terça-feira, março 11, 2008

Geração Órfã (1)

Escrevi em tempos dois artigos para o extinto O Independente que decidi intitular de Geração Órfã. Neles descrevi aquela que penso ser uma nova geração de portugueses, que exige mais espaço (o seu) para as suas escolhas.

É a geração que não entende onde está o direito de um ente estranho lhe determinar com tanto rigor quase tudo o que a vida tem para oferecer. Não se trata apenas de uma geração a pedir ao Estado que lhe desampare a loja mas, muito mais importante do que isso, uma geração que não se coíbe de exigir como direito uma inalienável esfera de liberdade que lhe permita decidir o rumo a dar à sua vida.

Tenho dedicado grande parte da minha intervenção, quer no blogue, quer nos artigos que escrevo, quer ainda nos órgãos do partido a que pertenço, a tentar chamar a atenção para esta nova geração de gente. Aliás, se há alguma linha condutora naquilo que escrevo e digo, em termos de intervenção política, será precisamente a atenção prestada a esta nova geração, que tantos confundem, com boa vontade, com a nova direita e que, não tendo até ao momento encontrado qualquer resposta em termos políticos, não pode senão sentir-se órfã e encaminhar-se para a esquerda.

Não que a esquerda lhe ofereça, no alto da sua superioridade, maiores liberdades que a direita. Basta aliás olhar para os programas políticos da chamada esquerda moderna para logo lhe encontrar verdadeiros programas de engenharia social: o que comer, o que beber, o que vestir, como viajar…

9 comentários:

  1. Gostei de te ouvir ontem na radio club. Tu és de longe o melhor que o CDS tem.

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  2. Caro AMN,

    Acho bastante interessante a sua ideia de fundo presente nos três textos “Geração Órfão”. A tensão que se estabelece numa geração, em tempos intitulada de “rasca”, que agora se vê diante de uma realidade cultural e social bastante multifacetada. Por um lado, a tradição, a história que de alguma forma nos funda(menta), por outro, a vontade de reconhecimento dos direitos individuais. E, em plena tensão, cada qual tenta avançar para o reconhecimento, mais do que da honra, para a dignidade intrínseca ao humano.

    Claro, o mais fácil é estar-se situado em categorias estanques – que costumo de denominar de rótulos e que me fazem bastante confusão – que dão bastante segurança. A meu ver, nalguns casos, uma segurança estéril que não permite o real avanço da sociedade. Se não estou na Lei, estou fora da Lei. Ora, à partida isto poderá ser visto apenas no lado conservadorista da direita, mas na esquerda também se dá. Se não vives o meu plano ideológico, não fazes parte do partido. Os extremos são sempre perigosos. Em ambos, não há liberdade.

    Então, o que se passa hoje em dia? Desde sempre que existe a famosa tensão geracional – “no meu tempo é que era!” –, no entanto, na actualidade este confronto é mais delicado por vivermos mergulhados numa sociedade em que a informação é cada vez mais abundante e complexa. Creio que se deve avançar para o diálogo entre o que a história me pode dar, com o olhar da realidade presente, numa visão de futuro. Daí pensar nesta tentativa de alternativa que consiste precisamente no diálogo, no qual, mais do que viver como exclusividade, os partidos, as pessoas, os grupos, devem ter uma visão de integração, no fundo de pluralidade. Esta pluralidade que falo, não é relativista, em que cada qual vive como quer e lhe apetece, mas de integração, onde o melhor de cada é apresentado como a mais valia para a vivência da dignidade humana.

    [Não sei se me expliquei bem, é sempre difícil fazer um comentário em poucas palavras sobre algo tão complexo como o que apresenta… De facto, concordo que deve ser pensado seriamente…]

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  3. ... geração forever young!!!...

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  4. Caro Adolfo,

    Leio o seu lamento de órfão e não posso deixar de lhe deixar aqui o incentivo possível, de alguém que não o conhece pessoalmente, que pertence a uma outra geração (talvez a dos seus pais), que não comunga muitos dos seus ideais libertários, mas que lhe reconhece fibra e densidade suficientes para, se quiser, dar a volta ao texto que escolheu.

    Adolfo, não é novidade para ninguém, que muitos proclamam em Portugal os ideais libertários em quase privado mas não se observou ainda um conjunto de gente decidida a assumir-se claramente liberal, propor um programa liberal, lutar por um partido inequivocamente liberal.

    Provavelmente esse partido teria uma expressão reduzida à partida mas provocaria uma discussão diferente na sociedade portuguesa, que bem precisa.

    Não tenho a pretensão de lhe dizer, seja o que for, que seja novo. Porque só tenho uma pretensão com este comentário: dar-lhe o pequenino incentivo que me é possível para que conjugue esforços com outros e vá para a frente.

    Ainda que não vá para onde me situo.

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  5. ... há uma música linda dos The Divine Comedy... "Generation Sex" que não resisto e transcrevo:

    Generation sex respects the rights of girls
    Who want to take their clothes off
    As long as we can all watch that's OK
    And generation sex elects the type of guys
    You wouldn't leave your kids with
    And shouts "off with their heads" if they get laid
    Lovers watch their backs as hacks in macs
    Take snaps through telephoto lenses
    Chase Mercedes Benz' through the night
    A mourning nation weeps and wails
    But keeps the sales of evil tabloids healthy
    The poor protect the wealthy in this world
    Generation sex injects the sperm of worms
    Into the eggs of field mice
    So you can look real nice for the boys
    And generation sex is me and you
    And we should really all know better
    It doesn't really matter what you say

    ... :)))

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  6. Este texto roça o paranóico, desculpa que te diga...

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  7. Obrigado jv. Estou certo que isso se deverá também à falta de exposição bloguística de muitos outros membros do CDS.

    Paulo,
    Concordo em parte. Como individualista que sou, não sou propriamente adepto de dividir o mundo em rótulos, em grupos ou até em partidos. Seria importante que pudessemos todos começar a olhar para o mundo dessa forma. E que deixassemos cada um aderir às tradições que entende.

    Pedro e AA,
    A música é de facto excelente.

    Pedro Sá,
    Bósnia 97.

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