"A Arte da Fuga" ("Die Kunst der Fuge", BWV 1080) é uma obra-prima de Johann Sebastian Bach:
um único tema musical persegue-se, a si mesmo e as múltiplas variações, num diálogo musical intenso desenvolvido a diversas vozes, rico de simetrias, inversões, ritmos e tempos diferentes.
Fugas para aartedafuga@gmail.com
segunda-feira, março 31, 2008
Interesse nacional? Naaahhh! (3)
De facto, quer as acusações de Borges, que se queixa de ter visto cancelados todos os contratos com a Goldman Sachs depois da sua participação no Congresso do PSD, quer a resposta de Manuel Pinho, instando os governos anteriores a explicar as verbas envolvidas na consultoria da Goldman Sachs, mostram bem que, no fundo no fundo, a economia nacional é utilizada como joguete ou trunfo na luta política e partidária.
Não interessa apenas descobrir se é mesmo verdade aquilo que Borges diz, porque a reacção de Pinho, embora desmentindo, acusa bem o toque de que, a não ser verdade, poderiam bem ter sido, porque é assim que se passam as coisas.
É por isso que custa ver algumas das mais inflamadas defesas da intervenção estadual na economia. Porque de cada vez que se fala em proteger o interesse nacional, sabemos bem que de nacional tem pouco.
Inignados ma non troppo
Os modernos ditadores
sexta-feira, março 28, 2008
Coitadinha da menina
Antigamente
É por isso mesmo que a coisa vai como vai. Quando a maioria dos que nos governam e representam só conseguem perceber o que foi sem vislumbrar o que vem temos o o contexto ideal para o marasmo imobilista em que vivemos. E lá se transfere a rapariga, para longe dos olhos, para que mais ninguém dela se lembre até que a TVI, daqui a 10 anos, faça um reportagem ao estilo what happened to.
Divórcio
Porque ao contrário daquilo que o PS e o Bloco parecem afirmar, as recentes propostas legislativas não oferecem maior liberdade às pessoas. Antes a restringem, porque tendem a matizar fórmulas, sempre insuficientes para satisfazer as inúmeras motivações dos casais, quase sempre num espírito de engenharia social que tem como resultado a confusão geral e a imposição, aos casais, de regras que eles não querem nem pediram.
Em vez de passarem horas a discutir a vida dos outros, os deputados deveriam limitar-se a abrir a conformação dos termos do contrato à vontade dos casais. E ponto final.
quinta-feira, março 27, 2008
Afinal
Querem mesmo reformar? (2)
Daí que ou os ministros que por lá andaram são todos uns mentirosos e incompetentes, o que duvido, ou a questão é mesmo de paradigma de Estado.
Querem mesmo reformar? (1)
De facto, como tive ocasião de escrever num artigo publicado na Atlântico, chamado a Reforma da Administração Pública segundo Miss Marple, a reforma da Administração Pública é quase sempre olhada sob um ponto de vista de racionalização financeira, o que dá bem conta, ou bem ajuda a explicar, o porquê dos sucessivos falhanços dos seus intentos:A diminuição dos gastos correntes do Estado não pode ser feita de forma séria sem uma redefinição das funções do Estado. Qualquer plano de intenções sem esta redefinição será manco de sentido e de critério no corte.
O mesmo é dizer que as propostas de reforma que actualmente se conhecem se propõem resolver o problema do gigantismo estadual sem, por um momento, se deterem nos pressupostos em que este assentou e nas linhas de força que actualmente ainda o motivam. Na verdade, essas propostas parecem quedar-se por um conjunto avulso de medidas de gestão e racionalização financeira, como se a evidente falência do Estado Social se resumisse a uma incapacidade económica temporária da intervenção estadual em alcançar os seus objectivos prestadores.
O resultado desta recusa em debater os fundamentos da intervenção estadual não é benéfico para ninguém, nem para a própria administração pública, que se vê objecto de experimentalismos diversos que nada resolvem e que, em alguns casos, são totalmente contraproducentes.
Importa, por isso, colocar a questão determinante, fora do estrito âmbito financeiro em que a reforma da administração pública vem sendo encarada entre nós: está a administração pública dotada de capacidade e legitimidade para definir e prosseguir um interesse geral, consensual e permanente, que não se confunda com o interesse governamental nem com os interesses e objectivos sectoriais e particulares, ainda que partilhados por uma maioria?
terça-feira, março 25, 2008
The Economic Organisation of a P.O.W. Camp
Although a P.O.W. camp provides a living example of a simple economy which might be used as an alternative to the Robinson Crusoe economy beloved by the textbooks, and its simplicity renders the demonstration of certain economic hypotheses both amusing and instructive, it is suggested that the principal significance is sociological. True, there is interest in observing the growth of economic institutions and customs in a brand new society, small and simple enough to prevent detail from obscuring the basic pattern and disequilibrium from obscuring the working of the system. But the essential interest lies in the universality and the spontaneity of this economic life; it came into existence not by conscious imitation but as a response to the immediate needs and circumstances. Any similarity between prison organization and outside oganization arises from similar stimuli evoking similar responses.
Mutualismo
segunda-feira, março 24, 2008
Academia
(...) academia is no more about making useful intellectual progress than advertising is about informing consumers. Professors seek prestigious careers, while funders and students seek prestige by association. Academics talk and write primarily to signal their impressive mental abilities, such as their mastery of words, math, machines, or vast detail. Yes, contributing to useful intellectual progress can sometimes appear impressive, but the correlation is weak, and it is often hard to see who really contributed how much. Progress happens, but largely as a side effect.
Pergunta do Dia
Bloqueios Constitucionais (1)
Penso que a razão está algures entre ambos. Se é certo que, com o Henrique, concordo que a CRP contém em si mesma uma aptidão de bloqueio, inscrita em várias normas e alimentada por várias interpretações, também não posso deixar de, aproximando-me do Pedro, registar a aparente falta de vontade de todos os governos em imprimir uma revisão ou ruptura constitucional de forma a permitir as tais reformas.
Daí que os exemplos de reformas que a CRP efectivamente está apta a bloquear sejam apenas, até ao momento, bloqueios teóricos, abstractos, que ninguém ousou transpor precisamente porque ninguém ousou discordar.
Assim, pode dizer-se em abstracto que a CRP impede, no seu texto actual, que se toque, por exemplo, na configuração dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos; nos direitos dos trabalhadores, das comissões de trabalhadores e das associações sindicais; na coexistência do sector público, do sector privado e do sector cooperativo e social de propriedade dos meios de produção; na existência de planos económicos no âmbito de uma economia mista ou no sistema eleitoral de representação proporcional.
Bloqueios Constitucionais (2)
É assim Pedro, por exemplo, que há quem veja na CRP a imposição de uma RTP estatal, de um Serviço Nacional de Saúde eminentemente estatal ou a proibição de um sistema fiscal assente na flat tax.
Claro que está que a CRP poderia permitir interpretações mais abertas às reformas. Poderia e pode. Acontece, porém, que essas interpretações tardam em chegar e, quando chegam, defrontam-se com inúmeros obstáculos, nomeadamente porque precisam de um consenso que a oposição não gosta de proporcionar.
A coisa agrava-se quase sempre com o PS na oposição, que tende a servir-se da CRP, quase sempre com a conivência do Presidente da República, para obstar às reformas governativas, bloqueando-as ou mitigando-as. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Código do Trabalho de Bagão Félix, que começou por ser uma montanha e acabou um rato.
brevemente de partida
Sao os loucos de Lisboa
Que nos fazem duvidar
Qu'a Terra gira ao contrário
E os rios nascem no mar
domingo, março 23, 2008
Organs for sale
Kidneys For Sale?
Virgina Postrel, do Cato Institute em Free the Kidneys (Reason):
The video is excellent, even though all of us look pretty awful. The only thing I'd fault it for is not making the point that--I cannot say this often enough--EVEN IF EVERY SINGLE ELIGIBLE CADAVER KIDNEY WERE DONATED, THERE WOULD NOT BE ENOUGH. This shortage cannot be fixed by changing the law to override families' wishes and turning everyone who hasn't explicitly said no into a deceased donor ....
A não perder: Organ Sales and Moral Travails: Lessons from the Living Kidney Vendor Program in Iran;
If a decade's worth of reports in the transplant literature are to be believed, only one country in the world does not suffer from an organ shortage: Iran. Although Iran clearly does not serve as a model for solving most of the world's problems, its method for solving its organ shortage is well worth examining. Organ donation is ubiquitous throughout the world, but Iran is the only country that legally permits kidney vending, the sale of one individual's kidney to another suffering from kidney failure.
sexta-feira, março 21, 2008
The best five years
"Focusing on GDP per person also affects comparisons of economic health over time. During the past five years, world GDP has grown by an average of 4.5% a year, its fastest for more than three decades, though not as fast as during the golden age of the 1960s when annual growth exceeded 5%. But the world´s population is now growing at half of its pace in the 1960s, and so world income per head has increased by more over the past five years than during any other period on record. Mankind has never had it so good."
Not Worth Metal Its Made Of
Batalha contra a concorrência (1)
Consistia num modelo simples para empreender a análise de um determinado mercado (Industry Analysis). Cinco categorias ("forças") sumarizavam as condições do mercado, traduziam as ameaças à sustentabilidade competitiva que qualquer agente enfrenta continua e dinamicamente, e permitiam apontar caminhos para formulação de uma estratégia comercial coerente.
Aqui, um bom Youtube com Michael Porter himself.
O Garrett já não mora aqui

Nas minhas andanças por Lisboa passei pelo local onde antes ficava a Casa Garrett, assim elevada a maísculas por alguns histéricos do Património Cultural da Humanidade e Aléns. Poucos se lembram, mas no local existia um barraco forrado a azulejos. Hoje existe um barraco forrado a mármore. É feio que dói, mas pelo menos é salubre. Da "memória" de Almeida Garrett lá ter vivido, nada. Fica a Imensa Revolta por não haver ali nem uma plaquinha alusiva. De certeza faria muita gente correr para as livrarias comprar livros do visconde.
It’s About Freedom, Not Climatology
For over seventeen years I have witnessed at United Nations international gatherings so much ego, money and meeting time being poured into this global central plan to ration energy – to control carbon dioxide by controlling people. To control people by controlling carbon dioxide. To brand the stuff of life – carbon – a deadly pollutant. Political, activist and business careers, especially legal careers, now depend upon creating this new bureaucratic global layer of rules and regulations. The new-age rulers want the wealth and power that will accrue to them as they impose their centralized, consummate plans upon us.
The Czech Republic’s President stands firm, honoring the lives and liberties of his citizenry against this particular brand of fresh oppression ....
"Future dangers will not come from the same source [communism]. The ideology will be different. Its essence [environmentalism and climate alarmism] will, nevertheless, be identical – the attractive, pathetic, at first sight noble idea that transcends the individual in the name of common good, and the enormous self-confidence on the side of its proponents about their right to sacrifice the man and his freedom in order to make this idea a reality."
"What I see in Europe and the U.S.," Klaus cautioned, "is a powerful combination of irresponsibility, of wishful thinking, of implicit believing in some form of Malthusianism, of a cynical approach of those who are themselves sufficiently well-off, together with the strong belief in the possibility of changing the economic nature of things through a radical political project."
efemérides
Na altura contra-argumentou-se que o Road to Serfdom estava sim a ser percorrido, mas não com as mesmas etapas. As sociais-democracias davam sinais de começar pelo fim da enumeração de Hayek.
Impossibilitadas de controlar directamente a economia, entretinham-se a ordenar o uso do corpo (o que se fuma, o que se bebe, o que se come) e da mente (como se diz, como se pensa, como se publica). E em pinça, crescia o welfare state, a burocracia, o corporate-welfare, o corporativismo, o proteccionismo, o nannystatismo.
Adiante, quais são os sintomas da aplicação da social-democracia a um nível local, ou seja, a um domínio com reduzida capacidade legislativa e jurídica? Dito de outra forma, funcionaria a social-democracia se limitada?
Em quanto tempo deixa a sociedade de reagir quando sujeita a doses maciças de keynesianismo económico e intervencionismo social?
a system which nobody can control
In a system of free banking, institutions that do not protect the value of the currency simply collapse--and their collapse does not wreck the entire economy. Under a rule of law that punishes fraud and counterfeiting, the risk of failure without bailouts is enough to guarantee a more stable system. And in such a system, it would be harder for the government to spend as much money as it does now--a major factor in the devaluation of the dollar--because it could not create money, only tax and borrow.
Advocating the abolition of the Federal Reserve, an institution people take for granted, seems too radical for most people, who think financial crises are the result of too little, not too much, government regulation.
terça-feira, março 18, 2008
Self-ownership
A man in Australia is auctioning his life -- his house, his job, his clothes and his friends -- on eBay, after his marriage broke up, saying he wants to start a new life.
segunda-feira, março 17, 2008
Sobre a difamação
A decisão "Colunista Daniel Oliveira condenado a pagar dois mil euros a Alberto João Jardim por difamação" (Público), que visou o texto "O Palhaço Rico" (Arrastão) é patética. Chamo patética para não chamar palhaça. Não que AJJ não tenha razões para achar que DO foi incorrecto.
É que não interessa a ninguém. O "bom nome" é um intangível que a ninguém pertence; e se a "sociedade" se não gosta de garotadas bem pode repudiar uma ou outra personagem, ou as duas. Não é preciso — ou legítimo — qualquer policiamento dos pensamentos ou das palavras.
Ao tornar o insulto um produto escasso, o Estado aumenta artificialmente o seu valor. Torna-o mais apetecido. Incentiva o insulto velado, a insinuação reles, a crispação social. E alimenta a sua máquina de suave e sorridente repressão.
Mais: qualquer pena devia ser paga no mesmo género, se e quando possível. Tanto melhor, porque o "bom nome" não é quantificável. Se é entendido que DO ofendeu AJJ, então AJJ devia poder insultar o DO sempre e quando lhe apetecesse durante uns tempos. Íamo-nos fartar.
Emergency relief
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Nos últimos sete meses muita coisa mudou na minha vida. Durante sete anos li pelo menos um jornal por dia, pelo menos quatro ou cinco livros por mês, pelo menos uma ou duas horas diárias e conteúdo online. Para não falar de muito cinema e música, e outra actividade cultural. Não consigo deixar de sorrir com o nonsense cultural que juntei neste blogue - especialmente nos primeiros tempos do AADF. Não houve vergonha em combinar política, economia, literatura... com Bach, zombies, Monty Python, astronomia, cultura cyber-nerd...
Todos estes hábitos pouco salutares tiveram de ser adiados quando decidi, no ano passado mais ou menos por esta altura, ir fazer um MBA para Barcelona. To cut a long story short, nunca trabalhei tanto na vida, nunca tive tão pouca vida pessoal ou tempo livre. Simplesmente não tenho tempo para me manter actualizado com o que se passa em Portugal. Tão pouco com os duzentos posts diários dos blogues de referência.
Isto não quer dizer que mais nada se passe por lá, de interesse para este blogue. Antes pelo contrário. Aquela escola está empestada de socialistas e a luta continua. Para já, estou a dirigir o International Politics and Economics club. Já lá levámos o Tyler Cowen. Tenho mais dois lecturers para falar da Escola Austríaca (espero que tenhamos oportunidade para algum Fed-bashing). E mais em linha. Mas não há tempo para o follow-up. Tenho mantido um blogue pessoal, para dar notícias a família e amigos, mas nada mais.
Enfim, é bom estar de volta. E voltar a partilhar este espaço com o Adolfo, nem que seja por uma semana - uma mini-silly-season. Durante os últimos meses o AADF esteve em grande; confesso que algumas vezes adiei ler os post dele porque eu sabia que me iriam obrigar a investir tempo de "cabeça", luxo dos luxos. Em linha também está contribuir um pouco para O Insurgente, antes que o colectivo liberal-fásssista pense que eu perdi a minha consciência de classe.
Para acabar, basta dizer que a primeira pessoa a quem telefonei quando cheguei foi precisamente o Adolfo. Antes que a música comece a tocar, um esclarecimento. Eu precisava de me orientar num determinado bairro lisboeta. Lá fora do carro só havia prostitutas de maçã de Adão à mostra (e graças a Deus que ainda vivemos num país púdico). "Ajuda-me e logo falamos". Adolfo, amigo, deixa-me compensar pelo insulto. Quando é que vamos jantar?
Mudam-se os tempos
Mobilização
Boa notícia
Ainda que eu me preocupe um bocadinho com esta institucionalização do «Pedro Mexia». Quer isto dizer que não teremos mais textos sobre «pichotas» e «coninhas»? Aguardemos.
Triste ideia
O triste destas medidas é que assentam no pressuposto de que o individuo é um atrasado mental que é incapaz de decidir por si próprio e que, já se vê, carece do sempre mui leal e diligente Estado para lhe indicar o caminho e o proteger de si próprio.
Que haja quem aceite tal condição, numa confrangedora maioria, é o mais triste dos nossos problemas. Mas o mais profundo dos nossos problemas é que essa maioria seja suficiente para aniquilar as liberdades de quem não aceita ver-se sujeito ao Estado.
sexta-feira, março 14, 2008
aka "não temos de perder tempo com o país"
O vazio
Mas nada disso o livra, nem deveria, do insustentável vazio que a sua liderança representa, não para o PSD, mas para o país. A entrevista a Judite de Sousa foi, como aliás têm sido todas as suas intervenções, paradigmáticas da absoluta ausência de uma ideia de país.
Quotas leiteiras
Pois parece que, como qualquer pessoa de bom senso deveria saber, a tecnocracia europeia foi incapaz de prever a evolução do mercado e agora, lamentavelmente, “o mercado mundial do consumo de produtos lácteos alargou-se entretanto de tal maneira que os preços estão a subir fortemente há dois anos e a oferta não acompanha”.
Seria talvez conveniente retirar algumas lições daqui. E, já agora, que os decisores da UE fossem obrigados, do seu património pessoal, a reembolsar os produtores pelos prejuízos causados e os consumidores pelos preços pagos a mais à conta de uma decisão absurda.
quinta-feira, março 13, 2008
Pergunta do Dia
O trabalho de Menezes
Não que com ele a coisa clarifique o que quer que seja, mas porque a erosão do PSD, partido a mais no nosso sistema (o que não equivale a dizer pessoas a mais), constituirá, sem qualquer sombra de dúvida, um motor de redefinição da direita.
Não quero com isto dizer, acalmem-se aqueles que nisto vêem qualquer tipo de partidarite (ainda que no bom sentido, claro...), qeu é o CDS que vai aproveitar com essa erosaõ, até porque, segundo creio, qualquer naufrágio do PSD será sempre replicado no CDS.
Quero apenas significar que aquilo que o Menezes está a colocar em causa, com o apoio das bases finalmente deixadas à solta, é a função do PSD no nosso sistema.
Sempre a aprender
quarta-feira, março 12, 2008
Obscena #10
Pecados
terça-feira, março 11, 2008
Geração Órfã (1)
É a geração que não entende onde está o direito de um ente estranho lhe determinar com tanto rigor quase tudo o que a vida tem para oferecer. Não se trata apenas de uma geração a pedir ao Estado que lhe desampare a loja mas, muito mais importante do que isso, uma geração que não se coíbe de exigir como direito uma inalienável esfera de liberdade que lhe permita decidir o rumo a dar à sua vida.
Tenho dedicado grande parte da minha intervenção, quer no blogue, quer nos artigos que escrevo, quer ainda nos órgãos do partido a que pertenço, a tentar chamar a atenção para esta nova geração de gente. Aliás, se há alguma linha condutora naquilo que escrevo e digo, em termos de intervenção política, será precisamente a atenção prestada a esta nova geração, que tantos confundem, com boa vontade, com a nova direita e que, não tendo até ao momento encontrado qualquer resposta em termos políticos, não pode senão sentir-se órfã e encaminhar-se para a esquerda.
Não que a esquerda lhe ofereça, no alto da sua superioridade, maiores liberdades que a direita. Basta aliás olhar para os programas políticos da chamada esquerda moderna para logo lhe encontrar verdadeiros programas de engenharia social: o que comer, o que beber, o que vestir, como viajar…
Geração Órfã (2)
Tenho escrito isto por diversas ocasiões e a diversos pretextos. E quase sempre as reacções que obtenho, por parte de quem pertence ou se encontra próximo dos partidos da direita, são de incompreensão. Lembro-me, por exemplo, do artigo que escrevi sobre casamentos entre pessoas do mesmo sexo, em que defendi que o Estado não tinha que intrometer-se nos contratos celebrados para esse efeito, para logo me acusarem de querer estar a ceder a uma qualquer cartilha esquerdista. Daí a lacaio do Bloco e a idiota útil foi um passo.
Não me assustam essas reacções, aliás perfeitamente legítimas, nem sequer as acusações, sempre prontas nestas coisas, de estar a tentar desvirtuar o código genético da direita. Sei qual é o meu caminho, que piso com clara consciência, como bem diz o Helder n'O Insurgente, que "é na direita liberal/conservadora que desde a WWII se situa a liberdade de escolha" e que "o empecilho tem sido sempre a ideia atávica da utilização do poder do estado para impedir a ruptura com as tradições, com o belo resultado que se tem visto".
Geração Órfã (3)
Para conseguirem falar a esta geração, os partidos de centro-direita têm, antes de mais, que ser modernos, abertos e tolerantes. É o conservadorismo moral que afasta, instintivamente, esta geração da direita e a aproxima da esquerda. Por razões históricas, a direita em Portugal está associada a uma cultura que julga e condena antes de tentar compreender. Ora a geração “recibo verde” é tolerante, respeita a diversidade e vive de um modo pouco ortodoxo. Não é um crime, nem um erro, desejar escolher o modo como se quer viver. Não devemos olhar para as pessoas como culpadas por escolherem certos modos de vida com os quais não nos identificamos, mas sim como livres para o fazerem. Julgar e condenar os outros pelo seu modo de vida constitui uma arrogância inaceitável. Ora, em Portugal, a direita cai muitas vezes neste erro. O que não deixa de ser um pouco estranho, tendo em conta a tradição de tolerância nas famílias ideológicas do centro-direita. A consciência da fraqueza e da imperfeição da condição humana e da impossibilidade de a tornar “avançada” é um traço da maioria das correntes liberais e conservadoras. Vive e deixa viver deverá ser um dos princípios condutores a direita. Se assim for e o disserem claramente, a geração adiada começará a olhar de um modo diferente para os partidos de centro-direita.
Nova casa
Pois o Blogue Atlântico mudou-se, como tantos outros, para o Sapo, obrigando-nos a mudar as nossas linkagens. Boa sorte nessa nova casa.segunda-feira, março 10, 2008
Notas pós-férias (3)
Notas pós-férias (2)
Notas pós-férias (1)
Dasex do Dariz Semanal
terça-feira, março 04, 2008
sábado, março 01, 2008
Momento Intimista do Dia
O AA faz anos hoje. Já se nota o peso, coitado. Decrépito e acabado, já nem forças encontra para escrever. Parabéns António!E eu estou de partida para uma semana de férias. Volto sem pernas partidas, assim o espero, dia 9. Até lá, fiquem com as maluqueiras do aniversariante, se ele ainda não se tiver esquecido que tem um blogue...





