domingo, setembro 30, 2007

Pete Sampras' emotional breakdown


Australia Tennis Open, 2005, final match - Courier and Sampras


De TENNIS; Brawn, Sweat and Tears: Sampras Storms Back (The New York Times):
Sampras had worn himself into an emotional frazzle worrying about the health of his coach and best friend, Tim Gullikson, who spent the weekend undergoing tests in a private hospital after apparently suffering the latest in a series of strokes linked to a congenital heart ailment, which was first diagnosed in December.
It wasn't until Sampras took his first lead of the match by holding serve to start the fifth set that his emotions floored him. He sat down for the change-over and, with his shoulders heaving and his face buried in his towel, he burst into uncontrollable tears. He struggled through the next two games, then called the trainer over to help talk him through his distress.

Sampras had appeared on the verge of giving up the match, but instead he soldiered on, broke Courier in the eighth game, and converted his first match point when Courier's forehand return soared long.

sábado, setembro 29, 2007

A culpa é dos ausentes (2)

Aquando de debate entre Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, e perante a pobreza de ideias que ali se evidenciou, escrevi que o actual estado de desnorte do PSD, confirmado agora pela eleição de Menezes, não tem como único responsável, ou sequer principal, Marques Mendes, seu actual líder. Verdadeiramente, quem coloca o PSD no estado em que ele agora se encontra, são os ausentes, os líderes que esperam a sua vez, na ridícula presunção que aparecendo na hora certa serão capazes de ter um projecto concreto de governação.

Podem pois agora esses ausentes vir, do alto do seu baronato, reclamar e espernear, dizer que o PSD ensandeceu, exclamar que este não é o seu PSD e mais trinta por uma linha. A esses, como sempre, o PSD e o país não ficam a dever nada. Ou melhor dizendo, o país até lhes fica a dever algo: a adopção desta estranha mania de esperar. Esperar por algo melhor, que virá, um dia, quem sabe, pelas mãos de um outro.

Não se sabe bem o que pode agora acontecer ao PSD. Sobretudo a estes baronetes habituados à tavola redonda dos destinos do país e da social-democracia lusa. Mas temos alguns sinais do que podem estes baronetes fazer quando se sentem ameaçados ou postos fora da linha da frente da sucessão. São até capazes de ser os primeiros soldados de ataque a um governo do seu próprio partido. Serão pois, por maioria de razão, capazes de dar conta desta liderança que lhes aconteceu.

The Crimes of Communism

"The Crimes of Communism" (MP3) (Acton Institute):
Prof. Maltsev, former member of a senior team of Soviet economists that worked on President Gorbachev's reforms package of perestroika, discusses the reversal of liberalized reforms in Vladimir Putin’s Russia and the variety of ways in which communism oppresses people, especially religion. Read more about this lecture and Prof. Maltsev on the Acton Lecture Series Web page.

Direita

sexta-feira, setembro 28, 2007

Exercício de lucidez

(…) politicians have to ensure that the costs of public policies organized by them will not be bigger than the benefits achieved. They have to carefully consider and seriously analyze their projects and initiatives. They have to do it, even if it may be unpopular and if it means blowing against the wind of fashion and political correctness. I congratulate Secretary General Ban Ki- moon on organizing this conference and thank him for giving us an opportunity to address the important, but one-sidedly debated issue of climate changes. The consequences of acknowledging them as a real, big, imminent and man-made threat would be so enormous that we are obliged to think twice before making decisions. I am afraid it is notthe case now.
(…)
My recommendations are as follows:
1. The UN should organize two parallel IPCCs and publish two competing reports. To get rid of the one-sided monopoly is a sine qua non for an efficient and rational debate. Providing the same or comparable financial backing to both groups of scientists is a necessary starting point.
2. The countries should listen to one another, learn from mistakes and successes of others, but any country should be left alone to prepare its own plan to tackle this problem and decide what priority to assign to it among its other competing goals.
We should trust in the rationality of man and in the outcome of spontaneous evolution of human society, not in the virtues of political activism. Therefore, let's vote for adaptation, not for the attempts to mastermind the global climate.

A A

Andam uns gajos a tentar criar um blogue começado por dois "a", numa de ficar em primeiro lugar nas listas de links dos outros blogues, e logo uns não sei quantos, armados em espertinhos, decidem subverter todo o nome do blogue, catalogando-nos apenas como "Arte da Fuga", assim nos remetendo para o meio de uma lista infindável de outros blogues começados por "a". Minha gente, este estaminé chama-se "A Arte da Fuga". Com dois "a", sff. Como nos alcóolicos. Ou querem lá ver que temos de mudar isto para "007 - A Arte da Fuga"?

Igualdade

O Cemitério Judaico de Lisboa recebeu a visita de uma qualquer gentalha que achou por bem desenhar suásticas em algumas lápides. Gentalha essa que merece, em sendo apanhada, ser punida exactamente da mesma forma que uma qualquer gentalha que se tivesse decidido a entrar nos Prazeres para desenhar falos ou assinar declarações de amor. São antisemitas imbecis, com certeza. Mas na vida e na morte, devemos todos ser considerados indivíduos iguais perante a lei.

Sobe e Desce

Tento encontrar na edição online do DN, assim como na capa do jornal, uma chamada para os últimos resultados do Barómetro DN/Marktest/TSF, mas não a encontro nem vislumbro. Terei que esperar pela hora de almoço e pela compra da edição em papel para poder verificar, numa qualquer página empurrada para o meio do jornal, que não só o PS perdeu dois pontos nas intenções de votos dos portugueses, como igualmente desceram PSD e Bloco, tendo o CDS obtido o seu melhor resultado nesta sondagem desde há dois anos.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Momento Intimista do Dia

Um dia, sem mais nem porquê, realizei que o limão reunia não só o meu cheiro favorito, como também a minha cor favorita e, como se já não bastasse, o meu sabor favorito. Com tanto favoritismo, habilito-me a acabar afogado num copo de gin tónico na minha próxima reencarnação.
(corrigido)

Prova dos 9 (2)

Nenhum político pode somar apenas virtudes públicas. Da mesma forma, nenhum pode ser apenas um aglomerado de defeitos públicos. Pedro Santana Lopes tem sido constantemente visto, pelos seus apoiantes ou pelos seus detractores, de uma dessas duas formas, como se o senhor fosse, ou quisesse ser, uma espécie de Deus ou Diabo na terra.

Uma das virtudes públicas que sempre lhe reconheci, talvez a maior de todas e tão em falta no nosso sistema, é precisamente a de ser livre nas suas decisões e opções. Podemos concordar ou discordar, gostar ou detestar, alinhar ou desalinhar, mas as decisões de Pedro Santana Lopes, correctas ou desacertadas consoante o ponto de vista, são fruto de alguém descomprometido com o regime. Pode ser por narcisismo ou feitio ou habilidade, mas essa é a maior qualidade que lhe atribuo, que tanto faz falta em Portugal, e que, por entre tanta espuma, nem sequer se reconheceu na sua fugaz passagem pelo Governo.

Quantos políticos em Portugal estariam na disposição de dar por encerrada uma entrevista na SIC Notícias (o tal canal sério, dedicado à informação que interessa, que gosta de levar os assuntos a fundo) perante uma legítima, volto a repetir, mas absurda decisão editorial?

Lei das Rendas

No site do CDS discute-se, esta semana, e por mão do Luís Pedro Mota Soares, a revisão da lei das rendas. Quem quiser dar a sua opinião, basta seguir o link.

Sem um verdadeiro mercado de arrendamento, a compra de casa própria é muitas vezes a única opção. O endividamento das famílias cresce. A subida das taxas de juro gera e agrava as desigualdades sociais. Destrói-se a mobilidade. As famílias ficam presas ao local em que compraram casa. Os proprietários continuam sem poder fazer obras de recuperação e os inquilinos assistem à degradação das suas casas. O pouco que sobra do mercado de arrendamento sofre um fenómeno de especulação.
A revisão da “Lei das Rendas” é já exigida por muitos. O que deve ser corrigido nesta lei?

Prova dos 9

A legítima, embora criticável, opção editorial da SIC Notícias a propósito da entrevista a Pedro Santana Lopes diz tudo do estado do PSD: absoluta indiferença para com o que se lá passa desde que haja uma história melhor. Enredados nas discussões das quotas e dos pagamentos multibanco, os dois candidatos nem se devem aperceber daquilo que Pedro Santana Lopes, de imediato, intuiu.

Caricaturas*

Engraçada esta complacência com que a comunicação social trata Ron Paul, como se ele fosse um homenzinho esquisito, com algo de lunático, a quem um dia ocorreu a loucura de entrar na corrida para a Presidência dos Estados Unidos da América. Quem ler o que dele se escreve, quase pensa estar perante uma espécie de louco fugido do asilo, vestido de pijama e de robe, a rondar as ruas de Washington com uma tocha na mão.

Viesse ele das bandas canhotas da política, despindo-se ao lado de um urso polar para denunciar o fim da humanidade à conta do aquecimento global e logo o teríamos desenhado como um homem de vanguarda, um intelectual com sólidas referências que se coloca acima da política comum, um homem diferente com uma política diferente. Mas não. Como o senhor não partilha a fornada de Clintons e Gores desta vida, nem sequer merece a pena ouvi-lo ou lê-lo. Basta caricaturá-lo. Ainda que o que ele diga possa fazer sentido. Mas quer dizer, caramba, andar aqui a falar de liberdades individuais sem se dizer, de colete de ciclista na mão, "eu sou o candidato dos cidadãos e venho ser a voz dos cidadãos porque é preciso dar vozes aos cidadãos" é que nem pensar, não é coisa que se fala, que não cai bem.

E assim se faz a cobertura política Mundo fora. A mesma cobertura que continua a insistir que os políticos são todos iguais e as receitas sempre as mesmas. Pois.

postado também no http://portugal4ronpaul.blogspot.com/

quarta-feira, setembro 26, 2007

Já cá canta!


Ausências

Em tempos, alguém me disse que gostaria muito de ser bom aluno, de ter boas notas e, até, chegar ao quadro de honra. Respondi-lhe, sem perceber muito bem a questão, que para o efeito bastaria que se empenhasse na tarefa de estudar. De volta recebi um sorriso meio trocista. Pois sim, que estudar era importante. Mas havia tudo o resto, as cunhas, os horários, os professores, o sistema, a avaliação: tudo condições atenuantes da importância do estudo na nota final.

Também na política, nestas crises partidárias (uma delas vivi com alguma intensidade, como devem calcular), abundam almas que em tudo encontram desculpa para nada se mudar. E não é só dentro dos partidos, onde estas certamente abundam. É também de fora dos partidos, onde reside a solução para o problema que a direita agora atravessa. Sem os actuais ausentes, nada se conseguirá.

Chegámos pois ao triste paradoxo de apenas conseguirmos mudar a política com ausentes e de estes ausentes esperarem a entrada de um ausente na política para poderem, enfim, deixarem de ser ausentes.

Tudo ou nada

A crise electiva no PSD, assim como a crise electiva no CDS, podem ser tudo e nada. Tudo, se servirem para despertar quem lá anda e quem lá pode andar; nada, se apenas servir para quem lá anda se sentir na convicção de que nada há a mudar.

Perante tais crises, sua dimensão e efeitos, poderia pensar-se que todos sabem que muito tem que mudar e que aquilo que agora escrevo não passa de uma banalidade. Mas basta olhar para o artigo de alguém com o calibre de Vasco Graça Moura para perceber que, de facto, não são apenas os idiotas que ainda não perceberam a mudança que urge.

Pode alguém acreditar que o "PSD voltou a ser um partido com credibilidade institucional e política"? Que "o descrédito do Governo e do PS tornou-se óbvio"? E que o "eleitorado já começou a compreender que Marques Mendes tinha razão e porquê"?

Vou passar a andar também por aqui

terça-feira, setembro 25, 2007

Sympathy

Socialismos

Sintomática esta forma de gerir a autarquia lisboeta. Anuncia-se a duplicação do IMI, que é o aumento máximo previsto por lei, na mesma altura em que se lança um concurso de ideias para o Parque Mayer.

Star Hunter

Sinto sempre uma espécie de triunfo de cada vez que uma qualquer actriz que descobri num obscuro filme alcança um sucesso que lhe antevi prematuramente. Por vezes, há expressões ou gestos, que até podem ser imperfeitos ou estupidamente embebidos numa xaropada qualquer, que me ficam para sempre na memória. De tal forma que tento, xaropada após xaropada, acompanhar-lhes o rasto, até ao sucesso final.

Aconteceu-me isto, por exemplo, com a Laura Linney, desde aquele inenarrável e estafado Primal Fear. E aconteceu-me, também, com Mary Louise Parker, numa manhosérima réplica dos Amigos de Alex, chamada Grand Canyon, logo seguida de um corintellado absolutamente insuportável chamado Fried Green Tomatoes.

Pois bem, chegou agora a sua vez de, com Weeds, ter o sucesso que então lhe pressenti. Teve de penar muito, a rapariga, que se sujeitou a papéis secundários tão dispensáveis quanto os produtos da TV Shop. Que o sucesso lhe tenha vindo para ficar, é só o que espero.

adenda: humpf.

Arrumações

O Tugir vai para a coluna do Fugas para outras Bandas, já que encerrou a sua excelente actividade. Entram na coluna do Fugas de Esquerda os blogues individuais dos seus autores: Palavra Aberta (CMC) e A Barbearia do Senhor Luís (LNT).

Claro como água

Está tudo no Quarta República:


1. Era previsto que as despesas com o pessoal aumentassem 0,25%. Estão a aumentar 3,4%.
2. Era previsto que as aquisições de bens e serviços correntes aumentassem 3,5%. Estão a aumentar 10,2%.
3. Era previsto que as despesas correntes aumentassem 1,2%. Estão a aumentar 4,5%.
4. Era previsto que as despesas de capital aumentassem 2,1%. Estão a diminuir 2,9%. 5. Era previsto que a despesa total aumentasse 1,2%. Está a aumentar 3,9%.
6. Era previsto que a receita dos impostos aumentasse 4,9%. Está a aumentar 8,6%.
7. Era previsto que as receitas correntes aumentassem 1,6%. Estão a aumentar 10,4%.
8. Era previsto que as Receitas totais aumentassem 1,6%. Estão a aumentar 10,1%.
A situação explicita a enorme mistificação que o governo tem vindo a fazer, firmando o controle das finanças públicas e do défice, pela compressão da despesa. Não é erdade. O governo não está a controlar nada. Quem tem acudido ao défice é o contribuinte, através do aumento dos impostos. No caso, para o dobro do previsto!...

desOrdens

Pensando um dia, no seu gabinete de São Bento, que mais privilégios haveria mediaticamente que afrontar, José Sócrates lembrou-se das Ordens Profissionais. Vai daí, parece que se decidiu a legislar no sentido de uniformizar a actividade das Ordens, indo inclusivamente ao ponto de atribuir competências ao governo para impugnar as normas e os regulamentos de funcionamento das ditas.

Para variar, o Estado decide-se a atacar um problema que ele próprio criou, utilizando para o efeito mecanismos que mais não farão do que agravar o problema. Senão vejamos.

O Estado não tem nada que ver com a liberdade de determinados profissionais se associarem entre si no sentido de criarem uma entidade que os proteja, represente, apoie e forme. Em bom rigor, tal entidade até pode servir apenas para lhes prestar refeições vegetarianas. Se assim é, é um absurdo disparate esta ideia de querer enfiar o Estado na auto-regulação profissional, criando regras e impondo procedimentos.

Ora, acontece que, graças ao Estado, as Ordens não são actualmente um espaço de liberdade auto-associativa. Pelo contrário, muitas delas funcionam, mercê da sua exclusividade e da obrigatoriedade de inscrição para o exercício da profissão, como organismos reguladores e certificadores exclusivos. É esse poder, essa absurda concepção de Ordem, que lhes permite, com o mais evidente dos proteccionismos, erigir regras que evidentemente distorcem o mercado e a livre prestação de serviços.

Mas isso acontece, apenas e só, porque o Estado achou por bem que só podia haver uma Ordem por cada profissão e que essa Ordem poderia impor a inscrição obrigatória para o exercício dessa profissão. Isto, evidentemente, presta-se a todos os desmandos. Portanto, se José Sócrates quer resolver o assunto, e quer verdadeiramente afrontar os interesses instalados, tem bom remédio: termina com estas prerrogativas das ordens profissionais.

No dia em que cada um puder escolher se quer ou não associar-se aos seus colegas, as Ordens recuperarão o espaço de liberdade que as deveria caracterizar.

segunda-feira, setembro 24, 2007

AMN, versão fruta


A excepção da regra

Quantos políticos portugueses não viram já a sua vida política, ou pelo menos a sua credibilidade pública, definitivamente manchada pelo facto de um dia terem cometido o erro de fazer afirmações falsas ou descabidas ou impróprias ou até mesmo inoportunas?

Houve já ministros que tiveram de demitir-se, deputados que tiveram de pedir publicamente desculpa, ou mesmo dirigentes que tiveram de ser levados do púlpito. Faz parte deste clima de permanente fiscalização sobre o que dizemos, fazemos ou deixamos entender, motivado pela comunicação social que, aliás, serve também para isso mesmo. Uma palavra mal escolhida pode crucuficar um político, que vê espalhado um simples erro por milhões de casas sintonizadas num noticiário da noite.

Mas há excepções, claro. Francisco Louçã, por exemplo. Permanentemente em jeito de pastor evangélico, tudo lhe é permitido, até no parlamento.

A ler

Dietas do Carlos G. Pinto n'O Insurgente:
Os serviços públicos funcionam mal por natureza, por falta de incentivos para que funcionem bem. O número de pessoas necessárias para que um serviço público
funcione razoavelmente bem será sempre demasiado elevado para o público que serve. A única forma de reduzir a função pública é reduzir as funções públicas. Espero que um dia se chegue finalmente a esta conclusão.

Estou inteiramente de acordo com esta ideia de que a redução quantitativa da Administração Pública apenas poderá ser atingida com uma redução qualitativa da mesma, retirando ao Estado um conjunto de funções que hoje lhe estão desnecessariamente atribuídas. Em tempos, na Revista Dia D, escrevi um artigo, intitulado Quarto dos Brinquedos, que analisava o PRACE e o SIMPLEX, onde procurava alinhar a mesma ideia:
Ora, os programas apresentados pelo Governo para reformar a administração pública parecem funcionar como essas arrumações: programas vocacionados para a gestão e racionalização da administração pública, que se preocupam essencialmente em organizar o que existe, tornando a administração mais eficiente e menos perdulária. É evidente que a fusão de organismos cujos objectos se complementam é uma medida extremamente positiva e de evidente lucidez. Mas, tal como o quarto de uma criança, em que a arrumação é aparente, se não reformarmos o Estado Social, se continuarmos a exigir ao Estado que continue a prosseguir as suas actuais atribuições, a verdade é que os ganhos de eficiência e poupança serão menores do que se espera, porque os problemas não foram eliminados e terão de ser criadas novas estruturas, de maior dimensão, que passam a juntar competências dos defuntos organismos.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Publicidade Institucional

Hoje vou estar no Descubra as Diferenças, às 19:00, na Rádio Europa, com Antonieta Lopes da Costa, Paulo Pinto Mascarenhas e Henrique Burnay. Os temas são qualquer coisa como isto:

- José Sócrates e George W. Bush estiveram juntos na Casa Branca. Sócrates falou do Middle West - deveria estar a falar do Middle East - e Bush agradeceu apoio no Iraque e no Afeganistão iniciado por Portugal, era Durão Barroso Primeiro-ministro. Amigos para sempre? Qual foi realmente a importância deste encontro?

- Maria José Nogueira Pinto não gosta de lojas de chineses na Baixa e quer arrumá-los numa Chinatown à lisboeta. Depois de confessar ao "Expresso" que votou em Salazar num concurso de TV e em António Costa em Lisboa, o que se seguirá? Será política de direita ou seguidora do PS?

- Israel/Síria e as "ameaças francesas" - do ministro dos Negócios Estrangeiros, Bernard Kouchner - de ataque ao Irão. Afinal foi erro de interpretação dos jornalistas? O Middle West - perdão, East - continuará à deriva com a União Europeia? E qual o papel que a França quer assumir na região e no Mundo? Está Paris a posicionar-se como a Washington da União Europeia?

- Debate único entre Marques Mendes e Luís Filipe Menezes na SIC/Notícias: foi mais uma ajuda para a maioria absoluta de José Sócrates, em 2009?

Emissão também disponível online em http://www.radioeuropa.fm/ ou através da powerbox da TV Cabo.

Good eyes

quinta-feira, setembro 20, 2007

Falta sombra em Portugal

Oposição em Portugal tem significado sempre uma actividade de desgaste ao governo. Tudo se mede pela capacidade de um partido ou de um líder conseguirem incomodar o governo de tal forma que este perca o seu capital eleitoral até à derrota final.

Ora, se é certo que há quem tenha de fazer esse trabalho, há todo um outro que tem ficado por fazer e que passa por constituir um governo sombra que, não só desgaste o executivo como também permita construir uma alternativa e, sobretudo, enformar um programa de governo que a oposição executará quando chegar a sua hora.

A constituição de governos sombra, sem qualquer tradição em Portugal, permitiria garantir, se estes fossem levados a sério, que uma vez regressado ao governo, um partido estivesse dotado de um programa alternativo, construído em 4 ou 8 anos de trabalho, com conhecimento real e sério das realidades sobre as quais vai intervir.

Acontece que em Portugal nem a oposição leva a sério esta função, nem o governo sequer encara a oposição nesse prisma. Reduzida à espuma do desgaste, a oposição não é atractiva para grande parte dos mais qualificados políticos que temos. Mais vocacionados para a função executiva, estes deixam-se ficar à espera de, um dia, virem a fazer parte de um governo.

Ora, se é certo que esses mais qualificados o são porque demonstram uma experiência e conhecimento importantes para as funções governativas, não menos certo é que, por muito bons que sejam, não conseguirão jamais descobrir um rumo alternativo para o país, num anito e meio em que finalmente, cheirando a queda do governo, começam a dar a cara.

Porque a verdade é que as alternativas nascem de muito trabalho e, sobretudo, de muitos conhecimentos da realidade governativa, a qual só é possível se os políticos estiverem em contacto directo e próprio com a mesma.

Como isso não acontece, muitos chegam ao governo, do alto das suas qualificações, com ideias vagas e generosas que rapidamente esbarram na realidade. Perdem-se meses de trabalho até que o Ministro finalmente perceba que a realidade em que estruturou as suas ideias está errada e não corresponde ao que encontra no Ministério (o tradicional “eu não tinha noção de que as coisas estavam tão mal”).

Era por isso tempo de, pela oposição, se formar um verdadeiro governo sombra e, pelo governo, se passasse a encarar a oposição como governo sombra do país e que, por isso mesmo, carece de informações precisas sobre a governação e não meras visitas mensais para apresentar planos tecnológicos no parlamento.

A culpa dos ausentes

O actual estado de desnorte do PSD, revelado pela enésima vez no debate entre Mendes e Menezes, não tem como único responsável, ou sequer principal, Marques Mendes, seu actual líder. Verdadeiramente, quem coloca o PSD no estado em que ele agora se encontra, são os ausentes, os líderes que esperam a sua vez, na ridícula presunção que aparecendo na hora certa serão capazes de ter um projecto concreto de governação.

São esses ausentes, esperando a perda do poder socialista, que mais contribuem para uma oposição ineficiente, no plano de combate ao governo mas, sobretudo, para uma oposição incapaz de construir um programa alternativo para quando chegar a sua hora.

Tão inebriados estão nos seus baronatos, tão cheios de si e das suas competências andam, que ousam pensar que governar um país não carece de experiência de oposição e de conhecimento profundo da realidade governativa. Tão certos da alternância estão, que nem lhes passa pela cabeça constituir uma sombra do governo, diária, persistente, trabalhada, mais do que não fosse para, quando finalmente lhes calhasse a sorte, terem um programa para cumprir que não passasse, como sempre tem passado, pela continuação da política anterior, com variantes para inglês ver.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Momento Intimista do Dia

Fundo a minha vida em prazeres. Chamam-lhe vícios, e é provável que seja isso mesmo, que temos uma tendência estranha para conotar pejorativamente aquilo que bem nos sabe. Não gosto de evitá-los, esconder-me deles ou sequer fingir que eles não existem. Faz-me confusão não poder abusar do que gosto, arrastar num sabor lento ou repetir palavras uma e outra vez. Se gosto, é para gostar. Por isso mesmo, talvez só por isso mesmo, passo ao lado de toda e qualquer substância química a que comummente se chama droga. Não é medo do mal que faz. É do bem que poderia saber-me.

Silêncio ensurdecedor (2)

E já agora, um ano volvido do conflito entre Israel e o Hezbollah, é ainda de estranhar que a Europa, sempre tão solícita em período bélico, tenha deixado de preocupar-se ou pronunciar-se sobre a situação na zona, sobretudo procurando saber se as forças das Nações Unidas estão a fazer o que era suposto.

Por exemplo, seria importante saber se o Hezbollah mantém, ou não, canais de aquisição de armamento, nomeadamente do Irão e da Síria. Sobretudo porque, da zona, chegam indícios de que, neste momento aquele bando de terroristas, já dispõe de rockets, mísseis e outro armamento capaz de recomeçar o conflito em nome do extermínio de Israel.

E já agora, assim de repente, seria importante saber que a Siria continua, ou não, a ocupar cerca de 4% do território libanês, ao arrepio da resolução 1559/2004.

Silêncio ensurdecedor

Ao contrário da nossa Europa, sempre tão enredada em comissões e comités e acordos e sessões de negociação, Israel impediu que a Síria construísse e mantivesse instalações nucleares. O resto do mundo respira de alívio e nem toca no assunto, que horror, não vá dar-se o caso de terem de agradecer a Israel, mais uma vez, o seu contributo para a segurança do ocidente.

E assim andamos neste fez de conta, em que a Europa finge que nada aconteceu, para poder criticar Israel quando lhe apetecer, mesmo sabendo que no dia em que Israel desaparecer, a próxima vítima é ela própria. E este silêncio, que um dia ainda matará, não deixa de ser sintomático na infantilidade que grassa pela política externa da União.

O debate de ontem

terça-feira, setembro 18, 2007

Antoni em Barcelona

Como sabem, após a vitória de António Costa, o outro António, o Amaral, não suportando viver com tal Presidente de Câmara, rumou a Barcelona. As suas andanças podem ser seguidas neste outro blogue, onde o rapaz até escreve em inglês, numa clara estratégia de internacionalização (http://aa-bcn.blogspot.com/).

Blogue esse que vem sendo actualizado ao ritmo a que o António nos vinha habituando aqui no aAdF. Pela minha parte, tenho feito os possíveis para manter a notável marca de um post por cada 20 minutos, não me tem sido muito fácil, como já constataram.

António, man, não te esqueças desta xafarica!

O novo médio oriente

Montesquieu revisited

Voltámos pois, de acordo com Vital Moreira, ao tempo em que os juizes mais não eram do que a boca que fala as palavras da lei. Isto enquanto o PS estiver no governo claro:
Quando é que os que têm o dever de aplicar as leis se preocupam mais em aplicá-las do que em tentarem substituir-se ao legislador na formulação das mesmas?

segunda-feira, setembro 17, 2007

Corrente milagrosa da direita (4)

Do quadro que tracei no post anterior é possível retirar uma conclusão importante para as diferenças que separam os três partidos em causa. A de que dos três partidos, apenas o PS assumia uma correspondência satisfatória entre os seus princípios e as suas bases. Os dois outros partidos, PPD e CDS, assentavam, por isso, em pressupostos errados.

A forma como as várias direcções souberam lidar com tal facto (reconhecendo-o ou negando-o) determinou uma evolução que não era ainda clara naqueles idos de 76 e que, no essencial, explica a confusão do nosso sistema partidário e motiva a provocação que originou esta corrente: PS, PSD e CDS serão assim tão diferentes?

(continua)

Corrente milagrosa da direita (3)

imagem retirada daqui

Continuo a dar resposta ao desafio do Rui Albuquerque para enunciar dez características que, em minha opinião, separam e distinguem a nossa direita partidária (PSD e CDS) do PS e do governo. Bem sei que ele me acusará de estar a revolver no passado, mas muito do que os partidos portugueses são hoje, grande parte do que os explica, radica do momento da sua fundação. Aliás, só o contexto da sua fundação permitirá explicar a existência de dois partidos socialistas primeiro, social democratas depois, em Portugal, ocupando 80% do espectro político.

Hoje queria deixar algumas notas sobre os fundadores dos três partidos e sobre a forma esse conjunto de homens agrilhoou o sistema partidário português: os fundadores.

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O PS, provindo da clandestinidade, beneficiou da rede de contactos que os seus fundadores foram estabelecendo, assumindo plenamente o estatuto de representantes nacionais da Internacional Socialista. Esta qualidade permitiu agregar em seu torno, e sem grandes dúvidas, a grande maioria daqueles que se sentiam próximos desta família política.

Os primeiros conflitos doutrinais do PS, aliás, serviram para cristalizar o PS como o partido do socialismo democrático e para o demarcar de derivas totalitárias. Desta forma, e com toda a naturalidade, o PS conseguiu assumir-se como partido da esquerda democrática portuguesa.

O PPD, por seu turno, foi fundado de raiz (“partido instantâneo”, já lhe chamaram), ainda que inspirado da Ala Liberal. Sem contactos internacionais de relevo, o partido perdeu a oportunidade de assumir-se como o partido do socialismo democrático, recusada que foi a sua entrada na Internacional Socialista. Restava-lhe, por isso, uma missão que poucos acreditariam possível: ser uma espécie de PS sem ser o PS.

O PPD foi assim fundado como partido da social democracia, a qual conseguiu ganhar algum espaço político não tanto pelo programa ou ideário do partido mas, isso sim, pelo quadro de fundadores que o PPD apresentou e que correspondia a um cruzamento entre uma linha católica-social, uma linha social-liberal, uma linha social-democrática e uma linha tecnocrático-social.

De certa forma, o PPD social democrata que ambicionou a entrada na Internacional Socialista cativou o seu eleitorado não por essa deriva socialista mas, isso sim, pelo referencial e prestígio dos seus fundadores que, moderados e com passado marcelista, asseguravam conforto e tranquilidade ao espectro não socialista da população.

É preciso recordar que o CDS só haveria de surgir meses mais tarde, já atrasado, tarde demais para conseguir reunir os mais politizados da então chamada ala católica progressista que rumou ao PPD e a que viriam juntar-se os caciques do antigo regime, que Freitas do Amaral recusou filiar e que proporcionaram ao PPD a mais séria e decisiva arma de que dispôs para se afirmar: poder local.

O CDS chegou atrasado à corrida da implantação política, reunindo na sua fundação nomes menos conhecidos e emancipados do que aqueles que o PPD conseguira reunir. E chegou à política com um pressuposto, formalmente correcto, mas materialmente desmentido pelos factos: o de que o PPD era um partido para a esquerda.

A verdade é que, em termos de implantação e de bases, o PPD se situava muito mais à direita do que aparentavam os discursos de Sá Carneiro, esvaziando e, em alguns casos, impossibilitando, a implantação eficaz do CDS, problema que nunca conseguiu resolver.

Resultou tal atraso do CDS numa implantação excessivamente ideológica, nem sequer procurada por Freitas do Amaral ou Amaro da Costa, que reuniu não o centro, de tipo neo-liberal e de inspiração giscardiana, mas isso sim a direita conservadora que não ousava sequer pensar em votar num partido que assumia o socialismo como fim e a social-democracia como caminho.

Paradoxo do dia

Miguel Sousa Tavares, que dedica grande parte dos seus artigos a defender a centralização das competências relativas à construção na costa portuguesa, defende agora, afinal, que sejam as autarquias a determinar que tipo de estabelecimentos quer e tolera nas suas zonas históricas.

sábado, setembro 15, 2007

"Roubo" de "propriedade" intelectual

Ron Paul - mais video


"Ron Paul in Fox Presidential Debate 9-5-2007"

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"Tucker Carlson, Pat Buchanan: "Ron Paul won the debate""



"2 Minutes Hate - Week of 9/3/08"



"Stephen Colbert’s THE WØRD: Honor-Bound (9/10)"



outras partes: "Ron Paul Speaks at USC (RonPaulVoices.com)"



"Ron Paul on Fox News Los Angeles at the USC rally -FreeMe.TV"



"Ron Paul interview on democracynow on Tuesday, September 24th, 2002"



"Ron Paul - Still Right After All These Years"



Ron Paul: Our Power, Our Responsibility

Ron Paul - mais texto

Ron Paul for President 2.0?
Kissing babies, stumping on the campaign tour and meeting with the local supporters all seems so... well 1.0. Texas Congressman and libertarian Dr. Ron Paul represents the new 2.0 candidate, with his success recruiting supporters through new social media channels.

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The Ron Paul Revolution: A Lesson in Free Market Economics:
There has been no external oversight committee or price controls. There have been no marching orders from a central location. Supply and demand has taken over. The best products are passed along word of mouth through a decentralized web of email addresses and social networking sites. Local Meetups in various parts of the country are all passing out some of the same materials, no prompting necessary. It’s called “emergence.”
The grassroots movement has no written constitution, but has proven to be self-legislating when it comes to handling schisms and in-fighting that has periodically surfaced concerning tangent issues. An unwritten code has been almost unanimously accepted. Focus on the issues that Ron Paul is focusing on. Present Ron Paul’s public position papers and debate responses. Don’t get sidetracked on issues he has not specifically addressed.
The Ron Paul Revolution may end up being one of the great contemporary examples of the free market in action. It promotes personal sovereignty, and keeps power concentrated at the local level. It rewards creativity and excellence, and creates stability and diversity in the marketplace.

How A Dark-Horse Can Win The Nomination" de Patrick Buchanan:
.... I seized upon the darkest of dark horses in the Republican column, Cong. Ron Paul of Texas, and sketched out a plan of attack for him. That doesn’t mean I’m for him: It means that pursuing a definite strategy he can come close to winning — and maybe win if fortune smiles. Be­lieve it or not, I’ve heard far and wide from people who say it makes sense. Of course it does! It’s the only way for a candidate with little money who is fighting those with big media budgets.

Ron Paul: “I Believe In National Sovereignty”.
Q: Bear Stearns made an estimate about three years ago that there were 20 million in the country. What would you do with them?

RP: I think when you know where they are, and you know they’re illegal, they should be sent back. Especially if they’re caught in a crime.

I think you have to be realistic. I mean, having an army to go around the country to round them up and put them in trucks and haul them out, that’s not feasible. But certainly if they’re signing up for a benefit, they should be sent back home, instead of given the benefit.

Ron Paul Talks to Gambling911: "The Internet Should Not be Regulated"
“I believe strongly that the internet should not be regulated by the federal government and believes even more strongly that people should be free to engage in the activities they wish, as long as they are willing to take responsibility for their actions.”

Ron Paul - mais audio

Ron Paul campaigning in Seattle:
The Texas congressman told KOMO Radio he stands out from other candidates because he wants to bring troops home from Iraq as soon as possible. He said he would follow the Constitution, "mind our own business and not try to be the policeman of the world."

Ron Paul Interview on LA Talk Radio KFI 640 AM: Ron Paul and the host John Ziegler really get into it in this strange, stimulating interview.

Mike Gallagher interviews Ron Paul

sexta-feira, setembro 14, 2007

Next X Prize

"Next X Prize: $20 Million for Moon Landing" (Discovery News)
Sept. 13, 2007 — Following on its successful $10-million contest for a pair of suborbital spaceflights, the X Prize Foundation is unveiling a new competition for a privately financed jaunt to the moon.

Nota: o orçamento anual da NASA é cerca de 1000 vezes superior. Poderia lançar mil projectos semelhantes. Imagine-se o potencial de apenas dez. E o desperdício monstruoso de nenhum anos a fio.

RSS in Plain English

Para perceber os gráficos ali do lado direito, na secção "Feeds".

Corrente milagrosa da direita (2)

foto retirada daqui

Continuando a dar resposta ao desafio do Rui Albuquerque para enunciar dez características que, em minha opinião, separam e distinguem a nossa direita partidária (PSD e CDS) do PS e do governo, queria continuar a deixar algumas notas sobre a forma como o contexto fundacional dos partidos ditou uma clivagem importante na forma como estes actuam politicamente.

De facto, a fundação do PS, PSD e CDS determinou a existência de partidos que vivem segundo lógicas internas diferentes. Ainda que, como reconhecerei mais tarde, a sua prática política tenda para um consenso social humanista, a verdade é que os seus equilíbrios ideológicos, as suas crises de identidade e as suas formas de responder às dinâmicas internas radicam ainda, e muito, no contexto da sua fundação.

Por isso mesmo, ainda que a sua prática política se desvie do socialismo fundador, o PS não consegue libertar-se, enquanto referencial político e, sobretudo, quando na oposição, do socialismo aprendido na cartilha da Internacional. Não é, por isso, surpresa que, quando no governo, o PS perca tanto tempo em discussões internas sobre o que é o socialismo. O que dele faz um partido com dificuldades de se libertar de uma herança que não quer renegar e com a qual ainda não aprendeu a lidar.

Já o PSD, que na prática actualmente pouco se distingue do PS que temos, sobrevive melhor a este tipo de discussões, tendo por isso, pela sua natureza, um ímpeto mais reformista e menos dogmático. Acontece que, talvez por isso mesmo, o PSD carece de uma liderança que, pela sua marca, ofereça uma natureza e um destino ao partido. Daí que, na ausência de Sá Carneiro e Cavaco Silva, o PSD tenha perdido grande parte do seu tempo em busca de outra liderança providencial, a quem confiará, sem grandes problemas, a tarefa de enformar ideologicamente o partido. A raridade destas lideranças tem permitido, no entanto, que as flutuações no discurso do PSD sejam menos drásticas como as que, por exemplo, acontecem no CDS. As recentes declarações programáticas de Marques Mendes têm, por isso, pouco valor. No dia que um líder carismático assumir o PSD, então sim, saberemos ao certo a que vem o partido.

Finalmente, o CDS vive um conflito ideológico permanente, agravado por uma excessiva entrada do PSD no seu eleitorado tradicional (habitualmente considerado como aquele que foi fixado em 76). Ou seja, a somar ao conflito entre centristas adeptos de um partido de quadros e do arco governativo e direitistas adeptos de um partido ideologicamente bem demarcado vêm juntar-se as mudanças no PSD, que obrigam a uma permanente actualização do discurso do partido, nem sempre aceite pelas bases. Por isso mesmo, o CDS tende a viver num equilíbrio muitas vezes impossível de agradar às duas formas de encarar o partido, tentando com isso não comprometer possíveis entendimentos com o PSD. Tudo isto transforma o CDS num partido ideologicamente muito instável e capaz de propostas contraditórias num curto espaço de tempo.

Pedido pessoal

Peço a quem conheça alguém no ESADE de Barcelona que me contacte para o endereço antoniocostaamaral{a}gmail.com. Quero pedir que me anunciem no boletim de mensagens que estou à procura de gente para partilhar um apartamento que encontrei. Obrigado.

Corrente milagrosa da direita (1)

foto retirada daqui
Pede-me o Rui Albuquerque que enuncie dez características que, em minha opinião, separam e distinguem a nossa direita partidária (PSD e CDS) do PS e do governo.

Atraído por esta irresistível provocação (eu sei bem onde queres chegar, sei!) dei por mim a reunir alguns dos traços que distinguem o PS do PSD e do CDS. Aqui vão, em traços gerais, e em capítulos, sob pena de nunca mais responder e deixar a corrente quebrar-se contra vontade.

A Fundação: Os três partidos foram fundados em contextos muito diferentes, algo que lhes marcaria o futuro de uma forma relevante. O PS, nascido na clandestinidade, ainda hoje sofre os complexos de esquerda que Argel impôs; o PSD, nascido única e exclusivamente sob o ímpeto reformista de um homem, ainda hoje ostenta as dificuldades de demarcação do socialismo do PS e a desesperada vontade de encontrar, de novo e pela terceira vez, o homem providencial; o CDS, nascido por pressões externas que pouco se sintonizavam com as bases sem partido, ainda hoje não se desembaraçou do constante desfazimento entre dirigentes e bases, políticas nacionais e políticas locais.

quinta-feira, setembro 13, 2007

Socolari

foto roubada ao Zero de Conduta

Ao Seleccionador Nacional deve aplicar-se exactamente a mesma sanção que se aplica a qualquer jogador que se preste àqueles preparos, ainda com mais vigor, que os jogadores são os actores da coisa. Pela UEFA ou por quem de direito. No mínimo, claro, que há coisas que não se podem ficar pelos mínimos.

Flat Rate


O que pensa sobre a flat rate? é o tema da semana no site do CDS. Filipa Correia Pinto, dirigente nacional do CDS dá o mote, com o qual estou aliás integralmente de acordo:

Os sistemas fiscais dos países que adoptaram a “flat rate” são impressionantemente simples e eficazes: tributando os rendimentos superiores a determinado limite – limite, esse, naturalmente variável em função da composição do agregado familiar – sempre à mesma taxa, mantêm a progressividade do imposto, já que a taxa média aumenta à medida que aumentam os rendimentos.


As opiniões podem ser emitidas aqui.

Simcity Baixa Chiado (3)

Maria José Nogueira Pinto volta à carga com a sua ideia de Chinatown, o tal bairro que vai permitir a requalificação da Baixa, uma vez que a sua primeira prioridade é acabar com as lojas chineses por aquelas paragens. Claro que, não podendo repetir o tom e a motivação que encontrou na sua entrevista ao Expresso, os argumentos trazem agora algumas novidades, todas elas do mesmo calibre.

Curioso é, para começar, que mantenha essa ideia de afastar as lojas chinesas da Baixa mesmo depois de expressamente reconhecer a importância que estas vêm desempenhando na vida das pessoas, por mérito próprio e por absoluto e incompetente demérito do comércio tradicional, o tal que é compatível com a Baixa, mesmo que os serviços por este prestados sejam de uma putrefacção atroz.

E curioso é, também, que Maria José Nogueira Pinto acuse aqueles que querem deixar o mercado funcionar de apostarem numa substituição do comércio tradicional pelas lojas chinesas:

Na sua lógica pura, um defensor acérrimo do mercado apostará na progressiva substituição de todo este comércio por simpáticas e prestáveis lojas chinesas. Mas será essa situação desejável? Claro que não. E será justo em termos de concorrência? Decerto que não. E há algum mercado que dispense um regulador? Não creio.



Que eu tenha reparado, ninguém defendeu isso, até porque as opções de comércio não se limitam ao comércio tradicional que se está nas tintas para o consumidor e as lojas chinesas. Aquilo que se defende, pelo contrário, é que seja o consumidor a determinar o que quer e quando quer, o que obrigaria, num país que não tivesse leis socialistas e proteccionistas, à modernização do comércio tradicional.

É precisamente por pulularem ideias como as de Maria José Nogueira Pinto que actualmente, na Baixa, só há lojas chinesas e comércio da treta. Ora, se o erro crasso que ali se cometeu foi sempre o de proteger aqueles que prestam mau serviço, em nome da tal Baixa de cores e sabores e vivências, não seria melhor tentar corrigir esse erro em vez de, ao invés, o agravar ainda mais, eliminando o único comércio que, como se reconhece, ainda faz algo pelo consumidor?

Além disso, que eu igualmente tenha reparado, ninguém mandatou Maria José Nogueira Pinto para determinar, numa assentada, se é ou não desejável ter lojas chinesas, e quantas, num bairro específico da cidade. Muito menos se lhe reconhecem motivações para vir argumentar com a livre concorrência quando, está visto, confunde concorrência com quotas de mercado iguais para todos, para os bons e para os maus.

Que a CML queira requalificar a Baixa, é uma coisa. Que o queira fazer multiplicando-se em intervencionismos, será um tremendo erro. Porque tais intervencionismos se destinam, afinal de contas, a tentar corrigir os erros e desvios provocados por intervencionismos anteriores. E entramos numa roda viva de intervenções que, cedo ou tarde, arrasarão com qualquer Baixa.

quarta-feira, setembro 12, 2007

AA - Autoridade Autoritária

Acusamos aqui o toque do Paulo Gorjão, porque é um facto que não tivemos ainda ocasião de mostrar, uma vez mais, o nosso repúdio pela actuação da ASAE, que já uma vez o AA comparou (e muito bem) à Gestapo. É absolutamente inaceitável que uma autoridade de objecto bem restrito aproveite a complacência geral para resvalar para um autoritarismo pouco próprio de um Estado de Direito. É preciso eventualmente fazer chegar ao Governo a mensagem de que ninguém pediu esta ASAE. E se os consumidores dela não precisam, justo é que não a paguem. A ela e aos seus tiques, que agora até justificam segurança policial...

Simcity Baixa Chiado (2)

Corre por aí o argumento, em abono das teorias de Maria José Nogueira Pinto, que o Estado chinês financia as lojas chinesas de tal sorte que estas proliferam independentemente do mercado.

Não sei se assim é, que já vi várias lojas chinesas fecharem, mas aceito com toda a naturalidade que, como todos os Estados europeus, o chinês dedique parte do seu orçamento em políticas proteccionistas dos seus produtos.

Por isso mesmo é que estranho que, durante anos a fio, os mesmos que agora aplaudem a ex-vereadora nunca se tivessem lembrado de exigir boicotes, por exemplo, às frutas e aos legumes estrangeiros, que chegam até nós embrulhados em subsídios atrás de subsídios.

Por outro lado, digo eu, seria importante saber afinal de contas quanto de renda pagam os comerciantes da Baixa. Não que a resposta não se insinue já, sabendo nós a bela lei de arrendamento que temos, mas apenas para que fique escancarado que, também nós, contribuintes portugueses, andamos a subsidiar o comércio que por lá anda.

terça-feira, setembro 11, 2007

Inside 9/11


Michael Scheuer on "Inside 9/11"

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Michael Scheuer Mentioned in Bin Laden Tape FOX News

Heart of Darkness

Via Acton, "Europe's Heart of Darkness" de Joseph Puder no FrontPageMagazine:
Europe it seems, has bought into Voltaire’s reasoning, and although the Europeans have accepted democracy, they have replaced the notion of the Voltaire’s “absolutist ruler” with the rule of the (welfare) State, and substituted “fundamentalist secularism” for Christianity and God.
After almost a century of reign by the welfare state, Europeans have grown totally dependent on the state, and lost their ability to take their destiny in their own hands. The nation states of Europe are simultaneously being undermined by the European Union.

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.... the European public is still addicted to the existing system. Sarkosy and Merkel seek to reform the welfare state in order to save it, rather than eliminate it altogether.
.... The American Revolution of 1776 was a direct challenge to European absolutism. American individualism was grounded in freedom and the ability to forge ones own destiny. Although the American Revolution gave impetus to the French Revolution of 1789, in Europe these revolutions served to replace one set of absolutists with another.
.... And since then they have increasingly relied on the state to direct their lives. The state has become the source of order, legitimacy, and authority. And the state has since 1957 evolved into a super-state known as the European Union.

Simcity Baixa Chiado


O Plano Baixa-Chiado não passa, afinal, como aqui no A Arte da Fuga já vinhamos dizendo (1, 2 e 3), de uma espécie de Simcity privativo da Câmara que estiver em funções. Passa-se com este plano e com esta vereação, como se poderia passar com qualquer outro plano e qualquer outra vereação deste nosso Portugal Social: a tentação de olhar para as cidades como um jogo em que a vontade soberana da autarquia vale tudo.

E o tudo inclui, por exemplo e neste caso, travar a proliferação das lojas chinesas, porque se continuam naquele território, nunca mais vai ser possível deitar mão ao pequeno comércio (Maria José Nogueira Pinto ao Expresso). E porquê? Porque a vontade soberana da autarquia parece entender, com base em nada, que as lojas chinesas estão a dar cabo do comércio da cidade (Maria José Nogueira Pinto ao Expresso).

O ideal seria mesmo, continuando esta senda de Simcity, encafuar as lojas chinesas numa «Chinatown» que, claro, a vontade soberana da autarquia até já sabe onde pode ser: ali na selecta zona entre o Martim Moniz e os Anjos. Não sendo assim, a autarquia pode decidir mas é proibir a abertura de novos estabelecimentos chineses na Baixa-Chiado. Pois que a Câmara é que dá a licença, pode dizer que a quota de lojas chinesas neste espaço está esgotada (Maria José Nogueira Pinto ao Expresso). E assim, num assomo de estatismo intolerável, temos quotas de nacionalidades na atribuição de licenças. Para quando, agora já, uma quota para ucranianos ou moldavos, mulheres e homens, jovens e menos novos, tudo em nome da higiénica diversidade equilibrada?

Não se sabe de que é que estão a dar cabo as lojas chinesas. E não se percebe o porquê de estar apenas a dar cabo da Baixa Chiado. Talvez, penso eu de que, o que as lojas chinesas estão a fazer é, precisamente o oposto: despertar os comerciantes locais para a necessidade de adaptarem os seus horários aos da população, em vez de se fazerem valer de regulamentos e leis para manter fechados todos os estabelecimentos com eles concorrentes.

Por isso, o pior que poderia fazer-se era, precisamente, fechar as únicas lojas que actualmente conseguem servir o seu cliente a qualquer hora de qualquer dia para proteger aquelas que verdadeiramente nas tintas se estão para os clientes.

Citação de arremesso

Thought does not bow to authority.

Ayn Rand

segunda-feira, setembro 10, 2007

Outros tempos

Costumo provocar os meus amigos conservadores, dizendo-lhes que eles estão em constante mudança de opinião. Não se trata de um defeito, sequer de uma postura intencional, mas antes, assim penso, uma permanente adaptação à realidade que os vai (con)vencendo.

É com frequência que os confronto com posições dogmáticas emitidas há menos de 10 anos e que hoje, até para os próprios, parecem provindas de obscuros tempos. Costumo até compará-los aos os comunistas para quem qualquer revisão constitucional torna a CRP inaceitável até… à próxima revisão.

Lembrei-me dessas provocações hoje, quando revi umas imagens de 1996, tempo em que Herman José emitia uma rábula na RTP em que parodiava a Última Ceia. Reacções houve, claro, para todos os gostos, invocando que a liberdade de expressão não estava isenta de limites, um deles, precisamente, a fé dos católicos.

De entre essas reacções, alguém com responsabilidades políticas disse o seguinte:

Vejo com preocupação que num canal com serviço público se encontrem mensagens que podem ser consideradas ofensivas de valores partilhados pela maioria dos portugueses e também ofensivas de instituições particularmente relevantes como a Igreja Católica.

Esta vontade de instrumentalização da RTP, com pretexto nas ofensas a valores da maioria, tão natural como inevitável, foi emitida por quem? Descubram n'A Ilusão da Visão. E será que o próprio as manteria hoje, acaso os Gatos Fedorentos se lembrassem de igual rábula (se é que não se lembraram já...)?

Pode curar-se o mal com a doença?

Foi finalmente publicado o diploma que prevê mais prestações pecuniárias em benefício da natalidade. Não se sabe para quê, já que ninguém acredita que mais uns 30 ou 40 contos possam influir um milímetro que seja na decisão de ter ou não ter um filho.

Ainda assim, cabe perguntar o que leva o governo socialista a meter-se neste assunto? Para que precisamos de mais portugueses (sim, é de portugueses que falamos, que a crise demográfica, à escala global, não existe)?

A resposta é simples. O Governo tenta desesperadamente, como aliás outros o fizeram, encontrar forma de salvar o Estado Social que, por entre outras dezenas de razões, não conseguirá resistir num panorama de crise demográfica.

O que move o Governo não é, portanto, qualquer (e errada) tendência de conformação de uma sociedade etariamente equilibrada, mas tão somente a necessidade de garantir a subsistência de algo que falido já está. É preciso jovens para manter a carga fiscal existente e suportar as despesas públicas, assim como jovens são precisos para garantir as pensões daqueles que actualmente ainda trabalham.

E tanto assim é que, ao invés de abolir todas as regras estadualmente criadas e que de facto dificultam a decisão de ter um filho, o Estado preferiu distribuir dinheiro. Precisamente porque essas regras são nem mais nem menos do que a própria base do Estado Social. Vá-se lá explicar que a legislação laboral proteccionista da mulher é um dos maiores inimigos da maternidade. Ou que a carga fiscal existente desaconselha planos de futuro a longo prazo.

Não se metesse tanto o Estado na vida das pessoas e talvez estas ponderassem, no contexto dos tempos que vivemos - e que são, por si pouco propícios à natalidade - ter mais filhos do que aqueles que actualmente têm.

Ainda assim, a crise da natalidade nacional veio para ficar, fruto de um contexto civilizacional que a favorece. Melhor seria, por isso e por exemplo, que o Estado atenuasse os problemas por esta causados, reformando a Segurança Social...

Momento Intimista do Dia

São cinco da tarde em Lisboa, num Setembro por estrear, e o Inverno parece indiferente ao calendário. Gostaria que o Inverno fosse sempre assim. Com sabor a calor.

bê-á-bá (2)

sexta-feira, setembro 07, 2007

Momento Intimista do Dia (ou Os Livros que não Mudaram a Minha Vida)

Durante anos angustiei-me com a capacidade de me movimentar entre pólos opostos, embora não tão opostos que se atraíssem irremediavelmente. Não que essa capacidade não oferecesse, afinal de contas, uma latitude que se agradece, mas simplesmente porque me impediu – e tem impedido - de sentir pertença a um grupo, a uma geração ou sequer a um movimento.

Foi tudo sempre tão antagónico nos meus gostos e nos meus humores que, não só por mim, mas pelos outros, me afastei de rótulos e catálogos, mesmo quando a adolescência deles precisa com desespero. Situação que dura até hoje e que se espalha até, como alguns perceberão, às minhas convicções e posições políticas.

Era demasiado menino para os amigos com quem partilhava gostos literários ou cinéfilos, uma espécie de queque afectado, tolerado com a complacência de quem se sente iluminado e superior. Com eles não conseguia uma qualquer identificação política, que tinha de procurar noutros lugares, onde se devoravam os livros de Ciência Política de Freitas do Amaral e se olhava com desconfiança para a especial relação com o catolicismo do Graham Greene, que eu trazia debaixo do braço e que não me custava a entender ou a aceitar.

Politicamente, nos meus primeiros tempos de Juventude Centrista, era o comunista de serviço (vá lá, que liberalismo entrou já no léxico), que não alinhava no conservadorismo beato que então ali dominava, sem que pudesse alguma vez encontrar conforto num socialismo, mesmo que católico, demasiado colectivista para tanto individualismo guardado em mim.

A minha relação com a literatura, e também com o cinema, encontra alguma explicação nesta minha eterna peregrinação. Cedo compreendi, ou pelo menos criei essa convicção, de que a minha identificação com alguém, a minha colagem a um outro, só poderia ser encontrada fora da realidade, em personagens ou situações localizadas num outro plano. Talvez por isso, por exemplo, goste tanto de Agustina, daquelas pessoas que ela inventa e que manifestamente não existem nem podem existir. Alguma delas, alguma vez, serei eu. E nesse dia terminará a solidão.

Tudo isto para responder à pergunta do Pedro Correia, do Corta-Fitas, que me pede dez obras literárias que não mudaram a minha vida: nenhum dos livros que li me mudou a vida. Nunca neles encontrei um sentimento de pertença, que não desisti de encontrar. Fui marcado por muitos, alguns deles apenas entenderei mais tarde, mas mudar mudar, daquela mudança que teimo em encontrar, nenhum. Não me entendam mal, que os livros fazem de mim uma pessoa diferente, tantas vezes apontando um caminho ou uma ironia. Mas isso não passa de evolução. Se evoluí com os livros? Muito. Demais até. Mas mudar? Isso nunca.

Bem sei que tenho de passar isto a mais gente, mas a corrente vai longa e perdi a conta a quem já respondeu. Desafio, portanto, a quem nos lê, que nos deixe nos comentários, o que lhe aprouver escrever sobre este assunto. Sobretudo os sortudos que podem hoje dizer que a sua vida, pelo menos por uma vez, mudou.

Duvidosa democracia (3)

O PCP sente-se à vontade para, no seu jornal Avante, denunciar "sinais de cariz fascizante" do Governo, o que não vai para menos do que considerar aquele grupo de pessoas que nos governa como proto-fascistas.

Mas depois, quando confrontado com o convite ao partido comunista colombiano, braço político das FARC, considerou a polémica como "uma parvoíce".

Enfim, as parvoíces podem ser lidas no DN.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Ron Paul - mais video


"Ron Paul : When in the course of human events..."

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"Ron Paul Interview on Free Minds TV"


Ron Paul em Fort Worth


"Ron Paul: Economic Scholar v2"


Jacksonville Paint The Town RON"


"All-America Walk in Support of the Ron Paul Freedom Message"

A reforma da Administração (3)

Bem sei que a imposição legislativa da responsabilidade da Administração não é uma panaceia que tudo vai resolver. Afinal de contas, sou o primeiro a considerar que os funcionários públicos são homens como nós, sujeitos a tantos condicionamentos que neles não encontro o primus inter pares capaz de decidir com imparcialidade.

Escrevi aliás um artigo na Atlântico sobre este assunto: “A Reforma da Administração Pública segundo Miss Marple”, cujas primeiras linhas podem ser lidas aqui.

Mas também sei que enquanto os prejuízos ou lesões causados aos particulares não estiverem presentes na tomada de decisão, não há códigos ou leis que nos valham dos vícios formados na nossa Administração. E a última coisa que se deveria esperar do Presidente da República era que viesse dizer que "uma alteração desta magnitude implica, naturalmente, um acréscimo significativo das despesas do Estado, em montantes que não é possível quantificar ou prever, e irá ter, por certo, um impacto muito profundo ao nível do funcionamento dos tribunais e dos serviços públicos em geral".

De facto, os cidadãos não são responsáveis pela esmagadora maioria de despesas inúteis feitas pelo Estado. Nem responsáveis são pelo miserável estado dos nossos tribunais. Era, pois, o que mais faltava, que estes argumentos servissem para privar os cidadãos daquilo que é de elementar justiça: reparação pelo mal que o Estado lhes fez.

Mas nem é tanto essa a minha questão, embora ela demonstre, afinal, por que é tão árdua a reforma da Administração Pública em Portugal, a que até o Presidente parece resistir (ele foi, aliás, significativa parte do problema, nos seus tempos de governação).

Parece-me é de todo dispensável que perante uma tão significativa mudança de paradigma, o Presidente prefira vetar o diploma com base em argumentos que de todo são secundários para o objectivo do mesmo. E convenhamos, se em vez de dizer o que disse, o Presidente viesse antes exortar o Parlamento a cuidar, de imediato, da reforma do sistema judicial para o efeito de aplicação da lei?

A reforma da Administração (2)

Sucessivas reformas orgânicas e as novas formulações procedimentais e processuais têm permitido suporte bastante para uma Administração qualificada (veja-se o recente caso da excelente classificação portuguesa no estudo comparativo sobre Administração on-line).

Acontece que os comportamentos da Administração não mudam por decreto. As melhores leis e as melhores reformas esbarram sempre nos rituais arreigados, nas chefias adormecidas, no laxismo premiado. Daí que, precisamente, não pode descurar-se a reforma das carreiras e da avaliação da Administração. Mas até essa, tantas vezes tentada, esbarra numa espécie de inevitabilidade pouco conforme num Estado de Direito. Andamos há anos a tentar reformar algo que sistematicamente se tem oposto à reforma.

Assim sendo, é finalmente tempo de adicionar um novo componente à reforma da Administração Pública: a da responsabilização do Estado e dos seus agentes, pelos danos que causa ou possa causar aos cidadãos. É neste prisma, e não noutro (como o da torneira aberta para os cidadãos extorquirem dinheiro do Estado), que tem de ser encarada a responsabilidade civil extracontratual do Estado.

Ela serve, isso sim, como factor de ponderação da tomada de decisão administrativa, obrigando o agente a atentar nas consequências da sua decisão (ou não decisão, assim se impedindo os vetos de gaveta) e a estruturar o seu trabalho em prol da melhor e justa decisão e não da mais cómoda ou menos trabalhosa decisão.

A reforma da Administração (1)

O Presidente da República decidiu, como já aqui se referiu, vetar o diploma da responsabilidade extracontratual do Estado. Tratou-se essencialmente de um veto político (que pode ser lido aqui), que portanto parece excluir questões de constitucionalidade, circunscrevendo assim a questão à oportunidade e conveniência das soluções legislativas propostas (não pretendo agora analisar da oportunidade de vetos presidenciais a diplomas previstos no Programa de Governo e aprovados por unanimidade na AR, embora seja um assunto a merecer atenção).

Uma leitura do diploma em questão permite, de facto, atentar em vários aspectos inovadores que alteram por completo o paradigma de actuação da Administração Pública. Em alguns casos, concordo, as opções legislativas poderiam ser mais restritivas, para começo de mudança, como aliás o eram na proposta que Celeste Cardona então trabalhou.

Mas a questão de fundo não pode ser obliterada, e é essa a que o Nuno Pombo parece referir-se no seu post no Incontinentes Verbais: deve sujeitar-se, no presente, a Administração Pública a um regime de responsabilidade civil extra-contratual que assente essencialmente na reparação pecuniária?

O Nuno, se bem o leio, não se opõe a tal sujeição. Entende, no entanto, que não está a Administração Pública ainda dotada dos instrumentos e da disciplina necessários para, preventiva e não patologicamente, conseguir modelar a sua actuação num sentido acertado e rigoroso. De certa forma, o diploma vetado precipita uma evolução que carece ainda de passos intermédios.

Temos aqui, de facto, uma divergência de fundo. Entendo que Administração Pública portuguesa está actualmente modelada, quer orgânica quer legislativamente, no sentido da tomada de decisões participadas e legalmente conformes.

quarta-feira, setembro 05, 2007

O CDS e as taxas de juro

O CDS decidiu lançar, no seu site, um espaço de debate sobre as várias posições que o partido vai tomando. É um óptimo pretexto para quem, como eu, faz parte do CDS e algumas vezes discorde das suas posições, possa contribuir para corrigir aquilo que, em minha opinião, carece de reformulação.

Mas é, também e sobretudo, um óptimo pretexto para todos aqueles que, à direita ou à esquerda, se interessam pela tomada de posições políticas, poderem influenciar a tomada de posições do CDS ou, de certa forma, darem conta do seu impacto na opinião pública.

O primeiro tema diz respeito às taxas de juro, e é lançado pelo deputado Diogo Feyo:

As famílias portuguesas têm sofrido, no último ano, o efeito das decisões do Banco Central Europeu quanto às taxas de juro. (…) Aproxima-se a data de mais uma decisão do Banco Central Europeu. Será possível aos Estados alguma tomada de posição? Qual o relevo das tomadas de posição por parte dos políticos nacionais?
(…) E o que dizer da política fiscal que depende de opções estritamente nacionais. A dedução à colecta que está prevista no nosso Código do IRS para os juros e amortizações de dívidas contraídas para aquisição de imóveis para habitação apenas permite retirar, por ano, 574 euros ao impostos pagar ao Estado. É obrigação do Estado discutir essa matéria, de forma a pensar na possibilidade de responsavelmente aumentar esse limite.
Deixo aqui, aquilo que lá tive oportunidade de escrever:

Há que ter algum cuidado com manobras artificiais das taxas de juro. Ou seja, importa primeiro cuidar de saber se as taxas de juro actualmente existentes têm suporte técnico ou se, ao invés, estão completamente desadaptadas da realidade económica. Apenas neste caso, penso eu, deve defender-se uma qualquer política
de alteração das mesmas. No que respeita dedução colecta, é importante não descurar os efeitos que tal medida pode ter no já perigoso e assustador endividamento das famílias. Todo e qualquer arranjo que, de alguma forma, possa incitar as famlias a gastar, deve ser ponderado e reponderado.

Independências

Azeredo Lopes, presidente da excelsa ERC, disse o óbvio numa entrevista a Mário Crespo na SIC Notícias: o conceito de “independência” é tão fluido que, quando referido por uns e outros, vai ganhando contornos diversos.

Não explicou, claro, por que razão, assim sendo – e é – pode sentir-se confortável a presidir a um organismo que se sente no direito e dever de atestar da independência dos órgãos de comunicação social.

Síndrome de Estocolmo

A propósito do que se escreve ali no 31 da Armada sobre Pacheco Pereira, gostaria de aproveitar o ensejo para, com timidez é certo, e sem ironia (apesar de não parecer), manifestar a minha admiração pelo autor do Abrupto, que leio e escuto sempre com atenção e admiração. É mais forte do que eu, que as admirações não se escolhem, apenas se insinuam.

Bem sei que, para o José Pacheco Pereira, eu não devo passar de um seguidista tonto, delegado de Paulo Portas na blogosfera, servo da conspiração portista que procura ocupar o Estado com o único fito de colocar luzes de neon a piscar "Portas, Portas" em todos os prédios deste país. Para José Pacheco Pereira, a minha formação política resume-se a ler todas as edições de O Independente e a minha capacidade intelectual e cultural deve estar reduzida à de um galgo, que corre a mando do seu dono, atrás de uma raposa qualquer. Na sua escala de consideração, eu devo roçar a de uma barata, daquelas bem pequenas mas não menos asquerosas, que aparecem nas casas bolorentas, sem frescura.

José Pacheco Pereira está enganado, penso eu de que. Mas eu também me engano tantas vezes e nem por isso deixo de gostar de mim e, mais do isso, a ter-me em alguma conta. Perdoo-lhe o mal que me faz, pelo bem que me sabe, como dizia a minha Bisavó sempre que mordiscava um chocolate.

terça-feira, setembro 04, 2007

fazem muito barulho

"Mais professores da Rititi:
Que a vida é puta já todos sabíamos, mas ver manifestações de "coitadismo" dia sim e dia também só porque nada é garantido, já chateia. A sério que percebo a indignação de tantos bons profissionais, mas gostaria que tentassem ver como é a vida dos outros que não é que "fiquem de fora" é que nem sequer conseguem arranjar trabalho.

I ain’t sayin’

Conversa de Café

- Não suporto hipócritas, sempre de apito na mão a policiar a moralidade alheia e, afinal, tão cheios de gavetas trancadas.
- Mas sabes que a hipocrisia é o maior e mais eficaz cimento social. Sem ela, provavelmente, a sociedade ruiria e não haveria paz social.
- Acredito. Ainda assim, o que colectivamente os transforma em beneméritos da paz social não apaga o facto de os hipócritas serem, individualmente considerados - e na minha opinião - , pessoas asquerosas. E quer-me parecer, assim de repente, que no dia do juízo final, é o individuo em si mesmo que vai ser considerado.

Duvidosa democracia (2)

Vale a pena passar pelo Kontratempos para podermos ter alguma ideia do impacto blogosférico que a tradicional presença das FARC na Festa do Avante vem causanndo. Impacto esse que contrasta com o silêncio ensurdecedor de todos quantos, neste país, têm obrigação de velar pelo cumprimento da lei e da ordem, por um lado, e de todos aqueles que andam com o credo da democracia e do regular funcionamento das instituições democráticas na boca.

Não se entende, nem sequer pode aceitar-se, que não tenha existido ainda uma qualquer tomada de posição sobre esta afronta sistemática que, na nossa cara, com ar de gozo, o PCP inflige com rigor e vontade. Não é erro, não é acaso, não é um azar. É vontade do PCP trazer gentalha terrorista para uma festa onde estes possam ser exibidos, saudados, acomodados e incitados.

E assim andamos, neste nosso país. Se somos incapazes de deter vândalos que destroem, nas barbas da GNR, propriedade e trabalho alheio, como é que poderíamos ser capazes de dar conta de terroristas?

Mais uma oportunidade perdida

Leio no Bloguítica, que remete para o Jornal de Notícias, que Cavaco Silva poderá ter que se ver a braços com uma confirmação pela Assembleia da República do regime de responsabilidade civil extracontratual do Estado.

O Paulo Gorjão refere - e quanto a mim, bem - que tal possibilidade é improvável, porque comportaria, da parte do Governo, uma atitude de confronto e de ruptura que José Sócrates não tem, por ora, interesse em tomar.

Este é, precisamente, um dos dramas do nosso sistema semi-presidencial, que em certos casos se torna verdadeiramente bicéfalo. No caso, temos uma oportunidade perdida de dotar o país de algo que qualquer Estado de Direito deveria ambicionar: um regime justo e equilibrado de responsabilidade do Estado pelos danos e prejuízos que causa ou pode causar. Algo que todos os Governos vêm prometendo e, tanto quanto se sabe, em nada prejudicaria a sanidade das nossas instituições nem provocaria qualquer tipo de choque que pudesse alimentar uma preocupação pressurosa do Presidente da República.

Assim sendo, o que se espera das oposições, sobretudo das que não estão ligadas umbilicalmente ao Presidente, como o PSD, é que forcem o Governo a tomar uma posição de recuo, evidenciando até que ponto o próprio Governo volta atrás.

Coisas da vida

Todos os anos, professores aparecem na televisão a dizer que não foram colocados, que vivem mal, que estão sem trabalho, que não conseguem arranjar sustento. Todos os anos, o seu maior empregador, o Estado, informa-os de que não há lugar para todos, que muitos têm de ficar de fora e que eventualmente alguns nem sequer chegarão a cheirar uma sala de aulas.

Apesar disso, todos os anos milhares de alunos entram em cursos superiores vocacionados para o ensino ou cuja grande (ou única) saída profissional se afigura ser apenas o ensino. Para esses, que se supõe estarem atentos aos que os rodeia, nada mais poderemos ter do que um encolher de ombros. São os primeiros a borrifar no seu futuro.

Momento Intimista do Dia

Até onde vamos, sem saber, para nos esconder das falhas ou dos pesadelos, para nos afastar do que não queremos saber ou ser, para nos apagar da nossa marca ou história?

Assusta-me pensar que o meu corpo ou a minha alma (seja lá o que isso for) estejam dotados de uma qualquer autonomia que lhes permita fazer escolhas sem a minha autorização. Ou melhor, sem o meu conhecimento. Se apago algo de mim, se quero esquecer o que fiz, se quero esconder os meus actos, gosto de saber que tais atitudes são produto da minha vontade e não de uma qualquer programação mental que, sem avisar, trata do assunto.

Vem isto a propósito do Mysterious Skin, de Greg Araki, que vi recentemente. A pretexto de uma notável composição da pedofilia (uma abordagem seca, rigorosa, sem juízos morais, capaz de oferecer a cada um a sua própria visão), o filme ofereceu-me uma história que, impressivamente, serve de suporte ou ilustração a estes receios que há muito me acompanham. Acho que nunca consegui verbalizá-los muito bem e, de certa forma, na minha tortuosa mente, acabavam sempre por ficar associados à velhice (e ao meu temor da dita) como já aqui tinha tentado fazer:
Um dia, num meio dia qualquer, vou saber que me esqueci de algo. Primeiro, de um lugar sem importância. Depois, de uma hora, de uma vontade e até de uma fotografia, que fica para sempre num bolso sem valor. Até chegar aos nomes e às palavras que escolhi para me lembrar de quem gosto. Sei que não vou somar tantas falhas, esquecendo-me eventualmente de todas elas, uma e outra vez. Porque sim, que ainda há coisas que escondemos de nós próprios. Para me descansar, passarei em revista os rios e os reis de Portugal, sem esquecer regentes e afluentes. Mas até esses falharão, sempre com razão. O calor, a indisposição, o cansaço, o tempo, os nervos. Escondo de mim próprio e sei que outros farão o mesmo, para que eu não saiba não saber. Quando forem falhas demais, quando as palavras forem demais, já não sei nem estou. Já trocarei o tempo e o lugar, suspenso numa teia com outras presas surpresas que só temem o novelo que lhes enrola o corpo e desconhecem a ameaça da aranha.