uma taxa de perigosidade (mortandade é sempre melhor) numa grande população, e decretar que tal vergonha civilizacional não pode ser.
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Praticamente tudo o que "faz mal" ao corpo e à mente pode ser assim analisado e cilindrado pela força do Estado. Os chocolates engordam? Há milhares de gordos a nível nacional, europeu, mundial? A obesidade mata? Há que proibir os chocolates. O mesmo é válido para qualquer pensamento ou conduta que seja considerada socialmente indesejada.

Esta abordagem é intrinsecamente colectivista. Considera o indivíduo como uma fracção de algo muito maior, que está doente, que tem de ser curado, mesmo que alguns dos seus membros morram com a cura.

Cada um de nós, quando come um chocolate, ou muitos, ou leva uma dieta ruinosa para a sua própria saúde, sabe que pode vir a sofrer com isso. O risco de vir a morrer por causa de um chocolate ou de uma vida dedicada aos prazeres da mesa (ou da pizza no sofá) é algo que é interiorizado, e ponderado com muitos outros riscos e certezas - muitas das quais, de gratificação imediata.

Mas todos nós morremos. Vivemos um pouco todos os dias, e morremos um pouco todos os dias. Sabemos que podemos morrer mais cedo por causa do chocolate— como do café, das gorduras, do cigarro, do desporto, de cuidar de nós, dos idosos e das crianças, de ter uma vida cheia de preocupações e de alegrias. Cabe a cada um de nós viver a sua vida, procurar a sua felicidade.

O nannystatista preocupa-se em proibir-nos o chocolate, e tudo o que odeia que façamos com a nossa liberdade.

( post no seguimento de "Quando a ciência é politicamente incorrecta" )

quinta-feira, Julho 12, 2007