sexta-feira, Novembro 30, 2007

Momento Intimista do Dia

Sou daqueles pobres espíritos que se deixam levar por celebrações e que aderem, sem reservas de maior, a todo e qualquer pretexto que permita erguer os copos e rir e gostar. Não quero saber se o pretexto me chega por materialismo, consumismo, americanismo ou outra coisa qualquer. Nem estou propriamente interessado em ser confrontado com o evidente facto, nunca por mim negado, que a vida se celebra diariamente e não por recurso a pretextos.

Gosto, por isso, de fazer anos. Como gosto do Natal e da Restauração e do Dia dos Namorados e do Pai e da Mãe e da Criança. Mas gosto particularmente de fazer anos, ao jeito muito Lili Caneças de estar vivo é o contrário de estar morto.

Desde a meia-noite de vinte e nove à meia-noite de trinta, estou em permanente felicidade. Não sei explicar de onde me vem isto e não me parece que seja a inconsciência da idade já que, convenhamos, os 30 até assustam um bocado embora, verdade seja dita, também seja capaz de passar aí por uns 26.

Serve pois o presente post para agradecer os votos de parabéns dos leitores deste estaminé que me foram chegando por mail, comentário, sms e hi5. Exclui-se deste grupo o António Costa Amaral que olímpica e criminosamente ignorou a minha passagem aos 30!

Metendo o bedelho

Leio no Der Terorist, metendo-me numa conversa alheia, que alguns dinamarqueses foram levados a julgamento por vender t-shirts com as siglas da Frente Popular para Libertação da Palestina e das FARC, organizações que eu considero terroristas sem precisar de confirmar os catálogos internacionais que desfilam as siglas sangrentas.

A questão não pode deixar de surgir: deve alguém ser levado a julgamento por pensar, por aderir teoricamente a uma qualquer causa, por abraçar, no íntimo das suas convicções, uma qualquer causa, por mais sangrenta que seja?

Não posso aceitar que alguém possa ser condenado apenas por pensar ou até por ostentar o seu pensamento, por mais estúpido que ele me pareça, por mais sanguinário que ele me aparente. Coisa diferente é contribuir materialmente para actos que são, em si mesmos, actos criminosos independentemente de a lei os reconhecer ou não como tal. Matar, ocupar, chacinar, financiar…

Portanto, das duas uma, ou aqueles dinamarqueses, de alguma forma, com nexo de causalidade perceptível, contribuíram para actos criminosos (participando ou financiando) ou a coisa não passa de delito de opinião.

quarta-feira, Novembro 28, 2007

Mudanças

O Daniel Oliveira agora está aqui. O link já está devida e atempadamente alterado. O Lóbi do Zé Pedro Costa e Silva também está, já há muito tempo, em nova casa, pelo que com um atraso inexplicável se aproveita o momento para a devida alteração.

Está a ser bom não foi?

Esta indignação com a expulsão de Luisa Mesquita não deixa de ser comovente. De repente, como se esta fosse a primeira, segunda, terceira ou quarta vez que o partido expulsa dirigentes e militantes e funcionários, o PCP é um partido que não merece a nossa democracia e que é indigno e não cumpre com as regras básicas e mais trinta por uma linha.

Passa-lhes depressa esta indignação, já se sabe. Como passaram as outras centenas de indignações que a precederam e que têm permitido que o PCP se sente à mesa da democracia por direito próprio, sem que nenhum dos indignados alguma vez se lembre de lhes recusar a entrada. Há indignados quem com eles se coligam ou negoceiam. E há até, que giro, quem se lembre de os convidar em festejos da democracia e anda de mão dada com eles na rua, cantando e rindo, ao som de pouca indignada música.

Vemo-nos na próxima indignação?

Filhos: liberdade ou privilégio?

No Blasfémias e n'O Insurgente discute-se o papel do Estado nas questões da natalidade. Nem de propósito, o CDS revelou agora as conclusões de um Grupo de Missão de que fiz parte e que se propôs estudar o problema demográfico português e avançar com medidas concretas, exequíveis e eficientes que combatessem o decréscimo da natalidade. O relatório pode ser lido aqui.

Tenho para mim, e foi esse o sentido da minha intervenção no Grupo de Missão em causa, aliás bastante partilhada pelo Grupo, que a decisão de ter um filho se inscreve num irredutível espaço de intimidade dos pais, devendo eles ser livres de escolher ou não ter um filho. Nesta medida, o Estado não é nem pode ser tido nem achado. A ele não lhe cabe aplaudir ou condenar qualquer uma destas decisões.

Por isso, não cabe ao Estado fomentar a natalidade (ou sustê-la). Cabe ao Estado, isso sim, avaliar as suas políticas no sentido de surpreender efeitos extravagantes que, de alguma forma, estejam a limitar esse espaço de liberdade dos pais.

Ora, uma rápida análise de um conjunto de políticas públicas que vão da educação às relações laborais passando pelo enquadramento fiscal permite, desde logo, concluir que o Estado tem vindo a dificultar, de forma muitas vezes sistemática e até inadvertida, a natalidade.

Esse deve ser, por isso, o esforço do Estado no que à natalidade diz respeito, impedindo que gerar um filho seja convertido em privilégio, em vez de andar a distribuir subsídios por cada filho que nasça.

Não se trata de criar nos pais um qualquer direito social à natalidade, como que estando o Estado obrigado a promover todas as condições para que os pais possam ter filhos. Na realidade, tratando-se de uma decisão com tantas variáveis, que é motivada por tão diversos fundamentos, nunca poderia o Estado estar verdadeiramente apto a fazê-lo.

Mas ainda que estivesse, e não está, os pais não são titulares de um direito social à família. São, isso sim, detentores de uma essencial liberdade de constituir família, segundo o suporte que entenderem, sendo de todo em todo intoleráveis ou ilegítimas todas as políticas que resultem numa limitação dessa liberdade.

segunda-feira, Novembro 26, 2007

Pride

A propósito desta triste ideia da Tagus de apelar a um orgulho hetero voltou a questionar-se da pertinência de ostentar um qualquer orgulho motivado pela orientação sexual. Nesse propósito, escreveram-se até coisas muito acertadas, com as quais concordo, acerca da inutilidade desse estilo de orgulho.

Mas já me custa a aceitar que não sejamos todos livres de ostentar orgulho no que nos apetece, respeitando as liberdades dos outros. Era o que mais faltava haver uma listinha de assuntos sobre os quais somos livres de estar orgulhosos. E uma outra para assuntos sobre os quais podemos ser orgulhosos assim assim, com muitos considerandos antes e depois, numa de atenuar a coisa.

Se querem fazer paradas ostentando uma qualquer orientação social, que as façam. E se há uma empresa que acredita que pode vender mais cervejas publicitando um qualquer orgulho hetero, que o faça. Quer-me parecer que, se levada a sério a campanha, vai levar um rombo nas vendas, mas isso é lá com eles e com os criativos maravilha que acreditam mesmo mesmo mesmo que a campanha era genial. Esses também deveriam ser livres de ostentar a sua idiotice em praça pública, estilo "somos parvos mas temos orgulho nisso" ou "gostamos de pensar que temos ideias geniais mas no fundo somos uma espécie de porta".

31

O 31 da Armada está por aí há um ano, espera-se que para ficar, sem necessariamente ter que fundar um PRD. Um grande abraço de parabéns.

As voltas que a vida dá

De acordo com o DN, Vitalino Canas terá dito que o "PS governa à esquerda e de acordo com as possibilidades que tem de governar à esquerda". Mais terá dito que, à "medida que os problemas forem sendo ultrapassados, é claro que a dimensão à esquerda poderá ser mais visível".

A ver se percebo bem a coisa. O PS parece que admite estar a governar à direita. Não é verdade que o esteja, porque tanto quanto se sabe governar mal ainda não é, para os devidos efeitos, governar à direita. Mas admitamos, para facilitar as ideias, que é mesmo verdade que a governação de Sócrates se aproxima mais da direita do que da esquerda.

O que Vitalino Canas veio afirmar é que, no seu entendimento, apenas políticas mais próximas da direita permitem vencer a crise. Crise essa que, uma vez vencida, poderá dar enfim espaço a governação à esquerda. Ficamos pois a saber que, para Vitalino Canas, a direita resolve a crise. Não está nada mal, para começo de conversa.

Ora, se as medidas de direita evitam a crise, presume-se que a esquerda só pode governar em tempos de bonança. O que não estaria mal pensado se, uma vez atingida essa bonança, pudesse a governação de esquerda estendê-la e mantê-la. Mas tendo o PS estado no poder, desde 1995 até 2007, com um breve interregno de 3 anos, tudo leva a crer que a crise que hoje se atravessa lhes deve alguma coisa, senão mesmo a grande parcela de responsabilidade.

Chegamos pois à conclusão de que a governação de direita resolve a crise, enquanto a de esquerda gere a bonança e provoca uma nova crise. Não seria preferível, assim para poupar tempo, o PS assumir-se de direita?

sexta-feira, Novembro 23, 2007

Momento Intimista do Dia

Ontem foi um dia cheio. De trabalho, de telefonemas, de vírgulas. Pouco tempo para postar (mas porque é que sinto esta inapelável necessidade de me justificar?), para cumprir compromissos ou para aceder a convites. Ficou-me a noite, já não no seu princípio, com a Lange em Estrela Solitária (tenho de falar disto, um destes dias) e a confirmação de que os meus amigos conseguiram comprar bilhetes, incluindo o meu, para o concerto desse grande Deus da canção nacional, o José Cid, onde a presença de um jovem CDS será certamente menos surpreendente do que no concerto do Jorge Palma, não é Marta? ;)

Parabéns

O Portugal Contemporâneo está de parabéns pelos seus 2 anos. Um abraço ao Rui, com quem tanto concordo, e ao Pedro, com quem tanto discordo, na esperança de que venham mais anos de actividade.

Parabéns a dobrar vão igualmente para os 4 anos de Causa Nossa, mantido sobretudo por Vital Moreira, de quem quase só discordo, e por Ana Gomes, que não deixa nunca, pese as nossas exuberantes diferenças, de me despertar um imenso respeito.

quinta-feira, Novembro 22, 2007

Sobre Chávez

É a revolução, estupidos por Tiago Barbosa Ribeiro no Kontratempos:

Há pois que arrumar a complexidade do mundo e depressa, porque o PCP e a CGTP asseguram que desta é mesmo de vez. E se não for alguém há-de passar uma borracha e avançar para outro viveiro redentor, sem olhar a custos. Lembram-se? Angola, Afeganistão, Albânia, Alemanha Oriental, Arménia, Azerbaijão, Bielorússia, Bulgária, Cambodja, Cazaquistão, Checoslováquia, China, Congo, Coreia do Norte, Cuba, Eslovénia, Eslováquia, Estónia, Etiópia, Geórgia, Hungria, Iémen, Jugoslávia, Laos, Letónia, Líbia, Lituânia, Moçambique, Moldávia, Mongólia, Polónia, Quirgistão, Roménia, Rússia, Sudão, Tajiquistão, Turquemenistão, Ucrânia, Uzbequistão e Vietname. Todos explicaram aos seus cidadãos o que os seus cidadãos (ah, estúpidos) nunca quiseram compreender. E não foi por falta de balas e celas e palavras clandestinas. Mas a Venezuela não: tem tudo para dar certo. Portanto, abaixo os sindicatos e adelante. Até à próxima vez. E à seguinte. E à seguinte.

A propósito, o que aqui já deixei uma vez escrito, também sobre Chávez:

O que aconteceu com Chavez estava à vista de todos aqueles que, gostando ou não, acreditam no poder da História. E a História demonstra, ou melhor, tem demonstrado, que regimes que se fundam e perseguem apenas a igualdade dão nisto. Em ditaduras, em violações da liberdade, em perseguições políticas, em autoritarismos, em megalomanias. E quando não dão directamente nisto, dão numa pobreza tal, que vão parar a isto. De cada vez que alguém se abeira de um projecto igualitário, existe uma tendência natural em muitos para esperar que, desta vez, resulte. Falhou sempre alguma coisa nos outros. Neste pode não falhar. Acontece que, nesses projectos, não falhou apenas o homem que os conduziu. Não falharam por erro de casting. É a própria coisa em si que não sobrevive à humanidade que temos, especialmente porque, e não espero aqui consenso, a igualdade tão desejada não é natural e só coercivamente pode ser tentada.

quarta-feira, Novembro 21, 2007

A mulher mais bonita do Mundo regressa amanhã às salas


Nó cego

O Bloco de Esquerda está muito empenhado em demonstrar, contra todas as evidências por si lançadas na da campanha, que José Sá Fernandes é mesmo um vereador independente eleito nas suas listas. Mas, com tanto labor, acabará por precipitar a chegada do dia em que acabará por perceber que, afinal de contas, o único enganado nesta história não foi o eleitorado, que o Bloco julgou levar na certa, mas o próprio Bloco, que acreditou alguma vez que José Sá Fernandes não tinha ao que vinha.

Concordo, por isso, com o "nó cego" de que fala Tomás Vasques no seu Hoje há Conquilhas, Amanhã não Sabemos:
Não me surpreende se Sá Fernandes concorrer nas próximas eleições autárquicas como vereador «independente» na lista de candidatos do PS. E, aí, se revelará o objectivo de António Costa ao engendrar esta «coligação». Até lá é necessário «fazer» um percursor. António Costa e Sá Fernandes deram um nó cego ao Bloco em Lisboa.

O primeiro aquecimento global

De acordo com o Público, a OMS e o ONUSIDA reavaliaram as estimativas do número de pessoas que vivem com HIV, reduzindo-o de 39,5 milhões em 2006 para 33,2 milhões em 2007. Queda essa que não tem propriamente que ver com o tratamento ou prevenção da doença mas, isso sim, com as alterações à metodologia utilizada para obter essas estimativas, e que eram, até ao presente, bastante exageradas e tendentes à mitologia.

De acordo com o Washington Post, as estimativas agora apuradas são ainda, apesar de tudo, bastante exageradas:
Having millions fewer people with a lethal contagious disease is good news. Some researchers, however, contend that persistent overestimates in the widely quoted U.N. reports have long skewed funding decisions and obscured potential lessons about how to slow the spread of HIV. Critics have also said that U.N. officials overstated the extent of the epidemic to help gather political and financial support for combating AIDS. "There was a tendency toward alarmism, and that fit perhaps a certain fund-raising agenda," said Helen Epstein, author of "The Invisible Cure: Africa, the West, and the Fight Against AIDS." "I hope these new numbers will help refocus the response in a more pragmatic way."

Este estilo de alarmismos, assentes em estatísticas afinal mal apuradas, não vos faz lembrar nada?###

Importa deixar aqui devidamente esclarecido que este post não tem, sequer por um segundo, intenção de desvalorizar uma doença ou a importância do seu tratamento e prevenção. Nem sequer procura, nem de longe, insinuar que a SIDA é uma doença de expressão insignificante.

Apenas procura, isso sim, como termina Helen Epstein, chamar a atenção para o facto de qualquer doença, qualquer problema, só poder ser efectivamente combatido quando os dados que sobre ele dispomos são reais. Basta pensar, por exemplo, na quantidade de boas políticas que podem ter sido abandonadas apenas porque, aparentemente, tiveram pouco efeito.

Momento Intimista do Dia

Não sei porque me deixo sempre seduzir pela solidão no meio de tanta gente. Não me refiro ao silêncio que muitos sentem, mesmo quando acompanhados, para o qual, aliás, tenho pouca complacência. Penso, isso sim, naqueles que se encontram deliberadamente sozinhos num espaço ou celebração que se convencionou imaginar colectivo. Talvez porque goste de lhes imaginar o trajecto, talvez porque a timidez pode ser mais desafiante que a bravura, talvez porque muitas das vezes me vejo nas mesmas circunstâncias.

Nem vale muito a pena racionalizar a coisa. Saber que me deixo seduzir parece bastar-me e já me dá muito que fazer. A vontade de saber, de conhecer, de tocar, de partilhar. Nunca atravessei a linha, com medo de aparentar ora paternalismo ora triste estratégia de engate. Mas há dias, como no concerto de ontem (“não está só a solidão, há tristeza e compaixão”…), em que essa linha custa a manter, como se fosse efectivamente normal largar o meu lugar para me sentar mais longe, só para poder juntar-me à tua timidez e, através dela, juntar-te ao refrão que todos cantávamos.

terça-feira, Novembro 20, 2007

Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte


Não sei se era maior o desejo ou o espanto, mas sei que por instantes deixei de pensar, uma chama invisível incendiou-me o peito, qualquer coisa impossível fez-me acreditar
Não sei como vai ser o concerto. Nunca sabemos, quando falamos de Jorge Palma, o que só o torna próximo de nós. Tão próximo que, em certos momentos, quase o sentimos ao nosso lado, a vibrar connosco, a rever-se connosco, a transpirar connosco. Tudo ali, mesmo nos álbuns que menos interesse me despertam, como o último, nos convoca para um destino comum: o de seguir sem destino à espera de ser chamado pela estrela do mar.

Nacional cançonetismo

E volta, uma vez mais, ao palco mediático, a questão das quotas de música nacional nas rádios. Sintomático que, em pleno começo de Século novo, estejamos enredados em velhas soluções. É caso para, novamente, perguntar que país é este em que as rádios não podem programar o que querem emitir e os cidadãos são obrigados a ouvir a música portuguesa num momento de absoluto êxtase nacional?

Poderia, como uma vez tive ocasião de escrever, pensar-se que estamos a falar do Portugal da outra senhora, embalado pelo nacional cançonetismo e alinhado bipolarmente entre Madalena Iglésias e Simone de Oliveira ou António Calvário e Artur Garcia. Mas não. Falamos do Portugal de hoje.

E foi do alto de um esplendor estatizante, e num unanimismo preocupante que tomou de assalto inclusivamente o meu partido, que a Assembleia da República determinou a imposição de quotas de música nacional às rádios portuguesas que, agora, a ERC tanto proclama.

De cada vez que a ERC arrota coisas dessas, músicos de pouca ou nenhuma qualidade regurgitam os seus acordes e debitam as suas inspiradas letras, festejando o mercado imenso que se abre à sua inenarrável falta de talento e vêem-se agora, nas programações, lado a lado, com os músicos de grande qualidade, que se esmeram na busca do perfeito.

Não vale agora o esforço de encontrar uma linguagem musical que se aclimate às sonoridades que a alma vai exigindo e o público aceitando. Porque uma lei qualquer, de um iluminado parlamento, permite que a mediocridade alcance a visibilidade e se engrandeça nas programações.

Mas claro que não passa na cabeça de ilustres legisladores nem magníficos reguladores que de cada vez que condicionarem o que se ouve na rádio mais direccionam as pessoas para os leitores de mp3, esse monumento de liberdade.

E claro, pouco tardará, está bem de ver-se, para o momento em que também os nossos leitores de mp3 vão estar sob a mira regulatória e, pasme-se, as nossas próprias playlists alvo de censura.

segunda-feira, Novembro 19, 2007

Momento Intimista do Dia


It's raining, it's pouring my lovelife is boring me to tears, after all these years
O dia está complicado hoje, não só mas também pelo trabalho. Não há tempo para ler, nem comentar, quanto mais escrever ou ripostar. Apenas alegar, facto a facto, artigo a artigo, rumo à conclusão final que, se tudo correr bem, sairá dentro do prazo. E chove. Gota a gota, ao ritmo do articulado que me pesa o dia, sem a energia destas senhoras, talvez porque não é mesmo a love life que está em risco. Talvez cinema, mais logo, para aliviar. Talvez leve love life comigo, fingindo comandar o que sem comando segue.

Tiros ao lado

Cada tiro, cada melro por jcd no Blasfémias
Fernando Serrasqueiro, fez mais uma tentativa para defender os consumidores. Conseguiu aumentar os custos do crédito à habitação.

sábado, Novembro 17, 2007

Get ready for the judgment day

Recomeço

Conta a Eugénia Melo e Castro que quis chamar o seu primeiro disco de Recomeço. Não a deixaram, que não fazia sentido nenhum, que alguém que começa não pode pretender um Recomeço. Ainda que o disco tivesse acabado por ganhar o sugestivo nome de Terra de Mel, que acolho sem hesitar, tenho pena que a história não se tivesse cumprido.

Desde então, não mais deixei de pensar que há, de facto, começos com sabor de recomeço. Coisas que começam antes mesmo de darmos por elas e que, no momento em que lhes deitamos mão, ainda que com vocação criadora, não podemos senão pensar que o gesto criador nos antecedeu.

Voltei a estas andanças quando soube que o Pedro Rolo Duarte chegou à blogosfera. Trata-se, claro, de um blogue que lhe marca a estreia. Mas a verdade, pelo menos para mim, é que há muito que o Pedro por cá anda. Primeiro, com desamor, nos tempos do DNA. Depois, com alguma desconfiança, mas já rigorosa atenção, na rádio, cedo vertida para blogue. Agora, finalmente, o Pedro (re) começou um blogue propriamente dito. E ainda bem.

sexta-feira, Novembro 16, 2007

A ler

The Trouble With Democracy por Walter Block, sobre o livro de Bryan Caplan, The Myth of the Rational Voter: Why Democracies Choose Bad Policies:


… most people reject the view that pushing up wages increases unemployment. When I teach intro econ, linking unemployment and excessive wages frequently elicits not only students’ disbelief, but anger: How could I be so callous? But irrationality about labor demand is selective. What happens when my outraged students reach the ‘Salary Requirements’ line on job applications? They could ask for a million dollars a year, but they don’t. When their future rides on it, students honor the economic truism that labor demand slopes down.

Socialismos (2)

Pelo Luís Novaes Tito fiquei a saber que o António Costa está a tentar elevar o IMI para a taxa máxima. Entretanto, claro, presumo que o concurso de ideias para o Parque Mayer continue o seu trilho, como se um tal aumento de impostos fosse compatível com determinado tipo de opções autárquicas e não constituísse um último recurso.

quinta-feira, Novembro 15, 2007

Paradoxo do dia

Costuma argumentar-se, em jeito de quem justifica a necessidade de gastar milhões com a RTP, que é necessária a existência de um canal que assegure obrigações mínimas de pluralismo. Que o sector, se deixado à livre concorrência, tenderá a dirigir-se no sentido pretendido pelos grupos económicos que os detêm. Que a televisão, sem o Estado, corre o risco de limitar a liberdade de expressão porquanto ficará dependente de interesses parciais, embora legítimos.

A lengalenga é tentadora. Mas depois vem a realidade. A triste realidade que desmente todo um discurso. Desta vez, é José Rodrigues do Santos que vê a porta da rua ser-lhe apontada. Não é o primeiro, nem será o último. Todos eles em nome do pluralismo e da liberdade de expressão.

Os artistas do mas

Não gostam do Chávez, pois não. Que não, que não é aquela esquerda que eles amam e representam. Que é excessivo e sai do caminho e do rumo. Que não, que o homem já perdeu o tino, Tudo isto muito geral, muito no ar, muito sem concretizar, que a coisa assim passa bem e dá para se demarcarem e mascararem.

Mas no concreto, no dia em que o senhor envergonha qualquer pessoa de bem, nesse preciso dia em tudo pode e deve ser escrito uma e outra vez, nesse momento em que demarcar-se é preciso, nesse dia é que quase se esquecem de o criticar. Que sim, que até merece censura, mas os outros merecem mais. E zás. 100 posts sobre os outros. E 1 sobre o Chávez, só para poder ripostar.

Parabéns, pois

Está de parabéns o André Abrantes do Amaral, que vem partilhando as observações que faz do país e do Mundo há já quatro anos.

terça-feira, Novembro 13, 2007

Isabel, a Solteira

O Museu Nacional de Arte Antiga vai ter salas de exposição fechadas por falta de pessoal. Isabel Pires de Lima, finge que não tutela o Instituto dos Museus e da Conservação, finge que não nomeia o seu Presidente, finge que este não lhe presta contas e diz que a culpa é do Instituto e não dela. O Instituto finge que não é nada com ele, como sempre. Só demitir Directoras de Museus é que é com eles.

E assim se faz a cultura no nosso país. Higienicamente monopolizada pelo Estado. Mas com salas fechadas. A culpa, essa, será enterrada no mais completo celibato.

Fascismo alimentar

O fascismo alimentar da ASAE já aí anda a produzir os seus perversos frutos, nada que não se esperava já. Os senhores autoritários da ASAE é que sabem o que devemos comer, como comer e onde comer. Cada um que se vergue ao supremo conhecimento da agência certificadora, ela que aí está para velar pela nossa segurança alimentar, impondo, exigindo, obrigando.

Com tanto autoritarismo, com tantas regras, com tantas imposições, fornecer refeições frescas deixou de ser possível. Ou seja, o absurdo e exagerado fascismo alimentar da ASAE conduziu a uma manifesta dificuldade de prestação de serviços alimentares assente em alimentos frescos e de qualidade. Resta a quem tem de prestar refeições encontrar alternativas que cumpram como a higiene mental que vai na cabeça dos senhores da ASAE. Nomeadamente, como nos noticia o Público, por recurso à tão saudável comida congelada. Nem pão de ontem já pode ser usado para fazer uma bela de uma açorda...

A comida com os sabores da dieta mediterrânica, que até Outubro era servida no refeitório da Santa Casa da Misericórdia de Faro, foi substituída pelas doses de alimentos estandardizados (tipo industrial), fornecida por uma empresa da especialidade. "Ganhou-se em segurança alimentar, perdeu-se em sabor e qualidade", reconhece o provedor Candeias Neto. O que o levou a tomar esta medida, diz, foi o receio de que a Autoridade para a Segurança Alimentar e económica (ASAE) lhe fechasse a cozinha, por falta de cumprimento das normas. Em vez do peixe fresco da ria Formosa, Candeias Neto diz que, contra a sua vontade, passou a dar de comer "congelados", distribuídos por uma empresa multinacional. (...)
Em Loulé, o provedor Filipe Semião reconhece que o futuro vai "passar pelas empresas que padronizam os hábitos alimentares", mas por enquanto não abdica dos sabores das terras do Sul: "Um dos hábitos da casa é fazer açorda uma vez por semana, mantendo os usos que muitos dos idosos tinham nas suas próprias casas". Mas, admite, não será por muito tempo. "As normas dizem que não se pode deixar pão de um dia para o outro, e como é que se faz açorda com pão mole?", questiona.

עוד שנה עוברת

Quatro anos de Judiaria merecem referência por estas bandas, sobretudo agora que foi devidamente identificado um lobby judaico na blogosfera, ao estilo de conspiração pela tomada do poder. É um dos meus blogues de eleição e é com gosto, muito gosto, que o vejo atingir uma maioridade blogosférica invejável.

Callate coño!

Não sou monárquico. Entre vários motivos, não o sou porque discordo da fonte de legitimação do poder em que assenta, na esmagadora maioria dos casos, a monarquia. Tendo a preferir, no caso das funções de Chefe de Estado, uma legitimidade electiva. Mas isso não me torna um fanático das eleições, como se apenas a democracia pudesse produzir bons efeitos e boas decisões.

A democracia é, por isso, pelo menos para mim, um meio, não um fim. Caso contrário, chegamos a este triste estado de não poder aplaudir Juan Carlos porque não foi eleito, deixando o bruto Chávez espernear ridiculamente enquanto vocifera anormalidades. Este é, aliás, um dos maiores perigos da popular tese de que o é que eleito é bom.

domingo, Novembro 11, 2007

"O óptimo é inimigo do bom"

Há um ditado com que eu embirro por ser disparate lógico: "o óptimo é inimigo do bom".
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Quando avaliamos algo como sendo "bom", estamos a dar-lhe uma classificação absoluta — objectiva ou subjectiva, não interessa — numa qualquer escala, que tem sempre um extremo "muito mau" e outro extremo "muito bom".

Numa só escala, o "óptimo" é sempre a alternativa que está mais próxima do extremo "muito bom". Assim, o "óptimo" pode ser um "mau" (é o "menos mau"), "mais ou menos", ou "bom".

Contudo, quando se fala de optimização, comummente estamos a referir-nos a uma avaliação em várias escalas. Nesta situação, torna-se mais difícil dizer o que é globalmente melhor ou pior, porque as soluções que são muito boas numa escala podem ser muito más noutra.

Por exemplo, os melhores produtos de consumo são frequentemente muito maus para a nossa carteira. E vice-versa. Ninguém chega a casa com um produto situado nos extremos considerando que fez uma compra óptima. Ou pagou fortunas ou comprou algo de péssima qualidade.

Quando funcionamos a várias escalas, o que na prática acontece quase sempre, deixa de haver "mau" e "bom". Há más escolhas, as que pioram a nossa situação, e boas escolhas, as que a melhoram. E a melhor de todas, a "mais boa", é a óptima.

Num mercado onde há liberdade de escolha, onde as escolhas não são de soma nula ou negativa, o óptimo é quase sempre amigo do bom.

sobre os casos mais bizarros do mundo judicial

De "Processou Deus por abusos e suborno" (PortugalDiário):
A astróloga russa Marina Bai apresentou-se perante um tribunal para processar a NASA por atentar «contra o estado natural dos cosmos e alterar de maneira irreparável as forças do universo». Em Agosto de 2005, a agência especial norte-americana acabava de enviar para o espaço um projéctil contra o cometa temple-1 e a astróloga russa considerava que o equilíbrio cósmico nunca mais voltaria a ser o mesmo, causando danos morais irreversíveis e consequências que deveriam ser compensadas com 310 milhões de dólares.

Pergunto-me quantos se rirão desta notícia, mas se substituíssemos "equilíbrio cósmico" por "equilíbrio ecológico" não estariam já a vociferar contra a Justiça norte-americana.

sábado, Novembro 10, 2007

Consenço Sientífico

De Bias and Concealment in the IPCC Process: The "Hockey-Stick" and its implications" (PDF) por David Holland:
The IPCC has no quality control systems or supervision to ensure that its governing principles are properly observed by its working groups, that the science it assesses has been fully open to informed challenge by critics and that it fully discloses the process by which it reaches its conclusions. Its resistance to openness and transparency allows invalid science such as the “hockey stick” to be relentlessly promoted against a background of lack of disclosure that denies other scientists access to the information they need to conduct independent studies. The IPCC’s governing principles are interpreted loosely, for example the strong scientific and statistical disagreements expressed by reviewers are not adequately, if at all, recorded in IPCC reports.

Unpublished papers supporting IPCC orthodoxy are included even though their supporting data and methodology are not available. The use of non-disclosure agreements runs entirely counter to the IPCC’s role. Far too much is made of “climate science” as a discipline. Only recently have there been formal courses in Climatology and most of the current senior practitioners gained their qualifications in other disciplines. More to the point, the shortcomings in many science papers used by the IPCC are not usually speciality-related but rather result from ignorance or misuse of advanced (and even standard) statistical methods, computer programming, basic scientific procedures and simple common sense.

sexta-feira, Novembro 09, 2007

The Most Beautiful Planetary Maps Ever


The Most Beautiful Planetary Maps Ever

Ar puro

O fumo público, diz o editorial do DN, é uma questão de saúde pública. E que proibi-lo não é um favor que se faz a uns quantos, mas que é antes uma obrigação devida a todos os cidadãos.

Não sei o que é isso de ser uma obrigação devida a todos os cidadãos. Nem sei quem pode, num belo de um editorial, asseverar com tal clareza quais as obrigações que são devidas a todos os cidadãos. Mas, para que fique esclarecido, e para que se altere o editorial, a obrigação é devida a todos os cidadãos, excepto o cidadão Adolfo Mesquita Nunes. Pelo menos.

Não que eu não goste de um restaurante sem fumo, que gosto. Mas não tenho direito a ele se essa condição não me tiver sido prometida pelo dono do restaurante.

A ver se percebemos. O dono de um restaurante, onde só vou se quiser que a minha casa tem cozinha, a mim não me deve nada. Nem eu a ele. É precisamente nesta relação de partida que se estabelecem as trocas que fazem o negócio avançar, com cedências e compromissos de parte a parte até encontrar um consenso que permita a prestação e o pagamento do serviço. E são essas trocas que permitem, precisamente, a tendência positiva de adesão à nova lei, que o DN noticia.

O erro comum

quinta-feira, Novembro 08, 2007

Diz o roto ao nu

Fica muito bem andar por estes dias a dizer que Portas e Santana são caras do passado e que, por isso mesmo, está José Sócrates livre de lhes responder apenas com picardias. Já tive oportunidade de dizer que me parece lamentável que um Primeiro-Ministro entre por esse caminho, esquecendo que o Santana e o Portas que estão sentados no parlamento são os deputados eleitos pelos portugueses e não as figuras do contra-informação.

Ambos podem ser caricaturados e alvo de picardias mas, no momento em que entram na sala do parlamento para, em nome dos portugueses, questionarem o Governo, não pode José Sócrates esquecer-se que é aos portugueses que ele está a responder. E não aos bonequinhos de vodoo que, em segredo, Santos Silva lhe vai passando por debaixo da bancada para ele alfinetar (e chamo Santos Silva, o Ministro Censor, à baila, porque dele partiu ontem mais uma falta de respeito pelos portugueses representados no parlamento, ao equiparar, como bem nota o Luís Novais Tito, Santana Lopes a uma cabra).

Mas não deixa de ser engraçado que o passado sirva de desculpa a José Sócrates para a nada responder quando, ele próprio, é o rosto de um passado que começou em 1995. E não deixa de ser curioso que os analistas, deliciados com a possibilidade de, uma vez mais, destacarem a inutilidade do regresso de Santana e Portas, se esqueçam de que desde 1995 até 2007, José Sócrates só esteve fora do governo durante 3 anos. Dos últimos 12 anos, 9 tiveram marca governativa de José Sócrates, dos quais apenas 2,5 ocorreram nesta legislatura.

Escola de terror

Vale a pena passar pelo Kontratempos para ver as imagens captadas há dias pela Força Aérea Israelita onde, como já vem sendo hábito, se vêem terroristas a utilizar uma escola como ponte de saída de morteiros de ataque a Israel. Se acaso houvesse resposta, sabemos as manchetes: Israel destrói escola na Faixa de Gaza.

quarta-feira, Novembro 07, 2007

Olívia patroa e Olívia costureira

Foi o Secretário-Geral do PS que se apresentou no parlamento a discutir o OE. O Primeiro-Ministro deve ter ficado algures numa qualquer cimeira europeia, onde em descanso devem repousar o sentido de estado e de responsabilidade perante o povo português.

José Sócrates pode não gostar dos líderes parlamentares da oposição que tem. Acontece que esses líderes também representam o povo português (e por acaso, por voltas que o Mundo dá, foram mesmo aqueles que o povo português quis eleger para lá estarem). E enquanto representantes do povo português é perante eles que o Primeiro-Ministro tem de prestar contas da sua governação.

José Sócrates preferiu, no entanto, actuar como líder partidário, com piadolas sobre tudo e sobre nada, com insinuações sobre tudo e sobre todos, inclusivamente comentando a situação interna do maior partido da oposição. Santana Lopes bem lhe poderia perguntar qual a expectativa do Governo quanto ao preço do chocolate preto em 2057 que logo José Sócrates lhe respondia que lá estava Santana a falar do passado. Paulo Portas bem lhe podia perguntar pela evolução da economia do amendoim nos próximos 80 anos, que logo Sócrates lhe respondia que a Paulo Portas mais não interessavam do que frases feitas.

Este desprezo de Sócrates pela oposição, para a qual esta muitas vezes contribui, diga-se em abono de verdade, resulta num desprezo pelo parlamento. E seria mais interessante que aqueles que vaticinam vitórias de Sócrates nestes debates de retórica se sentissem um pouco mais ofendidos pelo facto de o Primeiro-Ministro não ter respondido a uma única questão da oposição. E que esse facto, em parte alguma do Mundo, pode ser considerado uma vitória. Uma habilidadezinha sim. Uma vitória, não.

terça-feira, Novembro 06, 2007

Alegria fiscal

Soube pelo Michael Seufert que a banda portuese Os Azeitonas encontrou uma bela forma de trocar as voltas à voracidade fiscal do Estado. Impedidos de disponibilizarem CDs a preços atractivos, uma vez que o Estado os considera "artigo de luxo" e os sujeita a uma taxa de 21% de IVA a ser suportada pelo consumidor final, Os Azeitonas não se vergaram.

Porque consideram que a sua música é, tal como os livros (entre os quais o "Eu, Carolina, por exemplo), um "artigo de cultura" (sujeito a uma taxa de apenas 5%), Os Azeitonas decidiram disponibilizar o seu último álbum "Rádio Alegria" no formato "livro com oferta de CD", de forma a que os seus ouvintes os possam escutar sem desembolsar tanto:
Não é que os Azeitonas considerem o seu novíssimo “Rádio Alegria” o pão para a boca do povo. Mas quem quiser abanar o pé ao som destas novas músicas, não terá que pagar um imposto tão pesado. É que a “Rádio Alegria” chega-nos no próximo dia 2 de Novembro em formato “livro com oferta de CD”. Em certos casos, a lei perde-se no meio de tanto papel, ficando por definir com clareza a fronteira entre o que é “luxo” e o que é “primeira necessidade”. Por exemplo, um rolo de papel higiénico é tributado a 21%. Qualquer livro é fiscalmente mais leve. Num momento de aperto (fiscal, obviamente) é melhor optar por este último. Nestas alturas, mantenha sempre um exemplar do “Código do IVA” sempre à mão. É que convém nunca descurar a limpeza (fiscal).

Hora H

Faltam poucas horas para termos uma noção concreta do que significaram estes regressos de Paulo Portas e Santana Lopes. Os dois, de uma forma ou de outra, directa ou mediatamente, esperam protagonizar um novo ciclo, ainda que tenham sido protagonistas do ciclo cessante. Até aqui, criaram-se expectativas, desenharam-se estratégias, ensaiaram-se coreografias. O tempo agora é de resultados. A ver vamos que portas conseguem abrir, se é que as conseguem sequer empurrar.

E não será preciso muito para atestarmos das suas capacidades. Se há coisa que Portas e Santana não carecem, de todo, é de tempo. Sabem perfeitamente em que terrenos se movem, em que varas pisam e a desculpa do tempo para se aclimatarem não vai colar. É o agora ou nunca.

A ler

Rankings e Vouchers (ou classificações e cheques-ensino) por JCD no Blasfémias:

Nos últimos dias, os rankings estiveram debaixo de fogo. São uma falácia, dizia e repetia vezes sem conta Ana Sá Lopes no Contraditório. São enganosos. São mentirosos. Não servem para nada. Só se trouxerem informações adicionais sobre a envolvente socioeconómica de cada escola, exigem alguns. Não se pode comparar o que não é comparável. São uma ilusão. Deviam ser proibidos. (...)
A verdade é que os rankings nunca poderiam apresentar outros resultados. Que outra razão haveria para alguns pais, depois de pagarem os seus impostos para que os seus filhos e mais os filhos dos outros frequentem a escola pública, ainda paguem outro tanto para que os seus filhos frequentem uma escola privada?

segunda-feira, Novembro 05, 2007

Remember remember the 5th of November



Good evening, London. Allow me first to apologize for this interruption. I do, like many of you, appreciate the comforts of every day routine- the security of the familiar, the tranquility of repetition. I enjoy them as much as any bloke. But in the spirit of commemoration, thereby those important events of the past usually associated with someone's death or the end of some awful bloody struggle, are celebrated with a nice holiday. I thought we could mark this November the 5th, a day that is sadly no longer remembered, by taking some time out of our daily lives to sit down and have a little chat. There are of course those who do not want us to speak. I suspect even now, orders are being shouted into telephones, and men with guns will soon be on their way.

Why? Because while the truncheon may be used in lieu of conversation, words will always retain their power. Words offer the means to meaning, and for those who will listen, the enunciation of truth. And the truth is, there is something terribly wrong with this country, isn't there?

Cruelty and injustice, intolerance and oppression. And where once you had the freedom to object, to think and speak as you saw fit, you now have censors and systems of surveillance coercing your conformity and soliciting your submission. How did this happen? Who's to blame? Well, certainly there are those more responsible than others, and they will be held accountable, but again truth be told, if you're looking for the guilty, you need only look into a mirror.

I know why you did it. I know you were afraid. Who wouldn't be? War, terror, disease. There were a myriad of problems which conspired to corrupt your reason and rob you of your common sense. Fear got the best of you, and in your panic you turned to the now High Chancellor, Adam Sutler. He promised you order, he promised you peace, and all he demanded in return was your silent, obedient consent. Last night I sought to end that silence. Last night I destroyed the Old Bailey, to remind this country of what it has forgotten. More than four hundred years ago a great citizen wished to embed the fifth of November forever in our memory. His hope was to remind the world that fairness, justice, and freedom are more than words, they are perspectives.

So if you've seen nothing, if the crimes of this government remain unknown to you, then I would suggest you allow the fifth of November to pass unmarked. But if you see what I see, if you feel as I feel, and if you would seek as I seek, then I ask you to stand beside me one year from tonight, outside the gates of Parliament, and together we shall give them a fifth of November that shall never, ever be forgot.

A ler

Colonel McCandless to Private Sharpe, via Alastair Walling (Bernard Cornwell’s Sharpe series of books):
Without trade, Private Sharpe, we would be nothing but beasts in the mud. Trade is indeed worth fighting for, though the good Lord knows we don’t appreciate trade much. We celebrate kings, we honor great men, we admire aristocrats, we applaud actors, we shower gold on portrait painters, and we even sometimes reward soldiers, but we despise merchants. But Why? It is the merchant’s wealth that drives the mills, Sharpe, it moves the looms, it keeps the hammers falling, it fills the fleets, its makes the roads, it forges the iron, it grows the wheat, it bakes the bread, and fills the churches and the cottages and the palaces. Without God and trade we would be nothing.

Regresso

Acabado de regressar, com sonos por recuperar e moderação por reaprender, não tive ainda tempo de ler as várias questões coimbrãs que prenderam a blogosfera nos últimos dias. A elas tenciono voltar, com menos sono e mais moderação, sobretudo à temática do (anti) semitismo. Por agora, o trabalho, sempre ele.

Pergunta do Dia

E se os comunistas que agora perdem tempo assinando um petição contra um Museu dedicado a Salazar lá para os lados de Santa Comba, se dedicassem antes ao trabalho de recolher fundos para fazer um Museu dedicado à visão que os comunistas têm de Salazar?

domingo, Novembro 04, 2007

Remember this 5th of November...

...e 'the only man to ever enter parliament with honourable intentions'!

Amanhã, a campanha Ron Paul for President 2008 propõe juntar cem mil pessoas a doar cem dólares cada, para um total de dez milhões de dólares de contributos.

O objectivo é extremamente ambicioso e prevê-se que os fundos gerados fiquem aquém da fasquia. Contudo, é inevitável que o movimento crie sensação nos media, aumentando não só o cash-on-hand do candidato, mas também a sua visibilidade.





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bonus:

Sex Pistols no show de Jay Leno, onde Paul foi entrevistado


'Anarquia', segundo Thomas Jefferson:
"We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness. — That to secure these rights, Governments are instituted among Men, deriving their just powers from the consent of the governed, — That whenever any Form of Government becomes destructive of these ends, it is the Right of the People to alter or to abolish it, and to institute new Government, laying its foundation on such principles and organizing its powers in such form, as to them shall seem most likely to effect their Safety and Happiness."

...solitary, poor, nasty, brutish and short

"What the New Atheists Don’t See" por Theodore Dalrymple:
The thinness of the new atheism is evident in its approach to our civilization, which until recently was religious to its core. To regret religion is, in fact, to regret our civilization and its monuments, its achievements, and its legacy. And in my own view, the absence of religious faith, provided that such faith is not murderously intolerant, can have a deleterious effect upon human character and personality. If you empty the world of purpose, make it one of brute fact alone, you empty it (for many people, at any rate) of reasons for gratitude, and a sense of gratitude is necessary for both happiness and decency. For what can soon, and all too easily, replace gratitude is a sense of entitlement. Without gratitude, it is hard to appreciate, or be satisfied with, what you have: and life will become an existential shopping spree that no product satisfies.

quinta-feira, Novembro 01, 2007

Até já

Vou estar por fora, em Sevilha. Espero de lá voltar com travo a laranja, para disfarçar o limão que comigo sempre carrego, e com o flamenco na ponta da língua. Ou dos pés, neste caso. Espero que o António desperte do seu sono profundo e aqui deixe um ou outro post, numa de se lembrar que tem um blogue que não deveria ficar sem actualizações. Bom feriado (e boa ponte aos mais sortudos).

O truque

Advice for the next Conservative leader no mediocracy:
Claim to be left-wing libertarian. That way you can legitimately (or at least, more legitimately) attack interventionist policies without seeming to be right-wing, which is nowadays regarded as morally indefensible. The concept of right-wing is too tied up in people’s minds with taboos such as racism and defending the interests of the rich. Libertarianism is not associated with racism, and is a little less tarred with the brush of elitism.